Artigos académicos ou de divulgação sobre música

Cantar nutre o cérebro
,

Cantar nutre o cérebro infantil

Cantar nutre o cérebro infantil. A voz, o primeiro instrumento musical

Parece que os adultos precisamos sempre de argumentos sobre a utilidade das coisas para dar valor ao que, em si mesmo, é valioso. Mas, porque estamos imersos num mundo tão rápido e que vai descartando o que desde sempre nutriu o rico mundo infantil (os jogos, os contos, as canções…), vale a pena conhecer o que diz a ciência sobre os efeitos de cantar nas crianças mais pequenas.

A ciência descobriu que a música (tanto escutá-la como fazê-la) é um dos estímulos mais poderosos e complexos-completos para o desenvolvimento das crianças e jovens (e dos adultos!). Mas, e quando as crianças são demasiado pequenas para aprender a tocar um instrumento? A resposta é simples: a voz.

Por alguma razão as canções infantis são uma parte importante da tradição cultural infantil. Se todas as culturas têm o seu próprio folclore infantil é porque responde a uma necessidade universal, agora cientificamente estudada numa investigação realizada na Universidade de Münster (Alemanha), por Thomas Blank e Karl Adamek. O estudo realizou-se em 500 jardins de infância, com a colaboração do Departamento de Saúde Pública, verificando-se que 88% das crianças que cantavam com frequência estavam preparadas para a escolarização normal, em contraste com os 44% apenas daquelas em cuja escola se cantava menos.

O estudo demonstrou que cantar e jogar cantando estimula o desenvolvimento físico, mental e social das crianças numa medida que se subestimou, e que se reflete numa melhor maturação cerebral e no desenvolvimento da fala, a inteligência social e o controlo da agressão.

Cantar beneficia todas as crianças, mas de um modo muito especial os que vivem em situações de desvantagem social (violência familiar, escassez de recursos, imigração recente…). É difícil medir os incontáveis benefícios de uma atividade que põe em jogo o corpo, as emoções e a mente, mas uma possível explicação parcial dão-na os estudos neurobiológicos e fisiológicos que mostram que cantar produz hormonas de bem estar e reduz as que desencadeiam reações de agressão.

Do mesmo modo, é fácil deduzir que as canções infantis que implicam jogos, rodas, palmas etc, a determinado ritmo, pelo facto de serem de execução mais complexa e conterem tantas habilidades diferentes de forma sincronizada, potenciam ainda mais as conexões neuronais e a maturação de estruturas cerebrais básicas.

Faltaria mais investigação sobre o efeito nos mais pequeninos de substituir as canções infantis tradicionais, todas elas compostas na escala pentatónica  (segundo a pedagogia Waldorf mais próxima da fase evolutiva dos mais novos), por canções que escutem jovens e adultos, todas elas compostas em escala heptatónica. Isto sem mencionar outros aspetos como as letras, o efeito sensorial sobre as as crianças mais pequenas de muitas canções modernas ou a perda cultural da riqueza do folclore tradicional infantil que vai caindo no esquecimento.

Citando

(…) cantar e jogar cantando estimula o desenvolvimento físico, mental e social das crianças numa medida que se subestimou, e que se reflete numa melhor maturação cerebral e no desenvolvimento da fala, a inteligência social e o controlo da agressão.

Isabel F. del Castillo, Terra Mater, tradução de António José Ferreira, a 08 de junho de 2019

Cantar nutre o cérebro

Menino cantando

Sophia de Mello Breyner Andresen

Citações de Música na Poesia

MÚSICA NA POESIA

Citações musicais e poemas

[ Simónides 
(Séc. VI-V a.C.)

Inúmeras, as aves voavam
sobre a sua cabeça
e os peixes, em pé, saltavam das águas de anil do mar,
ao som do seu belo canto. ]

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[ Da epopeia dos Nibelungos 
(c. 1200)

Quando soam as cordas
do seu instrumento,
doces e suaves,
então dissolvem-se as dores de quem sofre. ]

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[ Al-Kutayyir 
(séc. XIII)

O que me dá prazer não é o vinho, não!
Nem tão pouco a música, nem sequer o canto.
Apenas os livros são o meu encanto
e a pena: a espada que tenho sempre à mão. ]

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[ Luís de Camões 
(n. Lisboa? 1524/1525; m. Lisboa 10 Junho 1580)

Luís de Camões

Luís de Camões

Nos salgueiros pendurei
os órgãos com que cantava.
Aquele instrumento ledo
deixei da vida passada,
dizendo: – Música amada,
deixo-te neste arvoredo,
à memória consagrada.
Frauta minha que, tangendo,
os montes fazíeis vir
p’ra onde estáveis correndo,
e as águas, que iam descendo,
tornavam logo a subir. ]

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[ Collecão de Sonetos
(1786)

À morte de José António Carlos Seixas, famoso cravista

Por perpétuo silencio a Parca dura
Do Luso Orféo à doce melodia,
Já se vê os assombros da harmonia
Clauzurados no horror da Sepultura.

Na destreza feliz, na ideia pura
Do impulso humano as forças excedia,
E invejando-lhe a morte a idolatria
Provar-lhe o culto em lágrimas porfia.

Se deve à Pátria o seu merecimento
Glória imortal em vida transitória
Seja igual à jactância hoje o lamento[,]

Porém[,] de tanta perda na memória,
Aonde irá parar o sentimento[,]
Se serve a pena a proporção da glória.

(Soneto presente na “Collecão de Sonetos, serios, que se não achão impressos, extrahidos dos ms. antigos e modernos [Lisboa?], 1786, p. 437. Lisboa: Biblioteca Nacional, Cod. 8610) ]

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[ Fernando Pessoa
(Lisboa, 13 de Junho de 1888 – Lisboa, 30 de Novembro de 1935)
Chuva Oblíqua (VI parte)

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

O maestro sacode a batuta,
A lânguida e triste a música rompe …

Lembra-me a minha infância, aquele dia
Em que eu brincava ao pé dum muro de quintal
Atirando-lhe com, uma bola que tinha dum lado
O deslizar dum cão verde, e do outro lado
Um cavalo azul a correr com um jockey amarelo …

Prossegue a música, e eis na minha infância
De repente entre mim e o maestro, muro branco,
Vai e vem a bola, ora um cão verde,
Ora um cavalo azul com um jockey amarelo…

Todo o teatro é o meu quintal, a minha infância
Está em todos os lugares e a bola vem a tocar música,
Uma música triste e vaga que passeia no meu quintal
Vestida de cão verde tornando-se jockey amarelo…
(Tão rápida gira a bola entre mim e os músicos…)

Atiro-a de encontra à minha infância e ela
Atravessa o teatro todo que está aos meus pés
A brincar com um jockey amarelo. e um cão verde
E um cavalo azul que aparece por cima do muro
Do meu quintal… E a música atira com bolas
À minha infância… E o muro do quintal é feito de gestos
De batuta e rotações confusas de cães verdes
E cavalos azuis e jockeys amarelos …

Todo o teatro é um muro branco de música
Por onde um cão verde corre atrás de minha saudade
Da minha infância, cavalo azul com um jockey amarelo…

E dum lado para o outro, da direita para a esquerda,
Donde há árvores e entre os ramos ao pé da copa
Com orquestras a tocar música,
Para onde há filas de bolas na loja onde a comprei
E o homem da loja sorri entre as memórias da minha infância…

E a música cessa como um muro que desaba,
A bola rola pelo despenhadeiro dos meus sonhos interrompidos,
E do alto dum cavalo azul, o maestro, jockey amarelo tornando-se preto,
Agradece, pousando a batuta em cima da fuga dum muro,
E curva-se, sorrindo, com uma bola branca em cima da cabeça,
Bola branca que lhe desaparece pelas costas abaixo… ]

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Chuva Oblíqua (IV parte)

Que pandeiretas o silêncio deste quarto!.
As paredes estão na Andaluzia.
Há danças sensuais no brilho fixo da luz.
De repente todo o espaço pára.
Pára, escorrega, desembrulha-se,
E num canto do tecto, muito mais longe do que ele está,
Abrem mãos brancas janelas secretas
E há ramos de violetas caindo
De haver uma noite de Primavera lá fora
Sobre o eu estar de olhos fechados. ]

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[ T. S. Eliot 
(n. St. Louis, 1888; m. London 1965)

Naquele canto decadente no meio das montanhas
Sob o pálido luar, a erva canta
Sobre as tumbas caídas, em volta da capela.
A capela está vazia, apenas refúgio do vento.
Não tem janelas e a porta bate,
Ossos secos não fazem mal a ninguém.
Sobre o telhado apenas um galo
Cocoricó, cocoricó,
Sob a luz do relâmpago. ]

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[ Alfredo Pedro Guisado 
(n. 1891; m. 1975)

Sinto-as tanger ainda os violinos velhos,
Onde os dedos saltando em cordas de oiro, à tarde,
Te cegaram de som. ]

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[ António Aleixo 
(n. Vila Real de Santo António 1899; m. 1949)

Tem a música o poder
de tornar o homem f’liz
nem há quem saiba dizer
tanto quanto ela nos diz. ]

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[ Florbela Espanca 
(n. Vila Viçosa 1894 – m. Matosinhos 1930)

Florbela Espanca

Florbela Espanca

Não se acende hoje a luz… Todo o luar
Fique lá fora. Bem aparecidas
As estrelas miudinhas, dando no ar
As voltas dum cordão de margaridas!

Entram falenas meio entontecidas…
Lusco-fusco… Um morcego, a palpitar,
Passa… torna a passar… torna a passar…
As coisas têm o ar de adormecidas…

Mansinho… Roça os dedos plo teclado,
No vago arfar que tudo alteia e doira,
Alma, Sacrário de Almas, meu Amado!

E, enquanto o piano a doce queixa exala,
Divina e triste, a grande sombra loira
Vem para mim da escuridão da sala… ]

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Só Schumann, meu Amor! Serenidade…
Não assustes os sonhos… Ah! não varras
As quimeras… Amor, senão esbarras
Na minha vaga imaterialidade…

Liszt, agora, o brilhante; o piano arde…
Beijos alados… ecos de fanfarras…
Pétalas dos teus dedos feitos garras…
Como cai em pó de oiro o ar da tarde!

Eu olhava para ti… «É lindo! Ideal!»
Gemeram nossas vozes confundidas.
– Havia rosas cor-de-rosa aos molhos –

Falavas de Liszt e eu… da musical
Harmonia das pálpebras descidas,
Do ritmo dos teus cílios sobre os olhos… ]

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[ José Gomes Ferreira 
(n. Porto 1900, m. Lisboa 1985)

Sofres?
Respira.
Não há outra lira. ]

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[ Leopold Senghor 
(n. Joal, Dacar 1906; m. França 2001)

Quando fiz a primeira comunhão, aos dez anos, pensava que no céu a maior felicidade era cantar, dançando. ]

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[ Vinayak Krishna Gokak 
(n. Índia 1909; m. 1992)

Com que canção deverei cantar-te, minha mãe?
Perguntei.
Deverei cantar
Os Himalaias com os seus cumes nascidos da neve,
Os três mares que banham a palma da tua mão?
Deverei cantar
A aurora clara com os seus raios de ouro puro?
Disse a Mãe imperturbável, calma:
Canta o mendigo e o leproso
Que enchem as minhas ruas. ]

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[ Dorothy Livesay 
(n. Canadá 1909; m. 1996)

Tem de lançar-se alto e mais alto ainda
De galáxia em galáxia,
Arrancar às estrelas as suas notas momentâneas
Roubar música à lua. ]

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[ Elizabeth Bishop 
(n. EUA 1911; m. 1979)

O seu canto ecoava de uma ponta à outra
da escuridão sob uma árvore batida pelo vento
onde reluziam as asas de pequenos insectos.
O seu canto fendeu o céu em dois. ]

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[ Jorge de Sena 
(1971) (n. Lisboa 1919; m. Santa Bárbara, Califórnia 1978)

Jorge de Sena, foto Fernando Lemos 1949

Jorge de Sena, foto Fernando Lemos 1949

Vulgar, ligeira, música sem nome,
adoecida num rascante falso
de orquestração pedante e requebrada,
tão apelante para o sentimento
e a fácil lágrima pi-rí-pi-rí-
mas em momentos de abandono é como
lubrificante cuspo que, secreto,
faz deslizante n’alma até ao fundo
o membro imenso de aturar-se a vida.
Depois, mesmo sem música, já está,
e a fêmea humana de aceitar-se a dor
até que as pernas junta de prazer
lembrando a melodia oleante e fluida,
vulgar, ligeira, música sem nome. ]

