Armindo da Luz Borges

Música Sacra

O Pe. Doutor Armindo da Luz Borges, um gigante açoriano da Música Sacra, nasceu na freguesia de São Pedro do Nordestinho, concelho de Nordeste, na ilha de São Miguel, a 30 de março de 1933, e faleceu em agosto de 2022.

Foi ordenado presbítero na Sé [ Catedral ]e Angra a 7 de junho de 1959. Em 1963 foi enviado pelo bispo de Angra para uma Universidade em Itália para se formar em Música Sacra, e daí passou para estudos superiores na Alemanha. Dedicou toda a sua vida ao estudo, ensino, composição e interpretação da música clássica e sacra.

A vida musical em Roma e na Alemanha

Revista Brasil Europa

Foi corrigido o nome do organista Jean Guillou, que aparecia como “Gyllon” e pequenas adaptações.

Para além das aulas, a participação na liturgia cantada e em concertos foi de fundamental importância na formação do Pe. Armindo Borges em Roma. Uma vez por semana, assistia, juntamente com outros colegas, os concertos promovidos pela R.A.I. (Radiotelevisione Italiana)

Logo ao chegar dos Açores, foi-lhe apresentado, pelo secretário do P.I.M.S., o então jovem organista, compositor, pianista e pedagogo francês Jean Victor Arthur Guilou (1930-), ex-discípulo de mestres como Marcel Dupré (1886-1971), Maurice Duruflé (1902-1986) e Olivier Messiaen (1908-1992). A razão dessa apresentação foi o fato de Jean Guillou ter sido professor de órgão no Instituto Gregoriano de Lisboa, sob a direção de Júlia d’Almendra. Guillou possuía também estreitos contatos com a Alemanha, tendo estado em Berlim de 1958 a 1963, passando a ocupar o cargo de organista titular da igreja de Saint-Eustache, em Paris.

A sua primeira grande impressão artística em Roma, e que lhe marcou a vida, foi assistir, poucos dias após a sua chegada, à execucão da Missa em Si Menor de J. S. Bach, promovido pela Accademia di Santa Cecilia, com a presença do Papa Paulo VI e os bispos que estavam presentes ao Concílio Vaticano II. A obra foi executada pelo Coro da Catedral de Aachen / Aix-la-Chapelle, então o coro de maior renome na Alemanha. Tendo falecido o seu regente, Theodor Bernhard Rehmann (1895-1963) pouco antes do concerto, foi este substituído pelo regente do Coro da Catedral de Berlim.

Praticamente incontáveis foram os concertos que o jovem Pe. Armindo Borges pôde vivenciar em Roma. O próprio Pontificio Istituto di Musica Sacra organizava regularmente concertos de órgão onde se apresentavam organistas de diversos países, entre eles da França, da Alemanha e da Suíça. Para além desses, salientavam-se os promovidos pela Accademia di Santa Cecília, nos quais teve a oportunidade de ouvir intérpretes e regentes de renome internacional, entre eles Arthur Rubinstein (1887-1982), Igor Strawinsky (1882-1971), Pierre Monteaux (1875-1964), Karl Böhm (1894-1981), Herbert von Karajan (1908-1989) e, entre os representantes da música contemporânea, Luigi Dallapiccola (1904-1975).

Entre esses concertos salientavam-se os de órgão, quando teve a oportunidade de presenciar a arte de organistas como Karl Richter (1926-1981) e a série de órgão organizada por Fernando Germani (1906-1998) dedicada à obra completa de J. S. Bach levada a efeito na Basílica Aracoeli.

Embora, na época, sacerdotes não tivessem permissão de ir à Ópera, podiam fazê-lo no último ensaio geral das obras, para tanto recebendo os alunos do Instituto ingressos gratuitos pelo facto de um de seus professores tomar parte na orquestra da Ópera.

Armindo Borges pôde assim assistir a grandes obras do repertório operístico, salientando-se as de G. Verdi (1813-1901) e os dramas musicais de R. Wagner (1813-1883).

Além dos concertos realizados pela Accademia di Santa Cecilia, o Pe. Armindo Borges assistiu também a numerosos eventos da R.A.I., sobretudo aqueles dedicados à juventude, dirigidos não apenas por jovens maestros, mas também por regentes de renome como Claudio Abbado (1933-2014).

