Recursos e artigos no âmbito da educação e expressão musical

Logo Meloteca e António José Ferreira
Lista atualizada de trabalhos de apoio à música na infância
  • Adivinhas Musicais, 2010
  • Animação e Música, 2013
  • Bichinho da Música, 2015
  • Brincadeiras Cantadas, 2014
  • Brincadeiras Rítmicas, 2012
  • Brincanto, 2019
  • Brincar Musical, 2020
  • Canções Infantis, 2016
  • Canções para as Ocasiões, 2012
  • Canta a Criança, 2016
  • Canta a Escola, 2016
  • Canta o Alentejo, 2015
  • Canta o Jardim, 2016
  • Canta o Mundo, 2016
  • Canta o Natal, 2016
  • Canta Portugal, 2016
  • Canto na Escola, 2016
  • Canto na Pré, 2016
  • Com música aprendo, 2012
  • Copos com ritmo, 2012
  • Destrava a língua, 2010
  • Dicas para o Ensino da Música, 2010
  • Doutor Provérbio, 2013
  • Estórias de Música, 2010
  • Fábulas Cantadas, 2010
  • Festa na Escola, 2012
  • Inverno Cantado, 2015
  • Jardim da Música, 2017
  • Jogos Cantados, 2014
  • Jogos de Mãos, 2012
  • Jogos Musicais, 2010
  • Jogos Musicais de Exterior, 2020
  • Jogos Musicais em Segurança, 2020
  • Lenga Língua, 2013
  • Lengalengas, 2010
  • Matemúsica, 2012
  • Mundo de Canções, 2013
  • Música a brincar, música a sério, 2012
  • Música Adaptada, 2016
  • Música Criativa, Música Ativa, 2012
  • Música e Saúde, 2019
  • Música em Movimento, 2013
  • Música Enriquecimento Curricular, 2012
  • Música Especial, 2012
  • Música Mágica, 2013
  • Música no Jardim, 2014
  • Música para bebés, 2013
  • Musicália, 2013
  • Musicando, 2014
  • Musicatividades 1, 2013
  • Musicatividades 2, 2013
  • Musicatividades 3, 2013
  • Musicatividades 4, 2013
  • Músicos do Riso, 2012
  • Natais Encantados, 2012
  • Natal Português, 2012
  • O Ritmo e a Rima, 2013
  • Oficina de Sons, 2020
  • Onomatopeias, 2010
  • Outono Encantado, 2015
  • Pequenos Poemas, Grandes Poetas, 2010
  • Percussão Corporal, 2015
  • Percussão no Jardim, 2015
  • Poemas de Gentileza, 2020
  • Poemas que tocam, 2020
  • Primavera Encantada, 2015
  • Provérbios Tocantes, 2012
  • Reis e Janeiras, 2019
  • Ritmo para o Sucesso, 2019
  • Toca a Reciclar, 2012
  • Tocando Instrumentos, 2013
  • Tubos em Harmonia, 2012

Em revisão

  • Adoro Música, 2019
  • Festa com Jesus, 2015
  • Música e Afeto, 2019
  • Música e Cidadania, 2013
  • Música e Desenvolvimento, 2013
  • Músicas Medievais, 2010
  • Reciclo Sons, 2020
  • Rhythmus Rhythmi, 2013
  • Sing a Song, 2106
  • Sons Adaptados, 2020
  • Tampas Musicais, 2014

 

Adufando, método de adufe

O Adufando é o novo método de ensino do toque de adufe a crianças e jovens. Nasceu pelas mãos da Filarmónica Idanhense, em Idanha-a-Nova, município que tem neste instrumento o símbolo maior da sua riqueza e tradição musical.

O projeto da Filarmónica Idanhense, que tem a parceria da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e do Agrupamento de Escolas José Silvestre Ribeiro, surge da necessidade de criar um método intuitivo para aplicar no ensino de adufe no 1º Ciclo do Ensino Básico.

O Adufando tem por base 12 cantigas do concelho de Idanha-a-Nova, Cidade Criativa da Música da UNESCO. Com uma forte componente de imagem e ilustração, o método combina os suportes de livro e de plataforma digital e é composto por 72 fichas de trabalho (multidisciplinares).

Além das fichas de toque de adufe, o Adufando tem ainda fichas de trabalho para possibilitar o desenvolvimento de outras capacidades, entre elas, português, artes plásticas e expressão dramática. Até para lecionar disciplinas como Estudo do Meio ou Matemática é possível usar este método original.

Nasceu assim, nesta configuração, um dos primeiros métodos de ensino dedicados ao adufe, que além de intuitivo e prático, tem uma enorme facilidade de aplicação a todas as faixas etárias, logo a partir dos três anos.

É o resultado do trabalho realizado pela Filarmónica Idanhense nos campos da pesquisa, preservação e promoção do adufe, da música tradicional e das tradições do concelho de Idanha-a-Nova.

A autoria é de Carla Costa (toques de adufe e adaptação musical), Eugénia Lyubykh (ilustrações), João Abrantes (conceção original, toques e adaptação musical), Margarida Abrantes (toques de adufe) e Pedro Miguel Reis (adaptação musical).

Para dia 27 de setembro, está marcado o Workshop “Trabalhar com o Adufando”, que é gratuito e pretende contextualizar as múltiplas formas de utilização deste método, tanto através da plataforma como do livro.

Em paralelo, Filarmónica Idanhense lança também o projeto Musicando, um método de ensino de música a crianças e jovens que dá primazia à imagem e às atividades lúdicas para fortalecer a aprendizagem.

Os projetos integram o Plano Integrado e Inovador de Combate Contra o Insucesso Escolar, promovido pela Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB) e financiado pelo Centro 2020, Portugal 2020 e UE – Fundo Social Europeu.