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A música é, diz-se, o indizível
por ser de inexprimível sentimento
da consciência, ou um estado de alma,
ou uma amargura tão extrema e lúcida
que passa das palavras para ser
apenas o ritmo e os sons e os timbres
só pelos músicos cientes de harmonia
e de composição imaginados. Mas,
se assim fosse, eles só dos homens
saberiam mover-se nos espaços
que a humanidade abandonada encontra
nos desertos de si. Começariam
onde a expressão verbal não se articula
por impossível. Viveriam sempre
na fímbria estreita à beira da maldade
e do absurdo, como que suspensos
na solidão da morte sem palavras.
Não é, portanto, a música o limite
ilimitado dos limites da linguagem,
para dizer-se o que não é dizível.
Mas, se não é, que dizem lancinantes,
neste discreto passeio pelo tempo,
os quatro instrumentos semelhantes
no seu modo de criarem som?
Tão terrível. Sufocante. Doce
ou agridoce desconcerto harmónico.
Que diz? Que diz? Neste contínuo
de temas e andamentos, de tonalidades,
o que se justifica? Que discutem eles?
A sua mesma natureza de instrumentos
e as combinações até ao infinito
de um mecanismo abstracto do imaginar?
Como pode uma coisa que sentimos tão medonha,
tão visionariamente séria e pensativa,
ser irresponsável?
Será que nos diz do aquém, do abaixo,
do infra, do primário, do barbárico,
do animal sem alma e sem razão?
Será que todo este rigor tão belo
é como que a estrutura prévia
de que existimos ao pensar as coisas?
E não a quintessência depurada
de uma estrutura que se consentiu
todo o significar a que as palavras vieram
da analogia nominal e mágica
até à consciência dos universais?
Não há tristeza alguma nesta
vida transformada em puro som,
em homogénea outra realidade?
Não é de angústia este rasgar melódico
da consciência antes de criar-se humana?
De que, portanto, vem este triunfo
que se precipita, contraditório, nas arcadas
dos instrumentos conversando essências?
É simples convenção? É artifício?
Silêncio irresponsável?
Se há mistério na grandeza ignota,
e se há grandeza em se criar mistério,
esta música existe para perguntá-lo.
E porque se interroga e não a nós,
ela se justifica e justifica
o próprio interrogar com que se afirma
não quintessência ela, mas raiz profunda
daquilo que será provável ou possível
como consciência, quando houver palavras
ou quando puramente inúteis forem. ]

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Ouço-te, ó música, subir aguda
à convergente solidão gelada.
Ouço-te, ó música, chegar desnuda
ao vácuo centro, aonde, sustentada
e da esférica treva rodeada,
tu resplandeces e cintilas muda
como o silente gesto, a mão espalmada
por sobre a solidão que amante exsuda
e lacrimosa corre pelo espaço
além de que só luz grita o pavor.
Ouço-te lá pousada, equidistante
desse clarão cuja doçura é de aço
como do frágil mas potente amor
que em teu ouvir-te queda esvoaçante.

Ó música da morte, ó vozes tantas
e tão agudas que o estertor se cala.
Ó música da carne amargurada
de tanto ter perdido que ora esquece.
Ó música da morte, ah quantas, quantas
mortes gritaram no que em ti não fala.
Ó música da mente espedaçada
de tanto ter sonhado o que entretece,
sem cor e sem sentido, no frevor
de sublimar-se nesse além que és tu.
Ó vida feita uma detida morte.
Ó morte feita um inocente amor.
Amor que as asas sobre o corpo nu
fechas tranquilas no possuir da sorte. ]

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[ Sophia de Mello Breyner Andresen
(n. Porto 1919; m. Lisboa 2004)

Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Musa ensina-me o canto
Venerável e antigo
O canto para todos
Por todos entendido

Musa ensina-me o canto
O justo irmão das coisas
Incendiador da noite
E na tarde secreto

Musa ensina-me o canto
Em que eu mesma regresso
Sem demora e sem pressa
Tornada planta ou pedra

Ou tornada parede
Da casa primitiva
Ou tornada o murmúrio
Do mar que a cercava

(Eu me lembro do chão
De madeira lavada
E do seu perfume
Que atravessava)

Musa ensina-me o canto
Onde o mar respira
Coberto de brilhos
Musa ensina-me o canto
Da janela quadrada
E do quarto branco

Que eu possa dizer como
A tarde ali tocava
Na mesa e na porta
No espelho e no corpo
E como os rodeava

Pois o tempo me corta
O tempo me divide
O tempo me atravessa
E me separa viva
Do chão e da parede
Da casa primitiva

Musa ensina-me o canto
Venerável e antigo
para prender o brilho
Dessa manhã polida
Que poisava na duna
Docemente os seus dedos
E caiava as paredes
Da casa limpa e branca

Musa ensina-me o canto
Que me corta a garganta

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O Piano sílaba por sílaba
Viaja através do silêncio
Transpõe um por um
Os múltiplos murais do silêncio
Entre luz e penumbra joga
E de terra em terra persegue
A nostalgia até ao seu último reduto

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Na voz de oiro e de sombra da guitarra
Algo de mim a si próprio renuncia. ]

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[ Rosemary Dobson 
(n. Austrália 1920)

Estava feito. Enrolando as mangas
Pegou na flauta
E ao caminhar para o local da execução
Tocou uma nova melodia. ]

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[ José Saramago, Os Poemas Possíveis 1966
(n. 1922)

José Saramago

José Saramago

Venham leis e homens de balanças,
mandamentos d’aquém e d’além mundo.
Venham ordens, decretos e vinganças,
desça em nós o juízo até ao fundo.

Nos cruzamentos todos da cidade
a luz vermelha brilhe inquisidora,
risquem no chão os dentes da vaidade
e mandem que os lavemos à vassoura.

A quantas mãos existam peçam dedos
para sujar nas fichas dos arquivos.
Não respeitem mistérios nem segredos
que é natural os homens serem esquivos.

Ponham livros de ponto em toda a parte,
relógios a marcar a hora exacta.
Não aceitem nem queiram outra arte
que a prosa de registo, o verso acta.

Mas quando nos julgarem bem seguros,
cercados de bastões e fortalezas,
hão-de ruir em estrondo os altos muros
e chegará o dia das surpresas. ]

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[ Eugénio de Andrade 
(n. Póvoa da Atalaia, Fundão 1923 – m. Porto 2005)

Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade

Canto porque sou homem.
se não cantasse seria
o mesmo bicho sadio
embriagado na alegria
da tua vinha sem vinho. ]

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Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?

Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?

Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim. ]

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[ Ernesto Cardenal 
(n. 1925)

Junto aos rios de Babilónia
Estamos sentados e choramos
Ao lembrar-nos de Sião.
Ao olhar o arranha-céus de Babilónia
e as luzes reflectidas no rio
as luzes dos night-clubs e dos bares de Babilónia
e ao ouvir suas músicas
E choramos
Nos salgueiros da margem
Penduramos nossas cítaras
Dos salgueiros chorosos
E choramos. ]

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[ Gilberto Mendonça Teles 
(Brasil, n. 1931-)

Um dia descobriu que a mão esquerda
era mais emotiva e mais ausente:
dedilhava por dentro o que era perda
e sondava por fora o inexistente.

E descobriu que quanto mais isento
o acorde se tornava, e delicado,
tanto mais se ordenava o movimento
da música de fundo no teclado.

E viu-se de repente entretecido
no mais difícil, no desvão do espaço,
quando as notas colhiam seu sentido
nas formas invisíveis do compasso.

Sentiu-se solidário na partida
e chorou solitário na aventura,
como se em cada coisa a própria vida
se lhe escapasse numa partitura.

E foi aí que se sentiu restrito,
que se fez de silêncio e de resvalo:
a mão esquerda desdobrava o mito
e dedilhava as sombras do intervalo. ]

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[ Adelina Caravana Rigaud

Se perguntares à música
que tem para dizer,
imagens ou prodígios
a emoção mais real,
viverás bem no fundo
com o ser todo inteiro
o consolo, as respostas.
Viverás muitas vidas
ricas como tesouros.

E então, dentro de ti
Com alimento e cor
dirás um obrigado
mesmo que seja à dor. ]

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[ Georges Dor 
(n. Drummondville 1931; m. 2001)

Quando canto, torno-me canção,
quando escrevo torno-me poema,
quando vos digo: amo-vos,
torno-me o verbo amar
em todos os tempos. ]

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[ Pedro Tamen
(n. Lisboa, 1934)

Cantas. Não sei bem onde,
mas atravessas as paredes da casa
e do coração. O amor indetectado
lança notas da música da terra
– não a das estrelas, que não há

Cantas. E o universo é uno,
é uno neste verso.” ]

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[ Manuel Alegre 
(n. Águeda, 1936)

De Deus não sei. Mas quase creio
que Deus poisou nas mãos cheias de terra
de um jovem camponês de Sotto il Monte.
Por isso mando à Praça de São Pedro
não uma prece
mas a minha canção fraterna e livre
esta canção
que vai pedir-te a humana bênção
João XXIII: avô do século. ]

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[ Joaquim Pessoa
(n. Barreiro, 1948)

Joaquim Pessoa

Joaquim Pessoa

Canta
Atreve-te a julgar
Julga os outros julgando-te a ti mesmo.
A natureza das coisas é a tua natureza.
Respira-te, despe-te,
faz amor com as tuas convicções,
não te limites a sorrir
quando não sabes mais o que dizer.
Os teus dentes
estão lavados, as tuas mãos são amáveis
mas falta-te
decisão nos passos e firmeza nos gestos.
Procura-te. Procura encontrar-te antes que
te agarre a voracidade do tempo.
Faz as coisas com paixão.
Uma paixão irrequieta que não te dê descanso
e te faça doer a respiração.
Aspira o ar, bebe-o com força, é teu,
nem um cêntimo pagarás por ele.
Quanto deves é à vida, o que deves é a ti mesmo.
Canta.
Canta a água e a montanha e o pescoço do rio,
e o beijo que deste e o beijo que darás, canta
o trabalho doce da abelha e a paciência
com que crescem as árvores,
canta cada momento que partilhas com amigos,
e cada amigo
como um astro que desponta
no firmamento breve do teu corpo.
E canta o amor. E canta tudo o que tiveres razão para cantar.
E o que não souberes e o que não entenderes, canta.
Não fujas da alegria.
A própria dor ajuda-te a medir
a felicidade. Carrega nos teus ombros os séculos passados
e os séculos vindouros,
muito do pó que sacodes já foi vida,
talvez beleza, orgulho, pedaços de prazer.
A estrela que contemplas talvez já não exista, quem sabe,
o que te ajudou a ser vida de quantas vidas precisou.
Canta!
Se sentires medo, canta.
Mas se em ti não couber a alegria, não pares de cantar.
Canta. Canta. Canta. Canta. Canta.
Constrói o teu amor, vive o teu amor,
ama o teu amor. De tudo o que as pessoas querem,
o que mais querem é o amor.
Sem ele, nada nunca foi igual, nada é igual,
nada será igual alguma vez.
Canta. Enquanto esperas, canta.
Canta quando não quiseres esperar.
Canta se não encontrares mais esperança.
E canta quando a esperança te encontrar.
Canta porque te apetece cantar e
porque gostas de cantar e
porque sentes que é preciso cantar.
E canta quando já não for preciso.
Canta porque és livre.
E canta se te falta a liberdade.

Guardar o Fogo, pp. 318-319.

Heródoto

Citações de Música na História

CITAÇÕES MUSICAIS

Música na História

Heródoto 
(n. Halicarnasso 484 a. C.; m. Túrio 420)

Ciro ouviu-lhes as propostas e, no fim, contou-lhes esta história: Um tocador de flauta, começou ele, viu os peixes no mar e pôs-se a tocar, convencido de que eles iam saltar para terra. Mas quando viu gorada a sua expectativa, pegou na rede, apanhou uma grande quantidade de peixes e tirou-os da água. Ao vê-los debaterem-se, disse: ‘Acabem-me com essas danças que, quando eu estava a tocar flauta, não quiseram vocês saltar cá para fora e dançar’. ]

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Escrito grego 
(90 a. C.)