A vida académica com os colegas do Pontificio Istituto era marcada pela internacionalidade e pelo interesse por questões sacro-musicais e musicais em geral. Havia uma continuidade na memória daqueles que já haviam passado pela instituição, lembrando-se, por exemplo, do brasileiro Pe. Dr. José Geraldo de Souza. O Brasil, à época em que o Dr. Armindo Borges chegou ao Instituto estava apenas representado pelo Bibliotecário do P.I.M.S.. Entre os seus colegas portugueses, destacava-se o Pe. Joaquim Santos, de Braga. Compositor, era entusiástico admirador de Igor Strawinsky, enquanto que o Pe. Dr. Armindo Borges antes salientasse a estética de Paul Hindemith (1895-1963), compositor que sempre admirou pelo seu estilo e técnica.

Viagem do Instituto a centros de música sacra na Alemanha

A ponte para a próxima fase de sua vida, aquela que passaria na Alemanha, foi possibilitada em 1966 por uma viagem de duas semanas a diferentes cidades alemães, na qual praticamente todo o Pontificio Istituto di Musica Sacra participou. Chegando de Roma em Munique, o grupo dirigiu-se significativamente em primeiro lugar a Regensburg (Ratisbona), o centro da tradição ceciliana e, de lá, passando por Nürenberg, à então ainda dividida Berlim, cuja visita por maior número de estrangeiros constituía um anelo do poder político da Alemanha Ocidental.

Vindos de Berlim e descendo em Düsseldorf, o objetivo seguinte da viagem foi Colónia, centro do Catolicismo renano. Havia uma lógica consistente na programação da parte alemã, trazendo praticamente todo um instituto primeiramente ao centro da história e da tradição da restauração musical ceciliana em Regensburg e, como coroamento, a Colónia. A viagem, em visão retrospectiva, teve um escopo político-cultural eclesiástico, uma vez que, decorrendo no período pós-conciliar, levava o P.I.M.S. aos principais centros do pensamento sacro-musical conservador da Alemanha.

O objetivo da viagem era aqui alcançado também pelo fato de atuarem em Colónia renomados representantes da música sacra católica alemã, seja na sua Escola de Música, o antigo Conservatório, seja na sua Escola Superior de Música, entre eles o compositor Hermann Schröder (1904-1984), que seria o futuro professor do Pe. Dr. Armindo Borges. Com ele, especializando-se em Composição, pôde ampliar esteticamente o severo estilo contrapontístico decorrente da sua extraordinária, porém, academicamente rígida formação que obtivera com o mestre Carducci no Pontificio Istituto di Musica Sacra.
Como já expressamente manifestado na sua conferência de 1961 – base do plano que desenvolvera para a Vila da Praia da Vitória – Armindo Borges possuía uma admiração pela vida musical da Alemanha e pela obra dos grandes compositores alemães, na qual via, na lógica do seu edifício de pensamento, sinal mais manifesto do desenvolvimento cultural do país.

A sua admiração pela cultura alemã baseava-se assim nas suas concepções teóricas relativas à cultura e à educação, fornecia ao mesmo tempo os argumentos para justificá-la e era relacionada com intuitos de difusão cultural e educação popular. O seu intuito era o de servir à intensificação da vida musical, em particular da prática coral e à elevação do nível cultural da população de meios urbanos dos Açores, em especial da então Vila da Praia da Vitória.

Essa admiração fundamentara-se no cultivo de obras de compositores alemães no Seminário Episcopal de Angra do Heroísmo. Significativo é o fato de uma das primeiras grandes obras por ele dirigidas nos Açores tenha sido o coro do Tannhäuser de Richard Wagner (1813-1883), fato que também parece poder ser explicado a partir de suas concepções relativas à cultura e pelos intuitos de difusão da época.

Em Roma, essa admiração intensificara-se pelos estreitos elos do Pontificio Istituto di Musica Sacra com personalidades do Catolicismo alemão de influência no Vaticano. Se o centro dos representantes do clero e dos alemães que estudavam em Roma era o tradicional Colégio Germânico, a presença alemã fazia-se sentir sob diferentes aspectos e de forma ampla em Congregações, institutos e sobretudo no próprio desenvolvimento das sessões do Concílio, exercendo peritos alemães um papel fundamental em questões relativas à música sacra.

