Artigos académicos ou de divulgação sobre música

Música e atraso entre os 9 e os 13

MÚSICA E ATRASO ENTRE OS 9 E OS 13

por Cibelle Loureiro

Excerto de Musicoterapia na Educação Musical Especial de Portadores de Atraso do Desenvolvimento Leve e Moderado na Rede Regular de Ensino, por Cybelle Maria Veiga Loureiro. Minas Gerais 2010.

No estádio operatório-concreto, o portador de atraso do desenvolvimento entre nove e treze anos estará com um desenvolvimento aproximadamente correspondente a de seus colegas de sete a onze anos de idade. De acordo com Piaget, a criança nesse estádio desenvolve as suas noções de tempo, espaço, velocidade, ordem e casualidade. Já é capaz de relacionar diferentes aspectos da realidade, mas ainda depende do mundo concreto para chegar à abstração.

Um dos objetivos principais nesse estádio é trabalhar o que Piaget denominou realidade imediata. Esse é o momento na educação musical especial onde a intensificação nos exercícios que envolvem prontidão de resposta tocando, cantando e no movimento corporal farão uma grande diferença no desenvolvimento do tempo de reação do aluno portador de atraso do desenvolvimento.

Nesta idade temos a nosso favor o facto de que essas crianças já apresentam alguma preferência instrumental estabelecida o que facilita a prática. Os instrumentos de percussão parece serem os preferidos não somente na nossa, mas em diversas culturas.

Trabalham através da música as noções de tempo, espaço, velocidade, ordem e casualidade que, de acordo com a sequência dos estádios são necessárias ao seu desenvolvimento global nessa idade. Uma técnica musicoterapêutica muito utilizada para esse fim é chamada espaço aberto, onde o silêncio ou pausa na música é utilizado como um sinal e estímulo à ação da criança, como por exemplo, a verbalização de uma palavra completando uma frase de uma canção. O mesmo acontece com as atividades instrumentais, onde além do espaço aberto o exercício em ritmos sincopados, típicos das músicas brasileiras, são um auxílio ao estabelecimento da prontidão das respostas.

musicoterapeuta compõe especialmente músicas na forma de pergunta/resposta, onde linhas melódicas somente serão completadas se a criança executar o seu final. Outra forma bastante comum é a de eco, onde a criança repete a frase tocada pelo professor ou colega. Nessa idade são capazes de estabelecer relações entre diferentes aspectos da música, como sons graves e tambores grandes, uma música rápida a movimentos corporais rápidos, staccato a movimentos corporais de saltar, etc.

Elas não se limitam mais a uma representação imediata, mas ainda são altamente dependentes do mundo concreto para chegar a qualquer tipo de abstração.

Sabemos que essas habilidades são resultadas de uma prática musical desde o período sensório-motor. Mas, de acordo com Piaget, “a criança em qualquer idade faz o que é capaz praticando, isto é exercitando qualquer tipo de interação que lhe for acessível”.

Sabemos da importância da prática e número de repetições que são necessárias para a assimilação e acomodação do material a ser apreendido. Neurologicamente falando, todos nós precisamos de três a cinco repetições para alcançar a acomodação de uma informação. Esses jovens talvez necessitem de mais vezes ainda.

É crucial para o professor compreender o progresso musical que é esperado do portador de deficiência nessa idade. Para Swanwick e Tillman, se ficarmos privados da música por um pequeno período de tempo que seja a primeira e a mais chamativa impressão da música que teremos é ao nível sensorial.

Sabemos que muitas das nossas crianças que frequentam as escolas públicas talvez sofram esse tipo de privação cultural o que dificulta a atuação dos professores e a integração dos alunos junto aos demais colegas.
As salas de recursos, onde aulas particulares possam ser oferecidas por um musicoterapeuta, poderiam minimizar os efeitos dessa privação, normalizando o processo de integração à sala de aula de música.

MÚSICA NO AUXÍLIO À COMUNICAÇÃO, LINGUAGEM E SOCIALIZAÇÃO

A comunicação é um conceito abrangente. De acordo com Lathom e Eagle, comunicação é um conceito mais amplo que a linguagem ou fala. Só existe uma relação significativa entre as pessoas se existir comunicação entre elas. Para que a comunicação se estabeleça é necessário que haja troca de experiências.

Sabemos o que é cor vermelha, mas como a podemos descrevê-la a um deficiente visual? Para as pessoas em geral nós a mostramos. Portanto, existem elementos na nossa comunicação que são indescritíveis. Ao contrário, conceitos como o leve, o forte, o rápido e o lento podem ser vivenciados através da música no auxilio ao desenvolvimento perceptual desses conceitos.

Para Gfeller, o relacionamento humano é único por causa dos nossos sentimentos, emoções, experiências, ideias e conhecimentos que trocamos com as pessoas. Essa troca poderia não existir sem a comunicação.

Na nossa sociedade a palavra é o meio predominante de comunicação; porém vimos no estudo do caso de Lucas, que elas são apenas uma parte do
processo de nossa comunicação. Existem várias formas de comunicação não verbal como gestos, ruídos, sinais, ícones, pintura, dança e a música. Elas são uma quantidade tão grande da comunicação não verbal do nosso dia a dia que passamos a não estar atentos a ela.

Na educação especial ela é parte funcional e valiosa. É importante estar atento a ela e aprender um bom número de estratégias que acompanham características pessoais, como nos casos de portadores de autismo que se comunicam através da linguagem não verbal.

Para Vygotsky a linguagem é toda e qualquer forma de expressão. Ele coloca que:

O homem é um ser social e a linguagem, o instrumento das interações sociais que possibilita ao sujeito pertencer a uma cultura. A linguagem, aqui, não é compreendida como sendo um sistema abstrato de normas ou, apenas, atividade verbal. A linguagem vai muito além: é toda e qualquer forma de expressão. E está presente na arte, na pintura, na música, no cinema, no folclore, nos gestos, no olhar, na emoção, na respiração e, inclusive, no silêncio.

É comum se dizer que a música é uma forma de comunicação. Mas, para o portador de atraso do desenvolvimento ela vai além. Ela pode ajudar o indivíduo a comunicar seus sentimentos, o que é necessário para o equilíbrio da nossa saúde.

Outro tipo de comunicação que aprendemos na escola é a escrita. A notação musical tradicional é ensinada com sucesso para os alunos portadores de atraso do desenvolvimento leve. Já a notação simplificada na forma de representações gráficas de sons curtos, sons longos, palmas e outros, são comumente utilizados com sucesso para alunos com atraso moderado.

Todas essas formas de comunicação através da música talvez sejam a única maneira que muitos dos portadores de atraso do desenvolvimento tenham de se socializar musicalmente.

Envolvimento social

A participação dessas crianças em atividades musicais em grupo para cantar ou tocar são a preferência desses alunos. Nessas atividades eles podem exercitar e desenvolver vários níveis de capacidade física e intelectual.

Davis sugere que podemos organizar grupos que possam unir crianças que podem andar com aqueles que estão na cadeira de rodas. Aquelas com habilidades manuais com as que têm algum comprometimento no uso das mãos e dedos e agrupa ainda os com ou sem alterações sensoriais, fazendo-os participar na interação social através da música. Se podemos unir jovens que apresentam tais dificuldades em um espaço de ações partilhadas, com certeza de acordo com o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal de Vygotsky a instauração desses grupos junto a alunos mais capacitados seria ideal ou até mesmo necessária.

Várias são as habilidades que podem ser alcançadas em atividades de grupo de música, entre elas, saber esperar, dar a vez, trocar, colaborar e inter-relacionar-se com os colegas, para muitas desses jovens elas podem ser difíceis de serem alcançadas se não forem praticadas desde a pré-escola.

Estudos em musicoterapia demonstram os benefícios da integração precoce em programas de música na inter-relação das crianças deficientes com os demais colegas na sala de aula. Já em outros estudos são levantadas as questões referentes aos possíveis reações comportamentais do jovem nessa idade diante de uma dificuldade na prática da música.

Comportamentos impróprios ou mal adaptados como, falar alto ou gritar quando o professor corrige algo errado, auto-agressão, levantar e sair da sala e chorar são problemas que alguns portadores de atraso do desenvolvimento podem apresentar quando estão frustrados diante de uma dificuldade.

Comentários e brincadeiras dos colegas podem também desencadear esses comportamentos. Com a ajuda de algumas técnicas podemos alcançar um maior envolvimento do aluno com os colegas. Entre elas esta a disposição dos alunos em sala. Atividades em círculo ou semicírculo facilitam o contato entre os alunos.

Exercícios de improvisação são uma das atividades preferidas e onde podemos ter como objetivo desenvolver o contacto visual com os colegas e saber ouvir os outros, desenvolvendo com isso a noção de dar e esperar a vez de cada um.

A composição coletiva é outra forma de cooperação, onde todos dão ideias para os versos de uma canção ou ainda para os temas musicais. O mais importante nas atividades de grupo é a variedade de habilidades que são adquiridas em experiências onde esses jovens podem praticar e melhorar sua competência social. Isso motiva o aluno em direção ao próximo estádio do seu desenvolvimento que o acompanhará até a idade adulta.

Muitas de nossas crianças somente terão oportunidade de adquirir tais habilidades sociais se, ao invés delas irem à escola, lhes forem oferecidos atendimentos individualizados e especializados. Residem em instituições até hoje desde a primeira infância por vários motivos. Muitas foram abandonadas pelos pais ou levados a esses locais devido ao seu estado de pobreza.

Caso ilustrativo

Este trabalho foi realizado em uma instituição filantrópica, o Núcleo Assistencial Caminhos para Jesus, com o objetivo principal de proporcionar aos seus participantes residentes um contacto mais concreto com o mundo exterior, através de sua inclusão no 24º Festival de Inverno da UFMG realizado em 1992. Ao invés dos alunos irem até o festival, o festival foi até aos alunos que participaram da oficina intitulada Música: Possibilidades Expressivas. O objetivo principal desse trabalho foi o de levar aos residentes uma assistência beneficente que procurou estimular o interesse pela música como forma de cultura, lazer, socialização e comunicação, fortalecendo a auto-estima, habilidades e vocações dos alunos.
O curso teve a duração de quatro semanas, com aulas de educação musical especial de cinquenta minutos cada. Participaram 24 adultos e idosos residentes no local e 54 crianças e adolescentes portadores de paralisia cerebral sendo a maioria dos casos associados ao atraso do desenvolvimento.
Incluiu uma orientação aos professores e terapeutas da instituição, mais cinco estagiários, alunos dos cursos de graduação de psicologia, educação e fisioterapia da UFMG.

As atividades musicais foram voltadas essencialmente para a socialização e a comunicação entre os participantes, tendo a música como elemento estimulador.

Resumidamente, a avaliação dos alunos foi composta de um estudo do registo vocal por idade, habilidades motoras, de comunicação e preferências musicais das crianças. As atividades incluíram basicamente todas as estratégias e adaptações descritas até então nesse estudo. As aulas eram previamente planificadas mantendo durante as quatro semanas uma estrutura composta de 3 momentos.

Primeiro, a atividades de abertura, onde foi criada uma música especialmente para facilitar a memorização do nome de cada participante e um maior contacto entre eles, facilitando a comunicação e socialização.

Num segundo momento, foram criadas ou adaptadas canções contendo movimento “com” a música e movimento “através” da música onde foram utilizados instrumentos musicais selecionados por nível de dificuldade e idade dos participantes. A comunicação foi trabalhada através do uso da técnica de terapia de entonação melódica modificada, espaço aberto, eco e pergunta/resposta.

No terceiro e último momento da aula, uma atividade de encerramento era utilizada, onde através do uso de uma canção especialmente composta para o grupo, descrevia-se de forma resumida tudo o que fora feito naquele dia e logo a seguir alunos e professores se despediam.

Essa é uma estratégia de auxílio à noção espaço temporal, isto é a noção de duração da aula e generalização.

Vale ressaltar o caso de Filipe, com 11 anos de idade que além de apresentar um atraso do desenvolvimento, possuía as características acima descritas como comportamentos impróprios ou mal adaptados, caracterizados por gritos e auto-agressão que perduraram por duas semanas. No entanto, era visível a sua observação ao que estava sendo feito nas aulas e, repentinamente, após uma abordagem mais individual ele envolveu-se tanto com o objeto sonoro como com a musicoterapeuta, surpreendendo toda a equipa de trabalho. Trazia sempre para a aula um pano que esfregava nas mãos e boca que era utilizado para controlar seus gritos.

Após três semanas de aula, o musicoterapeuta retirou esse pano de suas mãos e introduziu o instrumento que observou ser sua preferência. Portanto, nesse caso a preferência instrumental foi o veículo para o estabelecimento do contacto social. Passou a interagir não somente com o musicoterapeuta, mas com os outros membros da equipa que já até tinham pensado em não levá-lo mais para as aulas devido aos seus gritos.

Filipe é um caso típico de atraso do desenvolvimento por privação sóciocultural. Após orientação ele demonstrou a sua capacidade de desenvolvimento cognitivo e adaptativo.

