Recursos musicais para a educação pré-escolar

Crianças tocando

ÁREAS E DOMÍNIOS NA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR

Área de Formação Pessoal e Social

É considerada como área transversal pois embora tendo conteúdos próprios, se insere em todo o trabalho educativo realizado no jardim de infância. Esta área incide no desenvolvimento de atitudes, disposições e valores, que permitam às crianças continuar a aprender com sucesso e a tornarem-se cidadãos autónomos, conscientes e solidários.

(Orientações curriculares para a Educação Pré-Escolar. Lisboa: DGE 2016, p. 6)

Área de Expressão e Comunicação

É entendida como área básica, uma vez que engloba diferentes formas de linguagem que são indispensáveis para a criança interagir com os outros, dar sentido e representar o mundo que a rodeia. Sendo a única área que comporta diferentes domínios, é precedida de uma introdução que fundamenta a inclusão e articulação desses domínios.

Área do Conhecimento do Mundo

É uma área integradora de diferentes saberes, onde se procura que a criança adote uma atitude de questionamento e de procura organizada do saber, própria da metodologia científica, de modo a promover uma melhor compreensão do mundo físico, social e tecnológico que a rodeia. (OCEPE 2016, p. 7)

Domínio da Educação Motora

Constitui uma abordagem específica de desenvolvimento de capacidades motoras, em que as crianças terão oportunidade de tomar consciência do seu corpo na relação com os outros e com diversos espaços e materiais. (OCEPE, 6)

Domínio da Educação Artística

Engloba as possibilidades de a criança utilizar diferentes manifestações artísticas para se exprimir, comunicar, representar e compreender o mundo. A especificidade de diferentes linguagens artísticas corresponde à introdução de subdomínios que incluem artes visuais, dramatização, música, dança. (OCEPE, 6)

Domínio da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita

O desenvolvimento da linguagem oral é fundamental na educação pré- escolar como instrumento de expressão e comunicação que a criança vai progressivamente ampliando e dominando nesta etapa do seu processo educativo. Importa ainda facilitar a emergência da linguagem escrita, através do contacto e uso da leitura e da escrita em situações reais e funcionais associadas ao quotidiano da criança. (OCEPE, 6)

Domínio da Matemática

Tendo a matemática um papel essencial na estruturação do pensamento, e dada a sua importância para a vida do dia a dia e para as aprendizagens futuras, o acesso a esta linguagem é fundamental para a criança dar sentido, conhecer e representar o mundo. (OCEPE 2016, p. 6)

O desenvolvimento de noções matemáticas inicia-se muito precocemente e, na educação pré-escolar, é necessário dar continuidade a estas aquisições e apoiar a criança no seu desejo de aprender. Esse apoio deverá corresponder a uma diversidade e multiplicidade de oportunidades educativas, que constituam uma base afetiva e cognitiva sólida da aprendizagem da matemática. Sabe-se que os conceitos matemáticos adquiridos nos primeiros anos vão influenciar positivamente as aprendizagens posteriores e que é nestas idades que a educação matemática pode ter o seu maior impacto. (OCEPE, 77)

As crianças discriminam quantidades desde muito cedo e parecem também ter um sentido aritmético precoce que é evidente quando, por exemplo, têm a ideia de que, quando se junta mais um elemento, a quantidade resultante fica maior. Muitas vezes as crianças aprendem a recitar a sequência dos números, sem, no entanto, terem o sentido de número. É através de experiências diversificadas que as crianças vão desenvolvendo o sentido de número, que diz respeito à compreensão global e flexível dos números, das operações e das suas relações.(OCEPE, 79)

Nesta fase, as crianças começam também a seriar, fazendo comparações entre pares, recorrendo a diferentes atributos dos objetos, como, por exemplo: quantidade (mais, igual, menos), altura (alto, médio, baixo), tamanho (grande, pequeno), espessura (grosso, fino), luminosidade (claro, escuro), velocidade (rápido, lento), duração (muito tempo, pouco tempo), altura do som (grave, agudo), intensidade do som (forte, fraco). Progressivamente, vão complexificando as seriações, incluindo cada vez mais objetos, que permitem a ordenação de gradações múltiplas (pequeno, médio, grande, o maior, etc.) ou a identificação de padrões (quadrado-círculo – quadrado-círculo…). (OCEPE, 78)

