Voices and landscapes, de Hugo Vasco Reis

Sobre o Novo Álbum: “Voices and Landscapes” 

“Voices and Landscapes” é um álbum de música contemporânea que inclui cinco obras do compositor Hugo Vasco Reis, nas quais a voz é o elemento comum presente em todas as peças. O tema central deste álbum é a paisagem, o que levou o compositor a uma pesquisa de sons diversificados que vão desde a natureza até aos lugares urbanos, totalmente moldados pela ação humana. Foi ainda influenciado por poemas de Antero de Quental e Fernando Pessoa. Este trabalho teve o apoio do Ministério da cultura de Portugal, DGArtes, SPAutores, Antena 2 e Câmara Municipal de Lisboa.

hugovascoreis.com

Sobre Cada Peça: Notas de Programa 

todas as composições e notas de programa por Hugo Vasco Reis 

 “Some Lines Mixing a Color” 

para soprano, saxofone, acordeão, viola e violoncelo

interpretação de Síntese GMC

“Some Lines Mixing a Color” é uma obra que partiu de uma fotografia tirada pelo compositor durante um dia inverno rigoroso, onde o denso nevoeiro encobria as formas da natureza. Esta peça aborda a influência do invisível na relação com a perceção humana da imagem. Mediando a imagem com o som, foram criadas linhas densas e estruturas ao acaso que co-habitam no mesmo espaço com linhas finas e matéria sonora organizada, transportando e reportando a perceção e a memória para diferentes lugares, num diálogo de contraponto, gestos, intuição e acontecimentos, que moldam o tempo e a forma.

Clique AQUI para ouvir.

“Paisagens, Quero-as Comigo” 

para flauta, clarinete, percussão, harpa, piano, mezzo-soprano, violino, viola e violoncelo

interpretação de Grupo de Música Contemporânea de Lisboa

direção de Maestro Pedro Neves

Baseada no poema “Paisagens, Quero-as Comigo” de Fernando Pessoa, esta é uma obra composta para ensemble de nove músicos. “Paisagens, Quero-as Comigo / Paisagens, quadros que são… / Ondular louro do trigo, / Faróis de sóis que sigo, / Céu mau, juncos, solidão… / Umas pela mão de Deus, / Outras pelas mãos das fadas, / Outras por acasos meus, / Outras por lembranças dadas… / Paisagens… Recordações, /Porque até o que se vê / Com primeiras impressões / Algures foi o que é, / No ciclo das sensações. / Paisagens… Enfim, o teor / Da que está aqui é a rua / Onde ao sol bom do torpor / Que na alma se me insinua / Não vejo nada melhor.” por Fernando Pessoa.

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“Sleeping Landscapes”

para coro

interpretação de Nova Era Vocal Ensemble

direção de Pedro Barros

“Sleeping Landscapes” é uma peça para coro inspirada em excertos de poemas de Bernardo Soares, extraídos do “Livro do Desassossego”. Foi composta em Tronco, uma pequena aldeia do concelho de Chaves, onde o contacto com a paisagem natural é permanente e, por vezes, de tão original se sentir, parece adormecida. “Eu vim de terras maravilhosas, de paisagens mais encantadoras que a vida, mas só para mim já mencionei essas terras e não disse nada sobre as paisagens que via nos meus sonhos. (…)” “Vejo as paisagens sonhadas com a mesma clareza que fito as reais. Se me debruço sobre os meus sonhos é sobre qualquer coisa que me debruço. Se vejo a vida passar, sonho qualquer coisa (…)” por Bernardo Soares.

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“Oceano Nox” 

para soprano, flauta, violoncelo e piano

interpretação de Borealis Ensemble

Baseada no poema “Oceano Nox” de Antero de Quental, esta é uma obra composta para grupo de câmara que inclui soprano, flauta de bisel baixo, violoncelo e piano, onde a gestualidade, o timbre, o fenómeno de objeto/evento e a transformação do som através da ressonância são os critérios que medeiam o poema e a sonoridade. “Junto do mar, que erguia gravemente / A trágica voz rouca, enquanto o vento / Passava como o voo dum pensamento / Que busca e hesita, inquieto e intermitente, / Junto do mar sentei-me tristemente, / Olhando o céu pesado e nevoento, / E interroguei-me, cismando, esse lamento / Que saía das coisas, vagamente… / Que inquieto desejo vos tortura, / Seres elementares, força obscura? / Em volta de que ideia gravitais? / Mas na imensa extensão, onde se esconde / O Inconsciente imortal, só me responde / Um bramido, um queixume, e nada mais…” por Antero de Quental.

