Recursos e artigos no âmbito da educação e expressão musical

Educação Musical em Portugal

A EDUCAÇÃO MUSICAL EM PORTUGAL

Excerto de Educação Musical no 1º Ciclo: O Ensino da Música através da sua Prática, por Ana Teresa Taumaturgo Brito de Araújo. Mestrado em Ensino de Educação Musical no Ensino Básico. Setembro de 2016

No ano de 1835 foi criado em Lisboa por Almeida Garrett o primeiro Conservatório. Durante 80 anos, era o único lugar onde se realizava o ensino de música de forma sistemática.

Em 1878, é introduzido no ensino primário o canto coral, que, em 1973, com a reforma educativa, é substituído por um sistema de Educação Musical baseado em conceitos que privilegiam a prática musical e defendem que esta deve preceder a teoria.

Fundação Calouste Gulbenkian e APEM (Associação portuguesa de Educação Musical) representaram aqui um importante papel.

Contudo, segundo Graça Mota, foi em 1974 com a implementação da República que se deu a grande mudança no Ensino da Música em Portugal. Com a publicação da Lei de Bases do sistema educativo em 1986, ocorreram as mudanças mais significativas na Educação Musical, com a criação de cursos de formação de professores de Educação Musical nas Escolas Superiores de Educação dos Institutos Politécnicos.

Nas últimas décadas do séc. XX, com a influência do pensamento de vários autores, concluiu-se que o currículo da disciplina de Educação Musical deveria ser construído em torno das áreas de Audição, Interpretação e Composição, e ter em conta as experiências musicais dos alunos.

Segundo Graça Mota, com a publicação das Competências Essenciais do Currículo Nacional do Ensino Básico (Portugal, 2001) tornou-se clara a importância que a Música deveria assumir no currículo.

Em 2011, este documento foi revogado pelo Ministério da Educação, ainda que continue a ser usado como referência pelos professores de música do Ensino Básico.

A Educação Musical está presente no Ensino Básico do seguinte modo: no 1.º ciclo, a música não é trabalhada de forma sistemática, estando a cargo dos professores generalistas com pouca formação nesta área. A partir de 2006, todavia, o Ministério da Educação ofereceu a Educação Musical como disciplina extracurricular para este ciclo.

No 2.º ciclo, a disciplina é lecionada por um professor especialista e ocupa uma carga letiva de até 3 horas semanais.

Já no 3.º ciclo, a música só surge em algumas escolas e de acordo com a disponibilidade de horário e existência de um professor de Educação Musical.

Na última reforma Curricular (Portugal 2012) a música foi erradicada como disciplina no 9.º ano e, no ensino Secundário surge apenas como opção num reduzido número de estabelecimentos de ensino.

(…)

Educação Musical em Portugal

Xilofone

Crianças tocando

ÁREAS E DOMÍNIOS NA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR

Área de Formação Pessoal e Social

É considerada como área transversal pois embora tendo conteúdos próprios, se insere em todo o trabalho educativo realizado no jardim de infância. Esta área incide no desenvolvimento de atitudes, disposições e valores, que permitam às crianças continuar a aprender com sucesso e a tornarem-se cidadãos autónomos, conscientes e solidários.

(Orientações curriculares para a Educação Pré-Escolar. Lisboa: DGE 2016, p. 6)

Área de Expressão e Comunicação

É entendida como área básica, uma vez que engloba diferentes formas de linguagem que são indispensáveis para a criança interagir com os outros, dar sentido e representar o mundo que a rodeia. Sendo a única área que comporta diferentes domínios, é precedida de uma introdução que fundamenta a inclusão e articulação desses domínios.

Área do Conhecimento do Mundo

É uma área integradora de diferentes saberes, onde se procura que a criança adote uma atitude de questionamento e de procura organizada do saber, própria da metodologia científica, de modo a promover uma melhor compreensão do mundo físico, social e tecnológico que a rodeia. (OCEPE 2016, p. 7)

Domínio da Educação Motora

Constitui uma abordagem específica de desenvolvimento de capacidades motoras, em que as crianças terão oportunidade de tomar consciência do seu corpo na relação com os outros e com diversos espaços e materiais. (OCEPE, 6)

Domínio da Educação Artística

Engloba as possibilidades de a criança utilizar diferentes manifestações artísticas para se exprimir, comunicar, representar e compreender o mundo. A especificidade de diferentes linguagens artísticas corresponde à introdução de subdomínios que incluem artes visuais, dramatização, música, dança. (OCEPE, 6)

Domínio da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita

O desenvolvimento da linguagem oral é fundamental na educação pré- escolar como instrumento de expressão e comunicação que a criança vai progressivamente ampliando e dominando nesta etapa do seu processo educativo. Importa ainda facilitar a emergência da linguagem escrita, através do contacto e uso da leitura e da escrita em situações reais e funcionais associadas ao quotidiano da criança. (OCEPE, 6)

Domínio da Matemática

Tendo a matemática um papel essencial na estruturação do pensamento, e dada a sua importância para a vida do dia a dia e para as aprendizagens futuras, o acesso a esta linguagem é fundamental para a criança dar sentido, conhecer e representar o mundo. (OCEPE 2016, p. 6)

O desenvolvimento de noções matemáticas inicia-se muito precocemente e, na educação pré-escolar, é necessário dar continuidade a estas aquisições e apoiar a criança no seu desejo de aprender. Esse apoio deverá corresponder a uma diversidade e multiplicidade de oportunidades educativas, que constituam uma base afetiva e cognitiva sólida da aprendizagem da matemática. Sabe-se que os conceitos matemáticos adquiridos nos primeiros anos vão influenciar positivamente as aprendizagens posteriores e que é nestas idades que a educação matemática pode ter o seu maior impacto. (OCEPE, 77)

