CANÇÕES DA BEIRA ALTA

AY EU COITADA

I
Ay eu, coitada,
como vivo em gram cuidado
por meu amigo que ei alongado!
Muito me tarda o meu amigo na Guarda!
II
Ay eu, coitada,
como vivo em gram desejo
por meu amigo que tarda e nom vejo!
Muito me tarda o meu amigo na Guarda!

Poema: D. Sancho I (c. 1199)
Música (reconstituição): Pedro Caldeira Cabral Intérprete: La Batalla (in “Cantigas d’Amigo”, EMI-VC, 1984, reed. 1991)

DE LISBOA ME MANDARAM

[ E o Cai Di e o Cai Dá ]

De Lisboa me mandaram
(E o cai di e o cai dá!)
Um prato com um belo molho:
(E o cai di ai dá!)
As costelas de uma pulga
E o coração de um piolho.

E o cai di e o cai dá!
E o cai di ai di ai dá!
E o cai di e o cai dá!
E o cai di ai dá!
E o cai di e o cai dá!
E o cai di ai di ai dá!
E o cai di e o cai dá!
E o cai di ai dá!

De Lisboa me mandaram
(E o cai di e o cai dá!)
Quatro pêras num raminho:
(E o cai di ai dá!)
Como era coisa boa
Comeram-nas no caminho.

E o cai di e o cai dá!
E o cai di ai di ai dá!
E o cai di e o cai dá!
E o cai di ai dá!
E o cai di e o cai dá!
E o cai di ai di ai dá!
E o cai di e o cai dá!
E o cai di ai dá!

Minha mãe, p’ra me eu casar,
(E o cai di e o cai dá!)
Prometeu-me quanto tinha:
(E o cai di ai dá!)
Assim que me agarrou casada
Deu-me uma agulha sem linha.

E o cai di e o cai dá!
E o cai di ai di ai dá!
E o cai di e o cai dá!
E o cai di ai dá!
E o cai di e o cai dá!
E o cai di ai di ai dá!
E o cai di e o cai dá!
E o cai di ai dá!

Minha mãe, p’ra me eu casar,
(E o cai di e o cai dá!)
Prometeu-me três ovelhas:
(E o cai di ai dá!)
Uma cega, outra coxa
E outra mocha sem orelhas.

E o cai di e o cai dá!
E o cai di ai di ai dá!
E o cai di e o cai dá!
E o cai di ai dá!
E o cai di e o cai dá!
E o cai di ai di ai dá!
E o cai di e o cai dá!
E o cai di ai dá!

Letra e música: Tradicional (Beira Alta)
Intérprete: Ai!* (in CD “Ai!”, Ai!/RequeRec, 2013)

NASCI EM TERRAS DE XISTO

[ Serra do Açor ]

Nasci em terras de xisto
à beira do rio Ceira
em lugar de balsa sem porto
numa serra onde o Açor pousou
em leito de feno dormi.
Cresci na terra de sargaço
correndo em lameiros verdejantes
ouvi o sopro dos ventos
junto ao correr das levadas
vi noites sem luar.
Ouvi histórias de bruxaria
lendas de lobisomens
almocreves e mouras encantadas
vi sementeiras e colheitas
as malhas e debulhas.
Saltei fogueiras de rosmaninho
acendi o madeiro de Natal
cantei janeiras pelo povoado,
cheirei alecrim e loureiro,
bebi chá de sabugueiro.
Nadei nas águas do Alva
na ponte que tem três entradas
em Avô, terra de poetas;
cantei baladas ao luar
até o galo cantar.
Que importa ser acordado
dos sonhos desta noite
pela coruja que é a “surga”
ou pelo sino da capela?
Tudo isto existe, tudo isto é belo,
nada mudou, tudo está como era dantes…

Letra e música: Fernando Pereira
Intérprete: Real Companhia in CD “Em Forma de Abraço”, 2005)

AS FAÇANHAS DO COVEIRO

[ O Coveiro de Pínzio ]

As façanhas do coveiro
De Pínzio, lindo lugar:
Desenterrava os defuntos
Para a roupa lhes tirar.

Como nunca tinham visto,
Tudo estava a duvidar…
Até que um certo dia
Lá o foram a espreitar.

Dia primeiro de Junho,
Fez tão grande tirania:
Defunto desenterrou
Manuel Francisco Maria.

Estava o povo lastimando
A morte daquele vizinho
Por na vida ser honrado,
Mostrava a todos carinho.

Talvez que durante a vida
Nunca levasse pancada,
Como lhe deu o coveiro
Nos braços com uma enxada.

