A FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN:

o papel do seu serviço de música
no âmbito do apoio às bandas de música (1955-1995)

Bruno Madureira (1)

The Calouste Gulbenkian foundation: The role of its Music Service within the context of the support to Wind Bands (1955-1995)

European Review of Artistic Studies, 2014, vol. 5, n. 2, pp. 1-27 ISSN 1647-3558

Sumário

Desde os seus primeiros anos de existência, em meados da década de 1950, até meados da década de 90, que a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) apoiou direta ou indiretamente bandas de música amadoras, quer através da concessão de subsídios e instrumentos, quer no âmbito da formação de elementos e promoção do trabalho artístico destes agrupamentos musicais. Apoiado, em grande medida, nos relatórios de contas da FCG, este artigo pretende analisar e dar a conhecer o contributo da FCG, em particular do seu Serviço de Música, às bandas de música amadoras ao longo de cerca de quatro décadas. Podemos considerar relevante a contribuição desta instituição para a manutenção e desenvolvimento de muitos destes agrupamentos, não só ao nível dos apoios monetários e materiais, mas também no que diz respeito à formação de maestros e executantes, e ainda à promoção destes agrupamentos musicais. O papel da FCG foi ainda mais valioso se tivermos em conta que a maioria desses apoios foi efetuada num período particularmente crítico para as bandas de música. Contudo merece também realce a discrepância entre os apoios monetários atribuídos a esses agrupamentos amadores – em média apenas cerca de cinco por cento do total dos subsídios atribuídos – e aqueles que eram dirigidos a outros agrupamentos, projetos ou atividades.

Abstract

Since its early years of existence, in the mid-1950s, until the mid-1990s, the Calouste Gulbenkian Foundation (Fundação Calouste Gulbenkian, or FCG) has provided support to Portuguese wind bands, both directly and indirectly, through subsidies, and by supplying instruments, as well as by training the members and promoting the artistic work of these bands. Mostly based on the accounting reports of FCG, the aim of this paper is to analyse and expose the contribution of the FCG, particularly its Music Service, to wind bands throughout four decades. The contribution of this institution to the existence and development of many of these groups can be considered relevant, not only as a result of its material and financial support, but also as regards the training of conductors and performers, in addition to the promotion of these musical groups. The role of FCG was all the more valuable when taking into account that the greater part of this support was carried out in a particularly critical period for wind bands. However, the gap between the monetary support granted to those amateur groups – in an average of five per cent of the total amount granted as subsidies–and the sums attributed to other groups, projects or activities is also noteworthy.

Palavras-Chave: Banda de música amadora, Fundação Calouste Gulbenkian, Serviço de Música, ACARTE.

Key words: wind bands, Calouste Gulbenkian Foundation, Music Service, ACARTE.

Data de submissão: Março de 2014 | Data de publicação: Junho de 2014.

INTRODUÇÃO

Apesar do quase total abandono por parte do poder político até aos anos de 1980 do século anterior, as bandas de música amadoras beneficiaram ao longo de várias décadas do apoio e colaboração de algumas instituições não estatais, nomeadamente da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG).

A partir da informação relativa ao Serviço de Música da FCG contida nos relatórios de contas trianuais e posteriormente anuais desta fundação, entre outros documentos, pretendemos analisar, compreender e divulgar até que ponto foi relevante a ação deste serviço da FCG para o desenvolvimento e promoção das bandas de música em Portugal. Entre as limitações encontradas, destacamos o facto de em alguns desses relatórios a menção relativa aos subsídios atribuídos às bandas de música não estar separada de outras iniciativas, ou seja, em alguns períodos não podemos descrever o total de quantias atribuídas especificamente a bandas de música.

Após uma breve alusão à criação do Serviço de Música no seio da FCG, será feita uma descrição e análise dos apoios atribuídos pela FCG às bandas de música em forma de subsídios e, sempre que possível, uma comparação com o montante total de subsídios atribuídos pela Fundação. Segue-se uma abordagem acerca do contributo desta instituição para a formação de regentes de bandas de música, a qual foi inédita em Portugal até à época, e ainda acerca do papel e relevância do Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte (ACARTE) no âmbito da promoção e divulgação da atividade musical das bandas de música. Foi na década de 1960 que algumas bandas de música civis começaram a adotar um instrumental de diapasão normal, sendo que a FCG teve um papel muito ativo neste âmbito. Este assunto será tratado na secção seguinte. Antes da habitual conclusão serão referidos alguns colaboradores do Serviço de Música ligados a bandas de música e ainda o esforço que a FCG desenvolveu no âmbito do apoio à deslocação de bandas de música a festivais no estrangeiro.

A criação do Serviço de Música da FCG

Em 1956, após a morte de Calouste Sarkis Gulbenkian (1869-1955) foi criada oficialmente, a desejo deste, uma fundação com o seu nome dedicada à intervenção nas áreas sociais, artísticas, educativas e científicas, a qual foi presidida durante várias décadas por José Henrique de Azevedo Perdigão (1896-1993). Num país pobre, fechado e autoritário como era então Portugal, uma instituição com os meios financeiros da FCG influenciou determinantemente toda a vida musical portuguesa a partir de então e a chamada música amadora não foi exceção.

Assim, pouco tempo depois foi criado no seio desta instituição um serviço particularmente dedicado à arte musical, a qual denotava um atraso relativamente a outros países europeus e, por isso mesmo, constituiu uma prioridade de intervenção da FCG desde o seu início. O Serviço de Música da FCG foi constituído em 1958 e dirigido desde a sua génese por Madalena de Azevedo Perdigão (1923-1989), a qual manteve-se no cargo até 1974, sempre “em regime de gratuidade de funções”, como era assinalado no final dos Relatórios do Presidente. Posteriormente regressou à FCG para dirigir o ACARTE.

As modalidades e as prioridades da intervenção da FCG nos vários domínios da música foram reformuladas progressivamente, de acordo com a evolução da vida musical portuguesa, particularmente no que diz respeito ao reforço do papel do Estado e ao aparecimento de novos agentes culturais públicos e privados neste sector, particularmente a partir dos anos de 1980. (2) Assim passou-se, gradualmente, de uma intervenção de âmbito alargado, traduzida no apoio a um leque muito vasto e diversificado de projetos em vários domínios, tanto de iniciativa própria como de apoio a programas exteriores, a uma concentração maioritária de recursos nas atividades diretas da FCG, sobretudo nas que estavam associadas aos seus agrupamentos artísticos permanentes – a orquestra, o coro e o ballet.

Ao longo de mais de três décadas a Fundação, através do seu Serviço de Música, atribuiu apoios regulares a bandas de música amadoras com vista à remuneração de regentes, à organização de concertos e concursos nacionais e regionais, e à aquisição de novos instrumentos e também de reportório. O estabelecimento de novos programas de financiamento público a estes agrupamentos por parte do Estado Central e das autarquias, bem como, em certos casos, de fundos estruturais da União Europeia, mobilizando recursos orçamentais incomparavelmente superiores, levaram a Fundação a suprimir gradualmente estes apoios em meados da década de 90. (3)

O movimento financeiro geral do Serviço de Música foi dividido ao longo dos anos em “iniciativas próprias” e “subsídios concedidos”. As primeiras diziam respeito a bolsas de estudo, cursos para professores e cursos de iniciação musical, organização do Festival Gulbenkian de Música, prospeção folclórica, entre outros. A segunda dizia respeito a apoios a bandas de música, deslocação de artistas e de agrupamentos artísticos portugueses ao estrangeiro, apoios a estabelecimentos de ensino de música e também a outras instituições culturais.

