Augusta Cruz, cantora lírica nascida em Viseu

Augusta Cruz

Cantora lírica

Augusta Cruz é o nome artístico da cantora lírica viseense que nasceu com o nome de Maria Augusta Correia da Cruz.

Maria Augusta Correia da Cruz, Cantora Lírica, nasceu em Viseu, a 13-08-1869, e faleceu em Lisboa, a 06-01-1901.

Era filha de António Coelho da Cruz e de Júlia Correia da Cruz, casal a quem nasceram, pelo menos, mais sete filhos: Assunção, Palmira, Arminda, Gracinda, José, António e Julieta Correia da Cruz. Ainda criança começou a estudar música, recebendo lições de piano de Luís Dalhunty. Mas, à medida que progredia na arte do teclado, a jovem Maria Augusta começava também a mostrar grande vocação para o canto, em breve demonstrando possuir uma lindíssima voz. Durante mais alguns anos continuou em Viseu, tomando parte em vários recitais, nomeadamente no Grémio de Viseu, onde se estreou em 1887 e onde lhe chamavam “O Rouxinol da Beira”.

Instigada por várias pessoas e animada pelos êxitos obtidos, acabou por partir para Lisboa para estudar canto (08 de Maio de 1888).

Foi seu Professor Arturo Pontecchi, o mesmo com quem haviam estudado os irmãos Andrades, Álvaro Salvaterra, Sousa Coutinho e outros. Em 18 de Outubro de 1888, com dezanove anos, fez a sua estreia operática cantando no Teatro do Príncipe Real, do Porto, o papel de “Siebel” da ópera Fausto, em espectáculo de benefício dos filhos do violinista portuense Augusto Marques Pinto, falecido em 19 de Março desse ano. A distribuição foi a seguinte: Álvaro Roquete (Fausto), Sofia de Castro (Margarida), D. José de Almeida (Mefistófeles), D. Francisco de Sousa Coutinho (Valentim), Augusta Cruz (Siebel) e João Carlos Pinto Ferreira (Wagner). O Maestro foi Arturo Pontecchi. Dois dias depois repetiu-se o espectáculo, no mesmo teatro e com o mesmo elenco. Estas récitas pode dizer-se que são históricas, pois dos cinco cantores referidos, todos ainda principiantes ou pouco experientes, três vieram a fazer brilhantíssima carreira na Europa e na América e só Sofia de Castro e D. José de Almeida se mantiveram sempre dentro dos limites do amadorismo, o que não impediu de se revelarem artistas de excelente categoria.

Apesar de curta, devido à sua morte, Augusta Cruz teve uma carreira nacional e internacional notável. Casou, em 24 de Junho de 1899, com o tenor Manuel da Costa Carneiro, na Igreja de Santa Cruz, em Coimbra.

De Coimbra os noivos seguiram de comboio para Sintra, onde passaram a lua-de-mel, e fixaram residência em Lisboa.

Pouco tempo depois, Augusta Cruz começou a manifestar sintomas de bócio tóxico, doença que foi sempre progredindo e que acabou por a vitimar em 06 de Janeiro de 1901, com pouco mais de 31 anos. O funeral da infeliz artista saiu da sua residência, na Rua de S. José, nº 57, pelas 15 horas do dia seguinte, para o Cemitério Oriental de Lisboa.”

Fonte: “Cantores de Ópera Portugueses”, (Mário Moreau, II Volume, Bertrand Editora)

O nome da cantora lírica faz parte da toponímia de Seixal e Viseu (Rua Augusta Cruz).

[ Músicos de Viseu ]
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