Artigos musicais sobre práticas e aspetos pedagógicos do Ensino da Música, da Expressão Musical, de Atividades de Enriquecimento Curricular, de Música Adaptada e Oficina dos Sons Adaptada a crianças com necessidades educativas especiais.

Coalas

Criadas para apoio musical à aprendizagem das Ciências da Natureza no 5º Ano de Escolaridade, várias destas adivinhas servem também para aplicar conhecimentos de Estudo do Meio no 3º e 4º anos.

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? Move-se com muita calma
com a forte carapaça.
Ela encolhe a cabeça
e então ninguém a caça.

(tartaruga)

? O que come o guarda-rios
com sua linda plumagem,
a voar junto ao ribeiro,
sobre o rio ou na margem?

(peixe)

? Sou mamífero e salto
c’os membros posteriores
que são longos e mais fortes
do que os anteriores.

(canguru)

? Pode andar pelo deserto,
passar dias sem beber.
Tem na bossa a gordura
com que há-de sobreviver.

(dromedário)

? Com o meu pé musculoso
eu procuro alimento.
E que importa que me digam
que o meu andar é lento?

(caracol)

? Tem espinhos entre os pelos
para sua proteção
quando se vê atacado
p’lo texugo ou pelo cão.

(ouriço-cacheiro)

? É cilíndrica, alongada,
move-se rapidamente.
Lança a lingua venenosa
e assusta toda a gente.

(serpente)

? Nela vivem o coelho,
a raposa e o leirão,
o chapim, o pica-pau,
o esquilo e o verdilhão.

(floresta)

? Nele vive o pimpão
e a enguia europeia,
a rã-verde e o sável,
o girino e a lampreia.

(rio)

? A ovelha come erva,
o panda come bambu,
a serpente come ratos;
o que come o canguru?

(plantas)

? Barifusas ou fradelhos,
girabelas, centieiros…
Há ainda quem lhes chame
pucarinhos ou choteiros…
(cogumelos comestiveis)

? O do bambu é de colmo,
espique é o da palmeira;
rizoma é o do lírio,
tubérculo, o da batateira.

(caule)

? Da planta do milho diz-se
que a tem fasciculada.
A do nabo, essa é
tuberosa aprumada.

(raiz)

? Com morcegos no meu campo
se controlam as doenças.
Diz-me lá o que eles comem,
diz-me lá o que tu pensas.

(mosquitos)

? A girafa e a zebra,
o gorila, o chimpanzé,
a ovelha, o burro, a cabra
bebe-o enquanto bebé.

(leite)

? Sou da espécie “Canis lupus”,
tomo leite ao nascer.
Peixe e sopa não me agrada,
carne gosto de comer.

(lobo)

? O seu corpo tem cabeça
e uma massa visceral.
Pelo seu pé leva a casa
o pequeno animal.

(caracol)

? É pequeno mas assusta
aquele bichinho preto
e evita perdas de água
c’o seu exoesqueleto.

(escorpião)

? Pelo branco abundante
tem esse animal polar.
Tenho um que é de peluche
e que posso abraçar.

Urso polar, Comedy Wildlife Photography Awards

(urso polar)

? O embrião e o feto
por cordão umbilical
ligam à progenitora
este tipo de animal.

(vivíparos)

? Na praia fará um ninho
para à noite desovar
e depois da eclosão
vão os filhos para o mar.

(tartaruga-marinha)

? Em tempos quentes e secos
para não morrer ao sol,
fecha-se na sua concha
o esperto…

(caracol)

? Sem escamas e sem penas,
sua cor é camuflagem
com que engana os predadores
e se esconde na paisagem.

(rã)

? A abelha e a mosca,
a andorinha e o sardão
movem-se durante o dia.
Que hábitos têm, então?

(diurnos)

? Nesse tempo, o animal
está muito mais ativo,
o sentido visual,
auditivo e olfativo.

(período de reprodução)

? Uma cria por ninhada,
como em geral os humanos,
que em bebé mama
até cerca de dois anos.

(baleia-branca)

? Quando nascem eles são
cegos, surdos, dependentes;
só depois saem da toca
p’ra se tornarem valentes.

(lobos)

? Tanto come uma bolota
como come um ratinho
e encontra alimentos
remexendo c’o focinho.

(javali)

? Tem as penas muito pretas
e o bico amarelo.
Come frutos e minhocas
e o seu canto é muito belo.

(melro macho)

? Que regime alimentar
tem o panda, o caracol,
a ovelha e a cabra,
caia chuva ou faça sol?

(herbívoro)

? Para obter o alimento,
o que usa o falcão,
quando se encontra no alto
e há um coelho no chão?

