Jornal de Música em Portugal e de informação no estrangeiro que pode interessar a músicos e melómanos portugueses

I am (K)not

“I am (k)not” é um ciclo seis peças de música acusmática, resultado do cruzamento interdisciplinar entre o compositor Hugo Vasco Reis e a artista cénica Ana Jordão.

Com o trabalho “I am (k)not”, Hugo Vasco Reis faz a sua primeira incursão discográfica e criativa como compositor de música acusmática. Autor e músico multifacetado, com sólida formação académica e uma experiência musical muito completa, Hugo Vasco Reis propõe-nos a escuta de um trabalho que reflete plenamente as múltiplas valências que o definem como artista.

Carlos Caires

A origem do termo “música acusmática”, referência a Pitágoras, deve-se ao facto de se tratar de uma música na qual não há contacto visual com os intérpretes e na qual não se visualiza qualquer representação física da origem dos sons. Apesar disso, este conjunto de obras estimulam o nosso sentido de escuta, apelando de forma particular ao nosso imaginário visual. As sugestões são muitas – ambientes, movimento, estatismo, materiais, matérias, fenómenos, locais – mas sempre competentemente dominados por um sólido métier de compositor – discurso, texturas, linhas, contrapontos, polifonias, formas…

Carlo Caires 2018

I am (K)not

I am (K)not

“I am (k)not” é um ciclo seis peças de música acusmática, resultado do cruzamento interdisciplinar entre o compositor Hugo Vasco Reis e a artista cénica Ana Jordão. O processo criativo desenvolve-se através da relação entre a expressividade, o gesto e o movimento. Entre o ritmo do corpo e a memória, de forma a encontrar interiormente, novos caminhos de escuta e perceção, num diálogo que oscila entre o sonho e a realidade. Durante o discurso de cada peça estão intrínsecos conceitos relativos ao processo criativo do compositor, encontrando-se gestos, focos, motivos e timbres, que criam em cada ciclo um discurso de ordem e desordem.

Hugo Vasco Reis 2018

Metamorphosis and resonances

“Metamorphosis and Resonances” é um caderno de oito peças para instrumentos solo, que tem como ponto de partida processos intuitivos intimamente ligados a gestos, timbres, camadas, imagens e focos, que definem as progressões de tensão e distensão, os elementos formais e o discurso de cada obra. (Hugo Reis 2017)

Metamorphosis and Resonances representa um compositor em plena posse dos seus meios de expressão, um compositor que, conhecendo as suas raízes, aponta para o alto, para o céu acima da copa da grande árvore do futuro.

Sérgio Azevedo

Partindo da ideia das 14 seminais Sequenze (1958-2004) de Luciano Berio (1925-2003), “ponto alfa” inevitável para qualquer compositor de hoje que se abalance a escrever para instrumentos a solo, de forma exploratória, Hugo Vasques Reis lança-se na sua própria sequência de metamorfoses e ressonâncias, metamorfoses e ressonâncias não somente do material musical – que percorre quase todas as peças – mas metamorfose do próprio timbre de cada um dos oito instrumento (os quais chegam a transfigurarem-se em pura matéria cósmica, como nas peças para acordeão e viola), e ressonância da matéria remanescente de um longínquo passado ibérico, como na peça dedicada à guitarra. No seu todo, Metamorphosis and Resonances representa um compositor em plena posse dos seus meios de expressão, um compositor que, conhecendo as suas raízes, aponta para o alto, para o céu acima da copa da grande árvore do futuro.

Sérgio Azevedo 2017

Metamorphosis and resonances

Metamorphosis and resonances

“Metamorphosis and Resonances” é um caderno de oito peças para instrumentos solo, que tem como ponto de partida processos intuitivos intimamente ligados a gestos, timbres, camadas, imagens e focos, que definem as progressões de tensão e distensão, os elementos formais e o discurso de cada obra. A ideia comum a todas as composições reflete um diálogo de cumplicidade e conflito, prazer e angústia, entre o horizonte e o abismo, entre a metamorfose e a ressonância. As gravações foram realizadas por um leque notável de músicos composto por: Ana Castanhito (harpa), Cândido Fernandes (piano), Filipe Quaresma (violoncelo), Frederic Cardoso (clarinete baixo), Lourenço Macedo Sampaio (viola d’arco), Monika Streitová (flauta), Paulo Jorge Ferreira (acordeão) e Pedro Rodrigues (guitarra clássica). Engenharia de som por António Pinheiro da Silva, com assistência de João Penedo. Fotografia de Cláudio Garrudo e prefácio de Sérgio Azevedo. Este trabalho teve o apoio da Direção Geral das Artes, Antena 2 e as gravações decorreram no auditório da Escola Superior de Música de Lisboa.

