Recursos musicais de apoio a técnicos e famílias de crianças portadoras de necessidades educativas especiais

Música e atraso com ataxia

Música e atraso de desenvolvimento global com ataxia

“O atraso global do desenvolvimento psicomotor (ADPM) é definido como um atraso significativo em várias domínios do desenvolvimento como sejam a motricidade fina e/ou grosseira, a linguagem, a cognição, as competências sociais e pessoais e as actividades da vida diária.”

José Carlos Fereira

“A Ataxia caracteriza-se por perda de coordenação dos movimentos musculares voluntários, devido a uma disfunção neurológica subjacente a certas partes do cérebro, nomeada e principalmente ao cerebelo, à espinal medula e/ou aos nervos periféricos”.

A “Xana” tem 8 anos e apresenta atraso de desenvolvimento global com ataxia. Não anda sendo deslocada em cadeira de rodas. Praticamente não mexe a mão direita. Quando eu chego à sala, diz a única palavra do seu vocabulário: “Olá!”. Procura chamar a minha atenção, e insiste até que vá ter com ela.

Vai com o “Dinis” para a sessão de “Música Adaptada”, na sala de música. Pelo caminho, chama a atenção para os desenhos feitos na Unidade de Apoio Especializado à Multideficiência e pelas turmas do ensino regular. Gostam muito um do outro e mantêm uma enorme cumplicidade desde que estão na UAE. Ele adora empurrar a cadeira de rodas. É um bocadinho medroso e tem algum receio que a porta do elevador o aperte. Sou eu a puxá-lo impedindo que a porta se feche e ele fique do lado de fora. A menina ri-se muito de o colega ter medo. O Dinis aproveita para lhe dar beijinhos na cabeça e na bochecha.

Na sala, dou uma maraca, reutilizada mas eficaz e adaptada, a cada um. A Xana aponta o colega para se queixar de que ele não toca o instrumento. Às vezes, dá-lhe o seu instrumento; outras vezes quer o dele. Ele é o brincalhão, ela é a responsável.

Dou um círculo mágico a cada um, uma tampa de plástico que tem diversas finalidades, como instrumento e objeto lúdico. Ela recorda a canção:

“Béu, béu, vai ao céu,
Vai buscar o meu chapéu.

É uma atividade que fazemos por vezes com a turma. Ela lembra-se, e toma a iniciativa de a colocar na cabeça. Depois segura com a direita e move com esquerda, recordando a canção “Sabes, eu comprei um carro novo”. Nesta dinâmica pedagógica as crianças simulam um volante e conduzem com regras na sala. Lembra-se ainda a máscara e o leque abanando a tampa em frente do rosto.

Tenho uma maraca constituída por um boião de Nivea lavado a que retirei a etiqueta. Cheiro e dou-lho. Ela leva também ao nariz para cheirar e quer que o Dinis também cheire.O Dinis tenta agarrá-la, mas ela segura com a mão esquerda.

Gosta que lhe coloque uma guizeira de pulso e outras pulseiras musicais adaptadas feita pela professora Sílvia Monteiro.

Ri-se de feliz que está, e vaidosa pela sua pulseira colorida.

Gosta de me agarrar a mão e de ser elogiada por tocar bem. Para responder não a uma pergunta, mexe a mão esquerda. E é também com ela que diz “adeus”.

Revela um empenho extraordinário em imitar o professor e tocar todos os instrumentos apresentados em sessão individual ou em grupo. Toca com interesse uma grande diversidade de instrumentos e gosta de dedilhar ao piano.

Música e atraso com ataxia
Criança com atraso com ataxia dedilhando ao piano

Procura imitar diversos gestos musicais do professor, faz de conta, e brinca às escondidas com tamborim. Aproxima certos instrumentos do ouvido para escutar melhor. Simula susto e ri-se quando produz sons fortes, sabendo que eu vou dizer: “Ai que barulho!”.

Descobre como certos instrumentos funcionam e utiliza-os de acordo as limitações das mãos.

Percute clavas sozinha e sabe que tubos de cana de bambu soam soprando, embora não consiga produzir som.

António José Ferreira

Música e atraso com ataxia
Música e atraso com ataxia
Partilhe
Share on Facebook
Facebook
Música e macrocefalia vera

Microcefalia (do grego micrón, pequeno + céphalon, cabeça) é uma condição neurológica em que o tamanho da cabeça e/ou seu perímetro cefálico occipito-frontal (OFC) é dois ou mais desvios padrão abaixo da média para a idade e sexo.

Wikipédia

Amaurose é a perda da visão parcial ou total, o termo técnico para denominar cegueira. Pode acometer um olho (unilateral) ou os dois olhos (bilateral), pode desenvolver-se ao longo dos anos, de forma rápida em alguns dias ou de forma súbita em poucas horas.

Médico Responde

Música e microcefalia vera e amaurose parcial

Diagnosticada com “microcefalia vera” e amaurose parcial, a “Alda” vai comigo da sala da Unidade de Apoio Especializado (UAE*) para a sala de música. Tem défice de visão mas caminha sozinha, embora eu tenha cuidados com ela, sobretudo ao subir escadas.

Ao longo do percurso de um longo corredor, vai conservando. Não entendo certas palavras que ela diz porque ela mexe pouco os lábios e troca alguns sons. Fala também com as auxiliares que encontra e que identifica, por vezes, só pelo ouvido.

Gosta de dar beijinhos e, quando passa em frente da professora “Iva”, como a porta está aberta, quer entrar. A turma está a dar Matemática e eu receio que a interrupção perturbe a aula. É muito carinhosa e insistente. Isso joga a favor dela, porque a professora chama-a e abraçam-se com força. Mas não podemos demorar que o tempo da sessão é escasso.

Já na sala, eu tiro da mala a bateria digital que, além de sons de bateria e outras percussões, tem uma “caixa” de 50 instrumentais de diferentes géneros. Eu posso calar elementos de ritmo ou harmonia e alterar o andamento, tocando outro instrumento. Além disso, o aluno pode tocar com duas baquetas, como numa bateria. Sobre os instrumentais gravados faço improvisação vocal e crio canções para diversos momentos.

Cantamos uma canção de bom dia e acrescentamos nomes de pessoas que ela saúda todos os dias, em casa e na escola. A “Alda” recorda muitas vezes a “Sónia”, a mana bebé a quem ela gosta de cantar:

Come a papa, come a papa,
ó “Sónia”!
Come, come a papa!
Come, come a papa,
ó “Sónia!”