Através do seu professor de História da Música, o musicólogo e prelado espanhol Higino Anglès, marcado pela sua formação em universidades e com grandes nomes da Musicologia da Alemanha, Armindo Borges conheceu correntes de pensamento musicológico alemão. Esses elos entre o Instituto e a Alemanha não eram recentes, mas remontantes à época de sua própria fundação e, ainda mais, ao movimento litúrgico-musical de Reforma da música sacra do século XIX, que teve um de seus maiores centros de irradiação em Regensburg (Ratisbona).

O Instituto estava assim profundamente imbuído do espírito da restauração musical, marcado nas suas origens pelo combate à música sacra de acompanhamento orquestral considerada como de cunho teatral e mundano do século XIX, pelo fomento do Gregoriano e da Polifonia e pelas concepções que tiveram o seu marco na legislação litúrgica no Motu Proprio de Pio X (1903). Os elos com a música sacra do mundo de língua alemã puderam ser mantidos e aprofundados durante os congressos internacionais de música sacra, simpósios e intercâmbios.

O desenrolar do Concílio Vaticano II, e sobretudo os debates que levariam à reforma litúrgica, não poderiam deixar de ter uma relevância fundamental para a música sacra, cujas concepções estavam tão profundamente vinculadas aos ideais litúrgico do movimento reformador e restaurador pré-conciliar. Pode-se, compreender, assim, o empenho de peritos alemães no Concílio e de personalidades influentes da música sacra e do Catolicismo alemão em geral em revitalizar, sedimentar e intensificar os elos do Pontificio Istituto di Musica Sacra com a Alemanha, o que, em visão retrospectiva, surge como iniciativa de alto significado político-eclesiástico e mesmo das relações entre a Alemanha e o Vaticano.

Uma das iniciativas alemãs de maiores dimensões e consequências foi a da possibilitação de uma viagem de duas semanas do Pontificio Istituto di Musica Sacra por cidades alemãs, em 1966, e que contou com a participação de grande número de seus professores, estudantes e funcionários.

De Munique, o grupo dirigiu-se significativamente em primeiro lugar a Regensburg, o centro da tradição Ceciliana, de lá, passando por Nürenberg, à então ainda dividida Berlim, cuja visita por maior número de estrangeiros constituia um anelo do poder político da Alemanha Ocidental. Vindos de Berlim e descendo em Düsseldorf, o próximo objetivo da viagem foi Colonia, centro do Catolicismo renano.

Houve, portanto, uma lógica consistente na programação da parte alemã, centralizada em Colónia, trazendo praticamente todo um instituto primeiramente ao centro da história e da tradição da restauração musical ceciliana em Regensburg e, como coroamento, a Colónia com a sua catedral como monumento do Gótico completado no século XIX, o século do Historismo. O objetivo da viagem era aqui alcançado também pelo fato de atuarem em Colónia renomados representantes da música sacra católica alemã, seja na sua Escola de Música, o antigo Conservatório, seja na sua Escola Superior de Música.

Foi nessa ocasião de sua primeira estadia em Colónia, durante almoço em tradicional restaurante junto à Catedral, que Armindo Borges entrou em contato pessoal com o compositor Hermann Schroeder (1904-1984), desde 1946 docente e desde 1948 Professor na Escola Superior de Música em Colónia, onde ensinava Teoria Musical, Regência, Morfologia, História da Música e onde fora vice-diretor de 1958 a 1961. Tinha sido, de 1946 a 1972, docente no Seminário de Musicologia da Universidade de Bonn e regente da Sociedade Bach de Colonia após a Guerra (até 1961), atuando ainda como regente do Madrigal da Escola Superior de Música, cargo que manteria até 1974.

Na personalidade, na sua história de vida, nas concepções e na obra de Schroeder uniam-se a criação, o ensino de matérias teóricas e da História da Música de forma particularmente estreita com o seu Catolicismo convicto e a cultura alemã, por ele representada também de modo convictamente nacional ou patriótico.