Apoio às bandas de música em forma de subsídios

O que o presidente da Fundação escreve no primeiro relatório de atividades da instituição é demonstrativo da importância atribuída pela FCG no apoio às bandas de música amadoras, as quais o autor considera que são

“Instituições particulares que têm prestado assinalados serviços à causa da cultura popular portuguesa. A sua actividade desenvolve-se em localidades afastadas dos grandes centros e atinge apenas os meios pobres e humildes, mesmo que exercida em vilas ou cidades. Por outro lado, as bandas de música representam, na grande maioria das nossas aldeias, a única possibilidade de educação musical, mesmo rudimentar. São centros polarizantes da vida associativa, com tudo o que isso comporta de aperfeiçoamento do convívio social. E constituem uma das raras formas não passivas de aproximação da música ao alcance do povo” (ESGAIO & VIEIRA, 2008, 134).

Nos primeiros quatro anos de existência da Fundação, segundo o mesmo relatório, os apoios do Serviço de Música foram direcionados para a prospeção folclórica, auxílio a compositores, cursos de educação musical, conferências, organização e financiamento dos Festivais Gulbenkian de Música. Foram ainda atribuídos subsídios para outras instituições, nomeadamente coletividades com banda de música. Relativamente a estas e,

“Devido às graves dificuldades financeiras que algumas das instituições em causa suportam, a fundação reservou uma verba de 300 contos para concessão de subsídios às sociedades de cultura e recreio possuidoras de bandas de música que maiores garantias oferecessem e cuja acção se apresentasse mais meritória, de acordo com os resultados de um inquérito efectuado pelo serviço de música” (IDEM, p. 116). (4)

Entre os 373 pedidos de ajuda de diferentes organismos ao Serviço de Música no ano de 1960, apenas setenta e nove foram provenientes de bandas de música. Em 1961 os pedidos por parte de bandas aumentaram para 108 e em 1962 para 115 o que perfaz um total de 302 pedidos de auxílio efetuados por bandas de música em apenas três anos. Porém nem todos os pedidos de ajuda eram concedidos, sendo que em 1960 a FCG concedeu subsídios a apenas vinte e cinco bandas, num total de setenta e nove pedidos, em 1961 ajudou trinta e três bandas e em 1962 a trinta e duas bandas, o que perfaz um total de noventa bandas apoiadas neste triénio. Em 1961 o apoio monetário foi de 353 000$00 e em 1962 de 351 132$50, perfazendo um total de 704 132$50. Quanto ao ano de 1960, apesar de a FCG ter aplicado subsídios no valor de 252 000$00 destinados a vinte e cinco bandas, esses subsídios foram aprovados em 1959, logo, essa verba foi considerada um encargo do ano de 1959. (5) Além dos 20 001 526$30 investidos no âmbito de iniciativas próprias, a Fundação despendeu neste triénio um total de 9 431 771$50 (6) em subsídios atribuídos, o que significa que somente cerca de uma décima parte foi atribuído a bandas de música.

Com base nos elementos constantes de um questionário previamente enviado às bandas interessadas, o Serviço de Música selecionou os agrupamentos contemplados no referido triénio, tendo dado preferência aos pedidos provenientes de bandas com maior acção cultural e educativa, com piores condições económicas e com actividade em meios que dificilmente poderiam suprir as suas deficiências. (7)

Entre os anos de 1963 e 1965 a FCG concedeu um total de 994 274$20 a trinta e oito bandas de música. Especificamente em 1963 a FCG facultou 392 773$80 a trinta e duas bandas de música, em 1964 distribuiu 301 496$00 por quatro bandas e em 1965 foram subsidiadas apenas duas bandas com a quantia total de 300 004$40. (8)

Embora importantes para as bandas que os recebiam, estes donativos da FCG eram apenas uma pequena parte do total de subsídios concedidos pela Fundação. Além das iniciativas próprias da FCG, neste triénio foram concedidos subsídios no total de 18 579 487$00, (9) ou seja, o montante atribuído às bandas de música traduziu-se em pouco mais de 5 % da totalidade. (10)

Alguns dados mencionados no relatório correspondente ao triénio entre 1966 e 1968 demonstram novamente a grande discrepância entre as ajudas concedidas a bandas de música amadoras e as que eram destinadas a outras atividades musicais. O total de apoios monetários atribuído neste triénio às bandas foi apenas de 1 046 113$00, uma quantia quase insignificante face ao valor bruto dos apoios atribuídos à generalidade das atividades musicais, o qual foi de 26 329 357$00. Especificamente em 1966 foram concedidos 377 950$00 a várias bandas de música, tendo este valor diminuído para 270 018$00 em 1967, e aumentado para 398 145$00 em 1968. (11)

No triénio compreendido entre 1969 e 1971, deram entrada no Serviço de Música um total de 355 pedidos de subsídio provenientes de várias bandas de música amadoras. Destes, foram indeferidos vinte e sete e os restantes estudados “de forma a saber quais as filarmónicas com maior qualificação artística e que dariam garantia de melhor aproveitamento do subsídio que eventualmente lhes viesse a ser concedido”. Com base nesse estudo a Fundação doou instrumentais completos, em diapasão normal, à Sociedade Filarmónica Artistas de Minerva (Loulé), à Sociedade Filarmónica Artista Faialense (Faial), à Filarmónica União Sardoalense (Sardoal) e à Banda da Casa Pia de Lisboa. Igualmente distribuiu a outras bandas, conforme as suas necessidades, cerca de 124 instrumentos avulsos. (12) A FCG despendeu, com o auxílio às bandas de música, 200 000$00 no ano de 1969, 200 000$00 em 1970 e 600 000$00 em 1971, perfazendo um total de 1 000 000$00. Mais uma vez estes valores ficaram muito aquém dos valores atribuídos a todo o Serviço de Música, que foi de 27 644 261$00. (13) Apesar de o valor total de subsídios atribuídos pela FCG ser superior aos triénios anteriores, os valores concedidos especificamente às bandas de música diminuíram ligeiramente em termos percentuais face ao total.

