Artigos académicos ou de divulgação sobre música

Comunicação gestual e inclusão

Palavra, gesto, rima: junte ritmo, melodia e improvisação

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A comunicação gestual aumenta a capacidade de atenção, integração, simpatia e compreensão mútua. Neste contexto, a comunicação gestual inspirada no método aumentativo ou alternativo de comunicação Makaton pretende ser uma estratégia de inclusão na turma no Jardim de Infância e 1º Ciclo, especialmente em crianças com necessidades educativas especiais.

O método Makaton pode contribuir para aumentar as possibilidades de comunicação de crianças com dificuldades expressivas. Em contexto de terapia da fala, os gestos visam fomentar a expressividade e, para as crianças em geral, a utilização dos gestos pode ser muito interessante no âmbito das AEC, potenciando jogos de vários tipos e criação/recriação de estórias. Esta página é dedicada às crianças com atraso ou deficiência auditiva e psicomotora, passageira ou permanente. Quando é possível, um movimento repetido conforme o número de sílabas ajuda à oralidade, ao ritmo e à distinção das sílabas.

Tendencialmente, as ações fazem-se duas vezes e os objectos uma vez.

A pé:
O indicador e o médio movem-se como se fossem pernas.

Vou a pé, vais a pé,
vamos ambos ao café.

António José Ferreira

Adeus:
Com a palma para fora, a mão roda um pouco para baixo e para cima.

Digo estas palavras
quando está na hora.
Adeus, até logo,
tenho de ir embora.

António José Ferreira

Água:
O polegar e o mínimo abertos dirigindo-se à boca.

A água dá para beber
e bons pratos cozinhar.
Diz-se que a do rio é doce,
e é salgada a do mar.

António José Ferreira

Aranha:
Os dedos de ambas as mãos abrem-se e e fecham-se três vezes, avançando.

Anha é uma aranha
e dizem que é muito feia.
Mas ela não se importa
e lá vai tecendo a teia.

António José Ferreira

Autocarro:
Com ambas as mãos a um volante grande imaginário, roda-se à direita e à esquerda. Como o camião.

[ Como objeto brinquedo a criança usa uma tampa circular que faz de volante. ]

Se queres ser motorista
tens de fazer atenção.
Quando o tempo está de chuva
guia com mais precaução.

António José Ferreira

Árvore:
A palma da mão esquerda está por baixo do cotovelo direito. O antebraço direito está na vertical e a mão, aberta, roda um pouco.

Esta árvore que planto
boa sombra te vai dar,
lindas flores para ver,
frutos p’ra saborear.

António José Ferreira

Avião:
O polegar e mínimo imitam o voo de um avião de fora para a frente do próprio.

Eu já tenho dois bilhetes
para irmos de avião
ver as lindas cerejeiras
que florescem no Japão.

António José Ferreira

Balão:
As mãos abertas partem da boca e desenham a figura oval do balão.

O balão
do João
sobe, sobe pelo ar.
‘Stá feliz,
o petiz
a cantarolar.

Tradicional

Banana:
Com os dedos da mão esquerda, unidos, a mão direita move-se para fora, como se afastasse a casca da banana.

Eu vou comer, comer, comer,
eu vou comer banana.

Tradicional

Barco:
As mãos, unidas na ponta dos dedos, imitam a quilha de barco e avançam como se estivessem a cortar as ondas.

Um barquinho ligeiro andava,
ligeirinho andava no mar.

Tradicional

Bebé:
Mão direita por baixo do braço esquerdo junto ao cotovelo, movendo-se (como se embalasse).

Bicicleta:
Os punhos fechados descrevendo círculos para a frente, à maneira dos pedais de bicicleta.

Beber:
Os dedos curvos, na posição de agarrar um copo, dirigem-se à boca.

Bebe água natural
que faz bem à digestão.
Ela ajuda a emagrecer,
faz bem à criculação.

António José Ferreira

Bem:
O polegar para cima e os outros dedos fechados em frente do peito.

Bola:
As mãos abertas, com as palmas para baixo e os dedos ligeiramente curvos, descrevem um círculo, de cima para baixo.

A bola passa passa
e vai de mão em mão.
Cuidado para a bola
não te cair ao chão.

António José Ferreira

Bolacha:
A mão direita faz gesto de agarrar com polegar e indicador, mas junto à face direita, na perpendicular.

Fui à caixa das bolachas,
uma só bolacha havia:
A bolacha era dourada
e chamava-se Maria.

António José Ferreira

Bolo:
Com os dedos da mão esquerda arqueados para cima, a mão direita coloca-se por cima com os dedos arqueados, para baixo, como se o próprio colocasse um pequeno bolo num prato.

É hora de cantar,
e os anos festejar.
Ao nosso amigo [ Carlos ],
um bolo vamos dar.

António José Ferreira

Boneca:
Os braços encontram-se na posição de embalar, com o cotovelo esquerdo mais acima que o direito.

Borboleta:
As mãos abertas unidas pelos polegares com as palmas voltadas para o próprio e os dedos a mexer.

Lá vem ela para aqui,
lá vai ela para ali.
Voa leve a borboleta
parte branca, parte preta.

António José Ferreira

Cadeira:
Com as mãos em punho, voltadas para o próprio, movem-se ligeiramente os antebraços na vertical de cima para baixo.

