Janita Salomé

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Janita Salomé

Voz

João Eduardo Salomé Vieira, conhecido por Janita Salomé, nasceu na vila alentejana de Redondo. É um dos mais novos dos cinco irmãos Salomé, onde se inclui Vitorino, todos eles herdeiros de uma forte tradição musical familiar que o pai incentivou.

Apesar de cantar desde os nove anos, a veia artística de Janita só foi verdadeiramente assumida aos 16 quando integrou, como baterista e vocalista, o conjunto Planície e, mais tarde, os Vagabundos do Ritmo. Mas Janita não tinha ainda encontrado o rumo musical que desejava seguir. Esse apenas surgiria na sequência do 25 de Abril de 1974 e do encontro com a música de José Afonso, que o inspirou a investigar e a trabalhar a tradição musical popular. Depois de participar em discos de seu irmão Vitorino, que abraçara a tempo inteiro uma carreira musical, fundou, em 1977, com ele e os restantes irmãos, o Grupo de Cantadores de Redondo, que se dedica, ainda hoje, a perpetuar a tradição do cante alentejano.

Em 1980, Janita foi recrutado por Zeca Afonso para o acompanhar em palco, profissionalizando-se como músico e abandonando o seu emprego de funcionário judicial. No mesmo ano em que se juntou ao grupo de Zeca Afonso, gravou o seu primeiro disco em nome próprio: Melro (1980), onde explora a tradição musical alentejana mas, numa inesperada opção, regista igualmente fados de Coimbra, cujo gosto lhe fora incutido pelo pai.

Nos discos que se seguem, encontra-se o rumo explorado pelo artista: A Cantar ao Sol (1983, Sete de Ouro e Prémio Revelação das revistas Música e Som e Nova Gente), Lavrar em Teu Peito (1985) e Olho de Fogo (1987, Troféu Nova Gente para o melhor intérprete masculino de música ligeira).

Durante este período, Janita experimentou o teatro, como compositor e actor. A primeira incursão aconteceu com O Esfinge Gorda, uma peça encenada por Mário Viegas, para a qual musicou um poema de Fernando Pessoa. Seguiu-se-lhe a criação musical para a peça Margarida do Monte, encenada por Hélder Costa, para o grupo A Barraca, onde participou também como actor ao lado de Maria do Céu Guerra. Mais tarde, musicou uma versão livre da autoria de Rita Lello de um tema popular da tradição sueca, para a peça A Menina Júlia de August Strindberg, encenada por Juvenal Garcês para a Companhia Teatral do Chiado. Deixou a sua marca também na banda sonora do filme A Moura Encantada (1985), com realização de Manuel Costa e Silva e argumento de António Borges Coelho, bem como no documentário O Pão e o Vinho (1981), realizado por Ricardo Costa, em que participou como actor.

Em 1991, grava um álbum dedicado exclusivamente ao Fado de Coimbra – A Cantar à Lua – e forma com os irmãos Carlos e Vitorino e com Filipa Pais os Lua Extravagante, um colectivo vocacionado para o cruzamento da música tradicional portuguesa com a urbana. Com Raiano (1994) retomou o percurso de cruzamento das tradições populares portuguesa e mediterrânea.

Este disco valeu-lhe o Prémio Blitz ’94 para Melhor Voz Masculina. Depois de uma longa ausência dos discos, Janita regressou com o álbum colectivo Vozes do Sul (2000), um trabalho de homenagem ao cante alentejano inteiramente composto por modas tradicionais, o qual recebeu o prémio José Afonso 2001 atribuído ao melhor álbum de música de inspiração popular portuguesa desse ano. O álbum de estúdio Tão Pouco e Tanto, editado em 2003, traz cinco temas inéditos e seis novas leituras de temas do seu repertório. Este trabalho é altamente elogiado pela crítica especializada e entra na lista dos melhores discos do ano de 2003.

Na ocasião das comemorações dos 30 anos do 25 de Abril, Janita Salomé e o seu irmão Vitorino lançam o disco Utopia, um registo de dois concertos em homenagem a Zeca Afonso realizados no CCB em 1998.

As referências musicais mantêm-se, mas Janita, reconhecidamente um experimentalista, já partiu em busca de outros cantes e outras sonoridades. Vinho dos Amantes, editado em 2007 pela Som Livre, foi disso exemplo.

[ Músicos do Redondo ]