Recursos e artigos no âmbito da educação e expressão musical

Caixa metálica quadrada

Quem tem um filho com necessidades especiais, tem um desafio permanente a encontrar o que o desenvolve, relaxa e valoriza. Se estiver atento e desenvolver a criatividade, vai encontrar objetos, ferramentas, canções e timbres que tornam a criança mais feliz: ser criativo é uma forma de amar.

António José Ferreira

A “Música Especial em Casa” é especialmente dedicada a famílias de crianças com necessidades educativas especiais. Os instrumentos foram ou podem ser utilizados com crianças portadoras de deficiência profunda – mas isso não significa que não possam ser utilizadas com todas as crianças do Ensino Regular em contexto de Atividades de Enriquecimento Curricular ou no Jardim de Infância.

A pandemia foi um desafio enorme que gerou uma aproximação que nunca fora possível entre a Escola e a Família. Esteja atento a pequenos objetos cujo conteúdo se esgotou. Por vezes, basta tirar a etiqueta e lavar para ter um pequeno instrumento que faz feliz o seu filho e o ajuda a desenvolver competências. Se este artigo lhe for útil e inspirar boas práticas, marque-o como favorito.

1. O desenvolvimento começa em casa.

Antes ainda de a criança nascer, o seu desenvolvimento faz-se com os sentidos e através dos sentidos. Antes de a criança saber o que é o amor, percebe que é amada. A música e a ternura são aliados especialmente valiosos nos primeiros anos de vida.

2. A cidadania aprende-se com a prática.

Ainda antes de ter noção do que deve ser enquanto cidadão, a criança absorvem os valores da gentileza e da atenção ao outro. Antes de irem para a escola as crianças já viveu o que é ser bondoso, saudar, pedir desculpa, dizer obrigado.

3. A criança tem atividades favoritas.

A criança não fala e não caminha autonomamente mas gosta de apertar e desapertar, de enroscar e desenroscar? Proporcione-lhe momentos de ação com recipientes reutilizados que são fáceis de lavar e desinfetar. Verificando que os objetos não representar qualquer risco para a criança, verá satisfação quando ela se envolve em colocar ou tirar, por exemplo, um pauzinho.

4. A limitação contorna-se com imaginação.

Pela sua problemática, a criança com deficiência tem por vezes tendência para lançar objetos ao chão. Selecione objetos de som agradável de alturas diferentes e ela criará contigo melodias improvisadas. Podem ser canas de bambu de tamanhos diversos ou tubos metálicos.

5. A música promove boas rotinas.

Na infância, especialmente no caso de crianças com necessidades educativas especiais, as rotinas são importantes para a estabilidade e segurança. Crie rotinas em que a música ajuda a memorizar de algum modo os dias, um tempo de exploração sonora ao sábado.

6. A música desperta (os) sentidos.

Quando a criança tem limitações que não são comuns, tem o desafio de utilizar utilizar a música como aliada para o desenvolvimento dos sentidos.

António José Ferreira

Afia sonora reutilizada

Reciclar objetos sonoros em (d)eficiência

Quem tem um filho com necessidades especiais, tem um desafio permanente a encontrar o que o desenvolve, relaxa e valoriza. Se estiver atento e desenvolver a criatividade, vai encontrar objetos, ferramentas, canções e timbres que tornam a criança mais feliz: ser criativo é uma forma de amar.

António José Ferreira

RECICLO EFICIENTE

“Reciclo eficiente” valoriza a reutilização, um novo modo de utilizar objetos que, tendo potencial sonoro e pedagógico, iriam para o contentor do lixo. A reutilização não supõe neste caso trabalhos significativos de transformação no objeto sonoro mas que seja eficaz com pouco trabalho.

