Artigos musicais sobre práticas e aspetos pedagógicos do Ensino da Música, da Expressão Musical, de Atividades de Enriquecimento Curricular, de Música Adaptada e Oficina dos Sons Adaptada a crianças com necessidades educativas especiais.

Bombos reciclados

Défice de atenção e imaturidade psicoafetiva

O défice de atenção corresponde à ocorrência de períodos de atenção escassos ou breves e uma impulsividade exagerada para a idade. Este défice pode associar-se ou não à hiperatividade. Embora seja mais comum nas crianças, pode também afetar os adultos.

CUF

Crónicas de Música Adaptada

Sessão 1

O Micael é uma criança com défice de atenção, imaturidade psicoafectiva e dificuldades relacionadas com os processos de leitura e escrita. Eu espero-o na sala destinada pela escola às sessões de Música Adaptada. Em cima de uma mesa, há copos e um bolo de aniversário ornamentado com uma baliza e uma bola de futebol, sinais de que vai haver festa.

Eu retiro da mala um instrumento digital e coloco-o numa das mesas. O Micael senta-se e olha um instrumento que não conhecia. Digo-lhe que é uma bateria digital e apresento-lhe funções que poderá utilizar: escolher diferentes percussões, percutir com baquetas, selecionar padrões rítmico-harmónicos com os botões para baixo ou para cima. Peço-lhe que selecione o padrão 2, com que vamos cantar a canção de boa tarde.

Eu canto uma vez, ao som da música instrumental:
“Olá, boa tarde,
Olá meu amigo!
Vamos lá cantar,
Depois vou jogar contigo!”

Ele diz-me que o “Carlos” é o seu amigo preferido porque joga à bola com ele. E cantamos como se o colega estivesse presente. Eu pergunto-lhe se tem outros amigos e ele vai dizendo, e nós cantamos aos amigos e à amizade.

Peço-lhe que selecione o padrão 3, que ele faz sem dificuldade. A professora titular disseram-me que ele é melhor a Matemática do que a Português. Como sei que ele gosta de jogar à bola, cantamos, sobre o instrumental selecionado:

Dá-me, dá-me uma bola,
P’ra jogar na escola,
P’ra jogar na escola.

Lanço-lhe uma bola de peluche que ele apanha. Recebe e passa com precisão e satisfação. E ganha-me, porque, entretanto, deixo a bola cair ao chão.

Fazemos alterações no texto:

Quero uma bola nova… ou:
Eu já tenho uma bola…

Ele canta de forma tímida mas apercebo-me de tem uma afinação acima da média e elogio-o. Ele fica contente. O reforço positivo é especialmente importante neste caso, porque o aluno tem baixa autoestima, de acordo com informação da professora titular.

Quase a terminar a sessão, aparece a professora de 1º e 2º anos com a sua turma para celebrar os anos do Rafael. A turma do Micael também é convidada. Enquanto não chega, aprendemos uma canção de parabéns original. O aniversariante toca um tambor da marca Remo que eu lhe empresto, e o Micael toca maraca.

Com todas as crianças reunidas, cantamos a canção de parabéns original:

Vamos lá cantar,
Vamos festejar.
Ao nosso amigo Rafa
Um abraço vamos dar.
Parabéns, parabéns!
Ao nosso amigo Rafa
Um abraço vamos dar!
Oh Yeah!
Um abraço!

Eu pergunto às crianças:

– Que podemos dar-lhe além de um abraço?
– Uma prenda – responde alguém.

E continuamos cantando cumulativamente com:

abraço
prenda
beijinho!

Oh yeah!
Mais uma vez!

– Tiveste sorte, Rafa… Até tiveste animação de graça! Agradece ao professor.

Eu realço:
– Agradece antes ao Mica. A ele o deves!

E ele diz “obrigado” ao amigo.

Sessão 2

Na semana seguinte, como habitualmente, o Micael entra na sala a sorrir. Fala pouco e baixo. Começamos com a canção de saudação da semana anterior. Ele marca a pulsação com duas baquetas, alternadamente, na bateria digital.

Diz-me nomes de amigos, que acompanhamos com ritmo: “Carlos” (tá tá), Manuel (titi tá) e Gonçalo (ti tá ti).

Em seguida, digo a frase, “Toca tu” e ele reproduz o meu padrão rítmico. Trocamos de posições: ele diz e eu toco. Eu toco um padrão mais difícil: “Toca, toca, toca tu”. Ele reproduz; trocamos novamente de posições.

Eu tenho uma arena de plástico (tampa reutilizada de balde de azeitonas). Dizemos e cantamos:

Roda a bola,
Roda, rola,
Numa arena
Da escola.

Depois, ele faz a bola rodar. Mostro-lhe o cronómetro do telemóvel. Ele começa a rodar a bola, no sentido dos ponteiros do relógio. Mostro-lhe o tempo no visor e ele identifica os números: 2’53’’23’’’. Minutos depois ainda se lembra dos minutos, segundos e centésimos de segundo.

Com um pássaro de peluche, cantamos:

Tem coragem passarinho,
Salta agora de teu ninho.

Contamos 10 pés. Ele ao princípio não consegue, mas aprende rapidamente. E consegue receber o pássaro e lançá-lo com precisão, 10, 15, 20 e 25 pés.

Fazemos mais um jogo:

Jogo à bola,
Passo a bola
Aos colegas
Da escola.