Hugo Vasco Reis 2017

Poema anacrónico

O trabalho discográfico “Poema Anacrónico” marca a estreia do guitarrista Hugo Vasco Reis a solo. O projecto tem como preocupação situar a guitarra portuguesa como instrumento solista. (Hugo Reis)

Hugo Vasco Reis, excelente compositor e guitarrista, aparece como alguém dotado de uma absoluta capacidade de utilizar a guitarra em qualquer repertório, obedecendo a sua integração no repertório a uma natural questão de bom senso e bom gosto, pois não se imagina um trombone a embalar um bebé, nem um piano ou uma harpa em cima de um carro militar a acompanhar uma parada.

António Victorino d’Almeida

A guitarra portuguesa recebeu esta nacionalidade e passou a identificar-se com a música do nosso país, se bem que as suas origens sejam além fronteiras, onde teria sido usada como substituto do cravo, também com base na indiscutível vantagem de ser transportável! E quando se houve uma guitarra portuguesa a solo, sente-se que a sonoridade se aproxima efectivamente do cravo ou da espineta, pois a capacidade de se fazerem ouvir sem qualquer tipo de amplificação é reduzida. Melhor dizendo, a sua intensidade fraca deixa-se cobrir com facilidade por outros instrumentos, razão pela qual terá agradado de imediato aos cantores, que sempre primaram pelo desejo de terem o seu próprio instrumento – a voz – em evidência, acompanhado, mas sem concorrentes…

Daí que a guitarra portuguesa também fosse escolhida para tocar em espaços pequenos e na condição de acompanhadora de vozes sem características de potência lírica, como seria o caso do Fado.

E foi assim que a guitarra e Portugal se foram afeiçoando, sendo que esse carinho – a que o instrumento corresponderia com os chamados trinados do acompanhamento fadista – também a impediu durante séculos de experimentar novos voos. E aliás, sempre que se punha a hipótese de escrever outro tipo de música para a guitarra portuguesa, evocavam-se de imediato diversas fragilidades e, sobretudo, problemas de afinação capazes de dificultar a escrita. Esse foi, além da frágil intensidade do som, um dos argumentos (falaciosos, alias…) usados para que o instrumento ficasse caseiro.

Surgiram, é certo, grandes guitarristas, cuja técnica e musicalidade fariam história – um Artur Paredes, um Armandinho, o genial Carlos Paredes e muitos outros… mas Pedro Caldeira Cabral esteve efectivamente na vanguarda dos guitarristas que pretenderam dar à guitarra portuguesa uma dimensão mais alargada e um estatuto de instrumento igual aos outros, um instrumento cuja música pudesse escrever-se e ler-se.

Com as mais recentes gerações de músicos, o repertório para guitarra portuguesa já pode dar um salto quantitativo assinalável, nomeadamente na adaptação de trechos musicais concebidos de origem para outros instrumentos, incluindo, como é normal, o seu parente cravo. Ricardo Rocha é um nome incontornável na utilização da guitarra portuguesa como instrumento de insuspeitados recursos tímbricos e técnicos.

Hugo Vasco Reis, excelente compositor e guitarrista, aparece como alguém dotado de uma absoluta capacidade de utilizar a guitarra em qualquer repertório, obedecendo a sua integração no repertório a uma natural questão de bom senso e bom gosto, pois não se imagina um trombone a embalar um bebé, nem um piano ou uma harpa em cima de um carro militar a acompanhar uma parada.

As minhas primeiras obras escritas para guitarra portuguesa derivaram do meu conhecimento com o extraordinário talento de Ricardo Rocha. E agora, Hugo Vasco Reis é um jovem músico que já entrou na história do instrumento, pois permite, de forma absolutamente cabal, como compositor e executante, a utilização da guitarra portuguesa nas mais diversas circunstâncias: não apesar de a obra estar escrita, mas, precisamente, porque está escrita!

António Victorino D’Almeida, 2013

O trabalho discográfico “Poema Anacrónico” marca a estreia do guitarrista Hugo Vasco Reis a solo. O projecto tem como preocupação situar a guitarra portuguesa como instrumento solista. São apresentadas três secções principais: guitarra portuguesa e piano (composições de António Victorino D’Almeida), guitarra portuguesa a solo (composições de Hugo Vasco Reis) e transcrições de obras de Carlos Seixas (1704-1742) de instrumento de tecla, adaptadas para guitarra portuguesa e viola da gamba. O trabalho foi produzido por Mário Dinis Marques e os músicos envolvidos, para além de Hugo Vasco Reis (Guitarra Portuguesa), foram Cândido Fernandes (Piano) e Filipa Meneses (Viola da Gamba). O prefácio é de António Victorino d’Almeida. Este trabalho teve o apoio do Secretário de Estado da Cultura, DGArtes, Antena 2 e da Escola Superior de Música de Lisboa.