Música e atraso entre os 9 e os 13

Criança tocando

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Música e atraso entre os 4 e os 9 anos

MÚSICA E ATRASO ENTRE OS 4 E OS 9 ANOS

por Cibelle Loureiro

Excerto de Musicoterapia na Educação Musical Especial de Portadores de Atraso do Desenvolvimento Leve e Moderado na Rede Regular de Ensino, por Cybelle Maria Veiga Loureiro. Minas Gerais 2010.

Uma criança portadora de atraso do desenvolvimento na idade de quatro a nove anos, talvez esteja com um desenvolvimento intelectual de uma criança de aproximadamente dois a sete anos. Em termos piagetianos esse estádio do desenvolvimento da criança caracteriza-se principalmente, pela interiorização de esquemas de ação construídos no estádio anterior o sensório-motor.

Para Piaget, o desenvolvimento cognitivo é um processo de sucessivas mudanças qualitativas e quantitativas das estruturas cognitivas. Cada estrutura é derivada da estrutura anterior. A construção e reconstrução dessas estruturas seguem um padrão cognitivo e de idade cronológica mais ou menos determinada.

Somados ao objetivo principal de desenvolvimento do tempo de atenção, que continua sendo um dos mais relevantes, a auto identificação ou reconhecimento do eu, a verbalização, e o desenvolvimento da auto-estima e socialização passam a fazer parte dos objetivos das atividades de ensino. Para Vygotsky, nessa faixa etária a fase pré-verbal é substituída pela fase préintelectual da fala. “É uma nova forma de funcionamento psicológico, onde o pensamento torna-se verbal e passa a ter função simbólica e social” (Vygotsky).

Numa sala de recursos, num ambiente musicoterapêutico, técnicas
multimodais acústicas são utilizadas no auxílio à verbalização. Estas incluem,
basicamente, o uso de sons vocalizados ritmicamente, a discriminação de timbre e frequências em duas técnicas específicas.

A primeira a ser utilizada é a técnica de terapia de entonação melódica, onde é estabelecida a comunicação intencional verbal ou não verbal através da vocalização livre de sons e do uso do ritmo e da melodia no auxílio à comunicação básica, com ênfase nas proposições, sílabas e palavras simples.

Num segundo momento é utilizada a terapia de entonação melódica modificada, onde canções de preferência da criança são selecionadas pelo terapeuta e utilizadas no auxílio à fala e domínio do vocabulário. Muito do trabalho realizado na sala de recursos no auxílio à verbalização, somente se generalizará se os resultados obtidos forem praticados também no dia a dia da criança, e isso inclui a escola, onde nada seria melhor do à sala de aula de música, onde através das canções preferidas das crianças um vasto vocabulário pode ser exercitado.

Outros esforços devem ser dirigidos para o desenvolvimento do ritmo motor das crianças. Trabalhar música associada ao movimento é essencial para essas crianças. Os dois conceitos básicos de movimento “com” a música e movimento “através” da música utilizados em musicoterapia podem auxiliar os professores na escolha e implementação de objetivos específicos a serem alcançados por cada um dos alunos.

Nessa faixa etária, os movimentos com a música incluem um trabalho voltado para a consciência corporal e coordenação motora. Limitações na consciência corporal, ou seja, o posicionamento ou reconhecimento de partes do corpo ou de movimentação do corpo no meio ambiente são alguns dos motivos dessas
crianças se tornarem inseguras e inativas.

Comumente, o medo e a insegurança são gerados pela percepção distorcida ou ausente que a criança tem de seu próprio corpo. Atividades que incluem imitar movimentos ou nomear partes do corpo ou ainda mover-se livremente com a música podem ser árduas e difíceis dependendo do nível do comprometimento cognitivo e motor. Atividades rítmicas motoras deveriam estar incluídas na rotina das planificações de aula.

Movimento através do uso de instrumento musical é uma das atividades prediletas dessas crianças, porém a seleção dos instrumentos deve ser cautelosamente observada. Os instrumentos são selecionados de acordo o diâmetro, peso, timbre, posicionamento adequado e nível de esforço para execução.

Existem os instrumentos que exigem esforço mínimo, médio e máximo do desenvolvimento físico e cognitivo da criança. Um instrumento simples como as clavas, por exemplo, são executados aos pares, apresentam tamanhos, peso e espessuras diversas e a criança deverá batê-los fazendo um trabalho bi-manual de grande precisão. Exige uma boa coordenação viso-motora e de movimento na linha média do corpo, exigindo da criança atenção, organização corporal, e precisão rítmica.

Portanto, a utilização de um instrumento aparentemente simples como esse deve antes ser avaliada. Quando oferecemos um instrumento a essas crianças, devemos ter certeza que elas serão capazes de utilizá-los. O posicionamento da criança diante do instrumento e a tentativa de realizar os movimentos dentro de padrões normais são de suma importância.

Alguns instrumentos devem sofrer adaptações para que tenhamos a certeza de que as crianças vão poder executá-los. Uma orientação musicoterapêutica é recomendável. O uso de velcros, luvas e borrachas aderentes como adaptações são recursos normalmente utilizadas pelos musicoterapeutas.

O desenvolvimento do senso de previsibilidade também é um dos fatores de instabilidade emocional e pode ser trabalhado através do estabelecimento de uma rotina especifica. Manter uma estrutura fixa, no início, meio e fim de cada aula auxiliam a aproximação, estabelecimento de contacto, aumento do nível de participação e socialização.

Esses objetivos podem ser alcançados se forem utilizadas estratégias e adaptações específicas na prática e no processo de aprendizagem em exercícios individuais e em grupo que exercitem o contacto do professor com a criança e das crianças entre si.

APROXIMAÇÃO TRABALHANDO A COMUNICAÇÃO E O RITMO MOTOR

Trabalhando a Rotina

Para trabalhar a auto identificação da criança, pode ser útil o uso do nome da criança introduzido nos versos das canções, bem como na simples aproximação do professor, tocando ou vocalizando, enfatizando o contacto com cada criança em particular.

O trabalho inicialmente pode ser feito na forma de eco (o professor canta o nome de cada criança e todos repetem), para depois passar para pergunta/resposta. Ambas as formas auxiliam no desenvolvimento da prontidão ou tempo de resposta da criança, pois despertam a percepção do momento exato de agir.

marcação rítmica silábica do nome da criança, bem como a marcação da sílaba tónica em um instrumento de percussão, é um grande auxílio ao desenvolvimento da verbalização e consequentemente do desempenho da criança nas atividades de canto.

Além de facilitar o desenvolvimento da verbalização, essa pode ser uma maneira de facilitar a comunicação. Quando cantamos ou dizemos o nosso nome a uma pessoa, mostramos que estamos dando um pouco de nós mesmos a ela; quando identificamos uma pessoa falando o nome dela, mostramos o nosso desejo de estar com ela.

Muitas dessas crianças necessitam de apoio para poderem comunicar-se. Alguns só conseguirão utilizar uma comunicação não verbal desenvolvendo a habilidade de indicar, isto é apontar objetos, pessoas e lugares, ou através de ícones ou sons significativos como o de negação e afirmação. A comunicação é um processo amplo, no qual as pessoas interagem e se relacionam, afetando ambas as pessoas envolvidas.

A comunicação é definida como o uso da troca de informações que precedem e auxiliam o desenvolvimento da linguagem. A habilidade de usar eficientemente a linguagem é vital para o desenvolvimento cognitivo e sucesso do indivíduo na sociedade. O resultado de um atraso no desenvolvimento da linguagem pode se refletir também no desenvolvimento adaptativo da criança. A música pode ser um meio de comunicação de sentimentos efetiva em varias situações.

Trabalhando o Ritmo Motor

O movimento é descrito pelas pessoas em geral como uma resposta natural à música. Porem, para algumas dessas crianças, a dificuldade de manter a atenção, de memória imediata e organização de informações auditivas, reduzem a precisão e capacidade de manter ritmicamente organizados os seus movimentos.

O grupo mais comum de portadores de disfunções motoras são os casos de paralisia cerebral, patologia de origem neurológica, ou nos problemas ortopédicos que acompanham as deficiências físicas, como os casos de paraplegia ou hemiplegia, onde o atraso do desenvolvimento pode ou não estar associado.

Existem quatro categorias de habilidades motoras que podem ser trabalhas em atividades rítmico-motoras: (1) habilidade motora fina, (2) habilidade motora grossa, (3) precisão motora e (4) força e resistência.

Habilidade motora fina consiste de movimentos que requerem o controle de músculos pequenos, como por exemplo, pegar uma baqueta ou tocar as teclas do piano.

Habilidade motora grossa envolve músculos maiores ou um grupo de músculos, como por exemplo, os que utilizamos para correr, marchar, pular, tocar um tambor, bater palmas ou balançar uma maraca. A extensão qualitativa e quantitativa no uso de habilidades motoras finas ou grossas que a criança está usando é determinada pela precisão, força e resistência que ela necessitara para atingir um alvo como tocar do piano, manter a sequência e velocidade de uma música ou sustentar um instrumento numa determinada posição como segurar um triângulo.

Trabalhando o desenho rítmico em instrumentos musicais

É recomendável o uso de músicas curtas, com não mais do que 8 compassos e com estruturas rítmicas simples. Os compassos 4/4 e 2/4 são utilizados inicialmente, pois essas crianças podem apresentar dificuldade em perceber compasso 3/4. Apresentam essa dificuldade e também com frequência pouca regularidade rítmica provavelmente devido a problemas de origem neurológica, que afetam a ritmicidade motora, que significa a capacidade biológica que possuímos de manter o ritmo ao executar várias funções como, andar e falar e mais recentemente pesquisada também em musicoterapia na neurologia.

Os instrumentos musicais devem ser criteriosamente selecionados desde o estádio sensório-motor. Se utilizados com critérios, eles serão os indicadores do desenvolvimento cognitivo e em especial do desenvolvimento motor da criança. Uma consultoria de um musicoterapeuta é aconselhável, pois ele seleciona os instrumentos de acordo com o diagnóstico e as habilidades e dificuldades de cada criança individualmente. Os instrumentos devem seguir certa sequência em sua utilização num processo educacional.

Por exemplo, quando se quer atingir uma coordenação motora fina e a criança não domina nem a motora grossa, deve-se começar utilizando primeiro instrumentos que exijam uma coordenação motora grossa e gradualmente introduzir materiais com os quais a criança atingirá o desenvolvimento nesse tipo de movimento.

Trabalhando o canto e uso de canções

Nesta fase, as canções já passam a ser selecionadas pelas crianças de acordo com a preferência e significado pessoal, ou seja, o desenvolvimento da
identidade musical do indivíduo. O uso de canções curtas, mais ou menos com um minuto de duração, são as recomendadas, pois essas crianças podem apresentar défices na frequência e amplitude respiratória.

É importante ter em mente que o registo vocal dessas crianças é mais baixo, como nos casos da síndrome de Down e em alguns casos de paralisia cerebral. Os intervalos recomendados são Sib2 – Sol#3 (466.16 Hz – 830.61Hz) ou Si2 – Fá#3 (493.98Hz-739.99Hz) ou ainda La2 – La3 (440.00Hz – 880.00Hz) e de Dó3 – Sol3 (523.25Hz a 783.99Hz)23 (Zinar, 1987).

Talvez muitas dessas crianças só venham a cantar os refrões de muitas das canções, pois de todas as situações referentes ao uso de instrumentos musicais, o canto, que utiliza o próprio corpo. Assim, requer uma atenção ainda maior por parte dos professores e terapeutas, pois abrange vários fatores psiconeurofisiológicos, termo que remete à extensão do conhecimento multidisciplinar que nos é possível alcançar na ciência de hoje.

As causas da ausência de verbalização ou fala podem ser várias desde problemas neurológicos, como nos casos de autismo ou complexo autístico, associado ao atraso do desenvolvimento. Podem existir também problemas fisiológicos, como na síndrome de Down, onde além da frequência da voz, a articulação e formação das palavras talvez sejam as duas maiores dificuldades. Algumas dessas crianças não são verbais, mas utilizam à comunicação não verbal ou gestos e sons significativos.

Em todas as situações, existem opções que auxiliam o trabalho, como, por exemplo, facilitar a participação dos alunos ensinando-os a vocalizar sons em uma só vogal ou sílaba, tendo-se em mente a questão referente à extensão vocal.

Uma consultoria de um fonoaudiólogo ou musicoterapeuta especializado é necessária a fim de minimizar o problema da criança antes de aleatoriamente incluí-la em atividades de canto que possam agravar os problemas.

Música e atraso entre os 4 e os 9 anos

Criança tocando, foto Newman Aaronson Vanaman

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Castanholetas

I. Recicla objetos, recria sons

A reutilização assume-se cada vez mais como um valor pela arte que produz e pelos benefícios ambientais. Promove a redução da pegada ecológica, desenvolve a criatividade e representa economia para professores, alunos, escolas e entidades que promovem a Expressão Musical. Além disso, pode proporcionar momentos de intercâmbio entre o professor, a escola e os encarregados de educação.

“Reciclo Sons” valoriza a reutilização – utilizar de modo diferente objetos sonoros destinados ao contentor do lixo. A reutilização não implica grandes transformações no objeto sonoro mas uma organização e utilização que funcione bem com pouco trabalho.

Há coisas que não são normalmente associadas à Música mas que podem ser ligadas à pedagogia musical no 1º Ciclo: bola, mesa, cesto de papéis, almofariz. Neste caso, trata-se apenas de utilizar o objeto com uma finalidade diferente da inicial e sem quaisquer custos.