Segundo o relatório respeitante ao triénio 1972-1974 foram concedidos pelo Serviço de Música subsídios no valor de 600 000$00 destinados a dezanove bandas de música civis para aquisição de instrumentos, sendo que o total de subsídios concedidos pela FCG foi de 14 593 907$50. (14) Esta diminuição dos valores concedidos pela Fundação em forma de subsídio face ao triénio anterior, que no caso das bandas foi de 40%, poderá estar relacionada com dois fatores que na época terão influenciado a vida da Fundação, nomeadamente a crise petrolífera internacional de 1973, a qual terá afetado diretamente as receitas da Fundação, obrigando a uma redução nas políticas de financiamento, e também a Revolução Democrática, a qual provocou convulsões sociais que atingiram todas as instituições e às quais a Fundação não ficou imune. (15)

O valor dos subsídios atribuídos pelo Serviço de Música no triénio seguinte (de 1975 a 1978) foi ligeiramente superior mas, ainda assim, muito aquém de períodos anteriores – 15 123 808$80. Uma pequena parcela deste valor destinou-se a formação e ajuda material a diversas bandas:

“Foram concedidos 1 423 064$10 a bandas de música civis e à Associação Portuguesa de Educação Musical, para a efectivação de Cursos de Aperfeiçoamento de Regentes, concertos e concursos de bandas, aquisição de novos instrumentos e ainda a título de auxílio na realização de Música para Jovens Executantes” (PERDIGÃO, 1980, P. 66). (16)

Subsídios atribuídos a bandas de música e total de subsídios atribuídos entre 1960 e 1978 pelo Serviço de Música da FCG

Nota: Valores em escudos

Sensivelmente a partir de 1978 a FCG alterou o seu paradigma quanto ao apoio a bandas civis ao abandonar, embora temporariamente, o sistema de doação de instrumentos ou atribuição de valores monetários, para passar a apostar exclusivamente no apoio à formação de regentes e executantes, em parceria com outras entidades, nomeadamente a Secretaria de Estado da Cultura e a Associação Portuguesa de Educação Musical. Esta mudança de estratégia poderá estar relacionada com um protocolo assinado à época entre diversas entidades que possuíam projetos de apoios a bandas de música, incluindo a FCG, a fim de conjuntamente estudar a distribuição mais justa e equitativa dos apoios materiais e financeiros às bandas de música, bem como de evitar os apoios repetidos às mesmas instituições.

No ano de 1979 as bandas de música não receberam qualquer apoio por parte da FCG. Contrariamente foram despendidos 9 580 872$90 para auxílio a nove estabelecimentos de ensino musical e a dez grupos corais, bem como para encomendas de obras a compositores, concessão de bolsas de estudo e para diversas finalidades de educação e cultura musical. (17)

Quanto ao ano de 1980 a FCG atribuiu 748 000$00 a sete escolas de aprendizes de bandas de música civis, desta vez, em colaboração com a Secretaria de Estado da Cultura. A FCG atribui ainda subsídios a dez estabelecimentos de ensino musical, também em colaboração com a SEC, a nove grupos corais, fez encomendas a compositores, concedeu várias bolsas de estudo e ainda atribuiu subsídios para outras finalidades de educação e cultura. O total de subsídios concedidos foi de 15 818 619$00. (18)

Em 1981 não foram, pela segunda vez, concedidos subsídios diretos a qualquer banda de música, segundo o que consta no relatório desse ano. Foram, no entanto, atribuídos subsídios no valor de 24 954 756$11 a nove estabelecimentos de ensino musical, em colaboração com a SEC, a quinze grupos corais, foram feitas encomendas a compositores, atribuídas várias bolsas, concedidos apoios para cursos de didática musical e ainda para finalidades diversas. No que diz respeito a bandas de música, embora não tenham sido contempladas com subsídios diretos, realce-se a atribuição de um subsídio de 100 000$00 concedido à Associação Portuguesa de Educação Musical APEM), destinado à organização de cursos de aprendizes de bandas de música civis. (19)

No ano de 1982 foram concedidos subsídios no valor de 25 000 000$00 a diversos estabelecimentos de ensino musical, a dezasseis grupos corais, foram feitas encomendas a compositores e foram atribuídas bolsas de estudo. A FCG também apoiou pelo segundo ano consecutivo a realização de quatro cursos de aprendizes de bandas de música civis. (20)

No ano seguinte, em 1983, os subsídios atribuídos pelo Sector de Música, no valor total de 41 842 092$00, seguiram a linha dos anos anteriores. No que diz respeito a bandas de música foram atribuídos subsídios para auxiliar a realização de catorze cursos de aprendizes de bandas de música civis. O relatório não menciona quem organiza estes cursos, mas partimos do pressuposto que são as próprias bandas, uma vez que quando estes são organizados pela APEM, ou por outra instituição, o mesmo é mencionado nos relatórios. (21)

Em termos de apoio e promoção das bandas de música o ano de 1984 foi um pouco mais positivo que os anteriores. Entre os subsídios atribuídos neste ano, alguns destinaramse a nove bandas de música civis para auxílio na realização de cursos de aprendizes. Foi atribuído novamente um subsídio à APEM para a realização de cursos destinados a aprendizes de bandas de música. (22)

Após seis anos sem atribuir subsídios a bandas de música, exceto os que eram destinados à formação de regentes e de aprendizes, em 1985 o Serviço de Música da FCG voltou a conceder apoios monetários a dezanove bandas de música civis para a compra e reparação de instrumentos e também pagamentos a professores. Os valores não são discriminados nos relatórios, sendo que o total de subsídios concedidos foi de 63 192 146$20. (23)

Embora admita privilegiar os seus agrupamentos artísticos residentes, a partir da segunda metade da década de oitenta a FCG mantém o seu apoio às bandas de música amadoras, isto porque, considera que em determinadas zonas esses agrupamentos musicais são os únicos que podem contribuir para a formação musical de crianças e jovens. Assim estimula, não só a actividade de formação de regentes e executantes, mas também o desenvolvimento de uma escolha de reportório que contenha pelo menos uma componente erudita significativa.

Entre os anos de 1986 e 1989 mantiveram-se os apoios prioritários a seis sectores diferenciados, nomeadamente bandas de música civis, instituições de ensino de música, grupos corais amadores, encomendas de obras musicais, restauros de órgãos e bolsas de estudo. Foram assim, atribuídos subsídios a quinze bandas de música civis em cada um dos anos de 1986, 1987 e 1988, sendo que no ano de 1989 foram subsidiadas vinte bandas de música. Estes subsídios, segundo os responsáveis do Serviço de Música, eram destinados a aquisição e reparação de instrumentos e comparticipação no pagamento de honorários de professores e regentes. (24)

No ano de 1990 os seis sectores anteriormente considerados pela FCG como prioritários, no âmbito da concessão de subsídios a terceiros, passaram a ser apenas quatro, designadamente bandas de música civis, instituições escolares, grupos corais amadores e bolsas de estudo. Neste ano foram concedidos subsídios a dezoito bandas de música civis, sediadas em Vila Real, Penafiel, Seia, Vale de Cambra, Crato, Olhão, Açores, Aveiras de Cima, Vouzela, Soure, Leiria, Alhandra, Avelar, Cartaxo, Azeitão, Torres Novas, Tomar e Óbidos. Esse subsídio destinava-se a comprar e a reparar instrumentos musicais. (25)

Em 1991 o Serviço de Música continuou a privilegiar a manutenção e desenvolvimento de atividades dos seus agrupamentos artísticos residentes, embora continuasse a apoiar iniciativas de outrem. No âmbito da concessão de subsídios a terceiros o apoio prioritário destinou-se a cinco sectores diferenciados, nomeadamente, bandas de música civis, instituições escolares, grupos corais amadores, encomendas a compositores e bolsas de estudo. Deste modo, e com o objetivo de comparticipar na compra e reparação de instrumentos musicais, foram atribuídos subsídios a doze bandas de música civis, sediadas em Fanhões, Brinço (Macedo de Cavaleiros), Entroncamento, Arouca, Lever (Carvalhos), Unhais da Serra, Montemor-o-Novo, Pinheiro (Albergaria-a-Velha), Alcácer do Sal, Maiorga (Alcobaça), Torres Novas e Torroselo. (26)