Praz à Boa Fortuna que seja feito o elogio de Antipatros, filho de Breucos, de Eleuternes, tocador de órgão hidráulico, pela sua reverência e a sua piedade em relação a Deus, pela predilecção que manifesta pela sua arte e pela sua benevolência para com a nossa cidade. ]

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Plínio o jovem 
(112)

Têm por costume, em dias marcados, reunir-se antes de raiar o sol e cantar, em coros alternados, um hino a Cristo como a Deus. ]

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Ateneu 
(Séc. II)

Ouviu-se nas redondezas o som de um hidraulo, tão agradável e tão encantador que nos fez voltar, fascinados pela harmonia. Então Ulpiano, voltando o olhar para o músico Alcides, disse: – Entendes tu, o maior músico dos homens, esta bela sinfonia que nos fez voltar, deslumbrados?… ]

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Jullius Pollux 
(séc. II)

O hidraulo parece uma siringe invertida; os seus tubos são de bronze e soprados por baixo. O mais pequeno destes instrumentos é alimentado por foles; no maior, é a água que comprime o vento. O segundo dispõe de múltiplos sons e a voz dos seus tubos de bronze é muito brilhante. ]

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Texto árabe 
(séc. IX)

Um dia, Ismail ibn al-Hâdi entrou em casa de Al-Mamun, quando ouviu uma música que lhe chamou a atenção. Quando Al-Mamun lhe perguntou: – Que tem?, ele respondeu: – Ouvi qualquer coisa que me comoveu. Fui o mais arrebatado a negar o facto que o órgão bizantino fazia morrer de prazer; mas agora posso afirmar que é verdade. ]

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Harun Bem-Jahra 
(867)

Em seguida, introduz-se uma coisa chamada al-urgana; é um objecto de madeira, em forma quadrada, tendo o aspecto de uma prensa de azeite; esta prensa está revestida de um couro muito forte e suporta sessenta tubos de cobre. A parte dos tubos situada por cima do couro é revestida a ouro, mas só se vê uma pequena parte, pois cada tudo pouca diferença faz, em comprimento, do seu vizinho. De cada lado do objecto quadrado, há um buraco: lá se encontram foles semelhantes aos dos ferreiros. Dois homens começam então a manobrá-los; depois, chega o organista, que faz cantar os tubos. Cada tubo dá um som proporcional à sua altura e celebra o Imperador, enquanto todo o povo está sentado à mesa. ]

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D. Diogo de Sousa 
(1505)

Todos aqueles que quiserem ser sacerdotes, ou haver benefícios, saibam ler bem, cantar, e gramática, e vivam bem e honestamente. ]

Heródoto

Heródoto

 

Santo Agostinho de Hipona

Citações de Música na Filosofia

CITAÇÕES MUSICAIS

Música na Filosofia

[ Confúcio
(n. China 551 – 479 a.C.)

Minhas crianças, por que é que não aprendem canções? Elas são capazes de vos dar encorajamento e estímulo; elas podem ensinar-vos a observar e a preservar as coisas; podem ensinar-vos a associar, a compreender com profundidade; são capazes de apagar a vossa raiva; elas ensinam-vos a ouvir o vosso pai, que conhece todas as regras que regem a vossa longa caminhada; elas ensinam-vos os nomes dos pássaros, dos animais, das árvores. ]

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[ Santo Agostinho de Hipona
(n. Tagaste 354; m. 430)

Confesso que ainda agora encontro algum descanso nos cânticos que as vossas palavras vivificam, quando são entoados com suavidade e arte… Quando oiço cantar essas vossas palavras com mais piedade e ardor, sinto que o meu espírito também vibra com devoção mais religiosa e ardente, do que se fossem cantadas de outro modo. Sinto que todos os afectos da minha alma encontram na voz e no canto, segundo a diversidade de cada um, as suas próprias modulações, vibrando em razão de um parentesco oculto, para mim desconhecido, que entre eles existe. ]

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[ Boécio
(n. Roma c. 480-m.524)

Nada é mais característico da natureza humana do que ser acalmado pelos modos doces e excitado pelos seus opostos. Crianças, jovens e adultos estão tão naturalmente ligados aos modos por uma espécie de sentimento espontâneo que não há quem se não delicie com as canções doces. ]

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[ Jean Jacques Rousseau
(n. Genève 1712; m. 1778)

Mesmo que toda a natureza esteja adormecida, o que a contempla não dorme, e a arte do músico consiste em substituir a imagem insensível do objecto pela dos movimentos que a sua presença excita no coração do contemplador: não só ele agitará o mar, animará a chama de um fogo, fará correr os ribeiros, cair a chuva e aumentar as torrentes, como pintará o horror de um deserto medonho, denegrirá os muros de uma prisão subterrânea, acalmará a tempestade, tornará tranquilo e sereno o ar e da orquestra espargirá nova frescura sobre os bosques…

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[ Friedrich Nietzsche
(n. Rocken 1844; m. Weimar 1900)

Que o teatro não acabe por dominar todas as outras artes;
que o comediante não acabe por subornar os puros;
que a música não se torne uma arte de mentir. ]

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[ Theodor Wiesengrund Adorno
(n. Francoforte 1903; m. Suiça 1969)

Toda a música tem por Ideia a forma do Nome divino. Oração desmitificada, liberta da magia do efeito, a música representa a tentativa humana, por mais vâ que ela seja, de enunciar o próprio Nome em vez de comunicar significações. ]

Santo Agostinho de Hipona

Santo Agostinho de Hipona

Gregório de Nazianzo

Citações de Música nos Santos

MÚSICA NOS SANTOS DA IGREJA

O vosso presbitério, tão justamente reputado e tão digno de Deus, está ligado ao bispo como as cordas estão unidas à cítara. Assim, no acorde dos vossos sentimentos e na harmonia do vosso amor, vós cantais Jesus Cristo. Que cada um de vós se torne membro deste coro. Então, no uníssono das vozes nascerá o canto que agrada a Deus e de uma só boca, elevareis ao Pai, por Jesus Cristo, os vossos hinos. Ele vos escutará, e na beleza das vossas obras reconhecerá que fazeis parte do coro do seu Filho.

Santo Inácio de Antioquia (n. c. 50; m. c. 110)

Toda a nossa vida cristã é um dia de festa e por isso trabalhamos nos campos cantando hinos e entoamos cantos de louvor enquanto navegamos.

São Clemente de Alexandria (séc. II-III)

Tens o canto do salmo, tens a profecia, os preceitos do evangelho, as pregações dos apóstolos. A língua cante e a mente trate de conhecer o sentido das palavras cantadas, para cantares com o espírito e também com a tua mente.

São Basílio de Cesareia (n. Cesareia c. 329; m. 379)

Tu estás para lá de tudo.
Que outra coisa sobre Ti poderá dizer o canto?
De que servem palavras diante de Ti
se palavra alguma Te narra?

São Gregório de Nazianzo (séc. IV)

Alguns consideram que seduzi o povo com o encanto melódico dos meus hinos. Obviamente, não me vou defender. Há neles, sem dúvida, um encanto poderoso. Há algo mais poderoso do que a confissão da Trindade renovada, cada dia, pela confissão de todo o povo?

Santo Ambrósio de Milão (n. Trèves c. 335; m. 397)

Não podeis objectar nem a pobreza, nem a falta de tempo, nem a lentidão do vosso espírito. Sois pobres, e por isso não podeis fruir dos livros; ou então tendes livros, mas não tendes tempo para ler. A satisfação de meditar os versos dos salmos que aqui cantastes não uma, nem duas, nem três vezes, mas em muitas circunstâncias vos dará abundante matéria de consolação.

São João Crisóstomo (n. Antioquia 344; m. 407)

A Deus não há que cantar com a voz, mas com o coração, nem é necessário tratar a garganta com doces remédios, como fazem os actores de teatro, para depois fazer ouvir no templo modulações próprias de um teatro; é antes necessário cantar a Deus com o temor, com as boas obras e com o conhecimento das escrituras. Mesmo que alguém seja desafinado, desde que tenha boas obras, para Deus é bom cantor.

São Jerónimo (n. Estridon c. 347; m. 420?)

Cantar bem a Deus é cantar com júbilo. O que quer dizer cantar: cantar com júbilo? Entender, não poder explicar com palavras o que se canta no coração. Pois aqueles que cantan na colheita, na vinha, em algum trabalho pesado, começando a exultar de alegria por meio das palavras dos cânticos e estando repletos de tanta alegria que não podem exprimi-la, deixam as sílabas das palavras e emitem sons jubilosos. O júbilo é som significativo de que o coração está concebendo o indizível. E diante de quem é conveniente tal júbilo senão diante do Deus inefável? Inefável aquilo de quem é impossível falar. E se não podes falar e não deves calar, o que resta senão jubilar? O coração rejubila sem palavras e a imensidão da alegria não se limita a sílabas.

Santo Agostinho de Hipona (n. Tagaste 354; m. 430)

O som é produzido por tubos no órgão, por cordas na cítara. Esta dupla imagem evoca, por um lado, as boas obras e, por outro, a pregação sagrada. Comparar a boca dos pregadores a tubos de órgão, e o desejo de bem viver a cordas da cítara, é paralelismo que aceitamos com naturalidade. Este desejo de bem viver, por exemplo, sempre em tensão para a outra vida graças à ascese do corpo é como uma corda bem esticada: soa afinado e provoca admiração nos que a ouvem.

São Gregório Magno (n. Roma c. 540; m. 604)

Há um cântico que, pela sua singular dignidade e doçura, merecidamente supera todos os cânticos… E chamar-lhe-ei, com todo o direito, o Cântico dos Cânticos, porque ele é o fruto de todos os outros. Tal cântico, só a unção do Espírito no-lo ensina, só a experiência no-lo mostra. Que o reconheçam aqueles que o experimentaram; os que não têm esta experiência, que ardam de desejo, não tanto de conhecer mas, sobretudo, de o experimentar. Não é um murmúrio saído da boca mas júbilo do coração, nem um som produzido pelos lábios mas um movimento de alegria, um recital das vontades e não das vozes. Não se ouve exteriormente, porque não ressoa em público. Só o escutam aquela que o canta e aquele a quem é cantado, isto é, o Esposo e a Esposa. É um verdadeiro cântico nupcial, que exprime os castos e alegres abraços das almas, a harmonia dos costumes, o amor recíproco no acorde dos sentimentos.

São Bernardo de Claraval (n. 1091; m. 1153)

Quando o Diabo enganador soube que o homem, sob a inspiração de Deus, começara a cantar e, desse modo, lembrava a doçura dos cânticos da pátria celeste, vendo que as maquinações da sua manha tinham ficado reduzidas a nada, ficou apavorado e atormentado. E começou a reflectir e a procurar entre os múltiplos recursos da sua maldade, o modo de multiplicar más sugestões e pensamentos imundos ou distracções diversas, não só no coração do homem mas no próprio coração da Igreja, onde fosse possível para, através de contendas e escândalos ou ordens injustas perturbar ou impedir a celebração e a beleza do louvor divino e dos hinos espirituais.

Santa Hildegarda de Bingen (n. 1098; m. 1179)

Dias antes da sua morte, São Francisco estava enfermo em Assis, na casa episcopal, com alguns dos seus companheiros; e apesar de todas as suas enfermidades, cantava muitas vezes louvores a Cristo. Um dos companheiros disse-lhe: Pai, sabes que esta população te considera um santo homem e, por isso podem pensar que, se és realmente o que eles julgam, deverias, na tua doença, pensar na morte e chorar em vez de cantar, uma vez que tens doença grave; concordarás que o teu canto e o que nos fazes cantar são ouvidos por muitas pessoas, dentro e fora do palácio.

Considerações sobre os estigmas de São Francisco de Assis (1182; m. 1226)

Se cantamos apenas pelo prazer de cantar, a alma distrai-se e não dá atenção às palavras. Se, pelo contrário, cantamos por devoção, meditamos com mais atenção no que dizemos.

São Tomás de Aquino (n. 1228; m. 1274)

Mais do que os instrumentos, deve ouvir-se nos templos a voz humana.

São Pio X (n. Riese 1835; m. Roma 1914)

Gregório de Nazianzo

são Gregório de Nazianzo

Citações Musicais na Bíblia

MÚSICA NA BÍBLIA

Moisés e os filhos de Israel cantaram ao Senhor o seguinte cântico:
Cantemos ao Senhor, que é solenemente grande;
Precipitou no mar o cavalo e o cavaleiro.
O Senhor é a minha força e a minha glória,
Foi Ele quem me salvou.

Ex 15, 1-2 (Livro do Êxodo)

Sete sacerdotes, tocando sete trombetas, irão à frente da arca. No sétimo dia, dareis sete vezes a volta à cidade, com os sacerdotes a tocar a trombeta. À medida que o som da trombeta for crescendo, e a sua voz se tornar mais penetrante, todo o povo irromperá num grande clamor e a muralha da cidade desabará.

