Instrumentos musicais de Portugal

Cartaxo (cartaxinho, castanhola, ou grilinho, na Madeira) é um pequeno instrumento tradicional português do tipo idiofone. É  feito de um pequeno pedaço de cana (ou de madeira), em meia-cana (ou com um corte / ranhura grande no caso da madeira em forma de concha alongada) que serve de caixa de ressonância, na qual se coloca um bocado muito pequeno também de cana (ou de madeira), em tensão com uma guita, que é jogado pelos dedos do tocador, produzindo som com o embate desta pequena peça contra o corpo do instrumento.

É de fabrico artesanal e utiliza-se como acompanhamento rítmico de instrumentos melódicos, sobretudo dos aerofones de palheta metálica livre (harmónio, concertina, acordeão). Com excepção de uma ou outra região (Algarve), o povo não o conhece habitualmente por cartaxo, mas sim por castanhola. Por vezes, usa-se o mesmo sistema sonoro com uma lata de graxa ou de sardinha na qual se prende o fio em tensão com a pequena peça de cana, que embate agora contra a lata.

Fontes:

Terra Mater

Cancioneiro Tradicional de Óbidos, de José Alberto Sardinha.

Cartaxo, foto Terra Mater

Cartaxo, foto Terra Mater

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Castanhola, Portugal

Castanhola (o mesmo que cartaxinho ou cartaxo e grilinho, na Madeira) é um pequeno instrumento tradicional português do tipo idiofone. É  feito de um pequeno pedaço de cana (ou de madeira), em meia-cana (ou com um corte / ranhura grande no caso da madeira em forma de concha alongada) que serve de caixa de ressonância, na qual se coloca um bocado muito pequeno também de cana (ou de madeira), em tensão com uma guita, que é jogado pelos dedos do tocador, produzindo som com o embate desta pequena peça contra o corpo do instrumento.

É de fabrico artesanal e utiliza-se como acompanhamento rítmico de instrumentos melódicos, sobretudo dos aerofones de palheta metálica livre (harmónio, concertina, acordeão). Por vezes, usa-se o mesmo sistema sonoro com uma lata de graxa ou de sardinha na qual se prende o fio em tensão com a pequena peça de cana, que embate agora contra a lata.

Fontes:

Terra Mater

Cancioneiro Tradicional de Óbidos, de José Alberto Sardinha.

Castanhola, Portugal

Castanhola, cartaxo ou cartaxinho, Portugal

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Cartaxinho (o mesmo que cartaxo, castanhola, ou grilinho, na Madeira) é um pequeno instrumento tradicional português do tipo idiofone. Existe com este nome no Algarve e em Santarém. É  feito de um pequeno pedaço de cana (ou de madeira), em meia-cana (ou com um corte/ranhura grande no caso da madeira em forma de concha alongada) que serve de caixa de ressonância, na qual se coloca um bocado muito pequeno também de cana (ou de madeira), em tensão com uma guita, que é jogado pelos dedos do tocador, produzindo som com o embate desta pequena peça contra o corpo do instrumento.

É de fabrico artesanal e utiliza-se como acompanhamento rítmico de instrumentos melódicos, sobretudo dos aerofones de palheta metálica livre (harmónio, concertina, acordeão). Com excepção de uma ou outra região (Algarve), o povo não o conhece habitualmente por cartaxo, mas sim por castanhola. Por vezes, usa-se o mesmo sistema sonoro com uma lata de graxa ou de sardinha na qual se prende o fio em tensão com a pequena peça de cana, que embate agora contra a lata.

Fontes:

Terra Mater

Cancioneiro Tradicional de Óbidos, de José Alberto Sardinha.

Cartaxinho, créditos A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria

Cartaxinho, créditos A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria

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Viola toeira é um instrumento tradicional português do grupo dos cordofones, subgrupo dos alaúdes, uma das violas tradicionais portuguesas que está na origem da viola da terra açoriana.

A Toeira é uma viola pequena de boca oval com 12 cordas distribuídas por 5 ordens, do agudo para o grave, Mi Si Sol Ré Lá , sendo as três primeiras duplas e as restantes triplas.

A Viola Toeira é uma viola de arame da Beira Litoral, predominante na zona de Coimbra, onde foi durante um largo período de tempo o instrumento predileto dos estudantes da Academia, até ao aparecimento da guitarra que aconteceria por volta do ano de 1850. Foi um instrumento musical, geralmente tocado em “rasgueado” como no cavaquinho, que acompanhou danças e cantigas no contexto rural da Beira. Marcou presença tanto no domínio plebeu como nos salões e teatros e é associado a um repertório de salão que remete para a fidalguia e burguesia, “modinhas” e “minuetos”.

A Casa da Guitarra comercializa Violas Toeiras do contrutor Artimúsica, Instrumentos Musicais, Lda, empresa fundada em 1992, distinguindo-se pela construção artesanal de instrumentos tradicionais portugueses. O método tradicional de construção que há mais de 100 anos foi iniciado pelo mestre Joaquim José Machado, avô dos atuais mestres Manuel Carvalho e José Carvalho, constitui, ainda hoje, a base para esta arte de fabrico, o que faz com que cada instrumento seja reconhecidamente uma peça única.

Fonte: Casa da Guitarra

Viola toeira

Viola toeira, foto Casa da Guitarra

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Viola da terra, pintura de Domingos Rebêlo, década de 1930

A viola de dois corações, também chamada viola da terra ou viola de arame, ou viola dos Açores, é um cordofone dedilhado tradicional dos Açores.

Segundo Manuel Ferreira, no seu livro A Viola de Dois Corações, «não há elementos concretos sobre a data de chegada da Viola dos Açores», mas não será arriscado de supor que foram trazidos pelos Portugueses com a expansão ultramarina dos primeiros que chegaram, dispostos à fixação, com carácter definitivo, no século XV.

Segundo as Saudades da Terra de Gaspar Frutuoso (1522-1591), a viola era um objeto de elevado apreço, e os seus tocadores eram dignos de nomeada e apontados a dedo, alguns com direito a registo histórico e geral admiração.

Não há registos do(s) tipo(s) de viola(s) que foram trazido(s) pelos povoadores do arquipélago açoriano, no entanto, podemos afirmar que as modificações organológicas sofridas por esta(s) viola(s) através das sucessivas gerações de construtores não foram significativas ao ponto de ocasionar uma diferença substancial entre a viola da terra e suas congéneres do continente português. O aspeto, os métodos de construção e os materiais utilizados na construção da viola da terra são basicamente os mesmos utilizados nos instrumentos semelhantes do continente português.

A viola da terra apresenta semelhanças com a viola amarantina e da viola de cabo verde: além de o aspeto geral ser muito semelhante, todas elas possuem a boca em forma de dois corações é, no entanto, com a viola toeira, ou viola de Coimbra, que a viola da terra apresenta maiores familiaridades, a saber: afinação quase idêntica e doze cordas de arame agrupadas em cinco ordens, três duplas e duas triplas.

Conhecida também por “viola de arame” (por possuir cordas feitas de fio de arame e não de aço) ou “viola de dois corações” (por possuir as aberturas do tampo em forma de dois corações), a viola da terra ao chegar aos Açores, toma características comuns a todas as ilhas, mantendo os seus fundamentais traços primitivos, mas aqui e acolá foi adquirindo afinações e particularidades diferenciadas. Assim, transforma-se no mais típico instrumento musical do arquipélago dos Açores, como se afirma na dissertação de Mestrado de José Wellington Nascimento.