Adufando, método de adufe

Adufando, método de adufe

Fonte:

Câmara Municipal de Idanha a Nova, 14 setembro 2020

Brincadeira Cantada

Ao longo de duas décadas tenho criado conteúdos musicais para crianças, conteúdos que deram origem a aulas, formações e recursos da Loja Meloteca.

Algumas características e intencionalidades se destacam:

  • Tradinovação (diálogo entre a tradição e a novidade)
  • Ludicidade (caráter de jogo inerente ao próprio conceito de música)
  • Inclusividade (atenção às crianças com dificuldades ou necessidades especiais)
  • Curricularidade (articulação entre música e conteúdos do currículo)
  • Criatividade (abertura criação e à atividade)
  • Cidadania (utilização da música para assimilar valores sociais)
  • Reutilização (recurso a objetos sonoros e instrumentos reutilizados)

OBJETOS

Canções de copos:

Exemplo:

“Copo copo jericopo,
Jericopo copo cá.
Bebe sumo de morango,
Pera e maracujá.“

As crianças estão à volta de uma mesa, ou sentadas no chão se o espaço o permitir, cada uma com um copo de plástico reutilizado à sua frente, tampa de amaciador da roupa, por exemplo. Cada criança agarra mecanicamente o seu copo e passa-o ao colega (com a mão direita ao colega da direita; ou com a mão esquerda ao colega da esquerda).

Canções de cadeiras:

Exemplo:

“Gri gri gri, estou cansado de cantar aqui.
Gri, gri, gri, vou agora cantar ali.”

O professor ou um voluntário cantam em andamentos diversos enquanto as crianças se movem pela sala, depois de as cadeiras estarem em posição que facilite o sentar. Quando percute em tambor tiri tiri tá, ou tríola tá, as crianças sentam-se numa cadeira disponível, não podendo sentar-se duas vezes na mesma cadeira.

Canções de corda:

Exemplo:

“A vaca leiteira
Disse ao leiteiro:
– Paga-me a renda
Do mês de janeiro.

Janeiro, 1; fevereiro, 2; março, 3…

Recitada ou cantada, a lengalenga acompanha o salto à corda. Na falta de mais cordas, uma criança pode saltar individualmente enquanto os outros aguardam a sua vez cantando ou recitando; com uma corda presa a um ferro e um adulto a lançar a corda; ou com duas crianças a lançar a corda e uma ou mais crianças a saltar. Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, a atividade desenvolve a memória, o conhecimento do Estudo do Meio e da Matemática. Estas brincadeiras cantadas e saltadas contribuem ainda “para que os alunos desenvolvam competências relativas à performance/execução musical, ou seja, cantar, tocar, movimentar, bem como as relativas a formas de comunicar/partilhar publicamente as performances e/ou criações.” (Direção Geral da Educação, Aprendizagens Essenciais, Música, 1º Ciclo). A música contribui para o desenvolvimento psicomotor.

Canções de bola:

Exemplo:

“Roda a bola, roda, rola,
No recreio da escola.”

As crianças estão num círculo, sentadas no chão. Enquanto cantam com uma melodia simples de duas notas, ou declamam, a bola (tipo futebol), vai rolando no sentido dos ponteiros do relógio, ou em sentido contrário. Cada criança só pode tocar com a mão na bola uma vez. Pode ser feito em casa com uma criança e um familiar, sentados nas pontas da mesa. Neste caso, cada jogador terá de mandar a bola a rolar no sentido da ponta. Se a bola fora para o lado, o jogador entrega um ponto ao adversário. Se o jogador não conseguir agarrar a bola mandado pelo adversário, perde um ponto. Podem jogar até 5, ou 10.

Canções de mãos:

Exemplo:

“Puni puni, palmi, palmi, puni puni costi, costi.
Puni palmi puni costi. Puni palmi costi.”

Com termos portugueses alatinados, foi recriada uma brincadeira de mãos em pares que se pode cantar com pequena melodia, ou em reto tono, ou a duas vozes em reto tono. Com punho de lados de lado com punhos do colega, palmas com palmas e costas das mãos com as costas das mãos.

AÇÕES

Canções de imitação:

Exemplo:

“Quem quiser dançar melhor
Vai a casa da Bianca.
Ela pula, ela roda,
Ela mexe bem a anca.”

Com base numa dança brasileira, foram criadas diferentes quadras com nomes de crianças da turma. À frente da turma, um voluntário dança de forma criativa e os colegas imitam.

Canções de representação:

Exemplo:

“O pai manda sair da cama.
Fai quello che dice papà.
A mãe manda lavar a cara.
Fai quello che dice mamma.”

O adulto diz ou canta as frases, uma em Português, outra depois em Italiano, e o grupo faz os gestos de rotina diária correspondentes. Este texto/canção ajuda a desenvolver o jogo simbólico e explorar/educar em rotinas diárias.

Canções de saudação:

Exemplo:

“Olá, boa tarde,
olá, meu amigo.
Vamos lá cantar,
depois vou jogar contigo.”

As crianças cantam enquanto passam a palma (a direita bate na esquerda do colega da direita, ou vice-versa). O que recebe a palma no momento em que termina a canção, dirá outra ação (“depois vou brincar contigo”, por exemplo, apontando um colega). A dinâmica promove boas práticas de gentileza, exprime afetos e permite ao adulto conhecer as relações interpessoais no grupo.

Canções de salto:

Exemplo:

“A cabrinha saltou
Para cima do rochedo.
A cabrinha saltou
E até perdeu o medo.
A cabrinha saltou
Não tremeram os seus pés.
Cabrinha, que brava que tu és.”