As crianças discriminam quantidades desde muito cedo e parecem também ter um sentido aritmético precoce que é evidente quando, por exemplo, têm a ideia de que, quando se junta mais um elemento, a quantidade resultante fica maior. Muitas vezes as crianças aprendem a recitar a sequência dos números, sem, no entanto, terem o sentido de número. É através de experiências diversificadas que as crianças vão desenvolvendo o sentido de número, que diz respeito à compreensão global e flexível dos números, das operações e das suas relações.(OCEPE, 79)

Nesta fase, as crianças começam também a seriar, fazendo comparações entre pares, recorrendo a diferentes atributos dos objetos, como, por exemplo: quantidade (mais, igual, menos), altura (alto, médio, baixo), tamanho (grande, pequeno), espessura (grosso, fino), luminosidade (claro, escuro), velocidade (rápido, lento), duração (muito tempo, pouco tempo), altura do som (grave, agudo), intensidade do som (forte, fraco). Progressivamente, vão complexificando as seriações, incluindo cada vez mais objetos, que permitem a ordenação de gradações múltiplas (pequeno, médio, grande, o maior, etc.) ou a identificação de padrões (quadrado-círculo – quadrado-círculo…). (OCEPE, 78)

Crianças tocando

Crianças tocando

Expressão Musical no Pré-Escolar

A Expressão Musical na Educação Pré-Escolar

Este é um excerto da dissertação de mestrado “A Expressão Musical na Educação Pré-Escolar” apresentada por Irina Moreira Veríssimo à Escola Superior de Educação de Beja em 2012

Propostas

As propostas de intervenção que se seguem pretendem colmatar algumas necessidades encontradas no decorrer do processo de investigação deste estudo. As dificuldades apontadas pelas educadoras e pelos professores de música que dinamizam sessões com grupos de crianças em idade pré-escolar situam-se em várias dimensões de atuação. Assim, foram detetadas necessidades a nível das instituições, da atuação educativa das educadoras e também na atividade assumida por alguns professores de música. Por tudo isto, do conjunto de propostas aqui expostas, umas destinam-se às instituições de atendimento às crianças pequenas, outras às educadoras e outras aos professores de música. Pretende-se assim:

Objetivos gerais

Aumentar as experiências formativas do educador, e aprofundar os
conhecimentos no domínio da Expressão Musical;
Promover o conhecimento de diferentes metodologias musicais no ensino da Expressão Musical;
Possibilitar a articulação entre os diferentes domínios;
Valorizar todas as áreas/ domínios trabalhando-os de forma equilibrada;
Promover o trabalho de equipa entre a educadora e o professor especialista;
Utilizar material diversificado, instrumentos musicais e meios tecnológicos;
Experimentar diferentes maneiras de produzir sons;
Possibilitar às crianças várias formas de se expressarem e comunicarem, a cantar; a dançar; a tocar e a criar;
Promover e incentivar o envolvimento das famílias na vida escolar da criança.
Ações

Algumas ações a desenvolver ao nível institucional

As instituições de Educação Pré-Escolar deverão apresentar junto dos centros de formação as suas preocupações pelo facto de quase inexistência de ações de formação para educadores no domínio de Expressão Musical;
As instituições de Educação Pré-Escolar deverão valorizar no seu projeto curricular a Expressão Musical em igualdade com as outras áreas e, como tal, deverão apetrechar as salas com recursos que possibilitem a realização de atividades de música com o suporte de diferentes recursos;
As instituições de Educação Pré-Escolar que têm na sua equipa educativa um professor de música deverão impulsionar a constituição de parcerias professor de música/ educadora e rentabilizar os saberes/ conhecimentos deste especialista.
Propostas

Propostas para a concretização do trabalho em parceria professor de música/educadora de infância.

Para concretizar esta parceria propõe-se:

As educadoras de infância deverão estar presentes nas sessões dinamizadas pelo professor de música.
A educadora deverá dar continuidade às atividades realizadas durante a sessão.
Os professores de música deverão articular as sessões de Expressão Musical com o trabalho que a educadora está a desenvolver com as crianças, no que se refere a temas e a situações que proporcionem a interdisciplinaridade.
Os professores de música deverão refletir e planear com as educadoras contribuindo assim para complementar a formação das educadoras nesta área.
Os professores de música e as educadoras de infância deverão envolver / divulgar junto dos pais o trabalho desenvolvido. As “ aulas abertas” constituem uma estratégia que poderá motivar os próprios pais para cantarem com / para os filhos o que poderá ser um veículo de passagem cultural de canções, a lengalengas e canções de roda de pais para filhos.

Proposta de intervenção para a dinamização de sessões de Expressão Musical pelas educadoras de infância

As Orientações Curriculares referem que “a Expressão Musical que se desenvolve na Educação Pré-Escolar, em torno de cinco eixos fundamentais: o escutar, cantar, dançar, tocar e criar”.

As metodologias a utilizar devem ser centradas na criança valorizando a sua capacidade de atenção, fases de desenvolvimento, interesses e necessidades, de forma a “despertar a criança para a música e suscitar nela a vontade de cantar, de ouvir, de criar livremente”. Gloton & Clero (1976:181)

A criação de um ambiente que estimule o desenvolvimento das capacidades musicais das crianças e o seu envolvimento nas atividades propostas complementam os princípios a ter em conta na intervenção das educadoras de infância.

Objetivos

Desenvolver capacidades individuais, sociais e criativas;
Desenvolver aspetos essenciais de voz;
Desenvolver o sentido rítmico e a coordenação motora;
Reconhecer características dos sons (intensidade, altura, timbre, duração);
Utilizar o movimento, a dança e a percussão corporal;
Utilizar instrumentos musicais;
Produzir sons de diferentes maneiras.