O mesmo objeto, nova utilidade

Além disso, há coisas que não são normalmente associadas à Música mas que podem ser utilizadas em Música Adaptada: bola, mesa, cesto de papéis, almofariz. Neste caso, trata-se apenas de utilizar o objeto com uma finalidade diferente da inicial e sem quaisquer custos. Existe à nossa volta uma grande quantidade de materiais que vão normalmente para o ecoponto e que podem ser interessantes fontes sonoras. Há que experimentar e descobrir onde o objeto tem mais potencial sonoro e com que baqueta, ou de que forma deve ser tocado.

Baldes

Há latas e baldes que são ótimos tambores com as baquetas certas: baldes ecoponto, latas de 20 litros de óleos da Shell (Rimula Super). Estes, embora não sejam fáceis de encontrar, contam com mais de 10 cores diferentes, o que permitirá espetáculos de percussão muito interessantes em termos visuais.

Bolas

Certas bolas com diferentes características poderão seduzir as crianças para brincadeiras e produzir novos timbres. Contribuem para melhorar a concentração, incrementar o gosto pela atividade musical, desenvolver a psicomotricidade. Música e atividade física tornam-se aliados no desenvolvimento de crianças com ou sem necessidades educativas especiais.

Copos

Tampas de plástico de certos detergentes para máquina de lavar roupa (Formil activo, por exemplo), servem muito bem para jogos rítmicos com copos. Outros copos gelado conseguem o mesmo efeito. Há crianças com deficiência que gostam de explorar sons de forma espontânea, ou de enfiar objetos uns nos outros.

Frascos

Recipientes de iogurte bastante ergonónicos podem ser utilizados como maracas, depois de devidamente lavados e secos, com a quantidade de arroz adequada. Crianças do ensino regular, com ou sem NEE, podem fazer experiências sonoras e jogos alterando o conteúdo: lentilhas, arroz, sementes de melão, melancia ou abóbora.

Os frascos de champô, creme de banho, ou iogurte, podem tornar-se pequenos tambores, com baquetas adequadas. Agarrando-se a parte que tem a tampa (frasco de Pantene Po-V 200 ml, por exemplo) e batendo de lado com baqueta de borracha produz-se um som interessante. Em muitos casos, as etiquetas de plástico saem facilmente, não sendo preciso demolhar. Na falta de melhor baqueta, certos pauzinhos finos curtos ou mesmo lápis, ou canetas gastas podem ser eficazes.

Recipientes com saliências são ótimos raspadores, como o de Soft Pink Bubble Bath, por exemplo, muito usado por cabeleireiras. Retire as etiquetas de plástico, que saem facilmente. É um raspador muito limpo, simples e eficaz. O frasco de chocolate para leite Toddy, também funciona do mesmo modo.

Requeplás
Requeplás

Tampas de detergentes de roupa podem juntar-se e formar marcas muito eficazes, seguras e coloridas, gastando apenas nesse trabalho um pouco de arroz ou bocadinhos de fio elétrico e cola superforte para as partes não se separarem.

Recipientes de plástico ColaCao ou Ovomaltine, substituindo a tampa por membrana de balão ou borracha. Ou então pode-se bater com baqueta adequada na beira em que a tampa roda, de frente. Se houver uma baqueta com extremidade de borracha (reciclada de uma câmara de ar, por exemplo), a mão esquerda pode agarrar a boca do recipiente e abri-la mais ou menos e fechá-la completamente percutindo com a mão esquerda. Com sensibilidade e prática pode-se tocar várias notas e fazer melodias.

Recipientes geométricos

Reúna um conjunto de recipientes em forma de sólido geométrico de plástico (esfera, oval, cilindro, paralelipípedo, cone, cubo). Têm excelente potencial para aplicar conhecimentos de Matemática e para fazer maracas bonitas e resistentes. Entre essas formas contam-se as esferas que saem de muitas máquinas que dão brinquedo ou chocolate quando se mete uma moeda. A junção de uma tampa de amaciador com outra de diâmetro ligeiramente menor combina cores e permite fazer facilmente maracas cilíndricas.

