Maria Adelina Caravana

Maria Adelina Caravana

Pedagoga

 “Grande pedagoga e uma mulher com uma visão extraordinária que deixa o seu nome na História do Ensino da Música em Portugal. Infelizmente em Braga poucos a conhecem e alguns alunos nem sabem porque é que o auditório do conservatório tem o seu nome.”

Elisa Lessa

“Conheci a Sª D. Maria Adelina Caravana Rigaud de Sousa pouco após ter feito três anos de idade, quando integrei um pequeno grupo de alunos de educação musical. Foi uma experiência por ela iniciada em Braga para o ensino precoce da música. Nesse grupo, não éramos mais de seis e não refiro nomes por recear errar algum. Tínhamos aulas numa pequena sala do rés-do-chão de um edifício no denominado “Campo Novo”.

O edifício era propriedade do Brigadeiro Caravana, pai da D. Maria Adelina Caravana, senhor de grande prestígio e poder económico que sempre a apoiou demonstrando carinho para com o projeto da filha – o sonho de construção de uma escola artística segundo modelos inovadores de ensino. O Brigadeiro Caravana era uma figura assídua e presente em todos os momentos significativos da escola e foi o seu patrocinador inicial, quer através do seu grande poder económico, quer promovendo-a através do seu grande prestígio social.”

Filomena Vasconcelos

“Foi quem me abriu horizontes para entrar no mundo da música ainda não tinha 3 anos. Ainda não existia Conservatório. Vinha uma vez por semana do Porto a Braga dar aulas de Iniciação Musical com o inovador Método Willems, a uma meia dúzia de crianças, numa pequena sala do rés-do-chão de um edifício no Campo Novo, propriedade de seu pai, Sr.Brigadeiro Francisco Caravana.

Tinha dentro si um sonho pioneiro – criar em Braga um Conservatório de Música que integrasse também o ensino normal – e conseguiu! Fez uma parceria com a Câmara Municipal de Braga, dando início ao Conservatório Regional de Braga, com turmas desde a infantil até à 4ª classe.

Passámos do Campo Novo para um edifício na rua de S. Lázaro e depois outra vez para o Campo Novo, mas já ocupando a totalidade do edifício. Tivemos professores extraordinários que implementavam aprendizagens muito inovadoras para a época. Mas o projecto que delineou não ficou por aqui e ao fim de um tempo, alargou horizontes com a colaboração da Fundação Calouste Gulbenkian. Muitas dificuldades a vencer teria esta Senhora pela frente, mas levou avante um extraordinário projecto piloto em Portugal, criando uma escola de ensino integrado com um amplo espectro artístico: música, pintura, escultura, cerâmica, fotografia, bailado e teatro – a Escola-Piloto Calouste Gulbenkian.

Lembro-me bem de alguns pormenores espantosos como o equipamento que tínhamos para o ensino das línguas com “estúdios de línguas” equipados com aparelhos áudio para cada aluno estar em ligação ao professor, uma biblioteca e fonoteca com cabines de audição, vários gabinetes insonorizados equipados com um piano para podermos estudar, o jardim privado cheio de lírios de cada uma das salas de aula a que podíamos aceder nos intervalos, etc…

Como pessoa e professora transmitiu-me exigência, incentivo, ternura e dedicação. Beneficiei eu, beneficiou uma comunidade escolar e beneficiou esta cidade. Foi uma mulher que projectou o futuro no presente! Foi uma mulher grande nesta cidade de Braga.”

Ana Valle