No ano seguinte, em 1992, o apoio do Serviço de Música manteve-se aos cinco sectores contemplados no ano anterior e considerados como prioritários. Quanto às bandas de música amadoras foram contempladas com subsídios individuais de 250 000$00 quinze destes agrupamentos, sediados nas localidades de Alcácer do Sal, Alverca, Amarante, Arazede, Azinhaga, Cartaxo, Catujal, Lavre, Loriga, Louriçal, Óbidos, Ourém, Pedreira, Tomar e Vouzela. Assim, o valor total dos subsídios neste ano foi de 3 750 000$00. (27)

Face às restrições orçamentais dos programas de apoio a FCG optou, em 1993, em reduzir o número de coletividades abrangidas pelo mesmo, e aumentar o montante de cada subsídio, de forma a garantir-lhe uma maior eficácia. Neste ano, como resultado de uma seleção conduzida na ótica atrás referida, foram, pois, atribuídos subsídios de 400 000$00 a dez bandas filarmónicas, designadamente às Bandas da Associação Filarmónica e Cultural do Entroncamento, da Carregosa, da Casa do Pessoal das Minas do Pejão (Castelo de Paiva), da Sociedade da Banda Musical do Souto, da Sociedade Euterpe Alhandrense, da Sociedade Filarmónica Amizade Visconde de Alcácer, da Sociedade Filarmónica Humanitária (Palmela), da Sociedade Filarmónica Maiorguense, da Sociedade Filarmónica de Serpa e da Sociedade Filarmónica Tondelense. (28)

No relatório relativo ao ano de 1994 já é visível uma vontade institucional de acabar com os subsídios destinados a bandas de música. O mesmo refere o seguinte:

“Os programas de apoio a bandas de música e a grupos corais, recaindo em actividades de natureza amadora, situar-se-iam claramente, em princípio, fora do âmbito prioritário da política de subsídios da fundação no sector musical que visa, sobretudo, como já se referiu, o reforço das iniciativas de teor profissional ou profissionalizante neste sector. No entanto, mesmo nesta óptica, a manutenção temporária de ambos os programas justifica-se pelo facto de que em muitas regiões do país as bandas continuam a constituir os únicos veículos existentes de formação musical básica e de que a debilidade que ainda caracteriza a actividade coral profissional entre nós faz com que sejam os coros amadores de maior qualidade, alguns dos quais têm hoje já um nível técnico de execução bastante positivo, os principais divulgadores do reportório coral erudito em Portugal” (FCG, 1995, p. 88).

Ainda assim, das quarenta bandas de música que concorreram ao programa de subsídios nesta área, foram selecionadas dez, cuja actividade de formação foi considerada pelo Serviço de Música mais consistente. Assim foram contempladas com subsídios as bandas da Associação Filarmónica e Cultural do Entroncamento, da Associação Filarmónica e Cultural do Cadaval, de Seia, da Sociedade Filarmónica Avelarense (Avelar), da Sociedade Musical de Souto (Feira), do Recreio Espirituense (Açores), da Sociedade Euterpe Alhandrense (Vila Franca de Xira), da Associação Musical da Pocariça (Cantanhede), de Mateus (Vila Real) e da Cumieira. Cada uma destas entidades recebeu um subsídio de 420 000$00, pelo que o programa representou para a Fundação um dispêndio de 4 200 000$00. (29)

No ano de 1995 foi novamente mencionada no relatório a questão de que as atividades de natureza amadora situavam-se fora do âmbito prioritário da política de subsídios da fundação no sector musical, a qual visava sobretudo o reforço das iniciativas de teor profissional ou profissionalizante neste sector. No entanto, pelo mesmo motivo do ano anterior, manteve-se o programa de apoio às bandas de música. O autor do relatório justifica essa continuidade pelo facto de que em muitas regiões do país as bandas continuarem a constituir os únicos veículos existentes de formação musical básica em locais onde não existem estabelecimentos de ensino oficial ou oficializado nesta área. Contudo, os critérios de atribuição de subsídios tornavam-se gradualmente mais rigorosos, sendo tomado em linha de conta o esforço evidenciado por algumas bandas no sentido de um melhoramento na preparação dos seus regentes e da estruturação das suas escolas de música, bem como a qualificação gradual dos seus reportórios, espelhada na sua componente erudita. Nessa perspectiva considerou-se que apenas três, das vinte e oito candidatas aos subsídios nesta área, corresponderam aos requisitos definidos pelo Serviço de Música. Foram contempladas a Sociedade Filarmónica Cartaxense, a Banda Musical de Melres e a Sociedade Filarmónica Gualdim Pais (Tomar). Estas entidades receberam subsídios de 500 000$00, pelo que o total do programa representou para a fundação um custo de 1 500 000$00. (30)

Em 1996 acabaram definitivamente os subsídios concedidos pela FCG às bandas de música. O autor do relatório menciona pelo terceiro ano consecutivo a questão dos apoios a programas de teor profissional ou profissionalizante em desfavor daqueles de natureza amadorística. Ainda assim, foi preservado um programa de apoio a coros amadores justificado, segundo o autor, pelo papel pedagógico que esses agrupamentos desempenhavam na sociedade:

“São muitos os casos em que, à falta de estabelecimentos de ensino ou de agentes culturais adequados, os coros amadores tomam o lugar de formadores de uma cultura musical, estimulando igualmente a execução e, consequentemente, o conhecimento e a audição do reportório erudito”. FCG, 1996, pp. 91-92).

O apoio à formação de regentes de bandas

O Serviço de Música da FCG, através da acção da sua diretora Madalena de Azevedo Perdigão, foi responsável pela organização do primeiro curso de aperfeiçoamento para regentes de bandas civis em Portugal, o qual foi realizado entre 1 de Outubro e 22 de Dezembro de 1962. O curso foi organizado com o intuito de dar maior amplitude ao programa de auxílio às sociedades de cultura e recreio que possuíam bandas de música. Este curso, inteiramente gratuito, teve como objetivo principal melhorar a preparação profissional dos regentes de bandas de música civis, os quais eram maioritariamente amadores e possuíam uma formação musical limitada. O mesmo foi frequentado por trinta e dois regentes e compreendeu três aulas semanais com a duração de três horas cada, durante três meses consecutivos, sendo que os mesmos foram realizados na sede de “A Voz do Operário”, em Lisboa. No final do curso foi realizada uma audição final no salão de festas desta coletividade por alguns dos formandos, os quais dirigiram obras de Manuel Canhão, Silva Marques, Frederico de Freitas, Duarte Pestana, Raul de Campos, Ruy Coelho, Luís de Freitas Branco e Leite da Silva. (31)

No ano seguinte, em 1963, entre os dias 7 de Outubro e 31 de Janeiro de 1964, realizou-se a segunda e última edição deste curso de aperfeiçoamento de regentes de bandas civis. Na audição final, desta vez realizada no Auditório da FCG, os formandos dirigiram obras de Sousa Morais, J. B. do Nascimento, Rei Colaço, Raul de Campos, Adácio Pestana, Luís de Freitas Branco, Filipe da Silva, Ruy Coelho, Silva Marques, Joaquim Augusto e Nascimento Ribeiro. Foi também executada e dirigida por um dos formandos uma obra composta pelos alunos do curso e dedicada a Calouste Gulbenkian denominada “Homenagem do Curso – Marcha nº 1”. (32) O responsável musical por estas duas formações intensivas foi o maestro Manuel da Silva Dionísio (1912-2000), maestro da Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana entre 1960 e 1973 e posterior responsável pelo Sector de Música da FNAT/Inatel entre 1973 e 1987. Um dos aspetos dignos de realce é o facto de em ambas as edições do curso serem trabalhadas e executadas na audição final somente obras musicais de compositores portugueses, o que ia contra ao hábito da época das bandas, as quais executavam sobretudo transcrições de obras de autores estrangeiros.