Atividades

Realizar jogos e coreografias utilizando vários tipos de recursos (relacionados ou não à Expressão Musical;
Cantar um reportório musical variado, como por exemplo: sobre o tema que se esta a trabalhar ou que se vai trabalhar, sobre a época do ano, canções de rotina, etc.;
Realizar experiências simples com a própria voz, como: cantar, rir, chorar, imitar sons da natureza, animais, etc.;
Acompanhar as canções com gestos, batimentos rítmicos, utilizando várias partes do corpo (mãos, pés, pernas,…);
Reproduzir ritmos produzidos pela educadora ou pelo professor especialista;
As crianças devem movimentar-se livremente pelo espaço, a partir de sons vocais, melodias, canções;
Realizar coreografias e danças de roda para o grande grupo;
As crianças tocam instrumentos de percussão em grupo e individualmente;
São cantadas canções com o acompanhamento de instrumentos;
Construção de instrumentos musicais, com material reciclável para fazer face à falta de materiais;
Recursos

Nos recursos a serem utilizadas podemos incluir material diversificado, instrumentos musicais e meios tecnológicos.

A voz;
O corpo;
Arcos;
Lenços;
Fitas;
Bolas;
Panos;
Balões;
Leitor de CD e CD
Instrumental Orff
Sinos
Tamborins
Maracas
Guitarra
Fantoche
Duração

Sessões dinâmicas, de curta duração (não deve ultrapassar os 45 minutos).

Avaliação

A avaliação será realizada com base nas metas de aprendizagem para a Educação Pré-Escolar (2011) nos seus diferentes domínios e subdomínios:

Desenvolvimento da capacidade de expressão e comunicação – interpretação e comunicação;
Desenvolvimento da criatividade – criação e experimentação;
Apropriação da linguagem elementar da música – Perceção sonora e Musical;
Compreensão das artes no contexto – culturas música nos contextos;
Dança – desenvolvimento da capacidade de expressão e comunicação – comunicação e interpretação;
Dança – Desenvolvimento da criatividade – produção e criação.

Mestrado na Especialidade de Educação Pré-Escolar e Ensino do 1º Ciclo do Ensino Básico

Beja 2012

Expressão Musical no Pré-Escolar

Crianças tocando

O papel do professor

O PAPEL DO PROFESSOR

Excerto de A Música como Veículo Promotor de Ensino e Aprendizagens, por Paula Cristina Viveiros da Silva. Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Universidade dos Açores, Ponta Delgada 2012.

A música é uma arte com características muito próprias. Os discursos a que chamamos música não são uma das formas de discurso simbólico que o professor deverá encontrar nas suas crianças aquando do seu processo de ensino aprendizagem. Para tal, o professor deverá ter patente pelo menos quatro linhas de pensamento musical, iniciando pelo valor que a música poderá ter não só para si como para quem a escuta, deverá ter em conta a dinâmica, o modo como realiza o seu processo de ensino aprendizagem, terá de possuir um caráter expressivo no modo como transmite o conhecimento ao aprendiz, e por fim conhecer, construir, ter uma sensibilidade sonora perante os instrumentos musicais de modo a que se promova um discurso musical entre aluno e professor.

Tal como Alberto Sousa defende: “Não interessa o ensino do saber, mas a formação do ser”.

Deste modo, o professor deverá preocupar-se com a música como discurso, ou seja, o seu principal objetivo é trazer a música para a plena consciência do ser humano, fazer com que o aluno descubra por si mesmo as possibilidades que a música tem em transformar sons em melodias, melodias em formas e formas em acontecimentos significantes de vida.

Outra tarefa do professor é preocupar-se com o discurso musical dos seus alunos, transformando este discurso numa conversa musical e nunca num monólogo.

Cabe ao professor despertar a curiosidade dos seus alunos, estimulando-os com questões de discernimento artístico, como por exemplo, criando e acompanhando canções com gestos rítmicos, jogos de entoação, entre outros variados acompanhamentos musicais, que tornará possível o reconhecimento do valor da interação social, promovendo assim agrupamentos musicais organizados e confiantes na sua própria composição musical.

Segundo Edwin Gordon, “A verdadeira apreciação musical exige compreensão. Aprender música é ser guiado de forma a conseguir dar significado àquilo que se ouve.”

Seguindo esta linha de pensamento, podemos dizer que na música a imaginação é mais importante que o conhecimento, embora através da música e de outras artes, a imaginação e as emoções podem ser despertadas e desenvolvidas, porque a música interligada com outras artes constitui também sólidos fundamentos da educação, como o ler, o escrever, o contar, o jogar, entre outros.

Desta forma, quando o professor observa as crianças a brincar, este pode constatar o quanto é importante para elas o jogo musical, onde a improvisação é uma constante.

Esta forma livre e espontânea de expressão é uma necessidade interior, uma expressão vital para as crianças, pois através da improvisação torna-se possível o despertar e o libertar de capacidades criativas das mesmas, desenvolvendo assim a autoestima, contribuindo de uma certa forma para uma melhor relação entre professor e alunos e destes entre si.

Deste modo, “pela música a criança desenvolve a sua criatividade, espontaneidade, imaginação e sensibilidade para com o mundo que a rodeia. A música tem também esse “poder mágico” de estimular a capacidade criadora, promovendo nas crianças o prazer da descoberta de novas emoções…”

Assim, as crianças vão-se familiarizando com a linguagem musical que nunca deverá ser conseguida unicamente através da imitação. O sucesso de uma improvisação depende essencialmente do professor, no sentido em que professores alegres e criativos terão alunos alegres e criativos, encorajando-as a conversar, cantando, introduzindo estratégias expressivas em que os próprios alunos consigam decifrar e acompanhar de forma genuína o bom discursar da música entre professor e aluno e vice-versa.

