Alberto Ribeiro, tenor, fadista e ator natural de Valongo

Alberto Ribeiro

Tenor . Fadista . Ator

Tenor, fadista e ator de cinema, Alberto Dias Ribeiro nasceu em Ermesinde, concelho de Valongo, a 29 de fevereiro de 1920 e faleceu a 27 de junho de 2000.

Foi um dos mais célebres artistas portugueses entre as décadas de 40 e 60, detentor de uma significativa carreira internacional e de um vasto repertório de que resultaram mais de 200 fonogramas.

Começou a interpretar canção de Coimbra aos sete anos no Café Portugal (Porto) por influência do irmão (Cristiano Ribeiro). Aos 14 anos, e na sequência da morte do pais, mudou-se para Lisboa, onde teve a oportunidade de interpretar o Fado Hilário no Café Luso, prestação que lhe garantiu a contratação para atuar regularmente nesse espaço, o que viabilizou a sua profissionalização.

Estudou Canto com Maria Antónia Palhares e, posteriormente, com Elena Pellegrini (Canto Lírico).

Em 1937, iniciou-se no Teatro de Revista, atuando no Porto durante um ano. Já em Lisboa, continuou a trabalhar neste género teatral, e em operetas (Sinos de Corneville, Viúva Alegre, Alvorada do Amor e O Conde de Luxemburgo).

Em 1944, foi contratado por Célia Gamez (que tinha vindo a acompanhar a sua carreira em Lisboa) para integrar uma digressão em Espanha, como figura destacada na sua Companhia de Zarzuela e Opereta em peças como Yola, Ciniziena del Palace, Si Fausto fuera Faustina, Rumba a Pique e Fin de Semana.

Ainda durante esta primeira incursão internacional, estreou-se no cinema, protagonizando um dos papéis principais no filme Un Ladrón de guante blanco (1945), e gravou em Barcelona alguns dos seus fonogramas mais conhecidos, designadamente Marco do Correio; Balão, Balão; Olhos Negros; e Guadiana.

Este percurso refletiu-se em Portugal. Ao regressar, foi convidado para representar na opereta O Colete Encarnado e no filme O Homem do Ribatejo (1946), atuando regularmente na Emissora Nacional (que entretanto o contratara).

Em 1947 consolidou a sua carreira cinematográfica no filme Capas Negras, no qual contracenou com Amália Rodrigues e celebrizou a canção Coimbra (letra de José Galhardo e música de Raul Ferrão). Desde aí, tornou-se Produtor dos filmes que viria a integrar.

Mudou-se para o Brasil em 1948, onde foi contratado pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, onde interpretou música de vários países, dando particular ênfase à música tradicional e à música popular portuguesa. Atuou em várias cidades deste país, em diversas estações radiofónicas, na televisão, em espectáculos de music-hall e no teatro, onde representou em revistas da Companhia de Chianca Garcia.

Por intermédio de Frederico Valério e seu irmão, atuou em 1949 num espectáculo para o Embaixador de Portugal em Nova Iorque. O impacto que causou junto da comunidade americana desencadeou solicitações para atuar na NBC, no Carnegie Hall e em peças musicais da Broadway. Porém, não as chegou a concretizar. A sua recusa em apresentar-se como ator brasileiro inviabilizou a sua continuação nos Estados Unidos da América.

Entre 1950 e 1953, ano em que veio a Portugal para promover o seu filme Rosa de Alfama, gravou oito documentários musicais em 1950, representou no filme Cantiga da Rua (1950, o argumento da sua personagem foi escrito especialmente para si) e formou uma Companhia Artística (Feira da Rádio-Organizações Alberto Ribeiro, 1951) com a qual efetuou digressões pelas (então) províncias africanas. Foi nesta altura que conheceu Elita Matos, atriz e cantora espanhola com quem se casou três anos depois e que contracenou consigo no filme O Homem do Dia (1958).

Depois de um grande espectáculo no Estádio do Maracanã organizado pelo Centro de Turismo Português a favor dos combatentes de Angola, regressou a Portugal em 1964, tendo atuado na reposição da opereta Nazaré.

Desiludido com a falta de reconhecimento dos artistas portugueses pela indústria de espectáculos, decidiu terminar a sua carreira artística e dedicar-se aos negócios pessoais e da família.

A sua última actuação teve lugar num Estádio de Futebol em Pretória, em 1970, onde atuou para mais de 50.000 espetadores.

[ O seu nome faz parte da toponímia de Valongo (Ermesinde). ]

Fontes:

“Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 448).

“Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 4º Volume, P-Z, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 1115 e 1116), entrada por Gonçalo Antunes de Oliveira.

[ Músicos naturais de Valongo ]
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