Crianças tocando

Crianças tocando

Expressão Musical no Pré-Escolar

A Expressão Musical na Educação Pré-Escolar

Este é um excerto da dissertação de mestrado “A Expressão Musical na Educação Pré-Escolar” apresentada por Irina Moreira Veríssimo à Escola Superior de Educação de Beja em 2012

Propostas

As propostas de intervenção que se seguem pretendem colmatar algumas necessidades encontradas no decorrer do processo de investigação deste estudo. As dificuldades apontadas pelas educadoras e pelos professores de música que dinamizam sessões com grupos de crianças em idade pré-escolar situam-se em várias dimensões de atuação. Assim, foram detetadas necessidades a nível das instituições, da atuação educativa das educadoras e também na atividade assumida por alguns professores de música. Por tudo isto, do conjunto de propostas aqui expostas, umas destinam-se às instituições de atendimento às crianças pequenas, outras às educadoras e outras aos professores de música. Pretende-se assim:

Objetivos gerais

Aumentar as experiências formativas do educador, e aprofundar os
conhecimentos no domínio da Expressão Musical;
Promover o conhecimento de diferentes metodologias musicais no ensino da Expressão Musical;
Possibilitar a articulação entre os diferentes domínios;
Valorizar todas as áreas/ domínios trabalhando-os de forma equilibrada;
Promover o trabalho de equipa entre a educadora e o professor especialista;
Utilizar material diversificado, instrumentos musicais e meios tecnológicos;
Experimentar diferentes maneiras de produzir sons;
Possibilitar às crianças várias formas de se expressarem e comunicarem, a cantar; a dançar; a tocar e a criar;
Promover e incentivar o envolvimento das famílias na vida escolar da criança.
Ações

Algumas ações a desenvolver ao nível institucional

As instituições de Educação Pré-Escolar deverão apresentar junto dos centros de formação as suas preocupações pelo facto de quase inexistência de ações de formação para educadores no domínio de Expressão Musical;
As instituições de Educação Pré-Escolar deverão valorizar no seu projeto curricular a Expressão Musical em igualdade com as outras áreas e, como tal, deverão apetrechar as salas com recursos que possibilitem a realização de atividades de música com o suporte de diferentes recursos;
As instituições de Educação Pré-Escolar que têm na sua equipa educativa um professor de música deverão impulsionar a constituição de parcerias professor de música/ educadora e rentabilizar os saberes/ conhecimentos deste especialista.
Propostas

Propostas para a concretização do trabalho em parceria professor de música/educadora de infância.

Para concretizar esta parceria propõe-se:

As educadoras de infância deverão estar presentes nas sessões dinamizadas pelo professor de música.
A educadora deverá dar continuidade às atividades realizadas durante a sessão.
Os professores de música deverão articular as sessões de Expressão Musical com o trabalho que a educadora está a desenvolver com as crianças, no que se refere a temas e a situações que proporcionem a interdisciplinaridade.
Os professores de música deverão refletir e planear com as educadoras contribuindo assim para complementar a formação das educadoras nesta área.
Os professores de música e as educadoras de infância deverão envolver / divulgar junto dos pais o trabalho desenvolvido. As “ aulas abertas” constituem uma estratégia que poderá motivar os próprios pais para cantarem com / para os filhos o que poderá ser um veículo de passagem cultural de canções, a lengalengas e canções de roda de pais para filhos.

Proposta de intervenção para a dinamização de sessões de Expressão Musical pelas educadoras de infância

As Orientações Curriculares referem que “a Expressão Musical que se desenvolve na Educação Pré-Escolar, em torno de cinco eixos fundamentais: o escutar, cantar, dançar, tocar e criar”.

As metodologias a utilizar devem ser centradas na criança valorizando a sua capacidade de atenção, fases de desenvolvimento, interesses e necessidades, de forma a “despertar a criança para a música e suscitar nela a vontade de cantar, de ouvir, de criar livremente”. Gloton & Clero (1976:181)

A criação de um ambiente que estimule o desenvolvimento das capacidades musicais das crianças e o seu envolvimento nas atividades propostas complementam os princípios a ter em conta na intervenção das educadoras de infância.