(visão)

? Quantos dedos tem o pé
da perdiz e do pardal,
do falcão, do pica-pau,
do melro e da garça real?

(quatro)

? Que regime alimentar
tem o abutre e o tubarão,
o leão, o leopardo
e até o camaleão?

(carnívoro)

? Que regime alimentar
tem o porco e o rato,
o morcego e o corvo,
o homem e o peixe-gato?

(omnívoro)

? Tem a forma de bicone,
vive e move-se no mar.
Alimenta-se dos peixes
que consegue encontrar.

(golfinho)

? Come carne o leopardo,
a girafa é ruminante.
Roedor é o coelho…
O que come o elefante?

(plantas rasteiras)

? É frugívoro o morcego,
é granívora a perdiz.
É omnívoro o porco.
O que come a codorniz?

(grãos)

? Com penas impermeáveis
à água e também ao ar,
nado na água do rio,
marcho em terra e sei voar.

(pato-real)

? Quem se move entre as ervas
comendo com atenção
para não ser apanhado
pelas garras de um falcão?

(coelho)

? Na areia da praia marcho,
na água do mar eu nado.
Adivinha quem eu sou,
sabendo que ando de lado?

(caranguejo)

? Tenho os membros muito curtos,
dispostos lateralmente.
Repto, nado, abro a boca
e assusto toda a gente.

(crocodilo)

? Apoio as mãos e os pés
no solo, quando caminho.
Levo comigo o filhote
e dou-lhe muito carinho.

(chimpanzé)

? Ela tem um esqueleto
preparado para o salto.
Os membros posteriores
fazem com que vá mais alto.

(rela)

? Se conheces bem os peixes
diz-me o que há em comum
entre escamas de um um pargo
e escamas de um atum.

(dérmicas)

? Que é que o boi almiscarado
tem que é longa e escura
p’ra se proteger do frio
na estação que é a mais dura?

(pelagem)

? Cinco braços encarnados,
simetria radial,
no mar vive e se move
este ser original.

(estrela do mar)

? É um animal pequeno,
seus segmentos são anéis.
Não tem penas nem escamas.
Dizei qual, se o sabeis.

(minhoca)

Um plano divide o corpo
em duas partes iguais.
Diz-me qual a simetria
que há nestes animais.

(simetria bilateral)

? As que estão no corpo todo,
essas chamam-se tetrizes;
as que só estão na cauda,
essas chamam-se retrizes.

(penas)

? Poisada num alto ramo,
uma ave está sozinha
observando bem o solo
p’ra caçar uma doninha.

(falcão)

? Têm barbatana anal,
têm barbatana caudal;
têm barbatanas ventrais,
barbatanas peitorais
e barbatanas dorsais:
diz quais são os animais.

(peixes)

? São quatro as do elefante,
quatro as do canguru,
mas só duas as do grifo,
duas as do marabu.

(patas)

? Tem na derme as escamas
com caráter permanente
ao contrário das que existem
na epiderme da serpente.

(peixe)

? A corrida e o salto,
a marcha e a reptação,
para os animais no solo
modos de…

(locomoção)

? Repta a cobra, o crocodilo,
salta bem o canguru;
na água desliza peixe…
diz como te moves tu!

(marcho)

? Segregada pela epiderme
de um animal do mar,
é revestimento simples
ou, às vezes, a dobrar.

(concha)

? Palminérvea a do plátano,
peninérvea a do amieiro;
paralelinérvea a do milho,
uninérvea a do pinheiro.

(folha)

? Nele vive o espadarte,
a esponja, o tubarão,
o golfinho, a cavala,
a sardinha, o mexilhão.

(mar)

António José Ferreira

Pode cantar-se com a melodia de “As pombinhas da Cat’rina”.

Coalas
Coalas

Não queiras memorizar as adivinhas todas de uma vez. Memoriza uma e pergunta a alguém da tua família. Podes lê-las todas em forma jogo com o irmão, a irmã, os pais ou avós. Noutra altura, vão inverter-se os papeis e serás tu a dizer a solução. Além de serem bonitas, várias imagens são muito divertidas, dos Comedy Wildlife Photography Awards (Prémios de Fotografia da Vida Selvagem “Comédia”).

Urso polar:

Pelo branco abundante
tem esse animal polar.
Tenho um que é de peluche
e que posso abraçar.

Urso polar, Barry Chapman, Comedy Wildlife Photography Awards 2019

Coruja:

Quem não a conhece bem
até julga que é vadia
só porque ela sai à noite
e em casa está de dia.