A FCG também colaborou posteriormente com outros organismos no âmbito da organização de cursos de regência para maestros de bandas civis em várias localidades do país e atribuiu frequentemente subsídios à Associação Portuguesa de Educação Musical a fim de organizar este tipo de formação. Segundo, por exemplo, o Relatório Anual da FCG respeitante ao ano de 1977 neste ano foi atribuída a quantia de 175 000$00 para esses fins. (33)

Por volta desse ano de 1977 foi também estabelecido um protocolo entre a FCG, a Secretaria de Estado da Cultura (SEC) e o Inatel com o objetivo de, em conjunto, estudar a distribuição mais justa e equitativa dos apoios materiais e financeiros às bandas de música, bem como de evitar eventuais apoios repetidos às mesmas instituições. Esse protocolo também previa o apoio e organização de cursos de regência entre os três organismos. Paralelamente aos cursos de regência para maestros de bandas civis, também eram organizados cursos/estágios para os executantes mais jovens das bandas, lecionados por músicos profissionais. Os cursos de regência eram normalmente orientados pelo maestro Silva Dionísio e por outros maestros profissionais indicados por Silva Dionísio, nomeadamente o maestro Matos Simões. Num dos cursos organizados em parceria com a APEM, a sua presidente Madalena Perdigão sugeriu ao Maestro Silva Dionísio para que este convencesse Joly Braga Santos a colaborar nesses cursos, compondo uma obra específica para banda de música a fim de ser trabalhada pelos participantes do curso. (34)

O ACARTE e a promoção e divulgação das bandas de música

Vencidas as conturbações do 25 de Abril, a FCG ampliou a sua influência na vida musical portuguesa devido, não só à expansão das suas atividades musicais, como também ao imobilismo de outras instituições públicas e privadas. Assim, entre outros projetos e atividades, em 1984 foi criado no seio do Centro de Arte Moderna da FCG o Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte (ACARTE), destinado a promover atividades culturais nos mais diversos campos, incentivando sempre a inovação, a experimentação e a criatividade. Este serviço deveria promover a colaboração entre si de compositores, intérpretes musicais, diretores teatrais, atores, coreógrafos, bailarinos e artistas plásticos, e para isso dispunha de uma Sala Polivalente, de um Anfiteatro de Ar livre, de uma Sala de Exposições e de um Pavilhão. No campo da música, entre outras, destacaram-se iniciativas de promoção de jazz e de música para bandas, bem com outros agrupamentos musicais. O seu fundador e primeiro diretor foi Maria Madalena de Azevedo Perdigão, cargo que desempenhou até falecer em 1989, seguindo-se José Sasportes.

Este serviço teve uma relevância enorme no que diz respeito à promoção e divulgação da atividade das bandas de música, uma vez que a partir de 1984 o ACARTE patrocinou anualmente uma iniciativa denominada “Bandas de Música no Anfiteatro de Ar Livre”. Este projeto tinha o intuito de estimular e dar a conhecer a atividade artística das bandas, não só civis mas também militares.

Em Setembro e Outubro do seu primeiro ano de existência foram organizados pelo ACARTE cinco concertos por bandas de música civis e militares, no Anfiteatro de Ar Livre da Fundação. Entre as bandas militares participaram as bandas da Guarda Fiscal, da Região Militar de Lisboa e da Força Aérea. As bandas civis que atuaram foram as bandas dos Loureiros de Palmela e da Sociedade Filarmónica União Seixalense. (35)

Para comemorar o Dia da Criança, no dia 1 de Junho de 1985, o ACARTE pensou numa programação artística em que a própria criança fosse parte ativa. Contactadas várias bandas infantis e juvenis, foi possível organizar um espetáculo em que participaram, além do Grupo Coral e Instrumental dos Pupilos do Exército, as bandas Juvenil da Sociedade Musical Odivelense e Infantil da Sociedade Filarmónica União Capricho Olivalense. Ainda neste ano, a fim de comemorar a Festa Europeia da Música, o ACARTE organizou uma série de manifestações musicais incluindo a apresentação, no Anfiteatro de Ar Livre, da Banda de Música da GNR. (36)

No intuito de estimular e dar a conhecer a atividade das bandas de música, realizouse, em Setembro e Outubro de 1985, uma série de cinco concertos no Anfiteatro de Ar Livre, com a colaboração das seguintes bandas de música: da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, da Sociedade Democrática Filarmónica Timbre Seixalense, da Sociedade União Musical Alenquerense, da Polícia de Segurança Pública e da Armada. (37) Entre os meses de Setembro e Outubro de 1986 os espaços exteriores à FCG voltaram a contar com as bandas militares da Armada e da Força Aérea e ainda as bandas civis do Ateneu Artístico Vilafranquense, da Sociedade Filarmónica Vestiariense e dos Bombeiros Voluntários da Lourinhã. (38)

No ano de 1987 o ACARTE organizou novamente a actividade “Bandas de Música no Anfiteatro”. Durante os meses de Setembro e Outubro deste ano tocaram no Anfiteatro de Ar Livre as seguintes bandas: Banda de Música da Trofa, Banda Musical 12 de Abril – Travassô/Águeda, Banda da Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro e Banda de Música da Força Aérea. (39)

Em 1988 realizou-se mais um ciclo de Bandas de Música no Anfiteatro. Além das já repetidas bandas da Polícia de Segurança Pública e da Força Aérea, participaram neste ciclo a Banda de Alcobaça e a Banda da Sociedade Filarmónica e Recreativa de Pêro Pinheiro. (40)

Mantendo os mesmos objetivos com que foram criadas (pesquisa e divulgação de novas formas musicais e lançamento de interpretes) prosseguiram, em 1989, as diversas iniciativas do ACARTE, incluindo a denominada “Bandas de Música no Anfiteatro”, desta vez com a colaboração das seguintes bandas: Banda de Lousada, Filarmónica Amizade Visconde de Alcácer, Banda de Música da Armada e Banda da GNR. (41)

Ainda neste ano, foram comemorados nos jardins da Fundação e no átrio do Centro de Arte Moderna vários acontecimentos internacionais. Um deles foi o Dia Mundial da Música, que contou com a participação da Banda da Quinta do Anjo, com um concerto no Anfiteatro de Ar Livre. (42)

Em 1990 o ACARTE organizou pela última vez o ciclo “Bandas de Música no Anfiteatro de Ar Livre”. Embora o ACARTE tivesse um novo diretor, após falecimento de Madalena Perdigão, este só assumiu as suas funções em Junho de 1990, pelo que parte do programa do Serviço ACARTE referente ao ano de 1990 seguiu ainda os princípios e as propostas deixadas por Madalena Perdigão, nas quais as bandas de música eram presença frequente. Participaram na décima edição desta série, a Banda da PSP, a Banda da GNR, a Banda da Sociedade de Instrução Musical de Porto Salvo e a Banda da Sociedade Filarmónica Capricho Bejense. (43)

Importa referir que a presença de bandas de música nos recintos da fundação é muito anterior à criação do ACARTE em 1984. No dia 20 de Julho de 1965, no âmbito das comemorações do 10º aniversário da morte de Calouste Gulbenkian, a Banda Sinfónica da GNR efetuou um concerto no Parque Calouste Gulbenkian, junto à estátua do fundador, inaugurada no próprio dia.44 A divulgação do trabalho das bandas de música também se constatou na XIII edição do Festival de Música Gulbenkian, na qual a Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana, sob a direção do maestro Manuel da Silva Dionísio, realizou diversos concertos.