Viola da terra, pintura de Domingos Rebêlo, década de 1930

Viola da terra, pintura de Domingos Rebêlo, década de 1930

No entanto, só a partir do século XIX é que começaram a aparecer provas iconográficas da presença da viola de dois corações em São Miguel – e na própria literatura de viagens.

A fixação do encordoamento nas atuais 12 cordas deve ter ocorrido no fim do século XIX e por influência coimbrã (viola toeira).

Deste modo, mesmo a conhecer-se e a comprovar-se a sua origem continental, a viola de dois corações constitui hoje uma peça artesanal individualizada com identidade e traços próprios, com as suas doze cordas e som característico.

Os dois modelos de Viola da Terra

Considera-se existir dois tipos do popular instrumento musical açoriano: a viola de dois corações (micaelense, mas adotado pelas restantes ilhas do grupo central e ocidental) e a viola de boca redonda (Viola da Terra da Terceira).

O que motivou a diferenciação dos dois modelos de viola ainda é um mistério, pois, segundo Manuel Ferreira, minguam elementos históricos e iconográficos que possam fornecer dados concretos para uma explanação segura, salvo alguns indícios e argumentos intuitivos, sempre de difícil confirmação e em tudo dependentes do mérito e surpresas das investigações.

Viola de dois corações

A Viola de dois corações tem a caixa alta e estreita, com cintura pouco acentuada, abertura sonora ou boca geralmente em forma de dois corações unidos com as pontas para fora. O braço é comprido, com escala até à boca, rasante com o tampo, do qual se distingue pela diferença das madeiras. A escala tem 21 trastos ou pontos, dos quais 12 sobre o braço e nove sobre o tampo. Arma com 12 cordas metálicas, dispostas em cinco ordens ou parcelas – as três primeiras duplas e as outras duas triplas.

Viola de boca redonda

A Viola da Terra da Terceira é uma viola de boca redonda. Tem dois subtipos: a viola de cinco parcelas, que arma com 12 cordas, incluindo dois ou três bordões, e a viola de seis parcelas, com 15 cordas (três parcelas de duas cordas e três parcelas de três). Ambas têm boca sonora redonda, caixa mais larga e de altura mediana, com enfranque pouco acentuado e escala até à boca, em ressalto sobre o tampo (como na viola madeirense e no violão). Enquanto na viola de dois corações a escala tem 21 trastos (12 no braço e nove sobre o tampo), na de boca redonda varia o número de trastos e a sua distribuição: 12 sobre o braço na viola de cinco parcelas e dez na de seis parcelas, diferindo de construtor para construtor o número dos restantes trastos sobre os tampos.

Viola de boca redonda, ou viola da terra da Terceira

Viola de boca redonda, ou viola da terra da Terceira

Viola de sete parcelas

Além destas, há ainda a viola de sete parcelas (18 cordas), instrumento que, pelas suas dificuldades de afinação e execução que apresenta, é pouco prática, o que explica a sua raridade.

Viola de 15 cordas

A viola de 15 cordas, conhecida na ilha Terceira por viola de seis parcelas, com apenas dez trastos sobre o braço e sete a nove sobre o tampo, tem o braço curto, o que, conjugado com a largura da caixa de ressonância e a extensão da pá, lhe confere um aspeto atarracado, mas elegante.

Gozando de enorme popularidade, a viola de seis parcelas suplantou quase completamente a de cinco parcelas. A origem da viola de seis parcelas é matéria controversa, que tem merecido atenção dos estudiosos do assunto, segundo José Ferreira Almeida. Ora a atribuem à presença castelhana nos Açores, no século XVI e XVII, ora a uma provável influência aristocrática ‘vihuela’ quinhentista ou, bastante mais próxima no tempo, à influência do violão, do qual a viola de boca redonda teria tomado o bordão mais grave (mi) e as maiores dimensões da caixa de ressonância, aumentando assim a sua extensão e possibilidades. Ou seja, poder-se-ia considerar a viola de quinze cordas como uma forma evolutiva da viola açoriana de boca redonda.

Como refere José Wellington do Nascimento, ao longo dos tempos desenvolve-se toda uma construção identitária açoriana vinculada à viola da terra. Esta assume, dialeticamente, dois aspetos importantes: em primeiro lugar, a utilização do corpo do instrumento como repositório de símbolos e a tradução destes símbolos de forma a afirmar a viola da terra como expressão da identidade açoriana. Os dois corações, que segundo a explicação popular representam “o coração que parte (que emigra para o estrangeiro) e o coração que fica”; o “cordão umbilical”, que se une numa lágrima, a lágrima da saudade e que é também referida como símbolo do ás de ouro, representando a busca de fortuna na emigração e que também representam a Coroa do Espírito Santo, e por fim o cavalete com as extremidades representando o Açor, ave que terá dado o nome ao arquipélago açoriano.

A importância sociocultural da viola da terra

A Viola acabou por exercer a sua magia em todas as classes, e deixou de ser um privilégio para entretenimento de ricaços e privilegiados, quer fosse de arco ou de dedilhar, até cair no pé descalço e no âmago da alma popular, afirma Manuel Ferreira, passando a estar enraizada na sociedade rural.

A viola era, então, largamente utilizada em rituais lúdico-religiosos, desempenhando uma função social de muita importância, ligada principalmente às práticas do camponês, raramente aparecendo só, enquanto instrumento musical, mas sempre como acompanhamento de algum ritual de religião, de trabalho ou de lazer.

A viola foi utilizada como instrumento acompanhador do canto, das rezas e das danças, integrada organicamente na vida social, segundo afirma Wellington de Nascimento. Manuel Ferreira corrobora esta afirmação dizendo que não havia aldeia ou vila que não se orgulhasse dos seus construtores e tocadores, de datas aprazadas para o Entrudo e Páscoa, para as festas do Espírito Santo e do Natal, com matanças e janeiras, de porta em porta.

Folia das festas populares do Divino Espírito Santo, Ilha de São Miguel, Açores. Postal ilustrado circulado entre 1911 e 1914. Não admira, portanto, o lugar de primazia por ela conquistado no Cancioneiro Popular Açoriano, como lenitivo e último recurso nas horas de amargura, sacudindo o espantalho da solidão e angústia.

Mais do que nos velhos romances e aravias – é na quadra espontânea e cadenciada, ora viva ora dolente entre «rasgados» e «ponteados» bem dedilhados, em milhares de versos cantados ao sabor do momento e transmitidos de geração em geração, de boca em boca e de ilha para ilha, que se descobre o mais puro manancial da alma popular.

No Cancioneiro dos Açores contam-se por centenas as quadras de referência e louvor ao apreciado instrumento, de permeio com outras de profundo lirismo, exaltando o Amor, a Mulher a Saudade.

Fonte: Agenda Açores

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Viola da terra, Açores

A viola da terra é o instrumento típico dos Açores. É um cordofone dedilhado do tipo alaúde, no qual se incluem os alaúdes, as guitarras e violas, com cordas paralelas esticadas ao longo de um braço e caixa de ressonância no extremo oposto ao braço. (cf. Luís Henrique)

O dedo polegar e o indicador ponteiam as cordas da viola da terra. De vez em quando, a mão do tocador toca em rasgado. Faz-se silêncio… porque o som da viola da terra preenche o momento e enche-nos de emoção. O som desta viola é diferente. Mistura a doçura com um som metálico, intenso. O dedo polegar ponteia os primeiros sons da “Saudade” e logo se abre o cortinado roxo, que cobria o coração.