Roubando-lhe toda a roupa,
Só com a camisa o deixou;
E até os próprios sapatos
Ao defunto raptou.

Letra e música: Tradicional (Castanheira, Guarda, Beira Alta)
Informante: José Fortunato
Recolha: César Prata
Intérpretes: Ariel Ninas & César Prata (in CD “Cantos de Cego da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2016)

OS TRÊS REIS DO ORIENTE

[ São José Estava Triste (Canção de Natal) ]

Os três Reis do Oriente
Toda a noite caminharam:
Procuraram o Deus-Menino,
Só em Belém o acharam.
Quando a Belém chegaram
Já toda a gente dormia:
Porteiro, abri a porta,
Porteiro da portaria!
São José estava triste
Ao ver Maria a sofrer;
Um anjo do céu lhe disse:
– Jesus está pra nascer!
Não há graça embaladora
Como a de mãe quando cria:
É como Nossa Senhora,
Mãe de Deus, Ave-Maria!
Indo José e Maria
Recensear-se a Belém,
Numa noite escura e fria
Nossa Senhora foi mãe.

Letra e música: Popular (Minho / Beira Litoral / Beira Alta)
Recolha: José Alberto Sardinha
Intérprete: Maio Moço (in CD “Canto Maior, Tradisom, 2002)

PASTORAS PARA A ESTRELA VÃO

Pastoras da Estrela
Pastoras para Estrela vão
Cantando e animadas
A vida em flor Nenhum amor
Que as torne malfadadas Com a Primavera
A palpitar
À serra vão chegar
No prado verde Cheiros mil
Mal rompe
O sol a aurora
Com mantos vão
Um rancho são
De moças encantadas
Dançam em roda
Alegres estão
Saudando a alvorada
Ao longe no horizonte luz
O bronze aguçado
Da guerra vêm
Guerreiros cem
O louro festejado
Entram na dança
Magia no ar
P’la noite a repousar
No Outono é hora de voltar
Para a aldeia engalanada
Pastoras vão
Mas já não são
Meninas encantadas

Letra e música: Miguel Carvalhinho
Intérprete: Cristina Branco (in CD “Sensus”, Universal, 2003)

UMA CASA MUITO VELHA

[ Ó Zé ]

Uma casa muito velha, ó Zé,
Cheia de teias de aranha, ó Zé:
Está uma bruxa num canto, ó Zé,
Que te mata se te apanha, ó Zé.

Ó Zé, Ó Zé, Ó Zé, pequenino é!
Ó Zé, vai lavar a cara! Vai lavar a cara!
Vai lavar o pé!

Cala-te! Aí vem a raposa, ó Zé,
Com o rabo muito comprido, ó Zé:
Quer comer o meu menino, ó Zé,
Mas eu tenho-o aqui escondido, ó Zé.

Ó Zé, Ó Zé, Ó Zé, pequenino é!
Ó Zé, vai lavar a cara! Vai lavar a cara!
Vai lavar o pé!

Eu vi um lobo na serra, ó Zé,
Que te come se tu choras, ó Zé:
Não chores mais, meu menino, ó Zé,
Senão ele sabe onde moras, ó Zé.

Ó Zé, Ó Zé, Ó Zé, pequenino é!
Ó Zé, vai lavar a cara! Vai lavar a cara!
Vai lavar o pé!

O meu menino é bonito, ó Zé,
Está farto que se lhe diga, ó Zé:
«Assim bom e bonitinho, ó Zé,
Um dia será feliz, ó Zé.»

Ó Zé, Ó Zé, Ó Zé, pequenino é!
Ó Zé, vai lavar a cara! Vai lavar a cara!
Vai lavar o pé!

Letra e música: Tradicional (Manhouce, São Pedro do Sul, Beira Alta)
Intérpretes: Ana Tomás & Ricardo Fonseca (in CD “Canções de Labor e Lazer”, Ana Tomás & Ricardo Fonseca, 2017)

VAI-TE EMBORA Ó PAPÃO

Vai-te embora, ó papão,
De cima desse telhado!
Vai-te embora, ó papão,
De cima desse telhado!
Deixa dormir o menino
Um soninho descansado!
Deixa dormir o menino
Um soninho descansado!

Vai-te embora, ó papão,
De cima desse telhado!
Vai-te embora, ó papão,
De cima desse telhado!
Deixa dormir o menino
Um soninho descansado!
Deixa dormir o menino
Um soninho descansado!