Para melhorar a sua capacidade de expressão e facilitar a comunicação com os outros, enriquecemos a canção com outras frases baseadas nas suas vivências, como “Bebe o leite”.

Entretanto, ela conta que foi ao médico e acabo por criar uma pequena canção. Passo a ser o médico e ela a doente:

Olá, bom dia,
Ó senhor doutor!
Veja o meu ouvido!
Tenho uma dor!

Trocamos “ouvido” por outras partes do corpo, por ordem descendente, para mais facilmente eu me lembrar. Está decidido que a nova canção vai ser cantada na sessão conjunta com as crianças da turma a que pertence a “Alda”. Na atividade de grupo com as crianças da sala de apoio à aprendizagem e a turma, as crianças vão-se organizar em pares. Uma será o médico, outra o paciente. Ora se canta, ora se faz de conta e mudam-se os papéis porque, em algum momento, todos somos doentes.

Ela gosta muito de ver outras crianças na sala do CAA, especialmente da “Bela”, e adora almoçar com ela na cantina. A amiga também tem necessidades de aprendizagem. É desta conversa sobre a “Bela” que nasce outra pequenina canção: Quando a “Bela” chegar E o casaco pendurar, Comigo vai brincar E depois almoçar, Connosco!

– Com quem? E ela gosta de repetir, rindo-se, “Connosco!”.

A “Alda” memoriza e pede certas canções na sessão seguinte, ou começa mesmo a cantar. Já não se limita a cantar “Pingo Doce! Venham cá!”, a que nós acrescentámos todas as superfícies comerciais que conhece.

O professor faz piadas com música a partir de coisas que ela diz. Ela dá gargalhadas com gozo e o seu repertório vai-se alargando, todas as semanas.

*UAE – Unidade de Apoio Especializado para a Educação a Alunos com Multideficiência e Surdocegueira Congénita

António José Ferreira

Partilhe
Share on Facebook
Facebook
Música e deficiência mental

Música e deficiência mental moderada-grave

Crónicas de Música Adaptada

Muito agitada na sala de aula, a “Tina” que tem deficiência mental moderada-grave, começou a ter “Oficina dos Sons Adaptada”. É prestável e quer ajudar-me a levar uma pequena mochila com instrumentos adaptados, que acaba por deixar cair. E pede desculpa.

Entramos na sala onde vão decorrer as sessões ao longo do ano. Ela fica muito curiosa sobre o que há na mala e na mochila.

Canta uma canção que eu desconheço, “A linda Rosa juvenil”. Só canta o primeiro verso.

Começamos uma atividade com pandeiro e ela interrompe: “Para”. Eu digo: “Não, agora é a minha vez de tocar”. Depois toca maracas coloridas a acompanhar música instrumental. Tem pouca permanência na atividade, e volta a cantar dançando “A linda Rosa juvenil”. Eu digo que desta vez trago internet e prometo que às 14:10 lhe mostro a canção no telemóvel.

Coloco-lhe duas pulseiras musicais feitas pela Sílvia Monteiro e ela sente-se ainda mais feliz a dançar e fica com as pulseiras até ao fim da sessão. Eu cumpro a promessa de lhe mostrar o vídeo e fico a conhecer a tão citada canção.

Ela canta vários versos e eu já posso ajudá-la um pouco mais a partir do que ela gosta. Assim se vai negociando e gerindo o tempo para que ela aprenda e se sinta bem com música.

A linda Rosa juvenil, juvenil, juvenil.
A linda Rosa juvenil, juvenil.

Vivia alegre no seu lar, no seu lar, no seu lar.
Vivia alegre no seu lar, no seu lar.

Um dia veio a bruxa má, bruxa má, bruxa má.
Um dia veio a bruxa má, bruxa má.

Adormeceu a Rosa assim. Foi assim, foi assim.
Adormeceu a Rosa assim. Foi assim.

O tempo passou a correr, a correr, a correr.
O tempo passou a correr, a correr.

O mato cresceu ao redor, ao redor, ao redor.
O mato cresceu ao redor, ao redor.

Um dia veio um belo rei, belo rei, belo rei.
Um dia veio um belo rei, belo rei.

E despertou a Rosa assim, foi assim, foi assim.
E despertou a Rosa assim, foi assim.

Puseram-se eles dançar, a dançar, a dançar.
Puseram-se eles dançar, a dançar.

Batemos palmas ao casal, ao casal, ao casal.
Batemos palmas ao casal, ao casal, ao casal.

[ Esta canção infantil tradicional do Brasil está na internet. Foram feitas algumas alterações ao texto que me pareceram convenientes. A estória pode ser cantada e representada na sala de aula, com as personagens referidas (Rosa, bruxa, rei) ].

Música e deficiência mental
Criança com deficiência mental

António José Ferreira

Partilhe
Share on Facebook
Facebook
Bombos reciclados

Défice de atenção e imaturidade psicoafetiva

O défice de atenção corresponde à ocorrência de períodos de atenção escassos ou breves e uma impulsividade exagerada para a idade. Este défice pode associar-se ou não à hiperatividade. Embora seja mais comum nas crianças, pode também afetar os adultos.

CUF

Crónicas de Música Adaptada

Sessão 1

O Micael é uma criança com défice de atenção, imaturidade psicoafectiva e dificuldades relacionadas com os processos de leitura e escrita. Eu espero-o na sala destinada pela escola às sessões de Música Adaptada. Em cima de uma mesa, há copos e um bolo de aniversário ornamentado com uma baliza e uma bola de futebol, sinais de que vai haver festa.

Eu retiro da mala um instrumento digital e coloco-o numa das mesas. O Micael senta-se e olha um instrumento que não conhecia. Digo-lhe que é uma bateria digital e apresento-lhe funções que poderá utilizar: escolher diferentes percussões, percutir com baquetas, selecionar padrões rítmico-harmónicos com os botões para baixo ou para cima. Peço-lhe que selecione o padrão 2, com que vamos cantar a canção de boa tarde.

Eu canto uma vez, ao som da música instrumental:
“Olá, boa tarde,
Olá meu amigo!
Vamos lá cantar,
Depois vou jogar contigo!”

Ele diz-me que o “Carlos” é o seu amigo preferido porque joga à bola com ele. E cantamos como se o colega estivesse presente. Eu pergunto-lhe se tem outros amigos e ele vai dizendo, e nós cantamos aos amigos e à amizade.