Conhecida também como a viola dos dois corações, este instrumento, de doze ou quinze cordas, faz parte família das violas de arame. Há quem diga que estes dois corações, virados de costas, são símbolo do amor impossível, imagem reforçada pela linha umbilical que os une num losango ou lágrima.

A qualidade de uma viola depende da arte do seu construtor e da sonoridade que o tocador consegue arrancar ao toque ou pancada da mão. A sua forma em oito, recorda o corpo humano, não fossem os lados designados por “ilhargas”, a escala de “braço” e a abertura no tampo, de “boca”.

Rafael Carvalho, professor de “viola da terra” no Conservatório de Ponta Delgada, orgulha-se de ensinar no único estabelecimento de educação musical do país, onde, desde 1982, se aprende a tocar numa viola de arame.

Antes, quase todos aprendiam de ouvido, mas chegou-se a temer que se perdesse esta tradição, por falta de quem tocasse e, sobretudo, por falta de quem quisesse aprender. Em São Miguel, valeu a mestria de uns poucos, como o Sr. Carlos Quental da Maia, e a paixão de alguns jovens por esta sonoridade, para recuperar o gosto e o interesse pela Viola da Terra.

Se antes não havia festa sem viola da terra, hoje os grupos folclóricos precisam de músicos, para poderem dançar as modas tradicionais, à semelhança dos nossos antepassados, que armavam um balho no fim da desfolhada, numa dominga do Espírito Santo ou pelo dia do padroeiro.

O som da viola da terra liga as letras às danças, as pessoas à comunidade. Mas, hoje a sua sonoridade pode ser explorada em outro tipo de peças musicais, como acontece no Conservatório.
Hoje, fruto do empenho e da paixão de alguns músicos, a Região possui uma Associação que promove a viola da Terra, tem tocadores em quase todas as ilhas e existem jovens construtores de instrumentos de excelência.

A viola da terra não é uma viola qualquer. Ouvir o som deste instrumento é sentir o amor à terra. Tanto “canta” alegremente uma Chamarrita do Pico ou um Balho Furado de São Miguel, como “chora” a Saudade ou os Olhos Negros da Terceira.

Esta viola é da terra, porque é do nosso povo, das nossas gentes. Por isso, está presente no Brasil ou em Cabo Verde porque, para onde fosse um açoriano, lá ia a viola da terra, como tão bem pintou Domingos Rebelo no quadro “os emigrantes”.

Viola da terra, Açores

Viola da terra, AçoresHá que homenagear quem nunca desistiu de tocar e de ensinar a arte da viola da terra. Mas esta não pode ser a paixão de um músico, mas o dever de uma região em defender e promover o património cultural que a define e identifica. Não podemos deixar que as nossas tradições corram o risco de desaparecer, por falta de quem as transmita.

A viola da terra, presente em todas as ilhas, é um traço do ser açoriano, uma sonoridade que nos irmana na mesma Cultura, destruindo barreiras e bairrismos.
A música é uma linguagem universal, que une na diversidade e aproxima na distância.

Piedade Lalanda, artigo publicado na sua página do Facebook e no Açoriano Oriental.

Folia das festas populares do Divino Espírito Santo, Ilha de São Miguel, Açores. postal ilustrado circulado entre 1911 e 1914.

Folia das festas populares do Divino Espírito Santo, Ilha de São Miguel, Açores, postal ilustrado circulado entre 1911 e 1914.

[ Instrumentos Musicais de Portugal ]
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INSTRUMENTÁRIO PORTUGUÊS

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Acordeão:

acordeão é um aerofone de palheta livre dotado de fole e teclas. O acordeão “cromático” pode ter no lado direito botões ou teclas; a mão esquerda pressiona os botões chamados “baixos”. Pela ação dos braços e das mãos do acordeonista, o ar proveniente do fole faz vibrar as palhetas.

Adufe:

Adufe é um instrumento de percussão de membrana dupla, em formato quadrangular, resultado da influência árabe (duff).

É tradicional de Monsanto e da Beira Baixa, onde é tocado exclusivamente por mulheres. Na região de Trás-os-Montes, o adufe tem a designação de pandeiro. É utilizado também no Brasil, certamente por influência de portugueses.

Adufes Rui Silva

Adufes Rui Silva

Almofariz:

Almofariz, ou pilão, é um instrumento de cozinha utilizada também como instrumento de percussão em grupos etnográficos e em educação musical.

Apito:

Na Madeira, o apito podia assumir duas formas, sendo sempre feito em canavieira: a de um apito propriamente dito; ou a forma de uma flauta de bisel, com três ou quatro furos na extremidade inferior. Era essencialmente a acompanhar as Missas do Parto ou Reis que este grupo se juntava, podendo ainda tocar espontaneamente, quando se encontravam nos tempos livres. No sítio do Jamboto, freguesia de Santo António, existiu outro grupo, que se denominava Música dos Canudos, composto por rapazes entre os 12 e 18 anos. À semelhança da Banda dos Canudos, da mesma freguesia, este grupo fazia réplicas de instrumentos musicais, a que juntavam um apito. (Aprender a Madeira)

Assobio:

Assobio Maria Sineta (1915-1996)

Assobio Maria Sineta (1915-1996)

Este assobio Maria Sineta (1915-1996) é assobio de água em barro policromado à mão, em forma de pássaro, assinado M. Sineta com as dimensões 11,5x7x8 cm. Maria de Jesus Fernandes Coelho, mais conhecida por Maria Sineta, nasceu em 1915 em Galegos, S. Martinho, freguesia da cidade de Barcelos. A alcunha “Sineta” foi-lhe atribuída por causa de seu pai, que tocava o sino da igreja da freguesia, com quem aprendeu a criar figuras em barro ainda em criança, como era comum na zona.

Assobio de água:

Assobio de água, passarinho, ou rouxinol, é um brinquedo musical de cerâmica em forma de pássaro com um bocal de insuflação que produz um som característico pelo borbulhar da água colocada no recipiente.

Assobio de água, passarinho, ou rouxinol, créditos Feira de Barcelos

Assobio de água, passarinho, ou rouxinol, créditos Feira de Barcelos

Vende-se com frequência em feiras de artesanato e feiras ditas medievais.

Bandolim:

cordofone com quatro ordens de cordas duplas, sistema de cravelhas com chapa em leque e parafuso sem fim. A boca é redonda, decorada com embutidos. A cabeça termina em voluta. O bandolim é utilizado pelas tunas e acompanha outros grupos musicais.

Banduria:

Banduria é um dos nomes por que pode ser designada a Viola Beiroa ou Viola de Castelo Branco, sendo provavelmente originária da região da Beira Baixa.

Banduria, bandurra, viola beiroa ou viola de Castelo Branco

Banduria, bandurra, viola beiroa ou viola de Castelo Branco

Bandurra:

também chamada viola beiroa, uma das violas portuguesas, é um cordofone dedilhado. Utilizava-se esta viola popular portuguesa (que era muito frequente no distrito de Castelo Branco), nas tabernas, e em momentos festivos como os casamentos, nas serenatas aos noivos, nas vésperas e na noite da boda.