Jos 6, 4-5 (Livro de Josué)

Naquele dia, Débora e Barac, filho de Abinoam, entoaram o seguinte cântico: Louvai o Senhor! Pois em Israel os chefes comandam e o povo espontaneamente se ofereceu. Ouvi-me, ó reis; prestai-me ouvidos, ó príncipes, que eu vou cantar ao Senhor, o Senhor, Deus de Israel celebrarei.”

Jz 5, 5,1

Quando Jefté regressou a sua casa em Mispá, eis que sua filha saiu para o vitoriar, dançando e tocando tamborim; ela era filha única.

Jz 11, 34

Ana orou, cantando este cântico: “Exulta o meu coração de júbilo no Senhor. Nele se ergue a minha fronte, a minha boca desafia os meus adversários, porque me alegro na tua salvação.”

1Sm 2, 1

Mande nosso senhor e os servos que te assistem irão buscar um homem que saiba dedilhar a lira e, quando o mau espírito da parte de Deus te atormentar,ele tocará e tu te sentirás melhor. Então Saúl disse aos servos: Procurai pois um homem que toque bem e trazei-mo. Um dos seus servos pediu para falar e disse: Tenho visto um filho de Jessé, o belemita, que sabe tocar e é um valente guerreiro, fala bem, é de bela aparência e Iahweh está com ele. Saul despachou logo mensageiros a Jessé com esta ordem: Manda-me o teu filho David (que está com o rebanho).

1 Sam 16, 16 (1º Livro de Samuel)

Os levitas cantores, Asaf, Heman, Idutun e os seus filhos e irmãos, vestidos de linho fino, colocados a leste do altar, tocavam címbalos, cítaras e harpas, acompanhados por cento e vinte sacerdotes que tocavam trombetas. Todos os tocadores de trombeta e os cantores se uniam para entoar, numa mesma sinfonia, o louvor do Senhor, entre o ressoar das trombetas, dos címbalos e dos outros instrumentos musicais; e cantavam: Louvor ao Senhor porque é bom e a sua misericórdia é eterna.

2 Cron 5, 13 (2º Livro das Crónicas)

Disse Judite:
‘Entoai um cântico ao meu Deus com tamborins,
cantai ao meu Deus com címbalos,
cantai-lhe um salmo novo,
exaltai-O e invocai o seu nome.

Jdt 13, 16, 1 (Livro de Judite)

Ao director do coro. Salmo de David. Com instrumentos de corda.

Ouve, Senhor, as minhas palavras
e atende a minha súplica.

Sl 5, 1-2 (Livro dos Salmos)

Ao director do coro. Para instrumentos de oito cordas. Salmo de David.

Senhor, não me repreendas na tua ira,
nem me castigues com o teu furor.

Sl 6, 1-2

Ao director do coro. Sobre a Lira de Gat. Salmo de David.

Ó Senhor, nosso Deus,
como é admirável o teu nome em toda a terra!

Sl 8, 1-2

Ao director do coro. Com voz de soprano. Salmo de David.

Quero louvar-Te, Senhor, com todo o coração,
e narrar todas as tuas maravilhas.

Sl 9, 1-1

Ao director do coro. Pela melodia “A corça pela aurora”. Salmo de David.

Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?

Sl 22(21), 1

Salmo. Cântico da dedicação do templo. De David.

Senhor, eu Te enalteço, porque me salvaste
e não permitiste que os inimigos se rissem de mim.”

Sl 30(29), 1

Louvai o Senhor com a cítara,
cantai-Lhe salmos com a harpa de dez cordas.
Cantai-Lhe um cântico novo,
tocai com arte por entre aclamações.

Sl 33(32), 2-3

Ao director do coro. Segundo a melodia “Os lírios”. Poema dos Filhos de Coré. Cântico de amor.

O meu coração vibra com belas palavras;
vou recitar ao rei o meu poema!

Sl 45(44), 1-2

Ao director do coro. Pela melodia “a pomba dos terebintos longínquos”. Elegia. De David, quando os filisteus se apoderaram dele, em Gat.

Tem compaixão de mim, ó Deus,
pois há quem me queira destruir
oprimindo-me e fazendo-me guerra todo o dia.

Sl 56(55), 1-2

Ao director do coro. Sobre a lira de Gat. De Asaf.

Alegrai-vos em Deus, nossa força,
aclamai o Deus de Jacob.
Cantai ao som do tamborim,
da cítara harmoniosa e da lira.
Tocai a trombeta na festa da Lua-nova
e na Lua-cheia, dia da nossa festa.

Sl 81(80), 1-4

Salmo. Cântico. Para do dia de sábado.

É bom louvar-Te, Senhor
e cantar salmos ao teu nome, ó Altíssimo,
proclamar pela manhã a tua bondade
e durante a noite a tua fidelidade,
ao som da da lira e da cítara
e com as melodias da harpa.

Sl 92(91), 1-4

O Senhor escreverá no registo dos povos,
anotando: “Este nasceu em Sião.”

E eles dirão, cantando e dançando:
“A minha única fonte está em ti.”

Sl 87(86), 6-7

Cantai ao Senhor um cântico novo,
cantai ao Senhor, terra inteira!
Cantai ao Senhor bendizei o seu nome,
proclamai, dia após dia, a sua salvação.

Sl 96(95), 1-2

Cantai ao Senhor um cântico novo,
porque Ele fez maravilhas!

Aclamai o Senhor, terra inteira,
exultai de alegria e cantai!
Cantai hinos ao Senhor ao som da harpa,
ao som da lira e da cítara;
ao som de cornetins e trombetas,
aclamai o nosso rei e senhor.

Batam palmas os rios,
e as montanhas, em coro, gritem de alegria.

Sl 98(97), 1, 4-6, 8

Cântico. Salmo de David.

Ó Deus, meu coração está firme;
quero cantar e salmodiar, ó minha glória!
Despertai, lira e cítara!
Quero acordar a aurora!
Louvar-Te-ei, Senhor, entre os povos,
cantar-Te-ei entre as nações.

Sl 108(107), 1-4

Junto aos rios de Babilónia nos sentámos a chorar,
com saudades de Sião.
Nos salgueiros das suas margens
pendurámos as nossas harpas.
Os que nos levaram para ali cativos
queriam ouvir os nossos cânticos
e os nossos opressores, uma canção de alegria:
“Cantai-nos um cântico de Sião”.
Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor
estando numa terra estranha?

Sl 137 (136), 1-4

Aleluia!
Louvai ao Senhor, porque é bom cantar!
É agradável e justo louvar o nosso Deus.

Cantai ao Senhor com gratidão;
cantai ao nosso Deus ao som da harpa.

Sl 147(146), 1, 7

Aleluia!
Cantai ao Senhor um cântico novo;
louvai-o na assembleia dos fiéis!

Louvem o seu nome com danças;
cantem-Lhe ao som de harpas e tambores!

Sl 149, 1, 3

Aleluia!
Louvai-O ao som da trombeta,
louvai-O com a harpa e a cítara!
Louvai-O com tambores e danças,
Louvai-O com instrumentos de corda e flautas!
Louvai-O com címbalos sonoros,
Louvai-O com címbalos retumbantes!
Tudo quanto respira louve ao Senhor!
Aleluia!

Sl 150, 3-6

Rei David, por Gerard van Honthorst

Citações de Música na Igreja

CITAÇÕES ECLESIÁSTICAS

MÚSICA EM ECLESIÁTICOS

Há, sem dúvida, numerosas sementes das mais raras virtudes nos corações acessíveis à música; pelo contrário, os que repelem a música parecem-me ter apenas calhaus e pedras. Sabemos que a música é odiada pelos diabos, que a não podem suportar e, segundo a Teologia, não há outra arte que se lhe possa igualar. E tanto assim é, que a música pode, como a Teologia, sossegar o ânimo e alegrá-lo. Por isso, o diabo, causador de tristes cuidados e pensamentos inquietos, foge tanto da música como das palavras da Teologia.

Martinho Lutero (n. Eisleben 1483; m. Eisleben 1546)

A música não deve ser composta em ordem a um mero deleite dos ouvintes, mas de tal maneira que as palavras possam ser compreendidas por todos, a fim de que os corações dos ouvintes sejam arrebatados pelo desejo das harmonias celestes e pela contemplação das alegrias dos bem-aventurados.

Concílio de Trento (1545-1563)

Se é verdade que a música das representações cénicas, como nos foi relatado, deleita os espectadores com os seus artifícios, modulações harmónicas, com o ritmo e a suavidade das vozes, de tal maneira que se não perceba o texto por longo espaço de tempo, nesse caso, a música litúrgica tem objectivos bem diferentes, pois que a sua primeira preocupação deve ser a perfeita e integral compreensão das palavras.

Bento XIV (1778)

Nenhum instrumento, por mais exímio que seja, pode superar a voz humana ao expimir os sentimentos da alma.

Pio XI (n. Desio 1857; m. Roma 1939)

O artista que tem uma fé profunda e leva uma vida digna de um cristão, impelido pelo amor de Deus e usando religiosamente os dons concedidos pelo Criador, procurará com todo o empenho exprimir e propor as verdades em que crê e a piedade que cultiva.

Pio XII (n. Roma 1876; m. Roma 1958; Papa 1939-1958)

A voz doce e penetrante do órgão simboliza bem o sopro vivificante do Espírito do Senhor que enche o mundo.

João XXIII (n. Sotto il Monte 1881; m. Roma 1963; Papa 1958-1963)

A tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte.

Constituição Sacrosanctum Concilium (1963)

Canta-se? Então vai-se à igreja. Vai-se à igreja? Então existe religião. Há religião? Então crê-se. Crê-se? Então salva-se. Eis uma cadeia que é paradoxal e, todavia, tem a sua importância. Se se canta, conserva-se a vida religiosa numa comunidade.

Paulo VI (n. Concesio 1897; m. Roma 1978)

Melhor será omitir totalmente a música instrumental (quer de órgão, quer de outros instrumentos) do que tocar mal; e, em geral, melhor será fazer bem uma coisa ainda que limitada, do que projectar coisas maiores, se faltam os meios aptos para as realizar.

Instrução De Musica Sacra et Sacra Liturgia (1958)

A oração adopta uma expressão mais penetrante; o mistério da sagrada liturgia e o seu carácter hierárquico e comunitário manifestam-se mais claramente; mediante a união das vozes chega-se a uma mais profunda união de corações; da beleza do sagrado o espírito eleva-se mais facilmente ao invisível; enfim, toda a celebração prefigura com mais clareza a liturgia santa da nova Jerusalém.

Instrução Musicam Sacram (1967)

O canto não constitui na liturgia um luxo, um elemento meramente decorativo. É um elemento primordial inerente ao carácter de festa.

Comissão Episcopal de Liturgia de Portugal (1967)

O órgão é uma imagem do homem, a duplo título: com efeito, nesta maravilha da arte admiravelmente concorrem o sopro e a mão; a mão que modelou o homem e joga no teclado; o sopro que animou o homem e canta nos tubos.

D. Júlio Tavares Rebimbas (n. Murtosa 1922)

Graças à palavra, a música pode nomear o Deus de Jesus Cristo; pela música, a voz humana tenta dizer o inefável.

Universa Laus (1980)

A introdução das línguas vulgares na liturgia romana exige uma valorização das tradições hinológicas locais. A nova sensibilidade cultural e, antes ainda, uma óptica eclesial autenticamente católica pedem que se abram o coração e a mente às realidades musicais das culturas extraeuropeias.

João Paulo II (Papa 1978-m. 2004)

A madeira e o metal tornam-se som, o inconsciente e o indefinido torna-se sonoridade ordenada plena de significado. Alternam-se uma corporização que é espiritualização e uma espirirualização que é corporização.

Joseph Ratzinger, papa Bento XVI (n. Marktl an Inn, Alemanha 1927)

Em todas as culturas existem manifestações artísticas que foram assumidas pelas respectivas celebrações cultuais. A liturgia cristã, porém, apesar de envolver toda a realidade humana e cósmica, só utiliza os eleemntos mais nobres e marcados por características determinadas, conforme o seu significado cultural, religioso e simbólico.

D. Jorge Ortiga (2001)

 

Mário Cláudio, créditos Presidência da República

Citações de Música na Literatura

CITAÇÕES MUSICAIS

Música na Literatura

[ Friedrich von Schiller 
(n. Narbach, Alemanha, 1759; m. Weimar 1805)

Friedrich Schiller por Anton Graff

Friedrich Schiller por Anton Graff

A ópera, graças ao poder da música, afina o sentimento e torna-o apto a bem receber impressões de beleza; aqui o próprio patético se sente à vontade para se exprimir, porque a música o ajuda e o maravilhoso, tão difícil de traduzir no palco, encontra finalmente a forma teatral que lhe convém.

