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Carlos Guedes de Amorim

Fado

Carlos Guedes de Amorim nasceu em Santarém no dia 28 de Dezembro no ano de 1945. Viveu a infância junto dos pais que admiravam e ouviam a discografia de vários fadistas, com especial destaque para Amália Rodrigues e, embora não fosse apreciador, Carlos Guedes de Amorim foi-se deixando envolver por esta forma musical, para a qual também contribuiu o laço de amizade que unia a sua família à poetisa Maria Manuel Cid.

Por ocasião do seu aniversário, aos 14 anos, entra pela primeira vez na casa de fados Márcia Condessa, onde também reencontra Maria Manuel Cid e “… criou-se um ambiente que para mim foi uma coisa muito divertida, uma coisa nova. Depois disso houve mais contactos e eu comecei a cantar e começámos por aí.”. Por fim, rendido, Carlos Guedes de Amorim procura, ouve e aprende repertório para as suas interpretações no género. Paralelamente, junta-se a um grupo de amigos e surgem os primeiros programas e gravações de fado numa rádio local, Rádio Ribatejo, acabando por ter uma projecção a nível do concelho com convites para espectáculos em diversas festas, romarias e feiras.

Em 1968 Carlos Guedes de Amorim ruma até Lisboa para frequentar o curso de Arquitectura. Inscreve-se na Emissora Nacional e estreia-se no programa “Nova Onda” da responsabilidade de Maria Leonor. Segundo Carlos Guedes de Amorim “todos nós, no fundo, começámos a cantar a nível nacional através da Emissora Nacional, porque esta fazia programas de divulgação.”. A divulgação e projecção que dai acrescem, colocam-no numa encruzilhada quando é convidado para assinar contrato com a Polygram, respectivos lançamentos discográficos e espectáculos. Carlos Guedes de Amorim opta pelo “curso de Arquitectura e o fado como hobby”, mas não findam as suas incursões às casas de fado amador: Galito, Estribo, Cartola, Arreda, onde reencontra entre muitos outros, João Braga, Francisco Stoffel, Rodrigo, José Pracana, D. Vicente da Câmara, e inevitavelmente Alfredo Marceneiro e Maria Teresa de Noronha.

Para além dos espectáculos que realizou em palcos nacionais, Carlos Guedes de Amorim associa-se a causas de solidariedade, sendo uma das figuras mais solicitadas para festas de beneficência. Um dos locais que mais o impressiona é o Centro de Medicina de Reabilitação do Alcoitão onde, ao lado de Teresa Tarouca, e com alguma periodicidade, integra um pequeno espectáculo “com muito gosto embora com desgosto, porque não é nada fácil.”.

Com uma cuidada escolha de repertório – destacam-se os nomes dos poetas Maria Manuel Cid e Manuel de Andrade, que aliados a uma voz “timbrada, afinadíssima, dominando o compasso”, conduzem-no à gravação de 4 discos, sendo um nomes que integra a colecção “Biografias do Fado”, editada em 2004 pela EMI-Valentim de Carvalho.

Conciliando o fado com a arquitectura, Carlos Guedes de Amorim passou pela televisão, rádio e por diversos palcos, nacionais e internacionais, destacando-se a apresentação em cidades como Nova Iorque, Los Angels, Chicago, Telavive, Kinshasa, Joanesburgo, Lourenço Marques, Macau e Hong Kong.

Criador dos êxitos como “Cavalo Alazão” (Maria Manuel Cid/Alfredo Duarte), Carlos Guedes de Amorim continua a ser uma das figuras mais referenciadas no circuito fadista.

Por gosto e por segurança Carlos Guedes de Amorim optou pela arquitectura e hoje em dia tem a responsabilidade de vários projectos arquitectónicos, nomeadamente a Igreja de S. Domingos, em Santarém e o Pavilhão Multi-Usos Arena D’Évora.

Museu do Fado, acesso a 15 de abril de 2018