Ainda neste sentido, e segundo Sousa, o objetivo do professor relativamente ao ensino aprendizagem da música é a criança e não a música, ou seja,

“Não é necessário o professor ter conhecimento de escrita musical nem saber tocar qualquer instrumento para se poder proporcionar a crianças meios e motivações para desenvolver o seu sentido musical e satisfazerem neste domínio as suas necessidades de expressão e criação.”

O mesmo autor acrescenta ainda que “É apenas necessário que se goste de crianças, de música e que se tenham alguns conhecimentos psicopedagógicos (para evitar cair em erros que em nada ajudem a criança). ” (Ibid.).

Deste modo, poder-se-á dizer que o contributo do professor relativamente ao ensino aprendizagem da música nas crianças tem um caráter dinamizador, isto é, este terá de ensinar a música de modo a que as crianças tenham de ir ao encontro da música, e que esta também possa ir ao encontro das crianças.

Não é só as crianças que ficam mais ricas com este ensino aprendizagem, nós, adultos/professores também nos sentir-nos-emos largamente compensados, porque a música para além de ser um bom instrumento relaxante na vida de um indivíduo, é também uma excelente ferramenta de comunicação e de interação social.

“O professor deve ser pluridisciplinar, no sentido em que (…) a sua verdadeira especialidade é ser um educador, isto é, ser capaz, ainda que seja um especialista, de manejar o conjunto dos meios (instrumentos pedagógicos) que lhe oferece o conjunto das matérias com o fito de servir objectivos gerais e comuns” (Fontanel-Brassart & Rouquet).

Importa referir ainda, que “O papel dos educadores consiste, essencialmente, em apoiar a criança, utilizando estratégias que lhe permitam experimentar situações desafiadoras (a nível cognitivo, social, físico e afectivo), interiorizar os significados das experiências, aumentar a confiança em si próprios e desejo de aprender” (Pinheiro), pois só assim as aprendizagens poderão tornar-se para ambos não só significativas mas ao mesmo tempo desafiadoras.

Embora haja algumas crianças mais desinibidas do que outras, não significa que as menos desinibidas não tenham aptidão para o discurso musical para com os outros, nomeadamente para com o professor ou para os colegas. Para Émile Jaques-Dalcroze, “A música nasce em nós da necessidade de fugir ao stress, de exteriorizar as nossas emoções, de satisfazer a nossa vontade, de dar um corpo às nossas aspirações imperiosas, embora por vezes se possa desordenar e confundir-nos (…) a sensibilidade significa possuir o próprio corpo em toda a sua relação com o espírito, bem como o expressar, ultrapassando o que paralisa a nossa insegura capacidade de imaginar e de criar”.

Além disso, o professor terá de compreender a criança, dialogar com ela, entrar no seu mundo como se fosse também uma criança, tentando entender os seus gostos, as suas necessidades, aquilo que ela é e sente que é capaz de fazer.

Se uma criança se sente pressionada em concretizar algo, esta acaba por não realizar nada daquilo que se pretendia fazer. A música neste tipo de situações funciona como uma terapia, como um instrumento que deverá ser utilizado pelo professor como algo que cative a criança à participação de determinadas atividades e que a partir destas possa sentir-se realizada, motivada pelos seus gostos e interesses.

Deste modo, a música passa a ser uma ferramenta essencial para alfabetizar, resgatar a cultura e ajudar na construção do conhecimento pela criança, porque a música além de atrair a criança, serve de motivação, deixa-a mais atenta àquilo que o professor pretende com ela, torna-se um instrumento de cidadania, contribuindo assim para a elevação da sua autoestima.

Neste âmbito, a música poderá funcionar como o barro, ou seja, deverá ser moldada pelo professor, no modo como ensina, no modo como interage com as crianças, no modo como decorre a aprendizagem das mesmas, fazendo chegar a estas a tal melodia pretendida, a tal moldagem de ensino e professor criativo, expressivo e dinâmico, para que a música chegue à criança e entre no seu consciente de forma, a que se sinta motivada à participação de novos desafios em sua vida.

(…)

O papel do professor

Criança (Blomingdale School of Music)

Crianças do jardim de Infância tocando

MÚSICA NA PRÉ-ESCOLA

Objetivos da educação pré-escolar

Adaptado da Lei n.º 5/97, de 10 de Fevereiro (Lei Quadro da Educação Pré-Escolar)

De acordo com a Lei Quadro, a educação pré-escolar é a primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo da vida, sendo complementar da acção educativa da família, com a qual deve estabelecer estreita cooperação, favorecendo a formação e o desenvolvimento equilibrado da criança, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário.

1 – A educação pré-escolar destina-se às crianças com idades compreendidas entre os 3 anos e a idade de ingresso no ensino básico e é ministrada em estabelecimentos de educação pré-escolar.

2 – A frequência da educação pré-escolar é facultativa, no reconhecimento de que cabe, primeiramente, à família a educação dos filhos, competindo, porém, ao Estado contribuir activamente para a universalização da oferta da educação pré-escolar.

3 – Por estabelecimento de educação pré-escolar entende-se a instituição que presta serviços vocacionados para o desenvolvimento da criança, proporcionando-lhe actividades educativas e actividades de apoio à família.

4 – (…) Constituem objectivos da educação pré-escolar:

1. Promover o desenvolvimento pessoal e social da criança com base em experiências de vida democrática, numa perspectiva de educação para a cidadania;

2. Fomentar a inserção da criança em grupos sociais diversos, no respeito pela pluralidade das culturas, favorecendo uma progressiva consciência do seu papel como membro da sociedade;

3. Contribuir para a igualdade de oportunidades no acesso à escola e para o sucesso da aprendizagem;

4. Estimular o desenvolvimento global de cada criança, no respeito pelas suas características individuais, incutindo comportamentos que favoreçam aprendizagens significativas e diversificadas;

5. Desenvolver a expressão e a comunicação através da utilização de linguagens múltiplas como meios de relação, de informação, de sensibilização estética e de compreensão do mundo;

6. Despertar a curiosidade e o pensamento crítico;

7. Proporcionar a cada criança condições de bem-estar e de segurança, designadamente no âmbito da saúde individual e colectiva;

8. Proceder à despistagem de inadaptações, deficiências e precocidades, promovendo a melhor orientação e encaminhamento da criança;

9. Incentivar a participação das famílias no processo educativo e estabelecer relações de efectiva colaboração com a comunidade.

