Hermínio do Nascimento, regente natural de Torres Vedras

Hermínio do Nascimento

Regente . Musicólogo . Compositor

Compositor, regente de coros, professor, crítico e musicólogo, Hermínio José do Nascimento nasceu em Torres Vedras, a 4 de janeiro de 1890 e morreu em Lisboa a 14 de outubro de 1972.

Iniciou a formação musical no Conservatório Nacional, onde estudou violino com Alexandre de Bettencourt, piano com Marcos Garin e composição com António Eduardo Ferreira e Frederico Guimarães.

Foi professor de composição no mesmo Conservatório, a partir de 1919, tendo assumido o cargo de subdirector entre 1924 e 1938. Autor prolífico no domínio do lied e da música de câmara (sonatas, quartetos, peças para piano), uma boa parte do seu catálogo é preenchido com obras para coro e orquestra e para coro à cappella, tendo também publicado diversos arranjos de melodias tradicionais e livros didácticos.

Lecionou a cadeira de música e Canto Coral na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo sido diretor e maestro do Orfeão Académico de Lisboa, com o qual realizou uma digressão de concertos no Brasil, em 1925.

Nas suas contribuições ao I Congresso orfeónico no Porto (1927) e ao I Congresso da União Nacional (1933), insistiu na importância do Canto Coral para a formação física, moral, cívica e artística do povo, salientando a utilidade política de «orfeonizar a Nação», projeto de valor não só artístico, mas também patriótico.

Em 1936, foi nomeado Director geral do Canto Coral da Mocidade Portuguesa, tendo estabelecido o primeiro cancioneiro e dirigindo massas corais nas principais celebrações do Estado Novo.

A partir dos anos 50 e até ao fim da sua vida, dedicou-se à investigação e divulgação da etnografia musical da Lunda, integrado nos projectos culturais da Companhia de Diamantes de Angola, que incluíam recolha de registos sonoros, realização de filmes e edição de antologias. Proferiu sobre esse tema diversas conferências em Lisboa, no quadro das actividades do SNI, tendo ainda utilizado temas de folclore angolano nas suas últimas composições, como o Quinteto com piano, de 1966.

Manuel Deniz Silva, A Nossa Música, UA

O seu espólio musical e pessoal encontra-se depositado na Área de Música da Biblioteca Nacional de Portugal, segundo Manuel Deniz Silva. De acordo com informação de Maria José Reis, sobrinha-neta de Hermínio do Nascimento, a Biblioteca Municipal de Torres Vedras possui também um vasto espólio do compositor.

Hermínio do Nascimento dá nome a uma rua na Charneca da Caparica.

Hermínio do Nascimento (Professor do Conservatório Nacional e Maestro do Orfeão Académico de Lisboa)

Condecorações

Grau de Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada, proposta de 12 de dezembro de 1925; Boletim de Aceitação com o mesmo Grau, de 9 de julho de 1926; Decreto de Concessão com o mesmo Grau, de 31 de dezembro de 1927, publicado no DG n.º 14, de 15 de janeiro de 1928;

Grau de Comendador, proposta de 8 de agosto de 1936; Decreto de Concessão com o mesmo Grau, de 21 de dezembro de 1936, publicado no DG n.º 301, de 24 de dezembro de 1936.

Homenagem

A 5 de junho de 2021, no Teatro-Cine de Torres Vedras houve um recital de homenagem a Hermínio do Nascimento, com a soprano Ana Leonor Pereira e o pianista António Ferreira. O recital propôs uma viagem através da sua belíssima música para canto e piano, canções sobre poesias de Luiz de Camões, Almeida Garrett e João de Castro Osório, entre outros.

Programa

O Jardim de Colombine (piano solo)
Canção das duas folhas (Ribeiro Couto)
Cantiga de Ninar (Guilherme de Almeida)
Aquelas Rosas (Torres Marques)
Tão Nova (Cândido Guerreiro)
Barca Bela (Almeida Garrett)
Se Helena apartar (Luiz de Camões)
Cinco Canções de Amor do Cântico do Desejo (João de Castro Osório)

I Mensagem
II – Graça de amor
III – Receio de Ausência
IV – Separação
V – Implorar de Amor

Dança (piano solo)

Canções da Lunda
(Recolha e harmonizações de Hermínio do Nascimento)

[ Músicos naturais de Torres Vedras ]
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