Letra e música: Tradicional (Arganil, Beira Alta)
Recolha: Rodney Gallop (1932-33, in livro “Cantares do Povo Português”, trad. António Emílio de Campos, Lisboa: Instituto para a Alta Cultura, 1937; “A Canção Popular Portuguesa”, de Fernando Lopes Graça, col. Saber, Vol. 23, Lisboa: Publicações Europa-América, 1953 – p. 61; 3.ª edição, col. Saber, Vol. 23, Mira-Sintra: Publicações Europa-América, s/d. – p. 58; “Cancioneiro Popular Português”, de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 17)
Intérpretes: Ana Tomás & Ricardo Fonseca (in CD “Canções de Labor e Lazer”, Ana Tomás & Ricardo Fonseca, 2017)

VÓS CHAMAIS-ME MORENINHA

[ Maçadela ]

Vós chamais-me moreninha,
Isto é do pó de linho;
Lá me vereis ao domingo
Como a flor do rosmaninho.
O meu amor não é este,
Não é este, nem o quero;
O meu tem os olhos pretos,
O teu tem-nos amarelos.
Tu dizes que me queres muito,
Esse teu querer é engano:
Cortas pela minha vida
Como a tesoura no pano.

Letra e música: Tradicional (Malhada Sorda, Almeida, Beira Alta)
Intérprete: O Baú (in CD “Achega-te”, O Baú, 2012)

CANÇÕES DA BEIRA BAIXA

CRAVO ROXO À JANELA

Cravo roxo à janela
É sinal de casamento
Menina recolha o cravo, ó ai
Que o casar ainda tem tempo
Cravo roxo ama, ama
Ó jasmim adora, adora
Rosa branca brumelhinha, ó ai
Se tens pena chora, chora
Cravo roxo sentimento
Que eu bem sentida estou
Por amar quem me não ama, ó ai
Querer bem a quem me deixou
Tenho à minha janela
O que tu não tens à tua
Cravo roxo salpicado, ó ai
Que dá cheiro a toda a rua

Letra e música: Popular (Beira Baixa)
Arranjo: António Prata
Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos / Coro Polifónico Eborae Musica / Adufeiras de Monsanto / Coral Guadiana de Mértola (in CD “Sulitânia”, Ocarina, 2007)

ERA AINDA PEQUENINO

Era ainda pequenino
Acabado de nascer
Inda mal abria os olhos
Já era para te ver
Acabado de nascer
Quando eu já for velhinho
Acabado de morrer
Olha bem para os meus olhos
Sem vida são p’ra te ver
Acabados de morrer
Era ainda pequenino
Acabado de nascer
Inda mal abria os olhos
Já era para te ver
Acabado de nascer
Letra e música: Popular (Beira Baixa)
Intérprete: Adriano Correia de Oliveira (in “Cantigas Portuguesas”, Orfeu, 1980; “Obra Completa”, Movieplay, 1994, 2007)

ESTA NOITE NÃO É NOITE

[ Moda da Zamburra ]

Esta noite não é noite
não é noite de dormir
nem esta nem a que vem
nem a que está para vir
não é noite de dormir
Pelo mar abaixo
vai um pintassilgo
c’o arado às costas
semeando o trigo
Estas casas não são casas
Estas casas são casinhas
Tantos anos viva o mundo
Como elas têm de pedrinhas
Estas casas são casinhas
Pelo mar abaixo
vai uma cabaça
Se ela leva vinho
leva toda a graça
Pelo mar abaixo
vai um pintassilgo
c’o arado às costas
semeando o trigo
Ó Entrudo, ó Entrudo
ó Entrudo chocalheiro
tu não deixas assentar
as mocinhas ao solheiro
ó Entrudo chocalheiro
Pelo mar abaixo
vai um pintassilgo
c’o arado às costas
semeando o trigo
Pelo mar abaixo
vai uma cabaça
Se ela leva vinho
leva toda a graça

Letra e música: Popular (Concelho de Castelo Branco, Beira Baixa)
Arranjo: Aurélio Malva
Intérprete: Brigada Victor Jara (in CD “Danças e Folias”, Farol, 1995)

ESTAVA A VELHA NO SEU LUGAR

[ A Velha a Fiar (Lengalenga) ]

Estava a velha no seu lugar
Veio a mosca chatear
A mosca na velha, a velha a fiar
Estava a mosca no seu lugar
Veio a aranha chatear
A aranha na mosca, a mosca na velha, a velha a fiar
Estava a aranha no seu lugar
Veio o rato chatear
O rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha, a velha a fiar
Estava o rato no seu lugar
Veio o gato chatear
O gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha, a velha a fiar
Estava o gato no seu lugar
Veio o cão chatear
O cão no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha, a velha a fiar
Estava o cão no seu lugar
Veio o homem chatear
O homem no cão, o cão no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha, a velha a fiar
Estava o homem no seu lugar
Veio a morte chatear
A morte no homem, o homem no cão, o cão no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha, a velha a fiar