Peço-lhe que selecione o padrão 3, que ele faz sem dificuldade. A professora titular disseram-me que ele é melhor a Matemática do que a Português. Como sei que ele gosta de jogar à bola, cantamos, sobre o instrumental selecionado:

Dá-me, dá-me uma bola,
P’ra jogar na escola,
P’ra jogar na escola.

Lanço-lhe uma bola de peluche que ele apanha. Recebe e passa com precisão e satisfação. E ganha-me, porque, entretanto, deixo a bola cair ao chão.

Fazemos alterações no texto:

Quero uma bola nova… ou:
Eu já tenho uma bola…

Ele canta de forma tímida mas apercebo-me de tem uma afinação acima da média e elogio-o. Ele fica contente. O reforço positivo é especialmente importante neste caso, porque o aluno tem baixa autoestima, de acordo com informação da professora titular.

Quase a terminar a sessão, aparece a professora de 1º e 2º anos com a sua turma para celebrar os anos do Rafael. A turma do Micael também é convidada. Enquanto não chega, aprendemos uma canção de parabéns original. O aniversariante toca um tambor da marca Remo que eu lhe empresto, e o Micael toca maraca.

Com todas as crianças reunidas, cantamos a canção de parabéns original:

Vamos lá cantar,
Vamos festejar.
Ao nosso amigo Rafa
Um abraço vamos dar.
Parabéns, parabéns!
Ao nosso amigo Rafa
Um abraço vamos dar!
Oh Yeah!
Um abraço!

Eu pergunto às crianças:

– Que podemos dar-lhe além de um abraço?
– Uma prenda – responde alguém.

E continuamos cantando cumulativamente com:

abraço
prenda
beijinho!

Oh yeah!
Mais uma vez!

– Tiveste sorte, Rafa… Até tiveste animação de graça! Agradece ao professor.

Eu realço:
– Agradece antes ao Mica. A ele o deves!

E ele diz “obrigado” ao amigo.

Sessão 2

Na semana seguinte, como habitualmente, o Micael entra na sala a sorrir. Fala pouco e baixo. Começamos com a canção de saudação da semana anterior. Ele marca a pulsação com duas baquetas, alternadamente, na bateria digital.

Diz-me nomes de amigos, que acompanhamos com ritmo: “Carlos” (tá tá), Manuel (titi tá) e Gonçalo (ti tá ti).

Em seguida, digo a frase, “Toca tu” e ele reproduz o meu padrão rítmico. Trocamos de posições: ele diz e eu toco. Eu toco um padrão mais difícil: “Toca, toca, toca tu”. Ele reproduz; trocamos novamente de posições.

Eu tenho uma arena de plástico (tampa reutilizada de balde de azeitonas). Dizemos e cantamos:

Roda a bola,
Roda, rola,
Numa arena
Da escola.

Depois, ele faz a bola rodar. Mostro-lhe o cronómetro do telemóvel. Ele começa a rodar a bola, no sentido dos ponteiros do relógio. Mostro-lhe o tempo no visor e ele identifica os números: 2’53’’23’’’. Minutos depois ainda se lembra dos minutos, segundos e centésimos de segundo.

Com um pássaro de peluche, cantamos:

Tem coragem passarinho,
Salta agora de teu ninho.

Contamos 10 pés. Ele ao princípio não consegue, mas aprende rapidamente. E consegue receber o pássaro e lançá-lo com precisão, 10, 15, 20 e 25 pés.

Fazemos mais um jogo:

Jogo à bola,
Passo a bola
Aos colegas
Da escola.

Sentamo-nos nos lados menores de uma mesa, passando uma bola, como se fosse um jogo de baliza a baliza. Ele joga passa com precisão e o jogo termina empatado a 0. Depois jogamos com uma bola um pouco maior e ela ganha 3-0 ao professor.

Encontramo-nos para a terceira sessão. A forma de saudar preferida do “Micael” é sorrir. Procuramos melhorar a capacidade de expressão e comunicação com canções e dinâmicas que ele adora e que o levam de forma natural a falar melhor e mais alto.

Entretanto, chega a professora “Adélia”, titular de uma das turmas da escola. Fico a saber que o Micael se esqueceu de dar um recado. Ela adorou a animação ocasional pelo aniversário do seu aluno. Como os alunos não são muitos, as duas professoras titulares desejam que eu faça uma sessão com todos. Tenho a intuição de que a atividade desenvolverá no Micael competências de integração em equipa e lhe dará confiança e autoestima. Para isso, realizamos algumas dinâmicas que serão postas em prática com o grande grupo.

Voltamos à brincadeira cantada do “Passarinho”. O jogo vai-se tornando mais difícil com distâncias maiores, mas isso é um estímulo à coordenação motora da criança, à sua autonomia e capacidade de cantar mais forte. Além dos jogos já realizados que repetimos para avivar a memória e desenvolver técnicas, fazemos um jogo em que ele próprio liga e para o cronómetro, passando uma pequena bola que nos permite somar de dois em dois, sem deixar a bola cair ao chão, até 20, primeiro em 16 segundos até chegarmos aos 10 segundos, após alguma prática.

António José Ferreira

Bombos reciclados
Bombos reciclados
Partilhe
Share on Facebook
Facebook

Comunicação gestual e inclusão

Palavra, gesto, rima: junte ritmo, melodia e improvisação

Clique AQUI para adquirir recursos Meloteca.

A comunicação gestual aumenta a capacidade de atenção, integração, simpatia e compreensão mútua. Neste contexto, a comunicação gestual inspirada no método aumentativo ou alternativo de comunicação Makaton pretende ser uma estratégia de inclusão na turma no Jardim de Infância e 1º Ciclo, especialmente em crianças com necessidades educativas especiais.

O método Makaton pode contribuir para aumentar as possibilidades de comunicação de crianças com dificuldades expressivas. Em contexto de terapia da fala, os gestos visam fomentar a expressividade e, para as crianças em geral, a utilização dos gestos pode ser muito interessante no âmbito das AEC, potenciando jogos de vários tipos e criação/recriação de estórias. Esta página é dedicada às crianças com atraso ou deficiência auditiva e psicomotora, passageira ou permanente. Quando é possível, um movimento repetido conforme o número de sílabas ajuda à oralidade, ao ritmo e à distinção das sílabas.

Tendencialmente, as ações fazem-se duas vezes e os objectos uma vez.

A pé:
O indicador e o médio movem-se como se fossem pernas.

Vou a pé, vais a pé,
vamos ambos ao café.

António José Ferreira

Adeus:
Com a palma para fora, a mão roda um pouco para baixo e para cima.