Caixa:
As mãos abertas estabelecem duas linhas paralelas (dois lados da caixa) e depois outras duas (os outros dois lados); primeiro com as palmas voltas uma para a outra, depois uma com palma voltada para as costas da outra.

Fui à caixa das bolachas
sem a minha mãe saber.
E da caixa tirei uma
e mais uma p’ra comer.

António José Ferreira, adapt.

Cama:
Unem-se as palmas das mãos e colocam-se junto à face direita.

Camião:
Com ambas as mãos a um volante grande imaginário, roda-se à direita e à esquerda. Como o autocarro.

Sabes, eu comprei um camião.
Vem comigo a Monção,
no camião,
a Monção.

António José Ferreira

Cão:
Coloca-se a mão direita com dedos arqueados entre o queixo e o lábio inferior.

O avô comprou um cão
e Badocha é seu nome.
Gosta pouco da ração.
Dou-lhe carne e ele come.

António José Ferreira

Carro:
Faz-se o gesto de rodar um volante imaginário, à direita e esquerda.

Eu já sei guiar o carro
e vou com velocidade!
Viro à esquerda e à direita
até chegar à cidade.

António José Ferreira

Casa:
Mãos e braços fazem um triângulo (como o telhado de uma casa).

– Minha casa tem terraço.
minha casa tem jardim.
– Minha tem espaço
para ti e para mim.

António José Ferreira

Cavalo:
Passa-se o indicador e o médio na testa, na horizontal, por cima da sobrancelha direita, da esquerda para a direita.

Era uma vez um cavalo
que andava num lindo carrossel.
Tinha as orelhas espetadas
e a cabeça era feita de papel.

Tradicional

Cinco:
Mostra-se os dedos da mão com a palma para forma.

Coelho:
O indicador e médio em frente da testa mexem-se para o lado de fora, enquanto os outros dedos da mão estão fechados.

– Coelhinho da monte,
que tens para me dar?
– Tenho muito carinho
e ternura p’ra dar!

António José Ferreira

Comer:
Os dedos da mão direita, unidos nas pontas, vão à boca duas vezes.

Vou comer a sopa toda
e o peixe vou comer.
Não quero refrigerante:
água é o que vou beber.

António José Ferreira

Comida:
Os dedos da mão direita, unidos nas pontas dos dedos, vão à boca uma vez.

Cuida sempre que a comida
faça bem à tua vida.

António José Ferreira

Comboio:
Puxa-se a sineta imaginária de um comboio antigo.

Tchu, tchu, apita o comboio,
tchu tchu, lá vem a apitar.
Tchu tchu, tem muito cuidado,
Passa depois dele passar.

António José Ferreira

Copo:
Os dedos curvos movimentam-se como se agarrassem um copo e o colocassem em cima da mesa.

Copo, copo, passa o copo.
Passa o copo por favor.
Se não passas bem o copo
é que não me tens amor.

António José Ferreira

Dá-me:
Com a mão direita aberta e palma para cima, a pessoa mexe os dedos para si mesmo.

Dá-me, dá-me uma bola.
para eu jogar na escola.

António José Ferreira

Dois:
Indicador e médio levantados, os outros recolhidos.

Dormir:
As mãos estão unidas pelas palmas, junto à face direita.

Elefante:
A mão direita fechada levanta-se e abre-se em frente da boca.

Havia um elefante
que andava numa savana sem fim.
Pequeno elefante,
tinha uma tromba assim!

António José Ferreira

Escova de dentes:
O indicador na horizontal passa para cima e para baixo, como escova, em frente da boca.

Fantasma:
Ambas as mãos por cima da cabeça e um pouco à frente, com os dedos abertos.

Flor:
A mão direita tem os dedos unidos nas pontas, abrindo-se em frente do nariz.

Fui colher a flor mais linda
que havia no jardim:
a rosa que tu adoras,
rosa és tu para mim.

António José Ferreira

Galinha:
Com a mão direita aberta na vertical em frente da cara, representa-se a crista, e fecha-se a mão, imitando uma bicada, na palma da mão esquerda.

Gato:
A mão direita fecha-se e abre-se como se estivesse a arranhar a mão esquerda, que está em punho.

Gelado:
A mão direita em punho passando em frente da boca e rodando ligeiramente.

Iogurte:
A mão esquerda agarra um iogurte imaginário e o indicador e médio dirigem-se para a boca.

Janela:
Mão direita sobre o braço esquerdo, como se estivesse ao parapeito de uma janela.

Leite:
Com a mão direita aberta com polegar junto à têmpora direita, o mínimo, o anelar e o médio fecham-se.

Lavantar:
Ambas as mãos abertas sobem.

Limão:
Com a mão esquerda em punho, a direita a roda como se espremesse um limão.

Livro:
As mãos unidas, palma contra palma, abrem-se e ficam com as palmas para cima, unidas nos dedos mínimos.

Maçã:
Com com os dedos da mão direita unidos, como comer, mas desde a parte inferior do queixo para fora.

Macaco:
A pessoa coça-se com ambas as mãos, em concha, fechando perto dos sovacos.

O macaco imita;
imita o gibão.
Todos começamos
pela imitação.

António José Ferreira

Menina:
Lembramos a menina com o polegar e o indicador agarrando a orelha direita no lugar do brinco.

Mesa:
Unidas pelos polegares, com a palma para baixo, as mãos afastam-e-se na horizontal.

Morango:
A mão esquerda está em punho e a mão direita com os dedos unidos nas pontas realça as pintas dos morangos.