Letra e música: Tradicional (Proença-a-Nova, Beira Baixa)
Recolha: José Alberto Sardinha (1989, in “Portugal – Raízes Musicais”: CD 4 – “Beira Baixa e Beira Trasmontana”, BMG/JN, 1997)
Arranjo: Velha Gaiteira
Intérprete: Velha Gaiteira (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Versão discográfica de Velha Gaiteira, com Grupo de Percussão da Escola Cidade de Castelo Branco (vozes) (in CD “Velha Gaiteira”, Velha Gaiteira/Ferradura, 2010)

EU VENHO DE AQUI

Debaixo da Laranjeira
Eu venho de aqui, de aqui
Eu venho de aqui, de além
Debaixo da laranjeira, ó ai
Muita laranja apanhei
Muita laranja apanhei
Uma verde outra amarela
Debaixo da laranjeira, ó ai
Namorei uma donzela
Namorei uma donzela
Namorei o meu amor
Debaixo da laranjeira, ó ai
Nem chove nem faz calor
Nem chove nem faz calor
Ó que vento tão fresquinho
Debaixo da laranjeira, ó ai
Meu amor deu-me um beijinho
Meu amor deu-me um beijinho
E um abraço apertado
Debaixo da laranjeira, ó ai
Saímos de lá casados
Saímos de lá casados
De dia e a toda a hora
Debaixo da laranjeira, ó ai
Meu amor, vamos embora

Letra e música: Popular (Beira Baixa)
Arranjo: Pedro Pitta Groz
Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos / Adufeiras de Monsanto (in CD “Sulitânia”, Ocarina, 2007)

FUI UM ANO ÀS VINDIMAS

[ Vindimas ]

Fui um ano às vindimas,
Pagaram-me a trinta reis;
Dei um vintém ao barqueiro,
Ai, fui p’ra casa com dez reis.
Foram todos à vindima,
Foram todos vindimar;
As uvas foram p’ró cesto,
Do cesto para o lagar.
Não se me dá que vindimem
Vinhas que eu já vindimei;
Não se me dá que outros logrem
Amores que eu rejeitei.
Não se me dá que outros logrem
Amores que eu rejeitei.

Letra e música: Tradicional (Beira Baixa)
Intérprete: Velha Gaiteira

HEI-DE CERCAR A IDANHA

Moda das Sachas
Hei-de cercar a Idanha
Com muitas peças de fita;
À porta do meu amor
Hei-de pôr a mais bonita.
As armas do meu adufe
São de pau de laranjeira;
Quem houver de tocar nele
Há-de ter a mão ligeira.
Todos os males se curam
Com remédios da botica;
Só as saudades não saram:
Quem as tem com elas fica.
As armas do meu adufe
São de pau de laranjeira;
Quem houver de tocar nele
Há-de ter a mão ligeira.
O Sol quando se quer pôr
Anda de ramo em ramo:
Alegria de nós todos,
Tristeza do nosso amo.
As armas do meu adufe
São de pau de laranjeira;
Quem houver de tocar nele
Há-de ter a mão ligeira.

Letra e música: Tradicional (Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Arranjo: Musicalbi
Intérprete: Musicalbi (in CD “Adufando: Sinais da Beira Baixa”, Musicalbi, 2012)

INDO EU D’AQUI TÃO LONGE

[ Canção de Romaria ]

Indo eu d’aqui tão longe,
Sem pôr os pés na calçada,
Venho dar os parabéns
À senhora esposada.
Venho dar os parabéns
À senhora esposada;
Indo eu d’aqui tão longe
Sem pôr os pés na calçada.
Lá em cima ao altar-mor
Aqui treme o coração,
Quando o senhor vigário diz:
“Ponha aqui a sua mão!”
Quando o senhor vigário diz:
“Ponha aqui a sua mão!”
Lá em cima ao altar-mor
Aqui treme o coração.
Já não tenho coração,
Já mo tiraram do peito;
No lugar do coração
Nasceu-me um amor-perfeito.
No lugar do coração
Nasceu-me um amor-perfeito;
Já não tenho coração,
Já mo tiraram do peito.

