Padre Manuel de Faria Borda

Manuel de Faria Borda

Liturgia

Manuel de Faria Borda nasceu em São Paio de Fão, a 07 de julho de 1914 e morreu em Fão, a 06 de março de 1992. Foi compositor, pedagogo e regente de coros. As suas composições religiosas e a sua actividade pedagógica fizeram dele uma das figuras mais populares da Escola de Braga.

No seminário de Braga, aprendeu solfejo e canto gregoriano, com o P.e Francisco José Galvão. Mais tarde, estudou piano, harmonia, contraponto e fuga, em Salamanca e no Conservatório de Música do Porto, onde foi discípulo do pianista e compositor francês Lucien Lambert (n. Paris, 5 Jan. 1855; m. Porto, 21 Jan. 1945). A partir dos anos 40, foi professor de solfejo, piano e canto gregoriano.

O solene Te Deum e o moteto Cantate Domino, executados em 1940, em Braga e em Guimarães, nas comemorações da independência e restauração, impressionaram vivamente Mário de Sampayo Ribeiro, pela “grandiosidade de efeitos conseguidos com uma escassez de recursos”. O musicólogo via nas peças “uma compleição musical absolutamente fora do vulgar” e convidava o P.e Borda a um melhor apetrechamento teórico.

Êxito conheceram também a sua Visão Mística, apresentada em 1944, no Salão Nobre do Teatro Circo de Braga, num sarau de homenagem a Lucien Lambert, e o Laudate Dominum, para coro e orquestra, executado na Sala Medieval da Biblioteca Pública de Braga, na semana santa de 1950.

Em 1944, M. F. Borda fundou os Pequenos Cantores da Imaculada, orfeão infantil do Seminário de Nossa Senhora da Conceição, constituído por cerca de 90 seminaristas, que se apresentou em várias igrejas da cidade e gravou em disco várias obras do seu director. Com o objectivo de ajudar os seminaristas a praticarem as orientações do Magistério sobre a música, preparou a colectânea Jubilate: Antologia de Cânticos Religiosos (1957), essencialmente monódica, com números significativos de cânticos gregorianos e compositores do meio bracarense (Manuel Alaio, Lima Torres, Manuel de Faria Borda, Manuel Faria, Manuel Rodrigues de Azevedo, António Domingues Correia), mas incluindo também cânticos de Mário Sampayo Ribeiro, Pascal Piriou, Inacio Aldassoro e Luís Rodrigues.

Manuel de Faria Borda trabalhou com o Coro de Fão, para o qual musicou os salmos responsoriais para as missas de todo o ciclo litúrgico, com refrão a quatro vozes. Compôs ainda outros cânticos religiosos e várias peças orfeónicas inéditos. Integrou a Comissão Bracarense de Música Sacra durante décadas e colaborou assiduamente na Nova Revista de Música Sacra, através de composições para a liturgia renovada pelo Concílio. A sua composição está imbuída de sabor gregoriano, de acordo com o magistério da Igreja que apresenta o cantochão como modelo de canto, mas inspira-se também no canto popular tradicional do Minho. Tem, ao nível dos instrumentos, uma preferência clara pelo órgão ou harmónio que acompanha muitas das suas composições.

OBRAS SACRAS PUBLICADAS

Marcha catequística. Braga,1946.

Florilégio Mariano col. com Manuel Rodrigues de Azevedo. Braga, 1949.

Adeus: Cântico para o fim de Maio. Braga, 1951

Rosa Mística: Cânticos populares a Nossa Senhora col. para v. e harm. Braga1986/1953.

Cânticos de Natal para as Novenas do Menino Jesus col. Braga, 1957.

Harpa da Eucaristia col. de cânticos para a missa. Braga, 1957.

Hino do Bispo auxiliar de Braga, D. Francisco Maria da Silva. Braga, 1957.

Jubilate: Antologia de Cânticos Religiosos compil. de base monódica. Lisboa, União Gráfica, 1957.

Pelas almas. 1957.

Marcha Catequística para v. e org. Braga, Edição do Secretariado da Catequese,1962.

Hino de Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Arcebispo Primaz D. Francisco Maria da Silva para v. e org. Braga: Tipografia Editorial Franciscana, 1964.

Hino dos mártires do Brasil. Braga, Edição do Pe A. Santiago, 1965.

Missa em Honra de Santa Luzia. Braga, 1966.

Missa em honra de São Bento. Braga, Editorial Franciscana, 1972.

Cânticos para as celebrações litúrgicas col. de cânticos a 2 v. i., e 3 e 4 v. m. com acomp. de org. ou harm. Braga, 1984.

Florilégio Eucarístico (col.).

António José Ferreira

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