III

[ Camilo Castelo Branco 
(n. Lisboa, Portugal, 1825; m. São Miguel de Seide, Famalicão, 1890)

Busto de Camilo Castelo Branco

Busto de Camilo Castelo Branco

Verei se consigo afinar a minha alma por umas toadas que rumorejam de entre as selvas. Dá Deus estas harpas místicas aos arvoredos em benefício dos ânimos conturbados, que se acolhem fugitivos a ermos onde eles cuidam que o Céu os há-de ouvir. Acalentava a música o exasperado Saúl. Bons tempos! A música de agora é irritante. Há pouco entrei no templo: o sacerdote consagrava a hóstia, e o órgão entoava a Traviatta. Santo Deus! Quem quiser música de adormecer dores e levantar a alma à sua origem, há-de pedi-la à vibração e à folhagem das florestas. ]

III

[ José de Almada Negreiros 
(n. Trindade, São Tomé e Príncipe, 1893; m. Lisboa, 1970)

José de Almada Negreiros por San Payo

José de Almada Negreiros por San Payo

Uma flauta triste vinha de viagem pelo caminho; chorava de seguida imensas canções de choros e tinha acompanhamentos funéreos de guisalhadas surdas. Calou-se a flauta, um cipreste distante gemia baixinho as dores da tatuagem que lhe iam abrindo no peito. O pastor lembrava ali o nome do seu Bem.

III

[ Margriet de Moor 
(n. Noordwijk, Holanda, 1941)

Margriet de Moor

Margriet de Moor

Dizem que a criação é demasiado grande para os homens, demasiado grande e demasiado confusa, e que, precisamente por este motivo, se inventou a linguagem. Língua, palavras, e no final das palavras a música. Criação de Deus dissolvida numa poção inventada pelo homem. ]

III

[ Mário Cláudio 
(n. Porto, Portugal, 1941)

Mário Cláudio, créditos Presidência da República

Mário Cláudio, créditos Presidência da República

Dança a nossa população, com os seus trajes multicolores, nas pouquíssimas horas livres, que sobram das fadigas do labor agrário e dos esforços da faina piscatória. São desenhos muito puros, em que o corpo participa das cadências espontâneas, executadas por rapazes e por raparigas, exibindo a sua mocidade e galhardia, a sua graça e a sua beleza. E é como se este bailado reproduzisse a agitação que o vento provoca, nas searas, ou a languidez com que se espreguiçam as ondas, nos areais. ]

III

[ Robert Schneider 
(n. Bregenz, Áustria, 1961)

Robert Schneider escritor austríaco

Robert Schneider escritor austríaco

Elias tocava já há mais de meia hora e não se avistava um fim. Mas do caos imenso e escuro sobressaíam gradualmente vozes reconciliadoras. Às melodias, seguiam-se outras melodias, aromáticas e suaves, como as ervas balouçando ao sabor do ventinho da Primavera. ]

III

[ Margarida Rebelo Pinto
(n. Lisboa, Portugal, 1965)

escritora Margarida Rebelo Pinto, revista Estante FNAC

escritora Margarida Rebelo Pinto, revista Estante FNAC

É a virtude que nos faz querer ser todos os dias pessoas melhores. Não é por acaso que na música o termo virtuoso é tão popular. Um músico virtuoso é alguém que põe todo o seu corpo, o seu coração e a sua alma na execução, e que por isso, além da técnica irrepreensível, se transcende através da entrega. ]

Sérgio Azevedo

Citações de Música

CITAÇÕES MUSICAIS

Música por Músicos

Wolfgang Amadeus Mozart 
(n. Salzburg 1756; m. Viena 1791)

Não consigo escrever poesia: não sou poeta. Não consigo dispor as palavras com tal arte que elas reflictam as sombras e a luz: não sou pintor… Mas consigo fazer tudo isso com a música…

Para mim, o órgão é o rei dos instrumentos.

III

Ludwig Von Beethoven 
(n. Bona 1770; m. Viena 1827)

Bem-aventurado o que, tendo aprendido a triunfar sobre todas as paixões, emprega a sua energia na realização de tarefas que a vida impõe sem se procupar com o resultado.

III

Franz Schubert 
(n. Viena 1797; m. Viena 1828)

Atormentado por uma santa angústia, aspiro a viver num mundo mais belo e desejo povoar esta terra sombria de um poderosíssimo sonho de amor. Senhor Deus, oferece enfim ao teu filho, esta criança feliz, como sinal redentor um raio de luz.

III

Felix Mendelssohn-Bartholdy 
(n. Hamburgo 1809; m. Leipzig 1947)

Nada pode impedir-me de apreciar e desenvolver tudo o que os grandes mestres deixaram atrás de si, porque não faria sentido para cada um recomeçar do princípio; mas é preciso que seja um desenvolvimento ao melhor nível das minhas capacidades e não uma repetição inútil do que já foi.

III

Fryderyk Chopin 
(n. Zelazowa Wola 1810; m. Paris 1849)

Ela traz-me sempre a Bíblia, fala-me da alma e marca-me os salmos a ler. É religiosa e boa, mas excessivamente preocupada com a minha alma. Passa o tempo a dizer-me que o outro mundo é melhor do que este, e tudo isso eu sei de cor. Respondo-lhe com citações da Sagrada Escritura e declaro-lhe que tudo isso me é conhecido.

III

Franz Liszt 
(n. Raiding 1811; m. Bayreuth 1886)

As artes são o mais seguro meio de se esconder do mundo e são também o meio mais seguro de se unir a ele.

III

Claude Débussy 
(n. Saint Germain-en-Laye, 1862; m. Paris 1918)

Houve e há, apesar das desordens que a civilização traz, pequenos povos encantadores que aprendem música tão naturalmente como se aprende a respirar. O seu conservatório é o ritmo eterno do mar, o vento nas folhas e mil pequenos ruídos que escutaram com atenção, sem jamais terem lido despóticos tratados.

III

Erik Satie 
(n. Honfleur, 1866; m. Paris 1925)

Resolvemos, de acordo com a nossa consciência e confiando na misericórdia de Deus, edificar na metrópole desta nação franca que, durante tantos séculos, ostentou o título de Filha Dilecta da Igreja, um Templo digno do Salvador, director e redentor dos povos; faremos dele o refúgio onde a catolicidade e as Artes, que lhe estão indissociavelmente ligadas, crescerão e prosperarão resguardadas de toda a profanação e na completa expansão da sua pureza que os esforços do Maligno não conseguiriam manchar.

III

Ferruccio Benvenuto Busoni 
(n. Empoli 1866; m. Berlim 1924)

A música nasceu livre, o seu destino é libertar-se.

III

Aleksandr Nikolaïevitch Scriabine 
(n. Moscovo 1872; m. Moscovo 1915)

O mundo é uma sumptuosa sinfonia
de mil vozes diversas.
As verdades terrestres,
consonantes com as verdades dos céus
soam em acordes cerrados e vibrantes
sobre as cordas dos milagres destruídos

III

Heitor Villa-Lobos 
(n. Rio de Janeiro 1887; Rio de Janeiro 1959)

Considero minhas obras como cartas que escrevi à posteridade, sem esperar resposta.

III

Cláudio Carneyro 
(n. Porto 1895; m. 1963)

O ritmo e a musicalidade de um poema, senão mesmo a vibração etérea da Ideia poética, irradiam da mesma Esfera que a poesia dos sons, a harmónica substância, o Verbo musical.

III

Olivier Messiaen
(n. Avignon, 1908; m. Clichy 1992)

Na hierarquia artística, os pássaros são os grandes músicos do planeta.

A Natureza, tesouro inesgotável  das cores e dos sons, das formas e dos ritmos, modelo inigualável de desenvolvimento total e de variação perpétua, a Natureza é a fonte suprema!

III

Vitaly Margulis 
(n. Charkov, Ucrânia 1928)

A surdez de Beethoven não era uma deficiência. Foi uma dádiva dos Céus. Incapaz de escutar as vozes exteriores, estava em condições de ouvir dentro de si próprio a voz de Deus.

José Afonso 
(n. Aveiro, 1929; m. Setúbal 1987)

Tive contactos com padres moçambicanos cuja dependência das autoridades e da própria PIDE era notória. E tive contactos com membros da Ordem dos Padres Brancos, mais tarde expulsos de Moçambique, que eram completamente diferentes.

III

Cândido Lima 
(n. Viana do Castelo 1939-)

Havia um órgão de tubos na minha aldeia. O meu contacto com a música deu-se, portanto, desde que tenho consciência, aos 4-5 anos, nas cerimónias religiosas, a ouvir as pessoas mais velhas que vinham de Braga para tocar órgão. Ficou-me, portanto, o órgão no ouvido e as vozes das pessoas de família a cantar.

III

Emmanuel Nunes 
(n. Lisboa 1941 – m. Paris 2012)

O meu avô paterno era moleiro e o meu avô materno era padeiro. Talvez tenha sido o imenso pão que me alimentou intelectualmente.

III

Rão Kyao 
(n. Lisboa 1946-)

A música é uma prova de Deus.

III

João Pedro Oliveira 
(n. Lisboa 1959-)

O acto de criação na sua essência, e tal como eu o concebo, não existe por si só, mas é resultado de uma revelação que se processa através do nosso Espírito para a nossa Mente, e cujas origens não podemos determinar. Para o ateu, talvez ele seja considerado como toda uma vivência em termos musicais, todo o conhecimento e compreensão de um passado e presente, ou mesmo um reflexo ou síntese da sua experiência humanamente vivida. Para o crente, essa revelação vem de Deus.

João Pedro Oliveira, composição

Foto Expresso

III

Sérgio Azevedo 
(n. Coimbra 1968)

Aristides de Sousa Mendes foi também aquilo que todos nós somos, humano, porém, foi mais um pouco do que isso. Como disse um velho general, não há muito tempo, “nos dias de hoje temos de agir como heróis para podermos comportarmo-nos simplesmente como seres humanos decentes”. Aristides foi um desses homens decentes, e como tal, tornou-se um herói do nosso tempo.

III

Música Hoje

Melopédia

Academia Internacional de Cravo MAAC de Oeiras

Academia Internacional de Cravo MAAC de Oeiras é uma atividade que alterna anualmente com o Concurso Internacional de Cravo e visa desenvolver o meio cravístico em Portugal através da realização de classes de aperfeiçoamento para alunos de cravo por cravistas de reconhecido mérito internacional.

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Adufes Rui Silva

Adufes Rui Silva é uma marca de construção de adufes que nasceu em 2013. Os Adufes Rui Silva resultam de um extenso trabalho de investigação sobre o adufe, instrumento de percussão tradicional português. São inspirados na sabedoria de artesãos e adufeiras, nos processos construtivos artesanais e no toque do adufe da Beira Baixa e do Paúl, e na formação e experiência de Rui Silva enquanto músico profissional e professor de percussão. Os Adufes Rui Silva são construídos para responder às exigências da performance actual de amadores e profissionais. O inovador sistema de afinação da pele traz uma nova era de possibilidades e recursos que poderão revolucionar a execução do adufe: o executante regula a tensão da pele consoante a linguagem, a tonalidade da música ou a técnica a aplicar, não estando refém das variações de humidade e temperatura. (O que de resto já acontece com outros instrumentos tradicionais de pele natural, como: o tar, o bendir, darbuka, o riqq, ou até mesmo as congas e os bongós…). Os Adufes Rui Silva pretendem trazer ao adufe maior versatilidade, fiabilidade e possibilidades tímbricas, sonoras e musicais projectando-o como um instrumento contemporâneo com muito por explorar.

