João Silva, violinista e professor

João Silva

Violino . Ensino

João Oliveira da Silva foi um violinista e professor nascido na Póvoa de Varzim a 29 de agosto de 1933. Começou a interessar-se pela música com cerca de sete anos, influenciado por seu primo e padrinho, Manuel Gavina.

Foi aluno de António José Gomes (Marta), do qual recebeu aulas de Solfejo e Flautim. Aos dez anos entrou para a Banda de Música Poveira (Os Malhados), sob a Regência de Ângelo Maio, como instrumentista de flautim.

Em 1947 foi membro fundador da Banda Musical da Póvoa de Varzim sendo então maestro Mário de Jesus, do qual recebeu aulas de Teoria Musical e noções de Composição e Organologia.

Por essa altura ingressou no estudo de Violino, com Martinho Gomes, tendo permanecido nos estudos até emigrar para Leopoldville (Congo Belga). Foi violinista da Capela Alberto Gomes e atuou também sob a direção do Dr. Josué Trocado.

Foi compositor de duas marchas graves, Senhora do Carmo e Senhora das Dores, para a Banda de Música da Póvoa de Varzim, que lhe valeram a admiração de todos os seus colegas do grupo. Compôs um hino que ofereceu à ACPOH – Associação Cultural Póvoa: Ontem e Hoje.

Em 1953 foi um dos fundadores do Rancho do Castelo, criado por Santos Graça.

Em 1956 emigrou para Leopoldville, Congo Belga, como técnico de relojoaria. Ali, fez parte da Orquestra Ligeira Portuguesa e com o pianista René Jacobes deu um concerto de Violino no Cine Palace.

Interagiu com um vasto número de personalidades amantes de música clássica (embaixadores, professores do conservatório), tendo efetuado concertos nas escolas Belga, Francesa, Instituto Alemão e outros onde a sua presença e a dos seus companheiros era requerida.

De regresso a Portugal, fez a sua profissionalização oficial como professor de Educação Musical na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

Possuía carta de Regente de Bandas de Música e Instrumentista de Violino.

Atuou no Casino da Póvoa, na orquestra do Maestro Victor José, durante cerca de nove anos.

Foi Professor de Educação Musical na Escola C+S de Vila Pouca de Aguiar.

Exerceu como voluntário a atividade de professor na Universidade Sénior do Rotary Club da Póvoa de Varzim, onde ensina Cavaquinho.

Recuperou com José Sepúlveda a Opereta Maria, libreto do Dr. José Sá e música de Domingos Pinho; a Opereta Poveiros, libreto do Dr. José Sá e música de Alberto Gomes; e História do Grupo Folclórico Poveiro, tendo trabalhado na recuperação de outros tesouros do património cultural poveiro.

Testemunho

Sobre João Silva, o poeta José Sepúlveda escreveu:

Conheci-o há poucos anos na universidade da vida, quando juntos abraçávamos um projeto inovador que nos levaria da retraite da vida por um caminho aliciante onde gradualmente fomos encontrar o elixir onde manter frescos a nossa mente e espírito fazendo as coisas de que sempre gostamos e que ao longo dos anos a necessidade de sobrevivência nos ia maculando.

E foi assim que demos vida a um projeto que nos iria ajudar a percorrer esta nova etapa do sonho com outro alento e entusiasmo, firmes, Na mesma direção. Sentia no João uma avidez quase insaciável, às vezes a tocar os limites do razoável, em participar no projeto cheio de aliciantes. E ei-lo de repente surge o professor de cavaquinho.

Fui conhecendo melhor o seu potencial como músico e compositor. E, sorrateiramente, fui penetrando no seu mundo, no manancial da obra produzida guardara com carinho mas velhos gavetas, esperando a todo o momento a surpresa de novas e inspiradas criações de que me ia falando com um brilho no olhar.

A destreza criatividade, e agilidade no domínio da pautas e dos sons transpareciam cada dia mais expressivas.

E já não era apenas o passado, os grupos e associações poveiras, onde aprendeu os rudimentos desta arte que iria persegui-lo ao longo da jornada, instituições das quais foi muitas vezes elemento ativo, fosse na sua Póvoa ou lá longe em África, onde manteve viva e desenvolveu a sua veia artística.

Após o seu regresso de Leopoldville, deu corpo a sua formação musical e tornou-se professor, atividade que continuou até à sua reforma. Participou no desenvolvimento criativo, abraçando cada novo projeto até à exaustão.

A recuperação da Opereta Maria, dos Poveiros, a História do Grupo Folclórico Poveiro, com deposição de todas as suas partituras ou do Rancho do Castelo (projetos que desenvolvemos em conjunto) e tudo o mais que com perseverança e dedicação foi desenvolvendo, eram uma surpresa constante e um estímulo para mim, obrigando-me a que a sua obra fosse levada a toda a gente. (José Sepúlveda)

Músicos naturais da Póvoa de Varzim

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