Objetivos

Desenvolver capacidades individuais, sociais e criativas;
Desenvolver aspetos essenciais de voz;
Desenvolver o sentido rítmico e a coordenação motora;
Reconhecer características dos sons (intensidade, altura, timbre, duração);
Utilizar o movimento, a dança e a percussão corporal;
Utilizar instrumentos musicais;
Produzir sons de diferentes maneiras.

Atividades

Realizar jogos e coreografias utilizando vários tipos de recursos (relacionados ou não à Expressão Musical;
Cantar um reportório musical variado, como por exemplo: sobre o tema que se esta a trabalhar ou que se vai trabalhar, sobre a época do ano, canções de rotina, etc.;
Realizar experiências simples com a própria voz, como: cantar, rir, chorar, imitar sons da natureza, animais, etc.;
Acompanhar as canções com gestos, batimentos rítmicos, utilizando várias partes do corpo (mãos, pés, pernas,…);
Reproduzir ritmos produzidos pela educadora ou pelo professor especialista;
As crianças devem movimentar-se livremente pelo espaço, a partir de sons vocais, melodias, canções;
Realizar coreografias e danças de roda para o grande grupo;
As crianças tocam instrumentos de percussão em grupo e individualmente;
São cantadas canções com o acompanhamento de instrumentos;
Construção de instrumentos musicais, com material reciclável para fazer face à falta de materiais;
Recursos

Nos recursos a serem utilizadas podemos incluir material diversificado, instrumentos musicais e meios tecnológicos.

A voz;
O corpo;
Arcos;
Lenços;
Fitas;
Bolas;
Panos;
Balões;
Leitor de CD e CD
Instrumental Orff
Sinos
Tamborins
Maracas
Guitarra
Fantoche
Duração

Sessões dinâmicas, de curta duração (não deve ultrapassar os 45 minutos).

Avaliação

A avaliação será realizada com base nas metas de aprendizagem para a Educação Pré-Escolar (2011) nos seus diferentes domínios e subdomínios:

Desenvolvimento da capacidade de expressão e comunicação – interpretação e comunicação;
Desenvolvimento da criatividade – criação e experimentação;
Apropriação da linguagem elementar da música – Perceção sonora e Musical;
Compreensão das artes no contexto – culturas música nos contextos;
Dança – desenvolvimento da capacidade de expressão e comunicação – comunicação e interpretação;
Dança – Desenvolvimento da criatividade – produção e criação.

Mestrado na Especialidade de Educação Pré-Escolar e Ensino do 1º Ciclo do Ensino Básico

Beja 2012

Expressão Musical no Pré-Escolar

Crianças tocando

O papel do professor

O PAPEL DO PROFESSOR

Excerto de A Música como Veículo Promotor de Ensino e Aprendizagens, por Paula Cristina Viveiros da Silva. Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Universidade dos Açores, Ponta Delgada 2012.

A música é uma arte com características muito próprias. Os discursos a que chamamos música não são uma das formas de discurso simbólico que o professor deverá encontrar nas suas crianças aquando do seu processo de ensino aprendizagem. Para tal, o professor deverá ter patente pelo menos quatro linhas de pensamento musical, iniciando pelo valor que a música poderá ter não só para si como para quem a escuta, deverá ter em conta a dinâmica, o modo como realiza o seu processo de ensino aprendizagem, terá de possuir um caráter expressivo no modo como transmite o conhecimento ao aprendiz, e por fim conhecer, construir, ter uma sensibilidade sonora perante os instrumentos musicais de modo a que se promova um discurso musical entre aluno e professor.

Tal como Alberto Sousa defende: “Não interessa o ensino do saber, mas a formação do ser”.

Deste modo, o professor deverá preocupar-se com a música como discurso, ou seja, o seu principal objetivo é trazer a música para a plena consciência do ser humano, fazer com que o aluno descubra por si mesmo as possibilidades que a música tem em transformar sons em melodias, melodias em formas e formas em acontecimentos significantes de vida.

Outra tarefa do professor é preocupar-se com o discurso musical dos seus alunos, transformando este discurso numa conversa musical e nunca num monólogo.

Cabe ao professor despertar a curiosidade dos seus alunos, estimulando-os com questões de discernimento artístico, como por exemplo, criando e acompanhando canções com gestos rítmicos, jogos de entoação, entre outros variados acompanhamentos musicais, que tornará possível o reconhecimento do valor da interação social, promovendo assim agrupamentos musicais organizados e confiantes na sua própria composição musical.