Tampas

As tampas de plástico, coloridas (com cerca de centímetros de diâmetro e de altura) podem ser utilizadas para batucar com os dedos (indicador, médio e polegar), tal como as tampas em forma de dedal que encontramos em detergentes da roupa. Estas podem ser utilizadas para bater uma contra outra, ou contra tampas maiores, produzindo-se por vezes sons semelhantes ao de pingos de água, ou de estalidos com a língua. Tampas de amaciador de roupa, tipo copo, podem ser ótimas para jogos rítmicos em cima da mesa ou exploração sonora no chão.

Cabos

O cabo de esfregona ou de vassoura (de madeira) que se partiu pode fazer de cajado (a utilizar em canção de pastor), de guarda-chuva (para cão sobre a chuva) ou de vassoura (para o Halloween). Canas de bambu, pauzinhos de diversos tipos que vão para o lume ou para o ecoponto podem dar origem a eficazes e belos instrumentos: clavas, paulitos, reques, chincalhos, baquetas.

Pedras (litofones)

pedras de rio ou de mar que, em pares e conjuntos, podem produzir ritmos pequenas melodias. Pedras pequenas (em registo agudo) são acessíveis à criança e à família. Encontram-se com frequência em praias fluviais e marinhas. Acresce que podem ser utilizadas para melhorar o desempenho de contagens, somas e subtrações com crianças portadoras de atraso e deficiência mental do ensino regular, ou em idade pré-escolar. A prática de utilizar litofones remonta à pré-história e continua como tradição musical em vários países (especialmente asiáticos), que aperfeiçoaram as técnicas de transformação e suporte. Na Península Ibérica há grupos folclóricos que utilizam pedras de rio à maneira de castanholas.

Metal

Um objeto metálico que – não sendo um risco para o seu filho – tem forma, cor, som e potencial pedagógico, pode tornar-se um instrumento para o desenvolvimento do seu filho. Guarde-o no seu baú de exploração musical.

Tubos

Tubos de diversos diâmetros que produzem, conforme o comprimento, sons mais graves ou mais agudos. Batendo o tubo, ou batendo com a mão na boca do tubo, ou utilizando uma baqueta de borracha (câmara de ar) podem obter-se resultados surpreendentes.

Objetos mecânicos

Há crianças com deficiência que gostam especialmente de objetos mecânicos ou brinquedos com botões que produzem determinado som quando a criança carrega num botão ou aciona manivela. Este tipo de brinquedo ou objeto sonoro promove o desenvolvimento psicomotor em crianças do Jardim de Infância e crianças do NEE.

Afia sonora reutilizada
Afia sonora reutilizada

António José Ferreira

Esquilo comendo maçaroca

Rei da Selva

Esta musicatividade promove competências nas áreas do Português e do Estudo do Meio. Melhora a expressividade, a leitura e o ritmo. A criança pode praticar sozinha, mas será mais divertido se a realizar à maneira de jogo, com um primo, irmão, pai ou mãe.

Clica AQUI para aprenderes a melodia.

Entre os animais da selva
há um lobo a uivar;
será rei dos animais
quem melhor o imitar.

[ A criança imita o uivar do lobo: aú! ]

Entre os animais da selva
há um macaco a coçar;
será rei dos animais
quem melhor o imitar.

[ A criança coça-se. ]

Entre os animais da selva
há uma cobra a assobiar;
será rei dos animais
quem melhor a imitar.

[ A criança move-se e sibila como a cobra. ]

Entre os animais da selva
há um lagarto a rastejar.
Será rei dos animais
quem melhor o imitar.

[ A criança imita o andar rastejante do lagarto. ]

Entre os animais da selva
há uma hiena a gargalhar.
Será rei dos animais
quem melhor a imitar.