Sentamo-nos nos lados menores de uma mesa, passando uma bola, como se fosse um jogo de baliza a baliza. Ele joga passa com precisão e o jogo termina empatado a 0. Depois jogamos com uma bola um pouco maior e ela ganha 3-0 ao professor.

Encontramo-nos para a terceira sessão. A forma de saudar preferida do “Micael” é sorrir. Procuramos melhorar a capacidade de expressão e comunicação com canções e dinâmicas que ele adora e que o levam de forma natural a falar melhor e mais alto.

Entretanto, chega a professora “Adélia”, titular de uma das turmas da escola. Fico a saber que o Micael se esqueceu de dar um recado. Ela adorou a animação ocasional pelo aniversário do seu aluno. Como os alunos não são muitos, as duas professoras titulares desejam que eu faça uma sessão com todos. Tenho a intuição de que a atividade desenvolverá no Micael competências de integração em equipa e lhe dará confiança e autoestima. Para isso, realizamos algumas dinâmicas que serão postas em prática com o grande grupo.

Voltamos à brincadeira cantada do “Passarinho”. O jogo vai-se tornando mais difícil com distâncias maiores, mas isso é um estímulo à coordenação motora da criança, à sua autonomia e capacidade de cantar mais forte. Além dos jogos já realizados que repetimos para avivar a memória e desenvolver técnicas, fazemos um jogo em que ele próprio liga e para o cronómetro, passando uma pequena bola que nos permite somar de dois em dois, sem deixar a bola cair ao chão, até 20, primeiro em 16 segundos até chegarmos aos 10 segundos, após alguma prática.

António José Ferreira

Bombos reciclados
Bombos reciclados

Comunicação gestual e inclusão

Palavra, gesto, rima: junte ritmo, melodia e improvisação

Clique AQUI para adquirir recursos Meloteca.

A comunicação gestual aumenta a capacidade de atenção, integração, simpatia e compreensão mútua. Neste contexto, a comunicação gestual inspirada no método aumentativo ou alternativo de comunicação Makaton pretende ser uma estratégia de inclusão na turma no Jardim de Infância e 1º Ciclo, especialmente em crianças com necessidades educativas especiais.

O método Makaton pode contribuir para aumentar as possibilidades de comunicação de crianças com dificuldades expressivas. Em contexto de terapia da fala, os gestos visam fomentar a expressividade e, para as crianças em geral, a utilização dos gestos pode ser muito interessante no âmbito das AEC, potenciando jogos de vários tipos e criação/recriação de estórias. Esta página é dedicada às crianças com atraso ou deficiência auditiva e psicomotora, passageira ou permanente. Quando é possível, um movimento repetido conforme o número de sílabas ajuda à oralidade, ao ritmo e à distinção das sílabas.

Tendencialmente, as ações fazem-se duas vezes e os objectos uma vez.

A pé:
O indicador e o médio movem-se como se fossem pernas.

Vou a pé, vais a pé,
vamos ambos ao café.

António José Ferreira

Adeus:
Com a palma para fora, a mão roda um pouco para baixo e para cima.

Digo estas palavras
quando está na hora.
Adeus, até logo,
tenho de ir embora.

António José Ferreira

Água:
O polegar e o mínimo abertos dirigindo-se à boca.

A água dá para beber
e bons pratos cozinhar.
Diz-se que a do rio é doce,
e é salgada a do mar.

António José Ferreira

Aranha:
Os dedos de ambas as mãos abrem-se e e fecham-se três vezes, avançando.

Anha é uma aranha
e dizem que é muito feia.
Mas ela não se importa
e lá vai tecendo a teia.

António José Ferreira

Autocarro:
Com ambas as mãos a um volante grande imaginário, roda-se à direita e à esquerda. Como o camião.

[ Como objeto brinquedo a criança usa uma tampa circular que faz de volante. ]

Se queres ser motorista
tens de fazer atenção.
Quando o tempo está de chuva
guia com mais precaução.

António José Ferreira

Árvore:
A palma da mão esquerda está por baixo do cotovelo direito. O antebraço direito está na vertical e a mão, aberta, roda um pouco.

Esta árvore que planto
boa sombra te vai dar,
lindas flores para ver,
frutos p’ra saborear.

António José Ferreira

Avião:
O polegar e mínimo imitam o voo de um avião de fora para a frente do próprio.

Eu já tenho dois bilhetes
para irmos de avião
ver as lindas cerejeiras
que florescem no Japão.

António José Ferreira

Balão:
As mãos abertas partem da boca e desenham a figura oval do balão.

O balão
do João
sobe, sobe pelo ar.
‘Stá feliz,
o petiz
a cantarolar.

Tradicional

Banana:
Com os dedos da mão esquerda, unidos, a mão direita move-se para fora, como se afastasse a casca da banana.

Eu vou comer, comer, comer,
eu vou comer banana.

Tradicional

Barco:
As mãos, unidas na ponta dos dedos, imitam a quilha de barco e avançam como se estivessem a cortar as ondas.

Um barquinho ligeiro andava,
ligeirinho andava no mar.

Tradicional

Bebé:
Mão direita por baixo do braço esquerdo junto ao cotovelo, movendo-se (como se embalasse).

Bicicleta:
Os punhos fechados descrevendo círculos para a frente, à maneira dos pedais de bicicleta.

Beber:
Os dedos curvos, na posição de agarrar um copo, dirigem-se à boca.

Bebe água natural
que faz bem à digestão.
Ela ajuda a emagrecer,
faz bem à criculação.

