Mulher
As canseiras desta vida

[ Canseiras ]

As canseiras desta vida
Tanta mãe envelhecida
A escovar
A escovar
A jaqueta carcomida
Fica um farrapo a brilhar

Cozinheira que se esmera
Faz a sopa de miséria
A contar
A contar
Os tostões da minha féria
E a panela a protestar

Dás as voltas ao suor
Fim do mês é dia 30
E a sexta é depois da quinta
Sempre de mal a pior

E cada um se lamenta
Que isto assim não pode ser
Que esta vida não se aguenta
– o que é que se há-de fazer?

Corta a carne, corta o peixe
Não há pão que o preço deixe
A poupar
A poupar
A notinha que se queixa
Tão difícil de ganhar

Anda a mãe do passarinho
A acartar o pão pró ninho
A cansar
A cansar
Com a lama do caminho
Só se sabe lamentar

É mentira, é verdade
Vai o tempo, vem a idade
A esticar
A esticar
A ilusão de liberdade
Pra morrer sem acordar

É na morte ou é na vida
Que está a chave escondida
Do portão
Do portão
Deste beco sem saída
-qual será a solução?

Autor: Bertolt Brecht/José Mário Branco
Intérprete: José Mário Branco

Lá vem a Marianita

[ História da Marianita ]

Lá vem a Marianita, foi posta com as malas à porta
O amo mandou-a embora mas ela não chora, cá pouco se importa
Andava fisgado nela, foi ter-lhe ao quarto à tardinha
“Mariana, por mais que tu faças, tu de hoje não passas, és minha!”
“Não me dás cabo da vida que essa não ta dou por nada!
Mil vezes me dei perdida, mas outras mil eu dei-me achada.”

Desdenha, vem prenha
Pragueja, deseja e ralha mas quando trabalha não estranha

Que tens tu, ó Mariana, que não sossegas um dia?
Não foi proveito nem fama: já chora já mama, cá tudo se cria
Vai por serras e veredas a ver onde é que há jornada
Que importa que o povo diga se a vida castiga por tudo e por nada
O amo quere-a de volta mas ela não verga a haste
Hei-de criá-lo sozinha, a cria é só minha, tu tarde piaste

Desdenha, vem prenha
Pragueja, deseja e ralha mas quando trabalha não estranha

Desdenha, vem prenha
Pragueja, deseja e ralha mas quando trabalha não estranha

A noite é que guarda a Lia
O poente é que a embala
P’ra a vida não ser bravia
Tem de a gente amansá-la
A mão que nos guarda a vida
É a mão que nos dá a manha
Só leva a vida vencida
Quem aprova e não estranha

Letra e música: Sebastião Antunes
Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Versão original: Quadrilha com Segue-me à Capela (in CD “A Cor da Vontade”, Vachier & Associados, 2003)

Sebastião Antunes & Quadrilha
Sebastião Antunes & Quadrilha

Luísa sobe

[ Calçada de Carriche ]

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda Luísa…

Poema: António Gedeão (excerto)
Música: José Niza
Arranjo: José Calvário
Intérprete: Carlos Mendes (in LP “Fala do Homem Nascido”, Orfeu, 1972, reed. Movieplay, 1998)

CALÇADA DE CARRICHE

António Gedeão, in “Teatro do Mundo”, Coimbra: Edição do autor, 1958; “Poesias Completas”, Portugália Editora, 1964, 5.ª edição, 1975 – p. 115-120; “Poemas Escolhidos: Antologia Organizada pelo Autor”, Lisboa: Edições João Sá da Costa, 1997 – p. 34-37).

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu da sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada;
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

António Gedeão/Rómulo de Carvalho
António Gedeão/Rómulo de Carvalho

Maria Joana, do que és tu feita?

[ Mulher Feiticeira ]

Maria Joana, do que és tu feita?
És entre os poetas mulher perfeita
São quantos os homens contigo enrolada
Na mente, no peito, na cama deitada?