Adufes Rui Silva

Adufes Rui Silva

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As Sete Mulheres de Jeremias Epicentro

É a história de Jeremias Epicentro, um D. Giovanni moderno e incansável. Mas Jeremias é um enorme sedutor que se apaixona e desapaixona num pequeno espaço entre quatro paredes. É um sedutor solitário. Os sentidos de Jeremias vivem do mesmo modo o real e o virtual. Na sua hiperactividade emocional, Jeremias Epicentro seduz, por isso, as personagens com que joga, as actrizes dos filmes que vê e, em última análise, as heroínas dos livros que lê. No seu quarto cabe o mundo inteiro, cabem todas as emoções e experiências humanas, as paixões, os enganos, as proezas e desassossegos. Prisioneiro do seu ecrã, Jeremias, como tantos contemporâneos seus, vai perdendo a capacidade de distinguir o real do virtual. Assim é: cada vez se perdem mais juízos reais por coisas fictícias. No seu quarto, Jeremias empalidece, com o tempo. No mundo virtual há pouco sol.
Texto original: Mário João Alves
Composição: Jorge Prendas
Encenação: António Durães
Interpretação: Teresa Nunes (soprano), Ana Santos (mezzo-soprano), Crispim Luz (clarinete), Susana Lima (violoncelo) e Brenda Vidal Hermida (piano)
Apoio ao movimento: Cláudia Marisa
Espaço cénico: Marta Figueroa
Figurinos: Sofia Silva
Modelação e corte: Sofia Silva e Cláudia Ribeiro
Costureira: Marlene Rodrigues
Desenho de luz: Mariana Figueroa
Desenho de som: Pedro Lima
Multimédia / vídeo / som: Hugo Edgar Mesquita
Desenvolvimento tecnologia: Wearable Hugo Edgar Mesquita
Produção: Carlos Pinto
Apresentado no Teatro de Vila Real a 18 de maio de 2019.

As sete mulheres de Jeremias Epicentro

As sete mulheres de Jeremias Epicentro

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Braga Trombone Festival

Braga Trombone Festival é um projeto que nasceu da vontade e entusiasmo dos trombonistas dos Portuguese Brass, que, tendo tido todos parte da sua formação em Braga, no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, quiseram fazer desta cidade o centro do Trombone. Pelo trabalho desenvolvido no Conservatório, assistiu-se nos últimos anos a um crescimento da quantidade de alunos que terminam os em Braga e depois seguem para as mais prestigiadas escolas superiores de música europeias e que, posteriormente, ocupam lugares de relevo em instituições artísticas ou educativas, no âmbito da Música. Assim, a marca “BRAGA” está, desde há algum tempo, associada ao “TROMBONE”.

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Concertos para Bebés

Os Concertos para Bebés são uma produção portuguesa pioneira no domínio das artes de palco para a primeira infância. Tiveram início em  1998, em Leiria, e é seu autor o professor e musicólogo Paulo Lameiro. Têm a sua origem no trabalho com bebés desenvolvido pela Escola de Artes SAMP desde 1991 no programa Berço, e são fortemente inspirados pela Teoria de Aprendizagem Musical do professor e pedagogo norte-americano Edwin Gordon. Depois de percorrerem as principais salas de concerto portuguesas, sendo projecto residente no Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra e no Teatro Miguel Franco em Leiria, tiveram presença em alguns dos festivais de referência da Europa e Oriente. Destes destacam-se, após digressões à Suécia e Inglaterra, Madrid Ciudad de los Niños em Espanha, Are More em Vigo, Babelut na-Bélgica, Belfast Children’s Festival na Irlanda do Norte, Kaolin et Barbotine em França, Festival de Artes de Macau, Philharmonie Luxembourg, FIT Cádiz em Espanha, Festival Temporada Alta de Girona em Espanha, Festival La Strada na Áustria, Festival Laus Polyphoniae na Bélgica, Orkestra Sinfonikoa de Bilbao, Cidade da Cultura de Santiago de Compostela, Pazo da Cultura de Pontevedra, Auditório Ágora na Coruña, SESC Santos no Brasil e FITH BH 14 no Brasil. Invariavelmente com salas esgotadas em mais de 800 concertos já realizados, e uma cobertura mediática pouco usual para um programa no domínio da música clássica, os Concertos para Bebés são também hoje uma referência no meio académico, razão que tem motivado inúmeras conferências para professores, investigadores e músicos em Portugal e alguns países europeus.

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Concurso Internacional de Instrumentos de Sopro “Terras de La Salette”

A música relaciona-se com outras áreas da educação e formação da humanidade como, por exemplo, a Matemática, Ciência, Atividade Física, Atividade Social, Arte/Tecnologia e Linguagem, tendo sido veículo de importantes permutas culturais e suporte essencial de tantas outras artes como a poesia, a dança, o teatro e o cinema. O município de Oliveira de Azeméis acreditando ter responsabilidade no processo de educação pela música e com o objetivo de estimular os jovens para o seu estudo promoveu, em 2006, o I Concurso Distrital de Música na especialidade de Instrumentos de Sopro. O concurso evoluiu e, é já uma referência internacional.

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Concurso Internacional de Música “Cidade de Almada”

No seguimento do sucesso alcançado na primeira edição do Concurso Juvenil de Guitarra “Cidade de Almada”, a Academia de Música de Almada decidiu alargar esta iniciativa ao piano e internacionalizar o concurso de guitarra. O Concurso Internacional de Música “Cidade de Almada”, que teve a primeira edição em 2019, pretende tornar-se uma referência a nível nacional e ser um incentivo e um estímulo para todos os que estudam e trabalham nesta área do conhecimento, ambicionando extravasar o mero momento de competição através da realização de concertos, abrindo-se assim, à comunidade e envolvendo-se com esta. Por tudo isto o Concurso Internacional de Música “Cidade de Almada” vem desta forma colmatar a lacuna existente na região no que respeita a concursos de música de vertente juvenil com estas características, dando continuidade a toda uma história na área da Cultura Musical quer ao nível da produção quer ao nível da formação.

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Concurso Internacional de Piano de Viseu

Integrado no Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu, o Concurso Internacional de Piano de Viseu é um concurso de Piano que teve em 2019 a terceira edição.

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Concurso Olga Prats

A Sociedade Filarmónica Humanitária e o Conservatório Regional de Palmela apresentaram em 2019 a 4ª edição do Concurso de Piano Olga Prats, concurso que pretende celebrar a música portuguesa, através do piano, homenageando simultaneamente a pianista Olga Prats.  Os objectivos do concurso são: Homenagear a pianista Olga Prats, ímpar intérprete e dinamizadora da música de compositores portugueses; Incentivar alunos e professores da Rede Nacional do Ensino Artístico, para a prática do repertório para piano de Compositores Portugueses; Incentivar professores e alunos da Rede Nacional do Ensino Artístico, para a pesquisa e estudo de obras de compositores portugueses; Incentivar a catalogação e edição de partituras da música para piano de compositores Portugueses; Dinamizar o estudo e o conhecimento do Piano no Conservatório Regional de Palmela; Proporcionar aos concorrentes a interacção e o convívio com os seus pares de outras escolas.

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Douro Strings Academy

Douro Strings Academy é uma academia internacional de música erudita para jovens instrumentistas de cordas. Durante uma semana, os alunos da academia terão oportunidade de ter aulas de instrumento, de música de câmara e de integrarem a Orquestra de Cordas da Douro Strings Academy.  Um projecto pedagógico e artístico orientado por professores de excelência e celebrado com concertos e recitais. Uma semana repleta de música num ambiente propício ao estudo mas também ao convívio e à troca de experiências. Em residência no Teatro Municipal de Vila Real e integrada no ciclo Clássicos de Verão. Teve a sua primeira edição em 2018.

Douro Strings Academy

Douro Strings Academy

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EINEM

EINEM é a sigla do Encontro Internacional para Jovens Investigadores de Música e Musicologia, que tem como público-alvo estudantes de Mestrado e Doutoramento na área da música: musicólogos, instrumentistas e compositores. Foi fundado em 2019 (primeira edição), organizado pelo CESEM – Polo da Universidade de Évora.

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EPABI

A EPABI – Escola Profissional de Artes da Covilhã foi criada a 3 de Setembro de 1992, com o nome de Escola Profissional de Artes da Beira Interior. Desde a sua criação, a EPABI já formou muitos alunos que são hoje profissionais de reconhecido mérito no panorama musical nacional e internacional.

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Festijazz – International Jazz Festival

O Festijazz – International Jazz Festival é um festival anual que celebra o jazz e a música improvisada, em Sever do Vouga. Teve a primeira edição em 2018, com artistas de Inglaterra e Portugal.

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Festival Banda Sinfónica Portuguesa (BSP) Júnior

O Festival Banda Sinfónica Portuguesa (BSP) Júnior, que teve a sua primeira edição em 2017, consiste num programa de carácter pedagógico, cultural e recreativo que tem como foco o desenvolvimento musical e humano de jovens instrumentistas. O programa do festival, que irá contar com a colaboração de convidados nacionais e internacionais, terá como objetivo promover a partilha de conhecimentos em diversidades atividades, nomeadamente workshops, masterclasses, ensaios de naipe, orquestra, concertos na comunidade e atividades em grupo. Num programa onde “o todo é maior do que a soma das partes”, é através da diversidade de atividades que são criadas oportunidades para o desenvolvimento do potencial máximo de cada jovem.

Festival BSP Júnior

Festival BSP Júnior

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Festival de Música da Madeira

Fundado em 1979, com a XXXVI edição realizada em 2015, o Festival de Música da Madeira apresenta uma variedade de géneros, épocas, repertórios e intérpretes, cujos concertos decorrem em espaços marcantes do património edificado da Região Autónoma da Madeira.

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Festival de Órgão de Braga

O Festival de Órgão de Braga é uma série de concertos de Órgão de Tubos, em diferentes cenários e com diferentes instrumentos, com alguns dos melhores intérpretes mundiais. Em maio de 2019 teve a sua sexta edição. Realiza-se na Sé, igrejas de São Lázaro, São Marcos, Santa Cruz, São Paulo, Terceiros, e na basílica dos Congregados.  É organizado pela arquidiocese de Braga, Município de Braga, Irmandade de Santa Cruz e Santa Casa da Misericórdia de Braga sob a direção artística de José Rodrigues.

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Festival DME – Dias de Música Electroacústica

O Festival DME – Dias de Música Electroacústica – existe desde 2003. Desde então, desenvolve uma intensa atividade de criação, programação e formação na área da música erudita contemporânea e eletroacústica. Com direção artística de Jaime Reis, teve a sua primeira edição na Polónia, mas a sua sede é em Seia, na Serra da Estrela, onde também reside o Ensemble DME, que conta com 2 CD editados. Desde 2017, o Festival DME ganhou uma nova casa, o Lisboa Incomum, fundado pelo seu diretor artístico. Desde então, o programa de residências artísticas desenvolve-se em paralelo nestas duas cidades. Apesar da atividade do festival se desenvolver maioritariamente em Portugal, foram realizadas ações de internacionalização em três continentes – América do Sul (Brasil e Colômbia), Ásia (China, Coreia, Filipinas e Japão) e Europa (Espanha, França, Itália, Mónaco, entre outros).

Festival DME

Festival DME

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Festival Estoril Lisboa

O Festival de Música da Costa do Estoril foi fundado em 1975 no seio da então Junta de Turismo da Costa do Sol como complemento dos Cursos Internacionais de Música, fundados em 1962, passando a ser organizado pela Associação Internacional de Música da Costa do Estoril a partir de 1981.

Intimamente ligado a uma função pedagógica, nele cabem as mais variadas formas de expressão artística de raiz musical. Nesta perspectiva, a presença da música portuguesa, o bailado, a música tradicional, a música de câmara, a música sinfónica, coral ou o jazz e o teatro, são temas que o Festival tem desenvolvido ao longo da sua história como acção imprescindível à formação dos jovens músicos de hoje e à apetência de um público heterogéneo.

A contribuição do Festival à difusão de novos valores e de criações recentes, tem-se manifestado através de mais de trezentas obras apresentadas pela primeira vez em Portugal, muitas das quais em estreias mundiais, entre as que se contam obras de Lopes-Graça, Peixinho, Braga Santos, Olavide, Luis de Pablo, Ohana, Messiaen, Benguerel, Brouwer, Ligeti, Webern, Eisler, Bernaola, Cage, Donatoni, Malipiero, Tomasi, Dessau, Feldman e das novas gerações.

