José Firmino Morais Soares

José Firmino

Pedagogo . Compositor

José Firmino Morais Soares (1931-2023) foi um pedagogo e compositor. Natural de Chaves, iniciou nesta cidade a sua vida artística e pedagógica como professor de Educação Musical, dirigindo ainda, a sua Academia Musical Flaviense.

Diplomou-se pelos conservatórios de Música de Lisboa, Porto e Coimbra, com os cursos superiores de Composição e de Piano.

Trabalhou no País e no estrangeiro com consagrados compositores e pedagogos como Filipe Pires, Croner de Vasconcelos, Emanuel Nunes, Michael Corboz, Bruno Bastin, Willems, Jacques Chapuis, Pierre van Hauwe, Henning, Jos Wuitack.

Em 1976 assistiu, no Conservatório Superior de Paris, a aulas do grande compositor Olivier Messiaen.

De 1971 a 1985 orientou, em Lisboa e Coimbra, estágios pedagógicos para professores de Educação Musical.

A convite do Ministério da Educação, dirigiu vários cursos de actualização aos professores de Educação Musical de Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Faro, Madeira e Açores.

Em 1968 foi convidado pela Direcção-Geral do Ensino Básico para a elaboração do programa da disciplina de Educação Musical, para ser seguido, oficialmente, em todas as escolas do País.

Em 1978 participou em Paris, a convite da International Society for Music Education e da A.P.E.M. e na qualidade de representante dos professores portugueses de Educação Musical, num estágio, a fim de ser posto ao corrente das mais recentes e concludentes experiências musicais.

Em 1979 foi convidado pelo Ministério da Educação para frequentar na Holanda, um curso de Formação Musical regido por pedagogos de diversos países. No mesmo ano, a convite do então Ministério da Educação e Ciência, representou Portugal no Júri Internacional de Festival Ibero-Americano, realizado no Teatro Real de Madrid.

Em 1981, o seu programa televisivo “Música e Fantasia” foi seleccionado pela Radiotelevisão Portuguesa, para estar presente no 13th Japan Prize International Education, realizado no Japão.

Foi professor de Análise, Composição e Formação Musical no Conservatório de Música de Coimbra, pertencendo, ainda, à sua primeira Direcção.

Em 1972 fundou e dirigiu durante 20 anos, o Coro de Câmara do Conservatório Regional e o Choral Poliphonico de Coimbra.

De 1982 a 2006 foi Maestro do Coro dos Pequenos Cantores de Coimbra que ajudou a fundar. Com estes organismos, apresentou-se em inúmeros concertos e festivais Internacionais, no País e no Estrangeiro, nomeadamente em Espanha, França, Alemanha, Itália, Hungria, Macau.

Recebeu vários 1ºs e 2ºs prémios em concursos nacionais e internacionais de composição: Lisboa, Coimbra, Trento (Itália).

Em 1985 foi o vencedor do I Concurso Nacional de Composição Coral realizado em Lisboa pela ACAL com o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian.

Em 1986, foi-lhe entregue pelo Presidente da República Italiana, o 2º prémio no Concurso Internacional de Composição, entre 318 compositores de 18 países. Este concurso internacional foi realizado pela Federazione Cori de Trento e contou com um júri de 8 personalidades musicais de nível mundial, destacando-se, entre outros, Marcel Corneloup, da França.

Em 1986 e 1993 foi condecorado pelas Câmaras Municipais de Coimbra e de Chaves, com as Medalhas de Mérito Cultural e Municipal sendo-lhe entregue, esta última, pelo Presidente da República Dr. Mário Soares.

Em 1996, foi homenageado pelo Ministério da Cultura, através da sua Delegação em Coimbra sendo interpretadas, no concerto final, algumas das suas melhores obras por instrumentistas de renome internacional e pela Orquestra Sinfónica do Porto.

Proferiu várias conferências e palestras em diversas cidades do País.

É autor de numerosas composições corais, instrumentais e sinfónicas já apresentadas em estreia, na sua maioria, em Portugal e no estrangeiro.

Em 1990 a sua Abertura Sinfónica foi incluída, em estreia mundial, no 36º Festival de Ópera realizado em Espanha, sob a regência do Maestro José Ferreira Lobo.

Em 1993, por encomenda do G.I.S., compôs as obras sinfónicas Sequenzas I e II, estreadas na Itália sob direcção do Maestro Adelino Martins.

Em 1994, o seu Concerto para Clarinete e Orquestra, com 4 Andamentos, e a sua Suite Sinfónica Imagens, para Tenor e Orquestra, com 7 Andamentos, foram executados em estreia, pela Orquestra do Norte, sob a direcção do Maestro José Ferreira Lobo, sendo solista o tenor Rui Taveira.

