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CANÇÕES DO ALENTEJO

Alentejo

A FLOR DA BRANCA AMORA

Marcela, Marcelinha

[ instrumental ]

A flor da branca amora
Cai na água, faz-se em espuma;
Aqui está quem te namora
Sem falsidade nenhuma.

Lá nos campos, verdes campos,
Eu fui apanhar marcela,
Daquela mais miudinha,
Daquela mais amarela.

Daquela mais amarela,
Daquela mais miudinha,
Lá nos campos, verdes campos,
A marcela, marcelinha.

[ instrumental ]

Fui beber à clara fonte,
Por baixo da flor da murta;
Fui mais por ver os teus olhos,
Que a sede não era muita.

Lá nos campos, verdes campos,
Eu fui apanhar marcela,
Daquela mais miudinha,
Daquela mais amarela.

Daquela mais amarela,
Daquela mais miudinha,
Lá nos campos, verdes campos,
A marcela, marcelinha.

Letra e música: Tradicional (Baixo Alentejo)
Intérprete: Afonso Dias
Primeira versão de Afonso Dias, com Teresa Silva (in CD "Andanças & Cantorias", Bons Ofícios - Associação Cultural, 2016)

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A NEVE JÁ ESTÁ BEM PERTO

O Padrinho

A neve já está bem perto
Daquela grande montanha
Virgem Maria é a mãe
E São José a acompanha

São José a acompanha
E acompanha o Deus Menino
Virgem Maria é a mãe
E São José é o padrinho

Letra e música: Tradicional (Elvas, Alto Alentejo)
Intérprete: Diabo a Sete* (in CD "Parainfernália", Açor/Emiliano Toste, 2007)
* Harmonia e arranjos – Diabo a Sete
Celso Bento – gaita-de-foles e coros
Eduardo Murta – baixo eléctrico e coros
Julieta Silva – voz, concertina e piano
Luísa Correia – guitarra acústica
Miguel Cardina – percussões e coros
Pedro Damasceno – fole de concertina e coros
Produção – Diabo a Sete
Gravação e misturas efectuadas nos Estúdios Toste, São Mamede de Infesta, entre Dezembro de 2006 e Março de 2007
Técnico de gravação – Emiliano Toste
Assistente de gravação – André Moutinho
Misturas – Diabo a Sete e Emiliano Toste
Masterização – Emiliano Toste

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AQUI NUNGUÉM TEM TRABALHO

Terra de Catarina (Baleizão, Baleizão)

(Instrumental)

Aqui ninguém tem trabalho
E há muito para fazer:
Vieram de toda a parte,
Não tinham pão p'ra comer.

Ó Baleizão, Baleizão!
Ó terra de Catarina,
Onde nasceu e morreu
Por uma bala assassina,
Por uma bala assassina
Cravada no coração;
Ó terra de Catarina!
Ó Baleizão, Baleizão!

(Instrumental)

Tinha no peito a coragem,
Trazia os filhos na mão;
Ó terra de Catarina!
Ó Baleizão, Baleizão!

Ó Baleizão, Baleizão!

Ó terra de Catarina,
Onde nasceu e morreu
Por uma bala assassina,
Por uma bala assassina
Cravada no coração;
Ó terra de Catarina!
Ó Baleizão, Baleizão!

Letra e música: Tradicional (Alentejo)
Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra
Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra
Primeira versão do grupo Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD "Cantares do Sul e da Utopia", Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016)

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A RIBEIRA QUANDO ENCHE

A ribeira quando enche
Leva o junco acamado
Traz-me tu em teu sentido
Que eu te trago em meu cuidado

A ribeira quando enche
Vai de pedrinha em pedrinha
O homem que leva a barca 
Leva seu bem na barquinha

Leva seu bem na barquinha
Inda lhe digo outra vez
Quem namora sempre alcança
Um beijinho, dois ou três