Alcançara renome na década de 30 no âmbito das atividades da “Sociedade Internacional para a Renovação da Música Sacra Católica”, fundada em Frankfurt a.M. em 1930 (Internationale Gesellschaft für Erneuerung der katholischen Kirchenmusik, IGK) tanto como compositor de obras sacro-musicais como propagador de uma nova música sacra que, dentro dos princípios da reforma ou restauração musical no espírito ratisbonense da Associação Geral de Sta. Cecília (Allgemeiner Cäcilien-Verband, ACV), a tornasse compatível com desenvolvimentos contemporâneos.

Atuara em fins da década de 30 e durante a Guerra em Trier, onde fora organista da catedral, conselheiro de estudos de Ginásio e diretor da Escola Municipal de Música, ali criando um Departamento de Música Sacra.

Schröder tornou-se amplamente conhecido não apenas em círculos católicos pelos compêndios para uso de estudantes das várias disciplinas teórico-musicais que escreveu (Lehrbuch des Kontrapunkts, 1950; Harmonielehre, 1954, Formenlehre der Musik, 1962). Esses tratados alcançaram ampla divulgação por ser utilizado por estudantes que se licenciavam para o ensino musical escolar, por estudantes da Escola Superior de Música e mesmo por estudantes de Musicologia nos cursos teórico-musicais complementares. Dominando o italiano, Hermann Schröder sugeriu a Armindo Borges que viesse realizar estudos de aperfeiçoamento em Música Sacra e Composição sob a sua orientação na Escola Superior de Colónia após o término de sua formação no Pontificio Istituto di Musica Sacra.
Após assistir a um concerto com obras de Schröder oferecido aos visitantes do instituto na Abadia de Himmerod, Armindo Borges convenceu-se que este seria o caminho certo, aceitando assim a proposta de Schröder. Se em Colónia o compositor havia-lhe aberto portas, o seu coração foi conquistado em Himmerod.

A escolha dessa antigo convento cistersiense no vale do Salm da região do Eifel pelos programadores da viagem não tinha sido arbitrária. Possuía um alto significado histórico e religioso, uma vez que remontava ao próprio Bernhard von Clairvaux (1090-1153), que dali, em 1135, enviou os seus monges cistersienses a outras regiões para a propagação de um espírito de claustro que devia inspirar e mesmo marcar os estudantes visitandos do instituto romano.

Já nessa época, portanto, havia estreitas relações entre Roma, Colonia e a região do Eifel, e o papel que Himmerod desempenhou para Armindo Borges passaria a ser na década de 70 exercido pela Abadia de Maria Laach.

Em Colónia. Escola Superior de Música e Instituto de Musicologia

Transferindo-se para Colonia em 1967, Armindo Borges realizou os seus cursos de especialização na Escola Superior de Música de Colónia até 1972. Nessa época, devendo retornar aos Açores, já tinha conhecimento que a situação da prática da música sacra no arquipélago modificara-se totalmente em consequência de impulsos pós-conciliares, sobretudo com o intenso fomento de uma participação ativa do povo através do canto de assembleia em português, e consequente perda de significado do repertório em latim, do Canto Gregoriano e da Polifonia.

Sob essas condições, já não via perspectivas para a aplicação dos conhecimentos que em longos estudos tinha obtido em Roma e em Colónia, e muito menos para a realização do plano cultural e educativo idealizado em 1961.

Já tendo uma posição desde 1970 como sacerdote e mestre de capela da Igreja do Bom Pastor de Colónia, que manteve até 1981, decidiu, assim, dedicar-se aos estudos musicológicos, uma vez que na Universidade de Colónia existia um dos maiores institutos de musicologia da Alemanha, onde atuava uma das mais renomadas personalidades católicas da Musicologia, Karl-Gustav Fellerer (1902-1984). No Instituto de Musicologia, porém, que frequentou por dez anos, foi orientado pelo então diretor, Heinrich Hüschen, evangélico, alcançando o doutoramento a 12 de fevereiro de 1983 (Duarte Lobo 156?-1646 – Leben und Schaffen des portugiesischen Komponisten)

No Instituto encontrava-se nesses anos a pesquisadora portuguesa Dra. Maria Augusta Alves Barbosa (1913-2013), que realizara o seu doutoramento em 1970 e que preparava a publicação de sua obra. Como representante da pesquisa musical portuguesa e altamente conceituada pelos professores alemães, era o referencial por excelência de pesquisadores lusófonos do instituto. Foi ela que sugeriu a Armindo Borges que se dedicasse ao estudo de Duarte Lobo (156?-1646), mestre-capela da catedral de Lisboa, cuja pesquisa ainda não tinha sido intentada por outro pesquisador e que lhe surgia como um dos principais vultos da História da Música portuguesa.

