O poemário do cancioneiro português (incluindo fado, música tradicional e ligeira) pretende fomentar o gosto da poesia como parceira da música e a divulgação dos poetas cuja importância nem sempre é justamente reconhecida. Fontes: Blogue A Nossa Rádio, Álvaro José Ferreira.

Sebastião Antunes

O mar a salgar-nos a vida
E a vida sem sal
O vento a empurrar-nos a alma
Contra o temporal
Mas quando o destino
Foi tudo o que herdámos
Dos nossos avós
É tão pouca a sorte
O vento é tão forte
Que há-de ser de nós?

As mãos presas na corrente
O tempo a passar
O mar a gastar-nos os ano
E o medo a ficar
No fundo das águas
Descansam mil mágoas
Do nosso sofrer
A manhã clareia
A rede vem cheia
Que mais posso eu querer?

Quem anda ao mar
Não tem dia, não tem hora
Nunca sabe quando chega
Nem quando se vai embora

Os dias são como as ondas
É o mesmo vai-e-vem
O mar é como a saudade
Não poupa ninguém
No vazio da praia
Esvoaça uma saia
Cor negra a sofrer
Que se a calma vaga
Que a manhã me traga
A alegria de o ver

Quem anda ao mar
Não tem dia, não tem hora
Nunca sabe quando chega
Nem quando se vai embora

Dizem que o mar também chora
E é como um barco sem ter farol
Chora p’la Lua que se foi embora
Como uma louca, atrás do Sol
E às vezes as fúrias são tantas
Que não há ninguém que as possa acalmar
A não ser a alma daqueles que andam ao mar

Quem anda ao mar
Não tem dia, não tem hora
Nunca sabe quando chega
Nem quando se vai embora

Letra e música: Sebastião Antunes
Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha com Tim (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Versão original: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997)
Outra versão: Quadrilha (in CD “Deixa Que Aconteça: Ao Vivo”, Vachier & Associados/Ovação, 2006)

Sebastião Antunes
Sebastião Antunes
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Nascer do Sol

MINHA METADE

Minha mulher
Singelo encanto
Minha alma-irmã
És meu farol
Raio de sol
Luz da manhã

Minha empatia
Sabedoria
Sem ter idade
Minha poesia
Minha alegria
Minha metade

Meu lindo bem-querer
Rosa do meu jardim
Não canso de dizer
O que és p’ra mim:

Minha água clara
Pedra tão rara
Meu talismã
Rima e compasso
Meu terno amasso
Minha maçã

Minha pepita
Coisa bonita
Cheirosa flor
Minha certeza
Minha riqueza
Meu doce amor

Meu lindo bem-querer
Rosa do meu jardim
Não canso de dizer
O que és p’ra mim:

Minha água clara
Pedra tão rara
Meu talismã
Rima e compasso
Meu terno amasso
Minha maçã

Minha pepita
Coisa bonita
Cheirosa flor
Minha certeza
Minha riqueza
Meu doce amor

Letra e música: Aníbal Raposo (2011-01-31)
Intérprete: Aníbal Raposo (in CD “Rocha da Relva”, Aníbal Raposo/Global Point Music, 2013)

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Celina da Piedade

Roubei-te um beijo,
Não querias dar;
Estou muito triste,
Mas por ti não vou chorar.

Não vou chorar,
Não vou sofrer;
Estou muito triste,
Mas por ti não vou morrer.

Estou d’abalada,
Vou para terras de Espanha;
Tu não me queres,
Aqui mais ninguém me apanha.

Ninguém me apanha,
Já cá não está quem sofria;
Meu lindo Amor,
Tu hás-de chorar um dia.

Tristes lamúrias
Do rouxinol
Enchem minh’alma
Do nascer ao pôr-do-sol.

Ao pôr-do-sol,
À luz da lua,
Não há no mundo
Cara mais linda que a tua.

Estou d’abalada,
Vou para terras de Espanha;
Tu não me queres,
Aqui mais ninguém me apanha.

Ninguém me apanha,
Já cá não está quem sofria;
Meu lindo Amor,
Tu hás-de chorar um dia.

Roubei-te um beijo,
Foi por paixão;
Vê lá, não digas a ninguém
Que eu sou ladrão!

Que eu sou ladrão
Apaixonado!
Meu lindo amor,
Quero viver a teu lado!

Estou d’abalada,
Vou para terras de Espanha;
Tu não me queres,
Aqui mais ninguém me apanha.

Ninguém me apanha,
Já cá não está quem sofria;
Meu lindo Amor,
Tu hás-de chorar um dia.

Letra e música: Armando Torrão
Intérprete: Celina da Piedade (in 2CD “Em Casa”: CD 2, Celina da Piedade/Melopeia, 2012)

Celina da Piedade – voz e acordeão
Ana Isabel Dias – harpa
Marco Pereira – violoncelo

Celina da Piedade
Celina da Piedade, Roubei-te um beijo
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Canto das Janeiras na Escola

Quadras de sabor popular em redondilha maior (versos de 7 sílabas e rima ABCB’) da autoria de António José Ferreira, com adaptações para o contexto escolar. O texto encaixa facilmente em algumas melodias de janeiras existentes.