António José Ferreira

Bem:
O polegar para cima e os outros dedos fechados em frente do peito.

Bola:
As mãos abertas, com as palmas para baixo e os dedos ligeiramente curvos, descrevem um círculo, de cima para baixo.

A bola passa passa
e vai de mão em mão.
Cuidado para a bola
não te cair ao chão.

António José Ferreira

Bolacha:
A mão direita faz gesto de agarrar com polegar e indicador, mas junto à face direita, na perpendicular.

Fui à caixa das bolachas,
uma só bolacha havia:
A bolacha era dourada
e chamava-se Maria.

António José Ferreira

Bolo:
Com os dedos da mão esquerda arqueados para cima, a mão direita coloca-se por cima com os dedos arqueados, para baixo, como se o próprio colocasse um pequeno bolo num prato.

É hora de cantar,
e os anos festejar.
Ao nosso amigo [ Carlos ],
um bolo vamos dar.

António José Ferreira

Boneca:
Os braços encontram-se na posição de embalar, com o cotovelo esquerdo mais acima que o direito.

Borboleta:
As mãos abertas unidas pelos polegares com as palmas voltadas para o próprio e os dedos a mexer.

Lá vem ela para aqui,
lá vai ela para ali.
Voa leve a borboleta
parte branca, parte preta.

António José Ferreira

Cadeira:
Com as mãos em punho, voltadas para o próprio, movem-se ligeiramente os antebraços na vertical de cima para baixo.

Caixa:
As mãos abertas estabelecem duas linhas paralelas (dois lados da caixa) e depois outras duas (os outros dois lados); primeiro com as palmas voltas uma para a outra, depois uma com palma voltada para as costas da outra.

Fui à caixa das bolachas
sem a minha mãe saber.
E da caixa tirei uma
e mais uma p’ra comer.

António José Ferreira, adapt.

Cama:
Unem-se as palmas das mãos e colocam-se junto à face direita.

Camião:
Com ambas as mãos a um volante grande imaginário, roda-se à direita e à esquerda. Como o autocarro.

Sabes, eu comprei um camião.
Vem comigo a Monção,
no camião,
a Monção.

António José Ferreira

Cão:
Coloca-se a mão direita com dedos arqueados entre o queixo e o lábio inferior.

O avô comprou um cão
e Badocha é seu nome.
Gosta pouco da ração.
Dou-lhe carne e ele come.

António José Ferreira

Carro:
Faz-se o gesto de rodar um volante imaginário, à direita e esquerda.

Eu já sei guiar o carro
e vou com velocidade!
Viro à esquerda e à direita
até chegar à cidade.

António José Ferreira

Casa:
Mãos e braços fazem um triângulo (como o telhado de uma casa).

– Minha casa tem terraço.
minha casa tem jardim.
– Minha tem espaço
para ti e para mim.

António José Ferreira

Cavalo:
Passa-se o indicador e o médio na testa, na horizontal, por cima da sobrancelha direita, da esquerda para a direita.

Era uma vez um cavalo
que andava num lindo carrossel.
Tinha as orelhas espetadas
e a cabeça era feita de papel.

Tradicional

Cinco:
Mostra-se os dedos da mão com a palma para forma.

Coelho:
O indicador e médio em frente da testa mexem-se para o lado de fora, enquanto os outros dedos da mão estão fechados.

– Coelhinho da monte,
que tens para me dar?
– Tenho muito carinho
e ternura p’ra dar!

António José Ferreira

Comer:
Os dedos da mão direita, unidos nas pontas, vão à boca duas vezes.

Vou comer a sopa toda
e o peixe vou comer.
Não quero refrigerante:
água é o que vou beber.

António José Ferreira

Comida:
Os dedos da mão direita, unidos nas pontas dos dedos, vão à boca uma vez.

Cuida sempre que a comida
faça bem à tua vida.

António José Ferreira

Comboio:
Puxa-se a sineta imaginária de um comboio antigo.

Tchu, tchu, apita o comboio,
tchu tchu, lá vem a apitar.
Tchu tchu, tem muito cuidado,
Passa depois dele passar.

António José Ferreira

Copo:
Os dedos curvos movimentam-se como se agarrassem um copo e o colocassem em cima da mesa.

Copo, copo, passa o copo.
Passa o copo por favor.
Se não passas bem o copo
é que não me tens amor.

António José Ferreira

Dá-me:
Com a mão direita aberta e palma para cima, a pessoa mexe os dedos para si mesmo.

Dá-me, dá-me uma bola.
para eu jogar na escola.

António José Ferreira

Dois:
Indicador e médio levantados, os outros recolhidos.

Dormir:
As mãos estão unidas pelas palmas, junto à face direita.

Elefante:
A mão direita fechada levanta-se e abre-se em frente da boca.

Havia um elefante
que andava numa savana sem fim.
Pequeno elefante,
tinha uma tromba assim!

António José Ferreira

Escova de dentes:
O indicador na horizontal passa para cima e para baixo, como escova, em frente da boca.

Fantasma:
Ambas as mãos por cima da cabeça e um pouco à frente, com os dedos abertos.

Flor:
A mão direita tem os dedos unidos nas pontas, abrindo-se em frente do nariz.

Fui colher a flor mais linda
que havia no jardim:
a rosa que tu adoras,
rosa és tu para mim.

