Dulce Cabrita

Dulce Cabrita

Meio-soprano

Dulce Isabel do Carmo Cabrita (1928-2010) nasceu no Barreiro onde, com a sua mãe, iniciou os estudos de música. Começou a cantar praticamente todo o seu repertório de música norte-americana em que se incluem compositores como Gershwin, Cole Porter e Irving Berlin.

Foi acompanhada ao piano por outro apaixonado por estas paisagens musicais, o seu irmão Augusto Cabrita a quem dedicou em 12 de Maio, na Culturgest, um concerto preenchido por espirituais e composições de Gershwin.

Após a licenciatura em Ciências Económicas e Financeiras, Dulce Cabrita recomeçou os estudos regulares de música e canto. Trabalhou em Lisboa e Salzburgo com Fernanda Losa, Ana Blanch e Paul von Schillawsky.

Seguiu-se o estudo da canção de câmara com Fernando Lopes-Graça e Filipe de Sousa. Integrou o Coro Feminino de Câmara “Harmonia” da Emissora Nacional de Lisboa e sob a direcção de Friedrich Verner actuou em Portugal e em várias cidades alemãs. Nesta época colaborou também com o Coro Polyphonia fundado por Mário de Sampayo Ribeiro.

Dulce Cabrita apresentou em primeira audição obras de Paul Hindemith, Eric Satie, Charles Ives, Luis de Pablo, Maurice Ohanna e Fernando Lopes-Graça, e cuja obra é uma das mais destacadas intérpretes. O compositor dedicou-lhe algumas das suas criações e foram editados diversos discos em que Dulce Cabrita interpreta alguns ciclos de canções cantadas em primeira audição absoluta.

Da sua carreira constam inúmeros concertos e recitais da RTP, RDP, Academia de Amadores de Música, Juventude Musical Portuguesa, Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, Culturgest e em diversos festivais como o da Costa do Estoril.

No Teatro Nacional de São Carlos, Dulce Cabrita cantou em várias temporadas destacando a sua actuação na ópera “Canto da Ocidental Praia” de António Victorino de Almeida.

Os Açores, onde realizou três concertos em Angra do Heroísmo, Horta e Ponta Delgada, mereceram especial atenção por parte de Dulce Cabrita. Nesta digressão, em colaboração com a pianista Helena Matos, deu a conhecer em primeira audição absoluta o ciclo de canções sobre poesia e Natália Correia com o título “Seis Epígrafes” com composições de Filipe Pires.

Estes concertos são mais uma marca da sua forte ligação às ilhas onde realizou recitais de homenagem a Victorino Nemésio, em 1988, e a Francisco de Lacerda, em 1989, com o pianista Filipe de Sousa e actuou, em 1991, no Congresso Anteriano com a pianista Helena Matos.

A Universidade dos Açores editou, em 1995, um CD com a versão integral para canto e piano das “34 trovas”, de Francisco Lacerda, em que Dulce Cabrita com a colaboração de Filipe de Sousa. Esta ligação será reforçada através de vários concertos que estão projectados para as comunidades açorianas do Canadá, Estados Unidos e Brasil, bem como na Casa dos Açores do continente, com obras de poetas e músicos açorianos.

Fernando Lopes-Graça, uma importância referência para o Barreiro, é uma referência obrigatória no percurso de Dulce Cabrita.

Em 1995, formou o Trio Vocal Lopes Graça com o tenor Fernando Serafim e o barítono Oliveira Lopes, de 1997 a 1998 realizou uma serie de concertos integrados nas comemorações do nonagésimo aniversário do nascimento do compositor e lançou o CD “Guirlanda” com gravações históricas interpretadas pela cantora e pelo próprio Lopes Graça.

De Dulce Cabrita disse este compositor:

“A sua bela voz de mezzo-soprano e a pureza do seu estilo garantem-lhe um lugar de relevo entre as actuais cantoras portuguesas no domínio da canção de câmara.”

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