No que diz respeito a atividades musicais, o ACARTE não de limitou a apoiar e promover bandas de música e a partir de Agosto de 1984 organizou anualmente ciclos de concertos de música jazz no Anfiteatro ao Ar Livre. Também a rubrica “Concertos à hora do almoço” prolongou-se durante vários anos, embora sem a colaboração de qualquer banda de música. Após a saída de José Sasportes, em 1994, o ACARTE entra numa fase de declínio e acaba por ser extinto em 2003 por determinação do Conselho de Administração.

Contributo para a transição entre o diapasão de afinação brilhante para o normal

À exceção das bandas militares e de algumas civis45 só a partir da década de 1980 é que a maioria das bandas de música civis fizeram a transição do diapasão de afinação brilhante para o normal, sendo de realçar que em muitas delas a transição não foi total e imediata, mas sim parcial e progressiva o que implicou uma incorreta utilização de ambos os tipos de afinação em simultâneo durante largos anos, facto que influenciou negativamente o desempenho musical desses agrupamentos.

Também neste campo o Serviço de Música da FCG desempenhou um importante papel a partir de 1964 ao atribuir a diversas bandas filarmónicas instrumentais completos em diapasão normal:

“(…) O serviço de música procedeu a estudos e a inquéritos, a fim de averiguar se o caminho até então adoptado era o que melhor servia o progresso musical do país, neste domínio particular. O resultado desses estudos permitiu concluir que a forma mais eficaz de a fundação contribuir para a valorização musical das filarmónicas populares seria a substituição progressiva dos instrumentos de diapasão brilhante, que todas elas, sem excepção, utilizavam, por instrumentos em tom normal, análogos aos das orquestras sinfónicas” (PERDIGÃO, 1964, p. 121).

Após este estudo deu-se uma profunda modificação na atitude da Fundação Gulbenkian que, a partir de 1964, passou a oferecer às bandas de música instrumentais completos de diapasão normal, embora fossem apenas um ou dois por cada ano, dado o seu elevado custo. (46)

Os instrumentos adquiridos pela FCG destinados às bandas filarmónicas eram selecionados pela denominada Comissão Técnica para a Seleção de Instrumentais, formada para o efeito e composta pelos maestros Manuel da Silva Dionísio (47) e Marcos Romão dos Reis Júnior (48) e ainda pelo professor do Conservatório Nacional Luís Boulton. (49)

Anualmente eram recolhidos os instrumentos brilhantes até então usados pelas bandas contempladas com instrumentais novos de diapasão normal, sendo que os mesmos eram reparados e distribuídos por bandas não contempladas com novos instrumentais. Esta medida permitia, não só que outras bandas tivessem mais instrumentos disponíveis, embora brilhantes, como também garantia que esses instrumentos não ficassem inutilizados. Esta alteração do paradigma de atribuição de instrumentos permitiu a várias bandas possuir um instrumental novo de diapasão normal e ainda que outras fossem beneficiadas com instrumentos avulso, embora usados e de diapasão brilhante. Além disso este processo fez com que a FCG abandonasse em definitivo a opção de adquirir e doar instrumentos de diapasão brilhante. (50)

Colaboradores do Serviço de Música ligados a bandas de música

Realce-se o facto de vários colaboradores do Serviço de Música da FCG, coordenado por Madalena de Azevedo Perdigão, terem estado ligados a bandas de música, nomeadamente Manuel Joaquim, Silva Dionísio e Marcos Romão dos Reis, todos eles chefes de banda militar. O próprio Serviço de Música da FCG possuiu uma comissão consultiva permanente denominada Comissão Técnica para a Selecção de Instrumentais. Esta comissão era constituída por especialistas da música para instrumentos de sopro, nomeadamente os maestros Manuel da Silva Dionísio e Marcos Romão dos Réis Júnior e o professor Luís Boulton, e tinha como objetivo principal elaborar pareceres relativamente à aquisição de instrumentos de sopro, os quais destinavam-se a ser distribuídos pelas bandas filarmónicas contempladas pelos apoios materiais da FCG. Esta comissão foi fundada por volta de 1963 e permaneceu em funções até meados da década de 1970. Posteriormente, o maestro Silva Dionísio voltou a exercer funções semelhantes na Divisão de Música da Secretaria de Estado da Cultura, no âmbito do seu programa de apoio à música amadora.

O Serviço de Música da FCG possuiu ainda outras duas comissões consultivas permanentes, a Comissão de Musicologia, a qual foi constituída por Mário Sampaio Ribeiro, Santiago Kastner e ainda pelo musicólogo e ex-chefe de banda militar Manuel Joaquim, e a Comissão de Etnomusicologia, da qual fizeram parte António Jorge Dias, Artur Santos e Margot Dias. Esta última foi extinta aquando da Comissão Técnica para a Selecção de Instrumentais.

Apoio a deslocações

Os incentivos à promoção e à divulgação do trabalho realizado pelas bandas de música amadoras não se limitou às instalações da FCG, nomeadamente ao seu Auditório de Ar Livre, nem sequer às fronteiras nacionais. A Fundação também apoiou financeiramente a deslocação de bandas de música, e de outros agrupamentos artísticos portugueses, ao estrangeiro, a fim de participarem em concertos, concursos e cursos internacionais. Para o efeito foram estabelecidas várias normas, destinadas a condicionar a atribuição dos respetivos subsídios e em que a mais importante das quais consistia na obrigatoriedade de incluir música portuguesa nos programas dos concertos ou concursos a realizar.

