Flauta de amolador, Portugal

Flauta de amolador – também chamado em Portugal apito de amolador ou gaita de amolador – é um instrumento de sopro da família das flautas de Pã utilizado tradicionalmente pelos amoladores (amola-tesouras) e afiadores de facas que, tocando, se faziam anunciar aos clientes. Além de amolar facas e tesouras e de arranjar panelas e tachos, o amolador consertava guarda-chuvas. As pessoas criaram o hábito de, quando o ouviam exclamar: “-Vem aí chuva!”.

O amolador era nómada que se deslocava com a sua roda de aldeia em aldeia, acompanhado por vezes de um burro que lhe carregava os pertences. “A retribuição era frequentemente em géneros alimentares: carne “curada” no fumo ou no sal, azeite, batatas. Para comunicar entre si os amoladores tinham um dialecto próprio, o baralhete. Havia, entre os amoladores, muitos originários da Galiza.”

Forum da Quinta de Conde, 2008

No passado, as pessoas tinham tesouras e navalhas de barbear que precisavam de ser afiadas de vez em quando, tinham pratos para arranjar, tachos para rebitar, guarda-chuvas para reparar.

“O equipamento principal do amolador era a roda (estrutura em madeira, dotada com uma roda, que a tornava móvel), munida com um ou dois esmeris. Na posição vertical a roda servia para afiar as tesouras, as facas e as navalhas de barbear. O amolador colocava uma correia a ligar a roda grande ao eixo que suportava os esmeris e impulsionava o pedal até atingir a rotação desejada no esmeril. Na posição horizontal a roda funcionava como uma carro de mão para se deslocar e transportar a ferramenta de trabalho. Esta era constituída usualmente por alicates, martelos, sovelas, arame, cré, rebites, varetas e pano de guarda-chuva. Acontecia frequentemente que o amolador também tinha conhecimentos de funileiro e nesse caso juntava pelo menos um ferro de soldar, estanho, chapas de zinco de diferentes espessuras e uma palanca em ferro.”

O ofício está em vias de extinção.

Flauta de amolador, siringa, Portugal
Flauta de amolador, Portugal
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