Criança com síndrome de Down tocando

A Educação Musical de Crianças com Síndrome de Down

Anahi Ravagnani

Embora possam apresentar algumas semelhanças, as Musicoterapia e Educação Musical são muito distintas e não devem ser confundidas. Com bases científicas solidamente construídas e reconhecidas a partir do séc. XX, a Musicoterapia é uma área de conhecimento baseada em um processo sistemático de intervenção, no qual o terapeuta auxilia o cliente a promover a saúde, utilizando como ferramenta as experiências musicais. Análoga a uma reação química, os seus principais elementos: o cliente, a música e o terapeuta combinam-se e interagem de diversas formas. Cabe ao terapeuta, conceber, esboçar e analisar as formas com que o cliente experimenta a música, seja por meio da escuta, do improviso, da re-criação ou da composição musical.

Na Musicoterapia o que mais importa é a relação entre a música e o paciente (ou cliente, como é chamado pelos musicoterapeutas) e não a música em si mesma, nem os conceitos estéticos que a permeiam. Não é necessário que o musicoterapeuta seja, obrigatoriamente, um exímio instrumentista ou cantor, porém, é importante que conheça bem os elementos que constroem a música como melodia, harmonia, timbre e andamento, entre outras, e seus possíveis efeitos sobre o ser humano.

Na Educação Musical, diferentemente da Musicoterapia, o foco recai sobre a aquisição de algum conhecimento musical pelo aluno, e não em melhorar a saúde. O educador musical, a priori, não conhece as técnicas utilizadas durante uma sessão de Musicoterapia, apesar de estar atento aos efeitos causados pela música no seu aluno.

Na concepção de V.H. Gainza, a Musicoterapia prevê a aplicação científica da música a contribuir ou favorecer os processos de recuperação psicofísica das pessoas, enquanto que a Educação Musical é um modo de sensibilizar e desenvolver integralmente o indivíduo, capacitando-o para tornar possível o seu êxito ao conhecimento e ao prazer musical.

Embora a observação de uma aula de musicalização em grupo, por exemplo, e de uma sessão individual de musicoterapia possam ser aparentemente semelhantes, a diferença essencial é que no primeiro caso a música é utilizada como meio de aquisição de conhecimento musical, e no segundo tem a finalidade de servir a um processo terapêutico.

Há ainda outra diferença importante entre a Educação Musical e a Musicoterapia: a relação entre aluno/professor e cliente/terapeuta. Tratando-se de um aluno e um professor de instrumento, por exemplo, este irá estimular ao máximo o seu aluno para que alcance o maior grau técnico possível, visando à execução instrumental cada vez mais refinada. No caso de um cliente submetido a uma sessão de musicoterapia, este receberá motivação e estímulo para que alcance melhores condições de saúde física e mental.

Leia AQUI toda a dissertação de Anahi Ravagnani, A Educação Musical de Crianças com Síndrome de Down em um contexto de Interação Social. Curitiba 2009.

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