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Meloteca, recursos musicais criativos para crianças, professores e educadores

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Bexigoncelo:

Cordofone tradicional madeirense provavelmente criado por Manuel Teixeira de Mendonça, natural de São Jorge. Como gostava de percorrer as diversas festas das freguesias da zona norte da Madeira, cantando e tocando, para se acompanhar criou este instrumento, composto inicialmente por uma tábua de pinheiro a que estava fixada uma bexiga. Uma tripa de porco fazia as vezes de corda única, presa às duas extremidades da tábua e passando sobre a bexiga, que fazia as vezes de caixa-de-ressonância. A corda era tocada com um arco de cana, com um fio feito de folhas de babosa seca. As diferentes notas são definidas segurando a corda entre dois dedos da mão esquerda. A escolha do ponto em que a corda é pressionada define a nota tocada. A popularidade local do instrumento fez com que o grupo folclórico de Santana o adotasse, embora com umas pequenas adaptações. Posteriormente a corda usada passou a ser uma corda de violoncelo, sendo tocada com um arco de violino. (Aprender a Madeira)

Bilha:

Bilhabilha com abano, ou cântaro, é um instrumento tradicional que consiste numa bilha de barro ou um cântaro de latão percutido na sua abertura (boca) por um abano de palha ou uma alpercata. O executante segura a bilha debaixo do braço e bate na boca do utensílio produzindo um som grave que marca o compasso. Muito utilizado por grupos folclóricos em Portugal, este tipo de aerofone – é o ar que vibra – existe em vários países e continentes.

Bombo:

bimembranofone de percussão tocado geralmente na posição vertical. É um dos instrumentos utilizados no programa das festas populares de Portugal.

Bombo, Toca a Rufar, Câmara Municipal de Odivelas

Bombo, Toca a Rufar, Câmara Municipal de Odivelas

Braguinha:

espécie de cavaquinho da Madeira, onde também é chamado “machête”, o braguinha é um cordofone dedilhado com 4 cordas de tripa, sendo utilizado pelos camponeses madeirenses para acompanhar o canto e a dança. Foi levado pelo madeirense João Fernandes para o Havai e encantou os seus habitantes que deram ao instrumento o nome de “ukulelé”, literalmente “pulga saltadora”.

Brinquinho:

idiofone típico do folclore madeirense constituído por bonecos vestidos com trajes regionais, com caricas e castanholas que se movimentam pelo eixo vertical de uma cana de 60/70 cm. O registo iconográfico mais antigo data do início do século XX.

Brinquinho, Madeira

Brinquinho, Madeira

Búzio:

Em várias regiões do continente português, o búzio tinha um importante papel de meio de comunicação, quer como aviso para problemas como o fogo, quer para facilitar a localização em condições de nevoeiro. Também os levadeiros fizeram uso deste meio de comunicação à distância. Não é muito fácil encontrar o búzio associado à tradição musical madeirense, até porque esta não é uma concha dos mares desta zona do Atlântico. A sua sonoridade permite que seja escutado a grande distância, pelo que está associado a festas ou trabalhos que implicam deslocações. É o caso das cantigas de borracheiros, entoadas pelas veredas da serra entre a costa norte da Madeira e o Funchal, ou do toque das castanholas no percurso para as Missas do Parto. Em ambos os casos, para além da componente musical inerente, tem associado o fator de aviso à distância da aproximação dos grupos em que está integrado. (Aprender a Madeira)

Búzio, Parque Biológico de Gaia

Búzio, Parque Biológico de Gaia

Caixa:

Caixa é um termo que designa uma instrumento musical tradicional, militar (ou outra) do tipo bimembranofone de percussão direta com baqueta constituído por caixa de madeira cilíndrica fechada por pele de animal esticada.

Campana:

Campana é outro termo para designar o chocalho de Alcáçovas, instrumento de percussão munido de um só batente interno, com altura que varia entre 2 e 50 cm. Semelhante a uma sineta, o chocalho é suspenso no pescoço do gado, com a ajuda de uma correia em couro cravejada e trabalhada, com o intuito de localizar e dirigir o gado.

Cana:

Canacana rachada, caninha, ou castanhola de cana rachada, é um instrumento tradicional português do tipo idiofone, tocado na região da Lezíria Ribatejana e outras regiões para acompanhar ritmos e danças.

Trupe Cana Rachada

Trupe Cana Rachada, créditos Terra Velhinha

Caninha:

Caninhacana rachada, ou castanhola de cana rachada, é um instrumento tradicional português, um idiofone tocado na região da Lezíria Ribatejana e outras regiões para acompanhar ritmos e danças.

Cântaro:

Cântaro ou bilha com abano, é um instrumento tradicional que consiste numa bilha de barro ou um cântaro de latão percutido na sua abertura (boca) por um abano de palha ou uma alpercata. O executante segura a bilha debaixo do braço e bate na boca do utensílio produzindo um som grave que marca o compasso. Muito utilizado por grupos folclóricos em Portugal, este tipo de aerofone – é o ar que vibra – existe em vários países e continentes.

Carracas:

Carracasferranholas ou rascas são idiofones tradicionais de fricção utilizadas em Trás-os-Montes, onde acompanham o pandeiro.

Castanholas:

idiofone de madeira constituído por duas partes côncavas que batem uma na outra. É usado no Algarve, no canto das janeiras, pelas “charolas”. Os pauliteiros de Miranda do Douro e Mogadouro (Trás-os-Montes e Alto Douro) utilizam castanholas de forma oblonga nas suas danças e em alternância com os paulitos. Todavia, as castanholas são muito usadas em outras regiões de Portugal, designadamente o Alentejo, Estremadura, Douro Litoral, tocadas sobretudo por homens a acompanhar cantares alegres e festivos.

Castanholas da Tabua:

Castanholas da Tabua designa um idiofone de madeira tradicional da Ilha da Madeira, especialmente de Ribeira Brava (freguesia da Tabua). “As castanholas da Tabua eram tocadas na época natalícia a caminho das missas do parto e do galo, e por altura das festas e romarias nos meses de verão, é na Tabua, freguesia pertencente ao concelho da Ribeira Brava, e em algumas zonas próximas, que estes instrumentos musicais possuem maior tradição.

Castanholas de cabeça de cão:

Castanholas de cabeça de cão designa um idiofone de madeira tradicional da Ilha da Madeira (concelhos de Ribeira Brava e Ponta do Sol) com forma de cabeça de cão. As castanholas podiam ter outras formas (como cabeça de galinha).

Cavaquinho:

cordofone popular de pequenas dimensões, utilizado no acompanhamento do repertório tradicional português, designadamente no Minho e Douro Litoral, mas também no Algarve, onde é muito utilizado pelas charolas, no canto das janeiras.

Cega-rega:

idiofone popular de madeira que imita o som da cigarra, é constituído por uma roda de transmissão accionada por uma manivela com um cabo.

Chicote:

instrumento tradicional de percussão, conntituído por duas pequenas tábuas de madeira que batem uma contra a outra, lembrando a sua sonoridade o estalar de um chicote.

Chim-chim:

Chim-chim é um instrumento musical do tipo idiofone constituído por pequenos pratos metálicos em tamanhos variados, utilizados na Beira Baixa e outras regiões de Portugal.

Chincalho:

idiofone que se apresenta em formatos bastante variados, constituído basicamente por chapas metálicas que batem entre si quando o executante movimenta o instrumento.