Este é exemplo perfeito da importância da observação na criação musical e pedagógica, de uma cabrinha que vi efetivamente em cima do telhado de uma casa em ruinas. Há uma versão que fala de telhado, esta de rochedo. As crianças estão dispersas num espaço amplo mas próximas do professor. A atividade pode fazer-se na própria sala de aula, com menos sucesso e mais cuidados. Quando o professor canta ou recita e percute em tambor, as crianças dão um salto, o mais longe possível, mas sem cair. Se o professor disser “cabrinha”, saltam as meninas; se dizer “cabrito”, saltam os rapazes; se dizer o nome comum coletivo “cabrada”, saltam todas as crianças. O professor pode percutir de várias formas que determinarão os saltos das crianças: na última sílaba tónica de cada verso; ou na sílaba tónica dos nomes comuns; ou nas formas verbais no pretérito perfeito. Desta forma, as crianças estão a assimilar noções de nome comum, masculino e feminino, e nome comum coletivo.

Canção de comboio:

Exemplo:

“Vem comigo no comboio
que se chama Alegria.
Quando chegas à escola,
de manhã, dizes “Bom dia!”.

A quadra, que é uma forma poética popular embora tenha sido utilizada por grandes poetas, recorre à redondilha maior, rima ABCB, apelo ao movimento e à cidadania. Nesse comboio da cidadania, entram outras palavras essenciais de cortesia (obrigado, por favor, desculpa, com licença). Além disso, a ideia de comboio permite uma atividade interessante em que uma criança fará de locomotiva e as crianças entram para o comboio, em determinadas estações.

Canções de caçada:

Exemplo:

“Se nasceste na savana
Tu precisas de saber
Como deves atacar,
Como podes defender.

1. Foge zebra, foge impala,
Corre e salta sem parar.
Vai a perseguir-te um tigre
Pronto p’ra te devorar.”

Estas quadras permitem jogos com caçadinhas que ajudam a assimilar noções de presa/predador, o conhecimento dos animais selvagens, promover o respeito pela natureza, e desenvolver a psicomotricidade.

Canções de passe:

Exemplo:

“- Fui ao saco das amêndoas
Que a minha avó me deu.
Eu tirei uma dezena,
minha mãe apareceu!
Tirei uma, tirei duas… tirei dez.
– Que gulosa (o) que tu és, filha(o)!!!

Em roda, as crianças dizem passando uma saqueta. Quando esta para, na mão de uma criança, as outras dizem: “- Que guloso que tu és! (ou “Que gulosa”, conforme o caso!)”

Canções de palpite:

Exemplo:

“A aveleira deu um fruto
Que eu apanhei do chão.
‘Stá na esquerda ou na direita?
Adivinha qual a mão!”

Um jogador tem uma avelã. Colocando as mãos atrás das costas, passa de uma para a outra. O parceiro tenta acertar na mão apontado ou dizendo: “a tua direita”, ou “a tua esquerda”. Esta dinâmica é especialmente indicada para o mês de dezembro, mas pode ser realizada em qualquer mês. É propícia para experienciar frutos secos e assimilar a noção de direita/esquerda.

Canções de bomba:

Exemplo:

“Bomba, olha a bomba,
Olha a bomba, bomba, bomba.
Tem cuidado, tem cuidado,
Tem cuidado, dado, dado.
Ela explode, ela explode,
Ela explode, plode, plode! Arrebenta, arrebenta,
Arrebenta, benta, benta.”

As crianças estão dispersas por um espaço amplo. Uma delas tem a bomba (pode ser o Bomb dos Angry Birds, ou uma bola adequada). Todos se podem mexer, exceto o que tem a bomba. Se a bomba tocar numa criança, passa ela a ter a bomba. Se não acertar, continua. Não vale acertar na cara.

Canções de atleta:

Exemplo:

“Salto eu, saltas tu
Para vermos quem mais salta.
Não sou eu,
Não és tu.
Quem mais salta é o canguru.”

As crianças estão lado a lado, numa linha de partida. Quando percute, os jogadores saltam o mais longe possível em direção à linha de chegada. Quando saltam, ficam com os pés “colados” ao chão. Quem mexer os pés, fica fora da jogada. Ganha quem primeiro alcançar a meta. Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, esta atividade desenvolve competências na área do Português. Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, esta atividade desenvolve competências nas áreas do Português e do Estudo do Meio.

Canções de centro:

Exemplo:

“Olha aquele cachorrinho
Tão bonito e brincalhão.
Vamos ver quem ele quer
Que o leve p’ra adoção.

Cachorrinho!”

As crianças estão numa roda. O professor escolhe um entre voluntários com dedo levantado. O escolhido irá para o meio, e será um cachorrinho a fazer cenas de cão juvenil. Quando as crianças chamam: “Cachorrinho”, ela olha todas as crianças e aponta uma. Essa criança deve dizer uma pequena frase sobre cachorrinhos. Se a frase lhe agradar, encontrou nova casa. O jogo prossegue com menos duas crianças em jogo, com novo animal de estimação, que pode ser previamente destinado pela direita.

Canções de embarque:

Exemplo:

– Quero ir à outra banda
Visitar a minha amiga.
– A viagem é barata:
Só lhe custa uma cantiga!

– Quero ir à outra margem
Visitar a namorada.
– A viagem é barata:
Só lhe custa uma piada.

Há uma criança que faz de bilheteiro. As outras crianças estão na fila para comprar bilhete. O passageiro diz os dois primeiros versos de uma quadra à sua escolha e o bilheteiro deixa passar ou não conforme disser bem ou mal.

Canções de barqueiro:

As crianças dispõem-se em coluna de cinco a doze elementos, apoiando os braços nos ombros da criança da frente. A primeira criança da coluna é a mãe. Fora da coluna, duas crianças, que fazem de barqueiros, colocam-se uma em frente da outra, com os braços levantados, e as mãos dadas, formando uma ponte ou arco. Atribuem a cada uma um nome, combinado entre si sem os outros escutarem: um nome de fruta (banana ou laranja), flor (rosa ou jacinto), cor (vermelho ou azul), instrumento (violino ou guitarra). As outras crianças passam em coluna, por baixo da ponte dos barqueiros, enquanto cantam:

“Bom barqueiro, bom barqueiro,
deixai-me passar,
tenho filhos pequeninos,
não os posso criar”.

