Contos e estórias de música para ler e dramatizar

Coreto do Sítio da Nazaré

UM CONCERTO NO CORETO

Nicha Alvim, Um concerto no coreto (resumo e adaptação)

A maior amiga da bruxa Cornélia era Sineta que adorava música e dança. Vivia numa das torres da igreja e adorava ouvir as suas badaladas.

Mesmo em frente, havia um jardim onde as bruxas gostavam de brincar enquanto as crianças dormiam. O Inverno tinha sido chuvoso e frio, pelo que a bruxa Sineta decidiu organizar um concerto no jardim, para festejar a chegada da Primavera.

Foram contratados papagaios e patos para tocar instrumentos, enquanto rouxinóis e pintassilgos cantariam em coro. Foram convidadas todas as bruxas, boas e más, mas a bruxa Badalo, que vivia na outra torre da igreja, estava decidida a estragar a festa.

Ao cair da noite, a bruxa Sineta e os amigos prepararam tudo para que o concerto se realizasse ao nascer do sol. No coreto do jardim colocaram cadeiras, estantes, instrumentos e o estrado para o maestro.

Ainda antes do nascer do sol, os pardais foram acordar a bruxa Sineta, dizendo-lhe que os instrumentos tinham sido roubados. Sineta, com as amigas, procuraram por todo o jardim. Do alto da torre, a bruxa Badalo riu-se muito, mas apanhou um ataque de soluços que durou três dias.

As bruxas, com a ajuda dos morcegos, que são rápidos e vêem bem à noite, encontraram os instrumentos escondidos nas árvores e nas estátuas do jardim. Rapidamente colocaram tudo no seu lugar.

Para surpresa de todos, a bruxa Sineta pegou solenemente na batuta de maestro e deu início ao concerto. No momento em que o sol despontava, ouviu-se por todo o jardim a música mais bonita que se podia imaginar, para celebrar a Primavera.

As bruxas bateram muitas palmas e, quando pararam, ouviram-se os soluços da bruxa Badalo, arrependida de ter feito uma maldade tão feia.

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Coreto do Sítio da Nazaré

Coreto do Sítio da Nazaré

Tambor

O SOLDADO E O TAMBOR

Era uma vez um soldado que foi para a guerra. Quando a guerra terminou, o soldado estava cansado e pobre, e quando regressou à terra só tinha um tambor para tocar. No caminho para casa, encontrou uma mendiga que lhe pediu esmola. O soldado tinha bom coração. Remexeu os bolsos, procurou, procurou, mas só encontrou uma pequena moeda.
— Toma! Dou-ta de boa-vontade porque deves precisar mais do que eu — disse o soldado.
— Em troca — afirmou a mendiga —encantarei o teu tambor. Sempre que tocares, todos bailarão à tua volta. Só deixarão de bailar quando parares de tocar.
O soldado ficou muito contente e seguiu o seu caminho. De repente, apareceram três ladrões que lhe disseram:
— A bolsa ou a vida!
Os bandidos revistaram-no de cima a baixo mas não encontraram dinheiro. Decidiram, então, levar-lhe o tambor. Mas o soldado pediu:
— Deixem-me só tocar um pouco antes de o levarem.
O soldado começou a tocar e os ladrões puseram-se a bailar. O soldado só parou quando os viu por terra e sem forças. Continuou, então, o seu caminho em direção a casa.

Gianni Radari (adaptado por António José Ferreira)

SUGESTÕES PEDAGÓGICAS

O professor conta a estória.

Em seguida, pergunta se há um voluntário para recontar.

A estória pode ainda ser dramatizada de forma criativa, com um narrador, um soldado (com o seu tambor), uma mendiga, e dois ladrões.

Pode começar-se por recriar a festa do final de uma guerra dolorosa,

E a viagem do soldado.

Podem ser criados curtos diálogos entre os ladrões e o soldado.

E eventualmente o seu encontro com familiares e amigos na alegria do seu regresso a casa, com diálogos que envolvam um número mais alargado de crianças da turma.

Se gostou desta proposta, adquira os recursos musicais didáticos na nossa loja.

António José Ferreira

Tambor

O soldado e o tambor

Rouxinol

O ROUXINOL DO IMPERADOR

Há mais de mil anos, num grande palácio, vivia o imperador da China. À volta do seu palácio, havia um belo jardim e um bosque de onde se conseguia ver o mar. Entre as árvores cantava maravilhosamente um rouxinol.

Muitas pessoas iam de longe para ouvi-lo, e o seu canto a todos alegrava. Era como se curasse as doenças. E até a China vivia em paz.