Digo estas palavras
quando está na hora.
Adeus, até logo,
tenho de ir embora.

António José Ferreira

Água:
O polegar e o mínimo abertos dirigindo-se à boca.

A água dá para beber
e bons pratos cozinhar.
Diz-se que a do rio é doce,
e é salgada a do mar.

António José Ferreira

Aranha:
Os dedos de ambas as mãos abrem-se e e fecham-se três vezes, avançando.

Anha é uma aranha
e dizem que é muito feia.
Mas ela não se importa
e lá vai tecendo a teia.

António José Ferreira

Autocarro:
Com ambas as mãos a um volante grande imaginário, roda-se à direita e à esquerda. Como o camião.

[ Como objeto brinquedo a criança usa uma tampa circular que faz de volante. ]

Se queres ser motorista
tens de fazer atenção.
Quando o tempo está de chuva
guia com mais precaução.

António José Ferreira

Árvore:
A palma da mão esquerda está por baixo do cotovelo direito. O antebraço direito está na vertical e a mão, aberta, roda um pouco.

Esta árvore que planto
boa sombra te vai dar,
lindas flores para ver,
frutos p’ra saborear.

António José Ferreira

Avião:
O polegar e mínimo imitam o voo de um avião de fora para a frente do próprio.

Eu já tenho dois bilhetes
para irmos de avião
ver as lindas cerejeiras
que florescem no Japão.

António José Ferreira

Balão:
As mãos abertas partem da boca e desenham a figura oval do balão.

O balão
do João
sobe, sobe pelo ar.
‘Stá feliz,
o petiz
a cantarolar.

Tradicional

Banana:
Com os dedos da mão esquerda, unidos, a mão direita move-se para fora, como se afastasse a casca da banana.

Eu vou comer, comer, comer,
eu vou comer banana.

Tradicional

Barco:
As mãos, unidas na ponta dos dedos, imitam a quilha de barco e avançam como se estivessem a cortar as ondas.

Um barquinho ligeiro andava,
ligeirinho andava no mar.

Tradicional

Bebé:
Mão direita por baixo do braço esquerdo junto ao cotovelo, movendo-se (como se embalasse).

Bicicleta:
Os punhos fechados descrevendo círculos para a frente, à maneira dos pedais de bicicleta.

Beber:
Os dedos curvos, na posição de agarrar um copo, dirigem-se à boca.

Bebe água natural
que faz bem à digestão.
Ela ajuda a emagrecer,
faz bem à criculação.

António José Ferreira

Bem:
O polegar para cima e os outros dedos fechados em frente do peito.

Bola:
As mãos abertas, com as palmas para baixo e os dedos ligeiramente curvos, descrevem um círculo, de cima para baixo.

A bola passa passa
e vai de mão em mão.
Cuidado para a bola
não te cair ao chão.

António José Ferreira

Bolacha:
A mão direita faz gesto de agarrar com polegar e indicador, mas junto à face direita, na perpendicular.

Fui à caixa das bolachas,
uma só bolacha havia:
A bolacha era dourada
e chamava-se Maria.

António José Ferreira

Bolo:
Com os dedos da mão esquerda arqueados para cima, a mão direita coloca-se por cima com os dedos arqueados, para baixo, como se o próprio colocasse um pequeno bolo num prato.

É hora de cantar,
e os anos festejar.
Ao nosso amigo [ Carlos ],
um bolo vamos dar.

António José Ferreira

Boneca:
Os braços encontram-se na posição de embalar, com o cotovelo esquerdo mais acima que o direito.

Borboleta:
As mãos abertas unidas pelos polegares com as palmas voltadas para o próprio e os dedos a mexer.

Lá vem ela para aqui,
lá vai ela para ali.
Voa leve a borboleta
parte branca, parte preta.

António José Ferreira

Cadeira:
Com as mãos em punho, voltadas para o próprio, movem-se ligeiramente os antebraços na vertical de cima para baixo.

Caixa:
As mãos abertas estabelecem duas linhas paralelas (dois lados da caixa) e depois outras duas (os outros dois lados); primeiro com as palmas voltas uma para a outra, depois uma com palma voltada para as costas da outra.

Fui à caixa das bolachas
sem a minha mãe saber.
E da caixa tirei uma
e mais uma p’ra comer.

António José Ferreira, adapt.

Cama:
Unem-se as palmas das mãos e colocam-se junto à face direita.

Camião:
Com ambas as mãos a um volante grande imaginário, roda-se à direita e à esquerda. Como o autocarro.

Sabes, eu comprei um camião.
Vem comigo a Monção,
no camião,
a Monção.

António José Ferreira

Cão:
Coloca-se a mão direita com dedos arqueados entre o queixo e o lábio inferior.

O avô comprou um cão
e Badocha é seu nome.
Gosta pouco da ração.
Dou-lhe carne e ele come.

António José Ferreira

Carro:
Faz-se o gesto de rodar um volante imaginário, à direita e esquerda.

Eu já sei guiar o carro
e vou com velocidade!
Viro à esquerda e à direita
até chegar à cidade.

António José Ferreira

Casa:
Mãos e braços fazem um triângulo (como o telhado de uma casa).

– Minha casa tem terraço.
minha casa tem jardim.
– Minha tem espaço
para ti e para mim.

António José Ferreira

Cavalo:
Passa-se o indicador e o médio na testa, na horizontal, por cima da sobrancelha direita, da esquerda para a direita.

Era uma vez um cavalo
que andava num lindo carrossel.
Tinha as orelhas espetadas
e a cabeça era feita de papel.

Tradicional

Cinco:
Mostra-se os dedos da mão com a palma para forma.

Coelho:
O indicador e médio em frente da testa mexem-se para o lado de fora, enquanto os outros dedos da mão estão fechados.

– Coelhinho da monte,
que tens para me dar?
– Tenho muito carinho
e ternura p’ra dar!

António José Ferreira

Comer:
Os dedos da mão direita, unidos nas pontas, vão à boca duas vezes.

Vou comer a sopa toda
e o peixe vou comer.
Não quero refrigerante:
água é o que vou beber.

António José Ferreira

Comida:
Os dedos da mão direita, unidos nas pontas dos dedos, vão à boca uma vez.

Cuida sempre que a comida
faça bem à tua vida.

António José Ferreira

Comboio:
Puxa-se a sineta imaginária de um comboio antigo.

Tchu, tchu, apita o comboio,
tchu tchu, lá vem a apitar.
Tchu tchu, tem muito cuidado,
Passa depois dele passar.