EXPRESSÃO MUSICAL

“A Expressão Musical assenta num trabalho de exploração de sons e ritmos, que a criança produz e explora espontaneamente e que vai aprendendo a identificar e a produzir, com base num trabalho sobre os diversos aspectos que caracterizam os sons: intensidade (fortes e fracos), altura (graves e agudos), timbre (modo de produção), duração (sons longos e curtos), chegando depois à audição interior, ou seja, a capacidade de reproduzir mentalmente fragmentos sonoros. A expressão musical está intimamente relacionada com a educação musical que se desenvolve, na educação pré-escolar, em torno de cinco eixos fundamentais: escutar, cantar, dançar, tocar e criar. O trabalho com o som tem como referência o silêncio, que nunca é absoluto, mas que permite ouvir e identificar o fundo sonoro que nos rodeia. Saber fazer silêncio para poder escutar e identificar esses sons faz parte da educação musical.

ESCUTAR

A exploração das características dos sons pode passar, também, por escutar, identificar e reproduzir sons e ruídos da natureza – água a correr, vento, “vozes” dos animais, etc. – e da vida corrente como o tic-tac do relógio, a campainha do telefone ou motor do automóvel, etc.

CANTAR

A relação entre a música e a palavra é uma outra forma de expressão musical. Cantar é uma actividade habitual na educação pré-escolar que pode ser enriquecida pela produção de diferentes formas de ritmo. Trabalhar as letras das canções relaciona o domínio da expressão musical com o da linguagem, que passa por compreender o sentido do que se diz, por tirar partido das rimas para discriminar os sons, por explorar o carácter lúdico das palavras e criar variações da letra original.

DANÇAR

A música pode constituir uma oportunidade para as crianças dançarem. A dança como forma de ritmo produzido pelo corpo liga-se à expressão motora e permite que as crianças exprimam a forma como sentem a música, criem formas de movimento ou aprendam a movimentar-se, seguindo a música. A dança pode também apelar para o trabalho de grupo que se organiza com uma finalidade comum.

O acompanhamento musical do canto e da dança permite enriquecer e diversificar a expressão musical. Este acompanhamento pode ser realizado pelas crianças, pelo educador ou recorrer a música gravada.

CRIAR

Se instrumentos de percussão simples podem ser construídos pelas crianças relacionando-se com o domínio da actividade plástica, estas poderão também utlizar instrumentos musicais mais complexos e com outras possibilidades – jogos de sinos, triângulos, pandeiretas, xilofones, etc. – que deverão ter grande qualidade. Outros instrumentos poderão ser usados pelo educador como a flauta, a guitarra…

A utilização de um gravador permite registar e reproduzir vários tipos de sons e músicas que, podendo ser um suporte para o trabalho de expressão, possibilita ainda que as crianças alarguem a sua cultura musical, desenvolvendo a sensibilidade estética neste domínio.”

Adaptado da Lei n.º 5/97, de 10 de Fevereiro
(Lei Quadro da Educação Pré-Escolar)

Crianças do jardim de Infância tocando

Crianças do jardim de Infância tocando

Relógio antigo

Quando o relógio bate à uma

Esta brincadeira cantada pode ser realizada tanto em casa como na escola, no 1º Ciclo (1º-3º anos) e na educação pré-escolar.

Duas ou três crianças estão em casa na sala, deitados no chão com os olhos fechados, em condições de higiene adequadas. Uma diz as rimas ou canta, acompanhando com toque de tambor ou clavas (que podem ser duas colheres de pau). Clica AQUI para ouvires a melodia. Em cada hora, as crianças representam o texto com gestos, ações e movimentos. No início e no fim, dizem (ou cantam) a onomatopeia tiquetaque.

Tiquetaque tiquetaque
tiquetaque tiquetaque.

1. Quando o relógio bate à uma,
os esqueletos saem da tumba.

Tumba latumba latumbabá. 
Tumba latumba latumbabá.

2. Quando o relógio bate às duas,
os esqueletos andam nas ruas.

Tumba latumba latumbabá. 
Tumba latumba latumbabá.

3. Quando o relógio bate às três,
os esqueletos jogam xadrez.

Tumba latumba latumbabá. 
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às quatro,
os esqueletos fazem teatro.

Tumba latumba latumbabá. 
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às cinco,
os esqueletos compram um brinco.

Tumba latumba latumbabá. 
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às seis,
os esqueletos imitam os reis.

Tumba latumba latumbabá. 
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às sete,
os esqueletos tocam trompete.

Tumba latumba latumbabá. 
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às oito,
os esqueletos fazem biscoito.

Tumba latumba latumbabá. 
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às nove,
os esqueletos vêem se chove.

Tumba latumba latumbabá. 
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às dez,
os esqueletos lavam os pés.

Tumba latumba latumbabá. 
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às onze,
os esqueletos correm para o bronze.

Tumba latumba latumbabá. 
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às doze,
os esqueletos comem a dose.

Tumba latumba latumbabá. 
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate à uma
os esqueletos voltam à tumba.

Tumba latumba latumbabá. 
Tumba latumba latumbabá.

[ Adaptação de António José Ferreira ]

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Relógio antigo

Relógio antigo

 

Cantigas de roda especiais

CANTIGAS DE RODA ESPECIAIS

As cantigas de roda são criações musicais anónimas transmitidas oralmente de geração em geração. Podem tratar de vários temas, como os animais, o amor e a amizade. A letra é simples brincalhona, e a rima favorece a aprendizagem e memorização. O seu potencial é enorme e faz todo o sentido recriá-los e adaptá-los de modo a incluir crianças com necessidades educativas especiais.

