CANÇÕES DA MADEIRA

NÃO TE ENCOSTES À PARREIRA

[ Em Tempo de Vindimas ]

Não te encostes à parreira
Qu’a parreira larga pó!
Encosta-te à minha cama:
Sou solteiro e durmo só!

Ai, venha vinho, venha vinho!
Venha mais meio galão!
Quem quiser beber vinho
Ponha a boca ao garrafão.

Ai, venha vinho, venha vinho!
Venha mais meia canada!
Quem quiser beber vinho
Ponha a boca na levada.

Ai Maria! Ai Maria!
Não é coisa que se faça:
Tu queres é beber o vinho
Daqui da minha cabaça.

Minha mãe não quer que eu beba
Nem vinho nem aguardente;
Nada no mundo me alegra,
Só contigo estou contente.

Se tu quiseres qu’eu cante,
Dá-me um copo de vinho!
Que o vinho é coisa santa,
Faz o cantar miudinho!

Se os senhores querem qu’eu cante,
Dêem-me vinho ou dinheiro!
Qu’esta minha gargantinha
Não é fole de ferreiro!

Se os senhores querem qu’eu cante,
Dêem-me vinho ou dinheiro!
Qu’esta minha gargantinha
Não é fole de ferreiro!

Letra: Popular (quadras recolhidas por Lília Mata, no Sítio da Ribeira dos Pretetes, Caniço, Santa Cruz, Ilha da Madeira)
Música: Carlos Alberto Moniz
Intérprete: Carlos Alberto Moniz
Versão original: Carlos Alberto Moniz (in Livro/2CD “O Vinho dos Poetas”: CD 2, Carlos Alberto Moniz/Ovação, 2014)