António José Ferreira

Galinha:
Com a mão direita aberta na vertical em frente da cara, representa-se a crista, e fecha-se a mão, imitando uma bicada, na palma da mão esquerda.

Gato:
A mão direita fecha-se e abre-se como se estivesse a arranhar a mão esquerda, que está em punho.

Gelado:
A mão direita em punho passando em frente da boca e rodando ligeiramente.

Iogurte:
A mão esquerda agarra um iogurte imaginário e o indicador e médio dirigem-se para a boca.

Janela:
Mão direita sobre o braço esquerdo, como se estivesse ao parapeito de uma janela.

Leite:
Com a mão direita aberta com polegar junto à têmpora direita, o mínimo, o anelar e o médio fecham-se.

Lavantar:
Ambas as mãos abertas sobem.

Limão:
Com a mão esquerda em punho, a direita a roda como se espremesse um limão.

Livro:
As mãos unidas, palma contra palma, abrem-se e ficam com as palmas para cima, unidas nos dedos mínimos.

Maçã:
Com com os dedos da mão direita unidos, como comer, mas desde a parte inferior do queixo para fora.

Macaco:
A pessoa coça-se com ambas as mãos, em concha, fechando perto dos sovacos.

O macaco imita;
imita o gibão.
Todos começamos
pela imitação.

António José Ferreira

Menina:
Lembramos a menina com o polegar e o indicador agarrando a orelha direita no lugar do brinco.

Mesa:
Unidas pelos polegares, com a palma para baixo, as mãos afastam-e-se na horizontal.

Morango:
A mão esquerda está em punho e a mão direita com os dedos unidos nas pontas realça as pintas dos morangos.

Mota:
Um pulso roda, como se estivesse a dar gás.

Obrigado:
Leva-se a mão aberta ao queixo e desloca-se um pouco para a frente.

A palavra é simples,
fácil de dizer.
Digo “obrigado”
para agradecer.

António José Ferreira

Olá:
Move-se a mão com a palma voltada para a outra pessoa.

Olá, amigos,
olá, como estão?
Tenho um sorriso
na palma da mão.

Olá, Makaton
Olá, Makaton

Ovelha:
Com a mão direita em gancho, descreve-se círculos à volta da orelha, de trás para a frente.

Berra a ovelha, berra, berra.
Não o faz por estar zangada.
É assim que a ovelha fala,
esteja calma ou irritada.

António José Ferreira

Pão:
A mão direita aberta vai ao encontro da mão esquerda, que está aberta com a palma voltada para cima, entre o polegar e o médio.

Pássaro:
Com a mão em bico de pássaro, polegar e indicador ao lado da boca, imita-se um bico a abrir e fechar.

Tem coragem, passarinho,
salta agora do teu ninho.
Tem cuidado com o gatinho,
que ele pode ser mauzinho.

António José Ferreira

Pato:
Com a mão em forma de pato – os dedos da mão direita alinhados – faz-se o gesto de abrir e fechar.

Pata aqui, pata acolá,
vai o pato a caminhar.
Se é livre, também voa,
se tem água, vai nadar.

António José Ferreira

Peixe:
A mão direita está em cima da esquerda, ambas com palma para baixo. Os polegares mexem-se, como barbatanas.

Pente:
Com os dedos curvos e unidos, para baixo, a mão direita mexe-se como se fosse um pente.

Pera:
Com o indicador e o médio abertos na horizontal, da face direita para a frente.

Por favor:
A mão direita aproxima-se da boca e desce.

Digo “por favor”
se estou a pedir.
Quando alguém me pede,
gosto de as ouvir.

António José Ferreira

Porco:
Cinco dedos da mão direita, curtos e separados uns dos outros, rodam em frente da boca e do nariz.

Porta:
Mãos abertas levantadas com palma para fora, a direita abre para o próprio ficando com o polegar à direita.

Trus trus!
– Quem é?
É um amigo
da Guiné.

António José Ferreira

Quatro:
Os dedos da mão, exceto o polegar, recolhido.

Sopa:
Com a mão esquerda em concha, representado o prato, a direita, côncava, vai à boca como se fosse uma colher.

Sopa. Vou fazer sopa,
Sopa de couve ou agrião.
Sopa. Ralo a batata.
Sal só um pouco. Ponho feijão.

António José Ferreira

Tartaruga:
A mão direita, fechada, desliza por baixo da mão esquerda, em concha, como a cabeça a sair da carapaça.

Devagar, vai devagar.
Não precisas de apressar.
Tu tens tempo para chegar.

António José Ferreira

Telefone:
Com polegar em cima e o mínimo em baixo, abertos, e outros dedos fechados, entre o ouvido e a boca.

Touro:
Coloca-se a mão direita com o polegar, o indicador e o mínimo abertos, em frente da testa.

Três:
Os três dedos centrais, os outros dois recolhidos.

Tu:
Aponta-se com o indicador.

Tu, Makaton
Tu, Makaton

Urso:
As mãos, unidas na ponta dos dedos, na cabeça, dirigem-se duas vezes à cabeça.

Ai que medo,
ai que susto.
Há um urso
atrás do arbusto.

António José Ferreira

Um:
Indicador levandado, os outros dedos recolhidos.

Uvas:
A mão esquerda tem o polegar, indicador e médio unidos; a mão direita do mesmo modo indo à boca como se levasse bagos de uva.

Vaca:
O polegar e mínimo estão abertos em frente da testa, como cornos, e afastam-se para o lado direito.