Brincar em roda, cantando em uníssono de mãos dadas, possibilita a socialização e a coletividade entre as crianças que podem dançar e fazer coreografias divertidas. Pela sua importância cultural, as cantigas de rodas são realizadas em escolas públicas, privadas, em creches ou em espaços de educação não formal e ONG. Muitos professores fazem estas brincadeiras para ensinar as crianças sobre a importância da cultura folclórica.

Cai, cai balão

– Cai, balão! Cai, balão
Cai na rua do sabão!
– Não cai não! Não cai não,
Cai aqui na minha mão!

Cai, balão! Cai, balão,
Aqui na minha mão!
– Não cai não! Não cai não,
Tem cuidado com o cão!

Instruções

As crianças estão numa roda pequena. Quando começa a canção/poema, o balão é lançado e ninguém deve deixá-lo cair tendo, para isso, de o lançar com a mão para cima utilizando a força adequada.

Pode fazer-se em casa, de forma adaptada, entre adulto e criança sem limitações motoras significativas. Se estas limitações impedirem a mão da criança de se mover, a canção e o balão servirão para chamar a atenção da criança e despertar os sentidos. Neste caso, o adulto deixará que o balão caia tocando na mão, na cabeça ou nas pernas da criança. ]

Meu limão

Meu limão, meu limoeiro,
Meu pé de maracujá.
Uma vez, tindolelé,
Outra vez, tindolalá.

Pirulito bate, bate,
Pirulito já bateu!
Quem gosta de mim é ela,
Quem gosta dela sou eu.

Instruções

As crianças estão numa roda. Uma tem um limão, ou maracujá, que passa de mão em mão, na pulsação, sem cair. A criança que tiver o fruto na última palavra da canção/poema vai para o centro, e assim sucessivamente.

Na roda, ou em família, o grupo ajuda as crianças com necessidades especiais a participar tocando e sentindo o cheiro do fruto. Com dois, passam de um para o outro. Se a criança não conseguir passar, será o adulto a fazer os gestos necessários para que os sentidos da criança sejam envolvidos e estimulados. ]

Em casa, uma roda de cantigas pode ser um momento de diversão e desenvolvimento quando existe na família uma criança pequenina. Faz bem às crianças e dá felicidade aos adultos.

Olha o bichinho

Olha o bichinho
que está no meio
Ele é fofinho
e não é feio.

Deixai-o lá!
Está a dormir, a descansar.
Só depois é que o bichinho
diz quem dele vai cuidar.

Bichinho! 

Instruções

As crianças estão numa roda, com o bichinho no meio, com os olhos tapados. As crianças recitam ou cantam (com a melodia de Ó Laurindinha) as duas quadras andando na roda. Quando as crianças dizem/cantam “Bichinho!”, depois das quadras, o “bichinho” aponta com o dedo (de olhos fechados) e o que for apontado irá para o meio. Na vez seguinte, a criança escolhida para cuidar será substituída por outra, e assim sucessivamente. Quando há uma criança em cadeira de rodas, pode estar na roda ou no meio. Se não conseguir apontar, uma criança fará de tutor.

Em casa, com um balão cheio, o adulto diz um verso e repete; depois dois e a quadra toda. Não podendo realizar-se em pequena roda de três ou quatro, faz-se só entre adulto e criança.

Em casa, entre adulto e criança com deficiência profunda, coloca-se um animal de peluche entre eles. O adulto recita ou canta as duas quadras, (com a melodia de “Ó Laurindinha”). A criança sente a textura do bichinho e interage conforme as possibilidades. Depois dão uma volta, a pé ou em cadeira de rodas, pela sala, e regressam ao lugar do bichinho.

António José Ferreira

Criança com multideficiência tocando

Instrumentos acessíveis e fáceis de reciclar

Acessíveis e inclusivos são os instrumentos musicais que, adaptados a crianças com deficiência, são igualmente eficazes com crianças sem necessidades especiais.

Os instrumentos apresentados neste artigo foram utilizados por crianças em Unidade de Apoio Educativo a Crianças com Multideficiência. Podem ser replicados e tocados por todas as crianças, na escola e em casa, com a ajuda de familiares adultos. Por razões económicas, pedagógicas e ambientais, são uma vantagem para educadores de infância e professores de Música nas Atividades de Enriquecimento Curricular e Música Adaptada.

Tambor de tampa:

Tampa de balde de azeitona e baqueta de plástico

A tampa de um balde de azeitonas pode desenvolver a criatividade e o bem-estar da criança. Basta lavá-la e mantê-la limpa. Há tampas com vários tons de verde, vermelho, amarelo, castanho. São ferramentas úteis para desenvolver o conhecimento das cores. Muitas vezes, a própria criança mostra ao adulto o que consegue e gosta de fazer com o objeto. ]

Maraca-lagarta:

Maraca com arroz feita de tampas de amaciador 

A maraca-lagarta é um objeto múltiplo feito com tampas de amaciador da roupa que encaixam umas nas outras. Para fazer uma boa maraca basta colocar arroz lá dentro e encaixar bem, deixando a última sem tampa. Se o seu educando gosta de encaixar objetos, não coloque dentro grãos pequenos mas objetos maiores como castanha, ou castanha da Índia, ou outros (tendo sempre o cuidado de não serem risco para a segurança.) ]

Almofariz:

Utilização rítmica do almofariz 

O almofariz de madeira que utiliza na cozinha para pisar condimentos, nozes e alho pode funcionar como instrumento musical de percussão direta, batendo com o pilão na base ou nas paredes. ]

Clavas de encaixe:

Tubos de cana abertos num dos lados ]

Além de servirem para bater da forma convencional – batendo com a menor na maior – duas clavas de cana de bambu furadas, com diâmetros adequados, podem ser um instrumento musical e um brinquedo, quando a criança se diverte a encaixar uma na outra e a bater dessa forma. ]

Maraca de braço:

Maraca acessível feita por Sílvia Faria ]

Para crianças com sérias limitações em termos de motricidade, é possível fazer pulseiras sonoras ou maracas de pulso que proporcionam experiências sonoras e bem-estar. Se tiver um familiar que costure, dê asas à imaginação e crie alternativas sonoras para o seu educando.