São quantas as cores entre os teus amores que ficam mais vivas?
São quantos alentos que mudas ao centro por dentro da vida
Como uma miragem, contigo em viagem, teus apaixonados
Que ficam para sempre contigo na mente e em parte alterados?

O que tu tens, o que tu tens, Maria?
O que tu tens e do que é feito o teu ser?
O que tu tens, porque tens tu magia?
O que tu tens, o que tu tens que eu quero ter?

Maria Joana, descomplicada
Fragrância em delírio bem perfumada
Faz seus prisioneiros relaxando a vida
Dá o seu corpo inteiro com peso e medida

Acende-se a chama, ficas inspirado levando o teu ser
À serotonina que sobe tão fina subindo o prazer
De corpo suado, mostrando outro lado num lado qualquer
Fez sua magia, fez feitiçaria, Maria mulher

O que tu tens, o que tu tens, Maria?
O que tu tens e do que é feito o teu ser?
O que tu tens, porque tens tu magia?
O que tu tens, o que tu tens que eu quero ter?

No ser delicada, na vida focada e tão original
Que já não vê fronteiras, contorna barreiras, faz o desigual
Assume na vida nova perspectiva e sabe o que não quer
Faz feitiçaria com sua magia, Maria mulher

O que tu tens, o que tu tens, Maria?
O que tu tens e do que é feito o teu ser?
O que tu tens, porque tens tu magia?
O que tu tens, o que tu tens que eu quero ter?

Letra e música: Luís Pucarinho
Intérprete: Luís Pucarinho (in CD “SaiArodada”, Luís Pucarinho/Alain Vachier Music Editions, 2018)

Menina de olhar sereno

[ Menina do Alto da Serra ]

Menina de olhar sereno
raiando pela manhã
de seio duro e pequeno
num coletinho de lã.

Menina cheirando a feno
casado com hortelã.

Menina que no caminho
vais pisando formosura
levas nos olhos um ninho
todo em penas de ternura.
Menina de andar de linho
com um ribeiro à cintura.

Menina de andar de linho
com um ribeiro à cintura.

Menina da saia aos folhos
quem te vê fica lavado
água da sede dos olhos
pão que não foi amassado.

Menina de riso aos molhos
minha seiva de pinheiro
menina da saia aos folhos
alfazema sem canteiro.

Menina de corpo inteiro
com tranças de madrugada
que se levanta primeiro
do que a terra alvoraçada.

Menina de corpo inteiro
com tranças de madrugada
que se levanta primeiro
do que a terra alvoraçada.

Menina da saia aos folhos
quem te vê fica lavado
água da sede dos olhos
pão que não foi amassado.

Menina de fato novo
Ave-Maria da terra
rosa brava rosa povo
brisa do alto da serra.

Rosa brava rosa povo
brisa do alto da serra.

Letra: José Carlos Ary dos Santos
Música: Nuno Nazareth Fernandes
Intérprete: Kátia Guerreiro e Ney Matogrosso (in CD “Tudo ou Nada”, Som Livre, 2005)
Versão original: Tonicha – “Menina” (1971)

Minha mulher

[ Minha Metade ]

Minha mulher
Singelo encanto
Minha alma-irmã
És meu farol
Raio de sol
Luz da manhã

Minha empatia
Sabedoria
Sem ter idade
Minha poesia
Minha alegria
Minha metade

Meu lindo bem-querer
Rosa do meu jardim
Não canso de dizer
O que és p’ra mim:

Minha água clara
Pedra tão rara
Meu talismã
Rima e compasso
Meu terno amasso
Minha maçã

Minha pepita
Coisa bonita
Cheirosa flor
Minha certeza
Minha riqueza
Meu doce amor

Meu lindo bem-querer
Rosa do meu jardim
Não canso de dizer
O que és p’ra mim:

Minha água clara
Pedra tão rara
Meu talismã
Rima e compasso
Meu terno amasso
Minha maçã

