Joaquim Luiz Gomes maestro e compositor

Joaquim Luiz Gomes

Clarinete . Harpa . Direção . Composição

Joaquim Luiz Gomes nasceu em Santarém no dia 19 de novembro de 1914. Os seus pais tinham uma ligação à música, a mãe tocava guitarra e o pai bandolim na Banda dos Bombeiros de Santarém. Foi precisamente o seu pai, José Luiz Gomes, tipógrafo de profissão e músico amador, que conduziu JLG ao gosto da arte musical e consequentemente ao apreço pela cultura musical, nomeadamente ribatejana.
Aos nove anos de idade, ingressou na banda onde tocava o seu pai, como clarinetista.

A sua vida foi bastante preenchida e com uma atividade variada. A sua carreira como músico militar no Exército Português começou quando tinha 18 anos, permanecendo entre 1932 a 1940, no Batalhão de Caçadores 5 como clarinetista.

Em paralelo, foi Diretor Artístico da Orquestra Ligeira do Rádio Clube Português (RCP) e estudou no Conservatório Nacional (CN) Acústica, História da Música, Harmonia, Clarinete, Harpa e especialmente Composição.

Em 1940 ingressou na Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana (BSGNR) vindo a ser em 1942 o primeiro harpista desta formação que manteve até 1958.

Mais tarde, após uma interrupção no serviço à BSGNR, assumiu funções de compositor residente da referida banda, a partir dos anos 80.

Ao longo da sua vida o maestro Joaquim Luiz Gomes dividiu a sua variada atividade em diversos grupos musicais, compondo para instrumento solista, filmes, teatro, rádio, documentários, canções, obras sinfónicas e orquestrações tanto para pequenos ensembles como para orquestra e banda. Explorou vários géneros musicais, desde a música ligeira à música erudita criando e explorando fusões do tradicional ao erudito, que o próprio designou de “música ligeira sinfonizada”.

Entre 1952 a 1975, foi harpista e mais tarde diretor musical das formações instrumentais da Emissora Nacional (EN) e dentro deste período compôs e orquestrou inúmeras canções, transmitidas em direto pela orquestra residente da referida estação radiofónica, num programa intitulado “Canções de Portugal”, durante 13 anos.

Participou nos Festivais da Canção da Rádio Televisão Portuguesa (RTP) entre os anos de 1966 a 1977 como compositor, orquestrador e diretor de orquestra, com especial destaque para as edições dos anos de 1968 e 1972 em que JLG dirigiu todas as canções a concurso.

A sua notoriedade e experiência musical possibilitou a direção musical e também as respetivas orquestrações de diversos festivais da canção de diversos países nomeadamente em Portugal, Inglaterra (London Eurovision Song Contest, 1968), Brasil (Rio de Janeiro, Festival Internacional da Canção Popular, 1968) e em Espanha (Aranda Del Duero, 1970), obtendo o 1º lugar.

Como autor de canções, JLG foi premiado em Portugal, mas também em Itália e Espanha. Com a canção Olhos Verdes ganhou o 1º Prémio no EFC Latina em Génova. Em 1983 foi-lhe atribuído o prémio de melhor orquestração do ano. Também foi homenageado em 2005 pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) com a Medalha de Honra, premiando assim, os seus 55 anos de carreira ao serviço da música portuguesa. Também na televisão, JLG marcou a sua passagem participando em diversos programas tais como: TV Clube, Estúdio C, Discorama, Notas Soltas, entre outros.

Embora o reconhecimento do grande público se deva à sua produção e serviço à música no que toca às canções, na sua aventura na rádio, na televisão e também no cinema, muito por culpa da sua formação clássica, a sua obra composicional para grupos instrumentais é numerosa.

Conforme inventário quantitativo por José Ribeiro em 2011, o seu espólio, alberga cerca 569 obras entre vários géneros musicais tais como: aberturas (2), canções (460), fantasias (10), hinos (13), intermédio (1), marchas (15), música de câmara (45), ópera (1), poemas sinfónicos (4), sinfonias (3), suites (9) e bailado (1).

De toda a sua criação nesta área composicional, a literatura geral contemporânea destaca uma das suas obras para orquestra sinfónica, “Pérolas Soltas”, inspirada num conto de John Steinbeck, estreada pela Orquestra Municipal do Rio de Janeiro sob a direção do próprio, assim como a “Abertura Scalabitana”, “Abidis”, “Sonata em Mib” (para piano) e “Mar Português”, obra sinfónica inspirada no livro “Mensagem” de Fernando Pessoa. De destacar também a ópera “Trapézio”, com libreto de Mário Faria de Carvalho. Um drama de uma trapezista, dividida entre o amor de um palhaço e de um empresário que acaba por se suicidar, atirando-se de um trapézio.

Entre várias condecorações e homenagens, de destacar em 5 de abril de 2004 a graduação de Grande Oficial da Ordem do Mérito pelo então Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio.

Faleceu em Lisboa, no dia 23 de julho de 2009.

[ Biografia por Carlos Silva, publicada na Meloteca a 07 de dezembro de 2019 ]

[ Músicos naturais de Santarém ]

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