Saqueta de sons:

Peúga com conchas ]

Tem meias bonitas que já não servem ao seu educando? Guarde-as e poderá criar com elas objetos sonoros interessantes com que pode fazer jogos de música e motricidade. O som e o cheiro vai variar conforme o que colocar na meia: conchas, pedrinhas, caroços de frutos, ervas aromáticas secas, sementes de melão.

Maraca cilíndrica:

Recipiente cilíndrico de toalhitas ]

Um recipiente cilíndrico de toalhitas ou de ração de tartaruga pode tornar-se um brinquedo ou um instrumento sonoro em que pode colocar, conforme as competências e características do seu educando, arroz, grãos ou objetos maiores. 

Pulseira sonora:

Pulseira sonora feita por Sílvia Faria ]

Se tiver na família ou entre os amigos alguém quem saiba de costura, obtenha pulseiras sonoras ou maracas de pulso que proporcionam experiências sonoras agradáveis ou surpreendentes.

Guizeira de pulso:

Instrumento acessível feito por Sílvia Faria ]

Maiores limitações exigem maior engenho. Quando as crianças têm grandes dificuldades em mover o braço, uma das soluções poderá ser criar guizeiras de pulso. 

Chincalho:

Cabo, tampas de frascos de néctar e parafuso ]

A faca partiu e resta um bom cabo? Basta fixar tampas metálicas (de frasco de sumo tipo COMPAL), depois de furadas com prego grosso e martelo. Atravessando-as com um parafuso grande, tem um chincalho seguro, funcional, resistente e duradoiro.

Tambor de frasco:

Frasco de champô percutido com pauzinho ]

Com um pauzinho e um frasco de champô lavado e seco, reciclado, pode ter um instrumento que pode ajudar o seu filho a desenvolver diversas competências psicomotoras, contar, dizer frases curtas, acompanhar canções. ]

Vaso metálico reutilizado:

Vaso utilizado com finalidade diferente ]

Um vaso metálico e uma baqueta que encontra no IKEA a bons preço pode servir para tocar, seja com baqueta de plástico seja com uma colher de pau, ou pauzinho.

Maracas geométricas:

Maracas geométricas ]

Diversos frascos e boiões tornar-se maracas com cores e formas diversas (cilíndricas, oval, paralelipipédica e esférica.) Basta colocar lá dentro sementes ou grãos de cereal.

Saqueta:

Resto de pano com feijão preto dentro ]

Saquetas podem ser reutilizadas para fins didáticos e musicais, colocando dentro cascas de noz, búzios ou conchas. Pode fazer jogos cantados como: “Fui ao saco das amêndoas sem a minha mãe saber. Tirei uma, tirei duas… (até 10).  Que guloso que tu és!

Redinha de pedras:

Rede com pedrinhas recolhidas na praia ]

Areias dentro de uma saqueta podem suscitar o interesse da criança, em termos de som, de cores e de textura. ]

Hemisférios às avessas:

Idiofone feito das metades de esfera ]

Metades coloridas de recipientes esféricos de chocolate ou de surpresas de máquina podem funcionar como castanholas reutilizadas.

Castanholitas:

Doseadores de detergente para máquina de lavar roupa

Tampas maleáveis de doseador de detergente para máquina de lavar roupa podem servir de instrumento musical com timbre agradável e intensidade suave. Também pode utilizá-los para fazer jogo simbólico, fazendo de conta que é um copo (que pode passar-se entre adulto e criança ou encaixar.) ]

Tampa circular multiusos:

Tampa de balde de azeitona ]

Há crianças que, apesar de limitadas em termos de motricidade e fala, entendem muitas palavras e gestos dos adultos e gostam de fazer de conta. Uma tampa circular pode tornar-se um volante, uma máscara, um chapéu, um prato, uma pizza, um leque… Invente como fazia quando o seu filho era bebé, ou utilize canções tradicionais conhecidas. ]

Castanhola de parafuso:

Material para sustentação de cortinas e parafuso 

Em lojas ditas “dos Chineses” encontra estes objetos de madeira que servem para fixar varões de cortinas. Basta colocar um parafuso grande e tem um instrumento de percussão direta que dá para bater ou friccionar. Há crianças que gostam muito deste tipo de instrumentos. ]

António José Ferreira

Instrumento musical reciclado para crianças com ou sem necessidades educativas especiais

Este é um álbum de instrumentos reciclados inclusivos que podem ser replicados e tocados por todas as crianças, na escola e em casa, com a ajuda de familiares adultos. As fotografias deste artigo apresentam crianças portadoras de multideficiência e de necessidades especiais em ação e foram feitas ao longo de anos. Representam parte do trabalho em Unidade de Apoio Especializado à Multideficiência e crianças com NEE do Ensino Regular. Tendo em conta as vantagens económicas, pedagógicas e ambientais, são um recurso que beneficia a prática de educadores de infância e professores de Música nas Atividades de Enriquecimento Curricular/Música Adaptada.

