OS BEBÉS E A MÚSICA

Excerto de A Música no Jardim de Infância. Uma proposta de desenho curricular, no âmbito do projeto “Crescer com a Música”, por Irene Cortesão Costa, ESEPF – Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, Porto 2016.

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O CANTO

A voz é o primeiro elemento de comunicação que o bebé usa, quando chora nos primeiros tempo de vida, chora porque tem fome, porque lhe dói a barriga, porque quer mimo. É um elemento de comunicação que, paulatinamente, vai aprendendo a controlar, tornando esta comunicação cada vez mais percetível para os pais (o choro vai sendo diferente conforme a necessidade que quer exprimir), depois o palrar, a imitação da linguagem que progressivamente vai conseguindo controlar até que imita os sons que vai escutando para falar e para cantar. A voz vai adquirindo, assim, um caráter expressivo, afetivo e social.

A PERCUSSÃO CORPORAL

Logo depois da voz, o corpo surge como importante instrumento de criação de sons, de experimentação da percussão: o bater “palminhas”, o batimento das mãos no corpo e o progressivo aperfeiçoamento da capacidade de produzir sons através da manipulação do próprio corpo.

A ATIVIDADE INSTRUMENTAL

Com a capacidade de utilização do corpo como primeiro instrumento de percussão, o bebé vai procurando produzir sons com elementos externos. Pega em objetos e experimenta os sons que produzem. Progressivamente, a criança vai sendo capaz de utilizar objetos estranhos a si para a produção de sons, a manipulação de objetos sonoros e posteriormente a manipulação e utilização consciente de instrumentos. Isto irá permitir a atividade instrumental com instrumentos cada vez mais complexos.

O MOVIMENTO

Nas crianças pequenas, a música e o movimento estão intrinsecamente ligados: ouvir música significa movimento. A capacidade de interpretação da música através do corpo e do seu movimento vai sendo cada vez mais aperfeiçoada e é esta articulação que nas crianças é natural, que vai permitir, paulatinamente, trabalhar com elas a sua capacidade de se exprimir corporalmente, aprendendo a interpretar de forma física o que os seus ouvidos vão captando.

A AUDIÇÃO

A “capacidade de ouvir” não tem o mesmo significado que a “capacidade de escutar”: A escuta é uma faculdade de alto nível que se insere eletivamente e em primeiro lugar no aparelho auditivo. Quanto melhor for a qualidade deste, mais oportunidade teremos de ver instalar-se uma perceção do mundo sonoro próxima de uma certa realidade. (…) Se a audição for excelente diremos que o sujeito está apto a ouvir. O que em nada significa que queira escutar (…) nada garante que se manifesta um desejo deliberado: o desejo de apreender os sons, de os reunir, de os amalgamar, de os memorizar, de os integrar. É esta dimensão que caracteriza a faculdade de escuta na qual a volição tem uma importância primordial (Alfred Tomatis).

Se a capacidade de escutar música, como afirma Tomatis, é passível de ser estimulada, então ela deve ser progressivamente trabalhada, através de uma escuta ativa (movimento do corpo, manipulação de objetos, representação gráfica dos sons). Esta prática irá permitir à criança ir adquirindo formas de escuta e de interpretação, primeiro dos sons que a rodeiam, depois dos trechos musicais, até conseguir fazer uma audição crítica e estética da música que ouve.

No quadro das cinco áreas de atividades que atrás se fez referência, preconiza-se, portanto, que os conteúdos trabalhados respeitem uma sequencialização de competências que permita tomar em linha de conta a evolução das capacidades musicais das crianças (Ana Lucia Frega).

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A Música no Jardim de Infância. Uma proposta de desenho curricular, no âmbito do projeto “Crescer com a Música”, por Irene Cortesão Costa, ESEPF – Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, Porto 2016.