Coruja buraqueira, créditos Robert Palmer, Comedy Wildlife Photography Awards 2019

Hipopótamo:

Se lhe perguntares o nome
ele gagueja um pouquinho.
É cavalo, mas do rio,
corre mais devagarinho.

Bicharada
Hipopótamo

Ouriço-cacheiro:

Tem espinhos entre os pelos
para sua proteção
quando se vê atacado
p’lo texugo ou pelo cão.

Ouriço-cacheiro

Fica igual a uma bola
quando é ameaçado.
Não tentes brincar com ele
com seu pelo eriçado.

Lobo:

Sou da espécie “Canis lupus”,
tomo leite ao nascer.
Peixe e sopa não me agrada,
carne gosto de comer.

Loba com filhotes

Javali:

Tanto come uma bolota
como come um ratinho
e encontra alimentos
remexendo c’o focinho.

Javali

Melro

Tem as penas muito pretas
e o bico amarelo.
Come frutos e minhocas
e o seu canto é muito belo.

Melro preto
Melro preto

Coelho:

Quem se move entre as ervas
comendo com atenção
para não ser apanhado
pelas garras de um falcão?

Coelho, créditos Olivier Colle, Comedy Wildlife Photography Awards

Caranguejo:

Na areia da praia marcho,
na água do mar eu nado.
Adivinha quem eu sou,
sabendo que ando de lado?

Caranguejo

Estrela do mar:

Cinco braços encarnados,
simetria radial,
no mar vive e se move
este ser original.

Estrela do mar

Serpente:

É cilíndrica, alongada,
move-se rapidamente.
Lança a língua venenosa
e assusta toda a gente.

Serpente em estado de alerta

Tartaruga:

Move-se com muita calma
com a forte carapaça.
Ela encolhe a cabeça
e então ninguém a caça.

Tartaruga de estimação

Dromedário:

Pode andar pelo deserto,
passar dias sem beber.
Tem na bossa a gordura
com que há-de sobreviver.

Dromedário

Minhoca:

É um animal pequeno,
seus segmentos são anéis.
Não tem penas nem escamas.
Dizei qual, se o sabeis.

Minhoca

Caracol:

O seu corpo tem cabeça
e uma massa visceral.
Pelo seu pé leva a casa
o pequeno animal.

Caracol

Com o meu pé musculoso
eu procuro alimento.
E que importa que me digam
que o meu andar é lento?

Falcão:

Poisada num alto ramo,
uma ave está sozinha
observando bem o solo
p’ra caçar uma doninha.

Falcão castanho

Bicho-da-conta:

Aprendeu a fazer conta
sem ter ido para a escola.
Quando se quer defender
ele torna-se uma bola.

Bicho da conta

Centopeia:

Ela não é um gigante
mesmo tendo cem pezinhos.
Imagina o que demora
a calçar os sapatinhos.

Centopeia

Toupeira:

É uma uma grande cavadora
sem ter pá, sem ter enxada
e vai trabalhar nas hortas
mesmo sem ser convidada.

Toupeira

Enigmas originais de António José Ferreira, para brincadeiras entre pais e filhos e aplicação de conhecimentos de Estudo do Meio no 1º Ciclo e Ciências Naturais no 5º Ano.

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Acenos

Ser educado e atencioso

Em contexto de pandemia e para além dela, as atividades desta página em desenvolvimento podem ser feitas em casa com crianças portadoras de NEE, mas poderão ser utilizadas também em educação pré-escolar e mesmo no 1º e 2º anos de escolaridade em AEC.

A gentileza gera gentileza, cria bom ambiente, promove o bem-estar e contribui para a saúde mental. Ela é, por isso, muito importante para a boa convivência social. Saudar, dizer “bom dia” ou “boa tarde” de forma cordial, contribui para a felicidade, incluindo as crianças com necessidades especiais.

Na escola em contexto de UAEM, as rotinas dão previsibilidade e segurança. A música pode dar uma ótima ajuda nesse sentido, começando com uma “canção do olá” e terminando com a “canção do adeus”, por exemplo.

A família desempenha um papel insubstituível na assimilação de práticas de gentileza. Nesta atividade, o adulto nomeia e saúda a criança com voz e gesto e ela responde à saudação, na medida das suas possibilidades. Em famílias com crianças NEE, o toque, a brincadeira e o humor poderão ocupar um papel muito importante.

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Saudação

Oiça em formato MIDI.

Bom dia, ó Joana,
é bom estarmos lado a lado!
Com a música, o dia
fica bem mais animado.

