BALBUCIOS MUSICAIS

Excerto de Música na creche: possibilidades de musicalização de bebês, por Cíntia Vieira da Silva Soares. ABEM 2008.

Os balbucios ou explorações vocais caracterizam as primeiras etapas evolutivas da linguagem, servindo como base para uma adequada aprendizagem musical.

Segundo Moog, o balbucio de um bebé pode ser musical e não-musical. O balbucio não-musical aparece primeiro do que o balbucio musical, por volta dos 2 aos 8 meses, e antecede a fala. O musical aparece como resposta a uma música ouvida pelo bebê. Compõe-se de poucas sílabas, simplicidade rítmica e com pausas somente para a respiração. O bebé explora tons e imita o que ouve.

Esse jogo vocal desenvolvido por ele bebé é considerado precursor da canção espontânea. Beyer, nos seus estudos sobre os balbucios musicais, ressalta que “a exploração sonora do bebê contempla todos os parâmetros sonoros, mas que vai variar conforme o contexto sonoro-musical em que o bebé está inserido”.

O bebé vai ampliando sua produção sonora, em qualidade e em quantidade, graças ao seu convívio com as pessoas e o meio social em que vive. Esse contexto musical é repleto de matéria-prima sonora que pode ser utilizada ou não pelo bebé em suas explorações.

Além dessa manifestação sonora a que se refere a autora, o bebé responde ao estímulo sonoro-musical de formas variadas: reage de maneira diferente em contacto com os sons graves e agudos, olha em direção ao som, manifesta expressões de alegria, de prazer, de assombro ante a música, assim como balança o corpo.

Segundo Norman Weinberger, professor de Psicologia e Ciências Cognitivas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, bebés com alguns meses de idade podem identificar variações propositais em melodias que lhes são conhecidas.

Os atos de ouvir, perceber, reagir, identificar, associar, produzir são algumas das possíveis ações observadas no bebé em contacto com música ou instrumento musical. Em contacto com um tambor, por exemplo, o bebé pode ter reações inusitadas como arranhar a parte superior do instrumento com o dedinho, virar para ver a parte oca do tambor, batê-lo no chão, percuti-lo com a mãozinha, tudo com muita curiosidade e olhar atento às explorações sonoras ou não.

Dessa forma, é possível perceber que o bebé imerso em um contexto sonoro-musical, seja como ouvinte ou como produtor de sons e movimentos, tem sua ação transformada mediante o estímulo sonoro ou musical, revelando, nesse processo, suas capacidades e possibilidades de aprendizagem. E, de acordo com educadores musicais, o contacto com a música, além de desencadear reações motoras e vocais nos bebés, provoca mudanças na sua ação, incentivando-o a descobertas sonoro-musicais próprias, em manifestação de aprendizagem.

Com a constatação da possibilidade dessa aprendizagem musical, surgiram os programas de vivências musicais para bebés. Pesquisadores e educadores musicais tinham como objetivo principal ampliar o contacto do bebé com atividades musicais de qualidade e em ambiente educativo, a fim de aprofundar elementos especificamente musicais.

Para os educadores, os bebés poderiam vivenciar a música de forma lúdica e prazerosa, por meio de cantigas de roda, músicas instrumentais, folclóricas, populares, de variadas culturas e estilos, e ainda pela dança ou apenas pela apreciação auditiva.

Para o campo da pesquisa, poderia se observar efetivamente a influência musical, bem como analisar sistematicamente suas possíveis contribuições com o desenvolvimento pleno do bebé.

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