Orientação da Dra. Alexandrina Martins, terapeuta da fala

Makaton é um tipo de signos gestuais que provém da linguagem gestual australiana (AUSLAN). Os sinais utilizados são conceitos/ideias selecionados de acordo com o que é mais apropriado para as necessidades da criança com défices de comunicação. O Makaton usa um discurso gramatical normal com sinais de palavras-chave e usa também figuras e expressões faciais. Utilizar o Makaton com crianças com autismo pode ajudá-las na comunicação. O Makaton proporciona pistas visuais, que a criança pode aprender a associar às instruções. Isto é essencial nas crianças com autismo, pois estas possuem boas capacidades de memória visual. É importante que a família, professores e amigos aprendam a utilizar o Makaton, pois as crianças aprendem através de modelagem e experiência em diferentes contextos.

Stephen von Tetzchner, Harald Martinsen
Jovem tocando tambor

Onomatopeias e necessidades educativas especiais.

Clique AQUI para adquirir recursos Meloteca.

A utilização de onomatopeias pode ter particular interesse em crianças com deficiência que não falam. Tendo a certeza de que a criança ouve, há toda a vantagem em proporcionar-lhe sons e palavras simples e funcionais que lhe dêem prazer, estimulem a curiosidade e que eventualmente possa vir a usar para pedir coisas e exprimir-se melhor. Acompanhadas com gestos, as onomatopeias melhoram a atenção.

Oiça a melodia em MIDI.

Pipi!

Sabes, eu comprei um carro novo.
Vem comigo passear,
vem ver o mar,
e lanchar.

Popó!

A onomatopeia – palavra grega que chegou ao Português por via do Latim (onomatopoeia) – é um fenómeno linguístico e uma figura de retórica. Resulta da semelhança, através da imitação ou reprodução, entre o som de uma palavra e a realidade representada (sons da natureza, de animais, de ações humanas). A onomatopeia não é reprodução exata mas uma aproximação.

As onomatopeias podem ser puras, quando consistem na imitação fonética, tanto quanto possível exacta, dos sons que representam, por exemplo: trrrrrim (campainha).

Estas classificam-se como onomatopeias não vocabulizadas, (não lexicalizadas) pois não constituem vocábulos da língua, apenas imitam os sons que representam, muitas vezes apenas com consoantes apostas, facilmente pronunciadas como imitação, mas dificilmente representadas ortograficamente, como é o caso de pfffff, existindo também as onomatopeias vocabulizadas (onomatopeias lexicalizadas) que são vocábulos como outros quaisquer, que seguem as regras de construção ortográficas e possuem uma classificação sintáctica e morfológica, idêntica às restantes palavras, como é o caso de piar, miar, às quais correspondem onomatopeias puras (piu miau, respectivamente). Quase todas as onomatopeias são passíveis de lexicalização, bastando para tal antepor-se um determinante artigo, como por exemplo: um tic-tac / o tic-tac.

Lurdes Aguiar Trilho

A partir deste fenómeno, surgiram alguns vocábulos com uma configuração onomatopaica, que são aqueles que têm o poder de sugerir uma imagem mais ou menos aproximada do facto que exprimem, a partir da existência de certos fonemas, cuja natureza faz lembrar o facto designado. É este onomatopeísmo que dá expressividade às palavras que designam fenómenos sonoros (clique, crepitar, estalido, estrondo, matraquear, murmúrio, sussurro, tilintar), às que designam vozes de animais (cacarejar, coaxar, grunhir, miar, piar, uivar, zurrar), ou actos sonoros produzidos pelas cordas vocais e afins (assobiar, cochichar, fungar, roncar, tossir). 

A construção onomatopaica tem grande importância estilística e poética, pois nela se concentram a melodia, a harmonia e o ritmo da frase. Daí que a poesia seja particularmente sensível a este recurso bastante sugestivo, que a aproxima da música. No uso da onomatopeia como artifício estilístico, o efeito baseia-se não tanto nas palavras individuais como na combinação de valores sonoros que podem ser reforçados pela aliteração, ritmo e rima.”

Do ponto de vista semântico, há que distinguir a onomatopeia primária que consiste na imitação do som pelo som e a onomatopeia secundária que evoca não uma experiência acústica, mas um movimento.

Visto que a onomatopeia exige uma afinidade entre o nome e o sentido, seria de esperar que tais vocábulos fossem semelhantes nas diferentes línguas. Contudo, há que concordar que cada língua convencionou a onomatopeia de uma maneira própria e que até formações nitidamente onomatopaicas têm poucas semelhanças nos diferentes idiomas quando se traduzem graficamente. Por exemplo, o ladrar do cão é reproduzido em inglês como bow-wow. (…)

Interessa-nos especialmente saber, no caso das crianças com atraso passageiro ou permanente na fala, que uma das características da onomatopeia é acudir “à falta ou ao desconhecimento de determinados termos abstractos, como sucede, por exemplo, com certos termos da linguística infantil (popópipi, mémé)”. Para certas crianças com deficiência, as vocalizações e onomatopeias são uma das formas de se exprimir e comunicar.

Por outro lado, a onomatopeia “é um complemento expressivo para transmitir o som ou o movimento contido na frase, tornando-a mais viva, mais comunicativa. Daí que a autora apresente a seguinte definição para onomatopeia: «palavra motivada que se mantém em relação com a realidade que exprime – ou por imitação de um som, ou por sugestão de um movimento, ou ainda por simultaneidade dos dois.» (Maria Teresa Rita Lopes).

