Recursos e textos de apoio à Educação Musical no 2º Ciclo do Ensino Básico

Movimento Dalcroze

PEDAGOGOS E MÉTODOS

Excerto de O Ensino da Música no 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico, por Luís Alberto Andrade Telheiro. Mestrado em Ensino de Educação Musical no Ensino Básico. FCSH-UNL 2010.

A Educação Musical visa, citando Sousa, um despertar para o mundo dos sons, onde se destacam o contributo de importantes pedagogos da música como Dalcroze, Willems, Orff, Schafer entre outros, dos quais destacamos alguns como Gordon que desenvolveram metodologias com este propósito.

Émile Jaques-Dalcroze, compositor austríaco, foi um dos primeiros pedagogos musicais da primeira metade do século XX que defendeu que a música é um património de todos, rompendo com o sistema tradicional dos finais do século XIX em que a música erudita era um privilégio de uma pequena elite e a formação de músicos era feita por professores particulares e em conservatórios pouco acessíveis por serem dispendiosos.

Dalcroze primou pela necessidade de uma generalização e acessibilidade ao ensino da música para todos os estratos sociais, defendendo o ensino da música na escola, a par do ensino da leitura, escrita e ciências.

Segundo Dalcroze “o progresso de um povo depende da atenção que dá aos seus jovens” e “ o ensino obrigatório da música nas escolas é o único meio de estimular as forças vivas de um país”.

Deste modo, Dalcroze criticou a actuação formal, ditatorial e repressiva dos mestres da música da época, defendendo que o papel do professor não é o de transmitir conhecimentos para serem memorizados, mas o de estimular e incentivar o aluno a fazer experiências que o levem a aprender.

Este pedagogo propôs uma didáctica voltada para as actividades de ritmo, para a formação do ouvido e para a improvisação, incluindo um repertório de músicas clássicas e populares, tendo em consideração as idades dos alunos, as suas capacidades e o conteúdo das aprendizagens anteriores.

O conceito de ritmo é uma outra das bases do método de Dalcroze, argumentando que os alunos devem entrar na estrutura rítmica, não de uma forma passiva e mecânica como no solfejo, mas de uma forma activa e participativa, associando o movimento corporal ao ritmo da música, fazendo uma fusão entre a dimensão corporal e a dimensão musical. Defendia que não se deveria portanto estudar o ritmo musical de um modo mecanizado e afastado da sensibilidade, o ritmo deveria ser experimentado directamente, sensivelmente, com envolvimento emocional, pois a sensibilidade surge quando se envolve todo o corpo em movimento.

O método de Dalcroze é “ uma educação de base, uma disciplina do senso rítmico – muscular, que regula a coordenação do movimento e do ritmo, colocando em jogo simultâneo as principais actividades do nosso ser: a atenção consciente, sem deixar escapar nada do que se sente e registando-o imediatamente; a inteligência, porque é necessário compreender e analisar o que é sentido; a  sensibilidade, porque se deve “sentir” a música escutada, deixando-se penetrar pelo movimento musical. O corpo é também colocado em acção, em movimentação efectuada em conformidade com os tempos da música, dando-se atenção à percepção, à compreensão e à sensibilidade”.

O método dalcroziano baseia-se no estudo coordenado de três elementos: o ritmo, a movimentação e a improvisação. A prática rítmica, graças ao estudo conjunto do ritmo musical com o ritmo natural do corpo, robustece o senso métrico e o senso rítmico, ordena funções de tipo sensorial e nervoso, educa imaginação e harmoniza as faculdades corporais com as espirituais.

O estudo do escutar educa a função auditiva, as faculdades analíticas, o instinto tonal e o senso harmónico, procurando-se criar a audição interior. A parte final do método inclui a improvisação, o conhecimento da notação musical, a leitura à primeira vista, a interpretação e os conhecimentos musicais teóricos.