Chocalho:

Chocalho é uma espécie de campainha colocada pelos pastores ao pescoço das ovelhas, cabras ou vacas. A arte chocalheira é arte tradicional da construção de chocalhos reconhecida em 2015 como Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente, título atribuído pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

Chocalho de Alcáçovas:

chocalho de Alcáçovas é um instrumento de percussão munido de um só batente interno, com altura que varia entre 2 e 50 cm. Também definido como sino, ou campana, o chocalho é habitualmente suspenso no pescoço do gado, com a ajuda de uma correia em couro cravejada e trabalhada, com o intuito de localizar e dirigir o gado.

Chocalho de Alcáçovas, créditos O Digital

Chocalho de Alcáçovas, créditos O Digital

Chocalhofone:

Chocalhofone designa um instrumento percussão de altura definida construído com chocalhos Pardalinho, de Alcáçovas, Viana do Alentejo, a propósito da candidatura a património imaterial da UNESCO. Contou com a supervisão do maestro e compositor Christopher Bochmann que para ele compôs uma obra, estreada em 2015 na Igreja Matriz de Alcáçovas.

Cistre:

Cordofone

Clavas:

também chamadas “pausinhos”, são idiofone de madeira, existentes em Portugal, Brasil e muitos países, com nomes, materiais e timbres diferentes. Os índios do Brasil decoravam as clavas com gravação a fogo.

Concertina:

aerofone dotado de fole e palheta livre muito popular em Portugal. Instrumento da família do acordeão, nasceu no século XX.

Conchas:

Conchas são formas em pares que envolvem bivalves e são utilizadas como idiofones de fricção em algumas regiões, em especial no Litoral Norte, designadamente em rusgas. Tocam-se raspando uma na outra.

Esquila:

Esquila é o nome dado em Trás-os-Montes e no Alentejo a um chocalho de pequenas dimensões.

Ferranholas:

Ferranholascarracas ou rascas são idiofones tradicionais de fricção utilizadas em Trás-os-Montes, onde acompanham o pandeiro.

Ferrinhos:

idiofone metálico percutido, possui um som penetrante, sendo utilizado na música tradicional portuguesa. Consiste num ferro em forma triangular, aberto, no qual se bate com um pequeno ferro. É suspenso de uma corda, e enquanto uma mão sustenta o triângulo, a outra faz a percussão.

Flauta de amolador:

Flauta de amolador– também chamado em Portugal apito de amolador ou gaita de amolador – é um instrumento de sopro da família das flautas de Pã utilizado tradicionalmente pelos amoladores (amola-tesouras) e afiadores de facas que, tocando, se faziam anunciar aos clientes. Além de amolar facas e tesouras e de arranjar panelas e tachos, o amolador consertava guarda-chuvas.

Flauta de tamborileiro:

pequeno aerofone do tipo flauta de bisel que forma conjunto com o tamboril e é tocado pelo mesmo tocador.

Flauta pastoril:

Flauta pastoril é um instrumento de sopro de formato tubular feito de cana, com três orifícios e tocada por uma só mão sendo que a outra mão toca um pequeno membranofone chamado tamboril.

Flauta travessa:

flauta travessa é geralmente feita de cana na faixa ocidental do País no Minho, Estremadura e Algarve, e de sabugueiro no interior, nomeadamente na Beira Baixa. Tem seis furos além do insuflador. Em certas regiões serranas aparece com frequência, em mãos de pastores. As flautas travessas são na sua maioria lisas: mas encontram-se também, não raro, exemplares decorados, por vezes profusamente. Flauta travessa é feita de cana brava com um furo de embocadura e seis perfurações digitais (feitas com fogo). A parte fechada coincide com um nó da cana.

Fraita:

Fraita (o mesmo que frauta ou flauta) é um instrumento de sopro.

Frauta:

Frauta (o mesmo que fraita ou flauta) é um instrumento de sopro.

Gaita de beiços:

gaita de beiçosharmónicaharmónica de boca (também conhecida popularmente como realejo é um instrumento musical de sopro cujos sons são produzidos por um conjunto de palhetas livres em vibração. Possui na embocadura um conjunto de furos por onde o instrumentista sopra ou suga o ar. Devido ao seu pequeno tamanho, a gaita não tem caixa de ressonância. O tocador usa as mãos em concha para amplificar o som e produzir efeitos, como variações de afinação e intensidade ou vibrato.

Gaita de fole:

aerofone composto de dois tubos, um insuflador e um fole. Com o braço, o ar é empurrado através de um tubo para as gaitas, produzindo o som.

Genebres:

idiofone constituído por uma série de paus redondos maciços, de tamanhos crescentes, enfiados numa tira de couro, formando colar. É utilizado na Lousã, na “Dança dos Homens”, festa realizada em honra da Senhora dos Altos Céus, em Maio. A “genebres” é utilizada apenas nesta cerimónia. Normalmente, está entregue à Comissão de Festas e passa anualmente dos festeiros velhos para os festeiros novos.

Genebres, Portugal

Genebres, Portugal

Grilinho:

idiofone madeirense utilizado por grupos folclóricos ou outros grupos musicais. É constituído por um bocado de tronco de canavieira onde foi feita uma abertura e se fixou, de forma flexível, uma palheta do mesmo material. Carregando e largando em seguida uma extremidade, a oposta choca com o corpo do grilinho e produz o som.

Guitarra portuguesa:

cordofone com seis ordens de cordas duplas de metal, sistema de cravelhas em leque e parafuso sem fim. A boca é redonda e é ornamentada com embutidos. A guitarra portuguesa acompanha o fado mas já tem repertório próprio, tendo sido promovida pelo talento excepcional de Carlos Paredes.

Guitarro:

Guitarro é uma uma espécie de guitarra construída por Paulo Meirinhos (do grupo Galandum Galundaina) a partir de latas antigas de óleo de carros. Teve como base as construções do Tiu Lérias de Paradela, na década de 1950. Este mirandês, Francisco dos Reis Domingues, fazia guitarros a partir de latas de café, muitas vezes com paus a servir de braço.

Guitarro, Paulo Meirinhos, créditos Sapo

Guitarro, Paulo Meirinhos, créditos Sapo

Harmónica:

harmónicagaita de beiçosharmónica de boca (também conhecida popularmente como realejo é um instrumento musical de sopro cujos sons são produzidos por um conjunto de palhetas livres em vibração. Possui na embocadura um conjunto de furos por onde o instrumentista sopra ou suga o ar.

Maracas:

Maraca é um idiofone de agitamento, constituído por um recipiente de formato variável que pode ser de cartão, plástico ou cabaça, contendo sementes secas, grãos, arroz, areia ou outro material.

Matrácula:

A matrácula, ou matraca, é um instrumento do tipo idiofone usado em Braga pelos farricocos na Semana Santa (anterior à Páscoa), após o silenciamento dos sinos. Encapuzados, os farricocos percorrem descalços o centro histórico, fazendo soar as matráculas, lembrando aos fiéis o sofrimento de Cristo, a confissão e penitência.

Matraca:

idiofone constituído por uma pequena tábua retangular com uma pega no topo onde estão pregadas três pegadeiras de ferro. São usadas no Minho na Semana Santa (anterior à Páscoa), nas “algazarras” do Carnaval, nas “serrações da velha” e nas “troças”.