Minha pepita
Coisa bonita
Cheirosa flor
Minha certeza
Minha riqueza
Meu doce amor

Letra e música: Aníbal Raposo (2011-01-31)
Intérprete: Aníbal Raposo (in CD “Rocha da Relva”, Aníbal Raposo/Global Point Music, 2013)

Mulher chegada ao sonho adolescente

[ Mulher-Amor ]

Mulher chegada ao sonho adolescente
botão de esperança num sorriso alegre
mulher inteira, coração contente
que guarda com ternura
a última boneca
para quem o amor é a coisa mais pura

Mulher capaz de ter nas mãos serenas
toda a força do amor que habita em si
e sabe pôr nas coisas mais pequenas
um gesto de ternura
mulher igual a mim
mulher que és mãe és a mulher mais pura

Mulher que chega à esquina da idade
carregada dos seus anos doirados
cada ruga lhe traz uma saudade
e afaga com ternura
seus cabelos grisalhos
bebendo o amor da sua fonte pura

cada ruga lhe traz uma saudade
e afaga com ternura
seus cabelos grisalhos
bebendo o amor da sua fonte pura

Letra: Manuel Lima Brummon
Música: António Chainho
Intérprete: Tereza Tarouca (in LP “Portugal Triste”, Alvorada/Rádio Triunfo, 1980; CD “Tereza Tarouca”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 32, Movieplay, 1994; CD “Teresa Tarouca”, col. Clássicos da Renascença, vol. 15, Movieplay, 2000; CD “Álbum de Recordações”, Alma do Fado/Home Company, 2006)

António Chaínho
António Chaínho

Olha, não chores, maninha

[ Cicatriz de Ser Mulher ]

Olha, não chores, maninha,
que eu não sei se vai passar…
essa tristeza tão funda
não sei se passa a chorar!

Olha, que pena, maninha,
essa flor de malmequer,
essa tristeza tão funda,
cicatriz de ser mulher!

Lembras? Que lindo o teu homem
e que meigo o seu olhar
e como ardia o teu corpo
ao seu mais leve tocar?

Foi de repente, maninha,
como tudo se mudou:
o amante foi senhor,
o senhor tudo esmagou!

Sei que é tão frágil a flor
que brotou do coração
e dói ver um corpo bandido
desfolhá-la pelo chão!

Olha, que os homens, maninha,
andam tontos pelo mundo:
pisam com fúria tamanha
o seu berço mais profundo!

E já não falo da guerra
com soldados frente a frente:
deixam a saia sangrando,
deixam pegadas no ventre!

Dizem “quem cala consente!”,
mas custa tanto falar:
o medo dentro da gente
ficou mudo de gritar!

Olha, não chores, maninha,
que eu apago, se puder,
essa tristeza tão funda,
cicatriz de ser mulher!

Letra e música: João Lóio
Intérprete: João Lóio* (in CD “Canções de Amor e Guerra”, João Lóio, 2002)

* [Créditos gerais do disco]:
Carlos Rocha – guitarras acústica e eléctrica
João Lóio – voz e guitarra acústica
Firmino Neiva – baixo eléctrico
Arnaldo Fonseca – acordeão
Mário Teixeira – caixa de rufo
Regina Castro e Guilhermino Monteiro – coros
Arranjos e direcção musical – Carlos Rocha, Firmino Neiva e João Lóio
Gravado por Fernando Rangel, nos Estúdios Fortes & Rangel, Porto, em Abril de 2002
Mistura – Fernando Rangel, Carlos Rocha, Firmino Neiva e João Lóio
Masterização – Fernando Rangel

Veio de longe

Maria Lua (Mulher)

Veio de longe
para encontrar
outra lua, outro lugar
Veio sozinha
Maria Lua
acende o mar

Sem pressa…
Sem medo…
nem nada…

Veio de longe
veio a cantar
outra terra, outro ar
Veio sozinha
Maria Lua
cor de luar