Os dois barqueiros respondem, cantando:

“Passarás, passarás,
mas algum ficará,
se não for o da frente,
há-de ser o de trás”.

Em “trás”, os braços baixam e prendem a criança que está aí nesse momento, por cima dos ombros em “trás”. Os barqueiros perguntam à criança presa, em voz baixa, qual dos nomes (anteriormente combinados por eles) e ela escolhe, não mencionando, qual o barqueiro correspondente a cada nome. Consoante a escolha, a criança vai para trás do barqueiro, correspondente ao nome que ele escolheu. O jogo continua, até que todas as crianças da coluna se coloquem atrás dos barqueiros, formando dois grupos. Ganha o barqueiro que tiver mais passageiros.

TEMAS

Canções de pássaros:

Exemplo:

“Tem coragem, passarinho,
Salta agora do teu ninho.
Tem cuidado c’o gatinho,
Como faz o teu paizinho.”

As crianças aprendem a cantar ou recitar o texto. Depois o professor executa e percute na última sílaba tónica de cada verso e as crianças saltam como o pássaro juvenil que aprende a voar. As crianças estão no recreio, aleatoriamente, a uma distância umas das outras que lhes permita saltar sem pisar colegas. Podem estar na sala de aula e passar um passarinho de peluche (ou Angry Bird) a um colega que esteja pronto para receber. Quem passar mal ou deixar cair fica fora de jogo.

Canções de ciência:

Exemplo:

“É um esqueleto
um esqueleto de brincar.
Como ele gosta
de mexer e de dançar.
Vai um dia ao baile,
baila, baila com o par.
Deixa lá o fémur:
– Como é que vai andar?”

Depois de aprenderem alguns ossos principais do esqueleto, as crianças movem-se de acordo com o texto.

Canções de profissão:

Exemplo:

“Olá, bom dia,
Ó Senhor Doutor.
Veja o meu ouvido
Que tenho uma dor.”

As crianças estão sentadas aos pares, sendo uma o médico, outra o paciente. Quando o professor canta, com um ou mais voluntários, as crianças estão atentas. Quando o professor improvisa em percussão – durante 8 compassos – , doente e médico falam baixo, como se estivessem num consultório médico. (Testa . Olhos . Ouvidos . Nariz . Garganta . Dentes . Peito . Costas . Barriga . Perna . Pé).

ESTRATÉGIAS

Canções de ritmo com bola:

Exemplo:

“Bate forte, bate a bola
no recreio  da escola.
Bate forte contra o chão
Para seres campeão.”

Roda de percussão:

Exemplo:

“Coscia, mano; coscia, mano; coscia, coscia mano.
Coxa, palma; coxa, palma; coxa, coxa, palma.
Apri, chiudi; apri, chiudi; apri, apri chiudi.
Abre, fecha; abre, fecha; abre, abre, fecha.
(Abre: palmas com palmas dos colegas) (Fecha: palmas).”

Esta canção com partes do corpo em Italiano promove a percussão corporal, individualmente e em grupo.

Sílabas percussivas:

Exemplo:

01. Tacho (tá sh)
02. Tic tac (tá tá)
03. Toca tu! (titi tá)
04. Toca toca toca tu! (titi titi titi tá)
05. Tiqui taca (tá tá tá tá)
06. Rápido toco! (tríola titi )
07. Rápido vou! (tríola tá)
08. Toca, Sofia! (tá titi tá tá )
09. Rápido, Cândida! Rápido Rui! (tríola, tríola tríola tá)
10. Tu cá! Tu lá! (ti tá tá tái)

Indicações percussivas: “Tu cá! Tu lá!” são palavras que permitem fazer jogos rítmicos com percussão corporal ou instrumentos, ou dar saltos, ou fazer movimento livre na sala, em andamentos e intensidades diferentes. Estas pequenas frases percussivas permitem assimilar conteúdos do currículo como a rima, os monossílabos, os pronomes pessoais, o singular e o plural, mantendo o caráter de brincadeira.

António José Ferreira

Brincadeira Cantada

Brincadeira Cantada

O bebé e a música

O BEBÉ E A MÚSICA

Excerto de Música na creche: possibilidades de musicalização de bebês, por Cíntia Vieira da Silva Soares. ABEM 2008.

Desde a vida intra-uterina, o bebé é cercado por um ambiente sonoro, convive tanto com ruídos externos quanto com os sons interiores causados pelo funcionamento do corpo da mãe e pela sua voz. Aproximadamente pelo sexto mês de gestação, a audição do bebé alcança sua maturidade, sendo comparável à audição de um adulto. Assim, a percepção dos sons externos se torna maior, intensificando seu universo sonoro.

A relação do bebé com o mundo, nesse momento, é como ouvinte em potencial (Klaus).

Se ele é capaz de ouvir mesmo dentro do útero, poderia ser inferida sua capacidade de lembrar desses sons, ainda que camuflados pelo líquido amniótico. Na sua investigação, Sheila Woodward (Scientific discoveries, [s.d.]) demonstrou, por meio de microfones internos, que o bebé consegue ouvir dentro do útero materno, podendo lembrar-se dos sons e músicas ouvidas nesse período. Desse modo, os sons que agradam o bebé podem ter relação com a sua percepção intra-uterina. Valendo-se disso, pode-se entender quando algumas mães e pais nos procuram dizendo que colocam Mozart para o bebé ouvir desde o seu nascimento, mas ele parece gostar mais do rock popular, género ouvido pela mãe durante a gestação.