A onomatopeia permite jogar com a música, o ritmo, a poesia.

Fonte: Lurdes Aguiar Trilho

Jovem tocando tambor
Jovem tocando tambor
Criança saltando

Clique AQUI para adquirir recursos Meloteca.

1. Noções espaciais e salto

O adulto diz um dueto e a criança repete e faz a ação referida pelo texto.

Dou um salto para a frente,
Que eu já sou competente.

Dou um salto para o lado.
Isto tu já tenho treinado.

Dou um salto para o outro,
Que ainda saltei pouco.

Dou um salto à direita:
P’ra crescer é uma receita.

Dou um salto à canguru,
e a seguir vais saltar tu.

Oiça a melodia em MIDI.

O adulto pode improvisar com canto ou recitar como em teatro musical, com acompanhamento de um tambor. Pode repetir cada dueto de modo que a criança preveja o que irá ser pedido.

Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, esta atividade desenvolve competências nas áreas do Português e da Matemática.

2. Imitar animais que saltam

Salto eu e saltas tu
Como salta o canguru. (2 v.)

Salta agora ao pé coxinho,
Mais e mais um bocadinho. (2 v.)

Salto eu e saltas tu,
Como salta o cavalo. (2 v.)

Há um troféu para o primeiro.
Quem será que vai ganhá-lo. (2 v.)

Oiça a melodia em MIDI.

A criança está numa linha de partida. Quando o adulto bate uma palma e jogador salta o mais longe possível em direção à linha de chegada. Verifica-se o tempo que demorou com cronómetro. A criança aprende também a cronometrar.

Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, esta atividade desenvolve competências na área do Português.

3. A canguru e o filhote

O que tens, ó canguru,
nessa bolsa tão fofinha?
Eu vou levar o meu filho
Que já anda na escolinha.

Diz-me lá, ó canguru:
Vais de carro ou a pé?
Eu cá vou a dar saltinhos
E a brincar com o bebé.

Oiça a melodia em MIDI.

O adulto diz dois versos de cada vez, em andamento moderado, e a crianças repete. Diz uma quadra toda e a criança repete. A criança diz a quadra, com acompanhamento rítmico pelo adulto.

4. Quantos?

No início, o adulto pergunta e a criança responde. Depois invertem-se os papeis.

– Quantos anos viverei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

– Quantos filhos eu terei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

– Quantos cursos eu farei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

– Quantas línguas falarei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

– Quantos carros comprarei?
– Nem tu sabes nem eu sei!

– Quantos jogos ganharei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

– Que instrumentos tocarei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

1, 2, 3, 4, 5…

Oiça a melodia em MIDI.

Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, esta atividade desenvolve competências nas áreas do Português e da Matemática.

António José Ferreira

Concebidos para a família com os seus recursos, pensados para crianças com ou sem necessidades educativas especiais, os “Jogos musicais em casa” podem ser realizados também na escola por técnicos e professores de “Música Adaptada” e “Oficina dos Sons” e “Oficina dos Sons Adaptada”.

António José Ferreira
Criança saltando
Criança saltando
Rolhas de cortiça, para jogos musicais de somar

Os “jogos musicais em casa” foram concebidos para recursos e competências acessíveis às famílias de língua portuguesa. Podem ser feitos com adaptações e diferentes recursos na escola por professores de Música, Oficina dos Sons e Atividades Lúdico-Educativas.

António José Ferreira

Clique AQUI para adquirir recursos Meloteca.

1. O potencial educativo dos jogos

Os jogos têm um potencial de inclusão e desenvolvimento que não deve ser menosprezado e as crianças com NEE podem beneficiar especialmente das suas vantagens. O jogo seguinte desenvolve competências nas áreas do Português e da Matemática.

2. As parcelas e a soma

Há crianças com muitas dificuldades em fazer somas, mesmo que sejam simples. Em cima de uma mesa, o adulto coloca uma taça e, ao lado, um recipiente com feijões. Vai representando as somas com feijões. A criança vai dizendo a soma correta. Pode também representar as parcelas e a soma com os dedos. Numa primeira fase, a criança observa os dedos do adulto; posteriormente deve dizer a rima sem precisar de ajuda.

Zero mais zero, zero,
Nem tu queres nem eu quero.

Um mais zero, um,
Quero bifes de atum.

Um mais um, dois,
Quero ir lanchar depois.

Dois mais um, três,
Quero carne do Chinês.

Três mais um, quatro,
Quero é fazer teatro.

Quatro mais um, cinco,
Quero ir comprar um brinco.

Cinco mais um, seis,
Quero um jantar de reis.

Seis mais um, sete,
Quero carne e esparguete.

Sete mais um, oito,
Quero que me dês biscoito.

Oito mais um, nove,
Quero um caldo de couve.

Nove mais um, dez,
Quero um bolo português.

O adulto (e a criança) podem dizer como se estivessem a cantar em teatro musical, ou cantar numa nota só; ou cantar do 1 ao 8, em dó na primeira rima, ré na segunda, e assim sucessivamente.

Rolhas de cortiça, para jogos musicais de somar
Rolhas de cortiça, para jogos musicais de somar

3. Os meses do ano

Criança e adulto dizem a seguinte lengalenga:

A vaca leiteira
Disse ao leiteiro:
– Paga-me a renda
de janeiro.