Entre mais de um milhar de artistas estrangeiros que actuaram no Festival, destacam-se nomes do maior prestígio mundial como Mstislav Rostropovich, Rudolf Nureyev, Ruggero Ricci, Teresa Berganza, Marcel Marceau, Paul Badura-Skoda, Christa Ludwig, Aldo Ciccolini, Gundula Janowitz, Paul Tortelier, Vladimir Krainev, Zoltán Kocsis, Pavel Kogan, Brigitte Fassbaender, Cyprien Katsaris, Gérard Caussé, Ludwig Streicher, Naum Starkman, Rudolf Baumgartner, Alírio Diaz, Tibor Varga, Alberto Ponce, Alberto Lysy, Michael Nyman, Baden Powell, Egberto Gismonti, Hopkinson Smith, Eugen Istomin, Boris Pergamenschikov, Ewa Podles, Rinaldo Alessandrini, Sara Mingardo, Solistas de Sofia, Orquestra de Câmara de Viena, Orquestra de Câmara Ferenc Listz, Orquestra Barroca da Comunidade Europeia, Royal Philharmonic, Orquestra Filarmónica de Moscovo, Orquestra Filarmónica Nacional da Hungria, Orquestra Sinfónica Nacional da Letónia, Orquestra Nacional de Espanha, Orquestra Sinfónica do Estado da Lituânia, Orquestra Sinfónica Nacional do México, Orquestra de Câmara da Comunidade Europeia, Festival Strings de Lucerne, Orquestra Filarmónica de Ostrava, Virtuosos da Orquestra Filarmónica de Berlin, Orquestra de Câmara de Leningrado “Hermitage”, As Grandes Vozes Búlgaras, Hilliard Ensemble, Pro Cantione Antiqua, Ópera do Tibete, Ópera de Tokyo, Ballet Nacional de Espanha, Ballet da Ópera de Nice, Ballet Nacional de Cuba, SamulNori, Orfeón Donostiarra, Michael Nyman Band, Quarteto Kodaly, Camerata Lysy, Quarteto Búlgaro, entre outros, muitos dos quais actuaram pela primeira vez em Portugal.

O Festival tem decorrido em monumentos nacionais e salas históricas como o Claustro do Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém, Sé de Lisboa, Palácio Nacional de Queluz, Teatro Nacional de São Carlos, Teatro Municipal São Luis, Coliseu de Lisboa, Teatro Luiz de Camões, assim como no Palácio da Cidadela de Cascais, Quinta da Piedade (Colares), Museu dos Condes de Castro Guimarães (Cascais), Igrejas de Carcavelos, Estoril, Cascais, São Domingos de Rana e Escola Salesiana, Auditório Parque Palmela, Centro de Congressos do Estoril, Centro Cultural de Belém, Centro Cultural de Cascais, Salão Atlântico (Hotel Palácio do Estoril) e outras.

Em reconhecimento do seu valor como um dos expoentes artísticos nacionais, o Festival é integrado em 1983 na European Festivals Association, máximo organismo mundial da especialidade. Em 1997, Piñeiro Nagy, Director do FMCE, é eleito para o Comité Executivo da AEF e reeleito sucessivamente até 2002. Em 1999 é eleito para a Comissão de Relações com a Comissão Europeia e em 2001 para a Administração da Asbl Eurofestivals, com sede em Bruxelas, criada após a extinção desta, onde permanece actualmente. Em 2008 é novamente eleito para o Comité Executivo e reeleito em 2011.

A tradição europeia dos festivais de arte nasce na mais remota antiguidade emanada do berço da nossa cultura comum: a Grécia. É no entanto, com o aparecimento dos festivais trovadorescos nos primórdios do século XIII, e dos primeiros mecenas em tempos posteriores, que se iniciam os hábitos e tradições chegados aos nossos dias.

Em 1952 foi criada a Associação Europeia de Festivais de Música por iniciativa do filósofo Denis de Rougemont e do maestro Igor Markevitch. A partir de 1992 a Associação passou a denominar-se European Festivals Association.

A sua fundação, na altura do Tratado de Roma, foi gerada pelos anseios de preservação e divulgação da cultura europeia como contraponto, e simultaneamente complemento, a uma Europa unida através da economia, segundo os pressupostos enunciados por Robert Schuman e Jean Monnet.

Criada no Centre Européen de la Culture, em Genéve, os 15 festivais fundadores (Aix-en-Provence, Bayreuth, Berlin, Besançon, Bordeaux, Florença, Holanda, Lucerne, Munich, Perugia, Estrasburgo, Veneza, Viena, Wiesbaden e Zurich), iniciaram as actividades da EFA tendo como premissa um alto ideal artístico e como objectivo a divulgação da elevada qualidade de manifestações que pela sua temática, tradição musical onde se desenvolvem, beleza paisagística ou ambiente peculiar dos seus locais, permitam a continuidade de velhos costumes enraizados na História da Europa, contribuindo para uma melhor consciência do significado da Música na cultura dos povos, na vida do Homem e do lugar insubstituível que ocupa no seu quotidiano. Desde 2004 está sediada no Kasteel Borluut, em Gent, Bélgica.

Actualmente com 111 festivais representando 43 países e associações nacionais de festivais de 14 países, a EFA desenvolve no plano formal numerosas actividades, nomeadamente, promoção conjunta dos seus membros através de uma rede mundial de agentes oficiais e do Centro de Data-Base em Bruxellas, coprodução e cooperação de espectáculos, seminários para a formação de jovens directores, troca de experiências e análise de questões de ordem administrativa, social ou jurídica no âmbito da UE. O seu site tem uma visita anual da ordem do milhão e meio.

Em síntese pode afirmar-se que a EFA é o organismo europeu, e por ventura mundial, com maior densidade de manifestações artísticas que mais contribui para a criação de novas produções, divulgação da cultura europeia, relacionamento e intercâmbio com culturas extra-europeias, reunindo na sua diversidade uma enorme riqueza de iniciativas inspiradas pela salvaguarda dos mais genuínos valores culturais como contributo a um melhor entendimento entre os homens. Neste contexto de extraordinária actividade cultural, Portugal marca a sua presença através do Festival do Estoril.

Em 1985, Ano Europeu da Música, a Câmara Municipal de Cascais atribuiu a Medalha de Mérito Municipal à Associação Internacional de Música da Costa do Estoril, realçando o êxito das acções desenvolvidas no meio internacional para a integração do Festival na EFA, consagradas com a eleição do Estoril como sede da Assembleia Geral da EFA desse mesmo ano. O Festival acolheu, de novo, a Assembleia Geral da EFA de 1998. Em Fevereiro de 2000, o Festival organizou o segundo período do primeiro Eurofest Training Programme criado pela Associação Europeia de Festivais em 1999, com o apoio da Comissão Europeia, European Cultural Foundation, Ministério da Cultura de Portugal, entre outras entidades, no qual participaram duas dezenas de jovens procedentes de numerosos países e especialistas europeus de diferentes áreas da realização, programação e gestão de actividades culturais. Em 2005, o Presidente da República assistiu à comemoração do 30º aniversário da sua fundação e concedeu a Comenda do Infante D. Henrique ao Prof. Piñeiro Nagy, seu Director Artístico.

A partir de 2001 integra as Semanas de Música do Estoril, sob a denominação Festival do Estoril. É membro do projecto europeu MusMA, criado a partir do projecto Mare Nostrum. Em 2013, após a adesão da Câmara Municipal de Lisboa à sua estrutura, altera o título para Festival Estoril Lisboa.

Festival Estoril Lisboa

Festival Estoril Lisboa

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Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu

Sempre durante o mês de Abril, já são onze a edições realizadas do Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu, com a décima segunda em abril de 2019. Com este Festival procura-se levar à cidade músicos de reconhecido valor mundial seja para se apresentar em concerto ou no contexto de formação. Aliás formação, criação, sensibilização e fruição musical são os principais pilares desta nossa festa da música e é nesse aspecto que é feito programa dos diferentes anos. Por exemplo, só nos últimos dois anos foram realizados 29 workshops e masterclasses. A programação está habitualmente ancorada na Música de Câmara, mas não se cinge a ela. A organização gosta de trazer alguma diversidade musical promovendo desde concertos de música antiga à música contemporânea, o público pode desfrutar de concertos dedicados a vários instrumentos, solistas, orquestras, música coral sinfónica, música elaborada e/ou executada com computador, o cruzamento da música com outras artes e até estreias mundiais. Como incentivo à criação todos os anos um ou mais compositores são convidados a criar um tema para estrear em Viseu. Desde 2016, António Victorino de Almeida, Amílcar-Vasques Dias, Jaime Reis, Eduardo Patriarca, José Carlos Sousa, António Chagas Rosa e Evgueni Zoudilkine foram alguns desses compositores. Outra nota de relevo vai para os concertos pedagógicos. Pelas mais variadas razões, há alturas em que a música deve ir ao encontro das pessoas e não o contrário. Os concertos pedagógicos servem precisamente esse propósito. Direcionados a públicos muito específicos, procuram demonstrar a importância da música, desconstruir a sua criação e satisfazer curiosidades. Nas últimas duas edições do festival chegamos a maia de 4.000 pessoas entre as várias escolas e instituições que visitámos numa interação que enriqueceu tanto o público como os músicos. Com o Concurso Internacional, nas áreas da Guitarra e do Piano, a organização pretende colocar Viseu no mapa dos Festivais de Música com projeção internacional. Depois do sucesso que foram as primeiras edições deste concurso, em 2019 houve o Concurso Internacional de Piano de Viseu na sua terceira edição. Este evento de grande qualidade artística, levou a Viseu vários pianistas de múltiplas nacionalidades de grande reconhecimento internacional que fizeram parte do júri, bem como um grande número de virtuosos jovens interpretes. Com mais de 20 concertos em cada edição, a afluência do público e a forma como a cidade se mobiliza tem sido impressionante. Este projeto musical é um importante marco cultural da nossa cidade e região, afirmando-se também como uma referência na cena musical nacional e internacional.

Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu

Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu

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Festival Internacional de Música de Espinho

O FIME é um dos mais antigos festivais de música em Portugal. Recebe hoje em dia alguns dos melhores intérpretes do mundo nas suas áreas de actividade.

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Festival Internacional de Polifonia Portuguesa

A Fundação Cupertino de Miranda lançou, em 2011, o Festival Internacional de Polifonia Portuguesa que já faz parte da sua programação anual. Em 2019, encontramo-nos na nona edição do Festival, com objetivos de promoção da música polifónica dos séculos XVI e XVII, e de divulgação da história e arquitetura dos espaços por onde este passa, com ligações intrínsecas ao período do Barroco. Concertos, visitas guiadas, seminários, sermões e declamações integram uma programação completa de promoção da cultura nacional. Em cada edição do Festival é publicado um livro bilingue, em português e inglês, sendo já uma referência para estudiosos da música polifónica portuguesa e da arquitetura barroca.

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Festival de Jazz da Marinha Grande

O Festival de Jazz da Marinha Grande (quarta edição em 2019) tem como principal objectivo divulgar o Jazz Nacional e Internacional que se faz na atualidade. Um festival que reúne diversos estilos e músicos de todas as gerações, desde músicos consagrados, a novos músicos, a apresentação de discos novos e também a divulgação do Jazz feito na região. O Festival será realizado em dois espaços no Teatro Guilherme Stephens e no Auditório José Vareda do Sport Operário Marinhense. A direção do Festival de Jazz da Marinha Grande está a cargo do músico, compositor e arranjador César Cardoso.

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Festival de Jazz de Verão de Setúbal

O Festival de Jazz de Verão de Setúbal é um festival apresentado pela Class de Jazz de Setúbal juntamente com o Fórum Luísa Todi.

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Festival Música Júnior

O Festival Música Júnior é actualmente a iniciativa artístico-pedagógica mais referenciada no meio musical português e assume um papel incontornável na formação de jovens estudantes de música fora do contexto escolar. Vocacionado para uma faixa etária entre os 8 e os 21 anos de idade, o Estégio de Verão do Festival de Música Júnior acolhe cerca de 350 estudantes vindos maioritariamente de Portugal e Espanha, que ao longo de 9 dias estão em intensa actividade musical, acompanhados por um colectivo de 32 professores e 3 maestros. Os participantes adquirem experiência desta forma integrando o Coro, a Big Band, a Orquestra Juvenil ou a Orquestra Sinfónica, num ambiente musical único e com especial sabor das férias. Iniciado em 2012, este projecto tem proposto diferentes horizontes musicais onde as temáticas do Jazz, o Legado de Piazzola, o Humor, as Bandas Sonoras de Hollywood, Fado – O Legado Português, O Folk e o Étnico no Universo Erudito, Música nas Américas e A Genialidade Russa tiveram como convidados especiais Mário Laginha e Maria João, Pedro Santos, Carlos Moura, Sofia Escobar e Mário Augusto, Helder Moutinho, Rui Vieira Nery, Gilles Apap, André Cunha Leal, Joshuas dos Santos, Vasco Dantas Rocha, Jeffery Davis, Gabriela Canavilhas, Kyril Zlotnikov e António Victorino d’Almeida.

Festival Música Júnior

Festival Música Júnior

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Festival Música Viva

O Festival Música Viva, com um já longo passado visto ter-se iniciado em 1992, tem a missão e dever acrescidos de representação e difusão a nível nacional das novas tendências, dos valores reconhecidos, dos novos talentos (os jovens compositores dependem quase exclusivamente do Festival Música Viva para verem as suas obras apresentadas).