Mota:
Um pulso roda, como se estivesse a dar gás.

Obrigado:
Leva-se a mão aberta ao queixo e desloca-se um pouco para a frente.

A palavra é simples,
fácil de dizer.
Digo “obrigado”
para agradecer.

António José Ferreira

Olá:
Move-se a mão com a palma voltada para a outra pessoa.

Olá, amigos,
olá, como estão?
Tenho um sorriso
na palma da mão.

Olá, Makaton
Olá, Makaton

Ovelha:
Com a mão direita em gancho, descreve-se círculos à volta da orelha, de trás para a frente.

Berra a ovelha, berra, berra.
Não o faz por estar zangada.
É assim que a ovelha fala,
esteja calma ou irritada.

António José Ferreira

Pão:
A mão direita aberta vai ao encontro da mão esquerda, que está aberta com a palma voltada para cima, entre o polegar e o médio.

Pássaro:
Com a mão em bico de pássaro, polegar e indicador ao lado da boca, imita-se um bico a abrir e fechar.

Tem coragem, passarinho,
salta agora do teu ninho.
Tem cuidado com o gatinho,
que ele pode ser mauzinho.

António José Ferreira

Pato:
Com a mão em forma de pato – os dedos da mão direita alinhados – faz-se o gesto de abrir e fechar.

Pata aqui, pata acolá,
vai o pato a caminhar.
Se é livre, também voa,
se tem água, vai nadar.

António José Ferreira

Peixe:
A mão direita está em cima da esquerda, ambas com palma para baixo. Os polegares mexem-se, como barbatanas.

Pente:
Com os dedos curvos e unidos, para baixo, a mão direita mexe-se como se fosse um pente.

Pera:
Com o indicador e o médio abertos na horizontal, da face direita para a frente.

Por favor:
A mão direita aproxima-se da boca e desce.

Digo “por favor”
se estou a pedir.
Quando alguém me pede,
gosto de as ouvir.

António José Ferreira

Porco:
Cinco dedos da mão direita, curtos e separados uns dos outros, rodam em frente da boca e do nariz.

Porta:
Mãos abertas levantadas com palma para fora, a direita abre para o próprio ficando com o polegar à direita.

Trus trus!
– Quem é?
É um amigo
da Guiné.

António José Ferreira

Quatro:
Os dedos da mão, exceto o polegar, recolhido.

Sopa:
Com a mão esquerda em concha, representado o prato, a direita, côncava, vai à boca como se fosse uma colher.

Sopa. Vou fazer sopa,
Sopa de couve ou agrião.
Sopa. Ralo a batata.
Sal só um pouco. Ponho feijão.

António José Ferreira

Tartaruga:
A mão direita, fechada, desliza por baixo da mão esquerda, em concha, como a cabeça a sair da carapaça.

Devagar, vai devagar.
Não precisas de apressar.
Tu tens tempo para chegar.

António José Ferreira

Telefone:
Com polegar em cima e o mínimo em baixo, abertos, e outros dedos fechados, entre o ouvido e a boca.

Touro:
Coloca-se a mão direita com o polegar, o indicador e o mínimo abertos, em frente da testa.

Três:
Os três dedos centrais, os outros dois recolhidos.

Tu:
Aponta-se com o indicador.

Tu, Makaton
Tu, Makaton

Urso:
As mãos, unidas na ponta dos dedos, na cabeça, dirigem-se duas vezes à cabeça.

Ai que medo,
ai que susto.
Há um urso
atrás do arbusto.

António José Ferreira

Um:
Indicador levandado, os outros dedos recolhidos.

Uvas:
A mão esquerda tem o polegar, indicador e médio unidos; a mão direita do mesmo modo indo à boca como se levasse bagos de uva.

Vaca:
O polegar e mínimo estão abertos em frente da testa, como cornos, e afastam-se para o lado direito.

Orientação da Dra. Alexandrina Martins, terapeuta da fala

Makaton é um tipo de signos gestuais que provém da linguagem gestual australiana (AUSLAN). Os sinais utilizados são conceitos/ideias selecionados de acordo com o que é mais apropriado para as necessidades da criança com défices de comunicação. O Makaton usa um discurso gramatical normal com sinais de palavras-chave e usa também figuras e expressões faciais. Utilizar o Makaton com crianças com autismo pode ajudá-las na comunicação. O Makaton proporciona pistas visuais, que a criança pode aprender a associar às instruções. Isto é essencial nas crianças com autismo, pois estas possuem boas capacidades de memória visual. É importante que a família, professores e amigos aprendam a utilizar o Makaton, pois as crianças aprendem através de modelagem e experiência em diferentes contextos.

Stephen von Tetzchner, Harald Martinsen
Jovem tocando tambor

Onomatopeias e necessidades educativas especiais.

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A utilização de onomatopeias pode ter particular interesse em crianças com deficiência que não falam. Tendo a certeza de que a criança ouve, há toda a vantagem em proporcionar-lhe sons e palavras simples e funcionais que lhe dêem prazer, estimulem a curiosidade e que eventualmente possa vir a usar para pedir coisas e exprimir-se melhor. Acompanhadas com gestos, as onomatopeias melhoram a atenção.

Oiça a melodia em MIDI.

Pipi!

Sabes, eu comprei um carro novo.
Vem comigo passear,
vem ver o mar,
e lanchar.

Popó!