António José Ferreira

Copo:
Os dedos curvos movimentam-se como se agarrassem um copo e o colocassem em cima da mesa.

Copo, copo, passa o copo.
Passa o copo por favor.
Se não passas bem o copo
é que não me tens amor.

António José Ferreira

Dá-me:
Com a mão direita aberta e palma para cima, a pessoa mexe os dedos para si mesmo.

Dá-me, dá-me uma bola.
para eu jogar na escola.

António José Ferreira

Dois:
Indicador e médio levantados, os outros recolhidos.

Dormir:
As mãos estão unidas pelas palmas, junto à face direita.

Elefante:
A mão direita fechada levanta-se e abre-se em frente da boca.

Havia um elefante
que andava numa savana sem fim.
Pequeno elefante,
tinha uma tromba assim!

António José Ferreira

Escova de dentes:
O indicador na horizontal passa para cima e para baixo, como escova, em frente da boca.

Fantasma:
Ambas as mãos por cima da cabeça e um pouco à frente, com os dedos abertos.

Flor:
A mão direita tem os dedos unidos nas pontas, abrindo-se em frente do nariz.

Fui colher a flor mais linda
que havia no jardim:
a rosa que tu adoras,
rosa és tu para mim.

António José Ferreira

Galinha:
Com a mão direita aberta na vertical em frente da cara, representa-se a crista, e fecha-se a mão, imitando uma bicada, na palma da mão esquerda.

Gato:
A mão direita fecha-se e abre-se como se estivesse a arranhar a mão esquerda, que está em punho.

Gelado:
A mão direita em punho passando em frente da boca e rodando ligeiramente.

Iogurte:
A mão esquerda agarra um iogurte imaginário e o indicador e médio dirigem-se para a boca.

Janela:
Mão direita sobre o braço esquerdo, como se estivesse ao parapeito de uma janela.

Leite:
Com a mão direita aberta com polegar junto à têmpora direita, o mínimo, o anelar e o médio fecham-se.

Lavantar:
Ambas as mãos abertas sobem.

Limão:
Com a mão esquerda em punho, a direita a roda como se espremesse um limão.

Livro:
As mãos unidas, palma contra palma, abrem-se e ficam com as palmas para cima, unidas nos dedos mínimos.

Maçã:
Com com os dedos da mão direita unidos, como comer, mas desde a parte inferior do queixo para fora.

Macaco:
A pessoa coça-se com ambas as mãos, em concha, fechando perto dos sovacos.

O macaco imita;
imita o gibão.
Todos começamos
pela imitação.

António José Ferreira

Menina:
Lembramos a menina com o polegar e o indicador agarrando a orelha direita no lugar do brinco.

Mesa:
Unidas pelos polegares, com a palma para baixo, as mãos afastam-e-se na horizontal.

Morango:
A mão esquerda está em punho e a mão direita com os dedos unidos nas pontas realça as pintas dos morangos.

Mota:
Um pulso roda, como se estivesse a dar gás.

Obrigado:
Leva-se a mão aberta ao queixo e desloca-se um pouco para a frente.

A palavra é simples,
fácil de dizer.
Digo “obrigado”
para agradecer.

António José Ferreira

Olá:
Move-se a mão com a palma voltada para a outra pessoa.

Olá, amigos,
olá, como estão?
Tenho um sorriso
na palma da mão.

Olá, Makaton
Olá, Makaton

Ovelha:
Com a mão direita em gancho, descreve-se círculos à volta da orelha, de trás para a frente.

Berra a ovelha, berra, berra.
Não o faz por estar zangada.
É assim que a ovelha fala,
esteja calma ou irritada.

António José Ferreira

Pão:
A mão direita aberta vai ao encontro da mão esquerda, que está aberta com a palma voltada para cima, entre o polegar e o médio.

Pássaro:
Com a mão em bico de pássaro, polegar e indicador ao lado da boca, imita-se um bico a abrir e fechar.

Tem coragem, passarinho,
salta agora do teu ninho.
Tem cuidado com o gatinho,
que ele pode ser mauzinho.

António José Ferreira

Pato:
Com a mão em forma de pato – os dedos da mão direita alinhados – faz-se o gesto de abrir e fechar.

Pata aqui, pata acolá,
vai o pato a caminhar.
Se é livre, também voa,
se tem água, vai nadar.

António José Ferreira

Peixe:
A mão direita está em cima da esquerda, ambas com palma para baixo. Os polegares mexem-se, como barbatanas.

Pente:
Com os dedos curvos e unidos, para baixo, a mão direita mexe-se como se fosse um pente.

Pera:
Com o indicador e o médio abertos na horizontal, da face direita para a frente.

Por favor:
A mão direita aproxima-se da boca e desce.

Digo “por favor”
se estou a pedir.
Quando alguém me pede,
gosto de as ouvir.

António José Ferreira

Porco:
Cinco dedos da mão direita, curtos e separados uns dos outros, rodam em frente da boca e do nariz.

Porta:
Mãos abertas levantadas com palma para fora, a direita abre para o próprio ficando com o polegar à direita.

Trus trus!
– Quem é?
É um amigo
da Guiné.

António José Ferreira

Quatro:
Os dedos da mão, exceto o polegar, recolhido.

Sopa:
Com a mão esquerda em concha, representado o prato, a direita, côncava, vai à boca como se fosse uma colher.

Sopa. Vou fazer sopa,
Sopa de couve ou agrião.
Sopa. Ralo a batata.
Sal só um pouco. Ponho feijão.

António José Ferreira

Tartaruga:
A mão direita, fechada, desliza por baixo da mão esquerda, em concha, como a cabeça a sair da carapaça.

Devagar, vai devagar.
Não precisas de apressar.
Tu tens tempo para chegar.

António José Ferreira

Telefone:
Com polegar em cima e o mínimo em baixo, abertos, e outros dedos fechados, entre o ouvido e a boca.

Touro:
Coloca-se a mão direita com o polegar, o indicador e o mínimo abertos, em frente da testa.

Três:
Os três dedos centrais, os outros dois recolhidos.

Tu:
Aponta-se com o indicador.

Tu, Makaton
Tu, Makaton

Urso:
As mãos, unidas na ponta dos dedos, na cabeça, dirigem-se duas vezes à cabeça.

Ai que medo,
ai que susto.
Há um urso
atrás do arbusto.

António José Ferreira

Um:
Indicador levandado, os outros dedos recolhidos.