O adulto diz a quadra e tenta cantar com a melodia, ou dizer à maneira de poesia ritmada (RAP), com palmas, ou pés no chão, ou movendo ritmicamente a mão da criança. E improvisa ou utiliza outras rimas:

Bom dia, ó Gonçalo,
é bom ‘star à tua beira.
Hoje é dia de tocarmos
porque é segunda-feira.

Tratando-se de crianças que não falam, ou que têm um vocabulário muito reduzido, as expressões faciais do adulto, o desafio é maior. Proporcionará movimento, usará criativamente a voz, e usará contrastes e diversos andamentos. Quando a criança não bate palmas sozinha mas consegue percutir com uma das mãos, por exemplo, pode bater na palma do adulto ou num tupperware.

O dia da semana

Oiça em formato MIDI.

Há crianças que têm dificuldades em dizer ou não dizem mesmo o dia da semana. Adaptando-se às circunstâncias, o adulto canta depois de ouvir o MIDI. E brincam com o “Yeah”, que pode ser acompanhado de um gesto com a mão e de uma expressão facial.

É segunda-feira!
Yeah!
Estou à tua beira!
Yeah!
Hoje tenho música e danço,
depois vou p’ra a brincadeira.
Yeah!

Esta é uma adaptação da canção de Boss AC, tendo em conta as características das crianças com necessidades especiais. Despois de cantar, as crianças podem dizer expressivamente o texto, se possível, ou realçar algumas palavras, como “yeah”, “música”, “danço”, “brincadeira”.

Ritmo com o corpo

Oiça em formato MIDI.

A adaptação de uma canção dos brasileiros Rionegro e Solimões nasceu da sugestão de uma criança em Unidade de Apoio Especializado à Multideficiência.

É na sola da bota,
é na palma da mão. (bis)
Põe na cara um sorriso,
diz adeus à solidão. (bis)

É na sola da bota,
é na palma da mão. (bis)
Faz do corpo um instrumento
que tem mais animação. (bis)

É na sola da bota,
é na palma da mão. (bis)
Pisca o olho e acena,
dá um abraço, amigão! (bis)

Professor e alunos realçam em cada estrofe o ritmo com o pé, as palmas, o sorriso, o adeus, o vir, o abraço.

António José Ferreira

Cuco em ninho alheio

Adivinhas de música e canções para jogar em casa ou na escola, entre pais e filhos ou crianças interpares.

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1. Foi escrito há muito tempo
e é muito importante.
Haverá um português
que o ignore e não o cante?

António José Ferreira ]

Solução ]

2. Esta vila alentejana
representa a liberdade.
Sabes dizer qual é esta
terra da fraternidade?

António José Ferreira

Solução ]

3. É dos hinos mais famosos
numa grande sinfonia.
De certeza já o ouviste
ou cantaste algum dia.

António José Ferreira

Solução ]

4. É alegre, divertido
e um famoso cantador.
Usa casaca de rabo
e um barretinho de cor.

Tradicional

Solução ]

5. Voa uma, voa a outra,
e a terceira também voa.
Já vi muitas em Coimbra
e outras tantas em Lisboa.

António José Ferreira

Solução ]

6. Esta ave parasita
eu ouvi-a na floresta
quando a amiga Primavera
trouxe flores para a festa.

António José Ferreira

Solução ]

7. É uma erva aromática
que existe no jardim.
Dá um chá para a digestão,
bom p’ra ti, bom para mim.

Solução ]

8. Há ainda quem atire,
se atiras fazes mal.
Não atires, não maltrates,
dá ração ao animal.

António José Ferreira

Solução ]

Limões e hortelã

As “Canções para Sentir” nascem em contexto de pandemia para famílias com crianças portadoras de deficiência. Propõem atividades originais e acessíveis que podem melhorar o bem-estar dos educandos, promover o desenvolvimento e fomentar as relações entre pais e filhos. Podem ser realizadas com crianças sem NEE, tanto em casa como na escola, nº 1º Ciclo e Jardim de Infância.

António José Ferreira

Nas crianças com (multi)deficiência, tal como nos bebés, o tato e o olfato devem ser muito valorizados. Os familiares e educadores devem ter em conta as portas de acesso ao mundo de que a criança dispõe. Se a criança não tem visão, se não ouve, se não fala, o adulto tem um desafio pela frente no sentido de valorizar as capacidades da criança.

Dá-me

Esta canção pode ser recitada de forma teatral e criativa, ou com duas notas. Se a criança entender as palavras, mesmo que não acompanhe o texto, pode vocalizar; ou bater palmas; ou percutir com uma colher de pau num tupperware.

O adulto favorece a fruição do abraço, do beijinho, da mão e do toque.

Oiça a melodia AQUI.