Hugo Vasco Reis 2013

Poema anacrónico

Poema anacrónico

O Espaço da Sombra

“O Espaço da Sombra” é o 4º trabalho discográfico do compositor Hugo Vasco Reis, depois de “Poema Anacrónico” (2013), “Metamorphosis and Resonances” (2017) e “I am (k)not” (2018).

Quando iniciei o processo de criação e idealização deste trabalho, uma das questões que me interessava explorar, era o comportamento de um objeto (guitarra portuguesa), num espaço que habitualmente não é o seu (música contemporânea). Qual a imagem resultante, movimento e discurso? Tentei chegar a um ponto longínquo sobre estas reflexões. Um campo neutro que permitisse, ao instrumento e a mim, trabalhar as ideias e sistematizar escolhas. Uma vez neste ponto, encontrei o caminho para a criação, interpretação e formalização abstrata deste trabalho.
A ideia deste ciclo de peças é o resultado da adição de uma fonte de luz a um objeto, criando uma zona escura, com ausência parcial de luz (o espaço da sombra), proporcionando ao mesmo tempo a existência de um obstáculo. A criação da sombra pode ocupar diferentes espaços e formas na superfície de projeção, dependendo de determinadas características, tais como a fonte, a localização, o espaço, o relevo… destacando-se finos raios de luz em seu redor. O objeto ou imagem é reconhecível, mas existe algo estranho, não totalmente percepcionado, uma certa sombra.

São apresentadas peças cuja instrumentação varia entre solo, eletroacústica e música de câmara, mas sempre com a guitarra portuguesa como elemento solista e pensada como um corpo onde tudo pode ser tocado. Cada peça constitui um objeto fluido, onde tudo está em constante variação, tentando encontrar a poética musical, um espaço não temporal, a expressão, a qualidade do som e criar algo que revele o que cada um pode encontrar no seu interior.

Este trabalho, dedicado à guitarra portuguesa num papel de solista, teve o apoio da DGArtes, Antena 2 e Escola Superior de Música de Lisboa. Foi gravado no Auditório Vianna da Motta e contou com a participação dos pianistas António Victorino d’Almeida e Cândido Fernandes. Engenharia de som de António Pinheiro da Silva. Fotografia de capa de Patrícia Sucena de Almeida. Todas as composições por Hugo Vasco Reis, bem como a interpretação de guitarra portuguesa em todas as peças.

Hugo Vasco Reis 2018

O Espaço da Sombra

O Espaço da Sombra, de Hugo Vasco Reis

NOMEAÇÃO PARA O PRÉMIO SPA

O trabalho discográfico “O Espaço da Sombra”, dedicado à guitarra portuguesa, em que Hugo Vasco Reis se apresenta como compositor, intérprete e produtor, foi nomeado para o Prémio Autores SPA | 2019, na categoria de Música – Melhor Trabalho de Música Erudita.

Este trabalho discográfico teve o apoio da Direção Geral das Artes, Antena 2 e Escola Superior de Música de Lisboa.

Contou com a participação de:

– Guitarra Portuguesa, Composição e Eletrónica | Hugo Vasco Reis
– Piano | António Victorino D’Almeida
– Piano | Cândido Fernandes
– Engenharia de Som | António Pinheiro da Silva
– Fotografia | Patrícia Sucena de Almeida
– Tradução | Irma Assunção

“O Espaço da Sombra” é o 4º trabalho discográfico do compositor Hugo Vasco Reis, depois de “Poema Anacrónico” (2013), “Metamorphosis and Resonances” (2017) e “I am (k)not” (2018).

Neste momento o compositor encontra-se a finalizar o 5º trabalho discográfico, dedicado às suas composições de música de câmara e com edição prevista para março de 2019.

Dinis Sousa assistente de Eliot Gardiner

Português Dinis Sousa assistente de John Eliot Gardiner

Londres, 11 outubro de 2018 (Lusa)

A nomeação de Dinis Sousa para maestro assistente do Coro Monteverdi e Orquestras “é uma honra enorme” porque formaliza o trabalho com o britânico John Eliot Gardiner, com quem já está em digressão nos EUA, afirmou o português.

“Não havia dúvidas sobre aceitar o lugar. É uma oportunidade única e que não sonhava que fosse sequer possível, portanto mal surgiu esta possibilidade fiquei logo muito entusiasmado e honrado com a proposta”, disse o músico portuense à agência Lusa.

A nomeação de Dinis Sousa, de 30 anos, para maestro assistente, uma posição que não existia, foi anunciada no início desta semana e considerada relevante por diversas publicações especializadas porque é a primeira vez que o comando do Coro Monteverdi e das duas orquestras associadas é partilhado pelo britânico desde a fundação, em 1964.