De acordo com Sousa, o objectivo didáctico geral da metodologia dalcroziana está ainda bastante orientado para a aprendizagem da teoria e conceitos musicais, contudo a ênfase no uso do corpo, na liberdade de expressão e o foco noutras capacidades não estritamente musicais como a concentração, a memória, as estruturas temporais e espaciais e a coordenação motora dão uma abertura a este método que permite ao professor renovar os conteúdos a partir da sua experiência musical e educacional quotidiana.

Edgard Willems, foi um pedagogo que nasceu na Bélgica em 1981, tendo o seu método sido largamente difundido nos países europeus a seguir aos anos 40. O seu método foi particularmente popular por não recorrer ao uso de dispendiosos instrumentos musicais, podendo ser facilmente aplicável tanto a crianças do ensino préescolar como a outros alunos mais velhos. Este pedagogo aprofundou as teorias de Dalcroze, considerando também importante o ouvido musical, contudo ao nível do estudo do ritmo, enfatizou mais os aspectos psicológicos como a sensorialidade, a afectividade e a inteligência auditiva, desligando-se assim da tónica motora enfatizada por Dalcroze.

Willems chamou a atenção sobre os riscos de uma centralização exclusiva do ensino da música na aprendizagem da técnica, que embora levasse a resultados rápidos, atrofiava a sensibilidade inata dos alunos, referindo que “ a arte deve ser o objectivo e a técnica apenas um dos meios de a atingir” (Sousa). A técnica instrumental, deveria assim segundo Willems, ser precedida pela musicalidade, através da educação do senso auditivo dos alunos, pois o ouvido é a base essencial da música e não a técnica.

A educação da sensibilidade auditiva poderia ser conseguida, de acordo com Willems, através por um lado da discriminação de sons sucessivos e por outro pela discriminação de sons simultâneos. Seria função do professor suscitar no aluno o seu amor pelos sons, num processo de educação auditiva de vários anos. Numa segunda etapa viria o solfejo e só posteriormente a técnica instrumental.

Esta preparação auditiva era desenvolvida, segundo o pedagogo, ao nível fisiológico, afectivo e mental. O nível fisiológico compreendia a recepção sensorial dos sons, o afectivo estaria relacionado com os estados emocionais que o som despoleta e o mental com a compreensão dos sons.

Assim, citando Willems

“a aquisição sensorial é um ponto de partida para o desenvolvimento de outras capacidades humanas”; (…) “A sensibilidade afectiva começa no momento em que passamos do acto passivo de ouvir para o activo e sugestivo”; (…) “A inteligência auditiva pode ser considerada como uma síntese da experiência sensorial e afectiva, pois que é elaborada a partir delas. Tal inteligência é o entender, o entender a música”.

Os trabalhos desenvolvidos por Willems sobre a educação das capacidades auditivas foram baseados em investigações experimentais em ambientes educacionais, o que lhe permitiu relacionar a música com a psicologia. Esta relação sustenta toda a base da sua metodologia, em que de acordo com Sousa (2003) coloca em estreita co-relação as áreas então consideradas pela psicologia da pessoa (vida fisiológica, vida afectiva e vida mental) com os elementos fundamentais da música.

Willems defendia que a inteligência auditiva pode ser educada através da orientação de um professor que leve o aluno a tomar consciência das suas próprias experiências auditivas, sejam sensoriais ou afectivas, defendendo que esta educação deveria começar na infância através do desenvolvimento do gosto musical e favorecendo a imaginação na criação de pequenas melodias, afirmando que “ A educação musical deve seguir as mesmas leis psicológicas que as da educação da linguagem” (Sousa).

Carl Orff, compositor alemão, foi um dos pedagogos que deu também um grande contributo para a didáctica da música actual. O seu trabalho emergiu a partir da escola e ginástica e de dança que fundou, a “Guentherschule” onde Orff decide unir a música à ginástica e à dança, não de um modo passivo mas activo. Os alunos criam a própria música, são os alunos que tocam e dançam ao mesmo tempo. Os alunos são incentivados a criarem ritmos estimulantes e motivadores de movimento.