Depois associam o mês do ano ao respetivo número:

Janeiro, 1
fevereiro, 2;
março, 3;
abril, 4;
maio, 5;
junho, 6;
julho, 7;
agosto, 8;
setembro, 9;
outubro, 10;
novembro, 11;
dezembro, 12.

Em seguida, a criança salta, com corda, ou sem corda (enquanto o adulto diz os meses). Depois, diz saltando e memoriza o máximo de saltos que conseguiu. Se ultrapassar os 12, o seu máximo passará a ser 1 ano e 1 mês, e assim sucessivamente.

Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, a atividade desenvolve a memória, os conhecimentos de Estudo do Meio e de Matemática.

[ António José Ferreira, jogos testados com criança portadora de NEE ]

Estas brincadeiras cantadas e saltadas contribuem ainda “para que os alunos desenvolvam competências relativas à performance/execução musical, ou seja, cantar, tocar, movimentar, bem como as relativas a formas de comunicar/partilhar publicamente as performances e/ou criações.”

(Direção Geral da Educação, Aprendizagens Essenciais, Música, 1º Ciclo)

Copos reciclados para jogos em casa

Copos com ritmo

Jogos musicais de copos são muito fáceis de fazer em casa e são muito benéficos para o seu filho com necessidades educativas especiais, com dificuldades de aprendizagem ou com atraso. (Obviamente os jogos de copos podem ser realizados com crianças que não tenham qualquer necessidade especial, ou entre adultos). Crie o seu conjunto de pequenos objetos reutilizados, como uma ou duas tampas de amaciador.

Exercício prévio

O adulto e a criança colocam-se à mesa, um de frente para o outro. O adulto dirá “Eu passo, tu passas”, para ajudar a passar o copo sem perder a pulsação. Em “eu”, o adulto agarra o copo; em “passo”, coloca o copo em frente da criança; em “tu” é a criança que agarra; em “passas”, coloca o copo em frente do adulto. Primeiro fazem com a mão direita; depois com a mão esquerda. Depois, dizem a lengalenga passando o copo.

Unidades, dezenas, centenas, milhares

O adulto agarra e diz “um” quando bate o copo em frente da criança, e ela fará o mesmo, até 10. Em seguida, faça o mesmo com dezenas (10, 20, até 100); e centenas (100, duzentos, até 1000).

Lengalenga criativa

Copo copo jericopo,
jericopo copo cá.
Quem lavar melhor o copo
sumo fresco beberá.

[ António José Ferreira, testado em criança com necessidades educativas especiais ]

Concebidos para a família com os recursos, “Jogos musicais em casa” podem ser realizados na escola por técnicos e professores de “Música Adaptada” e “Oficina dos Sons Adaptada”.

António José Ferreira
Copos reciclados para jogos em casa
Copos reciclados para jogos rítmicos em casa
Diospiro

1. Importância do jogo

Tal como acontece em animais selvagens ou domésticos, a brincadeira e o jogo na infância humana contribuem para o desenvolvimento psicomotor das crianças. No caso de crianças com necessidades educativas especiais, a família tem um papel importantíssimo, criando condições para que a criança supere dificuldades e adquira competências de forma lúdica. Este jogo envolve alimentação saudável, Estudo do Meio e Língua Portuguesa, Música e Expressão Dramática.

2. Fruta faz bem

Adulto e criança descascam uma laranja e uma maçã, e cortam-nas para fazer salada de fruta. Põem numa taça. O adulto diz à criança a parte que lhe compete:

Apetece-me salada
Com a fruta que houver:

Com laranja, com maçã,
Com banana, com romã,
Com ameixa, com melão,
Com papaia, com mamão.

O adulto responderá:

– Nem papaia nem mamão,
Nem ameixa nem melão,
Nem banana nem romã,
só laranja e maçã!

Depois de aprenderem as quadras, improvisam melodicamente como se estivessem a cantar teatro musical.

3. Caminhar é saudável

Saudável é também caminhar, onde for possível e seguro. Treinam as seguintes falas:

– Quero convidar-te! – diz o adulto à criança.
– Convidar para quê? – responde.
– Para ir ao parque.
– Em que dia é?

– Dia 30! (ou outro) – diz o adulto.

A criança conta quantos dias faltam, desde o dia em que está:
– 25, 26, 27, 28, 29, 30.
Depois, diz acompanhando cada dia com um salto.

[ António José Ferreira, testado em criança com NEE ]

Clique AQUI para adquirir recursos Meloteca.

Diospiro
Diospiro, fruto do outono
Moeda, jogos em família

Da importância do jogo

Este é um jogo a fazer em família, com dinheiro verdadeiro, para a criança desenvolver a autonomia e as competências matemáticas. Trabalha conteúdos escolares nas áreas da Matemática, do Estudo do Meio, do Português e da Música.

Clique AQUI para adquirir recursos Meloteca.

I. O barqueiro

Antes da jogada, o adulto entrega uma pequena soma de dinheiro à criança, conforme a sua competência e desenvolvimento, dando as explicações que sejam necessárias. Em seguida, o adulto faz de barqueiro e a criança de cliente. E fazem o diálogo:

– Ao chegar ao barco,
Disse-me o barqueiro. – diz a criança.
– São 5 euros.
Dê-me o dinheiro. – responde o adulto.
– Tome 1, mais 1 são 2,
mais 1 são 3, mais 1 são 4,
mais 1 são 5.
Tome lá o seu dinheiro.