O grupo começou com o Coro Monteverdi, hoje considerado um dos melhores e mais versáteis do mundo, abrangendo obras que vão desde Monteverdi a Stravinsky, mas 13 anos mais tarde Gardiner criou a orquestra English Baroque Soloists para trabalhar com o Coro, usando instrumentos de época.

Em 1990, Gardiner fundou a Orchestre Révolutionnaire et Romantique para interpretar repertório romântico, também com instrumentos de época, começando por tocar e gravar música de Beethoven e Berlioz.

É com esta última orquestra que Dinis Sousa está atualmente em digressão nos EUA, onde está a apresentar dois programas inteiramente dedicados a Berlioz, tendo previstos dois concertos no Carnegie Hall de Nova Iorque, no domingo e na segunda-feira.

Ser assistente de John Eliot Gardiner é “muito especial” para o português, que se identifica com o trabalho dele, maestro que cresceu a escutar e começou a acompanhar de perto quando se mudou para Londres, para estudar Direção de Orquestra na Guildhall School of Music and Drama.

“Tentava ir assistir aos ensaios e aos concertos quando podia, e estes eram sempre uma inspiração para mim. Portanto, ter agora um trabalho regular com estes grupos é mesmo muito especial. Nos últimos tempos, tenho já trabalhado em alguns projetos com o Gardiner e isto tem sido uma curva de aprendizagem enorme e uma experiência absolutamente marcante”, disse à Lusa.

O regente português conta que, “além do repertório extraordinário, poder conviver e aprender com um músico deste nível, com a sua energia inesgotável, que está constantemente a explorar e a encontrar algo novo na música que todos já conhecemos tão bem, é algo que me tem influenciado imenso.

Na sua opinião, o maestro britânico, atualmente com 75 anos, é um dos mais importantes e marcantes da atualidade, que revolucionou a forma como se ouve e interpreta música de diferentes compositores, de diferentes épocas, tendo em conta os diferentes contextos históricos em que surgiu, e que produziu uma série de gravações consideradas de referência para músicos, apreciadores de música e para a história da interpretação, nos últimos 50 anos.

Gardiner, citado no comunicado do Coro Monteverdi e Orquestras, elogiou Dinis Sousa pelo seu “talento impressionante” e pela sua versatilidade, lembrando a colaboração numa “série de tarefas difíceis”, nomeadamente na assistência durante os ‘Proms’ de 2016 (o festival organizado anualmente pela BBC, em Londres), na produção de “Oedipus Rex”, ópera de Stravinsky, com a Filarmónica de Berlim, e em vários projetos com a Orquestra Sinfónica de Londres.

O português espera poder beneficiar da experiência e conhecimento do britânico para continuar com o próprio projeto da Orquestra XXI, que fundou em 2013 para realizar concertos de música clássica em Portugal, com músicos que residem e trabalham no estrangeiro.

“Trabalhar com o Gardiner é uma enorme ajuda, uma vez que ele está a par de todos os programas, e podemos discutir muito sobre as obras, o que é sempre uma estimulante aprendizagem para mim”, adiantou.

BM // MAG

Lusa/fim

De acordo com notícia publicada pelo “Público” no Ípsilon, a 31 de Julho de 2018, da autoria de Sérgio C. Andrade, o espólio do compositor, pianista e pedagogo Luíz Costa, pai de Helena e Madalena Sá e Costa, vai ser divulgado pela Casa da Música.

LUIZ COSTA

Espólio do compositor Luiz Costa vai ser divulgado pela Casa da Música

A Câmara do Porto aprovou assinatura de protocolo com a fundação portuense, a Gulbenkian e a família do compositor com vista à digitalização de perto de duas centenas de partituras do pai de Helena e de Madalena Sá e Costa.

A Câmara Municipal do Porto aprovou esta terça-feira, por unanimidade, a assinatura de um protocolo de parceria para a digitalização e divulgação dos documentos da obra musical de Luiz Costa (1879-1960). Os outros parceiros deste protocolo são a família deste pianista e compositor – pai de Helena Sá e Costa (1915-2006) e de Madalena Sá e Costa (n. 1915) –, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação Casa da Música.

O texto da proposta agora aprovada em reunião do executivo justifica este protocolo atendendo ao “interesse na divulgação e no estudo da obra de Luiz Costa, que desenvolveu a maior parte do seu trabalho na cidade do Porto”.

Essa tarefa irá caber à Casa da Música, que – segundo os termos do protocolo que será assinado em data a designar – assumirá a responsabilidade de divulgar os documentos digitais das obras do compositor nos seus sítios da Internet, para que “passem a ser do conhecimento público”, um trabalho que deverá ser concretizado até 31 de Dezembro do corrente ano.