Existe à nossa volta uma grande quantidade de materiais que vão normalmente para o contentor do lixo e que podem ser interessantes fontes sonoras. Há que experimentar e descobrir onde o objeto tem mais potencial sonoro e com que baqueta, ou de que forma deve ser tocado. Outro aspeto a ter em conta é o que fazer com os instrumentos reutilizados, de modo a tornarem-se instrumentos valiosos para professores e alunos.

1. Baldes

Há latas e baldes que são ótimos tambores com as baquetas certas: baldes ecoponto, latas de tinta plásticas, latas de 20 litros de óleos da Shell (Rimula Super, Rimula D, Rimula D Extra, Rimula R2, Rimula R3 X, Rimula R4, R5, R5 E, R6 M, RX Diesel). Estes, embora não sejam fáceis de encontrar, contam com mais de 10 cores diferentes, o que permitirá espetáculos de percussão muito interessantes em termos visuais. Latas de tinta plásticas são mais acessíveis e podem igualmente ser um bom recurso, pintadas com “spray”.

2. Bolas

De forma surpreendente, bolas com diferentes características poderão seduzir as crianças proporcionando novos timbres, melhorando a concentração, incrementando o gosto pela atividade musical, desenvolvendo a motricidade.

Cada criança tem um copo reutilizado que poderá percutir com o dedo indicador, ou com baqueta de madeira ou plástico. O professor tem uma bola de basquetebol pequena, ou outra que faça o mesmo efeito. A bola pode ser uma das que existem na escola para a atividade física. O professor faz ritmos com a bola no chão, ou em cima de uma mesa. Quando a bola bate os alunos tocam.

Quando a bola rola em cima de uma mesa, as crianças batem seguido até o professor agarrar a bola. O professor pode chamar um aluno para provocar ritmos com ele: passa a bola à criança e, quando algum deles agarra, as crianças batem no copo uma só vez.

Um grupo de crianças tem tambores ou copos, ou recipientes de plástico; outro, clavas de madeira; outro, maracas recicladas. O professor começa por bater com uma bola no chão. Quando a bola bate no chão tocam tambores; quando o professor agarra, tocam as madeiras; quando a bola rola na mesa ou no chão, toca o grupo das maracas. O professor pode explorar ostinatos, accelerando, rittardando, ritmos irregulares e fazer vivenciar outras noções musicais.

3. Copos

Tampas de plástico de certos detergentes para lavar roupa (Formil ativo, por exemplo), servem muito bem para jogos rítmicos com copos, em roda, em pares ou individualmente. Outros copos de cerveja ou gelado conseguem o mesmo efeito. Copos de papel têm uma durabilidade reduzida, mas também são uma opção e têm muitas vezes um timbre mais agradável.

4. Frascos

Recipientes de iogurte bastante ergonónicos podem ser utilizados como maracas, depois de devidamente lavados e secos, com a quantidade certa de arroz. Podem tornar-se idiofones de altura definida, com baquetas adequadas e afinando-se com a própria tampa ou o dedo de quem toca.
Cada recipiente tem, em geral, um lugar mais feliz para ser percutido:

  • tampado ou destampado, produzindo um som mais grave ou mais agudo;
  • percutido num “ombro” de um frasco (de iogurte Danone, por exemplo) ou num dos quatro “cantos” de outro iogurte;
  • na extremidade do frasco sem tampa;
  • percutindo um frasco contra uma parte de outro frasco;
  • percutindo uma parte de um frasco com um pauzinho pequeno e fino.

Pode-se criar pequenas melodias de duas ou mais notas, com tons e meios tons.

Certos frasquinhos de pasta dentífrica finos e duros funcionam bem percutindo frascos de Danone líquidos, tanto na boca como no fundo do frasco.

Recipientes com saliências são ótimos reques, como o de Soft Pink Bubble Bath, por exemplo. Quando este gel de banho feminino acabar, retire as etiquetas de plástico que saem facilmente, encontre um pauzinho fino e prático e raspe. É um idiofone de fricção muito limpo, simples e eficaz. Teria sido uma pena deitá-lo ao lixo. Outro frasco de chocolate para leite Toddy, também funciona do mesmo modo.

Tampas de detergentes de roupa podem juntar-se e formar marcas muito eficazes, seguras e coloridas, gastando apenas nesse trabalho um pouco de arroz ou bocadinhos de fio elétrico e cola superforte para as partes não se separarem. Muitos frascos de champô também produzem sons claros.

Recipientes de plástico ColaCao ou Ovomaltine, substituindo a tampa por membrana de balão ou borracha. Ou então pode-se bater com baqueta adequada na beira em que a tampa roda, de frente. Se houver uma baqueta com extremidade de borracha (reciclada de uma câmara de ar, por exemplo), a mão esquerda pode agarrar a boca do recipiente e abri-la mais ou menos e fechá-la completamente percutindo com a mão esquerda. Com sensibilidade e prática pode-se tocar várias notas e fazer melodias.

Agarrando-se a parte que tem a tampa (frasco de Champô Pantene Po-V 200 ml, por exemplo) e batendo de lado com maraca de borracha produz-se um som interessante. Em muitos casos, as etiquetas de plástico saem facilmente, não sendo preciso demolhar. Na falta de melhor baqueta, certos pauzinhos finos curtos ou mesmo lápis, ou canetas gastas podem ser eficazes. Aí está uma razão para não deitar fora certas canetas gastas.

5. Cabos

Cabos de esfregona ou de vassoura que se partiu, canas de bambu, pauzinhos de diversos tipos que vão para o lume na aldeia podem dar origem a eficazes e belos instrumentos, clavas, reques, chincalhos, baquetas para tocar tambor.

6. Pedras

pedras com as quais se consegue belas melodias, em música tonal ou em estilo contemporâneo. Há rios e locais (Rio Paiva, na Espiunca, por exemplo) em que se encontram belas pedras para este efeito. Há também restos de xisto ou de mármore que podem dar origem a interessantes litofones de jardim ou utilizáveis na sala de aula. Para não furar mal a pedra, vá a um marmorista que furará com precisão sem estragar a pedra (o que poderá acontecer se usar máquinas de furar comuns).

7. Recipientes geométricos

Com perseverança, conseguirá reunir um vasto conjunto de recipientes em forma de sólido geométrico (de plástico) muito interessantes (esfera, oval, cilindro, paralelipípedo, cone, cubo).
Entre essas formas com excelente potencial para maracas bonitas e resistentes contam-se as esferas dadas em muitas máquinas que dão brinquedo quando se mete uma moeda, ou chocolates. A junção de uma tampa de certas tampas de detergente com outra de diâmetro ligeiramente menor faz o mesmo efeito e aumenta o colorido. Cola superforte é importante para que estes recipientes não se abram com frequência quando caem ao chão.

8. Tampas

As tampas de “spray” podem ser utilizadas para batucar com os dedos (indicador, médio e polegar), tal como as tampas em forma de dedal que encontramos em muitos detergentes. Estas podem também ser utilizadas para bater uma contra outra, ou contra tampas maiores, produzindo-se por vezes sons semelhantes ao de pingos de água, ou de estalidos com a língua.

Tampas largas de detergente de roupa, tipo copo, podem ser ótimas para jogos rítmicos em cima da mesa ou no chão, com as crianças sentadas em círculo com as pernas à chinês. Além do mais, já são coloridas e estão limpas, podendo-se com a ajuda de crianças e pais encontrar-se conjuntos da mesma para uma turma inteira.

9. Tubos

Com tubos de PVC resultantes de restauros e obras domésticas podem-se fazer instrumentos de percussão de altura definida. Tubos de diversos diâmetros que produzirão, conforme o comprimento, sons mais graves ou mais agudos. Agarrando na vertical e batendo o tubo na pedra, ou batendo com a mão na boca do tubo, ou utilizando uma baqueta de borracha (câmara de ar) podem obter-se resultados surpreendentes. Se quiser melhorar o aspeto do tubo, pinte-os com “sprays” apropriados que existem em lojas dos chineses, por exemplo.

10. Metal

Da construção de muros sobram ferros de verguinha. Por vezes, basta colocar um fio para segurar um quase triângulo e obter um fio de verguinha mais fino para bater. Se colocar uma borracha numa ponta do ferro pequeno para agarrar e percutir, tem um triângulo feito, auditivamente menos agressivo do que alguns que estão à venda.

II. Oficina

Tendo espaço, veja o que vale a pena reutilizar musicalmente:

  • cabo de madeira de faca
  • pauzinhos direitos
  • fios de pesca
  • cordéis
  • cabo de vassoura velha
  • tampas metálicas de sumo e de frascos
  • pequenos bocados de madeira
  • parafusos e pregos de tamanhos diferentes
  • testos de panela
  • arames de cobre
  • recipientes de iogurte resistentes
  • bonitos e práticos
  • areias e sementes duras
  • tachas
  • tecidos bonitos e balões
  • canas de bambu
  • beijinhos do mar
  • recipientes geométricos
  • pauzinhos chineses
  • pauzinhos de espetada
  • sacos de rede fina
  • latas
  • tubos cilíndricos de cartão forte
  • chaves inúteis
  • canetas gastas
  • bolas de ténis de mesa.

Antes de deitar fora esses materiais pense muitas vezes. Com serras de madeira e de metal, martelo, lixa, alicate, chave de fendas, sovela, fita adesiva, cola super-forte poderá fazer pequenos instrumentos robustos e muito interessantes.

António José Fereira

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Criança abraça a mãe

Jogo de bola à mesa: criança com criança – ou criança com adulto – sentam-se frente a frente nas cabeceiras da mesa, tendo uma pequena bola. Têm perto da mesa um papel e uma caneta para anotar os resultados. Cada um faz a bola rolar em direção à cabeceira adversária. Se a bola cair pelos lados, o adversário ganha um ponto. O jogador que fizer a bola entrar na “baliza” contrária também marca um ponto. Quando um jogador chega aos 5 pontos, venceu o jogo. Aponta-se o resultado e dá-se início a mais um jogo.

António José Ferreira

“Família meu amor”: comemora o Dia Internacional da Família (15 de maio).

I. Um abraço faz-me feliz

Este é um poema/canção para os pais abraçarem, tocarem, massajarem, brincarem com a criança com (ou sem necessidades educativas especiais).

Canta usando a melodia em MIDI.

Um sorriso faz-me feliz.
Um sorriso te quero dar.
Eu sorrio e tu sorris.
Que bom ter-te para brincar.

Um sorriso!

Um abraço faz-me feliz,
um abraço te quero dar.
Eu te abraço e tu sorris.
Que bom ter-te para brincar.

Um sorriso!
Um abraço!

Uma bola faz-me feliz,
uma bola te quero dar.
Passo a bola e tu sorris.
Que bom ter-te para brincar.

Um sorriso!
Um abraço!
Uma bola!

Criança abraça a mãe
Criança abraça a mãe

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Meloteca, recursos musicais criativos para crianças, professores, educadores e animadores

Meloteca, recursos musicais criativos para crianças, professores, educadores e animadores

II. “No médico”, teatrinho criativo

Ouve a melodia AQUI.

Tente cantar com a melodia, ou improvise com ritmo corporal (palmas e mãos nas pernas, por exemplo, marcando a pulsação de forma alternada). Depois de estar preparado o texto, realize como se estivesse a representar uma pequena peça, tendo como personagens, a criança, o pai ou a mãe, o médico ou médica. Se possível, o pai ou outro familiar pode fazer de conta que é o médico. Toca diferentes partes do corpo, enquanto o adulto que faz de pai ou mãe canta o refrão. Não havendo mais ninguém em casa, o adulto canta e toca nas diferentes partes do corpo, se a criança não o conseguir fazer.

Olá, boa tarde,
ó senhor Doutor.
Veja o meu filho:
está com uma dor.

Veja a cabeça!

Veja as orelhas.

Veja o pescoço!

Veja os braços!

Veja as mãos!

Veja o peito!

Veja as costas!

Veja a barriga!

Veja as pernas!

Veja os pés!

Crianças em idade pré-escolar e até ao 3º Ano de Escolaridade gostarão de realizar esta atividade. Pelas suas características, pode ser bem sucedida também com crianças portadoras de NEE.

III. Vamos ao cinema

O adulto e a(s) crianças vêem uma AQUI uma curta metragem. Se possível, a mãe ou o pai fazem pipocas, sentindo com o tacto, o olfato e o ouvido. Depois comem as pipocas enquanto assistem ao filme.

O Dia Internacional da Família ocorre todos os anos a 15 de maio. Pretende realçar:

  • “a importância da família na estrutura do núcleo familiar e o seu relevo na base da educação infantil;
  • reforçar a mensagem de união, amor, respeito e compreensão necessárias para o bom relacionamento de todos os elementos que compõem a família;
  • chamar a atenção da população para a importância da família como núcleo vital da sociedade e para seus direitos e responsabilidades;
  • sensibilizar e promover o conhecimento relacionado com as questões sociais, económicas e demográficas que afetam a família.”

Com ligeiras adaptações, estas propostas podem realizar-se em casa ou na Escola, no 1º Ciclo ou na Pré-Escola, em Atividades de Enriquecimento Curricular ou Oficina dos Sons Adaptada. Com leves adaptações, esta sessão acessível e inclusiva pode comemorar não só o Dia Internacional da Família mas também o Dia do Pai (19 de março), Dia da Mãe (1º domingo de maio) e Dia Mundial dos Avós (26 de julho).