Uvas:
A mão esquerda tem o polegar, indicador e médio unidos; a mão direita do mesmo modo indo à boca como se levasse bagos de uva.

Vaca:
O polegar e mínimo estão abertos em frente da testa, como cornos, e afastam-se para o lado direito.

Orientação da Dra. Alexandrina Martins, terapeuta da fala

Makaton é um tipo de signos gestuais que provém da linguagem gestual australiana (AUSLAN). Os sinais utilizados são conceitos/ideias selecionados de acordo com o que é mais apropriado para as necessidades da criança com défices de comunicação. O Makaton usa um discurso gramatical normal com sinais de palavras-chave e usa também figuras e expressões faciais. Utilizar o Makaton com crianças com autismo pode ajudá-las na comunicação. O Makaton proporciona pistas visuais, que a criança pode aprender a associar às instruções. Isto é essencial nas crianças com autismo, pois estas possuem boas capacidades de memória visual. É importante que a família, professores e amigos aprendam a utilizar o Makaton, pois as crianças aprendem através de modelagem e experiência em diferentes contextos.

Stephen von Tetzchner, Harald Martinsen
Partilhe
Share on Facebook
Facebook
Jovem tocando tambor

Onomatopeias e necessidades educativas especiais.

Clique AQUI para adquirir recursos Meloteca.

A utilização de onomatopeias pode ter particular interesse em crianças com deficiência que não falam. Tendo a certeza de que a criança ouve, há toda a vantagem em proporcionar-lhe sons e palavras simples e funcionais que lhe dêem prazer, estimulem a curiosidade e que eventualmente possa vir a usar para pedir coisas e exprimir-se melhor. Acompanhadas com gestos, as onomatopeias melhoram a atenção.

Oiça a melodia em MIDI.

Pipi!

Sabes, eu comprei um carro novo.
Vem comigo passear,
vem ver o mar,
e lanchar.

Popó!

A onomatopeia – palavra grega que chegou ao Português por via do Latim (onomatopoeia) – é um fenómeno linguístico e uma figura de retórica. Resulta da semelhança, através da imitação ou reprodução, entre o som de uma palavra e a realidade representada (sons da natureza, de animais, de ações humanas). A onomatopeia não é reprodução exata mas uma aproximação.

As onomatopeias podem ser puras, quando consistem na imitação fonética, tanto quanto possível exacta, dos sons que representam, por exemplo: trrrrrim (campainha).

Estas classificam-se como onomatopeias não vocabulizadas, (não lexicalizadas) pois não constituem vocábulos da língua, apenas imitam os sons que representam, muitas vezes apenas com consoantes apostas, facilmente pronunciadas como imitação, mas dificilmente representadas ortograficamente, como é o caso de pfffff, existindo também as onomatopeias vocabulizadas (onomatopeias lexicalizadas) que são vocábulos como outros quaisquer, que seguem as regras de construção ortográficas e possuem uma classificação sintáctica e morfológica, idêntica às restantes palavras, como é o caso de piar, miar, às quais correspondem onomatopeias puras (piu miau, respectivamente). Quase todas as onomatopeias são passíveis de lexicalização, bastando para tal antepor-se um determinante artigo, como por exemplo: um tic-tac / o tic-tac.

Lurdes Aguiar Trilho

A partir deste fenómeno, surgiram alguns vocábulos com uma configuração onomatopaica, que são aqueles que têm o poder de sugerir uma imagem mais ou menos aproximada do facto que exprimem, a partir da existência de certos fonemas, cuja natureza faz lembrar o facto designado. É este onomatopeísmo que dá expressividade às palavras que designam fenómenos sonoros (clique, crepitar, estalido, estrondo, matraquear, murmúrio, sussurro, tilintar), às que designam vozes de animais (cacarejar, coaxar, grunhir, miar, piar, uivar, zurrar), ou actos sonoros produzidos pelas cordas vocais e afins (assobiar, cochichar, fungar, roncar, tossir). 

A construção onomatopaica tem grande importância estilística e poética, pois nela se concentram a melodia, a harmonia e o ritmo da frase. Daí que a poesia seja particularmente sensível a este recurso bastante sugestivo, que a aproxima da música. No uso da onomatopeia como artifício estilístico, o efeito baseia-se não tanto nas palavras individuais como na combinação de valores sonoros que podem ser reforçados pela aliteração, ritmo e rima.”

Do ponto de vista semântico, há que distinguir a onomatopeia primária que consiste na imitação do som pelo som e a onomatopeia secundária que evoca não uma experiência acústica, mas um movimento.

Visto que a onomatopeia exige uma afinidade entre o nome e o sentido, seria de esperar que tais vocábulos fossem semelhantes nas diferentes línguas. Contudo, há que concordar que cada língua convencionou a onomatopeia de uma maneira própria e que até formações nitidamente onomatopaicas têm poucas semelhanças nos diferentes idiomas quando se traduzem graficamente. Por exemplo, o ladrar do cão é reproduzido em inglês como bow-wow. (…)

Interessa-nos especialmente saber, no caso das crianças com atraso passageiro ou permanente na fala, que uma das características da onomatopeia é acudir “à falta ou ao desconhecimento de determinados termos abstractos, como sucede, por exemplo, com certos termos da linguística infantil (popópipi, mémé)”. Para certas crianças com deficiência, as vocalizações e onomatopeias são uma das formas de se exprimir e comunicar.

Por outro lado, a onomatopeia “é um complemento expressivo para transmitir o som ou o movimento contido na frase, tornando-a mais viva, mais comunicativa. Daí que a autora apresente a seguinte definição para onomatopeia: «palavra motivada que se mantém em relação com a realidade que exprime – ou por imitação de um som, ou por sugestão de um movimento, ou ainda por simultaneidade dos dois.» (Maria Teresa Rita Lopes).

A onomatopeia permite jogar com a música, o ritmo, a poesia.

Fonte: Lurdes Aguiar Trilho

Jovem tocando tambor
Jovem tocando tambor
Partilhe
Share on Facebook
Facebook
Criança saltando

Clique AQUI para adquirir recursos Meloteca.

1. Noções espaciais e salto

O adulto diz um dueto e a criança repete e faz a ação referida pelo texto.

Dou um salto para a frente,
Que eu já sou competente.

Dou um salto para o lado.
Isto tu já tenho treinado.

Dou um salto para o outro,
Que ainda saltei pouco.

Dou um salto à direita:
P’ra crescer é uma receita.

Dou um salto à canguru,
e a seguir vais saltar tu.

Oiça a melodia em MIDI.