É interessante observar essa familiaridade auditiva e afetiva do bebé com o estilo musical preferido pela mãe ou pelo pai. Sandra Trehub, da Universidade de Toronto, afirma que os bebés podem preferir algumas músicas a outras. Eles sorriem quando escutam certos grupos de notas musicais consoantes, parecendo não gostar dos acordes dissonantes. Segundo a pesquisadora, essas preferências podem ocorrer, principalmente, conforme o ambiente musical do bebé.

É o que arriscamos a afirmar empiricamente sobre a maioria dos bebés que são filhos de pais músicos, instrumentistas e cantores, ativos na profissão ou mesmo aqueles simpatizantes de música, intensos, que ouvem, tocam ou cantam informalmente.

Geralmente, algumas dessas crianças têm aguçada percepção auditiva, com alto interesse por música ou artes e, naturalmente, com potencialidades musicais. Obviamente, não é porque carregam os “genes da música”, mas por estarem imersos em ambiente musical desde muito cedo e por terem na música mais um elo afetivo com os seus pais, o que origina experiências agradáveis e vitais para o desenvolvimento infantil.

Quando o bebé nasce, essa relação sonora se amplia. Antes, percebia os sons como ouvinte, com limitadas ações motoras; agora, passa também a reagir ao estímulo musical por meio de movimentos corporais e de produção sonora.

Como ouvinte ativo, o bebé desde que nasce é capaz de ouvir e discriminar sons, preferindo a voz humana, especificamente a materna. A voz humana é a fonte mais relevante de estimulação sonora, por ser carregada de elementos musicais. As modificações adaptativas da fala que os adultos utilizam para dirigir-se ao bebé, denominada de “mamanês”, têm conotação musical e linguística de grande importância para o desenvolvimento. Por meio do “mamanês”, os bebés captam ritmo, modulações melódicas, intensidade, envolturas prosódicas, acentuação e expressão que ativam sua atenção e dão suporte às primeiras vocalizações (Gembris).

Outra grande influência musical da voz humana na vida do bebé é a canção de embalar. Ela traz em si elementos musicais, como alta sonoridade, compasso, expressão, e sua melodia tem um ritmo lento e regular, que pode acalmar o bebé. Essas canções promovem a interação mãe/filho com intensa carga emocional.

Em relação à produção de sons, inicialmente as necessidades impelem o bebé a comunicar-se com o mundo pela produção sonora de gritos, choros, resmungos e balbucios, como se criasse sua própria música. Ruth Fridman, pesquisadora argentina, relata que, desde o seu nascimento, o bebé manifesta seus estados de humor por meio de elementos sonoros diferenciados da linguagem comum que conhecemos. Essa fase pré-verbal, que antecede a fala propriamente dita, é formada por grunhidos, balbucios, sons explosivos ou expressões sonoro-rítmicas chamadas por Fridman “proto-ritmos”. “Los proto-ritmos de la expresión vocal son estructuras motoras que dan forma a la red rítmica primária natural del ser humano” (Fridman).

A autora realizou sua pesquisa com o choro dos bebés, desde o nascimento. Segundo Fridman, “o ritmo dá a forma e estrutura ao que em música se chama pensamento musical. O mesmo sucede com a linguagem. Do choro surgirão a palavra e a manifestação musical tendo ambos um tronco comum: os proto-ritmos entonados”.

(…)

O bebé e a música

Bebé

 

Piano bebé

OS PRIMEIROS INSTRUMENTOS

Como devem ser os primeiros instrumentos da criança? Antes de mais, devem ser adequados à sua idade e evolução, em formatos, dimensões e materiais que não apresentem riscos para a sua segurança. Os brinquedos musicais são os primeiros instrumentos que a criança manuseia.

Os brinquedos multissensoriais estimulam a aprendizagem e o jogo prático de uma forma divertida e foram concebidos com a colaboração de psicopedagogos:

  • bonecos que tocam e que podem ser colocados no berço quando o bebé ainda não caminha;
  • pequenos ginásios musicais em ovo, tapete no chão ou na parede do berço.
  • tapetes de dança indicados para quando o bebé já gatinha ou anda;
  • pequenos sofás que estimulam e divertem em termos sonoros e musicais;
  • casas com sons em que a criança explorar e descobre;
  • tambores com diferentes formatos, cores, timbres e luzes;
  • pandeiretas e chocalhos adequados a bebés;
  • brinquedos em forma de mesa, piano, xilofone;
  • animais com música e luzes;
  • gravadores e microfones.

Os pais devem estar atentos à qualidade sonora dos brinquedos – as marcas não são todas iguais – e ter em conta a indicação de idade

Mais tarde, apitos musicais com as características adequadas, chocalhos de ovelha, cabra e vaca (à venda nas feiras em vilas do interior), instrumentos feitos a partir de materiais recicláveis, apitos de caça, podem ser adquiridos com vantagem sobre outros brinquedos. Há maracas ótimas que podem ser feitas em cada com ovos de chocolate grandes ou médios, e tampas de amaciador de roupa que o bebé possa levar â boca sem risco de se ferir.

O estudo pessoal e a criatividade fornecem aos pais e professores de música um mundo sonoro que enriquece grandemente o bebé e dá prazer à família. A criança, que é normalmente sensível ao timbre, conseguindo distinguir a sonoridade própria de vários instrumentos, vai assim apurando a sua sensibilidade auditiva.

A sensibilidade dos pais e o desejo de evoluírem sempre neste domínio ajudarão o bebé a crescer musicalmente de forma harmoniosa e a desenvolver competências variadas que serão importantes para o seu futuro.

António José Ferreira

Piano bebé

Piano bebé

 

Menina tocando piano

MÚSICA EM IDADE PRECOCE

Os primeiros contactos da pessoa com a música acontecem no ventre materno, no âmbito familiar, depois na creche e no jardim infantil.