Letra e música: Popular (Beira Baixa)
Arranjo: António Prata
Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos (in 2CD “Alçude”: CD1, Ovação, 2001)
Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in LP/CD “Romarias”, Ovação, 1991)

LÁ VIRÁ SÁBADO D’ALELUIA

[ Sábado d’Aleluia ]

Lá virá Sábado d’Aleluia,
Guitarras não faltarão:
Vêm do fundo da rua
A cantar ao S. João.
Rua abaixo, rua acima,
Toda a gente me quer bem;
Só a mãe do meu amor…
Não sei que raiva me tem.
Quem canta nem males espanta,
Quem ama não quer amar,
Quem sabe não quer saber,
Quem ama sabe encantar.
Lá virá Sábado d’Aleluia,
Guitarras não faltarão:
Vêm do fundo da rua
A cantar ao S. João.

Letra e música: Tradicional (Beira Baixa)
Adaptação: José Barros
Arranjo: José Manuel David e José Barros
Intérprete: Navegante (in CD “Meu Bem, Meu Mal”, Tradisom/Iplay, 2008)

LOUREIRO, VERDE LOUREIRO

Loureiro, verde loureiro,
Loureiro, assim, assim;
Engaste uma donzela:
Casa com ela, ó Joaquim!
Loureiro, verde loureiro,
Loureiro, assim, assim; (bis)
Engaste uma donzela:
Casa com ela, ó Joaquim! (bis)
Casar com ela, não caso
Que ela de mim não faz conta! (bis)
Loureiro, verde loureiro,
Seco no meio, verde na ponta (bis)
Por mais que o loureiro cresça
Ao céu não há-de chegar; (bis)
Por mais amores que eu tenha
Ai, a ti não te hei-de deixar. (bis)

Letra e música: Tradicional (Beira Baixa)
Arranjo: Musicalbi
Intérprete: Musicalbi (in CD “Adufando: Sinais da Beira Baixa”, Musicalbi, 2012)

MINHA RODA ‘STÁ PARADA

[ O Diabo Tocador ]

Minha roda ‘stá parada
Por falta de tocador;
Anda a roda, anda a roda
Que eu já vou, ó meu amor
Minha roda ‘stá parada
Por falta de tocador;
Anda a roda, anda a roda
Que eu já vou, ó meu amor.
Esta água ‘stá parada:

Quem seria que a parou?
Foi a mãe do meu amor
Que esta noite aqui passou.
Ó mar largo, ó mar largo,
Ó mar largo sem ter fundo!
Mais vale andar no mar largo
Que andar nas bocas do mundo.

Letra: Popular
Música: Danças Ocultas (sobre o tema tradicional “Minha Roda ‘stá Parada”, Beira Baixa)
Intérprete: Danças Ocultas & Orquestra Filarmonia das Beiras, com Carminho (in CD “Amplitude”, Danças Ocultas/Uguru/Sony Music, 2016)
Versão original: Danças Ocultas – instrumental (in CD “Tarab”, Numérica, 2009)

Ó ENTRUDO, Ó ENTRUDO

[ Moda do Entrudo (1.ª versão) ]

Ó entrudo, ó entrudo
Ó entrudo chocalheiro
Que não deixas assentar
as mocinhas ao solheiro
Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Que no monte é qu’eu estou bem
Que no monte é qu’eu estou bem
Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Onde não veja ninguém
Que no monte é qu’eu estou bem
Estas casas são caiadas
Estas casas são caiadas
Quem seria a caiadeira
Quem seria a caiadeira
Foi o noivo mais a noiva
Foi o noivo mais a noiva
Com um ramo de laranjeira
Quem seria a caiadeira

Letra e música: Popular (Malpica, Beira Baixa)
Intérprete: José Afonso (in “Traz Outro Amigo Também”, Orfeu, 1970; reed. Movieplay, 1987)
Outras versões: Teresa Silva Carvalho (in “Ó Rama, Ó Que Linda Rama”, Orfeu, 1977; reed. Movieplay, 1994); Roda Pé (in CD “Cor dos Ventos”, public-art, 2000); Erva de Cheiro (in CD “Que Viva o Zeca: Tributo”, Musicart, 2007)
Versão instrumental: Júlio Pereira (in “Cavaquinho”, Sassetti, 1981; reed. CNM, 1993)

Ó FILHO, NÃO VÁS À MINA

– Ó filho não vás à mina
Que as minas estão a cair
– Quer elas caiam quer não
Eu às minas quero ir
Não canto por bem cantar
Nem por bem cantar o digo
Eu canto para espalhar
Paixões que trago comigo
– Ó filho não vás à mina
Que as minas estão a cair
– Quer elas caiam quer não
Eu às minas quero ir
Eu não quero nem brincando
Dizer adeus a ninguém
Quem parte leva saudades
Quem fica saudades tem
– Ó filho não vás à mina
Que as minas estão a cair
– Quer elas caiam quer não
Eu às minas quero ir