O adulto pode improvisar com canto ou recitar como em teatro musical, com acompanhamento de um tambor. Pode repetir cada dueto de modo que a criança preveja o que irá ser pedido.

Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, esta atividade desenvolve competências nas áreas do Português e da Matemática.

2. Imitar animais que saltam

Salto eu e saltas tu
Como salta o canguru. (2 v.)

Salta agora ao pé coxinho,
Mais e mais um bocadinho. (2 v.)

Salto eu e saltas tu,
Como salta o cavalo. (2 v.)

Há um troféu para o primeiro.
Quem será que vai ganhá-lo. (2 v.)

Oiça a melodia em MIDI.

A criança está numa linha de partida. Quando o adulto bate uma palma e jogador salta o mais longe possível em direção à linha de chegada. Verifica-se o tempo que demorou com cronómetro. A criança aprende também a cronometrar.

Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, esta atividade desenvolve competências na área do Português.

3. A canguru e o filhote

O que tens, ó canguru,
nessa bolsa tão fofinha?
Eu vou levar o meu filho
Que já anda na escolinha.

Diz-me lá, ó canguru:
Vais de carro ou a pé?
Eu cá vou a dar saltinhos
E a brincar com o bebé.

Oiça a melodia em MIDI.

O adulto diz dois versos de cada vez, em andamento moderado, e a crianças repete. Diz uma quadra toda e a criança repete. A criança diz a quadra, com acompanhamento rítmico pelo adulto.

4. Quantos?

No início, o adulto pergunta e a criança responde. Depois invertem-se os papeis.

– Quantos anos viverei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

– Quantos filhos eu terei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

– Quantos cursos eu farei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

– Quantas línguas falarei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

– Quantos carros comprarei?
– Nem tu sabes nem eu sei!

– Quantos jogos ganharei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

– Que instrumentos tocarei?
– Nem tu sabes, nem eu sei!

1, 2, 3, 4, 5…

Oiça a melodia em MIDI.

Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, esta atividade desenvolve competências nas áreas do Português e da Matemática.

António José Ferreira

Concebidos para a família com os seus recursos, pensados para crianças com ou sem necessidades educativas especiais, os “Jogos musicais em casa” podem ser realizados também na escola por técnicos e professores de “Música Adaptada” e “Oficina dos Sons” e “Oficina dos Sons Adaptada”.

António José Ferreira
Criança saltando
Criança saltando
Partilhe
Share on Facebook
Facebook
Diospiro

1. Importância do jogo

Tal como acontece em animais selvagens ou domésticos, a brincadeira e o jogo na infância humana contribuem para o desenvolvimento psicomotor das crianças. No caso de crianças com necessidades educativas especiais, a família tem um papel importantíssimo, criando condições para que a criança supere dificuldades e adquira competências de forma lúdica. Este jogo envolve alimentação saudável, Estudo do Meio e Língua Portuguesa, Música e Expressão Dramática.

2. Fruta faz bem

Adulto e criança descascam uma laranja e uma maçã, e cortam-nas para fazer salada de fruta. Põem numa taça. O adulto diz à criança a parte que lhe compete:

Apetece-me salada
Com a fruta que houver:

Com laranja, com maçã,
Com banana, com romã,
Com ameixa, com melão,
Com papaia, com mamão.

O adulto responderá:

– Nem papaia nem mamão,
Nem ameixa nem melão,
Nem banana nem romã,
só laranja e maçã!

Depois de aprenderem as quadras, improvisam melodicamente como se estivessem a cantar teatro musical.

3. Caminhar é saudável

Saudável é também caminhar, onde for possível e seguro. Treinam as seguintes falas:

– Quero convidar-te! – diz o adulto à criança.
– Convidar para quê? – responde.
– Para ir ao parque.
– Em que dia é?

– Dia 30! (ou outro) – diz o adulto.

A criança conta quantos dias faltam, desde o dia em que está:
– 25, 26, 27, 28, 29, 30.
Depois, diz acompanhando cada dia com um salto.

[ António José Ferreira, testado em criança com NEE ]

Clique AQUI para adquirir recursos Meloteca.

Diospiro
Diospiro, fruto do outono
Partilhe
Share on Facebook
Facebook
Copo cheio, copo vazio

A rubrica “Brincar Musical NEE” inclui jogos e dinâmicas musicais promotores de desenvolvimento para crianças com dificuldades de aprendizagem e necessidades educativas especiais que frequentam o Ensino Regular. Os planos Meloteca de apoio a professores, educadores e famílias, têm caráter lúdico e beneficiam a relação pais-filhos para além da pandemia.

Materiais necessários

4 copos, 4 rolhas, colher de pau, tampa circular, bolinha

Plano de sessão

  1. Organização dos materiais
  2. Dizer e jogar um poema de salto
  3. Marcar o ritmo com palmas
  4. Jogo da bola na arena
  5. Representar e tocar um padrão

Instruções

1. Mesmo que não haja em casa instrumentos convencionais, há na cozinha objetos que podem funcionar como instrumentos. Com o seu filho, escolha dois copos com pé. Com uma colher de pau, batam suavemente e vejam se o som é agradável. Depois encham um deles: verificarão que o copo cheio tem um som mais grave. Sobre a mesa da sala, coloque os copos, um à frente do outro de modo que se possa bater facilmente com a colher de pau. Coloque também os outros materiais que vão ser necessários para a sessão.

2. Adulto e criança vão em seguida fazer um jogo de saltos, mas a primeira coisa a fazer será aprender:
Salto eu,
saltas tu,
para vermos quem mais salta.
Não sou eu,
não és tu,
quem mais salta é o canguru.

Oiça a melodia em MIDI.

A criança aprende o texto e acompanha com gestos. Depois, o adulto diz sozinho batendo palmas em Eu e tu. A criança salta só nessas palavras. Se não se enganar, ganha um jogo. Repete-se até a criança se torne competente.

3. Marca-se intuitivamente o ritmo do texto anterior com palmas, ou de outra forma que a criança pode sugerir.

4. A atividade seguinte supõe uma arena de plástico (tampa reutilizada de balde de azeitonas, ou uma tampa larga circular de um tupperware), e uma pequena bola (como a bola que pode tirar de um desodorizante roll-on gasto. Diz-se ou canta-se o trava-línguas:

Roda a bola,
Roda, rola,
Numa arena
Da escola.

Oiça a melodia em MIDI.