Segundo a pedagoga Elvira Drummond, “A música é uma das poucas atividades que conseguem ativar os hemisférios direito e esquerdo do cérebro. A prática musical também ativa toda a rede de neurónios, trazendo benefícios ao desenvolvimento motor e social, ao processo de aquisição da linguagem.” As canções tradicionais, canções de embalar, música instrumental (com harpa, celesta, violino, viola, violoncelo, clarinete e flauta) são muito importantes nesta fase.
Mesmo que os encarregados de educação não disponham de bases musicais teóricas, podem sempre cantar e pôr a tocar canções de embalar, saltar, divertir, ensinar. As edições de canções tradicionais disponíveis aumentaram significativamente nos últimos anos em Portugal, com ampla divulgação nos meios de comunicação de massa – o que torna o acesso dos pais e avós à música muito mais fácil.

Para a criança, o canto não é uma simples imitação: desperta o sentido do ritmo, da melodia e da harmonia, da escala, dos acordes e da tonalidade. Favorece a integração na idiossincrasia do povo e na comunidade em que a criança se encontra.

As primeiras canções são naturalmente simples, com pequenos saltos, tendo a mímica um papel importante no seu acompanhamento plástico. Devem ser escolhidas com critério, tendo em conta a pertinência dos textos, melodia, ritmo, intervalos, modos.

Nas famílias em que se ouve apenas música ligeira de qualidade questionável, tanto em termos de texto com em termos de melodia, é natural que seja esse o tipo de canção que a criança cante com os amigos. E é natural também que a audição regular de música clássica em casa e a ida a concertos influenciem nessa linha os gostos musicais da criança.

António José Ferreira

Citando

A música favorece o desenvolvimento do senso estético, lidando com a beleza e a emoção.

Elvira Drummond

Menina tocando piano

Menina tocando piano

Bebé ao piano

MÚSICA PARA BEBÉS

Recorre-se cada vez mais à Música para fomentar as potencialidades criadoras da pessoa e desenvolver todas as faculdades humanas, sendo notórios os avanços científicos, psico-pedagógicos e musicais.

Segundo Elvira Drummond,

“É importante trabalhar a afetividade com a criança para que ela possa estar atenta a todo o processo de aprendizagem. E a música trabalha todos esses fatores, interferindo diretamente no processo cognitivo.”

A arte musical apresenta grandes vantagens em termos cognitivos e comportamentais. Incrementa o raciocínio espacio-temporal, o pensamento lógico e a aptidão para as matemáticas. Estimula a criatividade e o gosto artístico musical, cria um ambiente calmo em família.

Tem um efeito positivo nas grávidas, contribui para que a criança chore menos e seja mais calma, torna o bebé mais apto para a língua e a linguagem, para a experiência cativante do belo nas artes, para a escuta ecológica dos sons da natureza.

Na medida em que proporcione calma e descontracção, segurança e conforto, a música estimula o cérebro do bebé e abre-lhe o leque de aptidões intelectuais futuras. As experiências e jogos musicais intuitivos feitos pelas mães, pais, avós e avôs, são hoje corroborados pelas experiências clínicas, os progressos das neurociências e a pesquisa musical.

A audição de música torna-se, um factor de desenvolvimento neurológico do bebé, sobretudo quando abarca todo o espectro sonoro audível (20-20000 Hz), sons graves, médios e agudos.

O gosto pela música e o desejo de a realizar devem ser cultivados e desenvolvidos de acordo com as leis da vida humana e musical. A música prepara para a vida e parte da vida de cada pessoa.

António José Ferreira

Citando

Está cientificamente comprovado que a música ativa e amplia as redes neurais, aumentando o nível de percepção da criança. Grandes pensadores são unânimes ao afirmar que há uma relação estreita entre os desenvolvimentos emocional e cognitivo.

Elvira Drummond

Bebé ao piano

Bebé ao piano

A música nos primeiros anos

A MÚSICA NOS PRIMEIROS ANOS

Excerto de A Expressão Musical na Creche e Jardim-de-Infância, Relatório do Projeto de Investigação (Versão Definitiva) de Mestrado em Educação Pré-Escolar, por Inês Almeida Raposo. Escola Superior de Educação de Setúbal, 2015.

Os primeiros anos de vida da criança são fundamentais para a construção de uma base sólida, de várias aprendizagens essenciais para a formação humana, sendo que “jamais o potencial de aprendizagens de uma criança é tão elevado como no momento em que ela nasce” (Edwin Gordon).

Cabe ao educador, professor e à família proporcionar momentos de aprendizagem que fomentem o desenvolvimento da criança, visto que “aquilo que uma criança aprende durante estes primeiros cinco anos de vida forma os alicerces para todo o subsequente desenvolvimento educativo (…)” (Edwin Gordon).

Cíntia Soares refere que, mesmo antes, “desde a vida intra-uterina, o bebé é cercado por um ambiente sonoro, convive tanto com ruídos externos quanto com os  sons interiores causados pelo funcionamento do corpo da mãe e pela sua voz. Aproximadamente pelo sexto mês de gestação, a audição do bebé alcança sua maturidade, sendo comparável à audição de um adulto”.

Nicole Jeandot também afirma que “durante a gestação a criança possui contato com a música, pelo menos com um dos seus elementos fundamentais, o ritmo, através das pulsações do coração de sua mãe”.

Contudo, e de acordo com Cíntia Soares, existe o caso de bebés que estão imersos num meio musical, pelo facto de os pais estarem ligados à música, o que gera uma aguçada perceção auditiva nas crianças e potencia habilidades musicais. Assim sendo, quanto mais o bebé estiver exposto a um ambiente sonoro diversificado maior serão as probabilidades de ampliar as suas habilidades musicais.

No momento do nascimento, a criança tem a sua primeira manifestação sonora através do grito sendo que “os sons que produz são indiscriminados e não intencionais” (C. Torrado). A criança comunica através do grito e, de seguida, passa para o balbucio onde se inicia o período da lalação. Este período “(…) constitui um exercício de preparação da expressão verbal que irá declinar quando a criança [começa] a pronunciar as primeiras palavras (…)”.