A onomatopeia – palavra grega que chegou ao Português por via do Latim (onomatopoeia) – é um fenómeno linguístico e uma figura de retórica. Resulta da semelhança, através da imitação ou reprodução, entre o som de uma palavra e a realidade representada (sons da natureza, de animais, de ações humanas). A onomatopeia não é reprodução exata mas uma aproximação.

As onomatopeias podem ser puras, quando consistem na imitação fonética, tanto quanto possível exacta, dos sons que representam, por exemplo: trrrrrim (campainha).

Estas classificam-se como onomatopeias não vocabulizadas, (não lexicalizadas) pois não constituem vocábulos da língua, apenas imitam os sons que representam, muitas vezes apenas com consoantes apostas, facilmente pronunciadas como imitação, mas dificilmente representadas ortograficamente, como é o caso de pfffff, existindo também as onomatopeias vocabulizadas (onomatopeias lexicalizadas) que são vocábulos como outros quaisquer, que seguem as regras de construção ortográficas e possuem uma classificação sintáctica e morfológica, idêntica às restantes palavras, como é o caso de piar, miar, às quais correspondem onomatopeias puras (piu miau, respectivamente). Quase todas as onomatopeias são passíveis de lexicalização, bastando para tal antepor-se um determinante artigo, como por exemplo: um tic-tac / o tic-tac.

Lurdes Aguiar Trilho

A partir deste fenómeno, surgiram alguns vocábulos com uma configuração onomatopaica, que são aqueles que têm o poder de sugerir uma imagem mais ou menos aproximada do facto que exprimem, a partir da existência de certos fonemas, cuja natureza faz lembrar o facto designado. É este onomatopeísmo que dá expressividade às palavras que designam fenómenos sonoros (clique, crepitar, estalido, estrondo, matraquear, murmúrio, sussurro, tilintar), às que designam vozes de animais (cacarejar, coaxar, grunhir, miar, piar, uivar, zurrar), ou actos sonoros produzidos pelas cordas vocais e afins (assobiar, cochichar, fungar, roncar, tossir). 

A construção onomatopaica tem grande importância estilística e poética, pois nela se concentram a melodia, a harmonia e o ritmo da frase. Daí que a poesia seja particularmente sensível a este recurso bastante sugestivo, que a aproxima da música. No uso da onomatopeia como artifício estilístico, o efeito baseia-se não tanto nas palavras individuais como na combinação de valores sonoros que podem ser reforçados pela aliteração, ritmo e rima.”

Do ponto de vista semântico, há que distinguir a onomatopeia primária que consiste na imitação do som pelo som e a onomatopeia secundária que evoca não uma experiência acústica, mas um movimento.

Visto que a onomatopeia exige uma afinidade entre o nome e o sentido, seria de esperar que tais vocábulos fossem semelhantes nas diferentes línguas. Contudo, há que concordar que cada língua convencionou a onomatopeia de uma maneira própria e que até formações nitidamente onomatopaicas têm poucas semelhanças nos diferentes idiomas quando se traduzem graficamente. Por exemplo, o ladrar do cão é reproduzido em inglês como bow-wow. (…)

Interessa-nos especialmente saber, no caso das crianças com atraso passageiro ou permanente na fala, que uma das características da onomatopeia é acudir “à falta ou ao desconhecimento de determinados termos abstractos, como sucede, por exemplo, com certos termos da linguística infantil (popópipi, mémé)”. Para certas crianças com deficiência, as vocalizações e onomatopeias são uma das formas de se exprimir e comunicar.

Por outro lado, a onomatopeia “é um complemento expressivo para transmitir o som ou o movimento contido na frase, tornando-a mais viva, mais comunicativa. Daí que a autora apresente a seguinte definição para onomatopeia: «palavra motivada que se mantém em relação com a realidade que exprime – ou por imitação de um som, ou por sugestão de um movimento, ou ainda por simultaneidade dos dois.» (Maria Teresa Rita Lopes).

A onomatopeia permite jogar com a música, o ritmo, a poesia.

Fonte: Lurdes Aguiar Trilho

Jovem tocando tambor
Jovem tocando tambor
Roda de Samba, artista Caribé

PT Brasil

A performance musical é essencial no aprendizado da música, pois há um deslocamento da percepção e da ação de se fazer música e o que passa a ser relevante, o que se levanta e se alça como essencial é o gesto musical, como um gesto dionisíaco de indiferenciação da personalidade (des)integrando a subjetividade da pessoa e a objetividade do fenômeno na unidade do memorável.

Em cada um de nós, pode-se dizer, existem dois seres que, embora sejam inseparáveis – a não ser por abstração -, não deixam de ser distintos. Um é composto de todos os estados mentais que dizem respeito apenas a nós mesmos e aos acontecimentos da nossa vida pessoal: é o que poderia chamar de ser individual. O outro é um sistema de ideias, sentimentos e hábitos que exprimem em nós não a nossa personalidade, mas sim o grupo ou os grupos diferentes dos quais fazemos parte; tais como as crenças religiosas, as crenças e práticas morais, as tradições nacionais ou profissionais e as opiniões coletivas de todo tipo. Este conjunto forma o ser social. Constituir este ser em cada um de nós é o objetivo da educação

Durkheim

E concordando com esse pensamento Libâneo:

Num sentido mais amplo, a educação abrange o conjunto das influências do meio natural e social que afetam o desenvolvimento do homem na sua relação ativa com o meio social. (…) Os valores, os costumes, as ideias, a religião, a organização social, as leis, o sistema de governo, os movimentos sociais são forças que operam e condicionam a prática educativa.