[ A criança dá uma gargalhada como a hiena ]

[ António José Ferreira ]

Musicatividades

1. Lê uma quadra.

2. Lê de dois em dois versos, e a quadra completa.

3. Canta com a melodia de “Estava na floresta um lobo a uivar” e imita cada animal referido.

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Esquilo comendo maçaroca

Esquilo comendo maçaroca

Chita saltando

Ouve a melodia AQUI.

Animais que saltam

Salta o lobo e a raposa,
mais ainda o canguru.
Salta o gato, o leopardo,
salta a pulga. Saltas tu?

Raposa saltando

Salta a chita e o lemur,
salta o gerbo e o koala.
Salta o esquilo e a lebre.
Também salta a impala!

Lemur saltando

Salta a cabra da montanha
sem ter medo de arriscar.
Começou em pequenina
a dar saltos de brincar.

Cabra bebé saltando

Salta o puma e o macaco,
salta o tigre e o leão.
Salta a cabra e a gazela,
mas o elefante não.

Gazela saltando

[ António José Ferreira ]

Musicatividades

1. Lê o poema seguido.

2. Dos animais referidos, quantos conheces? Queres pesquisar os que te são desconhecidos?

3. Lê dois versos de cada vez, em andamento moderado; depois diz de cor (de memória). Lê cada quadra inteira; depois, di-la de cor.

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Menino regando

Explora sons e sente a natureza

Nesta unidade, a criança toma consciência do meio sonoro em que vive, ouvindo e sentindo com o tacto (e recitando ou cantando).

1. Sons do meio

Conduza o seu filho para o local da casa onde pode ouvir sentir mais a natureza, brisa suave, abelhas a zunir, rolas, pardais e grilos a cantar. Carros a passar e cães a ladrar não é mas pode servir para a criança tomar consciência do meio.

Está na nossa horta
um pássaro a cantar.
Não quero assustá-lo
pois gosto de escutar.

É bom estar sentado
e a brisa a passar.
Havemos de ir à praia
quando o verão chegar!

O adulto canta com a melodia de “Estava na floresta”. A criança acompanha com gestos. O toque e a ação do adulto tem um papel tanto mais importante quando a criança tiver limitações em termos psicomotores.

2. Copos de água

Coloque três copos de vidro iguais em cima da mesa. Encha o primeiro, coloque água no segundo até um pouco mais de meio, deixe o terceiro vazio. Se possível, é a criança que o faz. Coloque-os à sua frente, um à frente do outro (cheio, meio, vazio). Pegue uma colher de pau e toque sabendo que estão por ordem do grave para o agudo. Crie melodias suaves para a criança, se ela não o conseguir fazer.

3. Pingue pongue

Na banca da cozinha, coloque uma bacia com água até meio. Ligue a torneira de modo que caia gota a gota. Ficam a ouvir o som das gotas e de que modo se alteram. Quando conseguir fazê-lo, a criança regula o fluxo da torneira de modo a pingar ou jorrar.

4. Sibilar de serpente

4. O adulto coloca arroz dentro de um frasco de iogurte vazio, ou outro recipiente. A criança sentirá a textura do arroz e, se possível, ajudará a colocar. A própria criança (ou o adulto) agitarão a maraca reciclada de modo a imitarem o som de uma serpente. (Se a criança tiver tendência para enroscar/desenroscar, coloque só dois ou três feijões.)

5. Canção de rega

Hoje está tão quente,
pega a regador.
Vai regar as plantas.
Rega, por favor.

Quando cai a chuva,
rega a minha flor.
Vou fazer um ramo
para o meu amor.

Cante com a melodia de “Rio Mira vai cheio”. Dê um regador à criança e ensine-a a regar uma planta. Ou regue com a mangueira e ajude o seu filho a sentir a frescura e o som da água a cair no solo ou contra uma superfície dura. Se tiver condições, ensine a criança a tirar ervas daninhas.

António José Ferreira

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Gonçalo regando
Mar e búzio

O som da água

O som da água
quando a toco na bacia
faz-me sentir
uma secreta alegria.

