bailarino e coreógrafo Francis Graça

Francis Graça

Bailado . Coreografia

Coreógrafo, bailarino e ator português, pioneiro da dança em Portugal, Francisco Florêncio Graça ou Francis Graça nasceu em Lisboa em 1902 e faleceu em 1980.

Adquiriu grande notoriedade desde o final da década de 1920 e até aos anos de 1950, destacando-se a sua ação renovadora a nível do bailado e do teatro musicado nacional.

Nasceu em Lisboa, no bairro da Graça; foi o quarto de sete filhos de um comerciante abastado, anarco-sindicalista, que chegou a ser empresário da Praça de Touros do Campo Pequeno e nunca aderiu à opções do filho. Francis foi essencialmente autodidata. Estudou música no Conservatório Nacional, onde fez amizade com Frederico de Freitas, mas não teve formação convencional de bailado clássico, apenas uma breve aprendizagem com uma professora de nacionalidade russa.

Apresentou-se pela primeira vez em 1925 num espetáculo do Teatro Novo, de António Ferro, que decorreu no foyer do teatro Tivoli (decorado para o efeito por José Pacheko), com algum escândalo do público.

Depois de uma permanência em Paris, em Setembro de 1926 estreava-se na revista Cabaz de Morangos, no Cine-teatro Éden, desta vez com grande êxito. A partir de então, coreografou e dançou em inúmeros espetáculos de revista, tendo trabalhado com as mais importantes vedetas da época, de Beatriz Costa a Hermínia Silva. Em 1927 participou na revista Água-Pé, grande sucesso da época, onde eram protagonistas Estêvão Amarante e Luísa Satanela. Ficou famosa a dupla que formou, a partir de 1931, com a bailarina alemã Ruth Walden.

Ao longo da década de 1930 apresentou-se com sucesso em Paris (1933, 1934, 1936), Brasil (1930, 1934), Genebra (1935), Argentina e Brasil (1937-1938).

Interessado na dança de temas portugueses e na estilização do folclore nacional e, por isso, desde muito cedo em sintonia com os ideais do Diretor do SPN, António Ferro, Francis foi um dos fundadores e o mais importante coreógrafo (e bailarino) da Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio. Foi a figura preponderante desse grupo de 1940 até 1960, embora com uma interrupção em 1946-48 quando partiu uma vez mais para o Brasil, seduzido por novos horizontes.

Na década de 1950 atuou como ator em duas peças de teatro: Rei Édipo, de Sofocles, Teatro Apolo, 1952; e Sonho de Uma Noite de Verão, de Shakespeare, Teatro D. Maria II, 1952. Em 1960 foi definitivamente afastado do Verde Gaio, cuja direção foi entregue a Margarida de Abreu e Fernando Lima.

O afastamento do Verde Gaio deixou-o sem meios de sustento; seria depois integrado com a categoria de reformado nos quadros do Secretariado Nacional de Informação, auferindo de uma pequena reforma.

Em 1963 aceitou dirigir a Academia do Parnaso, no Porto, onde era dada preparação a jovens do sexo feminino com o intuito de participarem em exibições e festas mundanas (uma tarefa que Francis sempre considerou humilhante). Data de 1968 a sua última criação, o bailado Encruzilhada, no Teatro Politeama.

Morreu em Julho de 1980, praticamente esquecido, num lar onde residia há alguns anos, diminuído por uma arteriosclerose que lhe apagara por completo a memória.

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