Dizem que a folha do trigo
É maior que a da cevada
Também a minha amizade 
Ao pé da tua é dobrada

(Popular – Alentejo)

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ALECRIM, ALECRIM AOS MOLHOS

Alecrim, alecrim aos molhos
por causa de ti
choram os meus olhos

Ai, meu amor,
quem te disse a ti
que a flor do monte
era o alecrim

Alecrim, alecrim doirado
que nasce no monte
sem ser semeado

Ai, meu amor,
quem te disse a ti
que a flor do monte
era o alecrim

 Letra e música: Popular (Baixo Alentejo)
Versão instrumental: Opus Ensemble* (in "Temas do Cancioneiro Português", EMI Classics, 1987, reed. 1998)

* Ana Bela Chaves – violeta
Olga Prats – piano
Bruno Pizzamiglio – oboé
Alejandro Erlich-Oliva – contrabaixo
Harmonização e instrumentação – Alejandro Erlich-Oliva
Produtor executivo – Paulo Gil
Gravado no Salão Nobre do Teatro Nacional de S. Carlos, Lisboa, a 14 e 15 de Outubro de 1987
Gravação e montagem – Hugo Ribeiro
Assistência à gravação – José de Carvalho, Miguel Gonçalves
Assistência técnica ao piano – Fernando Gomes
Montagem digital – Miguel Gonçalves

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ALMODÔVAR NOSSA TERRA

Almodôvar, nossa terra
Quando eu de ti vivo ausente
O meu coração encerra
Uma saudade ardente

Uma saudade ardente
O meu coração encerra
Quando eu de ti vivo ausente
Almodôvar nossa terra

(Popular – Baixo Alentejo)

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AO PASSAR A RIBEIRINHA

Água Sobe, Água Desce

(Instrumental)

Ao passar a ribeirinha,
Água sobe, água desce;
Dei a mão ao meu amor
Antes que ninguém soubesse.

Se tu és o meu amor,
Dá-me cá abraços teus!
Se não és o meu amor,
Saúdinha, adeus, adeus!

À frente do amor,
Brincas tu, brincarei eu;
Anda cá para meus braços!
Ninguém te quer mais do que eu.

(Instrumental)

Letra e música: Tradicional (Alentejo)
Intérprete: Aqui Há Baile (in CD "Caderno de Danças do Alentejo - adaptações", Associação Pédexumbo/Caracol Secreto, 2013)

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AO ROMPER DA BELA AURORA

Ao romper da bela aurora
Sai o pastor da choupana
Vem gritando em altas vozes
Muito padece quem ama

Muito padece quem ama
Mais padece quem adora
Sai o pastor da choupana
Ao romper da bela aurora

Toda a vida fui pastor
Toda a vida guardei gado
Tenho uma nódoa no peito
De me encostar ao cajado

Ao romper da bela aurora
Sai o pastor da choupana
Vem gritando em altas vozes
Muito padece quem ama

Muito padece quem ama
Mais padece quem adora
Sai o pastor da choupana
Ao romper da bela aurora

Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Ganhões de Castro Verde* (in CD "É Tão Grande o Alentejo", ACA "Os Ganhões", 1997)
* Ponto – José Rosa
Alto – Manuel Fontes

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AQUI ONDE CANTO E ARDO

Passarinho da charneca

Aqui onde canto e ardo
entre papoulas e cardo.
Sete palmos de charneca
são o tamanho de um home
medido em anos de fome,
pesado em anos de seca,
esquecido que teve nome
e que, sendo a morte certa,
vida desta não é d'home,
vida desta não é d'home,
passarinho da charneca.

Passarinho da charneca
entrou na gaiola aberta.
Já tem os olhos cegados
para que cante melhor
que o dono não é cantor.
Traz os colmilhos cerrados
vontades de mandador
e porque é dos mal mandados
julga assim mandar melhor
nos que lhe estão sujeitados,
passarinho da charneca.