A digitalização das partituras de Luiz Costa, já realizada, teve um custo de quatro mil euros, que serão pagos pela Câmara do Porto (2500 euros) e pela Gulbenkian (1500 euros). Esta operação teve por base a inventariação realizada pela musicóloga Christine Wassermann Beirão, no âmbito de um pós-doutoramento na Universidade Católica do Porto, e que foi editada em 2014.

Sérgio C. Andrade, Ípsilon, Público, 31 de Julho de 2018

BIOGRAFIA DE LUIZ COSTA

Nascido numa freguesia de Barcelos, Monte de Fralães, em 1879, Luiz Costa tornou-se um nome de referência do modernismo musical português. Iniciou os estudos musicais no Porto com Bernardo Moreira de Sá (1853-1924), que se tornaria seu sogro, pelo casamento com a também pianista Leonilde Moreira de Sá (1882-1964). No início do século XX, Luiz Costa aperfeiçoou a formação musical na Alemanha com músicos e professores da chamada Nova Escola Alemã de Piano, que incluía o também português Vianna da Motta.

De regresso a Portugal, tornou-se professor na Escola Superior de Piano e dirigiu duas instituições da cidade que tinham sido fundadas pelo seu sogro, o Conservatório de Música e o Orpheon Portuense (cujos arquivos estão também à guarda da Casa da Música) – através desta sociedade de concertos, o Porto pôde acolher figuras maiores da música mundial, como Maurice Ravel, Claudio Arrau ou Edwin Fisher. Paralelamente, Luiz Costa tocava como solista em vários concertos temáticos, e também ao lado de intérpretes como Pablo Casals e Guilhermina Suggia.

Como compositor, Luiz Costa desenvolveu uma obra assinalável, em que pretendeu casar a tradição poética e bucólica do seu país, e mesmo do seu Minho natal, com correntes estéticas do seu tempo, da escola alemã ao impressionismo francês, passando pelo neoclassicismo. Simultaneamente compôs várias peças para as suas filhas, e em particular para o piano de Helena Sá e Costa.

Nuno Baptista

O clarinetista Nuno Baptista, aluno do 2.º ano da Academia Nacional Superior de Orquestra (ANSO), da Metropolitana, é o vencedor do Prémio Inatel Jovem Solista 2020, tendo sido escolhido entre dezenas de candidatos que prestaram provas em fevereiro. O músico de 20 anos sucede assim a Marta Mata e João Gonçalves, que venceram no ano passado, ex-aequo. Com apenas nove anos, iniciou os estudos no Conservatório de Música de Seia, orientado por Carlos Silva. Chegou à Metropolitana no ano letivo 2018/19, para frequentar a licenciatura em Instrumentista de Orquestra, com o professor Nuno Silva, na ANSO. 

Nuno Baptista

Maria João Pires condecorada por Marcelo

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou no dia 25 de janeiro de 2020 a pianista Maria João Pires com Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, que considerou ser “um exemplo de excelência de Portugal no mundo”. Depois de um recital de piano, perante o Corpo Diplomático acreditado em Portugal, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, a pianista foi agraciada por Marcelo Rebelo de Sousa, a quarta condecoração de Maria João Pires. (27/01/2020)

Mísia prémio “In Honorem” em França

Notícias breves de música
Mísia

A fadista Mísia recebeu no dia 16 de janeiro de 2020 o prémio “In Honorem”, da Academia Charles Cros, em Paris, pela sua carreira e pela inovação que trouxe ao fado como género musical. Foi a terceira vez que a instituição francesa, que tem o alto patrocínio do Presidente da República, Emmanuel Macron, distinguiu Mísia, mas a primeira em que lhe foi atribuído o prémio “In Honorem” que reconhece o valor da carreira dos intérpretes musicais. (16/01/2020).

Medalha de Mérito para Júlio Isidro

Júlio Isidro
Júlio Isidro, foto D.R.

O Governo atribuiu a Medalha de Mérito Cultural ao locutor e apresentador de televisão Júlio Isidro, num espetáculo comemorativo dos 60 anos de carreira de Júlio Isidro na noite de 16 de janeiro, realçando o “inestimável trabalho de uma vida dedicada” ao audiovisual. “Figura ímpar dos meios audiovisuais em Portugal desde o início dos anos 60, Júlio Isidro foi também um pioneiro na divulgação de novos valores para a música.” – salientou o Governo em nota biográfica sobre o apresentador. (16/01/2020).

José Eduardo Gomes premiado na Bulgária

Maestro José Eduardo Gomes no Teatro Micaelense em 2019
Maestro José Eduardo Gomes

José Eduardo Gomes ganhou na Bulgária o 1º Prémio da segunda edição do “European Union Conducting Competition” e o Prémio “Melhor Interpretação Beethoven”. Premiados foram também Almanzar Sebastian, Colômbia, 2º prémio; Zlatkov Svetlomir, Bulgária, 3º prémio; Jung Hyeju, Coreia do Sul, 4º prémio. Este concurso é organizado pelo Bulgaria Hall em cooperação com a Orquestra Nacional Artes, Orquestra Filarmónica Kodaly e Orquestra Sinfónica de Pazardjik. (11/01/2020).