Orff inspirou o seu trabalho na música oriunda dos Estados Unidos fortemente influenciada pelos ritmos africanos que os escravos negros das colónias de África, Ásia e Oceânia trouxeram para o continente americano.

Tambores, tamboretes, bongós, timbales e outros instrumentos de percussão em pele ou madeira, são de inspiração africana; xilofones, metalofones e jogos de sino são criados a partir de instrumentos indonésios; pratos, ferrinhos, triângulos e percussão de metais procuram reproduzir sonorizações asiáticas; as flautas de bisel e os instrumentos de corda foram copiados da Idade Média Europeia. Toda a música teria que ser totalmente criada pelos seus componentes – este era precisamente o objectivo de Orff.

A ideia pedagógica de Orff consistia em conduzir os alunos ao ponto deles poderem conceber o seu próprio movimento e os respectivos acompanhamentos musicais. As crianças dançavam e tocavam ao mesmo tempo, músicos e bailarinos tocando e dançando ao mesmo tempo ou trocando de posições, sempre improvisando sobre ritmos primitivos.

Orff, a pedido do Ministério da Cultura, chegou a realizar alguns estudos para o estabelecimento de um programa para o ensino da música, que não tiveram prosseguimento porque o quadro político alterou-se. Orff passou a dedicar-se à composição. Em 1984 retoma a dimensão pedagógica da música – movimento, mas agora numa perspectiva inteiramente dirigida à criança.

Orff constatou que as unidades da música -movimento que pacientemente tinha ensinado na sua escola aos adolescentes, existiam naturalmente na criança, o que passou a ser a tónica-chave do seu trabalho posterior. Observou que o mundo infantil era extraordinariamente rico a partir da voz. Os gritos, as onomatopeias, os trava-línguas, as lengalengas, as adivinhas e as canções, fazem parte integrante da vida das crianças.

Baseando-se nessa constatação, Orff une o movimento, o cantar e o tocar, num todo único, deixando uma perspectiva pedagógica assente na forma de música- movimento para um sistema de educação musical especialmente pensado para as crianças, englobando canções, o movimento dançado e a improvisação musical em simultâneo, com canções simples, movimentação elementar e música simples com instrumentos simples e elementares.

Baseado nas concepções de Haechel acerca do desenvolvimento da criança, Orff começa na sua metodologia por imitações, evoluindo para exercícios de pergunta – resposta e para formas de rondó, sempre com modelos e esquemas muito elementares, para depois passar à improvisação.

O sistema Orff aborda uma visão geral do mundo musical resumida ao mais simples possível, constando essencialmente de uma iniciação através das lengalengas e das canções infantis tradicionais, quase sempre de ritmo simples e repetido, que são cantadas pelas crianças com acompanhamentos de batimentos de palmas, pés, de mãos nas coxas etc.

Progressivamente era aumentada a complexidade das canções e dos acompanhamentos musicais, passando depois para os instrumentos de percussão mais rudimentares, cânones e ritmos acompanhados pelos ostinatos, evoluindo na natureza dos instrumentos e nas formas de criação musical. No que diz respeito ao movimento, Orff partia do princípio que há um impulso natural que leva a criança a acompanhar um movimento com um som rítmico ou a mover-se ritmicamente ao som de um ritmo, pelo que estes movimentos deveriam constituir a base motivacional de toda a actuação musical da criança, movendo-se, cantando e tocando ao mesmo tempo. Esses movimentos começam no método de Orff também pela imitação, passando pela pergunta -resposta para evoluir para a livre criação.

Edwin E. Gordon é sem dúvida uma das grandes referências actuais mais importantes para a didáctica da música. Gordon propõe com a sua metodologia um ensino da música que, citando Sousa (2003), passe de um magiscentrismo para uma didáctica puerocêntrica, isto é, em vez de o professor ensinar conceitos e teorias da música, deverá criar estratégias programáticas e metodológicas para que o aluno aprenda música por si, em função das suas capacidades de aprendizagem.