O som da água
quando cai na banheira
faz relaxar
o meu corpo da canseira.

O som do mar,
quando recua e avança,
faz-me tentar
uma verdadeira dança.

O som da chuva,
quando cai no meu telhado,
faz-me pensar
como é bom estar deitado.

O som da neve,
quando avanço em cima dela
faz-me lembrar
que pode ser fria e bela.

[ António José Ferreira ]

Musicatividades

1. Coloca três copos de vidro iguais em cima da mesa. Enche o primeiro, põe água no segundo até um pouco mais de meio, deixa o terceiro vazio. Coloca-os à tua frente, um à frente do outro (cheio, meio, vazio). Pega uma colher de pau e toca sabendo que estão por ordem do grave para o agudo. Cria melodias suaves.

2. Na banca da cozinha, coloca uma bacia e põe água até meio. Liga a torneira de modo que caia gota a gota e ouve o som das gotas e de que modo se alteram.

3. Com a ajuda de um adulto, professor ou familiar, faz um pau de chuva e utiliza-o em introdução e conclusão do poema.

4. O adulto coloca arroz dentro de um frasco de iogurte vazio, ou outro recipiente. A criança sentirá a textura do arroz e, se possível, ajudará a colocar. A própria criança (ou o adulto) agitarão a maraca reciclada de modo a imitarem o som do mar, ondas mais fortes ou ondas mais fracas.

5. Acompanha com pulsação em quatro níveis corporais, um por cada verso, por exemplo: palmas, mãos no peito, mãos nas pernas, pés no chão.

[ Esta musicatividade pode ser realizada também no contexto de Música em Atividades de Enriquecimento Curricular ]

Mar e búzio
Mar e búzio
Punhos

Os “Jogos musicais em linha” podem realizar-se tanto de forma síncrona (através de plataformas de reunião), como em casa ou no recreio da escola. Alguns foram realizados via Zoom, em contexto de pandemia, em maio de 2020.

António José Ferreira

I. Em que mão se esconde o feijão?

Este jogo em pares desenvolve competências sociais, linguísticas e matemáticas. Basta um pequeno objeto que a criança ou adulto em jogo possa esconder na mão sem que se note onde está. Pode ser uma moeda, um feijão, um berlinde, entre outras coisas. A primeira criança agarra um desses objetos e coloca as mãos atrás das costas, passando de uma mão para a outra enquanto diz:

Vamos lá fazer um jogo
p’rà gente se divertir.
‘Stá na esquerda ou na direita?
É o deves descobrir!

Coloca as mãos à frente e o outro jogador diz (esquerda ou direita, do parceiro) ou aponta com o dedo. Se acertar ganha uma moeda, ou feijão, ou berlinde… e assim sucessivamente, jogando cada um com o seu objeto. Tratando-se de moedas de 5, 10, 20, 50 cêntimos, valoriza-se o desenvolvimento de competências na área da Matemática.

II. Quem descobre o instrumento?

Para este jogo é necessário que cada jogador tenha uma rolha de cortiça lavada. No caso de o jogo ser presencial, não se pode transmitir a rolha a ninguém. A criança ou adulto que está em jogo coloca a rolha na boca – o que dificultará a compreensão por parte dos outros jogadores – e diz um instrumento. O primeiro a descobrir ganha um chocolate imaginário. O outro jogador procede da mesma forma, e assim sucessivamente.

No caso de a criança ter necessidades educativas especiais, o jogo em pares, em casa, pode ajudá-la a fazer contagens e somas simples.

António José Ferreira

Os deuses da Grécia Antiga

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Os deuses da Grécia antiga
eram gente como nós:
casavam-se, tinham filhos,
não gostavam de estar sós.

Plim plim (lira)

Zeus, o grande pai dos deuses,
do Olimpo era o Senhor.
Era casado com Hera,
que tinha muito amor.