Outras circunstâncias que eram sempre consideradas na concessão de subsídios com esta finalidade eram o mérito artístico dos artistas e dos agrupamentos e a natureza e o local das apresentações projetadas. Dentro desta linha de conduta foram concedidos, só até 1958, subsídios no valor global de 133 mil escudos, designadamente para assegurar a participação, entre outros, de dois ranchos folclóricos e de uma banda de música – a Banda da Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro do Montijo – no Concurso Internacional de Kerkrade, realizado em 1958, cujo convite foi endereçado pela própria organização do evento. Refira-se que esta banda de música obteve o segundo prémio na classificação geral. (51)

Este era o concurso de bandas mais reputado a nível mundial e era realizado com uma periodicidade de quatro em quatro anos. Não são mencionados nos relatórios apoios a outras bandas para deslocação ao estrangeiro. No entanto, é plausível que outras bandas nacionais que participaram no supra citado concurso na Holanda, nomeadamente a Banda da Sociedade Filarmónica Recreativa de Pêro Pinheiro, a Banda da Sociedade Filarmónica Amizade Visconde de Alcácer e a Banda da Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro, do Montijo, tenham recebido algum apoio da FCG. Estas três bandas participaram no referido concurso em 1958, 1962 e 1966. Também se deu o inverso, ou seja, a Fundação incentivou a vinda a Portugal a bandas musicais de outros países. Em 1977, por exemplo, patrocinou a apresentação da Banda Juvenil Norueguesa “Gjallarhorn” em diversas localidades do país. (52)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Num período cujos apoios públicos à cultura musical eram diminutos, ou quase inexistentes no que diz respeito às bandas de música amadoras, a ação da FCG foi determinante para muitas das bandas que foram apoiadas. Sem o apoio da FCG a maioria das bandas de música ajudadas não teria capacidade financeira para, por exemplo, renovar todo o seu instrumental, nem muitos dos maestros teriam a oportunidade de frequentarem um curso de regência de banda. A relevância desta instituição teve mais peso na sua fase inicial devido a todas as carências resultantes do regime ditatorial. Até à década de 1970 a FCG foi a única instituição que teve um programa de apoio regular e consistente destinado às bandas de música. (53) Como sugere António Barreto “não é possível sequer imaginar o que seria o país sem a Gulbenkian. Mas parece ser incontestável que seria diferente”. (54)

Importa porém ressalvar que num universo de várias centenas de bandas só uma minoria beneficiou dos programas de apoio da Fundação. Assim, apesar de todos os contributos da FCG, as bandas de música amadoras passaram por um dos períodos mais negros da sua história ao longo do terceiro quartel do século XX. Realce também para a discrepância entre os valores dos subsídios atribuídos às bandas de música e os que eram concedidos a outros projetos ou atividades. Embora a música amadora fosse considerada uma prioridade nas primeiras décadas de existência da FCG, tal não pareceu refletir-se na atribuição de auxílios monetários. Menos de uma décima parte do total de subsídios foi muito aquém do desejável e do necessário, se tivermos em conta as centenas de bandas existentes e os milhares de executantes que as compunham.

Ao longo das décadas as prioridades de apoio da Fundação foram reformuladas gradualmente, de acordo com a evolução da vida musical portuguesa, e os apoios a programas de teor profissional sobrepuseram-se aos de natureza amadora, como eram as bandas de música. Assim, partir da década de 1980 os apoios da FCG às bandas em forma de subsídios foram sendo reduzidos progressivamente de acordo com a cada vez maior consciencialização do Estado, sobretudo do poder local, relativamente às suas funções de teor cultural.

Madalena Perdigão estará para sempre ligada a alguns marcos no desenvolvimento das bandas de música. Além do seu papel decisivo na atribuição de subsídios às bandas, foi ela a principal responsável pela organização dos primeiros cursos de regência de bandas em Portugal, em 1962 e 1963, tal como foi ela a responsável pela criação da Comissão Técnica para a Seleção de Instrumentais, uma comissão do Serviço de Música que teve um papel decisivo na transição, por parte de muitas bandas, da utilização do diapasão brilhante para o diapasão normal. Concretamente em relação ao seu papel no ACARTE, que chefiou desde a sua criação até 1989, foi mais uma vez relevante no que diz respeito à promoção e divulgação do trabalho das bandas de música. Após o seu desaparecimento, não se realizou mais qualquer tipo de atividades que incluíssem bandas de música, incluindo nas denominadas “Sopros ao ar livre”.

Os assuntos aqui tratados nunca foram objeto de qualquer estudo. Sendo assim, este trabalho vem colmatar, ainda que modestamente, uma lacuna, não só na diversa bibliografia geral relacionada com a FCG, a qual faz poucas referências a bandas de música, à exceção dos relatórios de atividades, mas também em diversos trabalhos académicos cujo objeto de estudo são as bandas de música e que frequentemente omitem o papel desta instituição no âmbito do apoio a estes agrupamentos musicais.

Por volta de 1960 o Serviço de Música da FCG enviou um questionário às bandas de música amadoras a fim de as conhecer e melhor e compreender quais as suas principais necessidades, para que os subsídios atribuídos tivessem uma maior eficácia. Apesar do esforço,55 não foi possível aceder a essa documentação, a qual ajudaria a compreender melhor a realidade das bandas na época. A título sugestivo, seria de todo o interesse aceder e analisar detalhadamente as respostas das bandas que responderam ao questionário.

NOTAS

(1) BRUNO MADUREIRA – Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Correio eletrónico: brunofcsh@gmail.com

(2) O apoio às bandas de música amadoras é um bom exemplo dessa reformulação de prioridades, o qual diminuiu progressivamente até à sua extinção, a partir do momento em que estes agrupamentos musicais passaram a ser apoiados por outras instituições, particularmente as ligadas ao poder local.

(3) Rui Esgaio e João Forjaz Vieira (Coord.). Fundação Calouste Gulbenkian – 1956-2006 – Factos e números. Lisboa, Ed. FCG, 2008, p. 134.

(4) Apesar de termos conhecimento de que o Serviço de Música da FCG iniciou a sua actividade em 1958, não nos foi possível apurar se foi este o primeiro ano em que foram atribuídos apoios financeiros às bandas filarmónicas ou se já tinham sido atribuídos em anos anteriores, uma vez que o primeiro relatório da Fundação é relativo aos seus primeiros quatro anos de existência, ou seja, de 1955 a 1959 e não especifica as contas anuais, mas apenas as quadrienais.

(5) José de Azevedo Perdigão, II Relatório do Presidente, 1 de Janeiro de 1960 a 31 de Dezembro de 1962, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1964, p. 112-114. Não sabemos se este valor está incluído nos 300 contos de subsídios mencionados no I Relatório do Presidente.

(6) Idem, p. 112.

(7) Idem, p. 127.

(8) José de Azevedo Perdigão, III Relatório do Presidente, 1 de Janeiro de 1963 a 31 de Dezembro de 1965. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1964, p. 99. A discrepância entre o número de bandas apoiadas antes e depois de 1964 está relacionada com a alteração de critérios relativamente à distribuição de subsídios, a qual tem a ver com o esforço realizado pela FCG no intuito de contribuir para a transição do uso de instrumentos de diapasão brilhante, até então habitual nas bandas civis, para o diapasão normal, que já era utilizado em outros países da Europa. Esta questão será abordada mais à frente.

(9) Idem, p. 97.

(10) À ópera foram atribuídos 2 608 112$40, e a estabelecimentos de ensino de música 8 936 000$00.

(11) José de Azevedo Perdigão, IV Relatório do Presidente, 1 de Janeiro de 1966 a 31 de Dezembro de 1968. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 19670, p. 122.

(12) É plausível que estes 124 instrumentos distribuídos a avulso a diversas bandas fossem de diapasão brilhante e facultados à FCG pelas bandas que foram contempladas com instrumentais completos em diapasão normal.

(13) José de Azevedo Perdigão, V Relatório do Presidente, 1 de Janeiro de 1969 a 31 de Dezembro de 1971. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1973, p. 121-123.

(14) José de Azevedo Perdigão, VI Relatório do Presidente, 1 de Janeiro de 1972 a 31 de Dezembro de 1974. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1976, p. 115. Este relatório não especifica os valores atribuídos em cada um dos anos, nem quais as bandas contempladas pelos mesmos.

