Recursos e textos de apoio à Música para crianças entre os 0 e os 3 anos em casa ou na creche

Créditos Sebastien Monachon (Éveil Musical)

Quais são as vantagens da música para uma criança?

A música permite comunicar o amor.

A música é um bom meio de criar uma ligação positiva com a criança. Quando canta e dança com ela, transmite-lhe o seu amor e afeto. O mesmo acontece quando faz música com o bebé: é uma boa forma de criar bons laços com ele.

A música melhora a capacidade de aprender das crianças

A prática de atividades musicais (cantar, tocar ritmos num tambor, ouvir diferentes músicas) estimula diferentes zonas do cérebro, o que favorece várias aprendizagens. As atividades musicais entre outras a escuta, a memória, a atenção, a organização do pensamento e a capacidade de os pequeninos controlarem certos comportamentos.

As canções e lengalengas desenvolvem a linguagem

As palavras ouvidas nas canções e lengalengas enriquecem o vocabulário do bebé. Ouvi-las e cantá-las levam-na também a fazer sons, dizer palavras e formar frases. Além disso, com as canções e lengalengas, a criança dá-se conta, pouco a pouco, que as palavras são formadas por sílabas e por sons, o que a ajudará mais tarde a ler e escrever.

A música favorece a criatividade

Quando os mais novos se movem livremente ao som de uma música ou descobrem o som de um instrumento, isso favorece a sua expressão artística. A criança desenvolve também a sua imaginação quando inventa palavras para uma canção ou gestos para a acompanhar.

A música facilita ao bebé a descoberta do seu corpo

Quando a criança faz gestos nomeados numa lengalenga, toma consciência do seu corpo. Dançar, saltar, bater palmas e pés ao som de uma música exercem também as habilidades motoras como a coordenação.

Desenvolve o sentido musical

Por os mais pequeninos em contacto com uma variedade de estilos musicais (pop, rock, blues, country, jazz, clássica, tradicional) ajuda a desenvolver o seu sentido da música e os gostos musicais.

Oferece momentos para socializar

Cantar, dançar e fazer jogos musicais com outras crianças permitem desenvolver as competências sociais dos mais pequenos, como cooperar, partilhar instrumentos, respeitar regras e esperar a sua vez.

A música permite descobrir o mundo

Quando a criança ouve músicas de culturas variadas, a criança abre os seus horizontes.

Ajuda a acalmar e a gerir as emoções

Cantar tal como fazer música e ouvi-la favorecem a produção de hormonas associadas ao prazer, ao bem-estar e à confiança. A música tem um efeito calmante que ajudará os mais pequenos a gerir as suas emoções. Um estudo da Universidade de Montréal mostrou que os bebés com saúde permaneciam calmos duas vezes mais tempo quando ouviam uma pessoa a cantar do que uma pessoa a falar.

Se a criança tem algum mal-estar, faz-lhe bem cantar a canção preferida dela. Ela pensará menos na dor se a sua atenção se dirigir para algo de positivo.

Benefícios para os prematuros

A música pode também ter benefícios para os bebés prematuros. Estudos revelaram que quando se canta canções de embalar a bebés prematuros ou quando se faz ouvir músicas que reproduzem o pulsar do coração, o ritmo cardíaco estabiliza. Os bebés respiram mais calmamente, adormecem mais facilmente e dormem bem.

Tradução do Francês por António José Ferreira, de Naitre et grandirLes bienfaits de la musique, a 22 de dezembro de 2019.

Créditos Sebastien Monachon (Éveil Musical)

Créditos Sebastien Monachon (Éveil Musical)

Cantar nutre o cérebro

A ciência descobriu que a música (tanto escutá-la como fazê-la) é um dos estímulos mais poderosos e complexos-completos para o desenvolvimento das crianças e jovens.”

Cantar nutre o cérebro infantil. A voz, o primeiro instrumento musical

Parece que os adultos precisamos sempre de argumentos sobre a utilidade das coisas para dar valor ao que, em si mesmo, é valioso. Mas, porque estamos imersos num mundo tão rápido e que vai descartando o que desde sempre nutriu o rico mundo infantil (os jogos, os contos, as canções…), vale a pena conhecer o que diz a ciência sobre os efeitos de cantar nas crianças mais pequenas.

A ciência descobriu que a música (tanto escutá-la como fazê-la) é um dos estímulos mais poderosos e complexos-completos para o desenvolvimento das crianças e jovens (e dos adultos!). Mas, e quando as crianças são demasiado pequenas para aprender a tocar um instrumento? A resposta é simples: a voz.

Por alguma razão as canções infantis são uma parte importante da tradição cultural infantil. Se todas as culturas têm o seu próprio folclore infantil é porque responde a uma necessidade universal, agora cientificamente estudada numa investigação realizada na Universidade de Münster (Alemanha), por Thomas Blank e Karl Adamek. O estudo realizou-se em 500 jardins de infância, com a colaboração do Departamento de Saúde Pública, verificando-se que 88% das crianças que cantavam com frequência estavam preparadas para a escolarização normal, em contraste com os 44% apenas daquelas em cuja escola se cantava menos.

O estudo demonstrou que cantar e jogar cantando estimula o desenvolvimento físico, mental e social das crianças numa medida que se subestimou, e que se reflete numa melhor maturação cerebral e no desenvolvimento da fala, a inteligência social e o controlo da agressão.

Cantar beneficia todas as crianças, mas de um modo muito especial os que vivem em situações de desvantagem social (violência familiar, escassez de recursos, imigração recente…). É difícil medir os incontáveis benefícios de uma atividade que põe em jogo o corpo, as emoções e a mente, mas uma possível explicação parcial dão-na os estudos neurobiológicos e fisiológicos que mostram que cantar produz hormonas de bem estar e reduz as que desencadeiam reações de agressão.

Do mesmo modo, é fácil deduzir que as canções infantis que implicam jogos, rodas, palmas etc, a determinado ritmo, pelo facto de serem de execução mais complexa e conterem tantas habilidades diferentes de forma sincronizada, potenciam ainda mais as conexões neuronais e a maturação de estruturas cerebrais básicas.

Faltaria mais investigação sobre o efeito nos mais pequeninos de substituir as canções infantis tradicionais, todas elas compostas na escala pentatónica  (segundo a pedagogia Waldorf mais próxima da fase evolutiva dos mais novos), por canções que escutem jovens e adultos, todas elas compostas em escala heptatónica. Isto sem mencionar outros aspetos como as letras, o efeito sensorial sobre as as crianças mais pequenas de muitas canções modernas ou a perda cultural da riqueza do folclore tradicional infantil que vai caindo no esquecimento.

Citando

(…) cantar e jogar cantando estimula o desenvolvimento físico, mental e social das crianças numa medida que se subestimou, e que se reflete numa melhor maturação cerebral e no desenvolvimento da fala, a inteligência social e o controlo da agressão.

Isabel F. del Castillo, Terra Mater, tradução de António José Ferreira, a 08 de junho de 2019

Cantar nutre o cérebro

Menino cantando