Kika Materula Figura Cultural 2019

Kika Materula
Kika Materula

A última edição de 2019 do jornal “Savana” escolheu a directora artística do Xiquitsi, Kika Materula, para Figura Cultural 2019. Pesou para nesta escolha o facto de Kika Materula liderar o ambicioso projecto Xiquitsi, mas também por tocar oboé e divulgar o nome de Moçambique no mundo. Kika Materula é uma solista de mão cheia e faz parte da Orquestra Sinfónica do Porto, em Portugal, país onde se formou na Escola Superior de Música de Lisboa. Kika Materula lidera o Xiquitsi, um projecto sem fins lucrativos, criado em 2013 e que se dedica ao desenvolvimento da Música Clássica em Moçambique. (02/01/2020)

Maria João Pires personalidade do ano para a AIEP

Maria João Pires pianista
Maria João Pires, foto Eduardo Gageiro

A pianista portuguesa Maria João Pires foi eleita, em Lisboa, para receber o 30.º prémio personalidade do ano da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal (AIEP). Considerada a “mais internacional pianista portuguesa da atualidade”, Maria João Pires foi distinguida como Personalidade do Ano 2019 pela “crítica internacional”, que reconhece a artista como uma “das mais famosas intérpretes de música clássica”. (12/12/2019).

Canto a Vozes

Canto a vozes vai candidatar-se a património imaterial

O “canto a vozes” vai apresentar candidatura a património da UNESCO procurando dar destaque às polifonias tradicionais, com o objetivo de tornar-se Património Cultural Imaterial da Humanidade. A decisão saiu de um encontro que decorreu no sábado em São Pedro do Sul, onde teve lugar a mesa redonda “O património somos nós”, tendo ainda sido constituída a comissão organizadora de uma associação de defesa dos interesses dos grupos que formalmente ou informalmente cantam, a três e mais vozes, um repertório legado pela sociedade agrária tradicional, acrescenta o comunicado dos promotores. Segundo a comunicação, existem diferentes designações locais para o canto da polifonia tradicional: cramol, terno, lote, cantada, cantedo, cantarola, moda ou cantiga. “Cantado por grupos de mulheres ou mistos, este canto é, no século XXI, uma expressão artística e um património imaterial que vincula as mulheres e homens (com maior destaque na mulher) no combate à vulnerabilidade das comunidades onde residem, reforça a identidade local e “desoculta” o papel das mulheres nos processos e práticas culturais ancestrais”, refere ainda o documento hoje divulgado. (22/01/2020)

Mais mulheres em direção de orquestra

Grupo de mulheres brasileiras em Regência de Orquestras da 37ª Oficina de Música de Curitiba.
Grupo de mulheres brasileiras em Regência de Orquestras da 37ª Oficina de Música de Curitiba.

O número de mulheres em direção de orquestra tem vindo a aumentar significativamente. Na 37ª Oficina de Música de Curitiba, Brasil, oito dos 20 alunos inscritos para a classe de Regência de Orquestra são mulheres. O número reflete o crescimento da presença feminina nesse campo da atividade orquestral, não só no Brasil, mas no mundo, e a importância do evento cultural de Curitiba como porta de entrada para a profissionalização na área. (23/01/2020)

Kika Materula Ministra da Cultura

Kika Materula
Kika Materula

O Presidente da República de Moçambique nomeou Eldevina (Kika) Materula nova Ministra da Cultura e Turismo. Materula é oboísta moçambicana, directora artística e autora do Projecto Xiquitsi, cujo objetivo é tentar a integração, inserção social e capacitação profissional de crianças e jovens, de meios desfavorecidos, por intermédio do ensino coletivo da música. Inclui o Festival Internacional de Música de Maputo (oito edições) e pretende criar a primeira orquestra sinfónica do país. O projeto valeu à atual ministra da Cultura de Moçambique uma condecoração com a medalha da Ordem de Mérito, pelo Presidente da República Portuguesa, em 2016. Kika Materula iniciou os estudos musicais aos 7 anos de idade na Escola Nacional de Música de Maputo (Moçambique). Em 1995, em Portugal, deu continuidade aos estudos musicais. Terminou a licenciatura na ESML nas classes de  Andrew Swinnerton (oboé), e Olga Prats (Música de câmara) e terminou a pós-graduação na Malmö Academy of Music. Em 2001 venceu a XVI edição do Prémio Jovens Músicos na categoria de oboé. Colaborou como convidada com a Orquestra Clássica da Madeira, Orquestra Filarmonia das Beiras, Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, Orquestra Sinfonieta de Lisboa, Orquestra Gulbenkian, Malmö Symphonie Orchestra (Suécia), Malmö Opera Orchestra, Danish Radio Sinfonietta (Dinamarca), Orquestra Sinfónica da Bahia (Brasil), entre outras. É oboé solista na Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música.