Gordon refere os seguintes postulados básicos da sua perspectiva pedagógica:

  • Todos os alunos são capazes de aprender música;
  • Ensinar é uma arte, mas aprender é um processo;
  • É no potencial da criança que nos devemos centrar, se queremos ajudar a criança a desenvolver o seu potencial musical;
  • Deve-se prestar atenção às diferenças e necessidades individuais, adaptando a formação ao aluno;
  • A programática proporciona aos alunos os fundamentos para a compreensão do que estão a aprender, quando se lhes ensina a escutar e a executar música;
  • Uma programática de aprendizagem musical, na sua aplicação prática, é referida como uma série de sequências de aprendizagem da música;
  • A música deve ser ensinada através do ouvido, de modo a que os alunos possam realmente aprender música e não simplesmente ser treinados para a executar;
  • Para terem bons resultados em música, os alunos devem aprender a audiar (termo criado por Gordon) de modo eficaz, passando por todos os tipos e estados de audiação.

A programática de aprendizagem musical proposta por Gordon é constituída por quatro áreas de vocabulário: Audiação, Expressão, Leitura e Escrita. A audiação é uma forma de apreciação e compreensão da música. A expressão musical é constituída por actividades de canto, de entoação verbal e por movimentos expressivos que se vão efectuando, acompanhando a audiação. A leitura e a escrita dizem respeito a formas de notação, procurando-se registar ritmos, melodias ou frases da música que se está a audiar.

Gordon refere que a audiação está para a música como o pensamento para a fala. Audiam-se padrões rítmicos e tonais (lografismos), mas pensa-se em alturas e durações individuais dos sons (o alfabeto musical). O autor citado identificou seis estados de audiação que actuam numa complexa interacção de sequência e actividade mental circular e recomendava uma educação musical precoce, que devia ser iniciada deste modo logo na primeira infância.

(…)

Movimento Dalcroze

Movimento Dalcroze

Carl Orff

MÉTODO ORFF

Excerto de O ensino da Música no 1.º Ciclo do Ensino Básico: Das orientações da tutela à prática lectiva. Dissertação de Mestrado em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores Dina Maria de Oliveira Soares. Coimbra, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação Universidade de Coimbra 2012.

Natural de Munich, Carl Orff (1895-1982) fez os seus estudos de música e regência, sendo autor de várias obras ligadas ao ensino da música, nomeadamente Schulwerk. Em 1930 apresentou Elementare Musikubung, e nos anos 50 foram editados novos volumes com o título Musik fur Kinder, que constituiram uma colectânea de músicas cuidadosamente organizada por níveis progressivos de dificuldade, para uso nas escolas.

O título Schulwerk (do alemão e significando Música para crianças) indica a natureza do princípio educacional Orff: a aprendizagem através do trabalho – oficina de experimentação, de criação e de aprendizagem e, principalmente, o incentivo ao trabalho em grupo, que reforça a aprendizagem e desenvolve o reflexo estímulo-resposta, antes da interpretação de simbologia, que constitui a etapa seguinte.

Este método, quando trabalhado em grupos activos, permite o desenvolvimento do sentido da responsabilidade do grupo e da capacidade de atenção e da memória da criança (García).

Pratica-se música em conjunto com instrumentos elementares e o valor de Orff foi também o de ter redescoberto, para o ensino, instrumentos tradicionais de muitas partes do mundo, criando, para as escolas, um conjunto de percussão, cujos movimentos de execução são semelhantes aos que produzem os ritmos corporais.

As crianças movimentam-se, cantam e tocam os instrumentos mais apropriados, principalmente percussão nos primeiros níveis de dificuldade: começa com padrões rítmicos simples e progride até complexas peças para conjuntos de xilofones, glockenspiels e outros. São levadas, através das próprias experiências, a interpretar uma grande variedade de escalas e ritmos, adquirindo assim uma grande compreensão da música (Grout).