Em seguida, o adulto dá duas moedas de dois euros e uma moeda de um euro, adaptando o diálogo. A criança deve somar corretamente as parcelas.

Em seguida, fazem o diálogo, como se estivessem a fazer um teatro musical.

António José Ferreira, jogo testado em criança com NEE.

“A voz e o corpo da criança, bem como os objetos do seu quotidiano, são os recursos privilegiados para o desenvolvimento musical neste ciclo de ensino. As atividades musicais deverão ser exploradas a partir dos elementos musicais de melodia, harmonia, ritmo, pulsação, divisão, métrica, dinâmica, textura, forma e timbre.”

Direção Geral da Educação, Aprendizagens Essenciais, Música, 1º Ciclo
Moeda, jogos em família
Moeda, jogos de música e matemática em família
Representação de ritmo com feijões em casa

Em casa, mesmo sem instrumentos convencionais, é possível fazer jogos pedagógicos e experiências recorrendo a objetos que não são normalmente associados à música. Este jogo rítmico de representação e leitura de sons desenvolve conteúdos de Música, Matemática e Português. Esta atividade tem potencial de inclusão, podendo desenvolver competências em crianças com NEE sem deixar de ser interessante para as outras.

Em casa ou na escola, a falta de recursos musicais pode tornar-se um desafio e dar asas à criatividade.

António José Ferreira

Materiais necessários

4 taças, 8 feijões

Instruções

Nível 1, sem professor

1. Com a assistência de um adulto (pai, mãe, avô, avó, irmão mais velho), a criança colocará sobre a mesa 4 taças, lado a lado: 2+2, tendo o cuidado de separar visualmente os grupos de taças. Dentro de cada taça, a criança coloca um feijão.

2. A criança vai imaginar que cada taça representa uma pulsação, ou tempo. Representa as pulsações com palmas dizendo: “Sim, não, sim, não!”.

3. A criança põe dois feijões em cada taça. Divide-se a pulsação, pelo que cada feijão vai representar sons mais curtos (metade do tempo ou pulsação). Diz “Come carne, come peixe!” e marca o ritmo com palmas.

4. Deixa só um feijão na quarta taça. Conta 1,2; 3,4; 5,6; 7. Depois, diz:
Cuida da alimentação,
come sopa com feijão!”

Nível 2, com professor

Na escola, no 1º Ciclo do Ensino Básico, o professor aplica as noções de compasso, compasso binário, compasso simples, pulsação, pausa, tempo forte, tempo fraco, melodia, ritmo, padrão, ostinato, altura, nota, andamento, intensidade.

Concebidos para a família com os seus recursos, “Jogos musicais em casa” podem ser realizados também na escola por técnicos e professores de “Música Adaptada” e “Oficina dos Sons Adaptada”.

António José Ferreira
Representação de ritmo com feijões em casa
Feijões e representação do ritmo
Rolhas e ritmo

As dificuldades das famílias

A pandemia veio acentuar os problemas das crianças com necessidades educativas especiais e suas famílias. Muitas vezes os pais já têm pouco tempo, recursos, disponibilidade e conhecimentos para apoiar as crianças de forma divertida e criativa. Mas em casa é fácil fazer diversos jogos pedagógicos e experiências.

A falta de instrumentos musicais em casa pode tornar-se um desafio e dar asas à criatividade dos adultos, pais, avós, professores e educadores. É o caso deste jogo rítmico de representação e leitura de sons que desenvolve conteúdos de Música, Matemática e Português. Esta atividade tem potencial de inclusão, podendo desenvolver competências em crianças com NEE sem deixar de ser interessante para as outras.

Em casa ou na escola, a falta de recursos musicais pode tornar-se um desafio e dar asas à criatividade.

António José Ferreira

Materiais necessários

8 taças, 8 rolhas

Instruções

Nível 1, sem professor

1. Com a assistência de um adulto (pai, mãe, avô, avó, irmão mais velho), a criança colocará sobre a mesa 8 taças, lado a lado: 4+4, tendo o cuidado de separar visualmente os grupos de taças. Dentro de cada taça, a criança coloca uma rolha.

2. A criança vai imaginar que cada rolha representa uma palma e percute alternando com o adulto.

3. A criança retira as rolhas em posição par (par, ímpar; noção de menos); e imagina que palmas terá de bater. Os copos vazios continuam a ter o seu lugar, que é de silêncio. Nesses casos, a criança vai fazer de conta que bate (ou leva o indicador aos lábios).

4. A criança coloca rolhas em todos os copos (somas, noção de mais). Retira as rolhas que estão em posição ímpar, e percute como no passo anterior.

5. Em vez de executarem com palmas, dizem o som “r” (de rolha).

5. Dizem o trava-línguas:
O rato roeu
o robe do Romeu,
um robe bem rico
que a Rita lhe deu.

Nível 2, com professor

Na escola, no 1º Ciclo do Ensino Básico, o professor aplica as noções de compasso, compasso quaternário, compasso simples, pulsação, pausa, tempo forte, tempo fraco, melodia, ritmo, padrão, ostinato, altura, nota, andamento, intensidade.

Concebidos para a família com os seus recursos, “Jogos musicais em casa” podem ser realizados também na escola por técnicos e professores de “Música Adaptada” e “Oficina dos Sons Adaptada”.

António José Ferreira

Clique AQUI para adquirir recursos Meloteca.

Rolhas e ritmo
Rolhas de cortiça para representação de ritmo em casa