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Manuel da Costa

Organeiro

Manuel da Costa é um organeiro português radicado na Austrália.

Em 1964, a Fundação Calouste Gulbenkian estava à procura de alguém com aptidão para dar assistência aos órgãos de tubos em Portugal, após a aquisição do novo órgão para a Catedral de Lisboa, e previsto o restauro de órgãos históricos em Portugal. Nesse tempo não havia ninguém com capacidade de o fazer.

Um dia, Manuel da Costa foi abordado por um funcionário do Conservatório de Música do Porto, que havia frequentado. Tendo conhecimento do seu trabalho em pianos, órgãos e harmónios, perguntou-lhe se estaria interessado numa bolsa de estudo para a especialização no estrangeiro, em órgãos de tubos. Manuel da Costa não perdeu essa grande oportunidade, e foi então apresentado à senhora D. Ofélia Diogo Costa, pessoa muito conceituada no meio musical portuense e da Fundação. Depois de o conhecer, com entusiasmo D. Ofélia deu conhecimento para Lisboa que tinha encontrado quem reunia todas as condições necessárias e estaria interessado naquela especialização.

Aproveitando a passagem por Lisboa do senhor Flentrop, da fábrica de órgãos na Holanda e com quem a Fundação estava envolvida, teve uma entrevista com ele, tendo sido aceites todas as condições exigidas para essa Bolsa, e marcado o começo da sua “aprendizagem” na sua fábrica.

Durante os 5 anos de especialização na Holanda, passaram pelas suas mãos o restauro do órgão da Sé de Évora, e dos dois órgãos históricos da Sé do Porto. O órgão do Grande Auditório teve na sua construção a maior comparticipação do seu trabalho, sendo Manuel da Costa o responsável pelo sistema eléctrico que dele faz parte.

A sua instalação no local onde se encontra e para o qual havia sido desenhado, foi feita sob a sua orientação. Na conclusão, assistiu à intonação e afinação final, executada pelo principal dessa especialidade, da Flentrop, e com quem previamente havia trabalhado durante o tempo que foi estipulado.

No início de 1970, após a conclusão da Bolsa e dos órgãos da Sé do Porto, seu último trabalho como bolseiro, foi admitido como funcionário do Serviço de Música, onde foi integrado como organeiro, e foi-lhe dada também como tarefa nos tempos livres, o cargo de Encarregado da Orquestra Gulbenkian, em conjunto com o respectivo Arquivo Musical. (Os tempos livres eram aqueles que não colidiam com as afinações e manutenção dos órgãos ao seu cuidado, novos e restaurados, assim como nas desmontagens e montagens dos órgãos que iriam ser restaurados fora do País, conforme os acordos estabelecidos com a Gulbenkian.)

Os trabalhos relacionados com órgãos, ocupariam em média, nessa altura, uns 4 a 5 meses por ano, sendo os restantes 7 a 8 meses ocupados com a Orquestra. Isto até 1974, vindo a sua situação a ser alterada pelos acontecimentos resultantes do 25 de Abril, quando lhe foi imposto que exercesse apenas uma das tarefas, neste caso a de maior percentagem em tempo, ou seja, ter de trabalhar unicamente com a Orquestra.

Antes de finalizar a licença sem vencimento pelo período de um ano que lhe havia sido concedida, deu a conhecer à Fundação que estaria disposto a regressar ao seu trabalho específico nos órgãos em Portugal, como reconhecimento e gratidão pelo que a Fundação tinha dispendido durante a Bolsa, se lhe fosse prorrogada por mais outro ano a licença sem vencimento, tempo que necessitava para recuperar o tempo perdido da sua profissão nos 5 últimos anos de trabalho com a Orquestra.

Desde que chegou à Austrália, foi acolhido com dignidade e apreço. Manuel da Costa naturalizou-se em reconhecimento ao País que lhe deu a oportunidade de trabalhar e viver dignamente, de educar os filhos, proporcionando-lhes as suas formaturas, para que possam desfrutar de uma vida cómoda e feliz, assim como a todos os meus netos.

[ Resumo com base em informações facultadas pelo próprio organeiro ]