António José Ferreira
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Autista brincando

A aplicação da Musicoterapia numa Criança com Espectro de Autismo

Juliana Janela Azevedo

A música, cujo efeito sobre a mente é inegável, e é muito utilizada em técnicas de relaxamento, apresenta a vantagem de ser muito apreciada pelas crianças com perturbação do espectro do autismo e por isso a musicoterapia é uma técnica de aproximação a estas crianças. As experiências musicais que permitem uma participação activa (ver, ouvir, tocar) favorecem o desenvolvimento dos sentidos das crianças.

Ao trabalhar com os sons, ela desenvolve acuidade auditiva; ao acompanhar gestos ou dançar, ela trabalha a coordenação motora, o ritmo e a atenção; ao cantar ou imitar sons, ela descobre as suas capacidades e estabelece relações com o ambiente em que vive.

Juliana Janela Azevedo

As crianças com perturbação do espectro do autismo apresentam-se “desconectadas”, ausentes na sua presença, rítmicas nos seus rituais e nas suas estereotipias, melódicas nas suas ecolálias e nos seus gritos, harmónicas nas suas desarmonias.

Desde há vários anos que se utiliza a música como instrumento terapêutico e preventivo em medicina e a sua importância manifesta-se através de um grande número de artigos de investigação e no interesse próprio dos médicos e psicólogos no tratamento de pacientes críticos. É considerada como um meio de expressão não verbal, é um tipo de linguagem que facilita a comunicação e a exteriorização de sentimentos, permitindo às pessoas descobrir o que há no seu interior e partilhá-lo com os seus pares.

A musicoterapia é uma disciplina funcional e sistemática que requer métodos e técnicas específicas para manter ou reabilitar a saúde dos doentes. Neste processo sistemático, a relação e a experiência musical atuam como forças dinâmicas de mudança, facilitando a expressão emocional do sujeito, o seu desenvolvimento comunicativo e a adaptação e integração à sua nova realidade social. É importante assinalar que a musicoterapia só deve ser aplicada por terapeutas com formação nesta área. Existem circunstâncias nas quais a terapia musical pode ter efeitos negativos, particularmente se não se pratica correctamente.

As crianças com perturbação do espectro do autismo, especialmente nas primeiras etapas, podem recusar ou ignorar qualquer tipo de contacto com outra pessoa, inclusive com o terapeuta. No entanto, um instrumento musical pode servir de intermediário efectivo entre o paciente e o terapeuta, oferecendo-lhe um ponto de contacto inicial. Por outro lado, descreveu-se que a música e a musicoterapia podem ser muito efectivas em reforçar e mudar o comportamento social da criança com perturbação do espectro do autismo.

Na área da comunicação, a musicoterapia facilita o desenvolvimento global da criança, ou seja, o processo da fala e vocalização, estimulando o processo mental relativamente a aspectos como conceptualização, simbolismo e compreensão. Adicionalmente, regula o comportamento sensitivo e motor, o qual está frequentemente alterado na criança com perturbação do espectro do autismo. Neste sentido, a música como actividade rítmica é efetiva em reduzir comportamentos estereotipados. Por último, a musicoterapia facilita a criatividade e promove a satisfação emocional. Este aspecto leva-se a cabo através da liberdade do paciente no uso de um instrumento musical, à margem do tipo de sons que podem sair dele.

As fontes de conhecimento da criança são as situações que ela tem oportunidade de experimentar no dia-a-dia. Dessa forma, quanto maior a riqueza de estímulos que ela receber melhor será o seu desenvolvimento intelectual. Nesse sentido, as experiências rítmico-musicais que permitem uma participação activa (vendo, ouvindo, tocando) favorecem o desenvolvimento dos sentidos das crianças.

Ao trabalhar com os sons, ela desenvolve a sua acuidade auditiva; ao acompanhar gestos ou dançar, ela trabalha a coordenação motora, o ritmo e a atenção; ao cantar ou imitar sons ela descobre as suas capacidades e estabelece relações com o ambiente em que vive.

Juliana Janela Azevedo

A abordagem pedagógica da criança autista depende muito do pragmatismo, espírito de criatividade, experiência e bom senso do educador, e deve ser complementada com o auxílio de recursos diversos como imagens, desenhos, pinturas, música, jogos, brinquedos especiais, actividades artísticas, manipulação com massas e, ultimamente, trabalhos com computador. O importante é estimular a criança, dar-lhe actividades, tanto físicas quanto mentais, e não deixá-la isolar-se e afundar-se nas estereotipias, que acabarão por dominá-la, atrofiando ainda mais o seu sistema cognitivo, caso não haja uma estimulação permanente.

As técnicas educacionais como o ABA (Applied Behavior Analysis), o método TEACCH (Treatment and Education of Autistic and related Communicationhandicapped Children), e o PECS (Picture Exchange Communication System) vêm-se expandindo com relativo sucesso, nestas ultimas décadas. O tratamento comportamental analítico (ABA) da perturbação do espectro do autismo visa ensinar à criança comportamentos que ela não possui, através da introdução destes por etapas. Cada comportamento é ensinado, em geral, num esquema individual, inicialmente apresentando-o associado a uma indicação ou instrução. A resposta adequada da criança tem como consequência a ocorrência de algo agradável para ela, o que na prática é uma recompensa; quando a recompensa é utilizada de forma consistente, a criança tende a repetir a mesma resposta.

O método TEACCH já referido anteriormente, desenvolvido nos anos 60, baseia-se na organização do ambiente físico através de rotinas e sistemas de trabalho, de forma a adaptar o ambiente para tornar mais fácil para a criança compreendê-lo, assim como compreender o que se espera dela; através da organização do ambiente e das tarefas da criança, o TEACCH visa desenvolver a independência da criança. O sistema de comunicação através da troca de figuras (PECS) foi desenvolvido para ajudar crianças e adultos com perturbação do espectro do autismo e com outras alterações do desenvolvimento a adquirirem comportamentos de comunicação; visa ajudar a criança a perceber que através da comunicação ela pode conseguir muito mais rapidamente as coisas que deseja, estimulando-a assim a comunicar-se e a diminuir os problemas de comportamento.

Como recurso terapêutico complementar de grande importância, salienta-se a musicoterapia. A música, cujo efeito sobre a mente é inegável, e é muito utilizada em técnicas de relaxamento, apresenta a vantagem de ser muito apreciada pelas crianças com perturbação do espectro do autismo. A musicoterapia é a primeira técnica de aproximação com estas crianças. Pode considerar-se que elas são uma espécie de feto que se defende contra os medos de um mundo externo desconhecido e contra as sensações das deficiências do seu mundo interior. Portanto, é importante trabalhar em etapas com elementos de regressão, ou seja, musicoterapia passiva ou receptiva (o paciente é submetido ao som sem instruções prévias), de comunicação e de integração.

As actividades com música, por exemplo, servem como estímulo à realização e ao controlo de movimentos específicos, contribuem para a organização do pensamento, enquanto as actividades em grupo favorecem a cooperação e a comunicação. Além disso, a criança fica envolvida numa actividade cujo objetivo é ela mesma, onde o importante é o fazer, participar, em que não existe cobrança de rendimento, a sua forma de expressão é respeitada, a sua ação é valorizada e, através do sentimento de realização, ela desenvolve a auto-estima. As necessidades educativas das pessoas com perturbação do espectro do autismo devem ser determinadas individualmente.

As actividades musicais favorecem a inclusão de crianças com perturbação do espectro do autismo. Pelo seu carácter lúdico e de livre expressão, não apresentam pressões nem cobranças de resultados, são uma forma de aliviar e relaxar a criança, auxiliando-a na desinibição contribuindo para o envolvimento social, despertando noções de respeito e consideração pelo outro e abrindo espaço para outras aprendizagens.

Juliana Janela Azevedo

As actividades técnicas que incorporam a música de uma forma interactiva, podem ser de muito valor para as terapias de crianças com perturbação do espectro do autismo. As técnicas de terapia musical podem ajudar estas crianças a serem mais espontâneas na comunicação, a romperem o seu padrão de isolamento, a reduzirem a sua ecolália, a socializarem-se e a compreenderem mais a linguagem.

Devido às diferenças entre indivíduos com perturbação do espectro do autismo, não existem regras universais sobre como se deve aplicar a terapia musical. Umas crianças podem reagir positivamente a certa técnica, enquanto outras podem fazê-lo negativamente. A música pode ser um instrumento muito poderoso para romper padrões de isolamento ao prover um estímulo externo. Mas, por outro lado, a terapia musical pode criar uma sobrecarga no sistema nervoso de algumas pessoas com perturbação do espectro do autismo, e aumentar as reações de auto-estimulação.

Alguns investigadores mencionam que a terapia musical em crianças com perturbação do espectro do autismo pode:

romper com os padrões de isolamento e abandono social e contribuir para o desenvolvimento sócio-emocional: o isolamento social é reconhecido como uma das principais características da perturbação do espectro do autismo desde há muitos anos. Romper este padrão de isolamento e introduzir a criança com esta perturbação em actividades externas, em vez de internas, é importante para combater os seus problemas cognitivos e perceptivos. As crianças com perturbação do espectro do autismo, especialmente nas etapas iniciais do estabelecimento de relações, usualmente rejeitam e ignoram as tentativas de contacto social iniciadas por outras pessoas.

A terapia musical pode fornecer alternativamente, um objecto de interesse mútuo através de um instrumento musical. Em vez de ele ser ameaçador, a forma, o som e o tacto do instrumento podem fascinar a criança com perturbação do espectro do autismo. O instrumento pode converter-se num inter-médio entre o paciente e o terapeuta, provendo um ponto inicial de contacto. Ao mesmo tempo, um terapeuta com experiência pode estruturar a experiência desde o princípio da terapia para minimizar efeitos negativos tais como sobrecarga sensorial e rituais auto-estimulantes. O som do instrumento, assim como o seu aspecto visual e táctil, podem ajudar a criança a compreender que outra pessoa o está a criar.

A música e as outras experiências musicais podem ser fonte de quantidades inumeráveis de tipo de relações. Uma vez que a barreira tenha sido ultrapassada, o terapeuta musical continua com uma série de experiências estruturadas que podem aumentar a atenção destas crianças e libertá-las do seu mundo. Apesar do processo poder ser lento e árduo, a terapia musical é um instrumento inusual e prazenteiro que pode adaptar-se para chegar às necessidades do paciente. Para além do progresso individual e do começo de relações, a terapia musical é também uma forma efectiva de ensinar comportamentos sociais. Deve ser estruturada para garantir uma melhoria nas crianças com perturbação do espectro do autismo. Apesar das interações verbais poderem ser limitadas, as interações sociais podem aumentar quando os pacientes aprendem num ambiente estruturado e adaptado a eles.

Facilitar a comunicação verbal e não-verbal: a dificuldade na comunicação funcional das crianças com perturbação do espectro do autismo pode depender fundamentalmente da sua inabilidade para manipular símbolos e representações simbólicas; por outras palavras, a criança não pode “ver” ou “escutar” mentalmente algo que não está representado no ambiente. A linguagem, um sistema simbólico verbal, é difícil de entender para elas. A “linguagem autista” está sempre acompanhada por mudez, ecolália ou iniciativa de comunicação limitada. A terapia musical na área de comunicação, incentiva a verbalização e estimula os processos mentais em relação à conceptualização, ao simbolismo e à compreensão.

Ao nível mais básico, a terapia musical trabalha para facilitar e suportar o desejo ou necessidade de comunicação. Acompanhamentos improvisados, durante as expressões habituais do paciente, podem demonstrar uma relação de comunicação entre o comportamento do mesmo e as notas musicais; as crianças com perturbação do espectro do autismo podem perceber estas notas mais facilmente que aproximações verbais. Mesmo que estas crianças comecem a mostrar intenções comunicativas (verbais e não-verbais), a música pode usar-se para motivar a vocalização.

Aprender a tocar um instrumento de sopro é, de alguma forma, equivalente a aprender a vocalizar e também ajuda a utilizar os lábios, a língua, o maxilar e os dentes. O uso de padrões melódicos e rítmicos fortes durante as instruções verbais também se demonstrou benéfico, ao manter a atenção e melhorar a compreensão da linguagem falada. A terapia musical pode em algumas instâncias reduzir as vocalizações não comunicativas que impedem o progresso durante a aprendizagem da linguagem.

Reduzir os comportamentos consequentes de problemas de percepção e de funcionamento motor e melhorar o desenvolvimento nestas áreas: as crianças com perturbação do espectro do autismo, usualmente, mostram uma marcada ausência de respostas afectivas ao estímulo e isto contribui para que exista algum defeito no processamento destes estímulos. Muitas destas crianças respondem favoravelmente ao estímulo musical. As suas respostas afectivas positivas podem melhorar a participação noutras actividades desenhadas para promover a linguagem e a socialização. Além disso, a música pode fornecer um contexto muito útil para incentivar o desenvolvimento da curiosidade e do interesse exploratório dos estímulos.