Em 1995, a sua Suite para Violoncelo Solo e a Sonata nº 1 para piano, foram apresentadas, em 1ª audição, na Figueira da Foz e Coimbra, pelo violoncelista Paulo Gaio Lima e pela pianista Anne Kaasa.

Em 1997, a sua Avé Maria para coro misto, foi seleccionada para figurar num CD gravado nos Estados Unidos, com obras de 18 compositores de séc. XX, em representação de 18 países.

A sua obra para coro e orquestra “Homenagem a José Afonso” com 4 andamentos, baseada em 4 temas deste autor e encomendada pela Câmara Municipal de Coimbra, tem sido executada em diversas cidades mundiais. A sua estreia em Coimbra, em 1984, teve um êxito extraordinário, sendo interpretada no Teatro Académico de Gil Vicente, por todos os coros de Coimbra – cerca de 400 vozes – sob direcção do autor.

Em 2009, a Câmara Municipal de Cascais apresentou esta obra, no concerto comemorativo do 25 de Abril, com grande espectacularidade, sendo cantada por 10 coros da região de Lisboa e acompanhada pela Orquestra Sinfónica de Cascais e Oeiras.

Em 2003, o seu Concerto para Clarinete e Orquestra foi executado pela Orquestra Sinfónica das Beiras, no XI Festival Internacional de Música de Coimbra, sob a direcção do Maestro António Saiote.

Em 2003, foram apresentadas em estreia mundial, as suas Sonatas para piano nº 2 e nº 3, a cargo da pianista norueguesa Anne Kaasa.

No âmbito da “Coimbra Capital da Cultura 2003” foram executadas pela Orquestra Clássica do Centro, 4 obras sinfónicas baseadas em temas de Coimbra e que lhe foram encomendadas pela Orquestra e pela Câmara Municipal de Coimbra.

Em 2004, foi apresentada em estreia universal, a sua Suite Sinfónica AEMINIUM, com 7 andamentos, baseada em monumentos e personagens históricas de Coimbra. Esta obra, interpretada pela Orquestra de Câmara de Coimbra, sob a direcção do Maestro Virgílio Caseiro, foi incluída na abertura do XII Festival Internacional de Música de Coimbra.

Em 2004 apresentou-se com o Coro dos Pequenos Cantores de Coimbra no X Festival Internacional de Coros de Alicante – Espanha, tendo sido galardoado com o Diploma de Ouro.

Em 2004 foi-lhe atribuída, em cerimónia pública, pelo Município de Colombe (Paris) a Medalha da Cidade.

Em 2006 a Câmara Municipal de Chaves atribuí-lhe, em cerimónia pública, a Medalha de Mérito pela obra cultural e artística que vem realizando.

Por encomenda da Câmara Municipal de Chaves, compôs a Suite Sinfónica Aquae Flaviae com 7 andamentos, baseados em monumentos e aspectos paisagísticos da cidade, sendo apresentada em estreia, em Novembro de 2008, no Centro Cultural de Chaves pela Orquestra do Norte, sob a direcção do Maestro José Ferreira Lobo. Esta obra foi novamente apresentada em 2009, no concerto comemorativo do II Centenário das Invasões Francesas.

Em  2010, o seu Concerto para Flauta e Orquestra foi executado, em 1ª audição, na Igreja da Sé Velha de Coimbra, pela Orquestra Clássica do Centro sob a regência de Artur Pinho. Em 2011, foi este concerto executado no Auditório Municipal de Chaves, pela Orquestra do Norte, sob a regência do Maestro José Ferreira Lobo.

discografia

Romance – Flauta e Piano
Luís Meireles, Eduardo Resende – Música Portuguesa ‎(CD-ROM, Álbum) Numérica NUM 1093 2000

Coral de Letras da Universidade de Coimbra — José Firmino
Balada para Coimbra, arranjo
Laudate Dominum – Coral De Letras Da Universidade de Coimbra ‎(CD, Álbum) 2004

Testemunhos

Excertos

“A OCC teve o privilégio de ter feito a estreia de algumas das suas obras.” (Orquestra Clássica de Coimbra)

(1931-2023)

“Pude dirigir uma vez a sua “Abertura Clássica” para Orquestra de Câmara e algumas vezes a sua suite “Homenagem a José Afonso”. Em 2017 tive a felicidade de apresentar a suite, com a Orquestra Académica da Universidade de Coimbra, com o Coro Misto da Universidade de Coimbra e com o Orfeon Académico de Coimbra, na presença dele. Antes da crise pandémica falámos e confraternizámos algumas vezes e ficou de me fazer chegar cópias de partituras de obras de orquestra para eu estudar a possibilidade de as interpretar com a OAUC.” (André Granjo)

“Foi com grande honra e gosto que tomei conta, durante cerca de dois anos, de um dos seus grandes legados, o Coro dos Pequenos Cantores de Coimbra , de que procurei cuidar como um valioso tesouro.” (Leonor Barbosa de Melo)

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