Letra e música: Popular (Beira Baixa)
Arranjo: Pedro Fragoso
Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos / Coro Polifónico Eborae Musica (in CD “Sulitânia”, Ocarina, 2007)

Ó ENTRUDO, Ó ENTRUDO

[ Moda do Entrudo (2.ª versão) ]

Ó entrudo, ó entrudo
Ó entrudo chocalheiro
Ó entrudo chocalheiro
Que não deixas assentar
As mocinhas ao solheiro
Ó entrudo chocalheiro
Estas casas são caiadas
Quem seria a caiadeira
Quem seria a caiadeira
Foi o noivo mais a noiva
Com um ramo de laranjeira
Quem seria a caiadeira
Lá em baixo vai o entrudo
Em farrapos pelo chão
Em farrapos pelo chão
Que comeu um burro morto
Entre o Inverno e o Verão
Em farrapos pelo chão
O entrudo foi à vila
Já não quer de lá sair
Já não quer de lá sair
Caiu dentro de uma pipa
Dá-lhe a mão que quer subir
Já não quer de lá sair
Lá em baixo está o entrudo
De gordo não pode andar
De gordo não pode andar
Que comeu um burro morto
Entre o almoço e o jantar
De gordo não pode andar

Letra e música: Popular (Malpica, Beira Baixa)
Intérprete: Janita Salomé (in “Galinhas do Mato”, de José Afonso, Transmédia, 1985; reed. CNM, 1993)

Ó Ó, SÃO JOÃO DO MEIO

[ Manhaninha de São João ]

Ó ó, São João do meio,
Ai hei-de morar noutra rua!
Ainda não tenho casa,
Ai menina, arrende-me a sua!
Manhaninha de São João,
Ao redor da alvorada,
Jesus Cristo se passeia
Ao redor da fonte clara.
Eu hei-de ir ao São João,
Ai hei-de lá ir, se lá for,
Ou a pé ou a cavalo
Ai ou nos braços do amor.
Jesus Cristo se passeia
De volta da fonte clara,
E a água fica benzida
E a fonte fica sagrada.
Eu hei-de ir ao São João,
Ai hei-de lá ir, se lá for,
Ou a pé ou a cavalo
Ai ou nos braços do amor.
Manhaninha de São João,
Manhaninha de São João.

Letra e música: Tradicional (Idanha-a-Nova, Beira Baixa / Moimenta da Raia, Vinhais, Trás-os-Montes)
Intérprete: Segue-me à Capela
Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

OH MEU AMOR, SE TE FORES

Tosquia
Oh, meu amor, se te fores
Leva-me, podendo ser:
Que eu quero ir acabar
Onde tu fores morrer.

Eu hei-de ir morrer cantando,
Já que chorando nasci,
Já que as glórias deste mundo
Se acabaram para mim.

Letra e música: Tradicional (Fundão, Beira Baixa)
Arranjo: Musicalbi
Intérprete: Musicalbi (in CD “Adufando: Sinais da Beira Baixa”, Musicalbi, 2012)

PARA QUE QUERO EU OS OLHOS

Para que quero eu olhos,
Senhora Santa Luzia,
Se eu não vejo o meu amor
Nem de noite nem de dia?
Oh és tão linda!
Tu és tão fermosa
Como a fresca rosa
Que eu no jardim vi!
Ai dá-me um beijo
P’ra matar desejos
Que eu sinto por ti!
Ai, que eu sinto por ti!
Ai dá-me um beijo
P’ra matar desejos
Que eu sinto por ti!

Letra e música: Tradicional (Beira Baixa)
Intérprete: Afonso Dias com Teresa Silva
Primeira versão de Afonso Dias, com Teresa Silva (in CD “Andanças & Cantorias”, Bons Ofícios – Associação Cultural, 2016)
Primeira versão: Adriano Correia de Oliveira (in EP “Para Que Quero Eu Olhos”, Orfeu, 1967; 2LP “Memória de Adriano”: LP 1, Orfeu, 1983, reed. Movieplay, 1992; CD “Adriano Correia de Oliveira”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 40, Movieplay, 1994; “Obra Completa”: CD “Cantigas Portuguesas”, Movieplay, 1994, 2007)

RECORDAI, FIÉIS CRISTÃOS

[ Encomendação das Almas ]

Recordai, fiéis cristãos, de Jesus
No dia em que estava na cruz!
Aleluia! Aleluia!
Lembrai-vos de quem lá tendes:
Vossas mães e vossos pais!
Aleluia! Aleluia!
E ajudai-os a tirar:
Padre-nosso e uma ave-maria!
Aleluia! Aleluia!
Seja p’lo amor de Deus.