Bombos reutilizados:

Baldes de óleo de motor de automóvel da Shell ]

Castanhola de parafuso:

Material para sustentação de cortinas e parafuso ]

Chinca-chinca:

Idiofone de madeira feito de peças de sustentação de cortina ]

Frascos de vento:

Cabide com frascos de champô presos por fios ]

Geme-geme:

Lata, cabo reutilizado e parafuso grande ]

Tambor de tampa circular reutilizado:

Tampa de balde de azeitona e baqueta de plástico ]

Maraca-lagarta:

Maraca com arroz feita de tampas de amaciador da roupa enfiadas umas nas outras ]

Maraca cilíndrica grande:

Recipiente cilíndrico de plástico (de ração para peixes), com grãos de arroz ]

Requemola:

Mola de guarda-chuva e raspador ]

Almofariz:

Utilização rítmica do almofariz ]

Clavas de cana:

Tubos de cana de bambu ]

Clavas de enfiamento:

Tubos de cana abertos num dos lados ]

Colar de argolas:

Argolas de cortina ]

Chincalho de argolas reutilizado:

Materiais para sustentação de cortina ]

Maraca de braço:

Maraca acessível com velcro feita por Sílvia Monteiro ]

Saqueta de sons:

Peúga com conchas ]

Maraca cilíndrica grande:

Recipiente cilíndrico de toalhitas ]

Pulseira sonora:

Pulseira sonora feita por Sílvia Monteiro ]

Saqueta sonora:

Saqueta com conchas ]

Guizeira de pulso:

Instrumento acessível feito por Sílvia Monteiro ]

Chincalho:

Cabo, tampas de frascos de néctar e parafuso ]

Tambor de frasco:

Frasco de champô percutido com pauzinho ]

Vaso metálico reutilizado:

Vaso utilizado com finalidade diferente ]

Maracas geomátricas:

Maracas geométricas ]

Saqueta:

Resto de pano com feijão preto dentro ]

Redinha de pedras:

Rede com pedrinhas recolhidas na praia ]

Litofone de mão:

Pedras recolhidas na praia ]

Paulitos:

5 pares de paulitos ]

Hemisférios às avessas:

Idiofone feito das metades de esfera ]

Clavas de cana de bambu:

Bocados de cana reutilizados ]

Círculos mágicos:

Tampas que se tornam diferentes objetos em jogos criativos ]

Chocalhos de vento:

Cabide com chocalhos pendentes ]

Castanholitas:

Doseadores de detergente para máquina de lavar roupa ]

Arena com bola:

Tampa circular com bola a rolar no sentido dos ponteiros do relógio ou em sentido contrário ]

Tampa circular multiusos:

Tampa de balde de azeitona ]

Maracas de tampas de amaciador:

Maracas de tampas de amaciador ]
Criança com multidefiência ao teclado

Álbum com crianças portadoras de multideficiência e necessidades especiais, em geral, tocando instrumentos musicais didáticos, tradicionais, digitais e reutilizados, de Unidades de Apoio Especializado à Multideficiência ou de turmas do Ensino Regular.

Guitarra clássica:

Criança com síndrome CHARGE dedilhando ]

Sinetas de botão de altura definida:

Tocando e vocalizando ]

Darabuca:

Criança com atraso do Ensino Regular ]

Pandeiro:

Criança com multideficiência tocando ]

Teclado digital:

Menina com síndrome de Angelman ]

Tambor multissensorial:

Criança com NEE em UAEM ]

Castanhola de cabo com elefante:

Menina com NEE em UAEM ]

Teclado:

Criança com multideficiência em UAEM ]

Pandeireta com abelha:

Menina com NEE em UAEM ]

Teclado:

Atento ao piano ]

Metalofone de lâminas soltas:

Tocando escala pentatónica ]

Maraca dupla de madeira:

Criança tocando em UAEM ]

Pandeireta:

Criança em UAEM ]

Guizeira didática:

Criança com deficiência em UAEM ]

Concertina de brincar:

Criança com síndrome de Angelman tocando ]

Rela:

Criança com multidefciência ]

Pianica de animais:

Menino com síndrome de Angelman ]

Maraca múltipla:

Criança da Pré-Escola tocando ]

Kashaka:

Menino com síndrome de Angelman em UAEM ]

Reco-reco didático:

Criança com síndrome CHARGE ]

Bateria digital Yamaha:

Instrumentos musicais didáticos, tradicionais e reutilizados tocados por crianças com necessidades educativas especiais em Unidades de Apoio Especializado à Multideficiência ou em turmas do Ensino Regular
Criança com NEE do Ensino Regular ]

Maraca cilíndrica de madeira:

Criança com NEE da educação pré-escolar ]

Jambé:

Menino com NEE em UAEM ]

Tamborete:

Criança com NEE em idade pré-escolar ]

Címbalo:

Menino com autismo, em UAEM ]

Maraquita cilíndrica:

Criança com NEE em idade pré-escolar ]

Pandeiro árabe:

Criança com NEE em Educação de Infância ]

Bongós:

Menina com NEE, síndrome de Down, em UAEM ]

Castanhola de cabo:

Criança com NEE de UAEM ]

Caxixi:

Criança com NEE em UAEM ]

Crótalo didático:

Criança com deficiência ]

Tubo melódico:

Criança com síndrome de Angelman ]

Minimetalofone:

Menino com NEE em UAEM ]

Prato suspenso:

Menino com síndrome CHARGE ]

Guizeira semicircular:

Menina com NEE em UAEM ]

Metalofone:

Criança com autismo tocando lâminas do acorde de Dó ]

Metalofone colorido:

Criança com deficiência tocando ]

Nota solta de metalofone:

Criança com multideficiência tocando ]

Tambor circular Remo:

Criança com multideficiência ]

Darabuca:

Menino com síndrome de Angelman tocando ]

Bomwackers:

Menina com NEE em UAEM ]

Pratinhos de choque:

Criança com síndrome de Angelman ]

Teclado eletrónico:

Menino com multideficiência dedilhando ]

Clavas:

Menina com NEE em UAEM ]

António José Ferreira