As crianças com perturbação do espectro do autismo têm comportamentos “musicais” que são indicativos de como a música pode ser importante para fazê-las emergir do seu mundo. Alguns exemplos destes comportamentos são a repetição de segmentos de canções escutadas, o ritmo espontâneo, a atração por certos sons, timbres ou fontes sonoras e o movimento espontâneo a certo tipo de música. As actividades musicais terapêuticas propostas são:

Canto: as canções podem ser adaptadas a todos os níveis de funcionamento. São uma fonte de segurança emocional e estabilidade, fonte de estimulação em todas as áreas de funcionamento e uma via para a comunicação verbal.

Tocar instrumentos: é um comportamento musical tangível e estruturado. Oferece a oportunidade de fazer música desde um nível simples até a um complexo, aumenta a participação na actividade musical, estimula a libertação de emoções e dá à criança uma sensação de vitória. Para além disto, aumenta a coesão do grupo, as habilidades sociais e a atenção, melhora a coordenação motora, fina e grossa, e a coordenação óculo-manual, melhora a percepção auditiva, visual e táctil e redirige o comportamento não adaptativo. Algumas crianças tocam instrumentos de maneira adequada, enquanto para outros os instrumentos se tornam uma via de expressão; mas as duas situações são igualmente satisfatórias desde o ponto de vista terapêutico.

Movimento com a música: compreende a actividade motora grossa rítmica, locomoção básica, movimentos psicomotores livres e estruturados, actividades perceptíveis-motoras, dança e movimento criativo, baile social, movimento combinado com canto ou toque conjunto de instrumentos. A criança com perturbação do espectro do autismo é arrítmica por natureza. A aplicação do aspecto rítmico da música à psicologia desta perturbação baseia-se no princípio lógico de reabilitação, compensa-se a pessoa com os desenvolvimentos/comportamentos que não possui. O conceito “ritmo” deve ser estruturado, generalizado, de maneira que os ajude a tomar consciência esquematizada da sua própria realidade exterior.

A criança com perturbação do espectro do autismo centra-se numa actividade dinâmica-motora que o diverte e, sem se dar conta, é levado progressivamente a uma consciência de ser actor voluntário. No caso de dificuldades motoras a níveis mais baixos, o terapeuta percute ritmicamente o corpo da criança, executa movimentos pausados sincronizados, experimenta sensações visíveis de bem-estar, estimulantes e relaxantes, e vai arquivando comportamentos rítmicos naturais. O som é a matéria constitutiva da música. Em musicoterapia, utiliza-se o som e não o ruído.

O som pode-se aplicar como terapia utilizando as diferentes formas em que se apresenta e em todas as variantes e componentes. É importante que o terapeuta conheça e saiba definir conceitos como som, música, melodia, harmonia, música instrumental, vocal, sons agudos, graves, voz, sopranos, tenor, formas musicais, entre outros. Todas estas variantes e formas de som têm um valor terapêutico muito especial.

Das qualidades do som, o timbre tem o papel terapêutico mais importante. A concordância da música com o estado de ânimo do individuo deve estender-se ao timbre preferido (corda, sopro, precursão…), ao instrumento preferido, à voz/coro favorito ou à combinação instrumental-voz eleita. A tarefa de averiguar a identidade sonora de cada indivíduo é essencial em musicoterapia.

A voz é o instrumento mais próximo e terapêutico de que o terapeuta musical dispõe. A utilização da voz como elemento dinâmico supõe uma forma de contacto directa e próxima com a criança com perturbação do espectro do autismo. A capacidade do terapeuta para projectá-la, modulá-la e regulá-la, é um elemento chave para os ganhos que se pretendem. As alterações, intensidades e diversidade de sons que a voz pode permitir abarcam o cúmulo de possibilidades rítmicas e as qualidades de altura tonal, intensidade, duração e timbre. O musicoterapeuta deve ser um artista da voz.

A altura tonal, juntamente com a intensidade (outras qualidades do som), situa a criança com perturbação do espectro do autismo no limite da fronteira entre a ansiedade, o nervosismo, a angústia, a serenidade e o recolhimento. Não se devem utilizar tons agudos durante a terapia. A criança com esta perturbação, ao ouvir os tons agudos, tapa os ouvidos e isola-se. Uma tonalidade média, a preferida, corresponde a 300-400 vibrações por segundo. As intensidades devem regular-se de modo a que em nenhum caso excedem os 30-40 decibéis. Gritar para uma criança com perturbação do espectro do autismo é um erro grave, que deve ser evitado.

Durante a terapia musical deve reservar-se um tempo para o jogo, para as canções específicas e pessoais com o nome da criança e o seu envolvimento afectivo familiar, para uma improvisação ordenada e dirigida tanto por parte do terapeuta como de quem assiste às sessões. Deve planificar-se uma experiência tímbrica sonora, com o piano por exemplo, onde a criança contacte com o teclado cada vez que o terapeuta mude registos e timbres instrumentais.

Alguns autores sugerem o uso de material sonoro-musical durante a gestação, como método preventivo da perturbação do espectro do autismo. A terapia musical não é só um processo no qual se utilizam as fortalezas do indivíduo para melhorar as suas debilidades, mas também um processo para refinar e melhorar estas fortalezas.

A Aplicação da Musicoterapia numa Criança com Espectro do Autismo, Estudo de Caso, por Juliana Janela Azevedo, II Ciclo em Ciências da Educação – Educação Especial, Sob orientação do Professor Doutor José Carlos de Miranda. UCP – Centro Regional de Braga, Faculdade de Ciências Sociais, 2012. Excerto.

Leia AQUI a dissertação completa, se o desejar.

Autista brincando
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Ave Mundi Luminar de Rodrigo Leão

O conhecimento do Latim continua a ter uma importância incontornável em áreas como a música, as ciências da natureza, a literatura, a religião. No 4º ano de escolaridade as crianças estudam a romanização. Seria pertinente fazer com as crianças, nessa aproximação, apresentar audiovisuais e textos que ajudem as crianças a gostar de línguas e a respeitar o grandíssimo património que nos foi legado pela Roma antiga. Este artigo aparece na sequência de um desafio feito por uma professora do 1º Ciclo a apresentar algo à sua turma. Uma das atividades será um jogo rítmico com palavras latinas muito parecidas com palavras portuguesas.

Em seguida, lembrei-me álbum “Ave Mundi Luminar“, do compositor “Rodrigo Leão”, editado em 1993 pela Sony Music. Além do tema Ave Mundi, o álbum inclui outros que remetem para a influência latina, com objetivos de universalidade: Carpe Diem, Amatorius, Mysterium, In Excelsis.

Quer através da escuta, quer através da leitura, facilmente (ou com ajuda do professor) as crianças vão descobrir palavras portuguesas com origem no Latim a partir da canção (Ave, generosa, mundo, rosa, feliz, sagrada ou sacra, Virgem, Maria, Espírito, Santo, preciosa, gema, íntimo, sob, cordial, custódia, crucifixo, vulnerável, iluminar.

Rodrigo Leão juntou “a nobreza das vozes que se faziam ouvir em latim” a uma “subtil modernidade” nos arranjos de modo a alcançar uma visão do mundo “mais universalista” do que a dos Madredeus. A influência latina em Rodrigo Leão encontra-se também nos álbuns Alma Mater e Theatrum com temas como Solitarium, Locus Secretus, Contra Mundum e Solve Me Lucto.

Ave generosa Mundi Rosa
Felix et sacra Virgo Maria
Spiritus Sanctus laudamos te
(Ave, ave Gemma Preciosa)
Spiritus Sanctus laudamos te
(Sub intimo cordis in custodia)
Cruxificie vulnerati
Ave Mundi Luminar
Cruxificie vulnerati
Ave Mundi Luminar

Ave generosa Mundi Rosa
Felix et sacra Virgo Maria
Spiritus Sanctus laudamos te
(Ave, Ave Gemma Preciosa)
Spiritus Sanctus laudamos Te
(Sub intimo cordis in custodia)
Cruxificie vulnerati

Ave Mundi Luminar
Cruxificie vulnerati
Ave Mundi Luminar
Cruxificie vulnerati
Ave Mundi Luminar
Cruxificie vulnerati
Ave Mundi Luminar

A estreia a solo de Rodrigo Leão – escudado com o Vox Ensemble – aconteceu quando a carreira dos Madredeus estava em pleno ascendente. Com «Ave Mundi Luminar», Rodrigo estabeleceu o seu próprio universo, juntando a nobreza das vozes que se faziam ouvir em latim a arranjos de uma subtil modernidade que ambicionavam uma vibração mais universal do que a que animava os Madredeus. Temas como «Ave Mundi» e «Carpe Diem» traduziam uma nova maneira de olhar o mundo que Rodrigo ainda não tinha explorado nos Madredeus ou na Sétima Legião, talvez mais universalista. E certamente mais pessoal.

Rodrigo Leão
Ave Mundi Luminar de Rodrigo Leão
Ave Mundi Luminar de Rodrigo Leão
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Galochas

Não te faça mal a chuva,
seja fraca ou seja forte
e segura o teu chapéu,
não o leve o vento Norte.

Veste roupa adequada,
não te faça mal o sol.
Se há neve ou geada
usa sempre cachecol.

Não te faça mal o frio,
não te faça mal o vento.
Se a casa está gelada,
liga o aquecimento.

Não te faça mal a água
quando molhas os teus pés.
Usas botas ou galochas?
Que prudente que tu és!

António José Ferreira

Galochas

Galochas

Inverno Encantado é uma edição musical com partitura e texto para momentos ao longo do 2º Período no 1º Ciclo no Ensino Básico. Articula de forma lúdica o Ensino da Música com a interesse pela Língua, a integração das literaturas de tradição oral, o desenvolvimento global, o conhecimento das diversas áreas do Currículo, a dimensão intercultural em canções e métodos e o respeito pelo ambiente.

Adquira na Loja Meloteca

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Uma que toda a gente saiba!

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– Ó filho, nesta altura achamos que não é boa ideia deixares a música barroca para te dedicares à música eletrónica…

Música barroca e música eletrónica

Órgão barroco

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“Para Elisa”

– Não sejas tonta, Elisa!
Claro que me lembrei do teu aniversário!…

Para Elisa

Für Elisa

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Um dia na infância de Philip Glass:

– Ó filho, o papá e a mamã adoram-te e adoram os teus arpejos mas…

Um dia na infância de Philip Glass

Um dia na infância de Philip Glass

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Uma que toda a gente saiba!

Uma que toda a gente saiba!

Recital de piano

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– Tu não! O trombone!…

Tu não... o trombone!

A morte e o trombone

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O percussionista barroco mais ou menos historicamente informado

O percussionista barroco mais ou menos historicamente informado

Percussionista barroco

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Trio de Cordas de Schubert para músicos com expressões faciais exageradas.

Trio de cordas

Trio de cordas

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– É um oratório intitulado “Ó meu doce Jesus, filho da Virgem cheia de graça”. É na igreja de Nossa Senhora do Socorro de Santa Maria Madalena. Dura cerca de três horas. Trago-te um convite?

É um oratório

L’ambiance va être chouette

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Coro Polifónico de Amarante

Cantar em coro é uma atividade que traz grandes benefícios artísticos, sociais e pessoais a quem canta, e retarda os efeitos do envelhecimento na comunicação.

Quem canta num coro aprende a dominar o seu instrumento, a voz, escuta as outras vozes, respeita os membros do coro, aprecia a agilidade e o timbre dos outros cantores. Trabalha a postura e reeduca a maneira de respirar.

O coro funciona como um anti-depressivo e melhora o humor. Ajuda a tecer laços mais ou menos fortes, conforme os anos, laços criados nos ensaios, encontros e partilha do palco. Melhora a partilha e as trocas intergeracionais.

Em coro, aprende-se a estar em grupo, a cooperar em projetos que ultrapassam o indivíduo e veiculam valores e mensagens sociais. Ganha-se autoconfiança, desenvolvem-se diversas competências e criam-se oportunidades de expressão. Desenvolve-se o lado direito do cérebro, sede da intuição, da criatividade e das capacidades artísticas.

Melhora o conhecimento da(s) língua(s), a comunicação, a dicção e articulação, o que torna as pessoas idosas mais inteligíveis do que as que não cantam. Estudos comprovam que o coro ajuda a estabilizar a voz: quem canta em coro fala num tom mais variado e controla melhor a voz.

Cantando em coro, a pessoa preserva a qualidade de vida e usufrui de uma vida social mais interessante.

“A música teria um efeito sobre o comportamento social. Assim, cantar em coro aumentaria, segundo diversos estudos, a confiança no outro e favoreceria a cooperação em detrimento da competição. No jogo do dilema do prisioneiro, por exemplo, conhecido por sondar a atitude de entreajuda face à traição, os indivíduos que cantam em coro imediatamente antes manifestam maior confiança no outro e cooperam mais do que aqueles que lêem poesia em grupo ou vêem um filme, ou que ouvem música gravada. (da revista Le Temps, traduzido por António José Ferreira)

Coro Polifónico de Amarante

Coro Polifónico de Amarante

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Música Hoje

Academia Internacional de Cravo MAAC de Oeiras

Academia Internacional de Cravo MAAC de Oeiras é uma atividade que alterna anualmente com o Concurso Internacional de Cravo e visa desenvolver o meio cravístico em Portugal através da realização de classes de aperfeiçoamento para alunos de cravo por cravistas de reconhecido mérito internacional.