Letra e música: Tradicional (Penha Garcia, Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Intérprete: Segue-me à Capela
Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

SANTA BARBURINHA BENDITA

[ Bendito e Louvado das Trovoadas ]

— «Santa Barburinha bendita,
Livrai-nos das trovoadas!
Lev’as p’ra bem longe!
Santa Barburinha bendita,
Com um ramo de água benta
Arramai esta tormenta.»
Santa Bárbara pequenina
Se vestiu e se calçou,
Bordão na mão tomou.
— «Onde vais, Santa Barburinha,
Que no céu estais escrita?»
— «Eu vou p’ra bem longe!
Vou correr esta trovoada
Onde não há pão e vinho,
Nem bafo de menino!
Só a serpente e as sete filhas
Bebem leite de maldição
E água de trovão.»

Letra e música: Tradicional (Penha Garcia, Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Recolha: Ernesto Veiga de Oliveira
Intérprete: Segue-me à Capela
Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

SE FÔREIS AO SÃO JOÃO

[ São João ]

Se fôreis ao São João
Se fôreis ao São João
Ai traguei-me um São Joãozinho
Ai traguei-me um São Joãozinho
Se não pudéreis com um grande
Se não pudéreis com um grande
Ai traguei-me um mais picanino
Ai traguei-me um mais picanino
São João, casai as moças
São João, casai as moças
Ai as que vos fazem fogueiras
Ai as que vos fazem fogueiras
E aquelas que não as fazem
E aquelas que não as fazem
Ai deixai-as ficar solteiras
Ai deixai-as ficar solteiras
Eu hei-de ir ao São João
Eu hei-de ir ao São João
Ai o meu marido não quer
Ai o meu marido não quer
Deixai-o vós abalar
Deixai-o vós abalar
Ai eu farei o que eu quiser
Ai eu farei o que eu quiser
Do São João ao São Pedro
Do São João ao São Pedro
Ai quatro dias, cinco são
Ai quatro dias, cinco são
Moças que andais à soldada
Moças que andais à soldada
Ai aligrai o coração
Ai aligrai o coração
Ai aligrai o coração
Ai aligrai o coração
Ai aligrai o coração

Letra e música: Tradicional (Beira Baixa)
Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha
Versão original: Sebastião Antunes & Quadrilha (in CD “Proibido Adivinhar”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2015)

SENHORA MARIA

[ Moda dos Bombos ]

Senhora Maria, Senhora Maria,
O seu galo canta e o meu assobia!
Larilolela, e o meu assobia…
Larilolela, e o meu assobia…
Ó Ana vem ver, ó Ana vem ver
Os peixes no mar e o mar a arder!
Larilolela, e o mar a arder…
Larilolela, e o mar a arder…
Eu quero, eu quero, eu quero, eu quero
Eu quero, eu quero, eu quero, eu queria
Dormir contigo uma noite, ó Maria!…
Dormir contigo uma noite, ó Maria!…

Letra e música: Tradicional (Beira Baixa)
Intérprete: Velha Gaiteira
Versão discográfica de Velha Gaiteira (in CD “Velha Gaiteira”, Velha Gaiteira/Ferradura, 2010)

SENHORA… SENHORA DO ALMURTÃO

[ Senhora do Almurtão ]

Senhora…
Senhora do Almurtão, (bis)
Ó minha linda raiana,
Voltai costas…
Voltai costas a Castela, (bis)
Não queirais ser castelhana!
Senhora…
Senhora do Almurtão, (bis)
Quem vos varreu o terreiro?
Foram as…
Foram as moças de Idanha (bis)
Com raminhos de loureiro.
Senhora do Almurtão,
Bem me podeis perdoar!
Venho à vossa romaria
Só p’ra cantar e bailar.
Senhora do Almurtão,
Eu p’ró ano não prometo;
Que me morreu um amor,
Ando vestida de preto.

Letra e música: Tradicional (Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Arranjo: Musicalbi
Intérprete: Musicalbi (in CD “Adufando: Sinais da Beira Baixa”, Musicalbi, 2012)

SENHORA DA CONSOLAÇÃO

[ Virgem da Consolação – Senhora da Azenha ]

Senhora da Consolação,
Já vos varreu a capela
Ai, a gente de Salvaterra
Com raminhos de marcela.
Virgem da Consolação,
Vosso nome é Maria;
Ai, tendes um manto de seda
Com um raminho de alegria.
Ai, que tendes na vossa coroa?
Que tendes na vossa coroa?
Ai, uma pombinha de prata,
Tem asas e não avoa.
Ai, quem vos pudera levar,
Quem vos pudera eu levar
Para a minha companhia
Em braços, sem descansar!
Ai, quem vos pudera trazer,
Quem vos pudera eu trazer
Para a minha companhia
Em braços, sem ninguém ver!
Virgem da Consolação
Ficou à porta a chorar;
Ai não, Senhora, não chores
Que eu p’ró ano hei-de voltar!