Dá-me,
dá-me um abraço,
forte como um laço,
forte como um laço.
Um abraço!

Dá-me,
dá-me um beijinho,
cheio de carinho,
cheio de carinho.
Um beijinho!

Dá-me,
dá-me a tua mão,
sente o coração,
sente o coração.
Tua mão!

Dá-me,
dá-me uma bola,
p’ra jogar na escola,
p’ra jogar na escola.
Uma bola!

Antonio José Ferreira

Limão

Para crianças com certas deficiências, é especialmente importante envolver na música sentidos que a ela muitas vezes não estão ligados.

Seja verde ou amarelo,
que bem cheira o limão.
Se o agarro fica logo
perfumada a minha mão.

António José Ferreira

Oiça a melodia em MIDI.

O adulto entrega à criança um limão e ela experimenta o limão, a cor, forma, a textura (rugosidade), o cheiro, conforme as suas capacidades. Aproveita a oportunidade para cheirar a mão da criança, colocar a mão na sua face, criando momentos de brincadeira e bem-estar.

Se a criança fala, repete os versos, um de cada vez; em seguida, dois a dois; finalmente os quatro versos. Neste caso, improvisam como se cantassem em teatro musical. Se a criança não fala, o adulto proporciona à criança experiências auditivas, tácteis e olfativas.

Mãos bem lavadas

Molha as mãos, molha as mãos,
Bem molhadas, bem molhadas.
Esfrega as tuas mãos, esfrega as tuas mãos,
bem esfregadas, bem esfregadas.

Com a música de “Frère Jacques” , o adulto canta o texto com andamentos e timbres diferentes. Depois lava bem as mãos da criança com sabão durante 40 segundos, envolvendo os sentidos, enquanto improvisa sobre a canção.

Oiça a melodia AQUI.

Rosas

Seja branca ou vermelha,
é a rosa a minha flor.
Tem espinhos, tem perfume,
vou dar-te uma, meu amor.

Amarela ou cor de rosa,
é a minha flor preferida.
Uma é para a minha avó,
outra para a mãe querida.

António José Ferreira

Oiça a melodia AQUI.

O adulto colhe uma rosa, se possível, com a criança, sentindo o perfume, vendo se há algum inseto, verificando os botões e as flores abertas, o caules espinhoso e as folhas. Se aplicável, a criança diz um verso, ou dois, depois quatro. Cantam com uma melodia conhecida como “As pombinhas da Cat’rina”. Se a criança não fala, o adulto recita e canta em andamentos e com timbres diferentes fazendo sentir à criança a cor, textura e cheiro do botão ou da rosa aberta.

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Música e síndrome de Angelman

M. tem síndrome de Angelman. Não fala. No caminho para as sessões individuais, caminha bastante bem com a supervisão do professor. Ao longo do corredor há muitas portas e ela gostaria de entrar nas salas onde estão os colegas do ensino regular, mas o nosso destino é a sala de música.

A síndrome de Angelman (SA) é uma condição neuro-genética caracterizada por atraso no desenvolvimento, deficiência intelectual severa, ausência/dificuldade na linguagem e ataxia. Igualmente característicos são os distúrbios do sono e crises convulsivas acompanhadas por anomalias específicas do eletroencefalograma (EEG).

Sara Silva Santos, investigadora

Ataxia (do grego ατάξις, sem coordenação) ou distaxia é um transtorno neurológico caracterizado pela falta de coordenação de movimentos musculares voluntários e de equilíbrio. É normalmente associada a uma degeneração ou bloqueio de áreas específicas do cérebro e cerebelo.

Wikipédia

Gosta de manusear objetos, de tirar e por, desenroscar e enroscar novamente. Explora diversos instrumentos de percussão. Quando lhe parece possível, tenta desmonta certos instrumentos e objetos sonoros.

Por vezes deixa cair, quando já não lhe interessa.

Ri-se com certas situações (meter o pé no triângulo, por exemplo) e conversas do professor.

Gosta de tocar piano, sentada ou em pé, dedilhando as teclas e explorando botões. Agarra a mão do professor para que ele também toque.

António José Ferreira

Música e Síndrome CHARGE

O “Rui” foi diagnosticado com a síndrome CHARGE (Coloboma, Heart disease, Atresia choanae, Retarded growth and development, Genital anomalies, Ear anomalies). CHARGE é uma doença rara que consiste na associação de características incomuns na criança: coloboma ocular, cardiopatia congénita, estenose das coanas, atraso do crescimento e/ou desenvolvimento, anomalias genitais e/ou urinárias, e anomalias dos pavilhões auriculares e surdez, uma doença rara e complexa.