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Adufes Rui Silva

Adufes Rui Silva é uma marca de construção de adufes que nasceu em 2013. Os Adufes Rui Silva resultam de um extenso trabalho de investigação sobre o adufe, instrumento de percussão tradicional português. São inspirados na sabedoria de artesãos e adufeiras, nos processos construtivos artesanais e no toque do adufe da Beira Baixa e do Paúl, e na formação e experiência de Rui Silva enquanto músico profissional e professor de percussão. Os Adufes Rui Silva são construídos para responder às exigências da performance actual de amadores e profissionais. O inovador sistema de afinação da pele traz uma nova era de possibilidades e recursos que poderão revolucionar a execução do adufe: o executante regula a tensão da pele consoante a linguagem, a tonalidade da música ou a técnica a aplicar, não estando refém das variações de humidade e temperatura. (O que de resto já acontece com outros instrumentos tradicionais de pele natural, como: o tar, o bendir, darbuka, o riqq, ou até mesmo as congas e os bongós…). Os Adufes Rui Silva pretendem trazer ao adufe maior versatilidade, fiabilidade e possibilidades tímbricas, sonoras e musicais projectando-o como um instrumento contemporâneo com muito por explorar.

Adufes Rui Silva

Adufes Rui Silva

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As Sete Mulheres de Jeremias Epicentro

É a história de Jeremias Epicentro, um D. Giovanni moderno e incansável. Mas Jeremias é um enorme sedutor que se apaixona e desapaixona num pequeno espaço entre quatro paredes. É um sedutor solitário. Os sentidos de Jeremias vivem do mesmo modo o real e o virtual. Na sua hiperactividade emocional, Jeremias Epicentro seduz, por isso, as personagens com que joga, as actrizes dos filmes que vê e, em última análise, as heroínas dos livros que lê. No seu quarto cabe o mundo inteiro, cabem todas as emoções e experiências humanas, as paixões, os enganos, as proezas e desassossegos. Prisioneiro do seu ecrã, Jeremias, como tantos contemporâneos seus, vai perdendo a capacidade de distinguir o real do virtual. Assim é: cada vez se perdem mais juízos reais por coisas fictícias. No seu quarto, Jeremias empalidece, com o tempo. No mundo virtual há pouco sol.
Texto original: Mário João Alves
Composição: Jorge Prendas
Encenação: António Durães
Interpretação: Teresa Nunes (soprano), Ana Santos (mezzo-soprano), Crispim Luz (clarinete), Susana Lima (violoncelo) e Brenda Vidal Hermida (piano)
Apoio ao movimento: Cláudia Marisa
Espaço cénico: Marta Figueroa
Figurinos: Sofia Silva
Modelação e corte: Sofia Silva e Cláudia Ribeiro
Costureira: Marlene Rodrigues
Desenho de luz: Mariana Figueroa
Desenho de som: Pedro Lima
Multimédia / vídeo / som: Hugo Edgar Mesquita
Desenvolvimento tecnologia: Wearable Hugo Edgar Mesquita
Produção: Carlos Pinto
Apresentado no Teatro de Vila Real a 18 de maio de 2019.

As sete mulheres de Jeremias Epicentro

As sete mulheres de Jeremias Epicentro

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Braga Trombone Festival

Braga Trombone Festival é um projeto que nasceu da vontade e entusiasmo dos trombonistas dos Portuguese Brass, que, tendo tido todos parte da sua formação em Braga, no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, quiseram fazer desta cidade o centro do Trombone. Pelo trabalho desenvolvido no Conservatório, assistiu-se nos últimos anos a um crescimento da quantidade de alunos que terminam os em Braga e depois seguem para as mais prestigiadas escolas superiores de música europeias e que, posteriormente, ocupam lugares de relevo em instituições artísticas ou educativas, no âmbito da Música. Assim, a marca “BRAGA” está, desde há algum tempo, associada ao “TROMBONE”.

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Concertos para Bebés

Os Concertos para Bebés são uma produção portuguesa pioneira no domínio das artes de palco para a primeira infância. Tiveram início em  1998, em Leiria, e é seu autor o professor e musicólogo Paulo Lameiro. Têm a sua origem no trabalho com bebés desenvolvido pela Escola de Artes SAMP desde 1991 no programa Berço, e são fortemente inspirados pela Teoria de Aprendizagem Musical do professor e pedagogo norte-americano Edwin Gordon. Depois de percorrerem as principais salas de concerto portuguesas, sendo projecto residente no Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra e no Teatro Miguel Franco em Leiria, tiveram presença em alguns dos festivais de referência da Europa e Oriente. Destes destacam-se, após digressões à Suécia e Inglaterra, Madrid Ciudad de los Niños em Espanha, Are More em Vigo, Babelut na-Bélgica, Belfast Children’s Festival na Irlanda do Norte, Kaolin et Barbotine em França, Festival de Artes de Macau, Philharmonie Luxembourg, FIT Cádiz em Espanha, Festival Temporada Alta de Girona em Espanha, Festival La Strada na Áustria, Festival Laus Polyphoniae na Bélgica, Orkestra Sinfonikoa de Bilbao, Cidade da Cultura de Santiago de Compostela, Pazo da Cultura de Pontevedra, Auditório Ágora na Coruña, SESC Santos no Brasil e FITH BH 14 no Brasil. Invariavelmente com salas esgotadas em mais de 800 concertos já realizados, e uma cobertura mediática pouco usual para um programa no domínio da música clássica, os Concertos para Bebés são também hoje uma referência no meio académico, razão que tem motivado inúmeras conferências para professores, investigadores e músicos em Portugal e alguns países europeus.

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Concurso Internacional de Instrumentos de Sopro “Terras de La Salette”

A música relaciona-se com outras áreas da educação e formação da humanidade como, por exemplo, a Matemática, Ciência, Atividade Física, Atividade Social, Arte/Tecnologia e Linguagem, tendo sido veículo de importantes permutas culturais e suporte essencial de tantas outras artes como a poesia, a dança, o teatro e o cinema. O município de Oliveira de Azeméis acreditando ter responsabilidade no processo de educação pela música e com o objetivo de estimular os jovens para o seu estudo promoveu, em 2006, o I Concurso Distrital de Música na especialidade de Instrumentos de Sopro. O concurso evoluiu e, é já uma referência internacional.

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Concurso Internacional de Música “Cidade de Almada”

No seguimento do sucesso alcançado na primeira edição do Concurso Juvenil de Guitarra “Cidade de Almada”, a Academia de Música de Almada decidiu alargar esta iniciativa ao piano e internacionalizar o concurso de guitarra. O Concurso Internacional de Música “Cidade de Almada”, que teve a primeira edição em 2019, pretende tornar-se uma referência a nível nacional e ser um incentivo e um estímulo para todos os que estudam e trabalham nesta área do conhecimento, ambicionando extravasar o mero momento de competição através da realização de concertos, abrindo-se assim, à comunidade e envolvendo-se com esta. Por tudo isto o Concurso Internacional de Música “Cidade de Almada” vem desta forma colmatar a lacuna existente na região no que respeita a concursos de música de vertente juvenil com estas características, dando continuidade a toda uma história na área da Cultura Musical quer ao nível da produção quer ao nível da formação.

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Concurso Internacional de Piano de Viseu

Integrado no Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu, o Concurso Internacional de Piano de Viseu é um concurso de Piano que teve em 2019 a terceira edição.

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Concurso Olga Prats

A Sociedade Filarmónica Humanitária e o Conservatório Regional de Palmela apresentaram em 2019 a 4ª edição do Concurso de Piano Olga Prats, concurso que pretende celebrar a música portuguesa, através do piano, homenageando simultaneamente a pianista Olga Prats.  Os objectivos do concurso são: Homenagear a pianista Olga Prats, ímpar intérprete e dinamizadora da música de compositores portugueses; Incentivar alunos e professores da Rede Nacional do Ensino Artístico, para a prática do repertório para piano de Compositores Portugueses; Incentivar professores e alunos da Rede Nacional do Ensino Artístico, para a pesquisa e estudo de obras de compositores portugueses; Incentivar a catalogação e edição de partituras da música para piano de compositores Portugueses; Dinamizar o estudo e o conhecimento do Piano no Conservatório Regional de Palmela; Proporcionar aos concorrentes a interacção e o convívio com os seus pares de outras escolas.

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Douro Strings Academy

Douro Strings Academy é uma academia internacional de música erudita para jovens instrumentistas de cordas. Durante uma semana, os alunos da academia terão oportunidade de ter aulas de instrumento, de música de câmara e de integrarem a Orquestra de Cordas da Douro Strings Academy.  Um projecto pedagógico e artístico orientado por professores de excelência e celebrado com concertos e recitais. Uma semana repleta de música num ambiente propício ao estudo mas também ao convívio e à troca de experiências. Em residência no Teatro Municipal de Vila Real e integrada no ciclo Clássicos de Verão. Teve a sua primeira edição em 2018.

Douro Strings Academy

Douro Strings Academy

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EINEM

EINEM é a sigla do Encontro Internacional para Jovens Investigadores de Música e Musicologia, que tem como público-alvo estudantes de Mestrado e Doutoramento na área da música: musicólogos, instrumentistas e compositores. Foi fundado em 2019 (primeira edição), organizado pelo CESEM – Polo da Universidade de Évora.

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EPABI

A EPABI – Escola Profissional de Artes da Covilhã foi criada a 3 de Setembro de 1992, com o nome de Escola Profissional de Artes da Beira Interior. Desde a sua criação, a EPABI já formou muitos alunos que são hoje profissionais de reconhecido mérito no panorama musical nacional e internacional.

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Festijazz – International Jazz Festival

O Festijazz – International Jazz Festival é um festival anual que celebra o jazz e a música improvisada, em Sever do Vouga. Teve a primeira edição em 2018, com artistas de Inglaterra e Portugal.

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Festival Banda Sinfónica Portuguesa (BSP) Júnior

O Festival Banda Sinfónica Portuguesa (BSP) Júnior, que teve a sua primeira edição em 2017, consiste num programa de carácter pedagógico, cultural e recreativo que tem como foco o desenvolvimento musical e humano de jovens instrumentistas. O programa do festival, que irá contar com a colaboração de convidados nacionais e internacionais, terá como objetivo promover a partilha de conhecimentos em diversidades atividades, nomeadamente workshops, masterclasses, ensaios de naipe, orquestra, concertos na comunidade e atividades em grupo. Num programa onde “o todo é maior do que a soma das partes”, é através da diversidade de atividades que são criadas oportunidades para o desenvolvimento do potencial máximo de cada jovem.

Festival BSP Júnior

Festival BSP Júnior

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Festival de Música da Madeira

Fundado em 1979, com a XXXVI edição realizada em 2015, o Festival de Música da Madeira apresenta uma variedade de géneros, épocas, repertórios e intérpretes, cujos concertos decorrem em espaços marcantes do património edificado da Região Autónoma da Madeira.

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Festival de Órgão de Braga

O Festival de Órgão de Braga é uma série de concertos de Órgão de Tubos, em diferentes cenários e com diferentes instrumentos, com alguns dos melhores intérpretes mundiais. Em maio de 2019 teve a sua sexta edição. Realiza-se na Sé, igrejas de São Lázaro, São Marcos, Santa Cruz, São Paulo, Terceiros, e na basílica dos Congregados.  É organizado pela arquidiocese de Braga, Município de Braga, Irmandade de Santa Cruz e Santa Casa da Misericórdia de Braga sob a direção artística de José Rodrigues.

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Festival DME – Dias de Música Electroacústica

O Festival DME – Dias de Música Electroacústica – existe desde 2003. Desde então, desenvolve uma intensa atividade de criação, programação e formação na área da música erudita contemporânea e eletroacústica. Com direção artística de Jaime Reis, teve a sua primeira edição na Polónia, mas a sua sede é em Seia, na Serra da Estrela, onde também reside o Ensemble DME, que conta com 2 CD editados. Desde 2017, o Festival DME ganhou uma nova casa, o Lisboa Incomum, fundado pelo seu diretor artístico. Desde então, o programa de residências artísticas desenvolve-se em paralelo nestas duas cidades. Apesar da atividade do festival se desenvolver maioritariamente em Portugal, foram realizadas ações de internacionalização em três continentes – América do Sul (Brasil e Colômbia), Ásia (China, Coreia, Filipinas e Japão) e Europa (Espanha, França, Itália, Mónaco, entre outros).

Festival DME

Festival DME

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Festival Estoril Lisboa

O Festival de Música da Costa do Estoril foi fundado em 1975 no seio da então Junta de Turismo da Costa do Sol como complemento dos Cursos Internacionais de Música, fundados em 1962, passando a ser organizado pela Associação Internacional de Música da Costa do Estoril a partir de 1981.

Intimamente ligado a uma função pedagógica, nele cabem as mais variadas formas de expressão artística de raiz musical. Nesta perspectiva, a presença da música portuguesa, o bailado, a música tradicional, a música de câmara, a música sinfónica, coral ou o jazz e o teatro, são temas que o Festival tem desenvolvido ao longo da sua história como acção imprescindível à formação dos jovens músicos de hoje e à apetência de um público heterogéneo.