Letra e música: Tradicional (Salvaterra do Extremo e Monsanto, Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Arranjo: Musicalbi
Intérprete: Musicalbi (in CD “Adufando: Sinais da Beira Baixa”, Musicalbi, 2012)

TENDO À MINHA JANELA

[ Cantiga Bailada ]

Tenho à minha janela — eras tão bonita e eu já te não quero —
O que tu não tens à tua, o que tu não tens à tua:
Um vaso de manjerico — eras tão bonita e eu já te não quero —
Que dá cheiro a toda a rua, que dá cheiro a toda a rua.

Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló!

Adeus, ó rua da ponte, — eras tão bonita e eu já te não quero —
Calçadinha mal sigura, calçadinha mal sigura!
E quando o meu amor passa — eras tão bonita e eu já te não quero —
Não há pedra que não bula, não há pedra que não bula.

Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló!

As pedras do meu balcão — eras tão bonita e eu já te não quero —
Estão todas a três a três, estão todas a três a três.
Os meus amores de algum dia — eras tão bonita e eu já te não quero —
Já os cá tenho outra vez, já os cá tenho outra vez.

Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló!
Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló!
Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló!

Letra e música: Tradicional (Beira Baixa)
Intérpretes: Ana Tomás & Ricardo Fonseca (in CD “Canções de Labor e Lazer”, Ana Tomás & Ricardo Fonseca, 2017)

VENHO DA RIBEIRA NOVA

[ Aventali ]

Venho da ribeira nova,
Debaixo do laranjali;
Já cá levo uma folhinha
Debaixo do aventali.
Debaixo do aventali,
Na barra do meu vestido.
Anda cá ó minha amada!
Deixa-me dormir contigo!
Deixa-me dormir contigo!
Uma noite não é nada,
Eu entro pelo escuro,
E saio de madrugada.
Nem entras pelo escuro
E nem sais de madrugada!
Eu sou rapariga nova,
Não quero andar difamada.
Venho da ribeira nova,
Debaixo do laranjali;
Já cá levo uma folhinha
Debaixo do aventali.
Debaixo do aventali,
Na barra do meu vestido.
Anda cá ó minha amada!
Deixa-me dormir contigo!
Deixa-me dormir contigo!
Uma noite não é nada,
Eu entro pelo escuro,
E saio de madrugada.
Nem entras pelo escuro
E nem sais de madrugada!
Eu sou rapariga nova,
Não quero andar difamada.

Letra e música: Tradicional (Vale de Senhora da Póvoa, Penamacor, Beira Baixa)
Intérprete: O Baú com Sebastião Antunes (in CD “Achega-te”, O Baú, 2012)

VENHO DE MACELADA

[ Macelada – São João ]

Venho de macelada,
Venho de colher macela,
Lá dos campos do castelo,
Daquela mais amarela!
Venho de macelada!
Olô ai larilolela,
Olô ai lariloló,
Venho de macelada!
Venho de macelada!
Venho de macelada,
Venho de colher o cravo,
Lá dos campos do castelo,
Para dar ao namorado!
Venho de macelada!
Olô ai larilolela,
Olô ai lariloló,
Venho de macelada!
Venho de macelada!
Venho de macelada,
Venho de colher uma flor,
Lá dos campos do castelo,
Para dar ao meu amor!
Venho de macelada!
Olô ai larilolela,
Olô ai lariloló,
Venho de macelada!
Venho de macelada!
Olô ai larilolela,
Olô ai lariloló,
Venho de macelada!
Venho de macelada!
Se fores ao São João

Ai trazei-me um São Joãozinho!
Se não puderes com um grande
Ai trazei-me um mais pequenino!
São João era bom homem
Ai se não fora tão velhaco;
Foram três moças à fonte
Ai foram três, vieram quatro.
Eu hei-de ir ao São João,
Ai o meu marido não quer;
Deixai-o vós abalar,
Ai eu farei o que eu quiser!

Letra e música: Tradicional (Beira Baixa)
Recolhas: Hubert de Fraysseix (“Macelada”) e GEFAC (“São João”)
Intérprete: Segue-me à Capela