Tanto o grito como o balbuciar, que serão explicados mais à frente, não se podem considerar musicais. Porém, constituem um período pré-linguístico e pré-musical. Sendo que, e face à linguagem, os “recém-nascidos, ouvem falar uma língua à sua volta, antes mesmo de serem capazes de compreender o que está a ser dito.

Absorvem tudo o que ouvem e, em breve, começam a vocalizar sons imitando a fala” (Edwin Gordon). Pelo que, todo o processo indicado previamente, auxilia o bebé a apropriar-se da sua língua até conseguir verbalizá-la. Contudo, e como indicado anteriormente pela autora Nicole Jeandot (2001), como a criança na gestação possui contacto com a música, através das pulsações do coração da mãe, é natural que mesmo antes de começar a falar esta emita alguns sons parecendo, por vezes, que está a cantarolar.

Durante os primeiros anos de vida da criança, de acordo com Edwin Gordon, existem três períodos cruciais em que a orientação e educação por parte dos educadores e dos familiares é essencial.

O primeiro período ocorre desde o nascimento até aos dezoito meses, onde esta aprende “(…) através da exploração e a partir da orientação não-estruturada que lhe proporcionam os pais e outras pessoas que dela cuidam”.

O segundo período vai desde os dezoito meses até aos três anos de idade, onde a criança continua a obter uma orientação não-estruturada. No terceiro e último período, entre os três e cinco anos de idade, o tipo de orientação passa a ser estruturada e também não-estruturada sendo recebida em casa ou num meio pré-escolar.

Este autor refere também, que a orientação não-estruturada é quando os pais ou educadores oferecem à criança o contacto com a sua cultura, sem que haja uma planificação específica. Contudo, quando esta é estruturada, é exigida uma planificação que se centra no desenvolvimento da criança. Em ambas as orientações, “as crianças são postas em contacto com a sua cultura e encorajadas a absorvê-la.

A orientação informal estruturada e não estruturada baseia-se e opera em consequência das actividades sequenciais e respostas naturais da criança” (Edwin Gordon). Sendo que, e de acordo com Jeandot (2001), a criança (individualmente) explora de forma espontânea a música através do corpo e do espaço, balançando com o corpo, batendo palmas, batendo o pé, mexendo a cabeça, iniciando assim movimentos bilaterais.

Cíntia Soares ainda refere que, o contacto “com a música, além de desencadear reações motoras e vocais nos bebês, provoca mudanças na sua ação, incentivando-o a descobertas sonoro-musicais próprias, em manifestação de aprendizagem”.

Face ao desenvolvimento da compreensão musical das crianças, Gordon, afirma que é necessário existir uma orientação estruturada ou não-estruturada por parte dos pais. Assim como os pais encorajam as crianças à iniciação do balbucio da língua também deverão incentivar e encorajar o balbucio musical, visto que “quanto mais cedo uma criança emergir de uma fase de balbucio musical, mais musical se espera que venha a ser durante a sua vida”. Jeandot  afirma também, que é balbuciando que as crianças começam a interagir com a música, fazendo sons únicos e repetitivos e aos poucos passam a conseguir diferenciar várias músicas e diferentes sons.

De acordo com Gordon existem duas fases do balbucio musical, uma é o balbucio tonal e a outra o balbucio rítmico. Este autor, afirma ainda, que “uma criança pode emergir do balbucio tonal e do balbucio rítmico ao mesmo tempo, ou de um antes do outro”. Na fase do balbucio tonal, a criança tenta cantar com uma voz falada “e as relações entre os sons que [produz tem] pouco ou nada em comum com o contexto que foi estabelecido pela cultura musical”. Esta situação acontece devido ao facto da criança não ter aprendido a distinguir “entre uma qualidade de voz falada e uma qualidade de voz cantada”. Sendo que, “as crianças ouviram a voz falada muito mais frequentemente do que a voz cantada e por isso não estão motivadas para experimentar a sua voz cantada e aprender como a sentem, não necessariamente como soa, comparativamente à sua voz falada, com que estão mais familiarizadas”.

Na fase do balbucio rítmico, as crianças “produzem diferentes sons e movimentos duma forma errática. Estes sons e movimentos não têm um tempo consistente, são muito próximos uns dos outros, e não têm continuidade contextual em termos das métricas que são naturais na sua cultura musical”(Gordon).

Contudo, Helmuit Moog afirma que o balbucio dos bebés pode ser musical ou não-musical. O não-musical encontra-se primeiro que o musical, por volta dos 2 a 8 meses, sendo que antecede a linguagem. O balbucio musical forma-se como uma resposta a uma música ouvida pelo bebé. Pelo que, estes “compõem-se de poucas sílabas, simplicidade rítmica e com pausas somente para a respiração. O bebê explora tons e imita o que ouve”.

Tânia Silva refere que no primeiro ano de vida, a criança inicia o seu processo de fala começando por imitar animais, pessoas, meios de transporte entre outros sons comuns do seu meio envolvente. Desenvolve o seu ritmo e consegue sincronizar os seus movimentos de pés, cabeça e braços. Perto dos dois anos de idade, as crianças já reagem a qualquer tipo de som e gostam de imitar os sons que escutam. As crianças estão em constante desenvolvimento e a expressão musical apoia nesse sentido.

(…)

A música nos primeiros anos

Bebé com metalofone

Balbucios musicais

BALBUCIOS MUSICAIS

Excerto de Música na creche: possibilidades de musicalização de bebês, por Cíntia Vieira da Silva Soares. ABEM 2008.

Os balbucios ou explorações vocais caracterizam as primeiras etapas evolutivas da linguagem, servindo como base para uma adequada aprendizagem musical.