Um dia, o imperador mandou buscá-lo e nomeou-o chefe dos músicos da corte. O império desenvolvia-se de modo harmonioso.

Certo dia, o imperador do Japão quis oferecer ao monarca chinês algo muito valioso. Ofereceu-lhe um rouxinol mecânico, em ouro e pedras preciosas. O imperador chinês adorou.

Na corte, as pessoas acharam-no fantástico e esqueceram o rouxinol – verdadeiro e mais vulgar. Desprezado, o pássaro aproveitou uma oportunidade e fugiu do palácio.

Na Primavera, as pessoas perceberam que o som do rouxinol mecânico era monótono. Não alegrava ninguém e tornou-se muito aborrecido.

Entretanto, o imperador da China adoeceu. Quando estava a morrer, ouviu o canto do rouxinol da floresta, que regressara para o salvar, apesar de ter sido injustiçado. O soberano recuperou a saúde e quis nomeá-lo Músico Chefe da Corte.

O rouxinol recusou amavelmente: valia mais a floresta do que uma gaiola de ouro. Todavia, sempre que fosse necessário, poderia voltar ao palácio, transmitindo paz e harmonia.

(Hans Christian Andersen, adaptado por António José Ferreira)

SUGESTÕES

O professor começa por conta a estória.

Em seguida pergunta se há um voluntário para recontar.

Pela comemoração do Dia Mundial da Música, a 1 de outubro, no Dia Mundial do Animal, a 4 de outubro, no Dia da Liberdade, a 25 de abril, ou durante toda a primavera, Para representar o rouxinol, o professor pode recorrer a um “passarinho” de barro em que se sopra depois de se ter colocado um pouco de água.

Rouxinol

Rouxinol

Melro de bico amarelo

VIZINHOS DA CASA AZUL

Francisca Oliveira e Vera do Vale, Os Vizinhos da Casa Azul, adaptado por António José Ferreira

Era uma vez uma vila cheia de árvores, onde os pássaros cantavam e faziam ninhos.

Nas noites de Verão, as famílias passeavam e sentavam-se nos bancos do jardim, enquanto as crianças brincavam.

Perto do jardim, moravam o Zé, num rés-do-chão direito e o Manuel, no rés-do-chão esquerdo.

Ao fim da tarde, conversavam e ficavam a ouvir os pássaros. Com o Outono, vieram os dias cinzentos, o vento frio, as noites longas e o cair das folhas.

Durante algum tempo, os vizinhos ainda conversavam, mas a partida dos pássaros deixou-os tristes.

O Zé resolveu comprar uma flauta e pô-se a tocar, tentando imitar o canto dos pássaros, e assim passou horas e horas.

O vizinho Manuel tentava dormir mas não conseguia. Irritado, começou aos murros na parede.

Ao ouvir os murros na parede, o Zé pensou que o vizinho estava a gostar do som da flauta e, animado, continuou a tocar cada vez mais forte.

De manhã, o Manuel foi à loja de música comprar uma corneta e, mal entrou em casa, desatou a soprar.

O vizinho Zé ficou aborrecido e, quando voltou, trazia consigo um tambor. Rapidamente começou a tocar, e a verdade é que ganhou afeição ao instrumento.

Do outro lado, a resposta não se fez esperar… As paredes da casa tremiam ao som de um bombo, cujo som grave atravessava as paredes das casas próximas.

Durante algumas noites o desafio continuou… Cada noite havia novos instrumentos… Ferrinhos… pratos… e a vizinhança falava mal daqueles vizinhos.

O António, um maestro de banda que estava de regresso à vila, resolveu passear por aquela rua…

Depois de muitos toques de campainha e de batidas fortes na porta, conseguiu ter uma conversa com ambos…

No dia seguinte, a vizinhança já conseguiu viver mais descansada… Teria o maestro levado os instrumentos? Teriam os vizinhos feito as pazes?

Alguns dias depois, apareceu um anúncio: «Convidam-se os interessados em tocar em conjunto para um ensaio às 21:00 na Junta de Freguesia. Não é necessário levar instrumentos».

Às 20:30, as pessoas começaram a chegar.

O António começou a pôr os instrumentos uns ao lado dos outros e distribuiu partituras simples. Tocaram e cantaram canções da terra.

Era quase meia noite quando o maestro, cansado mas contente, terminou o ensaio.

Desde essa data, todos os sábados à tarde, pode ouvir-se um conjunto musical que faz companhia a todos… e, por vezes, pode ainda ouvir-se alguém contar a história de conjunto que nasceu da zanga de dois vizinhos com saudades do cantar dos pássaros…

Melro de bico amarelo

Melro