Segundo Edwin Gordon, “A verdadeira apreciação musical exige compreensão. Aprender música é ser guiado de forma a conseguir dar significado àquilo que se ouve.”

Seguindo esta linha de pensamento, podemos dizer que na música a imaginação é mais importante que o conhecimento, embora através da música e de outras artes, a imaginação e as emoções podem ser despertadas e desenvolvidas, porque a música interligada com outras artes constitui também sólidos fundamentos da educação, como o ler, o escrever, o contar, o jogar, entre outros.

Desta forma, quando o professor observa as crianças a brincar, este pode constatar o quanto é importante para elas o jogo musical, onde a improvisação é uma constante.

Esta forma livre e espontânea de expressão é uma necessidade interior, uma expressão vital para as crianças, pois através da improvisação torna-se possível o despertar e o libertar de capacidades criativas das mesmas, desenvolvendo assim a autoestima, contribuindo de uma certa forma para uma melhor relação entre professor e alunos e destes entre si.

Deste modo, “pela música a criança desenvolve a sua criatividade, espontaneidade, imaginação e sensibilidade para com o mundo que a rodeia. A música tem também esse “poder mágico” de estimular a capacidade criadora, promovendo nas crianças o prazer da descoberta de novas emoções…”

Assim, as crianças vão-se familiarizando com a linguagem musical que nunca deverá ser conseguida unicamente através da imitação. O sucesso de uma improvisação depende essencialmente do professor, no sentido em que professores alegres e criativos terão alunos alegres e criativos, encorajando-as a conversar, cantando, introduzindo estratégias expressivas em que os próprios alunos consigam decifrar e acompanhar de forma genuína o bom discursar da música entre professor e aluno e vice-versa.

Ainda neste sentido, e segundo Sousa, o objetivo do professor relativamente ao ensino aprendizagem da música é a criança e não a música, ou seja,

“Não é necessário o professor ter conhecimento de escrita musical nem saber tocar qualquer instrumento para se poder proporcionar a crianças meios e motivações para desenvolver o seu sentido musical e satisfazerem neste domínio as suas necessidades de expressão e criação.”

O mesmo autor acrescenta ainda que “É apenas necessário que se goste de crianças, de música e que se tenham alguns conhecimentos psicopedagógicos (para evitar cair em erros que em nada ajudem a criança). ” (Ibid.).

Deste modo, poder-se-á dizer que o contributo do professor relativamente ao ensino aprendizagem da música nas crianças tem um caráter dinamizador, isto é, este terá de ensinar a música de modo a que as crianças tenham de ir ao encontro da música, e que esta também possa ir ao encontro das crianças.

Não é só as crianças que ficam mais ricas com este ensino aprendizagem, nós, adultos/professores também nos sentir-nos-emos largamente compensados, porque a música para além de ser um bom instrumento relaxante na vida de um indivíduo, é também uma excelente ferramenta de comunicação e de interação social.

“O professor deve ser pluridisciplinar, no sentido em que (…) a sua verdadeira especialidade é ser um educador, isto é, ser capaz, ainda que seja um especialista, de manejar o conjunto dos meios (instrumentos pedagógicos) que lhe oferece o conjunto das matérias com o fito de servir objectivos gerais e comuns” (Fontanel-Brassart & Rouquet).

Importa referir ainda, que “O papel dos educadores consiste, essencialmente, em apoiar a criança, utilizando estratégias que lhe permitam experimentar situações desafiadoras (a nível cognitivo, social, físico e afectivo), interiorizar os significados das experiências, aumentar a confiança em si próprios e desejo de aprender” (Pinheiro), pois só assim as aprendizagens poderão tornar-se para ambos não só significativas mas ao mesmo tempo desafiadoras.

Embora haja algumas crianças mais desinibidas do que outras, não significa que as menos desinibidas não tenham aptidão para o discurso musical para com os outros, nomeadamente para com o professor ou para os colegas. Para Émile Jaques-Dalcroze, “A música nasce em nós da necessidade de fugir ao stress, de exteriorizar as nossas emoções, de satisfazer a nossa vontade, de dar um corpo às nossas aspirações imperiosas, embora por vezes se possa desordenar e confundir-nos (…) a sensibilidade significa possuir o próprio corpo em toda a sua relação com o espírito, bem como o expressar, ultrapassando o que paralisa a nossa insegura capacidade de imaginar e de criar”.

