Cimboa, Cabo Verde

Cimboa, cordofone de arco, Cabo Verde

Cimboa (ou cimbó) é um cordofone de arco originário de Cabo Verde tradicionalmente usado para acompanhar as danças de batuque. Foi um dos primeiros instrumentos de corda a chegar em Cabo Verde. É constituído pelo instrumento propriamente dito e um arco. O instrumento possui um braço ligado a uma caixa de ressonância. A caixa é feita a partir de uma cabaça, ou quando esta é difícil de encontrar, de coco, com um tampo harmónico de pele de cabrito esticada, fixa através de varetas de caniço. A partir da caixa sai um braço fabricado com uma madeira flexível. Na extremidade do braço encontra-se uma cravelha de mogno para afinar a única corda do instrumento, que está tendida entre uma pestana incrustada no braço e um cavalete situado sobre o tampo harmónico.

O som é obtido friccionando o arco sobre a corda feita de crina de cavalo. O arco é feito de uma peça de madeira encurvada e de uma corda, também ela de crina, untada de breu. A altura das notas é conseguida pressionando a corda em diversos pontos do braço, mas o facto de o braço ser flexível torna possível obter mudanças na altura das notas arqueando o braço. Sobre a origem exata do instrumento pouco se sabe, a não ser que veio da África continental.

No entanto, foi assinalada a semelhança da cimboa com instrumentos africanos situados a milhares de quilómetros de distância, entre os quais o kiki dos dazas do Tibesti e de Borcu, o nini dos zagauas, o fini dos canembus, e ainda o kiki dos mabas da região de Uadai. Embora tenha ressurgido a construção deste instrumento, ele é mais utilizado como peça decorativa, e não como instrumento musical que se use.

Era tradicionalmente ouvida em rodas de batuque em celebrações de casamento e batizados. Monocórdico e tocado como um violino, faz parte da família dos alaúdes, com caixas de ressonância com um formato arredondado, semelhante a uma gota. A caixa da cimboa é feita a partir da cabaça, ou do coco, com um tampo harmônico de pele de cabrito esticada, fixada através de varetas de pescar. A partir da caixa sai um braço feito com pinha, uma madeira flexível. Na extremidade desse braço encontra-se uma outra peça de madeira, a cravelha de mogno, utilizada para afinar a única corda do instrumento.

O som é obtido através da fricção do arco sobre a corda, que é feita de crina de cavalo. Já o arco é feito de uma peça de madeira encurvada e também de uma corda de crina de cavalo, untada de breu.

Embora a cimboa seja um importante elemento cultural de Cabo Verde, o seu uso quase desaparecera, ficando apenas como peça decorativa. A razão do seu desuso não é clara, mas acredita-se que isto possa estar relacionado com a falta de cavalos no país, que é fonte de uma de suas principais matérias-primas, a crina de cavalo. Há também hipóteses de que o instrumento musical perdeu sua popularidade por conta de sua associação com a classe mais pobre da sociedade. Não sendo bem recebida nos salões das classes mais altas, a cimboa teria sido substituída pelos instrumentos de corda europeus.

O atêlie de construção da cimboa, “Preservação da Memória da Cimboa”, apoiado pela UNESCO (2008), ajudou a resgatar o uso deste precioso patrimônio imaterial de Cabo Verde. O projeto permitiu que cerca de 150 jovens aprendessem a construir e tocar a cimboa, além de divulgá-la e promovê-la em escolas e eventos culturais. Hoje, artistas de renome no cenário nacional têm incorporado a cimboa em diferentes géneros musicais, incluindo o jazz, blues e a música clássica.

Fontes: Centro Cultural Português em Cabo Verde, Wikipédia

Partilhe
Share on Facebook
Facebook