(15) Na FCG provocou o afastamento de, entre outros, Madalena Perdigão.

(16) José de Azevedo Perdigão, VII Relatório do Presidente, 1 de Janeiro de 1975 a 31 de Dezembro de 1978. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1980, p. 66. Em 1980 foi publicado o relatório referente ao período mediado entre 1975 e 1978 e a partir desse ano os relatórios foram realizados anualmente. Importa mencionar que durante este quadriénio foram suspensas duas das comissões consultivas do Serviço de Música, nomeadamente, a de Selecção de Instrumentos e a de Etnomusicologia, mantendo-se apenas a comissão consultora de musicologia.

(17) Relatório anual de 1979. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1981, p. 12.

(18) Relatório anual de 1980. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1982, p. 15.

(19) Relatório anual de 1981. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1983, p. 19.

(20) Relatório anual de 1982. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1984, p. 30.

(21) Relatório anual de 1983. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1985, p. 30.

(22) Relatório anual de 1984. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1986, p. 36.

(23) Relatório anual de 1985. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1987, p. 56.

(24) Relatório anual de 1986. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1988, p. 43; Relatório anual de 1987. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1989, p. 54; Relatório anual de 1988. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1990, p. 69; Relatório anual de 1989. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1991, p. 76. Nestes relatórios não estão especificados os valores atribuídos a bandas de música.

(25 Relatório anual de 1990. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1991, p. 74.

(26) Relatório anual de 1991. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1992, p. 69-70. 27 Relatório anual de 1992. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1993, p. 74-75. 28 Relatório anual de 1993. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1994, p. 71.

(29) Idem, ibidem.

(30) Relatório anual de 1995, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1996, p. 91-92.

(31) Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, Cursos de Aperfeiçoamento para regentes de Bandas Civis – Programa da Audição Final, Fundação Calouste Gulbenkian, 20 de Dezembro de 1962.

(32) Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, II Curso de Aperfeiçoamento para regentes de Bandas Civis – Programa da Audição Final, Fundação Calouste Gulbenkian, 30 de Janeiro de 1964.

(33) Relatório anual de 1977. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1978, p. 12. 34 Arquivo da Banda Sinfónica da GNR, Carta Manuscrita de Maria Madalena Perdigão (APEM) a Maestro Silva Dionísio, Lisboa, Espólio Musical de Silva Dionísio.

(35) Fundação Calouste Gulbenkian, ACARTE: 1984-1994. Lisboa, 1994, p. 43.

(36) Relatório anual de 1985. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1987, p. 40.

(37) Idem, 43.

(38) Fundação Calouste Gulbenkian, ACARTE: 1984-1994. Lisboa, 1994, p. 43. Excecionalmente, o relatório de 1986 não menciona qualquer atividade de promoção de bandas de música no Anfiteatro de Ar Livre.

(39) Relatório anual de 1987. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1989, p. 38.

(40) Fundação Calouste Gulbenkian, ACARTE: 1984-1994, Lisboa, 1994, p. 43.

(41) Relatório anual de 1989. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1991, p. 29.

(42) Idem, ibidem.

(43) Relatório anual de 1990. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1991, p. 25.

(44) José de Azevedo Perdigão, III Relatório do Presidente, 1 de Janeiro de 1963 a 31 de Dezembro de 1965. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1964, p. 16.

(45) Tais como, as bandas de Revelhe – Fafe e da Trofa apud II Grande Concurso Nacional de Bandas de Música Civis, Programa da Final, Lisboa, 1971. Estas duas bandas foram as vencedoras da primeira categoria do referido concurso e eram consideradas, na época, as melhores bandas civis portuguesas.

(46) Na década de 1980 a Secretaria de Estado da Cultura, na qual Silva Dionísio era consultor, tomou um procedimento idêntico a fim de evitar que as bandas tocassem com ambos diapasões de afinação em simultâneo.

(47) Maestro da Banda Sinfónica da GNR entre 1960 e 1973 e posteriormente Chefe do Sector de Música do INATEL.

(48) Maestro da Banda da Armada entre 1956 e 1975.

(49) Além desta o Serviço de Música da FCG contou também com as comissões consultivas permanentes de Musicologia e de Etnomusicologia.

(50) Coincidência ou não foi por volta de 1963 que as bandas do Exército passaram a usar a afinação normal. As bandas da GNR e da Armada já há várias décadas que utilizavam a afinação normal.

(51) José de Azevedo Perdigão, I Relatório do Presidente, 20 de Julho de 1955 a 31 de Dezembro de 1959. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1961, p. 116-117.

(52) Relatório anual de 1977. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1978, p. 13.

(53) A Federação Nacional para a Alegria no Trabalho, a Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio e alguns Governos Civis também organizaram algumas iniciativas de apoio às bandas de música, mas sempre de forma pontual e com uma abrangência muito inferior à FCG.

(54) António Barreto (Coord.). Fundação Calouste Gulbenkian – Cinquenta anos: 1956-2006. 1º volume, Lisboa, 2007, p. 40.

(55) Segundo os atuais responsáveis do Serviço de Música da FCG essa documentação não consta nos arquivos da Fundação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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GULBENKIAN, Fundação Calouste (1990). Relatório anual de 1988, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.

GULBENKIAN, Fundação Calouste (1991). Relatório anual de 1989, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.

GULBENKIAN, Fundação Calouste (1991). Relatório anual de 1990, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.

GULBENKIAN, Fundação Calouste (1992). Relatório anual de 1991, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.

GULBENKIAN, Fundação Calouste (1993). Relatório anual de 1992, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.

GULBENKIAN, Fundação Calouste (1994). Relatório anual de 1993, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.

GULBENKIAN, Fundação Calouste (1995). Relatório anual de 1994, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.

GULBENKIAN, Fundação Calouste (1996). Relatório anual de 1995, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.

GULBENKIAN, Fundação Calouste (1997). Relatório anual de 1996, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.

FONTES

1. Arquivo da Banda Sinfónica da GNR – Carta Manuscrita de Maria Madalena Perdigão (APEM) a Maestro Silva Dionísio, Lisboa, Espólio Musical de Silva Dionísio, Envelope CR8.

2. Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, – Fundação Calouste Gulbenkian, ACARTE: 1984-1994, Lisboa, 1994, p. 43, Cota: CFPE 4886. – Cursos de Aperfeiçoamento para regentes de Bandas Civis, Fundação Calouste Gulbenkian, Programa da Audição Final, Salão de Festas da Voz do Operário, 20 de Dezembro de 1962, Cota MSC 2476. – II Curso de Aperfeiçoamento para regentes de Bandas Civis, Fundação Calouste Gulbenkian, Programa da Audição Final, Auditório da FCG, 30 de Janeiro de 1964, Cota MSC 2477.

3. Outras: – II Grande Concurso Nacional de Bandas de Música Civis, Programa da Final, Lisboa, 1971.

Citando

Desde os seus primeiros anos de existência, em meados da década de 1950, até meados da década de 90, que a Fundação Calouste Gulbenkian apoiou direta ou indiretamente bandas de música amadoras, quer através da concessão de subsídios e instrumentos, quer no âmbito da formação de elementos e promoção do trabalho artístico destes agrupamentos musicais.

Bruno Madureira

Coreto em Faro