A contribuição do Festival à difusão de novos valores e de criações recentes, tem-se manifestado através de mais de trezentas obras apresentadas pela primeira vez em Portugal, muitas das quais em estreias mundiais, entre as que se contam obras de Lopes-Graça, Peixinho, Braga Santos, Olavide, Luis de Pablo, Ohana, Messiaen, Benguerel, Brouwer, Ligeti, Webern, Eisler, Bernaola, Cage, Donatoni, Malipiero, Tomasi, Dessau, Feldman e das novas gerações.

Entre mais de um milhar de artistas estrangeiros que actuaram no Festival, destacam-se nomes do maior prestígio mundial como Mstislav Rostropovich, Rudolf Nureyev, Ruggero Ricci, Teresa Berganza, Marcel Marceau, Paul Badura-Skoda, Christa Ludwig, Aldo Ciccolini, Gundula Janowitz, Paul Tortelier, Vladimir Krainev, Zoltán Kocsis, Pavel Kogan, Brigitte Fassbaender, Cyprien Katsaris, Gérard Caussé, Ludwig Streicher, Naum Starkman, Rudolf Baumgartner, Alírio Diaz, Tibor Varga, Alberto Ponce, Alberto Lysy, Michael Nyman, Baden Powell, Egberto Gismonti, Hopkinson Smith, Eugen Istomin, Boris Pergamenschikov, Ewa Podles, Rinaldo Alessandrini, Sara Mingardo, Solistas de Sofia, Orquestra de Câmara de Viena, Orquestra de Câmara Ferenc Listz, Orquestra Barroca da Comunidade Europeia, Royal Philharmonic, Orquestra Filarmónica de Moscovo, Orquestra Filarmónica Nacional da Hungria, Orquestra Sinfónica Nacional da Letónia, Orquestra Nacional de Espanha, Orquestra Sinfónica do Estado da Lituânia, Orquestra Sinfónica Nacional do México, Orquestra de Câmara da Comunidade Europeia, Festival Strings de Lucerne, Orquestra Filarmónica de Ostrava, Virtuosos da Orquestra Filarmónica de Berlin, Orquestra de Câmara de Leningrado “Hermitage”, As Grandes Vozes Búlgaras, Hilliard Ensemble, Pro Cantione Antiqua, Ópera do Tibete, Ópera de Tokyo, Ballet Nacional de Espanha, Ballet da Ópera de Nice, Ballet Nacional de Cuba, SamulNori, Orfeón Donostiarra, Michael Nyman Band, Quarteto Kodaly, Camerata Lysy, Quarteto Búlgaro, entre outros, muitos dos quais actuaram pela primeira vez em Portugal.

O Festival tem decorrido em monumentos nacionais e salas históricas como o Claustro do Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém, Sé de Lisboa, Palácio Nacional de Queluz, Teatro Nacional de São Carlos, Teatro Municipal São Luis, Coliseu de Lisboa, Teatro Luiz de Camões, assim como no Palácio da Cidadela de Cascais, Quinta da Piedade (Colares), Museu dos Condes de Castro Guimarães (Cascais), Igrejas de Carcavelos, Estoril, Cascais, São Domingos de Rana e Escola Salesiana, Auditório Parque Palmela, Centro de Congressos do Estoril, Centro Cultural de Belém, Centro Cultural de Cascais, Salão Atlântico (Hotel Palácio do Estoril) e outras.

Em reconhecimento do seu valor como um dos expoentes artísticos nacionais, o Festival é integrado em 1983 na European Festivals Association, máximo organismo mundial da especialidade. Em 1997, Piñeiro Nagy, Director do FMCE, é eleito para o Comité Executivo da AEF e reeleito sucessivamente até 2002. Em 1999 é eleito para a Comissão de Relações com a Comissão Europeia e em 2001 para a Administração da Asbl Eurofestivals, com sede em Bruxelas, criada após a extinção desta, onde permanece actualmente. Em 2008 é novamente eleito para o Comité Executivo e reeleito em 2011.

A tradição europeia dos festivais de arte nasce na mais remota antiguidade emanada do berço da nossa cultura comum: a Grécia. É no entanto, com o aparecimento dos festivais trovadorescos nos primórdios do século XIII, e dos primeiros mecenas em tempos posteriores, que se iniciam os hábitos e tradições chegados aos nossos dias.

Em 1952 foi criada a Associação Europeia de Festivais de Música por iniciativa do filósofo Denis de Rougemont e do maestro Igor Markevitch. A partir de 1992 a Associação passou a denominar-se European Festivals Association.

A sua fundação, na altura do Tratado de Roma, foi gerada pelos anseios de preservação e divulgação da cultura europeia como contraponto, e simultaneamente complemento, a uma Europa unida através da economia, segundo os pressupostos enunciados por Robert Schuman e Jean Monnet.

Criada no Centre Européen de la Culture, em Genéve, os 15 festivais fundadores (Aix-en-Provence, Bayreuth, Berlin, Besançon, Bordeaux, Florença, Holanda, Lucerne, Munich, Perugia, Estrasburgo, Veneza, Viena, Wiesbaden e Zurich), iniciaram as actividades da EFA tendo como premissa um alto ideal artístico e como objectivo a divulgação da elevada qualidade de manifestações que pela sua temática, tradição musical onde se desenvolvem, beleza paisagística ou ambiente peculiar dos seus locais, permitam a continuidade de velhos costumes enraizados na História da Europa, contribuindo para uma melhor consciência do significado da Música na cultura dos povos, na vida do Homem e do lugar insubstituível que ocupa no seu quotidiano. Desde 2004 está sediada no Kasteel Borluut, em Gent, Bélgica.

Actualmente com 111 festivais representando 43 países e associações nacionais de festivais de 14 países, a EFA desenvolve no plano formal numerosas actividades, nomeadamente, promoção conjunta dos seus membros através de uma rede mundial de agentes oficiais e do Centro de Data-Base em Bruxellas, coprodução e cooperação de espectáculos, seminários para a formação de jovens directores, troca de experiências e análise de questões de ordem administrativa, social ou jurídica no âmbito da UE. O seu site tem uma visita anual da ordem do milhão e meio.

Em síntese pode afirmar-se que a EFA é o organismo europeu, e por ventura mundial, com maior densidade de manifestações artísticas que mais contribui para a criação de novas produções, divulgação da cultura europeia, relacionamento e intercâmbio com culturas extra-europeias, reunindo na sua diversidade uma enorme riqueza de iniciativas inspiradas pela salvaguarda dos mais genuínos valores culturais como contributo a um melhor entendimento entre os homens. Neste contexto de extraordinária actividade cultural, Portugal marca a sua presença através do Festival do Estoril.

Em 1985, Ano Europeu da Música, a Câmara Municipal de Cascais atribuiu a Medalha de Mérito Municipal à Associação Internacional de Música da Costa do Estoril, realçando o êxito das acções desenvolvidas no meio internacional para a integração do Festival na EFA, consagradas com a eleição do Estoril como sede da Assembleia Geral da EFA desse mesmo ano. O Festival acolheu, de novo, a Assembleia Geral da EFA de 1998. Em Fevereiro de 2000, o Festival organizou o segundo período do primeiro Eurofest Training Programme criado pela Associação Europeia de Festivais em 1999, com o apoio da Comissão Europeia, European Cultural Foundation, Ministério da Cultura de Portugal, entre outras entidades, no qual participaram duas dezenas de jovens procedentes de numerosos países e especialistas europeus de diferentes áreas da realização, programação e gestão de actividades culturais. Em 2005, o Presidente da República assistiu à comemoração do 30º aniversário da sua fundação e concedeu a Comenda do Infante D. Henrique ao Prof. Piñeiro Nagy, seu Director Artístico.

A partir de 2001 integra as Semanas de Música do Estoril, sob a denominação Festival do Estoril. É membro do projecto europeu MusMA, criado a partir do projecto Mare Nostrum. Em 2013, após a adesão da Câmara Municipal de Lisboa à sua estrutura, altera o título para Festival Estoril Lisboa.

Festival Estoril Lisboa

Festival Estoril Lisboa

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Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu

Sempre durante o mês de Abril, já são onze a edições realizadas do Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu, com a décima segunda em abril de 2019. Com este Festival procura-se levar à cidade músicos de reconhecido valor mundial seja para se apresentar em concerto ou no contexto de formação. Aliás formação, criação, sensibilização e fruição musical são os principais pilares desta nossa festa da música e é nesse aspecto que é feito programa dos diferentes anos. Por exemplo, só nos últimos dois anos foram realizados 29 workshops e masterclasses. A programação está habitualmente ancorada na Música de Câmara, mas não se cinge a ela. A organização gosta de trazer alguma diversidade musical promovendo desde concertos de música antiga à música contemporânea, o público pode desfrutar de concertos dedicados a vários instrumentos, solistas, orquestras, música coral sinfónica, música elaborada e/ou executada com computador, o cruzamento da música com outras artes e até estreias mundiais. Como incentivo à criação todos os anos um ou mais compositores são convidados a criar um tema para estrear em Viseu. Desde 2016, António Victorino de Almeida, Amílcar-Vasques Dias, Jaime Reis, Eduardo Patriarca, José Carlos Sousa, António Chagas Rosa e Evgueni Zoudilkine foram alguns desses compositores. Outra nota de relevo vai para os concertos pedagógicos. Pelas mais variadas razões, há alturas em que a música deve ir ao encontro das pessoas e não o contrário. Os concertos pedagógicos servem precisamente esse propósito. Direcionados a públicos muito específicos, procuram demonstrar a importância da música, desconstruir a sua criação e satisfazer curiosidades. Nas últimas duas edições do festival chegamos a maia de 4.000 pessoas entre as várias escolas e instituições que visitámos numa interação que enriqueceu tanto o público como os músicos. Com o Concurso Internacional, nas áreas da Guitarra e do Piano, a organização pretende colocar Viseu no mapa dos Festivais de Música com projeção internacional. Depois do sucesso que foram as primeiras edições deste concurso, em 2019 houve o Concurso Internacional de Piano de Viseu na sua terceira edição. Este evento de grande qualidade artística, levou a Viseu vários pianistas de múltiplas nacionalidades de grande reconhecimento internacional que fizeram parte do júri, bem como um grande número de virtuosos jovens interpretes. Com mais de 20 concertos em cada edição, a afluência do público e a forma como a cidade se mobiliza tem sido impressionante. Este projeto musical é um importante marco cultural da nossa cidade e região, afirmando-se também como uma referência na cena musical nacional e internacional.

Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu

Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu

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Festival Internacional de Música de Espinho

O FIME é um dos mais antigos festivais de música em Portugal. Recebe hoje em dia alguns dos melhores intérpretes do mundo nas suas áreas de actividade.

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Festival Internacional de Polifonia Portuguesa

A Fundação Cupertino de Miranda lançou, em 2011, o Festival Internacional de Polifonia Portuguesa que já faz parte da sua programação anual. Em 2019, encontramo-nos na nona edição do Festival, com objetivos de promoção da música polifónica dos séculos XVI e XVII, e de divulgação da história e arquitetura dos espaços por onde este passa, com ligações intrínsecas ao período do Barroco. Concertos, visitas guiadas, seminários, sermões e declamações integram uma programação completa de promoção da cultura nacional. Em cada edição do Festival é publicado um livro bilingue, em português e inglês, sendo já uma referência para estudiosos da música polifónica portuguesa e da arquitetura barroca.

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Festival de Jazz da Marinha Grande

O Festival de Jazz da Marinha Grande (quarta edição em 2019) tem como principal objectivo divulgar o Jazz Nacional e Internacional que se faz na atualidade. Um festival que reúne diversos estilos e músicos de todas as gerações, desde músicos consagrados, a novos músicos, a apresentação de discos novos e também a divulgação do Jazz feito na região. O Festival será realizado em dois espaços no Teatro Guilherme Stephens e no Auditório José Vareda do Sport Operário Marinhense. A direção do Festival de Jazz da Marinha Grande está a cargo do músico, compositor e arranjador César Cardoso.

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Festival de Jazz de Verão de Setúbal

O Festival de Jazz de Verão de Setúbal é um festival apresentado pela Class de Jazz de Setúbal juntamente com o Fórum Luísa Todi.

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Festival Música Júnior

O Festival Música Júnior é actualmente a iniciativa artístico-pedagógica mais referenciada no meio musical português e assume um papel incontornável na formação de jovens estudantes de música fora do contexto escolar. Vocacionado para uma faixa etária entre os 8 e os 21 anos de idade, o Estégio de Verão do Festival de Música Júnior acolhe cerca de 350 estudantes vindos maioritariamente de Portugal e Espanha, que ao longo de 9 dias estão em intensa actividade musical, acompanhados por um colectivo de 32 professores e 3 maestros. Os participantes adquirem experiência desta forma integrando o Coro, a Big Band, a Orquestra Juvenil ou a Orquestra Sinfónica, num ambiente musical único e com especial sabor das férias. Iniciado em 2012, este projecto tem proposto diferentes horizontes musicais onde as temáticas do Jazz, o Legado de Piazzola, o Humor, as Bandas Sonoras de Hollywood, Fado – O Legado Português, O Folk e o Étnico no Universo Erudito, Música nas Américas e A Genialidade Russa tiveram como convidados especiais Mário Laginha e Maria João, Pedro Santos, Carlos Moura, Sofia Escobar e Mário Augusto, Helder Moutinho, Rui Vieira Nery, Gilles Apap, André Cunha Leal, Joshuas dos Santos, Vasco Dantas Rocha, Jeffery Davis, Gabriela Canavilhas, Kyril Zlotnikov e António Victorino d’Almeida.