Morreu Qabous bin Said al-Said

Qabous bin Said al-Said em 2010
Qabous bin Said al-Said em 2010

Morreu Qabous bin Said al-Said (1940-2020), sultão de Omã, a 10 de janeiro de 2020. Personagem atípica conhecida pelo seu gosto pela ópera e a música clássica, desenvolveu no seu país uma imensa atividade na difusão da música e fez do Teatro da Ópera de Mascate um centro de produção cultural ativo na cena internacional. (10/01/2020)

Cancioneiro de Lovaina

Cancioneiro de Lovaina
Cancioneiro de Lovaina

Foi redescoberto um livro de canções de amor da Idade Média, datado do século XV. Canções que não tinham sido ouvidas há, pelo menos, seis séculos foram reencontradas. O Cancioneiro de Lovaina deve o seu nome à cidade da Bélgica onde se encontra atualmente. Comprado por um comerciante de arte em 2014 num leilão, o livro conheceu uma nova vida inesperada. Composto de 50 canções breves, todas manuscritas, contém contudo 12 textos que os investigadores conseguiram identificar. De facto, o comprador belga tinha-o confiado a um musicólogo da Universidade Católica de Lovaina, tendo percebido claramente que não se tratava de uma obra qualquer. (18/01/2019)

15 anos do Teatro das Figuras

O Teatro das Figuras completa, em 2020, 15 anos de existência. O seu surgimento veio alterar o panorama artístico local e regional. Com a abertura do Teatro das Figuras, o Algarve ganhou um palco de excelência para as artes performativas. Um palco capaz de dar resposta as maiores exigências técnicas que os espetáculos requerem. (06/01/2020)

Gaitas de Bravães

Uma oficina de formação em fabrico artesanal de gaitas de Bravães recuperou um ofício “perdido” há meio século naquela aldeia de Ponte da Barca e quer agora devolver o instrumento ao lugar de referência cultural de outros tempos.  Os dois primeiros instrumentos na oficina são réplicas de uma gaita produzida, em 1950, por Emílio de Araújo, um construtor da freguesia. O instrumento original integra o espólio do Museu de Etnologia de Lisboa, e está documentado nas recolhas do etnólogo Ernesto Veiga de Oliveira, entre anos de 60 e 63. (05/01/2020)

Dinis Sousa é maestro assistente dos três agrupamentos Monteverdi

maestro Dinis Sousa
maestro Dinis Sousa

​Dinis Sousa  é maestro assistente dos três agrupamentos Monteverdi, o que acontece pela primeira vez na história dos Monteverdi Choir & Orchestras. Nascido no Porto em 1988, reside em Londres onde trabalha com John Eliott Gardiner. Dinis Sousa é o maestro fundador do projecto da Orquestra XXI. (04/01/2020)

Music Moves Europe

No âmbito da Acção Preparatória 2019 – Music Moves Europe abriu uma nova chamada para projectos a desenvolver no sector da música, com foco na cocriação e coprodução. O objectivo geral deste convite é identificar e apoiar pelo menos 10 programas piloto inovadores e sustentáveis de coprodução e cocriação destinado a compositores e músicos, com um claro reconhecimento e valor agregado a fim de facilitar o desenvolvimento do repertório musical europeu. Todas as propostas devem indicar a singularidade das propostas em comparação com os esquemas de cocriação e coprodução já existentes para compositores e artistas. Todos as propostas devem incluir um método de avaliação dos resultados esperados e um resumo das boas-práticas apreendidas. (03/01/2020)

Ano Beethoven

A Bundeskunsthalle de Bona dedica uma exposição ao compositor alemão que serve de arranque simbólico da avalancha de celebrações que têm como motivo o 250º aniversário do seu nascimento. O comissariado da exposição esteve a cargo de uma historiadora da arte (Agnieszka Lulińska) e uma musicóloga (Julia Ronge), ambas conservadoras na Bundeskunsthalle e la Beethoven-Haus, o que garantiu um equilíbrio entre os conteúdos artísticos, sociológicos e estritamente musicais. (03/01/2020)

Música nas escolas

Governo britânico anuncia fundo de 85 milhões de libras para aulas de música nas escolas, esperando que as crianças se tornem capazes de ler e escrever música. Music Education Hubs proporcionará às crianças oportunidades de aprender um instrumento, cantar num coro ou fazer parte de uma banda. (03/01/2020)