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In Spiritum – Festival de Música do Porto

O In Spiritum – Festival de Música do Porto é um festival de música que tem por fim redescobrir o património histórico através da música, associando um repertório específico ao ambiente único de cada espaço, proporcionando novas leituras da cidade do Porto. O roteiro musical e histórico explora alguns dos principais espaços monumentais da cidade, onde o património e a música convergem numa programação musical diversa, em estilo e em período temporal. O Centro Histórico do Porto foi classificado pela UNESCO, em 1996, como Património Cultural da Humanidade. Trata-se da área mais antiga da cidade do Porto e encerra uma riqueza monumental singular que remonta às épocas Romana, Medieval, Renascentista, Barroca e Neoclássica. O In Spiritum – Festival de Música do Porto é uma co-produção da Associação Cultural In Spiritum e da Câmara Municipal do Porto e conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República.

In Spiritum

In Spiritum

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INSTRMNTS

INSTRMNTS é uma exposição em digressão de instrumentos destinados a vários executantes, com oficinas, atuações e jogos, criada por Victor Gama e desenvolvida pela PngeiArt. Em 20 anos colaborou de forma estreita com fundações, museus, centros culturais, festivais e programas educativos.

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Música Hoje

Música Hoje é um programa realizado e produzido pela Miso Music Portugal e pelo Centro de Investigação & Informação da Música Portuguesa que volta, quinze anos depois, ao espaço radiofónico da Antena 2, aos sábados de 15 em 15 dias à 1h00 da madrugada. Entre 1989 e 1999, no âmbito deste programa, Miguel Azguime divulgou a mais recente criação musical, homenageando grandes compositores e grandes intérpretes. A nova edição de Música Hoje dedica-se sobretudo à nova música portuguesa, pondo lado a lado a criação musical de várias gerações de compositores, desde os “clássicos” do século XX até aos mais jovens, colocando em perspectiva a criação musical acústica e electroacústica, dando a ouvir o que há de novo, acabado de criar. Com um formato dinâmico que variará entre programas monográficos, entrevistas, apresentações de novíssimas peças e muitos inéditos, Música Hoje responde à necessidade de chamar à atenção para a riqueza que hoje em dia existe no panorama musical português dando voz ao fenómeno por vários já proclamado de “segundo renascimento da música portuguesa”, em que a variedade de estéticas e a qualidade das linguagens confirma também o facto de que, em boa verdade, há muitas músicas contemporâneas.

Música Hoje

Música Hoje

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MUSICALMENTE

A MUSICALMENTE é uma companhia que nasceu para desenvolver a nível profissional vários programas no âmbito da pedagogia e investigação musicais, dos quais se destacam os “Concertos para Bebés”, produção portuguesa pioneira no domínio das artes de palco para a primeira infância.

Concertos para bebés com Paulo Lameiro

“Maestro bebé” da companhia Musicalmente

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Ópera ISTO

A Ópera ISTO foi formada em 2012, pelos cantores e criadores Mário João Alves e José Lourenço. Dedica-se à criação e apresentação de espectáculos de teatro e música para todos os públicos, com particular incidência na abordagem de repertório operático e no público infanto-juvenil. Estreou-se com o espectáculo O que é uma Ária? escrito e encenado por José Lourenço e Mário João Alves. O espectáculo foi uma encomenda do Serviço Educativo da Casa da Música e foi, posteriormente, repetido no Festival de Música de Espinho, no Teatro Lethes de Faro e na Casa das Artes de Famalicão. Em Junho 2014 a companhia estreou Alibabá e as 40 Canções, na Casa da Música, seguindo-se apresentações em Coimbra e Famalicão. Seguiu-se, sempre na Casa da Música, em 2016, A Rolha da Garrafa do Rei d’Aonde?. Em 2018, em nova encomenda do Serviço Educativo da Casa da Música estreou A Flauta Mágica vista da Lua. Ainda em 2018 realizou apresentações de A Rolha da Garrafa do Rei d’Aonde? e de A Flauta Mágica vista da Lua e, já em 2019, estreou na Casa da Música um novo espectáculo chamado Pica-Pau Amarelo inspirado no mundo de Monteiro Lobato. O espectáculo teve textos do Mário João Alves e música deste e de Alexandre Reis, que colaborou pela primeira vez com a companhia. A companhia tem colaborado com diversos músicos e actores, nomeadamente os cantores Ângela Alves (soprano), Miguel Reis (tenor), Gabriel Neves (tenor), o pianista João Tiago Magalhães, o violinista David Lloyd e a actriz Ângela Marques.

Ópera Isto

Ópera Isto

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Orquestra Sem Fronteiras

A Associação Orquestra Sem Fronteiras existe para apoiar e fixar o talento jovem no interior do país, combatendo o abandono do ensino da música e premiando o mérito académico. Oferece aos seus músicos a possibilidade de complementarem os estudos com experiências de trabalho em ambiente profissional, integrando jovens provenientes de diversos locais e escolas em colaboração com o staff OSF e artistas convidados. Para além da atribuição de uma bolsa, também os transportes, refeições e alojamento durante toda a duração do programa (ensaios e concertos) são oferecidos aos músicos, de forma a garantir uma experiência socialmente equitativa, em que o mérito e o talento são os únicos factores preponderantes para a participação nos nossos projectos. Também existe para espalhar o acesso à cultura, e para isso se apresenta em dezenas de localidades do interior raiano, oferecendo concertos gratuitos, ensaios abertos e acções de pedagogia e introdução à música às populações locais. Por último, quer promover os valores de cooperação e integração transfronteiriça, e combina lado a lado músicos portugueses e espanhóis, numa programação que estará representada de ambos os lados da fronteira.

Orquestra Sem Fronteiras

Orquestra Sem Fronteiras

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Per’Curtir – Festival Internacional de Percussão

O Per’Curtir – Festival Internacional de Percussão  é um projeto de caráter pedagógico, artístico e cultural que visa desenvolver a área da performance na percussão, organizado pelo Conservatório d’Artes de Loures. Em todas as edições, os participantes são convidados a mergulhar na imensidão de cores tímbricas que só a percussão consegue oferecer. workshops, classes de aperfeiçoamento, exposições, conferências e concertos todos os dias. Teve a primeira edição em 2015. Em 2019 ocorreu a quarta edição.

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Porbatuka Almada

Fundado a 8 de Julho de 2017, Porbatuka Almada é um projeto musical de percussão, que aposta na formação musical gratuita e pretende dar a todos os seus elementos formação tanto a nível musical, de expressão corporal, bem como coreográfica.

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Prémio de Composição Século XXI

O concurso Prémio de Composição Século XXI, promovido em parceria pela Escola Profissional de Música de Viana do Castelo (EPMVC) e pela Academia de Música de Viana do Castelo (AMVC), tem como principal objectivo estimular a criação musical. O concurso assume uma dimensão nacional destinando-se a todos os alunos que frequentem o Curso Secundário de Música ou o Curso Profissional de Instrumentista. Uma das mais-valias deste concurso é a sua orientação para uma faixa etária que normalmente não é considerada nos concursos de composição, representando uma oportunidade única para a valorização dos jovens compositores através da divulgação, interpretação e edição das suas obras.

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Reencontros 21

Tendo como objectivo destacar o percurso artístico de antigos alunos de piano da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) que, ao longo dos últimos anos, tenham vindo a desenvolver uma actividade artística relevante, os Reencontros 21 constituem-se como espaço mediador de novos diálogos artísticos.

Associando-se recitais de piano a concertos de música de câmara, com este projecto pretende-se criar um espaço que, por um lado, evidencie a especificidade de cada percurso musical e, por outro, favoreça a troca de conhecimentos e de experiências artísticas. Num espírito de partilha, procura igualmente propiciar um contexto que fomente o encontro entre antigos alunos de diferentes áreas instrumentais da ESMAE, permitindo programar momentos artísticos ricos e variados, respondendo a diferentes gostos e sensibilidades musicais.

Na sua segunda edição, Reencontros 21 conta com uma programação que vai do clássico ao jazz. Com 13 participantes de várias áreas instrumentais, o ciclo apresenta, ao lado de obras chave do repertório clássico e romântico, um conjunto de obras de referência do séc. XX, incluindo Bartok, Scriabin, Messiaen, Berio e autores portugueses. Esta edição será também a ocasião de celebrar os aniversários de G. Crumb (1929) e de João Pedro Oliveira (1959), revisitando duas composições centrais dos seus percursos criativos, respectivamente: Celestial Mechanics (1979), para piano amplificado a 4 mãos, e Iris (2000), para quarteto e electrónica.

Os concertos decorrem na Casa da Música, nos dias 31 de Maio, 1 e 2 de Junho de 2019.

Coordenado por Madalena Soveral, o ciclo conta com as colaborações da ESMAE e da Casa da Música.

Reencontros 21

Reencontros 21

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Segréis de Lisboa

Os Segréis de Lisboa foram um grupo pioneiro com uma história de mais de 45 anos na divulgação da música da Idade Média, do Renascimento e até ao séc. XIX. Foi fundado em 1972 e dirigido desde então por Manuel Morais, que foi também professor no Conservatório de Lisboa. Se antes já tinham existido alguns episódicos agrupamentos na área da Música Antiga, contam-se pelos dedos de uma mão as gravações publicadas comercialmente. No entanto, ainda antes do primeiro álbum dos Segréis de Lisboa – “Música Ibérica da Idade Média e do Renascimento”, de 1974 – seria editado um disco creditado a Manuel Morais e à cantora Jennifer Smith, “A Voz e o Alaúde no Renascimento”, em que o primeiro interpretava alaúde e vihuela. Ambos são membros fundadores dos Segréis, a quem se juntam nessa fase Orlando Worm, Ana Bela Chaves, Pilar de Quinhones-Levy, Emídio Coutinho, Joaquim Simões da Hora (que também produz o LP) e ainda Fernando Serafim e Catarina Latino. Depois do duplo-álbum “A Música no Tempo de Camões”, encomendado para as celebrações dos 400 anos da morte do autor d’“Os Lusíadas”, os Segréis de Lisboa só voltariam aos discos em 1988, com “Música Portuguesa Maneirista”. Dois anos antes, tinham sido convidados no programa de televisão “Encontros”, apresentado por Rui Vieira Nery, e onde o grupo interpreta várias músicas. A de hoje, “Par Deus Bem Andou Castela”, é da autoria do espanhol Juan del Encina, e fez parte da peça “Templo d’Apolo” de Gil Vicente, estreada em 1526, aquando do casamento da infanta D. Isabel, filha do rei D. Manuel I, com o imperador Carlos V. Ao lado de Manuel Morais, de Fernando Serafim e de Catarina Latino encontramos ainda nesta formação dos Segréis de Lisboa os músicos Kenneth Frazer, António Oliveira e Silva e Helena Afonso. Esta última fizera também parte da formação inicial da Banda do Casaco, chegando em 1974 a gravar um disco a solo no âmbito da música popular.

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Tomarimbando

O Festival Tomarimbando tem sido um acontecimento importante no cenário musical da percussão, sendo uma plataforma para o encontro de várias entidades e interesses relacionados com: – A Formação na Percussão – promoção de diferentes Master Classes e Workshops – desde o nível de ensino básico, passando pelo pré – profissional, até ao ensino superior, abrangendo também, professores e profissionais de percussão. – O Ambiente de Performance – um espaço e tempo para a apresentação diária, num contexto artístico formal, dos Grupos Jovens de Percussão, bem como dos Grupos Universitários desta área instrumental. – A Performance/ Concertos Profissionais – a construção de um programa diário de concertos, por diversos profissionais, tanto na sua linha de interpretação e abordagens à musica percussiva, bem como nas suas proveniências, que se tem mantido entre artistas nacionais e internacionais. – Relação com Compositores – através dos artistas que se apresentam nos concertos, fazem no Festival, a apresentação de trabalhos originais, ou simplesmente, que nos enriquecem com o seu acompanhamento, no processo de ensaios e montagem das peças. – Interacção com outras áreas instrumentais ou formas artísticas, tanto num âmbito experimental, como de manifesta expressão artística, tais como, Vídeo, Multimédia, Dança entre outros. Existem ainda actividades paralelas durante o Festival como: – Exposição de marcas de Instrumentos e Acessórios de Percussão, que têm demonstrado interesse e investimento pelo Festival. – As tertúlias informais entre todos os participantes, durante todo o Festival que em muito enriquecem a análise dos resultados e que servem até, de promoção de futuros projectos, no festival ou, para lá deste.

[ Entradas para a futura Melopédia, enciclopédia viva e interativa da Música ]