Farricocos com matracas na Semana Santa em Braga

Farricocos com matracas na Semana Santa em Braga

Num-num:

instrumento madeirense tradicionalmente feito com um pedaço de tronco de canavieira de uns 10 cm de comprimento. Perto de uma das extremidades, retirava-se parte da casca, deixando apenas uma fina película interior com uns 2 cm de comprimento, que iria produzir o som. Este resultava da própria voz do executante, que encostava a boca a esta película, fazendo-a vibrar. José Camacho introduziu uma inovação que o tornou mais durável: em vez de deixar a película interna do tronco, faz um orifício neste e tapa a extremidade mais próxima da cana com um pouco de plástico fino. O funcionamento do instrumento mantém-se, mas a sua longevidade é muito maior. (Rui Camacho)

Ocarina:

aerofone. A palavra, italiana, significa literalmente “pequeno ganso” . Trata-se de um instrumento de cerâmica da família das flautas globulares, geralmente ovais, com orifícios e embocadura.

Órgão de tubos:

O órgão de tubos, ou simplesmente órgão, é instrumento musical do tipo aerofone, de tecla, cujo som é produzido pela passagem de ar por um ou vários tubos em simultâneo. (AJF)

Palheta:

aerofone tipo charamela, de madeira de buxo com furos melódicos e palheta dupla de cana. Corresponde à “dulçaínha” meideval. É um instrumento pastoril hoje em desuso que se encontrava na Beira Baixa (Monsanto, Idanha-a-Nova).

Pandeireta:

instrumento de percussão formado por armação cilíndrica com fendas atravessadas por eixos e discos metálicos na ilharga.

Pandeiro:

instrumento de percussão híbrido formado por uma pele sobre armação cilíndrica com fendas atravessadas por eixos e discos metálicos na ilharga. No Algarve é muito usado pelos grupos de janeireiros.

Passarinho:

Passarinho, também chamado rouxinol, é um brinquedo musical de cerâmica em forma de pássaro com um bocal de insuflação que produz um som característico pelo borbulhar da água colocada no recipiente. Vende-se com frequência em feiras de artesanato e feiras ditas medievais.

Paulitos:

idiofone percussivo constituído por dois paus em forma cilíndrica com cerca de 30-40 cm de comprimento e 3 cm de espessura, de madeira de carvalho ou freixo. A decoração consiste em gravações a ferro quente. Os paulitos são usados nas danças dos pauliteiros de Miranda do Douro e Mogadouro (Trás-os-Montes e Alto Douro).

Pauliteiros, créditos CMMD

Pauliteiros, créditos CMMD

Pedras:

Pedras são um instrumento natural de percussão direta constituído por duas pedras que entrechocam nas mãos do executante. O uso destas pedras (devidamente selecionadas pelo som e a forma) acontece em vários países, incluindo Portugal e Espanha.

Pífano:

sinónimo de pífaro

Pífaro:

aerofone semelhante à flauta, mas mais pequeno e de som estridente.

Pife:

Trata-se de um pedaço de canavieira de 20 a 25 cm de comprimento e cerca de 1,5 cm de diâmetro. Corta-se junto a um nó, de modo a ficar a extremidade tapada. A cerca de 1 cm desta, perfura-se a embocadura, com um ferro em brasa. O mesmo ferro serve para fazer os dois ou três furos próximo da outra extremidade, de onde sairão as diferentes notas entoadas. É o único aerofone de bisel tradicional na Madeira, usado em exclusivo na Primeira Lombada da Ponta Delgada, associado aos festejos do Natal. Durante o percurso para as Missas do Parto, grupos de rapazes iam executando uma melodia simples, destinada a chamar os moradores para se juntarem ao grupo na deslocação até à igreja. O seu uso tem perdurado ao longo dos anos em diversos eventos do ciclo do Natal daquele lugar. (Aprender a Madeira)

Pifre:

o mesmo que pífaro.

Pilão:

Pilão, ou almofariz, é um objeto de cozinha utilizada também como instrumento de percussão direta, de madeira.

Pinhas:

Idiofone de raspagem utilizado na Madeira e outras regiões de pinhal. Por vezes a produção dos ritmos e dos sons é feita com recurso a materiais disponíveis no meio ambiente que, pelas suas características, não necessitam de qualquer trabalho de adaptação ou construção. É o caso das pinhas. Esta tradição de aproveitar os recursos disponíveis nasceu de uma opção muito frequente em situações como a deslocação para arraiais que, sendo a pé, não convidava ao transporte de muito peso. Desse modo, aproveitar duas pinhas para, raspando-as, produzir o ritmo de acompanhamento dos cantos era uma solução fácil e cómoda. (Aprender a Madeira)

Pinhocras:

Pinhocras (pinhocas ou pinhas) é idiofone de friccão utilizado em algumas regiões de Portugal composto por duas pinhas abertas. O executante segura cada uma em sua mão e raspa uma na outra ao ritmo da música tradicional, em geral música bailada.

Rabeca:

cordofone friccionado de arco semelhante ao violino e muito usado ainda em Cabo Verde.

Rabeca chuleira:

Rabeca chuleira é um cordofone de arco tradicional português, uma espécie de violino de braço mais curto que afina uma oitava acima.

Rabel:

Rabel é um instrumento de corda friccionada que remonta à Idade Média, frequente no Norte da Península Ibérica.

Rajão:

cordofone popular típico da Madeira que parece uma viola pequena. Tem cinco cordas e um comprimento total de 66 cm.

Rascas:

Rascascarracas ou ferranholas são idiofones tradicionais de fricção utilizadas em Trás-os-Montes, onde acompanham o pandeiro.

Reclamo:

Reclamo é um instrumento de madeira constituído por dois paus, sendo um deles, com furos, friccionado pelo outro.

Reco-reco:

também chamado reque, ou reque-reque, é um idiofone de raspagem constituído por uma cana de bambú ou um pau de madeira em forma de cilindro. Uma vara de madeira mais fina raspa a parte que tem saliências, produzindo-se um timbre característico.

Rela:

Rela, o mesmo que cega-rega, é um idiofone de madeira de percussão indireta tradicional de Portugal, constituído por um pequeno corpo ortoédrico com roda dentada.

Ronca:

ronca é o instrumento musical que acompanha os cantos de Natal em Elvas. Membranofone de fricção constituído por uma estrutura cilíndrica com uma pele esticada numa das aberturas. É friccionado por uma cana fixada no centro da membrana. O executante, com a mão molhada, fricciona a cana fazendo vibrar a pele e produzir um ronco. Apresenta-se em outras regiões com designações (ronca, zamburra, zambomba).

Roncas de Elvas, créditos Elvas News

Roncas de Elvas, créditos Elvas News

Rouxinol:

Rouxinol, também chamado passarinho, é um brinquedo musical de cerâmica em forma de pássaro com um bocal de insuflação que produz um som característico pelo borbulhar da água colocada no recipiente. Vende-se com frequência em feiras de artesanato e feiras ditas medievais.

Sarronca:

membranofone tradicional e rudimentar, é constituído por um cântaro de barro que funciona como caixa de ressonância, uma pele que tapa a boca do vaso e um pau fino que trespassa a pele e, ao friccioná-la produz um som grave.

Subina:

aerofone, de palheta livre de cana encaixada no tubo melódico. Tem furos melódicos de tipo quadrangular que produz sons de timbre semelhante ao da charamela. Era um instrumento rudimentar de passatempo individual entre pastores na Estremadura.

Tabuinhas

Tabuinhas é o nome dado em Barcelos às tréculas, termo português que designa um pequeno idiofone tradicional constituído por cerca de 10 a 20 pequenas placas retangulares de madeira com o espaço adequado entre elas.  É muito utilizado por grupos folclóricos  portugueses. Ligadas por cordéis, as tabuinhas batem umas nas outras com os movimentos das mãos do executante que seguram as extremidades. Pode designar também duas pequenas peças de madeira (Penafiel).