Músicos Portugueses na Diáspora

soprano Susana Gaspar
soprano Susana Gaspar

Músicos Portugueses na Diáspora” é um projeto Meloteca em curso em 2020 que pretende conhecer e divulgar todos os músicos portugueses na diáspora. Cada resumo biográfico, de cerca de 300 palavras, valorizará os estudos feitos em Portugal, os laços familiares musicais, as circunstâncias que levaram a emigrar, a repercussão internacional da carreira e as relações mantidas com a música portuguesa. (01/01/2020)

Efemérides na Casa da Música

Curiosidades da Música em Portugal
Casa da Música

2020 é para a Casa da Música um ano cheio de efemérides: passarão 20 anos sobre a criação do Remix Ensemble e a transformação da orquestra numa formação sinfónica, e em Abril irão cumprir-se 15 anos sobre a abertura ao público do edifício projectado por Rem Koolhaas. (03/12/2019)

Pallco é um destinado ao ensino das artes performativas

Ensino das artes performativas

O “Pallco” mantém durante todo o ano um calendário regular de actividades nas mais diversas áreas das artes performativas. Acções não só destinadas aos estudantes e praticantes profissionais e amadores como também ao público em geral que prefira exercitar o corpo e o espírito com actividades diferentes num espaço surpreendentemente inovador.

No âmbito do ensino da música, os cursos oficiais básicos e secundários contemplam os seguintes instrumentos: acordeão, bateria, canto, clarinete, contrabaixo, flauta transversal, guitarra clássica, guitarra portuguesa, harpa, oboé, percussão, piano, saxofone, trombone, tuba, trompete, tuba, violeta, violino e violoncelo. Os cursos livres de  jazz e pop rock são ministrado nos seguintes instrumentos: acordeão, bateria, canto, clarinete, contrabaixo, guitarra, harpa, percussão, piano, saxofone, vibrafone, trombone, trompete, violino e violoncelo.

Pelas suas qualidades, dimensões e objectivos, o “Pallco” é um espaço único em Portugal destinado ao ensino das artes performativas da dança, música e teatro musical, tanto na vertente profissional como lúdica. Concebido e construído de raiz num espaço com 2.400 metros quadrados de área, a infraestrutura oferece tudo o que é necessário para a aprendizagem e a prática destas artes. O “Pallco” resulta de um investimento inteiramente privado que ultrapassou 1 milhão e 700 mil euros.

«Com estas qualidades e o potencial que a escola oferece, estamos também em condições de atrair alunos e professores estrangeiros como nunca foi possível em Portugal. Na verdade, já foi possível conquistar uma grande atenção internacional e conseguir parcerias com escolas renomadas», afirmou a empreendedora e directora Sofia Marques dos Santos.

O “Pallco” foca a sua actividade nas artes performativas de dança, música e teatro musical, também dispõe serviços complementares para os seus alunos: fisioterapia, nutrição, mind coach, podologia, apoio escolar e explicações individuais e de grupo, pelo que é mais do que uma escola de artes.

ABERTO À POPULAÇÃO

Para a população em geral, o “Pallco” oferece outras actividades: Pilates, Yoga, Body & Mind, ginástica, treino funcional, sénior training, ballet para adultos, dança contemporânea para adultos, Salsa fit e danças de salão. Toda esta diversidade é proporcionada pelo grande espaço de dois pisos, que oferecem amplos estúdios de dança e de música, várias salas polivalentes, um auditório com 200 lugares e um grande jardim exterior privado com 1000 metros quadrados (mil). O “Pallco” poderá, assim, acolher eventos nacionais e internacionais de diversa natureza como não é muito possível na Área Metropolitana do Porto.

O “Pallco” assume-se ainda como um conceito diferenciado e inovador, devendo ser encarado como uma “casa-escola” não só por parte dos seus alunos, como pelos docentes e amantes das artes do espetáculo. Na verdade, Sofia Marques dos Santosdeseja que o “Pallco” «seja mais do que um espaço de ensino de artes e de formação técnica de artistas. Desejo incutir valores, cultivar a paixão pela arte e cultura como uma forma de vida. O “Pallco” é, portanto, um local onde a performance artística ganha vida, mas onde também se respira arte e cultura e conhecimento», acrescentou.

Sofia Marques dos Santos diz ainda que este posicionamento permite ao “Pallco” aspirar à criação de intercâmbios internacionais com as melhores escolas e conservatórios de artes performativas a nível global, com o objetivo de proporcionar uma experiência internacional a todos os seus alunos. Esta postura constitui uma oportunidade única de integrar programas de formação especializados, nas diferentes modalidades, e de preparar artistas para o maior palco de todos: o mundo.

A par do impacto que proporciona, o “Pallco” traz consigo professores de excelência, tanto na vertente escola como conservatório, não só nacionais como internacionais.

Pallco é um destinado ao ensino das artes performativas

Pallco, espaço