Clique AQUI para ouvir  

“Polyphonic Mass” 

para vozes faladas e electrónica

interpretação de Hugo Vasco Reis e Choir of Native Speakers

“Polyphonic Mass” é uma obra de gravações de campo que pretende investigar e entender as propriedades dos sons comuns que se ouvem no dia a dia, os quais, em princípio, são negligenciados, dado que não assumem uma importância principal na nossa audição. Estas gravações de campo são também uma oportunidade para criar um afastamento dos padrões tracionais, procurando um plano diferente para trabalhar o som e fazer com que o material recolhido se desligue de uma imagem ou situação concreta, unindo sons que aparentemente não estão relacionados. A perceção dos sons negligenciados cria um fenómeno de status quo, como critério para a criação desta obra que vai da figuração para a deformação do som. Combinam-se assim elementos de um tempo presente e um lugar, ou vários lugares, que transmitem a fragilidade das situações quotidianas, a sua ritualização, polifonia, impulso, densidade e prosódia como elementos do discurso musical.

Clique AQUI para ouvir

Voices and landscapes, de Hugo Vasco Reis

Voices and landscapes, de Hugo Vasco Reis

Info: 

hugovascoreis.com

www.instagram.com/hugo_vasco_reis

hugovascoreis.bandcamp.com

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Festival Arte(S)em Palco

Organizado pela Bolsa D’Originais – Associação Cultural, com o apoio d Direção-Geral das Artes e do Município de Reguengos de Monsaraz, o Festival Arte(S)em Palco irá apresentar 15 espetáculos e 2 workshops a decorrer em 14 localidades do concelho de Reguengos de Monsaraz. Entre março e outubro de 2021, o público poderá assistir a espetáculos de música, teatro e marionetas.

Inserido num território geográfico de baixa densidade populacional e numa região já de si isolada do meio cultural nacional, o ciclo tem como objetivo principal ir ao encontro da população mais desfavorecida culturalmente, levando as pessoas a vivenciar e ter contacto com atuações artísticas às quais só poderiam ter acesso nos grandes centros urbanos.

Com a certeza de que a expressão artística e cultural é essencial para combater o empobrecimento e isolamento social, o Festival Arte(S)em Palco irá partilhar com o público momentos artísticos únicos, nunca antes assistidos nessas localidades.

Cique AQUI para ver o programa.

Festival Arte(S)em Palco

Festival Arte(S)em Palco

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Francisco de Sá Noronha (1820-1881). Um músico português no espaço atlântico
Francisco de Sá Noronha (1820-1881)

Em Outubro de 2019, na Biblioteca Nacional de Portugal, teve lugar o lançamento do livro Francisco de Sá Noronha (1820-1881). Um músico português no espaço atlântico, da autoria de Luísa Cymbron.

O livro traça a biografia de um violinista e compositor cuja vida decorreu entre Portugal e o Brasil num arco de sessenta anos que abrange as décadas centrais do século XIX. Nascido em Viana do Castelo, Noronha morreu no Rio de Janeiro, tendo cruzado cinco vezes o oceano Atlântico.

Português, emigrante, deveu a sua afirmação artística ao meio teatral carioca, tendo aí habitado durante o reinado de D. Pedro II. Como violinista, viajou pelas Américas e regressou à Europa e a Portugal, onde era praticamente um desconhecido. Empenhou-se na tentativa de criar, desde o Rio, o projecto de uma ópera nacional.

Depois de 1860, Francisco de Sá Noronha fixou-se durante uma larga temporada entre Lisboa e Porto e lutou obstinadamente para conseguir levar as suas obras à cena nos teatros de ópera portugueses.

Foi casado com Juana Paula Manso, uma escritora argentina, pioneira na defesa dos direitos da mulher, da qual se separou passados cerca de dez anos, e aparentemente viveu o resto da sua vida sem família.

Os seus derradeiros sucessos foram operetas que logo caíram no esquecimento.

No prefácio, Rui Vieira Nery, que também apresentou a obra, explica-nos que o texto nos esclarece “sobre a tipologia formal do repertório instrumental de concerto e de salão, bem como dos vários géneros vocais da canção de câmara e do teatro musical.

Analisa em profundidade a apropriação e a manipulação pelo compositor, na sua obra, das convenções de composição da ópera italiana e da opereta francesa do seu tempo.

Aborda em termos particularmente lúcidos a problemática da criação de uma ópera nacional em língua portuguesa, tanto em Portugal como no Brasil, à luz das estratégias de construção de identidades nacionais características da ideologia romântica, mas também das lógicas de distinção cosmopolita que pressupunham a circulação e a partilha, mesmo que transformando-os localmente, dos modelos de escrita emanados dos grandes centros de referência da vida musical europeia. […]

E consegue fazer tudo isto com uma narrativa cativante, uma linha de raciocínio clara e articulada, uma fundamentação rigorosa mas sem impedir a legibilidade da escrita, e, além do mais, com um suporte iconográfico de uma riqueza e uma diversidade impressionantes, permitindo ao leitor o contacto visual directo, não só com os retratos dos personagens e as imagens dos lugares do enredo, mas igualmente com uma documentação gráfica preciosa.”

Texto facultado por Luísa Cymbron, publicado na Meloteca a 15 de novembro de 2020

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