José Carlos Libâneo


Portanto, se a educação tem objetivamente esse caráter formativo e constitutivo do ser social, depreende-se que isso deva acontecer continuamente e dialogicamente: “(…) este ser social não somente não se encontra já pronto na constituição primitiva do homem como também não resulta de um desenvolvimento espontâneo” (Emile Durkheim).

Buscamos compreender as possibilidades a partir das perspectivações da música dentro e fora do espaço escolar. Assumimos que as vivências dinâmicas da escuta do fenômeno musical não podem ser circunscritas ao ambiente escolar apenas.

A maior parte dos nossos conhecimentos adquirimo-los fora da escola. Os alunos realizam a maior parte de sua aprendizagem sem os, ou muitas vezes, apesar dos professores. Mais trágico ainda é o fato de que a maioria das pessoas recebe o ensino da escola, sem nunca ir à escola.

Ivan Illich

Se o currículo escolar avança para além de seus muros tornando-se uma cultura ex-escola, ou seja, até os que não passam pela escola são de algum modo escolarizados, devemos perguntar que currículo escolar é esse e como a música está presente nele.

Perrenoud identifica, como um dos três mecanismos responsáveis pelos sucessos e fracassos produzidos na escola, “(…) o currículo, em outras palavras, o caminho que desejamos que os alunos percorram”.

Há um diálogo urgente que nos convoca para pensar como as teorias do conhecimento que permeiam as concepções de escola recebem o aceno da música, que é sempre uma experiência fundadora de sentido para fazer saber e conhecer.

Premissa fundamental que procuramos colocar em prática: a música está na base de todo conhecimento humano. Se não há música, então, não há conhecimento possível, pois a música funda nossos modos de pensar, dizer e mostrar.

O aprendizado musical nos traz o saber fazer harmonizador, uma harmonia não como um recurso de condução de vozes, mas como composição, até mesmo as técnicas de harmonização das vozes são antes um mostrar-se originário da diferença, da compatibilização dos contrários, por isso harmônicos, sem exclusão de nenhuma parte, eis o princípio articulador da música e uma reflexão para conduzirmos dentro e fora da escola o fundamento harmônico em um currículo escolar segregador e, portanto, excludente, ou seja, desarmônico.

Harmonia é a possibilidade de con-verter em com-posição instâncias substantivas fenomênicas, instâncias substantivas que sejam e/ou façam o movimento em direção ao mostrar-se, significa: harmonizar é ser capaz de juntar concretamente no fim mas desde o princípio torná-las um todo, sem destruir nem diluir nem elidir sua di-ferença. Ao contrário, constituindo uma nova diferenciação, produzindo a diferença entendida como o seu caminho para o des-conhecido, para o que não era harmonizado e passa a ser.

Antonio Jardim

Um currículo escolar que não contemple a música está fadado ao fracasso, ao menos, desde a perspectiva de ensino e aprendizado do poético, ou ainda se considerarmos o que se aprende e ensina fora da escola e que em um “modelo curricular sem música” estaria também destinado a ser um currículo: recortado, aleijado, lacunar, sem um dos pilares, — senão o pilar central que rege o sentido de saber e conhecer — desde as culturais aborígenes, arcaicas e primevas: o que denominamos como música; a experiência singular do memorável presentado em nossas ações sensório-corpóreo-motoras.

A música não é o único caminho, mas é nosso caminho, que apontamos como possibilidade de perspectivação e reflexão do ambiente escolar pautado por um ensino conteudístico curricular desarmonizado da realidade social expericenciada pela própria comunidade escolar.

Perspectivando o aprender e ensinar música: experienciando e refletindo desde o subprojeto PIBID-Música da UFRJ, por Celso Garcia de Araújo Ramalho, Anderson Carmo de Carvalho, Camila Oliveira Querino PPG em Ciência da Literatura Rio de Janeiro – RJ Eliete Vasconcelos Gonçalves, in Educação: Políticas, Estrutura e Organização 10, Gabriela Rossetti Ferreira, org. Atena Editora 2019. [ Excerto ]

Roda de Samba, artista Caribé
Roda de Samba, artista Caribé
Roda de Samba, artista Caribé, pormenor

PT Brasil

O conhecimento musical está na atividade da experienciação, isto é, na experiência ativa e partícipe como ação poética, pro-dutiva e concreta e não numa representação fora do ato, no ex-ato, se há música há sempre ato, ação, gesto criativo e criador de espaço e tempo.

Tal modelo não se adequa às representações estáticas das escolas que se orientam apenas por uma certeza matemática e não dão ouvidos à verdade da música, que não está na estatística, na matemática ou na exatidão.

Os modos de representação da música se constituem como ferramentas para o seu aprendizado e ensino, mas não são e não podem ser os únicos caminhos e nem a forma certa de atestar se o aluno sabe ou não sabe música.

Portanto, necessitamos considerar que a escrita musical não é condição e sinônimo de conhecimento musical. É legítimo e viável conhecer música, apreender o sentido musical sem a premissa de dominar os códigos da escritura de partituras, cifras, notações e outros sistemas de representação musical.

A representação tem fundamental contribuição na história da música e do ensino e aprendizagem nas culturas em que a escrita musical se faz presente, no entanto é irrelevante em culturas orais que não dependem da escrita para sua transmissão

A poética em Homero, por exemplo, era baseada na oralidade e sua estrutura de compreensão dependia da memória e de um padrão específico para que pudesse ser sustentada com os recursos disponíveis.