Estas quadras podem ser cantadas tanto no 1º Ciclo como no jardim de infância, podendo fazer-se uma selecão das estrofes a utilizar.

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INTRODUÇÃO

Um bom dia para todos!
Haja paz e alegria.
Adoramos o Menino
que é o filho de Maria.

O bebé está no berço
embrulhado em cobertor
e os anjos vão cantando
aleluias em louvor.

REFRÃO

A cantar-vos as janeiras
aqui estamos reunidos.
Um bom ano para vós
que nos sois muito queridos.

QUADRAS PARA VIVAS

A quem canto as janeiras?
Para quem é a cantiga?
Para a nossa (professora),
que ela é muito nossa amiga.

A quem canto as janeiras
para quem é a canção?
Para o nosso (professor)
que temos no coração.

Quem diremos nós que viva?
A quem vamos nós cantar?
Viva lá a dona (Carla),
que ela é espetacular.

DESPEDIDA

São bonitas as janeiras,
mas estamos a acabar.
Oxalá que o nosso canto
vos esteja a agradar.

António José Ferreira

Canto das Janeiras na Escola

Canto das Janeiras na Escola

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Canto de Janeiras Évora 2018

Quadras de sabor popular em redondilha maior (com versos de 7 sílabas e rima ABCB’) para escolher de acordo com as circunstâncias. Podem ser escolhidas quadras tendo em conta a estrutura: 1. Apresentação 2. Vivas 3. Despedida, utilizando um refrão.

PARTITURAS

Estamos hoje aqui

O senhor que aqui mora

Vimos cantar as janeiras

QUADRAS INTRODUTÓRIAS

Boas noites, boas noites,
boas noites de alegria,
que lhas manda o Rei da Glória,
filho da Virgem Maria.

Os três reis do oriente
já chegaram a Belém
visitar o Deus Menino
que Nossa Senhora tem.

Cá ‘stamos à sua porta,
um grupo de amigos seus.
Falar bem nada nos custa:
santa noite lhe dê Deus.

Andámos de casa em casa
por atalhos e caminhos,
os corações sempre em brasa
como outrora os pastorinhos.

O menino está no berço
coberto c’o cobertor
e os anjos estão cantando:
louvado seja o Senhor.

Aqui ‘stou à sua porta
com alguns amigos meus.
Falar bem nada nos custa:
santas noites lhes dê Deus.

Venho dar-lhes os bons anos
que pelas festas não pude.
Venho a fim de saber
novas da sua saúde.

Canto de Janeiras Évora 2018

Canto de Janeiras Évora 2018

.|||.

QUADRAS PARA REFRÃO

A cantar-vos as janeiras
aqui estamos reunidos.
Desejamos um bom ano
aos amigos mais queridos.

Aqui vimos, aqui estamos
A cantar, já o sabeis.
Vimos dar as boas festas
e também cantar os reis.

Boas festas, boas festas
aos amigos vimos dar.
Um bom ano com saúde
vos queremos desejar.

.|||.

QUADRAS PARA VIVAS

Viva lá quem nos escuta,
vivam todos em geral.
Deus vos dê um ano novo
E a todo o Portugal.

Como aqueles passarinhos
que estão sempre a cantar
aos senhores desta casa
nós queremos saudar.

Quem diremos nós que viva
no raminho de oliveira?
Viva o Senhor (Alberto)
e viva a família inteira.

Se bem cantas, mal não digas
dos que a voz aqui levantam,
pois uns cantam o que sabem
e outros sabem o que cantam.

Boas noites, meus senhores,
boas noites vimos dar.
Vimos pedir as janeiras
se no-las quiserem dar.

Levante, linda senhora
desse banquinho de prata.
Venha-nos dar as janeiras
que está um frio que mata.

De quem é o vestidinho
cosido com seda branca?
É da senhora (Susana)
que Deus a faça uma santa.

De quem seriam eram as botinhas
que estavam no sapateiro?
Eram do senhor (Custódio)
que as pagou c’o seu dinheiro.

Levante-se lá, senhora
do seu banco de cortiça.
Venha-nos dar as janeiras,
ou morcela ou chouriça.

Levante-se lá, senhora,
desse seu rico assento.
Venha-nos dar as janeiras
em louvor do Nascimento.

Levante-se lá, senhora
dessa cadeirinha torta.
Venha-nos dar as janeiras
senão batemos-lhe à porta.

.|||.

DESPEDIDA

Que tenha um próspero ano
e não esqueça a virtude.
Que tenha muita alegria
e outra tanta saúde.

A quem tanto bem nos faz
Deus livre de pena e dano.
Fiquem com Deus que voltaremos
a cantar-vos para o ano!

Despedida, despedida,
despedida quero dar.
Os senhores desta casa
bem nos podem desculpar.

Esta casa é bem alta,
forradinha a papelão.
O senhor que nela mora
tem um grande coração.

Quando os janeireiros não receberam nada, cantam:

Esta casa é muito baixa,
tem apenas um andar.
Estes barbas de farelo
nada têm para nos dar.

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