O Rui não é autónomo na marcha, mas tem registado progressos a caminhar de mão dada. Já sobe dois vãos de escadas e percorre comigo um longo corredor em direção à sala de música, sem se deixar cair à espera que o leve ao colo. Não fala e produz um número de sons vocais que se contam pelos dedos de uma mão.

Já na sala, puxo uma cadeira e sento-o. Ele mantém-se sentado e eu coloco-lhe uma pulseira musical com velcro feita pela Sílvia Monteiro, especialmente pensada para crianças com mais limitações em termos de motricidade. Há crianças que gostam de a ter no pulso. Não é o caso do “Rui”: sabe como retirá-la e consegue fazê-lo rapidamente.

Apresento-lhe um reco-reco de plástico constituído por um frasco de espuma de banho (Soft Pink 500ml Avon) que me foi dado por uma cabeleireira. Limitei-me a lavá-lo e a tirar a etiqueta, que sai facilmente. As reentrâncias conferem-lhe um som agradável, melhor do que muitos reco-recos comprados. Além disso, é lavável, o que tem muitas vantagens, sobretudo em contexto de unidades de apoio na multideficiência. O “Rui” não quer raspar, mas agarra a minha mão e fá-la deslizar repetidamente pelo reque adaptado. Ao som de música instrumental, tocamos, à vez, por pouco tempo, para ele não se fartar.

Criança com tambor de mão
Criança com tambor de mão

O “Rui” também toca tambor, tamborim, com baqueta ou com as mãos. Toca também outros pequenos instrumentos de percussão, durante algum tempo, lançando-os ao chão quando a sua capacidade de permanência na atividade se esgota.

Há na sala um teclado, que é um dos seus instrumentos preferidos. Por vezes acompanha com sons vocais. Ainda antes de o ligar, já ele desliza a mão direita pelas teclas, produzindo sons que ninguém valorizaria. O piano acalma-o: permanece bastante tempo tocando e não se morde nem mete a mão à boca durante esse tempo.

Música e síndrome CHARGE, tocando piano
Música e síndrome CHARGE, tocando piano

A criança tem tendência para meter alguns instrumentos à boca, por vezes com a intenção de os tocar com as mãos. Tenho de estar atento para evitar que o faça por questões de higiene.

A criança gosta de dedilhar as cordas da guitarra clássica, colocada sobre a mesa na posição que é mais confortável para ele. Em simultâneo, utilizo uma das cordas mais graves como bordão enquanto faço improvisação vocal ou canto uma melodia infantil.

Em Música Adaptada, cada um toca de acordo com as suas capacidades.

António José Ferreira

Música e Síndrome CHARGE
Dedilhando as cordas da guitarra clássica
Música e atraso com ataxia

Música e atraso de desenvolvimento global com ataxia

“O atraso global do desenvolvimento psicomotor (ADPM) é definido como um atraso significativo em várias domínios do desenvolvimento como sejam a motricidade fina e/ou grosseira, a linguagem, a cognição, as competências sociais e pessoais e as actividades da vida diária.”

José Carlos Fereira

“A Ataxia caracteriza-se por perda de coordenação dos movimentos musculares voluntários, devido a uma disfunção neurológica subjacente a certas partes do cérebro, nomeada e principalmente ao cerebelo, à espinal medula e/ou aos nervos periféricos”.

A “Xana” tem 8 anos e apresenta atraso de desenvolvimento global com ataxia. Não anda sendo deslocada em cadeira de rodas. Praticamente não mexe a mão direita. Quando eu chego à sala, diz a única palavra do seu vocabulário: “Olá!”. Procura chamar a minha atenção, e insiste até que vá ter com ela.

Vai com o “Dinis” para a sessão de “Música Adaptada”, na sala de música. Pelo caminho, chama a atenção para os desenhos feitos na Unidade de Apoio Especializado à Multideficiência e pelas turmas do ensino regular. Gostam muito um do outro e mantêm uma enorme cumplicidade desde que estão na UAE. Ele adora empurrar a cadeira de rodas. É um bocadinho medroso e tem algum receio que a porta do elevador o aperte. Sou eu a puxá-lo impedindo que a porta se feche e ele fique do lado de fora. A menina ri-se muito de o colega ter medo. O Dinis aproveita para lhe dar beijinhos na cabeça e na bochecha.

Na sala, dou uma maraca, reutilizada mas eficaz e adaptada, a cada um. A Xana aponta o colega para se queixar de que ele não toca o instrumento. Às vezes, dá-lhe o seu instrumento; outras vezes quer o dele. Ele é o brincalhão, ela é a responsável.

