Sortelha

A Bela Infanta (romance novelesco)

Estando a Dona Infanta
No seu jardim assentada,
Com o seu pente d’oiro
Seus cabelos penteava.

Deitou os olhos ao largo,
Viu vir uma grande armada;
Capitão que nela vinha
Muito bem a governava.

— «Dizei-me, meu capitão
Dessa tão formosa armada,
Se vistes o meu marido
Em terras que Deus pisava!»

— «Dizei-me, minha senhora,
Os sinais que ele levava!»
— «Levava cavalo branco,
Selim de prata dourada;
Na ponta da sua lança
A cruz de Cristo levava.»

— «Pelos sinais que me deste
Tal cavaleiro não vi…
Mas quanto dareis, senhora,
A quem o trouxera aqui?»

— «Daria tanto dinheiro
Que não tem conto nem fim
E as telhas do meu telhado
Que são de oiro e marfim.»

— «Guardai o vosso dinheiro,
Vossas telhas de marfim!
Vosso marido sou eu,
Reparai bem para mim!

O anel de sete pedras
Que eu convosco reparti:
Que é dela a outra metade?
Pois a minha vê-la aqui!»

— «Andai cá, ó minhas filhas,
Que o vosso pai é chegado!
Abram-se os novos portões
Há tanto tempo fechados!
Vamos dar graças a Deus,
Graças a Deus consagrado!»

Letra e música: Tradicional (Dirão da Rua, Sortelha, Sabugal, Beira Alta)
Arranjo: César Prata e Vânia Couto
Intérprete: César Prata e Vânia Couto
Versão discográfica de César Prata e Vânia Couto (in CD “Rezas, Benzeduras e Outras Cantigas”, Sons Vadios, 2019)

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