BARBURINHA E OUTROS SANTOS

SANTA BARBURINHA BENDITA

[ Bendito e Louvado das Trovoadas ]

Letra e música: Tradicional (Penha Garcia, Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Recolha: Ernesto Veiga de Oliveira
Intérprete: Segue-me à Capela
Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

— «Santa Barburinha bendita,
Livrai-nos das trovoadas!
Lev’as p’ra bem longe!

Santa Barburinha bendita,
Com um ramo de água benta
Arramai esta tormenta.»

Santa Bárbara pequenina
Se vestiu e se calçou,
Bordão na mão tomou.

— «Onde vais, Santa Barburinha,
Que no céu estais escrita?»
— «Eu vou p’ra bem longe!

Vou correr esta trovoada
Onde não há pão e vinho,
Nem bafo de menino!

Só a serpente e as sete filhas
Bebem leite de maldição
E água de trovão.»

À PORTA DAS ALMAS SANTAS

[ Devoção das Almas ]

Letra e música: Tradicional (Oliveirinha, Aveiro, Beira Litoral)
Recolha: Michel Giacometti (in LP “Beira Alta, Beira Baixa, Beira Litoral”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1970; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 3 – Beiras, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 4 – Beiras, col. Portugal Som, Numérica, 2008)
Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)

À porta das almas santas
Bate Deus a toda a hora.
As almas responderam:
«— Ó meu Deus, que quereis agora?»
«— Queremos que deixais o mundo;
Vinde já para a Glória!»
Ajoelhemos nós em terra,
Já não somos os primeiros.
Em nossa companhia anda
Jesus Cristo verdadeiro.
Ó Virgem da Piedade,
À devoção nos obriga;
Rezemos às almas santas,
Rezemos com alegria.
Atormenta a dor e dor
Do contínuo padecente.
Assim são as benditas almas
No Purgatório ardente.
Ouvi homens e mulheres
Deste povo auditório,
Dai esmola se pudéreis
Às almas do Purgatório.
Dai esmola se pudéreis,
Se com devoção a dais;
Já lá tendes vossas mães,
Vossos filhos e vossos pais.
Esses bens que possuirdes
Reparti-os em vossa vida;
Lá os achareis na Glória
Quando fordes na partida.
Aqui estamos de joelhos
A rezar a oração:
Ou nos venham dar a esmola
Ou de Deus venha o perdão.

E À PORTA DAS ALMAS SANTAS

[ Encomendação das Almas ]

Letra e música: Tradicional (Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)

E à porta das almas santas
Bate Deus a toda a hora,
Deus a toda a hora.

E as almas de lá respondem:
«— E ó meu Deus, que quereis agora?
Meu Deus, agora?»

«— Quero que venhais comigo
Para a minha eterna Glória!
Minha eterna Glória!

P’ra a companhia dos anjos
Mais a Virgem que Me adora!
Virgem que Me adora!»

E acordai se estais dormindo
Nesse sono tão profundo!
Sono tão profundo!

Rezemos um padre-nosso
Às almas do outro mundo!
Do outro mundo!

RECORDAI

[ Encomendação das Almas ]

Letra e música: Tradicional (Monte de Cabaços, Alcoutim, Algarve)
Recolha: Michel Giacometti (“Oração das Almas”, in LP “Algarve”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1962; LP “Cantos Religiosos Tradicionais Portugueses”, Philips, 1971; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 5 – Algarve, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 6 – Algarve, col. Portugal Som, Numérica, 2008)
Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)

— Recordai, nobres senhores,
Nesse sono tão profundo!
— Ouvirás vozes e clamores
Das almas do outro mundo.
— Cristandade tão unida
Ouvindo gritos e ais…
— Lá tem Deus na outra vida
Nossas mães e nossos pais.
— Tenham dó e compaixão
Daquela sentida voz!
— De repente para nós
As almas que em pena estão
Dos nossos pais e avós…
— ‘Tão rogando a vossos pais
Toda a noite e todo o dia;
— ‘Tão postos em agonia
Vendo que lhe não rezais
Sequer uma ave-maria.

— Ó tão tristes pecadores
Ouvindo tristes gemidos…
— Das almas estão em clamores
Dando gritos tão sentidos;
— Gritam contra os seus herdeiros
Pelos bens que lhes deixaram;
— Gritam contra os seus amigos
Que cá deixaram no mundo,
— Pois foi tal o seu descuido
Sendo vivos mas não dizendo,
Dá-me a mão que eu vos ajudo.
— Muito mal faz que(m) (d)esperdiça
Das almas a divação,
— Sendo das almas irmãos
Vamos-lhe ouvir uma missa,
Dou-lhe esta consolação.
— Desta sorte se consolam
As almas dos nossos pais;
— Uma missa que lhe ouvimos
E um pouco que lhe rezais;
— Fazes uma grande esmola
Porque vós nem meia dais.

JÁ PEDEM NAS ALMAS SANTAS

[ As Excelências da Virgem ]

Letra e música: Tradicional (Alcoutim, Algarve)
Recolha: Michel Giacometti (in LP “Algarve”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1962; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 5 – Algarve, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 6 – Algarve, col. Portugal Som, Numérica, 2008)
Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)

Já pedem nas almas santas
Que uma excelência lhe havemos de rezar,
À Senhora do Rosário,
Ao seu Santo Saclário.
Saclário já está aberto:
O Senhor saiu fora
Acompanhar uma alma
Que vai p’ra a Glória.

Já pedem nas almas santas
Que duas excelências lhe havemos de rezar,
À Senhora do Rosário,
Ao seu Santo Saclário.
Saclário já está aberto:
O Senhor saiu fora
Acompanhar uma alma
Que vai p’ra a Glória.

Já pedem nas almas santas
Que três excelências lhe havemos de rezar,
À Senhora do Rosário,
Ao seu Santo Saclário.
Saclário já está aberto:
O Senhor saiu fora
Acompanhar uma alma
Que vai p’ra a Glória.

Já pedem nas almas santas
Que quatro excelências lhe havemos de rezar,
À Senhora do Rosário,
Ao seu Santo Saclário.
Saclário já está aberto:
O Senhor saiu fora
Acompanhar uma alma
Que vai p’ra a Glória.

Já pedem nas almas santas
Que cinco excelências lhe havemos de rezar,
À Senhora do Rosário,
Ao seu Santo Saclário.
Saclário já está aberto:
O Senhor saiu fora
Acompanhar uma alma
Que vai p’ra a Glória.
Que vai p’ra a Glória,
Que vai p’ra a Glória,
Que vai p’ra a Glória.