Saxapum (pratos)

Os deuses de antigamente
contavam-se por dezenas.
Do Olimpo adoravam
ver os jogos em Atenas.

Te te te (trombeta)

Poseidon, irmão de Zeus,
era o rei dos oceanos.
Se fazia tempestades
assustavam-se os humanos.

Tum tum (tambor)

Artémis, filha de Zeus,
protegia os animais.
Bebia néctar puro
como seus irmãos e pais.

Té té té té (trombeta)

Deméter, irmã de Zeus,
passou por muita aventura.
Gostava muito de plantas,
protegia a agricultura.

Fi fi fi (flauta)

António José Ferreira

Apolo
Copos para jogos

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I. Cuido da alimentação

A atividade promove alimentação saudável, competências vocais e coordenação motora.

Oiça aqui a melodia em MIDI.

Cuida sempre da alimentação.
Doces? Com moderação.
Aos salgados, tu dizes que não:
Fazem mal ao coração.

Come sopa de couve ou feijão,
de espinafre ou agrião.
Come coco, laranja, mamão,
Melancia e melão.

Musicatividades

1. O adulto diz dois versos de cada vez, em andamento moderado, e a criança repete.

2. Diz uma quadra toda e a criança repete.

Acompanham com a ponta dos dedos da mão direita (exceto polegar) na beira da mesa e, em simultâneo o pé direito no chão; alternando com mão esquerda/pé esquerdo da mesma forma.

II. Bebo um copo

A atividade pode realizar-se tanto em casa como na escola. Pode fazer-se com um copo de plástico, ou uma tampa reciclada de amaciador da roupa. Promove a coordenação motora e competências nas áreas do Português e da Música.

Oiça aqui a melodia em MIDI.

Bebo um copo,
Bebo outro.
Está calor,
Sabe-me a pouco.

Bebo água
Amiúde
É tão bom
para a saúde!

Musicatividades

1. Criança e adulto (ou duas crianças) estão sentadas à mesa. Um deles tem à sua frente um pequeno copo. (Ao início, é mais simples fazerem com um só copo).

2. Um agarra e passa, o outro agarra e passa, de forma regular, mecânica, sem perder a pulsação, sempre na mesma velocidade (andamento). Primeiro, aprendem a passar. Para ajudar, o adulto diz: agarra e passa, gar pas.

3. Depois dizem as rimas. O adulto reforça que beber água faz bem à saúde. Quando a criança já consegue dizer (ou cantar) o texto e passar corretamente o copo, juntam-se as duas atividades.

III. Um, dois, feijão com arroz

A atividade desenvolve competências vocais, rítmicas, linguísticas e matemáticas.

Oiça aqui a melodia em MIDI.

Um, dois,
feijão com arroz.
Três, quatro,
salmão para o prato.
Cinco, seis,
bem comem os reis.
Sete, oito,
comemos biscoito.
Nove, dez,
tomamos cafés.

Musicatividades

1. O adulto diz cada dueto e a criança repete.

2. O adulto diz os números (um, dois, por exemplo) e a criança responde com a rima respetiva.

3. Depois dizem a lengalenga completa.

4. Praticam a percussão na mesa, com 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10 dedos na beira da mesa.

5. Criança e adulto estão sentados à mesa à uma distância adequada para percutirem com os dedos na beira da mesa.

6. De acordo com a lengalenga, percutem com 1, 2 dedos; depois 3, 4; depois 5, 6; depois 7, 8; depois 9, 10 dedos, completando com todos os dedos.

[ António José Ferreira ]

Coalas

Criadas para apoio musical à aprendizagem das Ciências da Natureza no 5º Ano de Escolaridade, várias destas adivinhas servem também para aplicar conhecimentos de Estudo do Meio no 3º e 4º anos.

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? Move-se com muita calma
com a forte carapaça.
Ela encolhe a cabeça
e então ninguém a caça.