Maria Lua
lua do mar…

Ela sabe quem é
cheira a café
Ela sabe o que quer
é mulher

Maria Lua
nunca se há-de casar
Ela é amante do mar

Veio de longe
para encontrar
outra lua, outro lugar
Veio de longe
Maria Lua
acende o mar

Maria Lua
lua do mar…

Ela sabe quem é
cheira a café
Ela sabe o que quer
é mulher

Maria Lua
nunca se há-de casar
Ela é amante do mar

Maria Lua
nunca se há-de casar
Ela é amante do mar

Maria Lua
lua do mar…

Ela é amante do mar
Maria Lua
lua do mar…

Letra: Eugénia Ávila Ramos
Música: Tiago Oliveira
Intérprete: Rua da Lua (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Versão original: Rua da Lua (in CD “Rua da Lua”, Rua da Lua, 2016)

Velha da terra morena

Mulher da Erva

Velha da terra morena
Pensa que é já lua cheia;
Vela que a onda condena
Feita em pedaços na areia.

Saia rota subindo a estrada,
Inda a noite rompendo vem,
A mulher pega na braçada
De erva fresca, supremo bem.

Canta a rola numa ramada,
Pela estrada vai a mulher:
“Meu senhor, nesta caminhada
Nem m’alembra do amanhecer!”

Há quem viva sem dar por nada,
Há quem morra sem tal saber…
Velha ardida, velha queimada,
Vende a fruta se queres comer.

À noitinha, a mulher alcança
Quem lhe compra do seu manjar,
Para dar à cabrinha mansa,
Erva fresca da cor do mar.

Na calçada uma mancha negra
Cobriu tudo e ali ficou:
Anda, velha da saia preta,
Flor que ao vento no chão tombou!

No Inverno terás fartura
Da erva fora supremo bem…
Canta, rola, tua amargura!
Manhã moça nunca mais vem…

Letra e música: José Afonso
Intérprete: Teresa Silva Carvalho* / introdução por Vitorino (in LP “Ó Rama, Ó Que Linda Rama”, Orfeu, 1977, reed. Movieplay, 1994)


* Créditos gerais do disco:
Teresa Silva Carvalho – voz
Júlio Pereira – violas acústica e clássica, bandolim e percussões
Pedro Caldeira Cabral – guitarra portuguesa e rabeca
Catarina Latino – flauta barroca e cornamusa
Zé Luiz Iglésias – viola clássica
Pintinhas – percussões
Hélder Reis – acordeão
Vitorino – voz masculina
Grupo Coral de Cantadores do Redondo
Produção e direcção musical – Vitorino
Gravado nos Estúdios Arnaldo Trindade, Lisboa
Técnicos de som – Manuel Cunha e Moreno Pinto
URL: https://www.museudofado.pt/fado/personalidade/teresa-silva-carvalho

Capa do LP “Ó Rama, Ó Que Linda Rama” (Orfeu, 1977)
Desenho e execução – Jean Laffront

Elfiede Engelmayer dá a explicação deste texto: trata-se de uma velha mulher do Alentejo que ganhava a vida com a venda de erva.

José Afonso conheceu-a quando ela já tinha mais de setenta anos. Todos os dias, andava pelas ruas e estradas com uma cesta de erva cuja venda era o seu sustento e com que se alimentava o gado. Esta “profissão” desapareceu com a modernização da agricultura. A canção relata o encontro entre o cantor e a mulher.

Na segunda estrofe, ele vê-a a subir a estrada, vindo na sua direcção. Na terceira, eles trocam algumas palavras e depois ela prossegue o seu caminho sem ouvir o comentário do cantor. Na primeira estrofe, a “vela condenada pela onda” simboliza que ela não tem, e nunca teve, futuro.

Oona Soenario (in “A Canção de Intervenção Portuguesa: Contribuição para um estudo e tradução de textos”, Universidade de Antuérpia, 1994-1995)

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