A complexidade ulterior se apoia na escrita, pois esta justaposição de símbolos compreensíveis trouxe uma atemporalidade àquilo que deveria ser transmitido como um corpo cultural sem necessitar ser memorizado.

A disposição na poética é baseada no concreto e no sentido didático, necessitando do verso e do cenário narrativo, dos recursos rítmicos, imagéticos que fornecem a força da ação em que o evento-coisa-forma acontece sobrepondo-se ao significado e à ideia, o sentido concreto sobre o signo abstrato.

Nos séculos XII e VII a. C. a preservação precisava se apoiar nas memórias vivas dos seres humanos obtendo auxílio dos artifícios mnemônicos possíveis que pudessem gravar essa palavra indelevelmente na consciência

Havelock, 1996

Pensando a partir das estruturas de registro mnemônico e escrito ao longo da história, qual o sentido da música nas escolas e como ela deveria se dar? Deve preservar uma compreensão através dos símbolos e conservação de convenções ou proporcionar uma vivência musical que em essência se opõe e contraria as metodologias abstratas instituídas nas escolas?

Perspectivando o aprender e ensinar música: experienciando e refletindo desde o subprojeto PIBID-Música da UFRJ, por Celso Garcia de Araújo Ramalho, Anderson Carmo de Carvalho, Camila Oliveira Querino PPG em Ciência da Literatura Rio de Janeiro – RJ Eliete Vasconcelos Gonçalves, in Educação: Políticas, Estrutura e Organização 10, Gabriela Rossetti Ferreira, org. Atena Editora 2019. [ Excerto ]

Roda de Samba, artista Caribé, pormenor
Roda de Samba, artista Caribé, pormenor

Harmonia entre fazer e pensar música

PT Brasil

A metodologia do ensino da música confinada por séculos sob a alcunha dos “conservatórios” apresenta um conjunto de procedimentos que, por vezes, torna certas percepções menos possíveis, como o envolvimento corporal na vivência musical.

A disposição do sistema educacional tradicional organiza os alunos de forma a não haver contato físico, a conter o movimento corporal, a não haver movimento grupal, a conformar o corpo a movimentar apenas a cabeça e os olhos. O movimento restringe-se a cumprir funções tais como orientar o corpo em direção ao professor, à lousa, ao caderno, ao livro, ou ao celular, este último, um aparelho institucionalizado oficiosamente dentro da sala de aula.

Assim, num ambiente que propõe um aprendizado regrado e objetivado, o aprendizado musical é prejudicado por ter que se enquadrar às restrições impostas pela organização e disposição da sala de aula. Objetivar, funcionalizar, não faz parte da essência do que é música, esses procedimentos não contribuem nas avaliações que medem o nível de aprendizado musical dos alunos, nem nas provas de ingresso para instituições.

Apesar das dificuldades que enfrentamos na abordagem dos conteúdos musicais em sala de aula no Ensino Médio, sempre há um esforço em estabelecer um vínculo que provoque o interesse dos alunos. Uma das possibilidades é desenvolver o estímulo a partir do despertar da escuta, que para alguns alunos está relacionada ao caráter do som como fonte imediata de gozo ou deleite sonoro.

Estabelecido o vínculo com os alunos, o próximo passo é pensar em como desfuncionalizar a música e ir além de encerrá-la à esfera do entretenimento, buscando convalidar o espaço regular ou formal de ensino-aprendizagem do fenômeno musical como forma de conhecer o real, isto é, ser verdade, sem reduções representacionais.

O formato das “oficinas de música”, as ações que denominamos “Palco Aberto”, a crítica aos conteúdos e metodologias de abordagem nos livros didáticos de “Artes”, os debates entorno da música como cultura e não como objeto ou abstração e representação social, as possíveis interações da música com as outras disciplinas do currículo escolar, abrem perspectivações para investigarmos música além e aquém das reduções impostas pela regulação da representação antropológico-instrumental da técnica. Saber esperar o tempo musical como tempo para saber saborear o originário.

Saber investigar significa saber esperar, mesmo que seja durante toda uma vida. Numa época, porém, em que só é real o que vai de pressa e se pode pegar com ambas as mãos, tem-se a investigação por “alheada da realidade”, por algo que não vale a pena ter-se em conta de numerário. Mas o Essencializante não é o número e sim o tempo certo, i. é., o momento azado, a duração devida.

Heidegger, 1999

Perspectivando o aprender e ensinar música: experienciando e refletindo desde o subprojeto PIBID-Música da UFRJ, por Celso Garcia de Araújo Ramalho, Anderson Carmo de Carvalho, Camila Oliveira Querino PPG em Ciência da Literatura Rio de Janeiro – RJ Eliete Vasconcelos Gonçalves, in Educação: Políticas, Estrutura e Organização 10, Gabriela Rossetti Ferreira, org. Atena Editora 2019. [ Excerto ]

Jovem executante de marimba
Jovem executante de marimba
Criança saltando

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1. Noções espaciais e salto

O adulto diz um dueto e a criança repete e faz a ação referida pelo texto.

Dou um salto para a frente,
Que eu já sou competente.

Dou um salto para o lado.
Isto tu já tenho treinado.

Dou um salto para o outro,
Que ainda saltei pouco.