(tartaruga)

? O que come o guarda-rios
com sua linda plumagem,
a voar junto ao ribeiro,
sobre o rio ou na margem?

(peixe)

? Sou mamífero e salto
c’os membros posteriores
que são longos e mais fortes
do que os anteriores.

(canguru)

? Pode andar pelo deserto,
passar dias sem beber.
Tem na bossa a gordura
com que há-de sobreviver.

(dromedário)

? Com o meu pé musculoso
eu procuro alimento.
E que importa que me digam
que o meu andar é lento?

(caracol)

? Tem espinhos entre os pelos
para sua proteção
quando se vê atacado
p’lo texugo ou pelo cão.

(ouriço-cacheiro)

? É cilíndrica, alongada,
move-se rapidamente.
Lança a lingua venenosa
e assusta toda a gente.

(serpente)

? Nela vivem o coelho,
a raposa e o leirão,
o chapim, o pica-pau,
o esquilo e o verdilhão.

(floresta)

? Nele vive o pimpão
e a enguia europeia,
a rã-verde e o sável,
o girino e a lampreia.

(rio)

? A ovelha come erva,
o panda come bambu,
a serpente come ratos;
o que come o canguru?

(plantas)

? Barifusas ou fradelhos,
girabelas, centieiros…
Há ainda quem lhes chame
pucarinhos ou choteiros…
(cogumelos comestiveis)

? O do bambu é de colmo,
espique é o da palmeira;
rizoma é o do lírio,
tubérculo, o da batateira.

(caule)

? Da planta do milho diz-se
que a tem fasciculada.
A do nabo, essa é
tuberosa aprumada.

(raiz)

? Com morcegos no meu campo
se controlam as doenças.
Diz-me lá o que eles comem,
diz-me lá o que tu pensas.

(mosquitos)

? A girafa e a zebra,
o gorila, o chimpanzé,
a ovelha, o burro, a cabra
bebe-o enquanto bebé.

(leite)

? Sou da espécie “Canis lupus”,
tomo leite ao nascer.
Peixe e sopa não me agrada,
carne gosto de comer.

(lobo)

? O seu corpo tem cabeça
e uma massa visceral.
Pelo seu pé leva a casa
o pequeno animal.

(caracol)

? É pequeno mas assusta
aquele bichinho preto
e evita perdas de água
c’o seu exoesqueleto.

(escorpião)

? Pelo branco abundante
tem esse animal polar.
Tenho um que é de peluche
e que posso abraçar.

Urso polar, Comedy Wildlife Photography Awards

(urso polar)

? O embrião e o feto
por cordão umbilical
ligam à progenitora
este tipo de animal.

(vivíparos)

? Na praia fará um ninho
para à noite desovar
e depois da eclosão
vão os filhos para o mar.

(tartaruga-marinha)

? Em tempos quentes e secos
para não morrer ao sol,
fecha-se na sua concha
o esperto…

(caracol)

? Sem escamas e sem penas,
sua cor é camuflagem
com que engana os predadores
e se esconde na paisagem.

(rã)

? A abelha e a mosca,
a andorinha e o sardão
movem-se durante o dia.
Que hábitos têm, então?

(diurnos)

? Nesse tempo, o animal
está muito mais ativo,
o sentido visual,
auditivo e olfativo.

(período de reprodução)

? Uma cria por ninhada,
como em geral os humanos,
que em bebé mama
até cerca de dois anos.

(baleia-branca)

? Quando nascem eles são
cegos, surdos, dependentes;
só depois saem da toca
p’ra se tornarem valentes.

(lobos)

? Tanto come uma bolota
como come um ratinho
e encontra alimentos
remexendo c’o focinho.

(javali)

? Tem as penas muito pretas
e o bico amarelo.
Come frutos e minhocas
e o seu canto é muito belo.

(melro macho)

? Que regime alimentar
tem o panda, o caracol,
a ovelha e a cabra,
caia chuva ou faça sol?