Segundo Moog, o balbucio de um bebé pode ser musical e não-musical. O balbucio não-musical aparece primeiro do que o balbucio musical, por volta dos 2 aos 8 meses, e antecede a fala. O musical aparece como resposta a uma música ouvida pelo bebê. Compõe-se de poucas sílabas, simplicidade rítmica e com pausas somente para a respiração. O bebé explora tons e imita o que ouve. Esse jogo vocal desenvolvido por ele bebé é considerado precursor da canção espontânea. Beyer, nos seus estudos sobre os balbucios musicais, ressalta que “a exploração sonora do bebê contempla todos os parâmetros sonoros, mas que vai variar conforme o contexto sonoro-musical em que o bebé está inserido”.

O bebé vai ampliando sua produção sonora, em qualidade e em quantidade, graças ao seu convívio com as pessoas e o meio social em que vive. Esse contexto musical é repleto de matéria-prima sonora que pode ser utilizada ou não pelo bebé em suas explorações.

Além dessa manifestação sonora a que se refere a autora, o bebé responde ao estímulo sonoro-musical de formas variadas: reage de maneira diferente em contacto com os sons graves e agudos, olha em direção ao som, manifesta expressões de alegria, de prazer, de assombro ante a música, assim como balança o corpo.

Segundo Norman Weinberger, professor de Psicologia e Ciências Cognitivas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, bebés com alguns meses de idade podem identificar variações propositais em melodias que lhes são conhecidas.

Os atos de ouvir, perceber, reagir, identificar, associar, produzir são algumas das possíveis ações observadas no bebé em contacto com música ou instrumento musical. Em contacto com um tambor, por exemplo, o bebé pode ter reações inusitadas como arranhar a parte superior do instrumento com o dedinho, virar para ver a parte oca do tambor, batê-lo no chão, percuti-lo com a mãozinha, tudo com muita curiosidade e olhar atento às explorações sonoras ou não.

Dessa forma, é possível perceber que o bebé imerso em um contexto sonoro-musical, seja como ouvinte ou como produtor de sons e movimentos, tem sua ação transformada mediante o estímulo sonoro ou musical, revelando, nesse processo, suas capacidades e possibilidades de aprendizagem. E, de acordo com educadores musicais, o contacto com a música, além de desencadear reações motoras e vocais nos bebés, provoca mudanças na sua ação, incentivando-o a descobertas sonoro-musicais próprias, em manifestação de aprendizagem.

Com a constatação da possibilidade dessa aprendizagem musical, surgiram os programas de vivências musicais para bebés. Pesquisadores e educadores musicais tinham como objetivo principal ampliar o contacto do bebé com atividades musicais de qualidade e em ambiente educativo, a fim de aprofundar elementos especificamente musicais.

Para os educadores, os bebés poderiam vivenciar a música de forma lúdica e prazerosa, por meio de cantigas de roda, músicas instrumentais, folclóricas, populares, de variadas culturas e estilos, e ainda pela dança ou apenas pela apreciação auditiva.

Para o campo da pesquisa, poderia se observar efetivamente a influência musical, bem como analisar sistematicamente suas possíveis contribuições com o desenvolvimento pleno do bebé.

(…)

Balbucios musicais

Bebé

Criança a tocar

SONS DA PRIMEIRA INFÂNCIA

O compositor Brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959) defendia:

”A música é um indispensável alimento da alma humana e um fator imprescindível à educação da juventude.”

Hoje em dia, é recorrente dizer-se que a educação musical deve começar na primeira infância e que os sons ouvidos pelo bebé dentro e fora do útero tem influência no seu desenvolvimento futuro.

Há características que a música na primeira infância deva ter? Música de fundo com regularidade rítmica, melódica e harmónica dá à criança a sensação de bem-estar e de conforto e acalma também a mãe, o pai e todo ambiente familiar. As canções com intervalos característicos torna-se importantes para mais tarde a criança entender os diversos intervalos melódicos. Além de educarem para o ritmo e a melodia, há canções que de modo particular educam inconscientemente para a harmonia, na medida em que incluem arpejos, são executados em cânone ou têm melodias em terceiras, por exemplo.

O ritmo é organização, número, simetria, medida, proporção, ordem, fazendo parte da própria fisiologia do ser humano que respira, pulsa, anda, trabalha, repousa, fala e se cala. O ritmo binário tem um carácter pendular, mais adaptado à marcha, enquanto o ternário é mais rotatório, giratório, feminino. O compasso é mais adaptado à narrativa, e o 6/8 é especialmente adequado às canções de embalar. Simples exercícios rítmicos podem fazer maravilhas em termos musicais e psicológicos, pela descontracção gerada e pelo efeito
salutar no sistema nervoso.

Tendo em conta que a criança até aos sete anos vive sobretudo da sensorialidade, há toda a vantagem em expor e treinar as crianças sensorialmente de modo a fazer-se a natural descoberta da intensidade, timbre e altura.

Os pequeninos precisam, obviamente, de variar. Não se pode usar sempre a mesma canção, nem sempre o mesmo instrumento. É importante que os professores de Música vão dispondo de uma boa colecção de instrumentos musicais e fontes sonoras para satisfazer a necessidade de variedade das crianças e satisfazer o gosto.

Pelos dois ou três anos, a criança improvisa frequentemente melodias numa base não métrica e não tonal, fundada nas suas vivências pessoais e no vocabulário de que já dispõe. Não é de esperar que tenha, nessa idade, grande coerência em termos de discurso verbal e musical. De qualquer modo, o educador pode aproveitar essa aptidão e completá-la. De facto, essa tendência desaparece com o despertar das funções intelectuais.

Em forma de jogo musical, o educador pode fomentar a criatividade à medida que a criança vai crescendo, consciencializando de forma progressiva para as noções de frase, cadência e forma musical.

António José Ferreira

Concertos para bebés

Concertos para bebés