Tabuinhas, Penafiel, créditos Terra Mater

Tabuinhas, Penafiel, créditos Terra Mater

Tambor:

subcategoria de membranofones que pode ter uma ou duas membranas com formatos muito diversificados, cilíndrico, longo, cónico. Podem ter forma de ampulheta, de taça ou de barril.

Tamboril:

membranofone com fuste metálico que aparece em Trás-os-Montes e Alentejo, feito artesanalmente pelos próprios tocadores. O tamboril é tocado juntamente com a flauta, sendo um dos conjuntos instrumentais mais arcaicos.

Timbalão:

bimembranofone de percussão que aparece em grande parte dos conjuntos das várias regiões de Portugal, nas rusgas, chulas, sendo tocado por zés-pereiras e gaiteiros.

Trancanholas:

Trancanholas é um idiofone de tradicional de Amarante e Baixo Douro, Portugal. Consiste em duas lâminas simétricas de madeira com 40 a 50 mm de largura e 115 mm de comprimento. São utilizadas de uma forma semelhantes às castanholas habituais e são tocadas normalmente pelos homens que dançam, em algumas festas do Norte de Portugal.

Tréculas:

Idiofone composto por dez ou mais tábuas rectangulares de madeira, enfiadas e ligadas por um cordel, com duas pegas nas extremidades. Quando se manipula o instrumento com ambas as mãos, as pequenas tábuas batem umas nas outras produzindo o seu som característico. As tréculas são usadas no Minho nas festividades devocionais da Semana Santa (semana anterior ao dia de Páscoa).

Tric-lic-trac:

Idiofone composto de uma tábua de madeira em forma rectangular com três fiadas de pequenos martelos de madeira. O som é produzido por sacudidelas regulares e fortes do instrumento que levam os martelos a baterem todos ao mesmo tempo. Este idiofone tradicional é usado no Minho, por grupos de rapazes, em brincadeiras carnavalescas e na própria Semana Santa.

Viola amarantina:

cordofone dedilhado muito utilizado para acompanhar o repertório minhoto, ao qual fornece um suporte harmónico. O bom executante pode acrescentar aos acordes pequenos motivos melódicos.

Viola beiroa:

cordofone ornamentado e muito arredondado, um dos tipos de viola portuguesa, característico da Beira Baixa. Além das cinco ordens de cordas, possui duas mais agudas, presas a um cravelhal suplementar junto da caixa de ressonância.

Viola braguesa:

um dos tipos de viola portuguesa, é um cordofone dedilhado artesanal muito popular no Noroeste Português. Tem cinco ordens de cordas duplas, cravelhas dorsais de madeira e boca em forma de raia. É utilizada em situações festivas acompanhando rusgas, chulas e cantares ao desafio, com por outros instrumentos como o cavaquinho, acordeão e rabeca.

Viola braguesa

Viola braguesa

Viola campaniça:

cordofone, tipo de viola popular, com cinco ordens de cordas duplas de arame. Outrora, acompanhava muito os “balhos”, “despiques” e o cante alentejano, isto é, os corais polifónicos do Baixo Alentejo.

Pedro Mestre, viola campaniça

Pedro Mestre, viola campaniça

Viola da terra:

cordofone, tipo de viola popular da Ilha de São Miguel, Açores. Tem cinco ordens de cordas, duplas as três primeiras, e triplas as restantes. A boca tem a forma de dois corações.

Viola de São Miguel, Açores

Viola de São Miguel, Açores

Viola de arame da Madeira:

cordofone da família das violas portuguesas usado no acompanhamento da “Charamba”. Tem cinco ordens de cordas sendo quatro delas duplas e uma simples.

Viola toeira:

cordofone, tipo de viola portuguesa, com três ordens de cordas, sendo duplas as três primeiras. Tem cravelhas dorsais de madeira. A boca é oval e o tampo está por vezes ornamentado com motivos florais embutidos. Na Beira Litoral, concretamente em Coimbra, acompanhava cantares festivos, juntamente com o cavaquinho e a flauta.

Zaclitrac

Zaclitrac é um instrumento musical de percussão, que consiste numa matraca de martelos, em madeira. Encontra-se a norte de Viana do Castelo, usado nas cerimónias da Semana Santa e Carnaval.

Zuca-truca:

idiofone constituído por uma cana de bambu, com um boneco no topo e dois bonecos paralelos à cana vestidos com trajes regionais. Um arame no interior da cana provoca, com o movimento da mão do executante, o bater de castanholas pendentes das costas do boneco masculino. É utilizado no Minho, na região de Guimarães. O “brinquinho” da Madeira, introduzido há cerca de um século, é semelhante ao zuca-truca.

Zamburra:

O mesmo que sarronca, membranofone tradicional e rudimentar, a zamburra é constituída por um cântaro de barro ou de folha da Flandres que funciona como caixa de ressonância, uma pele que tapa a boca do vaso e um pau fino que trespassa a pele e, ao friccioná-la produz um som grave.

Zamburra, Rosmaninhal, Museu Nacional de Etnologia, créditos Casa das Bestas

Zamburra, Rosmaninhal, Museu Nacional de Etnologia, créditos Casa das Bestas

BIBLIOGRAFIA

Michel Giacometti. Cascais: Casa Verdades de Faria/Museu da Música Portuguesa 1997. |Guia da exposição|

Cordofones portugueses, de José Lúcio. Porto: Areal Editores 2000, 1ª ed. ISBN 972-627-544-X

MADEIRA

CAMACHO, José, “Idiofones populares madeirenses”, Xarabanda Revista, n.º 2, nov. 1992, pp. 36-40 e 42;

CAMACHO, Rui, “Os violeiros da Madeira”, Xarabanda Revista, n.º 3, 1.º semestre 1993, pp. 5-21;

CAMACHO, Rui e TORRES, Jorge, “Como se faz um brinquinho”, Xarabanda Revista, n.º 5, 1.º semestre 1994, pp. 3-7;

DIAS, Jorge, Estudos de Antropologia, vol. II, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1993;

DIX, John Adams Dix, A Winter in Madeira: and a Summer in Spain and Florence, New York, D. Appleton & Co., 1850;

FRANÇA, Isabella de, Journal of a Visit to Madeira and Portugal, (1853-1854), Funchal, Ramos, Afonso & Moita, 1970;

FRUTUOSO, Gaspar, As saudades da terra pelo doutor Gaspar Fructuoso. Historia das ilhas do Porto-Sancto, Madeira, Desertas e Selvagens. Manuscripto do seculo XVI annotado por Alvaro Rodrigues de Azevedo, Funchal, Typ. Funchalense, 1873;

MORAIS, Manuel, “Notas sobre os instrumentos populares madeirenses. Machete, rajãoviola de arameviola francesa”,Xarabanda Revista, n.º 12, 2.º semestre 1997, pp. 11-13;

MORAIS, Manuel (coord.), A Madeira e a música. Estudo [c. 1508-c. 1974], Funchal, Empresa Municipal Funchal 500 anos, 2008;

Id., “O machete madeirense”, in ESTEIREIRO, Paulo (coord.), 5 olhares sobre o Património Musical Madeirense, Funchal, Associação de Amigos do GCEA, 2011, pp. 21-37;

OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, Instrumentos Musicais Populares Portugueses, 4.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian / Museu Nacional de Etnologia, 2000;