(herbívoro)

? Para obter o alimento,
o que usa o falcão,
quando se encontra no alto
e há um coelho no chão?

(visão)

? Quantos dedos tem o pé
da perdiz e do pardal,
do falcão, do pica-pau,
do melro e da garça real?

(quatro)

? Que regime alimentar
tem o abutre e o tubarão,
o leão, o leopardo
e até o camaleão?

(carnívoro)

? Que regime alimentar
tem o porco e o rato,
o morcego e o corvo,
o homem e o peixe-gato?

(omnívoro)

? Tem a forma de bicone,
vive e move-se no mar.
Alimenta-se dos peixes
que consegue encontrar.

(golfinho)

? Come carne o leopardo,
a girafa é ruminante.
Roedor é o coelho…
O que come o elefante?

(plantas rasteiras)

? É frugívoro o morcego,
é granívora a perdiz.
É omnívoro o porco.
O que come a codorniz?

(grãos)

? Com penas impermeáveis
à água e também ao ar,
nado na água do rio,
marcho em terra e sei voar.

(pato-real)

? Quem se move entre as ervas
comendo com atenção
para não ser apanhado
pelas garras de um falcão?

(coelho)

? Na areia da praia marcho,
na água do mar eu nado.
Adivinha quem eu sou,
sabendo que ando de lado?

(caranguejo)

? Tenho os membros muito curtos,
dispostos lateralmente.
Repto, nado, abro a boca
e assusto toda a gente.

(crocodilo)

? Apoio as mãos e os pés
no solo, quando caminho.
Levo comigo o filhote
e dou-lhe muito carinho.

(chimpanzé)

? Ela tem um esqueleto
preparado para o salto.
Os membros posteriores
fazem com que vá mais alto.

(rela)

? Se conheces bem os peixes
diz-me o que há em comum
entre escamas de um um pargo
e escamas de um atum.

(dérmicas)

? Que é que o boi almiscarado
tem que é longa e escura
p’ra se proteger do frio
na estação que é a mais dura?

(pelagem)

? Cinco braços encarnados,
simetria radial,
no mar vive e se move
este ser original.

(estrela do mar)

? É um animal pequeno,
seus segmentos são anéis.
Não tem penas nem escamas.
Dizei qual, se o sabeis.

(minhoca)

Um plano divide o corpo
em duas partes iguais.
Diz-me qual a simetria
que há nestes animais.

(simetria bilateral)

? As que estão no corpo todo,
essas chamam-se tetrizes;
as que só estão na cauda,
essas chamam-se retrizes.

(penas)

? Poisada num alto ramo,
uma ave está sozinha
observando bem o solo
p’ra caçar uma doninha.

(falcão)

? Têm barbatana anal,
têm barbatana caudal;
têm barbatanas ventrais,
barbatanas peitorais
e barbatanas dorsais:
diz quais são os animais.

(peixes)

? São quatro as do elefante,
quatro as do canguru,
mas só duas as do grifo,
duas as do marabu.

(patas)

? Tem na derme as escamas
com caráter permanente
ao contrário das que existem
na epiderme da serpente.

(peixe)

? A corrida e o salto,
a marcha e a reptação,
para os animais no solo
modos de…

(locomoção)

? Repta a cobra, o crocodilo,
salta bem o canguru;
na água desliza peixe…
diz como te moves tu!

(marcho)

? Segregada pela epiderme
de um animal do mar,
é revestimento simples
ou, às vezes, a dobrar.

(concha)

? Palminérvea a do plátano,
peninérvea a do amieiro;
paralelinérvea a do milho,
uninérvea a do pinheiro.

(folha)

? Nele vive o espadarte,
a esponja, o tubarão,
o golfinho, a cavala,
a sardinha, o mexilhão.

(mar)

António José Ferreira

Pode cantar-se com a melodia de “As pombinhas da Cat’rina”.

Coalas
Coalas