Dou um salto à direita:
P’ra crescer é uma receita.

Dou um salto à canguru,
e a seguir vais saltar tu.

Oiça a melodia em MIDI.

O adulto pode improvisar com canto ou recitar como em teatro musical, com acompanhamento de um tambor. Pode repetir cada dueto de modo que a criança preveja o que irá ser pedido.

Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, esta atividade desenvolve competências nas áreas do Português e da Matemática.

2. Imitar animais que saltam

Salto eu e saltas tu
Como salta o canguru. (2 v.)

Salta agora ao pé coxinho,
Mais e mais um bocadinho. (2 v.)

Salto eu e saltas tu,
Como salta o cavalo. (2 v.)

Há um troféu para o primeiro.
Quem será que vai ganhá-lo. (2 v.)

Oiça a melodia em MIDI.

A criança está numa linha de partida. Quando o adulto bate uma palma e jogador salta o mais longe possível em direção à linha de chegada. Verifica-se o tempo que demorou com cronómetro. A criança aprende também a cronometrar.

Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, esta atividade desenvolve competências na área do Português.

3. A canguru e o filhote

O que tens, ó canguru,
nessa bolsa tão fofinha?
Eu vou levar o meu filho
Que já anda na escolinha.

Diz-me lá, ó canguru:
Vais de carro ou a pé?
Eu cá vou a dar saltinhos
E a brincar com o bebé.

Oiça a melodia em MIDI.

O adulto diz dois versos de cada vez, em andamento moderado, e a crianças repete. Diz uma quadra toda e a criança repete. A criança diz a quadra, com acompanhamento rítmico pelo adulto.

4. Quantos?

No início, o adulto pergunta e a criança responde. Depois invertem-se os papeis.

– Quantos anos viverei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

– Quantos filhos eu terei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

– Quantos cursos eu farei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

– Quantas línguas falarei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

– Quantos carros comprarei?
– Nem tu sabes nem eu sei!

– Quantos jogos ganharei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

– Que instrumentos tocarei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

1, 2, 3, 4, 5…

Oiça a melodia em MIDI.

Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, esta atividade desenvolve competências nas áreas do Português e da Matemática.

António José Ferreira

Concebidos para a família com os seus recursos, pensados para crianças com ou sem necessidades educativas especiais, os “Jogos musicais em casa” podem ser realizados também na escola por técnicos e professores de “Música Adaptada” e “Oficina dos Sons” e “Oficina dos Sons Adaptada”.

António José Ferreira
Criança saltando
Criança saltando
Rolhas de cortiça, para jogos musicais de somar

Os “jogos musicais em casa” foram concebidos para recursos e competências acessíveis às famílias de língua portuguesa. Podem ser feitos com adaptações e diferentes recursos na escola por professores de Música, Oficina dos Sons e Atividades Lúdico-Educativas.

António José Ferreira

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1. O potencial educativo dos jogos

Os jogos têm um potencial de inclusão e desenvolvimento que não deve ser menosprezado e as crianças com NEE podem beneficiar especialmente das suas vantagens. O jogo seguinte desenvolve competências nas áreas do Português e da Matemática.

2. As parcelas e a soma

Há crianças com muitas dificuldades em fazer somas, mesmo que sejam simples. Em cima de uma mesa, o adulto coloca uma taça e, ao lado, um recipiente com feijões. Vai representando as somas com feijões. A criança vai dizendo a soma correta. Pode também representar as parcelas e a soma com os dedos. Numa primeira fase, a criança observa os dedos do adulto; posteriormente deve dizer a rima sem precisar de ajuda.

Zero mais zero, zero,
Nem tu queres nem eu quero.

Um mais zero, um,
Quero bifes de atum.

Um mais um, dois,
Quero ir lanchar depois.

Dois mais um, três,
Quero carne do Chinês.

Três mais um, quatro,
Quero é fazer teatro.

Quatro mais um, cinco,
Quero ir comprar um brinco.

Cinco mais um, seis,
Quero um jantar de reis.

Seis mais um, sete,
Quero carne e esparguete.

Sete mais um, oito,
Quero que me dês biscoito.

Oito mais um, nove,
Quero um caldo de couve.

Nove mais um, dez,
Quero um bolo português.

O adulto (e a criança) podem dizer como se estivessem a cantar em teatro musical, ou cantar numa nota só; ou cantar do 1 ao 8, em dó na primeira rima, ré na segunda, e assim sucessivamente.

Rolhas de cortiça, para jogos musicais de somar
Rolhas de cortiça, para jogos musicais de somar

3. Os meses do ano

Criança e adulto dizem a seguinte lengalenga:

A vaca leiteira
Disse ao leiteiro:
– Paga-me a renda
de janeiro.

Depois associam o mês do ano ao respetivo número:

Janeiro, 1
fevereiro, 2;
março, 3;
abril, 4;
maio, 5;
junho, 6;
julho, 7;
agosto, 8;
setembro, 9;
outubro, 10;
novembro, 11;
dezembro, 12.

Em seguida, a criança salta, com corda, ou sem corda (enquanto o adulto diz os meses). Depois, diz saltando e memoriza o máximo de saltos que conseguiu. Se ultrapassar os 12, o seu máximo passará a ser 1 ano e 1 mês, e assim sucessivamente.

Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, a atividade desenvolve a memória, os conhecimentos de Estudo do Meio e de Matemática.