Dou um círculo mágico a cada um, uma tampa de plástico que tem diversas finalidades, como instrumento e objeto lúdico. Ela recorda a canção:

“Béu, béu, vai ao céu,
Vai buscar o meu chapéu.

É uma atividade que fazemos por vezes com a turma. Ela lembra-se, e toma a iniciativa de a colocar na cabeça. Depois segura com a direita e move com esquerda, recordando a canção “Sabes, eu comprei um carro novo”. Nesta dinâmica pedagógica as crianças simulam um volante e conduzem com regras na sala. Lembra-se ainda a máscara e o leque abanando a tampa em frente do rosto.

Tenho uma maraca constituída por um boião de Nivea lavado a que retirei a etiqueta. Cheiro e dou-lho. Ela leva também ao nariz para cheirar e quer que o Dinis também cheire.O Dinis tenta agarrá-la, mas ela segura com a mão esquerda.

Gosta que lhe coloque uma guizeira de pulso e outras pulseiras musicais adaptadas feita pela professora Sílvia Monteiro.

Ri-se de feliz que está, e vaidosa pela sua pulseira colorida.

Gosta de me agarrar a mão e de ser elogiada por tocar bem. Para responder não a uma pergunta, mexe a mão esquerda. E é também com ela que diz “adeus”.

Revela um empenho extraordinário em imitar o professor e tocar todos os instrumentos apresentados em sessão individual ou em grupo. Toca com interesse uma grande diversidade de instrumentos e gosta de dedilhar ao piano.

Música e atraso com ataxia
Criança com atraso com ataxia dedilhando ao piano

Procura imitar diversos gestos musicais do professor, faz de conta, e brinca às escondidas com tamborim. Aproxima certos instrumentos do ouvido para escutar melhor. Simula susto e ri-se quando produz sons fortes, sabendo que eu vou dizer: “Ai que barulho!”.

Descobre como certos instrumentos funcionam e utiliza-os de acordo as limitações das mãos.

Percute clavas sozinha e sabe que tubos de cana de bambu soam soprando, embora não consiga produzir som.

António José Ferreira

Música e atraso com ataxia
Música e atraso com ataxia
Música e macrocefalia vera

Microcefalia (do grego micrón, pequeno + céphalon, cabeça) é uma condição neurológica em que o tamanho da cabeça e/ou seu perímetro cefálico occipito-frontal (OFC) é dois ou mais desvios padrão abaixo da média para a idade e sexo.

Wikipédia

Amaurose é a perda da visão parcial ou total, o termo técnico para denominar cegueira. Pode acometer um olho (unilateral) ou os dois olhos (bilateral), pode desenvolver-se ao longo dos anos, de forma rápida em alguns dias ou de forma súbita em poucas horas.

Médico Responde

Música e microcefalia vera e amaurose parcial

Diagnosticada com “microcefalia vera” e amaurose parcial, a “Alda” vai comigo da sala da Unidade de Apoio Especializado (UAE*) para a sala de música. Tem défice de visão mas caminha sozinha, embora eu tenha cuidados com ela, sobretudo ao subir escadas.

Ao longo do percurso de um longo corredor, vai conservando. Não entendo certas palavras que ela diz porque ela mexe pouco os lábios e troca alguns sons. Fala também com as auxiliares que encontra e que identifica, por vezes, só pelo ouvido.

Gosta de dar beijinhos e, quando passa em frente da professora “Iva”, como a porta está aberta, quer entrar. A turma está a dar Matemática e eu receio que a interrupção perturbe a aula. É muito carinhosa e insistente. Isso joga a favor dela, porque a professora chama-a e abraçam-se com força. Mas não podemos demorar que o tempo da sessão é escasso.

Já na sala, eu tiro da mala a bateria digital que, além de sons de bateria e outras percussões, tem uma “caixa” de 50 instrumentais de diferentes géneros. Eu posso calar elementos de ritmo ou harmonia e alterar o andamento, tocando outro instrumento. Além disso, o aluno pode tocar com duas baquetas, como numa bateria. Sobre os instrumentais gravados faço improvisação vocal e crio canções para diversos momentos.

Cantamos uma canção de bom dia e acrescentamos nomes de pessoas que ela saúda todos os dias, em casa e na escola. A “Alda” recorda muitas vezes a “Sónia”, a mana bebé a quem ela gosta de cantar:

Come a papa, come a papa,
ó “Sónia”!
Come, come a papa!
Come, come a papa,
ó “Sónia!”

Para melhorar a sua capacidade de expressão e facilitar a comunicação com os outros, enriquecemos a canção com outras frases baseadas nas suas vivências, como “Bebe o leite”.