Para Orff a aprendizagem tinha que dar prazer e este conseguia-se através do conhecimento adquirido para fazer algo de novo, daí que a maior importância tenha sido dada às actividades criativas. Aprende-se fazendo: a voz é falada; a improvisação é feita com palavras e rimas; o repertório são as rimas os provérbios, canções de roda ou populares, danças e folclore.

Valoriza-se a experiência sobre a intelectualização e o grande objectivo é o de sensibilizar todas as crianças para a Música (criação e audição) mostrando um caminho de conhecimento e prazer através da experiência musical pessoal (Wuytack).

Orff fundou com a dançarina Dorothea Günther, a Günther School, escola onde se ensinava Música, Dança e Ginástica a crianças; treinava-se a Música elementar, que é uma integração dos elementos da linguagem falada, ritmo, movimento, canção e dança, onde a improvisação ocupa um lugar fundamental.

Os poemas, rimas, provérbios, jogos, ostinatos, canções e danças, usados como exemplos e como material básico, podem ser tradicionais, folclóricos ou composições originais (Orff). Tal como o método e os materiais de Kodály, o método Orff mereceu grande aceitação por parte dos professores de muitos países.

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Carl Orff

Carl Orff

Educação Musical em Portugal

A EDUCAÇÃO MUSICAL EM PORTUGAL

Excerto de Educação Musical no 1º Ciclo: O Ensino da Música através da sua Prática, por Ana Teresa Taumaturgo Brito de Araújo. Mestrado em Ensino de Educação Musical no Ensino Básico. Setembro de 2016

No ano de 1835 foi criado em Lisboa por Almeida Garrett o primeiro Conservatório. Durante 80 anos, era o único lugar onde se realizava o ensino de música de forma sistemática.

Em 1878, é introduzido no ensino primário o canto coral, que, em 1973, com a reforma educativa, é substituído por um sistema de Educação Musical baseado em conceitos que privilegiam a prática musical e defendem que esta deve preceder a teoria.

Fundação Calouste Gulbenkian e APEM (Associação portuguesa de Educação Musical) representaram aqui um importante papel.

Contudo, segundo Graça Mota, foi em 1974 com a implementação da República que se deu a grande mudança no Ensino da Música em Portugal. Com a publicação da Lei de Bases do sistema educativo em 1986, ocorreram as mudanças mais significativas na Educação Musical, com a criação de cursos de formação de professores de Educação Musical nas Escolas Superiores de Educação dos Institutos Politécnicos.

Nas últimas décadas do séc. XX, com a influência do pensamento de vários autores, concluiu-se que o currículo da disciplina de Educação Musical deveria ser construído em torno das áreas de Audição, Interpretação e Composição, e ter em conta as experiências musicais dos alunos.

Segundo Graça Mota, com a publicação das Competências Essenciais do Currículo Nacional do Ensino Básico (Portugal, 2001) tornou-se clara a importância que a Música deveria assumir no currículo.

Em 2011, este documento foi revogado pelo Ministério da Educação, ainda que continue a ser usado como referência pelos professores de música do Ensino Básico.

A Educação Musical está presente no Ensino Básico do seguinte modo: no 1.º ciclo, a música não é trabalhada de forma sistemática, estando a cargo dos professores generalistas com pouca formação nesta área. A partir de 2006, todavia, o Ministério da Educação ofereceu a Educação Musical como disciplina extracurricular para este ciclo.

No 2.º ciclo, a disciplina é lecionada por um professor especialista e ocupa uma carga letiva de até 3 horas semanais.

Já no 3.º ciclo, a música só surge em algumas escolas e de acordo com a disponibilidade de horário e existência de um professor de Educação Musical.

Na última reforma Curricular (Portugal 2012) a música foi erradicada como disciplina no 9.º ano e, no ensino Secundário surge apenas como opção num reduzido número de estabelecimentos de ensino.

(…)

Educação Musical em Portugal

Xilofone

Coalas

Criadas para apoio musical à aprendizagem das Ciências da Natureza no 5º Ano de Escolaridade, várias destas adivinhas servem também para aplicar conhecimentos de Estudo do Meio no 3º e 4º anos.