Armindo Borges devia vir assim a preencher uma fundamental lacuna na pesquisa e oferecer com o seu trabalho subsídios indispensáveis para o desenvolvimento dos estudos da Polifonia não só em Portugal como nas suas dimensões europeias. Com a formação que obtivera em Roma, em particular de Contraponto, Harmonia e Fuga com Carducci, e com os conhecimentos obtidos na sua especialização em Colonia, Armindo Borges surgia como a personalidade ideal para o tratamento da Polifonia no seu período áureo e nas suas expressões no mundo português através do vulto de Duarte Lobo.

Missão Católica Portuguesa de Colónia

Sendo nomeado pároco da Missão Católica Portuguesa de Colónia em 1981, ministério que exerceu até 1993, tornou-se o Pe. Dr. Armindo Borges personalidade central e de liderança da grande comunidade portuguesa e de católicos de língua portuguesa de Colónia, uma das maiores da Europa Central.

Responsável também pela música sacra e assumindo em si as funções de mestre-capela na igreja que abrigava os portugueses na Arquidiocese, a Gross St. Martin, um dos maiores monumentos arquitetónicos da cidade, o Dr. Armindo Borges pôde, em parte, e de forma adequada às circunstâncias, realizar o seu plano cultural e educativo já há décadas acalentado.

Durante o período do seu ministério, mais do que uma década, a comunidade portuguesa tornou-se uma das mais conhecidas de todas aquelas de estrangeiros da Arquidiocese pela sua presença em solenidades litúrgicas e paralitúrgicas, em particular em procissões, pelos seus grupos folclóricos que se apresentavam em festas religiosas e, sobretudo, pelos grandes festivais de Folclore que, à época do Dr. Armindo Borges, alcançaram a sua expressão mais significativa.

Esses festivais, nos quais se apresentaram numerosos grupos de várias regiões da Alemanha e de outros países vizinhos, durando muitas horas e reunindo milhares de portugueses, constituíam as mais expressivas realizações de migrantes da Alemanha e das maiores da imigração portuguesa do mundo. Foi um anelo do Pe. Dr. Armindo Borges, seguindo os seus antigos propósitos, fazer com que esses festivais contribuíssem também para a aproximação de representantes lusófonos de outros países, integrando-os em comissões julgadoras das apresentações. Ponto alto de suas atividades de fomento às manifestações culturais dos imigrantes deu-se por ocasião dos 25 anos da Missão de Colónia, quando os eventos contaram com a presença do Embaixador de Portugal.

Em Lisboa. Plano de criação de uma Escola de Meninos Cantores e realizações

Transferindo-se para Lisboa, o Pe. Dr. Armindo Borges realizou grandes esforços para a criação de uma escola de música junto ao ao Patriarcado que, segundo modelos que conhecia da Alemanha, em particular de Limburg e Augsburg, possibilitasse a formação de um coro de meninos cantores e, posteriormente, elementos bem formados para um coro.
Apesar de ter obtido sucessos em várias iniciativas, a intensidade com que as concepções e as práticas do canto em português de comunidades se encontram enraizadas em Portugal dificultaram o despertar das atenções para o significado espiritual e cultural de obras do património músico-cultural com textos em latim.

Além do mais, as exigências que, com a sua formação, não poderia dispensar quanto ao nível qualitativo das interpretações da polifonia vocal da época da Renascença apenas podiam ser satisfeitas através da participação de cantores de formação musical e vocal, capazes de ler sem maiores dificuldades partituras, evitando-se assim muitos ensaios.

A sua mais significativa iniciativa em Portugal foi a da criação da Capella Olisiponensis da Basílica dos Mártires, em 2003. Com esse coro chegou a realizar grandes obras, entre outras de G. P. da Palestrina (c. 1525-1594), Josquin Desprez (ca.1450/5-1521) e T. L. de Vitoria (c. 1548 – 1611), assim como possibilitou por longo tempo a celebração de missas solenes na Basílica com obras sacro-musicais significativas do património polifónico.

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