Entretanto, ela conta que foi ao médico e acabo por criar uma pequena canção. Passo a ser o médico e ela a doente:

Olá, bom dia,
Ó senhor doutor!
Veja o meu ouvido!
Tenho uma dor!

Trocamos “ouvido” por outras partes do corpo, por ordem descendente, para mais facilmente eu me lembrar. Está decidido que a nova canção vai ser cantada na sessão conjunta com as crianças da turma a que pertence a “Alda”. Na atividade de grupo com as crianças da sala de apoio à aprendizagem e a turma, as crianças vão-se organizar em pares. Uma será o médico, outra o paciente. Ora se canta, ora se faz de conta e mudam-se os papéis porque, em algum momento, todos somos doentes.

Ela gosta muito de ver outras crianças na sala do CAA, especialmente da “Bela”, e adora almoçar com ela na cantina. A amiga também tem necessidades de aprendizagem. É desta conversa sobre a “Bela” que nasce outra pequenina canção: Quando a “Bela” chegar E o casaco pendurar, Comigo vai brincar E depois almoçar, Connosco!

– Com quem? E ela gosta de repetir, rindo-se, “Connosco!”.

A “Alda” memoriza e pede certas canções na sessão seguinte, ou começa mesmo a cantar. Já não se limita a cantar “Pingo Doce! Venham cá!”, a que nós acrescentámos todas as superfícies comerciais que conhece.

O professor faz piadas com música a partir de coisas que ela diz. Ela dá gargalhadas com gozo e o seu repertório vai-se alargando, todas as semanas.

*UAE – Unidade de Apoio Especializado para a Educação a Alunos com Multideficiência e Surdocegueira Congénita

António José Ferreira

Música e deficiência mental

Música e deficiência mental moderada-grave

Crónicas de Música Adaptada

Muito agitada na sala de aula, a “Tina” que tem deficiência mental moderada-grave, começou a ter “Oficina dos Sons Adaptada”. É prestável e quer ajudar-me a levar uma pequena mochila com instrumentos adaptados, que acaba por deixar cair. E pede desculpa.

Entramos na sala onde vão decorrer as sessões ao longo do ano. Ela fica muito curiosa sobre o que há na mala e na mochila.

Canta uma canção que eu desconheço, “A linda Rosa juvenil”. Só canta o primeiro verso.

Começamos uma atividade com pandeiro e ela interrompe: “Para”. Eu digo: “Não, agora é a minha vez de tocar”. Depois toca maracas coloridas a acompanhar música instrumental. Tem pouca permanência na atividade, e volta a cantar dançando “A linda Rosa juvenil”. Eu digo que desta vez trago internet e prometo que às 14:10 lhe mostro a canção no telemóvel.

Coloco-lhe duas pulseiras musicais feitas pela Sílvia Monteiro e ela sente-se ainda mais feliz a dançar e fica com as pulseiras até ao fim da sessão. Eu cumpro a promessa de lhe mostrar o vídeo e fico a conhecer a tão citada canção.

Ela canta vários versos e eu já posso ajudá-la um pouco mais a partir do que ela gosta. Assim se vai negociando e gerindo o tempo para que ela aprenda e se sinta bem com música.

A linda Rosa juvenil, juvenil, juvenil.
A linda Rosa juvenil, juvenil.

Vivia alegre no seu lar, no seu lar, no seu lar.
Vivia alegre no seu lar, no seu lar.

Um dia veio a bruxa má, bruxa má, bruxa má.
Um dia veio a bruxa má, bruxa má.

Adormeceu a Rosa assim. Foi assim, foi assim.
Adormeceu a Rosa assim. Foi assim.

O tempo passou a correr, a correr, a correr.
O tempo passou a correr, a correr.

O mato cresceu ao redor, ao redor, ao redor.
O mato cresceu ao redor, ao redor.

Um dia veio um belo rei, belo rei, belo rei.
Um dia veio um belo rei, belo rei.

E despertou a Rosa assim, foi assim, foi assim.
E despertou a Rosa assim, foi assim.

Puseram-se eles dançar, a dançar, a dançar.
Puseram-se eles dançar, a dançar.

Batemos palmas ao casal, ao casal, ao casal.
Batemos palmas ao casal, ao casal, ao casal.

[ Esta canção infantil tradicional do Brasil está na internet. Foram feitas algumas alterações ao texto que me pareceram convenientes. A estória pode ser cantada e representada na sala de aula, com as personagens referidas (Rosa, bruxa, rei) ].

Música e deficiência mental
Criança com deficiência mental

António José Ferreira