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? Move-se com muita calma
com a forte carapaça.
Ela encolhe a cabeça
e então ninguém a caça.

(tartaruga)

? O que come o guarda-rios
com sua linda plumagem,
a voar junto ao ribeiro,
sobre o rio ou na margem?

(peixe)

? Sou mamífero e salto
c’os membros posteriores
que são longos e mais fortes
do que os anteriores.

(canguru)

? Pode andar pelo deserto,
passar dias sem beber.
Tem na bossa a gordura
com que há-de sobreviver.

(dromedário)

? Com o meu pé musculoso
eu procuro alimento.
E que importa que me digam
que o meu andar é lento?

(caracol)

? Tem espinhos entre os pelos
para sua proteção
quando se vê atacado
p’lo texugo ou pelo cão.

(ouriço-cacheiro)

? É cilíndrica, alongada,
move-se rapidamente.
Lança a lingua venenosa
e assusta toda a gente.

(serpente)

? Nela vivem o coelho,
a raposa e o leirão,
o chapim, o pica-pau,
o esquilo e o verdilhão.

(floresta)

? Nele vive o pimpão
e a enguia europeia,
a rã-verde e o sável,
o girino e a lampreia.

(rio)

? A ovelha come erva,
o panda come bambu,
a serpente come ratos;
o que come o canguru?

(plantas)

? Barifusas ou fradelhos,
girabelas, centieiros…
Há ainda quem lhes chame
pucarinhos ou choteiros…
(cogumelos comestiveis)

? O do bambu é de colmo,
espique é o da palmeira;
rizoma é o do lírio,
tubérculo, o da batateira.

(caule)

? Da planta do milho diz-se
que a tem fasciculada.
A do nabo, essa é
tuberosa aprumada.

(raiz)

? Com morcegos no meu campo
se controlam as doenças.
Diz-me lá o que eles comem,
diz-me lá o que tu pensas.

(mosquitos)

? A girafa e a zebra,
o gorila, o chimpanzé,
a ovelha, o burro, a cabra
bebe-o enquanto bebé.

(leite)

? Sou da espécie “Canis lupus”,
tomo leite ao nascer.
Peixe e sopa não me agrada,
carne gosto de comer.

(lobo)

? O seu corpo tem cabeça
e uma massa visceral.
Pelo seu pé leva a casa
o pequeno animal.

(caracol)

? É pequeno mas assusta
aquele bichinho preto
e evita perdas de água
c’o seu exoesqueleto.

(escorpião)

? Pelo branco abundante
tem esse animal polar.
Tenho um que é de peluche
e que posso abraçar.

Urso polar, Comedy Wildlife Photography Awards

(urso polar)

? O embrião e o feto
por cordão umbilical
ligam à progenitora
este tipo de animal.

(vivíparos)

? Na praia fará um ninho
para à noite desovar
e depois da eclosão
vão os filhos para o mar.

(tartaruga-marinha)

? Em tempos quentes e secos
para não morrer ao sol,
fecha-se na sua concha
o esperto…

(caracol)

? Sem escamas e sem penas,
sua cor é camuflagem
com que engana os predadores
e se esconde na paisagem.

(rã)

? A abelha e a mosca,
a andorinha e o sardão
movem-se durante o dia.
Que hábitos têm, então?

(diurnos)

? Nesse tempo, o animal
está muito mais ativo,
o sentido visual,
auditivo e olfativo.

(período de reprodução)

? Uma cria por ninhada,
como em geral os humanos,
que em bebé mama
até cerca de dois anos.

(baleia-branca)

? Quando nascem eles são
cegos, surdos, dependentes;
só depois saem da toca
p’ra se tornarem valentes.

(lobos)

? Tanto come uma bolota
como come um ratinho
e encontra alimentos
remexendo c’o focinho.

(javali)

? Tem as penas muito pretas
e o bico amarelo.
Come frutos e minhocas
e o seu canto é muito belo.