1ª mostra de instrumentos musicais populares: recolha, restauro, construção, Funchal, DRAC e CMF, 1981/82;

Relações das sumptuosas festas com que a Companhia de Jesus da Provincia de Portugal celebrou a Canonização de S. Ignacio de Loyola, e S. Francisco Xavier nas Casas, e Collegios de Lisboa, Coimbra, Evora, Braga, Bragança, Villaviçosa, Porto, Portalegre, e nas Ilhas da Madeira, e Terceira. Lisboa, Livraria de Alcobaça, 1622: http://purl.pt/17283 (acedido a 12/10/2014);

RODRIGUES, António, “O brinquinho ou bailinho”, Fogo, nov. / dez. 1974, pp. 38-39;

Id., “Bonecos, Brinquinho ou Bailinho”, in ESTEIREIRO, Paulo (coord.), 5 olhares sobre o Património Musical Madeirense, Funchal, Associação de Amigos do GCEA, 2011, pp. 69-78;

RODRIGUES, João Egídio A., “A origem do bexigocelo”, Diário de Notícias, Madeira, 14 jun. 1987, p. 10;

SANTOS, Carlos M., Tocares e cantares da ilha. Estudo do folclore da Madeira, Funchal, Tip. Da Emprensa Madeirense Editora,1937;

SARDINHA, Vítor e CAMACHO, Rui, Rostos e Traços das Bandas Filarmónicas Madeirenses, Funchal, Associação Musical e Cultural Xarabanda, 2001;

VASCONCELOS, Cândido Drumond, Coleção de Peças para Machete, Casal de Cambra, Caleidoscópio, 2003;

WAXEL, Platon de, “Alguns traços da história da música na Madeira”, Gazeta da Madeira n.os 99-101 (1869), reed. em Das Artes e da História da Madeira, vol. 5, n.º 27, 1957, pp. 34-37;

WHITE, Robert, Madeira, its climate and scenery. A hand-book for invalid and other visitors; a tour of the island, etc; and an appendix, London, Cradock, 1951;

WORTLEY, Emmeline Stuart, A Visit to Portugal and Madeira, London, Chapman and Hall, 1854.

Bibliografia madeirense por Jorge Torres e Rui Camacho

GLOSSÁRIO ESPECÍFICO

Baqueta:

s. f. vara de cabeça arredondada com que se percutem os tambores.

Boca:

s. f. cavidade com forma variável existente em instrumentos de corda.

Braço:

. m. parte alongada de certos instrumentos de corda.

Cravelha:

s. f. peça de madeira ou de metal com que se esticam ou distendem as cordas para afinar um instrumento.

Cravelhame:

s. m. conjunto das cravelhas ou parte onde as cravelhas se encontram.

Fuste:

s. m. corpo principal do bombo e do tambor.

Palheta:

s. f. lâmina de metal ou de bambú cujas vibrações produzem o som de certos instrumentos de sopro.

Tampo:

s. m. parte superior e inferior da caixa de ressonância de um instrumento de corda.

Trasto:

s. m. saliência existente em número variável em instrumentos de corda.

Tuna:

s. f. conjunto vocal e instrumental composto de instrumentos de corda e outros instrumentos tradicionais.

Voluta:

s. f. ornamento em forma de espiral com que termina o braço de certos instrumentos musicais.

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Charamela, Miranda do Douro, Museu Terras de Miranda

A charamela é instrumento musical que se encontra ligado à Terra de Miranda, uma vez que este era um dos instrumentos de maior relevo na banda de música, adida ao cabido aquando da sua existência, no tempo em que Miranda do Douro era Sede de Diocese.

Charamela, Miranda do Douro, Museu Terras de Miranda

Charamela, Miranda do Douro, Museu Terras de Miranda

Quando a Diocese se encontrava “na máxima força”, a banda de música adida ao poderoso cabido, tocava em todas as procissões realizadas na cidade de Miranda do Douro. Tinha a dita banda, músicos profissionais. A presença da charamela, do baixão, do baixinho e da sacabuxa, entre outros instrumentos da época, nessa banda, é relatada em textos atinentes à Sé de Miranda.

Com a ruína de Miranda, depois do ataque ao seu castelo e por conseguinte à cidade, levada a cabo por Espanha, o bispo e todos os funcionários clericais acabam por abandonar Miranda e estabelecem-se em Bragança. Com o desaparecimento do cabido, a dita banda de música é extinta.

O historiador António Rodrigues Mourinho identificou os documentos que mencionam os instrumentos utilizados pela banda, com especial destaque para os já mencionados. Não restando nenhum instrumento físico, o historiador, lança o desafio ao construtor de instrumentos, Célio Pires, para este conseguir criar uma charamela. Não existindo nenhum instrumento físico, a tarefa revelava-se particularmente difícil.

Ainda assim, o construtor aceita o desafio e após muita investigação, leitura de textos e alguma iconografia, consegue criar a primeira charamela. Considerando o instrumento importante, Célio Pires constrói uma segunda charamela e incorpora-a ao grupo de música original mirandesa Trasga, do qual é fundador, pela sua sonoridade e “casamento” perfeito com outros instrumentos usados naquele grupo, como a flauta de tamborileiro (fraita), a sanfona, a gaita de fole mirandesa, o rabel, entre outros.

Fonte: DRCN

[ Instrumentos Musicais de Portugal ]
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Western inhabitants of Madeira

MÚSICA E PINTURA

Western inhabitants of Madeira, in: “Picturesques review of costumes of portugueses“. P-Ln, D.A. f.19, álbum contendo 21 guaches de 21×32 cm.

Figura feminina

Western inhabitants of Madeira

Western inhabitants of Madeira

A marca-de-água, disseminada por várias folhas, é datável de 1829. No guache, são representadas duas figuras madeirense do séc. XIX; a feminina é típica, apresentando-se descalça mas com as chinelas na mão; o homem empunha um cordofone de mão.

Homem com cordofone de mão

Western inhabitants of Madeira

Western inhabitants of Madeira

As características morfológicas do instrumento que podemos, sem errar designar dor uma uma viola de mão/viola franceza, são: a sua caixa em forma de oito, braço longo que termina num cravelhal rectangular em forma de pá, onde se vêem os orifícios de seis cravelhas dorsais (três de cada lado do cravelhal), mas sendo só visíveis as três do lado direito. Foram-lhe riscadas só cinco cordas, não coincidindo portanto com o número de cravelhas. A boca do instrumento, que é de grande dimensão, foi desenhada um pouco abaixo do seu lugar habitual (talvez devido à perspectiva do desenho). O cavalete, de forma rectangular, é rematado por aplique, cujo desenho é bastante parecido com o usados em algumas Viola, ditas francesas, desta época fabricadas em Paris e Londres entre 1813-1847 (Lacote e Parnormo, Francois Roudhloff, Mirecourt , ca. 1815, entre outros).

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Bilha, aerofone tradicional de Portugal

Bilha, bilha com abano, ou cântaro, é um instrumento tradicional que consiste numa bilha de barro ou um cântaro de latão percutido na sua abertura (boca) por um abano de palha ou uma alpercata. O executante segura a bilha debaixo do braço e bate na boca do utensílio produzindo um som grave que marca o compasso. Muito utilizado por grupos folclóricos em Portugal, este tipo de aerofone – é o ar que vibra – existe em vários países e continentes.

António José Ferreira

[ Instrumentos tradicionais de Portugal ]
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