[ António José Ferreira, jogos testados com criança portadora de NEE ]

Estas brincadeiras cantadas e saltadas contribuem ainda “para que os alunos desenvolvam competências relativas à performance/execução musical, ou seja, cantar, tocar, movimentar, bem como as relativas a formas de comunicar/partilhar publicamente as performances e/ou criações.”

(Direção Geral da Educação, Aprendizagens Essenciais, Música, 1º Ciclo)

Copos reciclados para jogos em casa

Copos com ritmo

Jogos musicais de copos são muito fáceis de fazer em casa e são muito benéficos para o seu filho com necessidades educativas especiais, com dificuldades de aprendizagem ou com atraso. (Obviamente os jogos de copos podem ser realizados com crianças que não tenham qualquer necessidade especial, ou entre adultos). Crie o seu conjunto de pequenos objetos reutilizados, como uma ou duas tampas de amaciador.

Exercício prévio

O adulto e a criança colocam-se à mesa, um de frente para o outro. O adulto dirá “Eu passo, tu passas”, para ajudar a passar o copo sem perder a pulsação. Em “eu”, o adulto agarra o copo; em “passo”, coloca o copo em frente da criança; em “tu” é a criança que agarra; em “passas”, coloca o copo em frente do adulto. Primeiro fazem com a mão direita; depois com a mão esquerda. Depois, dizem a lengalenga passando o copo.

Unidades, dezenas, centenas, milhares

O adulto agarra e diz “um” quando bate o copo em frente da criança, e ela fará o mesmo, até 10. Em seguida, faça o mesmo com dezenas (10, 20, até 100); e centenas (100, duzentos, até 1000).

Lengalenga criativa

Copo copo jericopo,
jericopo copo cá.
Quem lavar melhor o copo
sumo fresco beberá.

[ António José Ferreira, testado em criança com necessidades educativas especiais ]

Concebidos para a família com os recursos, “Jogos musicais em casa” podem ser realizados na escola por técnicos e professores de “Música Adaptada” e “Oficina dos Sons Adaptada”.

António José Ferreira
Copos reciclados para jogos em casa
Copos reciclados para jogos rítmicos em casa
Diospiro

1. Importância do jogo

Tal como acontece em animais selvagens ou domésticos, a brincadeira e o jogo na infância humana contribuem para o desenvolvimento psicomotor das crianças. No caso de crianças com necessidades educativas especiais, a família tem um papel importantíssimo, criando condições para que a criança supere dificuldades e adquira competências de forma lúdica. Este jogo envolve alimentação saudável, Estudo do Meio e Língua Portuguesa, Música e Expressão Dramática.

2. Fruta faz bem

Adulto e criança descascam uma laranja e uma maçã, e cortam-nas para fazer salada de fruta. Põem numa taça. O adulto diz à criança a parte que lhe compete:

Apetece-me salada
Com a fruta que houver:

Com laranja, com maçã,
Com banana, com romã,
Com ameixa, com melão,
Com papaia, com mamão.

O adulto responderá:

– Nem papaia nem mamão,
Nem ameixa nem melão,
Nem banana nem romã,
só laranja e maçã!

Depois de aprenderem as quadras, improvisam melodicamente como se estivessem a cantar teatro musical.

3. Caminhar é saudável

Saudável é também caminhar, onde for possível e seguro. Treinam as seguintes falas:

– Quero convidar-te! – diz o adulto à criança.
– Convidar para quê? – responde.
– Para ir ao parque.
– Em que dia é?

– Dia 30! (ou outro) – diz o adulto.

A criança conta quantos dias faltam, desde o dia em que está:
– 25, 26, 27, 28, 29, 30.
Depois, diz acompanhando cada dia com um salto.

[ António José Ferreira, testado em criança com NEE ]

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Diospiro
Diospiro, fruto do outono
Moeda, jogos em família

Da importância do jogo

Este é um jogo a fazer em família, com dinheiro verdadeiro, para a criança desenvolver a autonomia e as competências matemáticas. Trabalha conteúdos escolares nas áreas da Matemática, do Estudo do Meio, do Português e da Música.

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I. O barqueiro

Antes da jogada, o adulto entrega uma pequena soma de dinheiro à criança, conforme a sua competência e desenvolvimento, dando as explicações que sejam necessárias. Em seguida, o adulto faz de barqueiro e a criança de cliente. E fazem o diálogo:

– Ao chegar ao barco,
Disse-me o barqueiro. – diz a criança.
– São 5 euros.
Dê-me o dinheiro. – responde o adulto.
– Tome 1, mais 1 são 2,
mais 1 são 3, mais 1 são 4,
mais 1 são 5.
Tome lá o seu dinheiro.

Em seguida, o adulto dá duas moedas de dois euros e uma moeda de um euro, adaptando o diálogo. A criança deve somar corretamente as parcelas.

Em seguida, fazem o diálogo, como se estivessem a fazer um teatro musical.

António José Ferreira, jogo testado em criança com NEE.

“A voz e o corpo da criança, bem como os objetos do seu quotidiano, são os recursos privilegiados para o desenvolvimento musical neste ciclo de ensino. As atividades musicais deverão ser exploradas a partir dos elementos musicais de melodia, harmonia, ritmo, pulsação, divisão, métrica, dinâmica, textura, forma e timbre.”

Direção Geral da Educação, Aprendizagens Essenciais, Música, 1º Ciclo
Moeda, jogos em família
Moeda, jogos de música e matemática em família