(melro macho)

? Que regime alimentar
tem o panda, o caracol,
a ovelha e a cabra,
caia chuva ou faça sol?

(herbívoro)

? Para obter o alimento,
o que usa o falcão,
quando se encontra no alto
e há um coelho no chão?

(visão)

? Quantos dedos tem o pé
da perdiz e do pardal,
do falcão, do pica-pau,
do melro e da garça real?

(quatro)

? Que regime alimentar
tem o abutre e o tubarão,
o leão, o leopardo
e até o camaleão?

(carnívoro)

? Que regime alimentar
tem o porco e o rato,
o morcego e o corvo,
o homem e o peixe-gato?

(omnívoro)

? Tem a forma de bicone,
vive e move-se no mar.
Alimenta-se dos peixes
que consegue encontrar.

(golfinho)

? Come carne o leopardo,
a girafa é ruminante.
Roedor é o coelho…
O que come o elefante?

(plantas rasteiras)

? É frugívoro o morcego,
é granívora a perdiz.
É omnívoro o porco.
O que come a codorniz?

(grãos)

? Com penas impermeáveis
à água e também ao ar,
nado na água do rio,
marcho em terra e sei voar.

(pato-real)

? Quem se move entre as ervas
comendo com atenção
para não ser apanhado
pelas garras de um falcão?

(coelho)

? Na areia da praia marcho,
na água do mar eu nado.
Adivinha quem eu sou,
sabendo que ando de lado?

(caranguejo)

? Tenho os membros muito curtos,
dispostos lateralmente.
Repto, nado, abro a boca
e assusto toda a gente.

(crocodilo)

? Apoio as mãos e os pés
no solo, quando caminho.
Levo comigo o filhote
e dou-lhe muito carinho.

(chimpanzé)

? Ela tem um esqueleto
preparado para o salto.
Os membros posteriores
fazem com que vá mais alto.

(rela)

? Se conheces bem os peixes
diz-me o que há em comum
entre escamas de um um pargo
e escamas de um atum.

(dérmicas)

? Que é que o boi almiscarado
tem que é longa e escura
p’ra se proteger do frio
na estação que é a mais dura?

(pelagem)

? Cinco braços encarnados,
simetria radial,
no mar vive e se move
este ser original.

(estrela do mar)

? É um animal pequeno,
seus segmentos são anéis.
Não tem penas nem escamas.
Dizei qual, se o sabeis.

(minhoca)

Um plano divide o corpo
em duas partes iguais.
Diz-me qual a simetria
que há nestes animais.

(simetria bilateral)

? As que estão no corpo todo,
essas chamam-se tetrizes;
as que só estão na cauda,
essas chamam-se retrizes.

(penas)

? Poisada num alto ramo,
uma ave está sozinha
observando bem o solo
p’ra caçar uma doninha.

(falcão)

? Têm barbatana anal,
têm barbatana caudal;
têm barbatanas ventrais,
barbatanas peitorais
e barbatanas dorsais:
diz quais são os animais.

(peixes)

? São quatro as do elefante,
quatro as do canguru,
mas só duas as do grifo,
duas as do marabu.

(patas)

? Tem na derme as escamas
com caráter permanente
ao contrário das que existem
na epiderme da serpente.

(peixe)

? A corrida e o salto,
a marcha e a reptação,
para os animais no solo
modos de…

(locomoção)

? Repta a cobra, o crocodilo,
salta bem o canguru;
na água desliza peixe…
diz como te moves tu!

(marcho)

? Segregada pela epiderme
de um animal do mar,
é revestimento simples
ou, às vezes, a dobrar.

(concha)

? Palminérvea a do plátano,
peninérvea a do amieiro;
paralelinérvea a do milho,
uninérvea a do pinheiro.

(folha)

? Nele vive o espadarte,
a esponja, o tubarão,
o golfinho, a cavala,
a sardinha, o mexilhão.

(mar)

António José Ferreira

Pode cantar-se com a melodia de “As pombinhas da Cat’rina”.

Coalas
Coalas