Além disso, o professor terá de compreender a criança, dialogar com ela, entrar no seu mundo como se fosse também uma criança, tentando entender os seus gostos, as suas necessidades, aquilo que ela é e sente que é capaz de fazer.

Se uma criança se sente pressionada em concretizar algo, esta acaba por não realizar nada daquilo que se pretendia fazer. A música neste tipo de situações funciona como uma terapia, como um instrumento que deverá ser utilizado pelo professor como algo que cative a criança à participação de determinadas atividades e que a partir destas possa sentir-se realizada, motivada pelos seus gostos e interesses.

Deste modo, a música passa a ser uma ferramenta essencial para alfabetizar, resgatar a cultura e ajudar na construção do conhecimento pela criança, porque a música além de atrair a criança, serve de motivação, deixa-a mais atenta àquilo que o professor pretende com ela, torna-se um instrumento de cidadania, contribuindo assim para a elevação da sua autoestima.

Neste âmbito, a música poderá funcionar como o barro, ou seja, deverá ser moldada pelo professor, no modo como ensina, no modo como interage com as crianças, no modo como decorre a aprendizagem das mesmas, fazendo chegar a estas a tal melodia pretendida, a tal moldagem de ensino e professor criativo, expressivo e dinâmico, para que a música chegue à criança e entre no seu consciente de forma, a que se sinta motivada à participação de novos desafios em sua vida.

(…)

O papel do professor

Criança (Blomingdale School of Music)

Crianças do jardim de Infância tocando

MÚSICA NA PRÉ-ESCOLA

Objetivos da educação pré-escolar

Adaptado da Lei n.º 5/97, de 10 de Fevereiro (Lei Quadro da Educação Pré-Escolar)

De acordo com a Lei Quadro, a educação pré-escolar é a primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo da vida, sendo complementar da acção educativa da família, com a qual deve estabelecer estreita cooperação, favorecendo a formação e o desenvolvimento equilibrado da criança, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário.

1 – A educação pré-escolar destina-se às crianças com idades compreendidas entre os 3 anos e a idade de ingresso no ensino básico e é ministrada em estabelecimentos de educação pré-escolar.

2 – A frequência da educação pré-escolar é facultativa, no reconhecimento de que cabe, primeiramente, à família a educação dos filhos, competindo, porém, ao Estado contribuir activamente para a universalização da oferta da educação pré-escolar.

3 – Por estabelecimento de educação pré-escolar entende-se a instituição que presta serviços vocacionados para o desenvolvimento da criança, proporcionando-lhe actividades educativas e actividades de apoio à família.

4 – (…) Constituem objectivos da educação pré-escolar:

1. Promover o desenvolvimento pessoal e social da criança com base em experiências de vida democrática, numa perspectiva de educação para a cidadania;

2. Fomentar a inserção da criança em grupos sociais diversos, no respeito pela pluralidade das culturas, favorecendo uma progressiva consciência do seu papel como membro da sociedade;

3. Contribuir para a igualdade de oportunidades no acesso à escola e para o sucesso da aprendizagem;

4. Estimular o desenvolvimento global de cada criança, no respeito pelas suas características individuais, incutindo comportamentos que favoreçam aprendizagens significativas e diversificadas;

5. Desenvolver a expressão e a comunicação através da utilização de linguagens múltiplas como meios de relação, de informação, de sensibilização estética e de compreensão do mundo;

6. Despertar a curiosidade e o pensamento crítico;

7. Proporcionar a cada criança condições de bem-estar e de segurança, designadamente no âmbito da saúde individual e colectiva;

8. Proceder à despistagem de inadaptações, deficiências e precocidades, promovendo a melhor orientação e encaminhamento da criança;

9. Incentivar a participação das famílias no processo educativo e estabelecer relações de efectiva colaboração com a comunidade.