Festival Música Júnior

Festival Música Júnior

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Festival Música Viva

O Festival Música Viva, com um já longo passado visto ter-se iniciado em 1992, tem a missão e dever acrescidos de representação e difusão a nível nacional das novas tendências, dos valores reconhecidos, dos novos talentos (os jovens compositores dependem quase exclusivamente do Festival Música Viva para verem as suas obras apresentadas).

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In Spiritum – Festival de Música do Porto

O In Spiritum – Festival de Música do Porto é um festival de música que tem por fim redescobrir o património histórico através da música, associando um repertório específico ao ambiente único de cada espaço, proporcionando novas leituras da cidade do Porto. O roteiro musical e histórico explora alguns dos principais espaços monumentais da cidade, onde o património e a música convergem numa programação musical diversa, em estilo e em período temporal. O Centro Histórico do Porto foi classificado pela UNESCO, em 1996, como Património Cultural da Humanidade. Trata-se da área mais antiga da cidade do Porto e encerra uma riqueza monumental singular que remonta às épocas Romana, Medieval, Renascentista, Barroca e Neoclássica. O In Spiritum – Festival de Música do Porto é uma co-produção da Associação Cultural In Spiritum e da Câmara Municipal do Porto e conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República.

In Spiritum

In Spiritum

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INSTRMNTS

INSTRMNTS é uma exposição em digressão de instrumentos destinados a vários executantes, com oficinas, atuações e jogos, criada por Victor Gama e desenvolvida pela PngeiArt. Em 20 anos colaborou de forma estreita com fundações, museus, centros culturais, festivais e programas educativos.

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Música Hoje

Música Hoje é um programa realizado e produzido pela Miso Music Portugal e pelo Centro de Investigação & Informação da Música Portuguesa que volta, quinze anos depois, ao espaço radiofónico da Antena 2, aos sábados de 15 em 15 dias à 1h00 da madrugada. Entre 1989 e 1999, no âmbito deste programa, Miguel Azguime divulgou a mais recente criação musical, homenageando grandes compositores e grandes intérpretes. A nova edição de Música Hoje dedica-se sobretudo à nova música portuguesa, pondo lado a lado a criação musical de várias gerações de compositores, desde os “clássicos” do século XX até aos mais jovens, colocando em perspectiva a criação musical acústica e electroacústica, dando a ouvir o que há de novo, acabado de criar. Com um formato dinâmico que variará entre programas monográficos, entrevistas, apresentações de novíssimas peças e muitos inéditos, Música Hoje responde à necessidade de chamar à atenção para a riqueza que hoje em dia existe no panorama musical português dando voz ao fenómeno por vários já proclamado de “segundo renascimento da música portuguesa”, em que a variedade de estéticas e a qualidade das linguagens confirma também o facto de que, em boa verdade, há muitas músicas contemporâneas.

Música Hoje

Música Hoje

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MUSICALMENTE

A MUSICALMENTE é uma companhia que nasceu para desenvolver a nível profissional vários programas no âmbito da pedagogia e investigação musicais, dos quais se destacam os “Concertos para Bebés”, produção portuguesa pioneira no domínio das artes de palco para a primeira infância.

Concertos para bebés com Paulo Lameiro

“Maestro bebé” da companhia Musicalmente

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Ópera ISTO

A Ópera ISTO foi formada em 2012, pelos cantores e criadores Mário João Alves e José Lourenço. Dedica-se à criação e apresentação de espectáculos de teatro e música para todos os públicos, com particular incidência na abordagem de repertório operático e no público infanto-juvenil. Estreou-se com o espectáculo O que é uma Ária? escrito e encenado por José Lourenço e Mário João Alves. O espectáculo foi uma encomenda do Serviço Educativo da Casa da Música e foi, posteriormente, repetido no Festival de Música de Espinho, no Teatro Lethes de Faro e na Casa das Artes de Famalicão. Em Junho 2014 a companhia estreou Alibabá e as 40 Canções, na Casa da Música, seguindo-se apresentações em Coimbra e Famalicão. Seguiu-se, sempre na Casa da Música, em 2016, A Rolha da Garrafa do Rei d’Aonde?. Em 2018, em nova encomenda do Serviço Educativo da Casa da Música estreou A Flauta Mágica vista da Lua. Ainda em 2018 realizou apresentações de A Rolha da Garrafa do Rei d’Aonde? e de A Flauta Mágica vista da Lua e, já em 2019, estreou na Casa da Música um novo espectáculo chamado Pica-Pau Amarelo inspirado no mundo de Monteiro Lobato. O espectáculo teve textos do Mário João Alves e música deste e de Alexandre Reis, que colaborou pela primeira vez com a companhia. A companhia tem colaborado com diversos músicos e actores, nomeadamente os cantores Ângela Alves (soprano), Miguel Reis (tenor), Gabriel Neves (tenor), o pianista João Tiago Magalhães, o violinista David Lloyd e a actriz Ângela Marques.

Ópera Isto

Ópera Isto

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Orquestra Sem Fronteiras

A Associação Orquestra Sem Fronteiras existe para apoiar e fixar o talento jovem no interior do país, combatendo o abandono do ensino da música e premiando o mérito académico. Oferece aos seus músicos a possibilidade de complementarem os estudos com experiências de trabalho em ambiente profissional, integrando jovens provenientes de diversos locais e escolas em colaboração com o staff OSF e artistas convidados. Para além da atribuição de uma bolsa, também os transportes, refeições e alojamento durante toda a duração do programa (ensaios e concertos) são oferecidos aos músicos, de forma a garantir uma experiência socialmente equitativa, em que o mérito e o talento são os únicos factores preponderantes para a participação nos nossos projectos. Também existe para espalhar o acesso à cultura, e para isso se apresenta em dezenas de localidades do interior raiano, oferecendo concertos gratuitos, ensaios abertos e acções de pedagogia e introdução à música às populações locais. Por último, quer promover os valores de cooperação e integração transfronteiriça, e combina lado a lado músicos portugueses e espanhóis, numa programação que estará representada de ambos os lados da fronteira.

Orquestra Sem Fronteiras

Orquestra Sem Fronteiras

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Per’Curtir – Festival Internacional de Percussão

O Per’Curtir – Festival Internacional de Percussão  é um projeto de caráter pedagógico, artístico e cultural que visa desenvolver a área da performance na percussão, organizado pelo Conservatório d’Artes de Loures. Em todas as edições, os participantes são convidados a mergulhar na imensidão de cores tímbricas que só a percussão consegue oferecer. workshops, classes de aperfeiçoamento, exposições, conferências e concertos todos os dias. Teve a primeira edição em 2015. Em 2019 ocorreu a quarta edição.

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Porbatuka Almada

Fundado a 8 de Julho de 2017, Porbatuka Almada é um projeto musical de percussão, que aposta na formação musical gratuita e pretende dar a todos os seus elementos formação tanto a nível musical, de expressão corporal, bem como coreográfica.

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Prémio de Composição Século XXI

O concurso Prémio de Composição Século XXI, promovido em parceria pela Escola Profissional de Música de Viana do Castelo (EPMVC) e pela Academia de Música de Viana do Castelo (AMVC), tem como principal objectivo estimular a criação musical. O concurso assume uma dimensão nacional destinando-se a todos os alunos que frequentem o Curso Secundário de Música ou o Curso Profissional de Instrumentista. Uma das mais-valias deste concurso é a sua orientação para uma faixa etária que normalmente não é considerada nos concursos de composição, representando uma oportunidade única para a valorização dos jovens compositores através da divulgação, interpretação e edição das suas obras.

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Reencontros 21

Tendo como objectivo destacar o percurso artístico de antigos alunos de piano da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) que, ao longo dos últimos anos, tenham vindo a desenvolver uma actividade artística relevante, os Reencontros 21 constituem-se como espaço mediador de novos diálogos artísticos.

Associando-se recitais de piano a concertos de música de câmara, com este projecto pretende-se criar um espaço que, por um lado, evidencie a especificidade de cada percurso musical e, por outro, favoreça a troca de conhecimentos e de experiências artísticas. Num espírito de partilha, procura igualmente propiciar um contexto que fomente o encontro entre antigos alunos de diferentes áreas instrumentais da ESMAE, permitindo programar momentos artísticos ricos e variados, respondendo a diferentes gostos e sensibilidades musicais.

Na sua segunda edição, Reencontros 21 conta com uma programação que vai do clássico ao jazz. Com 13 participantes de várias áreas instrumentais, o ciclo apresenta, ao lado de obras chave do repertório clássico e romântico, um conjunto de obras de referência do séc. XX, incluindo Bartok, Scriabin, Messiaen, Berio e autores portugueses. Esta edição será também a ocasião de celebrar os aniversários de G. Crumb (1929) e de João Pedro Oliveira (1959), revisitando duas composições centrais dos seus percursos criativos, respectivamente: Celestial Mechanics (1979), para piano amplificado a 4 mãos, e Iris (2000), para quarteto e electrónica.

Os concertos decorrem na Casa da Música, nos dias 31 de Maio, 1 e 2 de Junho de 2019.

Coordenado por Madalena Soveral, o ciclo conta com as colaborações da ESMAE e da Casa da Música.

Reencontros 21

Reencontros 21

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Segréis de Lisboa

Os Segréis de Lisboa foram um grupo pioneiro com uma história de mais de 45 anos na divulgação da música da Idade Média, do Renascimento e até ao séc. XIX. Foi fundado em 1972 e dirigido desde então por Manuel Morais, que foi também professor no Conservatório de Lisboa. Se antes já tinham existido alguns episódicos agrupamentos na área da Música Antiga, contam-se pelos dedos de uma mão as gravações publicadas comercialmente. No entanto, ainda antes do primeiro álbum dos Segréis de Lisboa – “Música Ibérica da Idade Média e do Renascimento”, de 1974 – seria editado um disco creditado a Manuel Morais e à cantora Jennifer Smith, “A Voz e o Alaúde no Renascimento”, em que o primeiro interpretava alaúde e vihuela. Ambos são membros fundadores dos Segréis, a quem se juntam nessa fase Orlando Worm, Ana Bela Chaves, Pilar de Quinhones-Levy, Emídio Coutinho, Joaquim Simões da Hora (que também produz o LP) e ainda Fernando Serafim e Catarina Latino. Depois do duplo-álbum “A Música no Tempo de Camões”, encomendado para as celebrações dos 400 anos da morte do autor d’“Os Lusíadas”, os Segréis de Lisboa só voltariam aos discos em 1988, com “Música Portuguesa Maneirista”. Dois anos antes, tinham sido convidados no programa de televisão “Encontros”, apresentado por Rui Vieira Nery, e onde o grupo interpreta várias músicas. A de hoje, “Par Deus Bem Andou Castela”, é da autoria do espanhol Juan del Encina, e fez parte da peça “Templo d’Apolo” de Gil Vicente, estreada em 1526, aquando do casamento da infanta D. Isabel, filha do rei D. Manuel I, com o imperador Carlos V. Ao lado de Manuel Morais, de Fernando Serafim e de Catarina Latino encontramos ainda nesta formação dos Segréis de Lisboa os músicos Kenneth Frazer, António Oliveira e Silva e Helena Afonso. Esta última fizera também parte da formação inicial da Banda do Casaco, chegando em 1974 a gravar um disco a solo no âmbito da música popular.

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Tomarimbando

O Festival Tomarimbando tem sido um acontecimento importante no cenário musical da percussão, sendo uma plataforma para o encontro de várias entidades e interesses relacionados com: – A Formação na Percussão – promoção de diferentes Master Classes e Workshops – desde o nível de ensino básico, passando pelo pré – profissional, até ao ensino superior, abrangendo também, professores e profissionais de percussão. – O Ambiente de Performance – um espaço e tempo para a apresentação diária, num contexto artístico formal, dos Grupos Jovens de Percussão, bem como dos Grupos Universitários desta área instrumental. – A Performance/ Concertos Profissionais – a construção de um programa diário de concertos, por diversos profissionais, tanto na sua linha de interpretação e abordagens à musica percussiva, bem como nas suas proveniências, que se tem mantido entre artistas nacionais e internacionais. – Relação com Compositores – através dos artistas que se apresentam nos concertos, fazem no Festival, a apresentação de trabalhos originais, ou simplesmente, que nos enriquecem com o seu acompanhamento, no processo de ensaios e montagem das peças. – Interacção com outras áreas instrumentais ou formas artísticas, tanto num âmbito experimental, como de manifesta expressão artística, tais como, Vídeo, Multimédia, Dança entre outros. Existem ainda actividades paralelas durante o Festival como: – Exposição de marcas de Instrumentos e Acessórios de Percussão, que têm demonstrado interesse e investimento pelo Festival. – As tertúlias informais entre todos os participantes, durante todo o Festival que em muito enriquecem a análise dos resultados e que servem até, de promoção de futuros projectos, no festival ou, para lá deste.

[ Entradas para a futura Melopédia, enciclopédia viva e interativa da Música ]

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