Canções à família

Carolina Deslandes

Canções para celebrar os dias da família, do pai, da mãe, dos avós. Clique AQUI para adquirir recursos Meloteca.

Este é o nosso dia

[ Para crianças ]

Este dia é o nosso dia.
Vem, ó pai, ficar comigo.
Quero dar-te aquele abraço
que se dá ao grande amigo.

Mostra-me como se joga,
vê aquilo que já faço,
que eu vou dar-te um poema
com a forma do abraço.

António José Ferreira ]

Filha, quero cantar-te

[ Filhos ]

Filha,
Quero cantar-te como um poeta
Falar-te de alegria, dos dias em festa
Mostrar como se faz com lápis de cor
Mostrar-te que és um fruto do Amor

Nas risadas quero que fiques sempre assim
Livre de alma solta até ao fim
E a magia que nos dá a tua mãe
No teu coração quero que a sintas também
E o carinho que ela transporta
O que ela por ti faz como ninguém
Que um dia digas p’ra ti: “Nada me importa
Se não um amor como o da minha mãe”

Filho,
Com tua irmã iremos voar
Poisar nos telhados que te façam sonhar
Pintar o teu caminho com lápis de cor
Mostrar-te que és um fruto do Amor

Nas mãos que te guiam p’ra sempre vieste
Para semear o que já nos deste
E a magia que nos dá a tua mãe
No teu coração quero que a sintas também

E o carinho que ela transporta
O que ela por ti faz como ninguém
Que um dia digas p’ra ti: “Nada me importa
Se não um amor como o da minha mãe”

E o carinho que ela transporta
O que ela por ti faz como ninguém
Que um dia digas p’ra ti: “Nada me importa
Se não um amor como o da minha mãe”

Letra e música: Luís Galrito
Intérprete: Luís Galrito (in CD “Menino do Sonho Pintado”, Kimahera, 2018)

Foi na carreira das duas

[ Carreira das Duas ]

“Foi na carreira das duas, já lá vai”
Disse-me a mãe com os olhos rasos de água
A ver da vida que só tem quem daqui sai
Os que aqui ficam têm solidão e mágoa

Fiquei parado à espera do poente
Enquanto a noite me trazia o escurecer
Em frente ao lume com o sono à minha frente
A imaginar o que me iria acontecer

Já lá vão anos e dela nem sinais
Só os caminhos palmilhados p’la tristeza
Só as saudades é que são cada vez mais
E o tempo passa no correr da incerteza

Ainda me lembro do dia dos amores
Ainda me lembro das cantigas da ribeira
Quanto maior é a paixão mais são as dores
Dores que o tempo vai regando a vida inteira

Mal ela sabe
Quanto a queria
Fico acordado a ver passar horas e luas
Talvez um dia, quem sabe?,
Talvez um dia eu… vá atrás dela
E vá na carreira das duas

Letra e música: Sebastião Antunes
Arranjo: Gonçalo Pratas
Intérprete: Sebastião Antunes (in CD “Singular”, Sebastião Antunes & Quadrilha/Alain Vachier Music Editions, 2017)

Forte é o teu abraço

Forte é o teu abraço,
meigo é o teu sorriso,
ter-te ao meu lado, ó pai,
é tudo o que eu preciso.

Forte é o teu abraço,
meigo é o teu sorriso.
Ter-te ao meu lado, ó mãe,
é tudo o que eu preciso.

Forte é o teu abraço,
meigo é o teu sorriso.
Ter-te ao meu lado, avô,
é tudo o que eu preciso.

Forte é o teu abraço,
meigo é o teu sorriso.
Ter-te ao meu lado, avó,
é tudo o que eu preciso.

António José Ferreira ]

Há uma voz que te ensina a cantar

Há uma voz que te ensina a cantar,
como em bebé te cantou p’ra embalar,
voz que ainda hoje te pode acalmar.

Há uma mão sempre pronta a ajudar,
mão que tem força p’ra te levantar,
mão que bem sabe o que te há-de dar.

É a Mãe!

António José Ferreira ]

Mãe, tu fazes-me feliz

Um abraço faz-me feliz,
um beijinho faz-me feliz.
Um sorriso faz-me feliz:
mãe tu fazes-me feliz!

Tu me ajudas e eu já consigo.
Gosto tanto de estar contigo!

António José Ferreira ]

Já lá vai o sol

[ Canto de Amor e Trabalho ]

(Ei, eh, ôh, arre, burra!)

Já lá vai o sol
Já lá vai o dia

(Anda, bonita!)

Já me cheira a noite
Já se vê a aldeia

(Eh bonita, toma lá mais rédea!
Ah! que nos dói o corpo…)

A merenda é pouca
E o trabalho… e o trabalho é duro
A mulher à espera
Já se fez noitinha
E a menina é já dormindo
Ai, a nina está dormindo

O teu pai vem do trabalho
Meu amor vem da campina
Ao chegar um ventinho ao borralho
Ai, não vá… ai, não vá acordar a menina

O teu pai vem do trabalho
Meu amor vem da campina
Ao chegar um ventinho ao borralho
Ai, não vá acordar a menina

(Eh! arre, burra!
Eh bonita, vá embora!)

Ai, o frio já aperta
Vai-se o Verão
Vem o Inverno

(Ah! arreda!
arreda, que vai doido!)