EXPRESSÃO MUSICAL

“A Expressão Musical assenta num trabalho de exploração de sons e ritmos, que a criança produz e explora espontaneamente e que vai aprendendo a identificar e a produzir, com base num trabalho sobre os diversos aspectos que caracterizam os sons: intensidade (fortes e fracos), altura (graves e agudos), timbre (modo de produção), duração (sons longos e curtos), chegando depois à audição interior, ou seja, a capacidade de reproduzir mentalmente fragmentos sonoros. A expressão musical está intimamente relacionada com a educação musical que se desenvolve, na educação pré-escolar, em torno de cinco eixos fundamentais: escutar, cantar, dançar, tocar e criar. O trabalho com o som tem como referência o silêncio, que nunca é absoluto, mas que permite ouvir e identificar o fundo sonoro que nos rodeia. Saber fazer silêncio para poder escutar e identificar esses sons faz parte da educação musical.

ESCUTAR

A exploração das características dos sons pode passar, também, por escutar, identificar e reproduzir sons e ruídos da natureza – água a correr, vento, “vozes” dos animais, etc. – e da vida corrente como o tic-tac do relógio, a campainha do telefone ou motor do automóvel, etc.

CANTAR

A relação entre a música e a palavra é uma outra forma de expressão musical. Cantar é uma actividade habitual na educação pré-escolar que pode ser enriquecida pela produção de diferentes formas de ritmo. Trabalhar as letras das canções relaciona o domínio da expressão musical com o da linguagem, que passa por compreender o sentido do que se diz, por tirar partido das rimas para discriminar os sons, por explorar o carácter lúdico das palavras e criar variações da letra original.

DANÇAR

A música pode constituir uma oportunidade para as crianças dançarem. A dança como forma de ritmo produzido pelo corpo liga-se à expressão motora e permite que as crianças exprimam a forma como sentem a música, criem formas de movimento ou aprendam a movimentar-se, seguindo a música. A dança pode também apelar para o trabalho de grupo que se organiza com uma finalidade comum.

O acompanhamento musical do canto e da dança permite enriquecer e diversificar a expressão musical. Este acompanhamento pode ser realizado pelas crianças, pelo educador ou recorrer a música gravada.

CRIAR

Se instrumentos de percussão simples podem ser construídos pelas crianças relacionando-se com o domínio da actividade plástica, estas poderão também utlizar instrumentos musicais mais complexos e com outras possibilidades – jogos de sinos, triângulos, pandeiretas, xilofones, etc. – que deverão ter grande qualidade. Outros instrumentos poderão ser usados pelo educador como a flauta, a guitarra…

A utilização de um gravador permite registar e reproduzir vários tipos de sons e músicas que, podendo ser um suporte para o trabalho de expressão, possibilita ainda que as crianças alarguem a sua cultura musical, desenvolvendo a sensibilidade estética neste domínio.”

Adaptado da Lei n.º 5/97, de 10 de Fevereiro
(Lei Quadro da Educação Pré-Escolar)

Crianças do jardim de Infância tocando

Crianças do jardim de Infância tocando

Wind chimes

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A bola é redonda

A bola é redonda
em cima de uma pomba.
A pomba é toda branca
em cima de uma tranca.
A tranca é de pau,
berim debim debau.

Berra a ovelha

Berra a ovelha.
Não ‘stá zangada.
É assim que ela fala.
A ovelha berra,
você não.
Então porque não se cala?

Muge a vaca…

Zurra o burro…

António José Ferreira ]

De olhos abertos

De olhos bem abertas
à imaginação
faz novos instrumentos
com ritmo e emoção.
Se alguém diz que não presta,
talvez possa prestar:
descobre o soms ‘scondido
e põe-no a tocar.

Há muitos instrumentos
tão fáceis de montar;
recolhe, junta, cola,
depois é só tentar.
Talvez haja ao teu lado
tambores p’ra tocar:
descobre a importância
de reutilizar.

O som vem da madeira,
da pedra e do metal;
o plástico tem forças
p’ra ser especial.
Talvez haja ao teu lado
maracas p’ra tocar.
E pode ser suave
o som de abanar.

De cabos de vassoura
faz clavas p’ra bater
ou cria raspadores,
é fácil de fazer.
Podes pedir ajuda
a um familiar;
depois faz uma banda
e toca até cansar.

António José Ferreira ]

Debaixo da pedra

Debaixo da pedra
mora um bichinho
de corpo cinzento
muito redondinho.

Tem medo do sol,
medo de andar.
Bichinho da conta
não sabe contar.