Depois de dizer bem, a criança acompanha percutindo alternadamente nos copos cheio e vazio com colher de pau. Em seguida faz-se um jogo. Coloca-se a bolinha na tampa circular e verificam quanto tempo consegue rodar sem deixar cair ao chão. Pode rodar no sentido dos ponteiros do relógio, ou em sentido contrário. O adulto – ou a criança – cronometra com o telemóvel.

5. Sobre a mesa, há quatro copos. Dentro de cada copo, há uma rolha (que representa uma palma). Criança e adulto percutem: tá tá tá tá (palma, palma, palma, palma). A criança tira a segunda rolha a contar da esquerda, por exemplo, e o adulto bate (palma, silêncio (faz de conta mas não bate), palma, palma), se for o caso. Depois invertem-se os papeis.

Clique AQUI para adquirir recursos Meloteca.

Objetivos da Oficina dos Sons Adaptada

A “Oficina dos Sons Adaptada”, implementada no concelho de Gaia, tem por objetivos:

  • “Estimular o sistema sensorial auditivo, tátil e propriocetivo;
  • Desenvolver a motricidade fina;
  • Estimular os processos da perceção, da atenção e da memória;
  • Promover a capacidade de expressão e comunicação;
  • Estimular o desenvolvimento emocional, a conscientização de si mesmo e a espontaneidade;
  • Desenvolver competências de integração em equipa e a comunicação interpessoal;
  • Aumentar a capacidade de autorregulação emocional e a tolerância à frustração (e.g., relaxamento); 
  • Promover a autoconfiança e a autoestima;
  • Promover a autonomia nas rotinas do quotidiano;
  • Fomentar o cumprimento de regras e a adesão às convenções sociais.” (Atividades de Enriquecimento Curricular Adaptadas, Departamento de Educação da Câmara Municipal de Gaia, Guia para o/a Técnico/a, 2020)

António José Ferreira

Apoios:

Instrumento fácil:
https://www.meloteca.com/maraca-transparente/

Curta metragem:
https://www.youtube.com/watch?v=A6PWu3EH7Xw

Artigo:
https://www.meloteca.com/musica-para-nee/

Copo cheio, copo vazio
Copo cheio, copo vazio
Partilhe
Share on Facebook
Facebook
Tambor metálico reciclado

Durante a pandemia, as famílias com crianças portadoras de necessidades educativas especiais ficam numa situação ainda mais complicada e difícil. Há muitos anos a divulgar formas de apoio às crianças com dificuldades de aprendizagem, com atraso ou multideficiência, a Meloteca disponibiliza agora planos de sessão familiar que podem ser desenvolvidas em tempo de pandemia e para além dela.

Por questões de exequibilidade e igualdade, parto dos seguintes pressupostos:

  • as famílias não têm instrumentos musicais;
  • as famílias têm objetos que, não sendo musicais, possuem potencial que lhes permita funcionar como instrumentos;
  • se valorizarem o corpo e a voz como instrumento primordial, as famílias podem dar um contributo importante para o desenvolvimento das crianças com atraso ou deficiência.

Objetivos da Oficina dos Sons Adaptada

A “Oficina dos Sons Adaptada” tem por objetivos:

  • “Estimular o sistema sensorial auditivo, tátil e propriocetivo;
  • Desenvolver a motricidade fina;
  • Estimular os processos da perceção, da atenção e da memória;
  • Promover a capacidade de expressão e comunicação;
  • Estimular o desenvolvimento emocional, a conscientização de si mesmo e a espontaneidade;
  • Desenvolver competências de integração em equipa e a comunicação interpessoal;
  • Aumentar a capacidade de autorregulação emocional e a tolerância à frustração (e.g., relaxamento); 
  • Promover a autoconfiança e a autoestima;
  • Promover a autonomia nas rotinas do quotidiano;
  • Fomentar o cumprimento de regras e a adesão às convenções sociais.” (Atividades de Enriquecimento Curricular Adaptadas, Departamento de Educação da Câmara Municipal de Gaia, Guia para o/a Técnico/a, 2020)

Plano de sessão para crianças com deficiência

1. Se possível, antes de começar a atividade, cuide que o espaço esteja organizado e não seja fonte de distrações.

2. Prepare dois objetos de casa que podem funcionar como instrumentos musicais: uma maraca reciclada e uma pequena panela com colher de pau. A maraca pode ser um ovo Kinder ou um frasco, ou qualquer outro recipiente onde pode colocar sementes, contando com a colaboração com a sua criança, se possível.

3. Se houver mais pessoas em casa, transforme com elas este momento num momento especial de música e ternura;

4. Faça à sua maneira um momento de rotina que é feito também na escola (de forma um pouco diferente). Diga, ou cante, improvisando:

“Olá boa tarde,
Olá meu querido.
Vamos lá cantar,
que cantar é divertido.”

Ou:

“Olá boa tarde,
olá, minha querida.
Vamos lá tocar
que a canção é divertida!”

5. Acompanhe a rima com palmas, batendo de diferentes formas, ou com o pé, aproximando-se o mais possível das capacidades da criança.

6. Cante a canção:

“Inda dorme, inda dorme,
Frei João, Frei João.
Vá tocar o sino,
vá tocar o sino.
Dlim dlim dão.
Dlim dlim dlão.”

Em “vá tocar o sino”, bata com a colher de pau na panela, ou deixe a criança bater.

7. Improvise com novas frases que podem levar a outros gestos e ações da criança: “Bate palmas”, “Dá um salto”, “Para a frente” – dizendo o nome da criança:

Bate palmas, bate palmas,
ó Miguel, ó Miguel.
Bate, bate palmas,
bate, bate palmas,
ó Miguel, ó Miguel.

8. Cante para a criança fazer de conta: “Come a sopa”, “Come a carne”, “Lava os dentes”…

9. Vocalize com sílabas do nome do seu filho: mi, te, ru…

10. Dê tempo à criança para experimentar, ou faça à vez, para reduzir o risco de a criança lançar ao chão.

11. Fale com voz variada mas suave: qualquer que seja o grau de compreensão da criança, uma voz com ternura é música para os ouvidos dela.

António José Ferreira

Clique AQUI para adquirir recursos Meloteca.

Apoios:

Instrumento fácil:
https://www.meloteca.com/maraca-transparente/

Curta metragem:
https://www.youtube.com/watch?v=A6PWu3EH7Xw

Música relaxante:
https://www.youtube.com/watch?v=h804QmhDusY

Artigo:
https://www.meloteca.com/musica-para-nee/

Tambor metálico reciclado
Tambor metálico reciclado
Partilhe
Share on Facebook
Facebook