BENEFÍCIOS DA EXPERIÊNCIA MUSICAL

por Anahi Ravagnani

Excerto de A Educação Musical de Crianças com Síndrome de Down em um contexto de interação social, de Anahi Ravagnani, dissertação de mestrado. Curitiba 2009.

(…) O objetivo específico da Educação Musical, segundo V. Gainza, é musicalizar, isto é, tornar o indivíduo sensível e receptivo ao fenómeno sonoro, desenvolvendo simultaneamente, neste indivíduo, respostas de natureza musical.

Para Ilza Joly, durante o processo de musicalização é importante considerar como ponto de partida, o contacto intuitivo e espontâneo que as crianças têm com a música desde os primeiros anos de vida. Durante este processo a criança pode realizar movimentos corporais enquanto ouve ou canta uma música, desenvolvendo-se e expressando-se de modo integrado.

Ainda para a mesma autora, a criança relaciona-se com a música como se fosse uma nova descoberta, e fá-lo por meio de brincadeiras e jogos.

A mesma opinião é defendida por T.A. Brito. Brincar à roda, aprender a cantar canções e participar em brinquedos rítmicos são algumas atividades capazes de desenvolver e despertar as capacidades de percepção e expressão da criança por meio da música. Deste modo, o termo musicalização infantil é definido pela autora como um processo de Educação Musical em que as noções de som, ritmo, melodia, compasso, tonalidade, métrica, leitura e escrita são mostradas para as crianças por meio de atividades lúdicas como jogos, exercícios de movimentos, danças, canções, prática em pequenos conjuntos instrumentais e relaxamento.

O trabalho de musicalização tende a romper barreiras de todo tipo, a abrir canais de expressão e comunicação a nível psicofísico, e, através de suas próprias estruturas internas, promover modificações significativas na mente humana.

W. Howard aponta para o facto de que a Educação Musical ser um importante meio de mostrar à criança como suscitar em si emoções originais e autênticas, além de transformar as emoções que chegam do exterior. Este resultado só pode ser obtido por meio de atividades que instiguem e suscitem respostas, ao mesmo tempo, físicas e psíquicas nas crianças.

T. Brito ainda ressalta que durante o trabalho de musicalização é importante também promover o desenvolvimento de outras capacidades nas crianças, além das musicais, como as capacidades de integração no grupo, de autoafirmação, de expressar-se por meio do próprio corpo, de produzir ideias e ações próprias, de cooperação, solidariedade e respeito. Ou seja, a musicalização é também, uma forma de promover experiências musicais significativas para a criança.

Em relação aos possíveis benefícios suscitados pela experiência musical, B.S. Ilari destaca alguns resultados das experiências vividas desde a mais tenra idade. Essas vivências constituirão a base do pensamento musical do ser humano ao longo da sua vida, a saber:

  • Benefícios psicológicos: o ser humano se comunica afetivamente através da música.
  • Benefícios emocionais: por meio do canto materno, a música pode fornecer ao indivíduo um senso de tranquilidade e proteção.
  • Benefícios culturais: as experiências musicais contam a nossa história, quem fomos, somos e seremos, além de traduzirem e perpetuarem os elementos de cada cultura.
  • Benefícios auditivo-educacionais: a música é uma forma de conhecimento: enriquecer a percepção sonora e educar o ouvido propicia uma base musical sólida para os futuros ouvintes.
  • Benefícios estético-musicais: a música possui códigos estéticos, auditivos e psicológicos próprios, portanto já tem valor em si mesma.

Em relação às pessoas com necessidades especiais, Birkenshaw-Fleming acrescenta que também para estes indivíduos, a Educação Musical traz benefícios importantes como:

  • A valorização da autoestima, uma vez que aos indivíduos é permitido realizar as atividades ao seu próprio ritmo.
  • A interação social. Em muitos casos, algumas incapacidades devem-se ao isolamento do indivíduo.
  • O desenvolvimento das capacidades motoras, da força muscular e da fala, que podem ser alcançados por meio de atividades musicais que contenham movimentos e palavras.
  • O desenvolvimento de todas as facetas da audição, como, por exemplo, a sensibilização ao som, a audição sequencial e a memória.
  • O estímulo total do cérebro. Tanto o lado direito (afetivo) quanto o esquerdo (lógico), são, igualmente, estimulados durante um programa ativo em música. (…)

Bebé com síndrome de Down