Muito redondinho,
rebola no chão.
Rebola na erva
e na minha mão.

Desconhecido ]

Dentro de nós

Dentro de mim,
dentro de ti,
dentro de nós
existe Alguém.
Eu sou assim,
tu és assim,
diferentes,
e ainda bem.

Todos dif’rentes, todos iguais,
diferentes e iguais.

A escola é minha,
a escola é tua,
a escola é
de todos nós.
A trabalhar,
a estudar,
toda a gente
fica a ganhar.

Isabel Carneiro ]

É um esqueleto

É um esqueleto –
um esqueleto de brincar.
Como ele gosta
de mexer e de dançar.
Vai um dia ao baile,
baila, baila com o par.
Deixa lá o fémur.
– Como é que vai andar?

É um esqueleto –
um esqueleto de brincar.
Como ele gosta
de sonhar e de pensar.
Vai um dia à China
de avião com o seu par.
Deixa lá o crânio.
– Como é que vai pensar?

É um esqueleto –
um esqueleto de brincar.
Como ele gosta
de correr e de saltar.
Vai à maratona
com desejo de ganhar.
Deixa lá a rótula.
– Como vai continuar?

É um esqueleto –
um esqueleto de brincar.
Como ele gosta
de comer um bom jantar.
Vai a um restaurante
muito fino à beira-mar.
Deixa lá a mandíbula:
– Como é que vai mastigar?

António José Ferreira ]

Na vila

Na vila, há uma rua.

Na rua, uma casa.

Na casa, uma sala.

Na sala, uma mesa.

Na mesa, uma caixa.

Na caixa, uma chave

Jos wuytack ]

Esta é a mão

Esta é a mão direita,
a esquerda é esta mão.
Co’a direita digo sim,
com a esquerda digo não.

A direita aponta o céu,
a esquerda aponta o chão.
Eu agora já conheço,
já não faço confusão.

Fui à caixa das bolachas

Fui à caixa das bolachas
sem a minha mãe saber.

Tirei uma, tirei duas,
tirei três, tirei quatro,

tirei cinco, tirei seis,
tirei sete, tirei oito,

tirei nove, tirei dez…

Que guloso que tu és!

Hei, tenho asas nos pés

Hei, tenho asas nos pés, tenho asas!
Hei tenho asas nos pés e salto!

Salto sem parar!
Vamos lá saltar!

Como o canguru!
Salta também tu!

Como em trampolim!
Salta lá assim!

Salta em comprimento!
Que divertimento!

Como um passarinho
a saltar do ninho!

Salto para a frente
para ficar quente!

Salto para trás,
que já sou capaz!

Salto para o lado
sem ficar cansado!

António José Ferreira, adaptado dos Clã ]

Neve

Neve! Neve!
Cai a neve.
Branca e fria,
vai cobrindo o chão.
Neve! Neve!
Cai a neve.
Um farrapo desce
e logo outro farrapinho
vai descendo.
Cai na minha mão!

António José Ferreira ]

O Duque manda

O Duque de Loulé
está cheio de frio
e manda que se faça
uma fogueira junto ao rio.

O Duque de Viseu
está muito infeliz
e manda que se faça
um arroz de codorniz.

O Conde de Aguiar
está muito cansado
e manda que lhe sirva
um bifinho bem passado.

António José Ferreira ]

Pai querido

Pai querido, tu és muito especial.
Estou bem quando tu ficas a meu lado.
Aproxima-se o dia de Natal.
Há um presente com que eu tenho sonhado.

Mãe querida que estás cheia de carinho,
vê lá bem o que me vais oferecer.
Tu já sabes que eu gosto de um beijinho
mas há prendas que eu adoro receber.

António José Ferreira ]

Quem é amigo

Quem é amigo
está para ajudar.
Quem é amigo
está para apoiar,
faz rir e não chorar,
e convida p’ra jogar.
O amigo é um tesouro
para preservar.

António José Ferreira ]

Somas

1+1=2
Quanto é a junta de bois?

2+2=4
Quanto é o arroz de pato?

3+3=6
Quanto custam os pastéis?

4+4=8
Quanto custa o biscoito?

5+5=10
Quanto custam os cafés?

6+6=12
Quanto custa uma dose?

António José Ferreira ]