Terra ladra, terra farta
Terra que te quero bem
Terra que te quero bem

(Eh bonita, vá mais rédea…
Ah! já se vê a casa)

Ai, a ceia no braseiro
Já lhe sinto o gosto
Já lhe sinto o cheiro
A mulher à espera
E a nina está dormindo
(Oh, filhita!)
Ai, a nina está dormindo

O teu pai vem do trabalho
Meu amor vem da campina
Ao chegar um ventinho ao borralho
Ai, não vá acordar a menina

Letra: António Avelar Pinho
Música: Nuno Rodrigues
Intérprete: Banda do Casaco (in LP “Coisas do Arco da Velha”, Philips/Phonogram Portuguesa, 1976, reed. Philips/Polygram, 1993)

Meu Querido Filho, Tão Tarde Que É

Intérprete: Pedro Abrunhosa

No Mar desta praia

[ A Minha Praia ]

No Mar desta praia, mãe levou-me em sua saia enrolada
E pude ver logo ao nascer a minha praia

Os dedos na areia, desde cedo, de tão catraia que aprendi
Como andar e como correr na minha praia

Vinda de outra terra, uma outra mulher que não traz saia nem criança
E diz, no seu papel, lhe pertencer a minha praia

Depois outros homens cortam o mato e a mãe desmaia, e tem de ir embora
Se assim vai ser, como irei ver a minha praia?

Ir p’ra outro lado, pela força antes saia, assim forçada
Sem lá correr, esta deixou de ser a minha praia

Letra e música: Luís Pucarinho
Intérprete: Luís Pucarinho* (in CD “SaiArodada”, Luís Pucarinho/Alain Vachier Music Editions, 2018)

Quando o nosso filho crescer

[ A vida toda ]

Quando o nosso filho crescer
Eu vou-lhe dizer
Que te conheci num dia de sol
Que o teu olhar me prendeu
E eu vi o céu
E tudo o que estava ao meu redor
Que pegaste na minha mão
Naquele fim de verão
E me levaste a jantar
Ficaste com o meu coração
E como numa canção
Fizeste-me corar

Ali
Eu soube que era amor para a vida toda
Que era contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda. (bis)

Quando ele ficar maior
E quiser saber melhor
Como é que veio ao mundo
Eu vou lhe dizer com amor
Que sonhei ao pormenor
E que era o meu desejo profundo
Que tinhas os olhos em água
Quando cheguei a casa
E te dei a boa nova
E que já era bom ganhou asas
E eu soube de caras
Que era pra vida toda

Ali
Dissemos que era amor para a vida toda
Que era contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda. (bis)

Quando ele sair e tiver
A sua mulher
E quiser dividir um tecto
Vamos poder vê-lo crescer
Ser o que quiser
E tomar conta dos nossos netos
Um dia já velhinhos cansados
Sempre lado a lado
Ele vai poder contar
Que os pais tiveram sempre casados
Eternos namorados
E vieram provar

Que ali
Vivemos um amor para a vida toda
Que foi contigo a minha vida toda
Que foi contigo a minha vida toda

Que ali
Vivemos um amor para a vida toda
Que foi contigo a minha vida toda
Foi um amor para a vida toda

Foi um amor para a vida toda

Carolina Deslandes

Carolina Deslandes

Carolina Deslandes

Uma bola de pano

[ Os Putos ]

Uma bola de pano num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr um arco
O céu no olhar dum puto.

Uma fisga que atira a esperança
Um pardal de calções, astuto
E a força de ser criança
Contra a força dum chui que é bruto.

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.

As caricas brilhando na mão
A vontade que salta ao eixo
Um puto que diz que não
Se a porrada vier não deixo.

Um berlinde abafado na escola
Um pião na algibeira, sem cor
Um puto que pede esmola
Porque a fome lhe abafa a dor.

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.

Letra: Ary dos Santos
Música: Paulo de Carvalho
Intérprete: Carlos do Carmo (in “Carlos do Carmo em Concerto”, Philips, 1987)

Vou fazer uma canção-pitanga

[ Canção-Pitanga ]

Vou fazer uma canção-pitanga
Para a minha filha se lembrar de mim
Uma canção redonda igual a uma missanga
Uma canção que a traga ao meu jardim

Vou fazer uma canção-brinquedo
Para a minha filha rebolar a rir
Uma canção estranha igual a um bruxedo
Uma canção capaz de a trazer aqui

Uma canção-arco-íris
Para a minha filha prender na cabeleira
Uma canção com asas igual a um íbis
Uma canção que a traga à minha beira

Uma canção redonda
Uma canção para a trazer aqui
Uma canção estranha
Uma canção que a traga ao jardim
Uma canção com asas
Uma canção para a minha beira

Uma canção estranha
Uma canção que a traga ao jardim
Uma canção com asas
Uma canção para minha beira

Vou fazer uma canção-pitanga
Para a minha filha se lembrar de mim
Uma canção redonda igual a uma missanga
Uma canção que a traga ao meu jardim

Uma canção-arco-íris

Para a minha filha prender na cabeleira
Uma canção com asas igual a um íbis
Uma canção que a traga à minha beira

Poema: José Eduardo Agualusa
Música: João Afonso Lima
Intérprete: João Afonso com António Afonso e Inês Lima (in CD “Sangue Bom: João Afonso canta Agualusa e Mia Couto”, João Afonso/Universal, 2014)

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