compositor Joaquim Frederico de Brito

Joaquim Frederico de Brito

Composição

Joaquim Frederico de Brito, compositor e poeta popular, nasceu na Freguesia de Carnaxide (Oeiras), a 15-09-1894, e faleceu em Lisboa, a 24-03-1977. Ficou conhecido com o diminutivo de Britinho.

Muito cedo começou a versejar e de tal sorte, que na Escola Primária já tinha a alcunha de “O Poeta”, de que o pequeno Joaquim não gostava por pensar tal ser ofensivo. E isso fez com ele se retraísse perante os colegas e só em casa lesse os seus versos à Mãe e ao irmão, que constituíam o seu único público.

Só aos 14 anos Frederico de Brito começou a compreender que tal alcunha não era afinal tão ofensiva como julgara. Mas depois sucede o imprevisto. Ele que perdera a tibieza de passar por poeta, encontra o obstáculo de não acreditarem ser ele o autor dos seu próprios versos.

Então, só encontrou uma saída para que o escutassem: dizer que os versos que cantava de “improviso” eram previamente feitos por um amigo dele que morava na sua rua e se chamava Frederico de Brito. E, certo dia, glosou de improviso os motes que foram propostos, com tal destreza e perfeição que no final e já à porta do Pátio do Martelo, o outro improvisador, Quintinha Bombeiro, pediu-lhe para apresentar ao seu amigo os parabéns e para lhe marcar um encontro. Estava ganha a primeira batalha.

Desde aí nunca mais parou de fazer versos. Uns seriam posteriormente musicados, gravados e muitos deles premiados, outros iriam constituir o conteúdo de dois livros “Musa ao Volante” e “Terra Brava”.

Também no Teatro Frederico de Brito deixou a sua marca, estreando-se nesta faceta com a pela “Anima-te Zé”, apresentada em 1935 no palco do Teatro Maria Vitória. Sucederam-se parcerias na escrita de diversas revistas, das quais se destacam: “Chuva de Mulheres”, apredentada em 1937 no Éden Teatro, onde Frederico de Brito escreveu os textos com versos de Matos Sequeira; A. Amaral e L. Lauer, a que se aliaram as músicas de C. Calderón e Frederico Valério (nesta revista Hermínia Silva interpreta o famoso tema “Soldado do Fado”, com letra de Frederico de Brito e música de Frederico Valério; e “Sol e Dó”, levada à cena no Teatro Variedades, em 1943, com textos de Frederico de Brito, Carlos Alberto, Ascensão Barbosa, Aníbal Nazaré e A. Cruz, e música de Fernando de Carvalho.

Ainda neste âmbirto, Frederico de Brito, em parceria com José Galhardo e Carlos Lopes, foi autor dos textos da peça “Haja Saúde”, a qual inaugurou o palco do Teatro ABC, no Parque Mayer, em Janeiro de 1956.

Frederico de Brito foi, ao longo da sua vida, além de poeta popular e compositor, chauffeur, motorista de táxi e, quando se reformou, empregado da companhia petrolífera Atlantic, que daria origem à actual BP.

São êxitos seus, a Canção do Mar; Canoas do Tejo, cantadas por Carlos do Carmo; Janela Virada para o Mar, celebrizada por Tristão da Silva; Carmencita, interpretada por Amália Rodrigues, para além do Fado do Britinho, Fado dos Sonhos, Biografia do Fado, Não Digam ao Fado, em vozes como Beatriz da Conceição, Carlos Ramos, Fernanda Maria ou Lucília do Carmo

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Sobreda); Lisboa (Freguesia de Santa Clara, Edital de 16-09-2009,, ex-Rua A à Azinhaga da Cidade); Moita (Freguesia de Alhos Vedros); Oeiras (Freguesia de Carnaxide).

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 1º Volume, A-C, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 185)

Fonte: “Museu do Fado

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”

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