José Belo Marques, maestro e compositor natural de Leiria

Belo Marques

Compositor . Maestro

José Belo Marques, violoncelista, compositor e diretor de orquestra, filho de José da Costa Marques e de Maria José Ramos Belo, nasceu em Leiria a 25 de janeiro de 1898. Iniciou os estudos naquela cidade, aos nove anos. Aprendeu simultaneamente vários instrumentos e completou-os em Lisboa, para onde se mudou ainda jovem. Na capital estudou Música, que ampliou mais tarde em Paris, Alemanha e Argentina.

Em África, onde permaneceu durante cinco anos desempenhando o cargo de diretor do Rádio Clube de Moçambique, estudou o folclore indígena e escreveu o livro Música Negra, Estudos do Folclore Tonga, editado pela Agência Geral das Colónias, em 1943. Os ritmos e melodias por si recolhidos foram reunidos numa obra em seis andamentos, Fantasia Negra, para coro e orquestra, estreada a 26 de outubro de 1944, no Teatro Nacional de São Carlos.

Foi regente do Orfeão Scalabitano, em Santarém, organizador dos “Coros Femininos” e do “VI Masculino da Emissora Nacional” e diretor da “Orquestra de Salão” e da “Orquestra Típica” da mesma Emissora. Com esta orquestra, percorreu o País dirigindo, juntamente com Wanceslau Pinto, os chamados “Serões para Trabalhadores” e os “Serões para Soldados de Portugal”.

No que respeita à Emissora Nacional, Belo Marques criou o “Centro de Preparação para Artistas”, que contribuiu muito particularmente para o lançamento de novas estrelas da rádio como os cançonetistas Francisco José, Júlia Barroso, Simone de Oliveira, Madalena Iglésias e Maria de Fátima Bravo, entre muitos outros.

Em 1938, Belo Marques escreveu a banda sonora do filme Rosa do Adro de Chianca de Garcia. Ainda no mesmo ano, estreou-se no teatro de revista, compondo a música para a peça Rosmaninho, de Silva Tavares e Mário Marques. A canção A Minha Aldeia, incluída nesta peça, constituiu o seu primeiro sucesso comercial.

Entre as distinções que lhe foram conferidas, contam-se a de regente honoris causa do Conservatório de Lisboa, o primeiro prémio do Festival Internacional Latino, de Paris (1938) e o segundo do Concurso Internacional da Canção Latina, de Veneza (1955).

Embora o seu nome permaneça ligado à Música Popular Portuguesa, deixou vastíssima obra que vai da canção popular à ópera, operetas, bailados e sinfonias. O maestro Belo Marques compôs cerca de 470 quartetos vocais, 13 composições sinfónicas e mais de 700 canções.

Foram publicadas pela Casa Sasseti, de Lisboa 156 das suas obras ligeiras, 62 das quais se encontram gravadas em discos. Conserva inéditos, além de nove sinfonias, as obras: Fantasia Negra (já mencionado), O Moinho do Diabo (ópera), Imagens (poema coral sinfónico).

O nome de Belo Marques está intrinsecamente ligado à Música Popular Portuguesa, já que a ele se devem melodias que entraram já no ouvido e que nunca serão esquecidas, como a canção Alcobaça, interpretada por Maria de Lourdes Resende, que constituiu um êxito inegável e imortalizou esta cidade.

O maestro Belo Marques faleceu no dia 27 de março de 1987, no Sobral de Monte Agraço.

[ Músicos naturais de Leiria ]

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