Criei o corpo comendo
desta terra da charneca
ao entrar na cova aberta.
Só estou pagando o que devo,
eu sou devedor à terra.
A terra me está devendo,
a terra me está devendo.
A terra paga-me em vida,
Eu pago à terra em morrendo,
eu pago à terra em morrendo,
passarinho da charneca.

Letra: Tradicional - Alentejo / João Pedro Grabato Dias
Música: Amélia Muge
Intérprete: Amélia Muge
(in CD "Todos os Dias", Columbia/Sony, 1994)

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ÀS VEZES ME PONHO EU

A Vila de Castro Verde

Às vezes me ponho eu
Na minha vida a pensar:
Quem eu era, quem eu sou,
Ao que eu havia de chegar!

A vila de Castro Verde
És uma estrela brilhante:
Como ela outra não há,
És a mesma que eras dantes.

És a mesma que eras dantes
Desta vila aproximada;
És uma estrela brilhante
Que está na História gravada.

Ó coração, não te assustes!
Quando ouvires cantar bem,
Entra e pede licença
Para cantares também!

A vila de Castro Verde
És uma estrela brilhante:
Como ela outra não há,
És a mesma que eras dantes.

És a mesma que eras dantes
Desta vila aproximada;
És uma estrela brilhante
Que está na História gravada.

Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"* (in CD "Modas", Robi Droli, 1994; Livro/2CD "Terra: Antologia 1972-2006": CD1, Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões", 2006)

* Ponto – José Rosa
Alto – António Revez
Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"
Produção – Beppe Greppi e Maurizio Martinotti
Gravado no Teatro de Castro Verde, em 28 e 30 de Maio de 1993
Técnicos de gravação – Beppe Greppi e Maurizio Martinotti

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BROTA A ÁGUA

[ instrumental ]

Brota a água da pedra bruta:
Sua luta, labuta,
De tudo dessedentar;
Ganha altura, desmesura
De tanto querer ser mar.

Corre campos, cria formas
Que nem ousara sonhar;
Dança ritmos, canta trovas
Antes de chegar ao mar.

A ciência que o mar tem
Não tem nada de pasmar:
Não há regato nem rio
Que ao mar não vá parar.

Brota a água da pedra bruta:
Sua luta, labuta,
De tudo dessedentar;
Ganha altura, desmesura
De tanto querer ser mar.

Corre campos, cria formas
Que nem ousara sonhar;
Dança ritmos, canta trovas
Antes de chegar ao mar.

[ instrumental ]

Brota a água da pedra bruta:
Sua luta, labuta,
De tudo dessedentar;
Ganha altura, desmesura
De tanto querer ser mar.

Corre campos, cria formas
Que nem ousara sonhar;
Dança ritmos, canta trovas
Antes de chegar ao mar. 

Letra e música: Pedro Mestre
Intérprete: Pedro Mestre com Janita Salomé (in CD "Campaniça do Despique", Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015)
Outra versão de Pedro Mestre com Janita Salomé (in DVD "No CCB: Pedro Mestre & Convidados", Pedro Mestre, 2017)

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CAMINHOS DO ALENTEJO

Caminhos do Alentejo.
Terra bravia de fomes
com piteiras aceradas
como pontas de navalhas
em esperas de encruzilhadas!
Caminhos do Alentejo.
Desde valados e sebes,
searas, vilas, aldeias
e chuvas e descampados
 caminhos do Alentejo
desde menino vos piso!

Poema: Manuel da Fonseca (excerto inicial da parte I de "Para um poema a Florbela")
Música: Paulo Ribeiro
Arranjo: Jorge Moniz
Intérprete: Paulo Ribeiro
Versão original: Paulo Ribeiro com Vitorino (in CD "O Céu Como Tecto e o Vento Como Lençóis", Açor/Emiliano Toste, 2017)

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CAMPANIÇA DO DESPIQUE

[ instrumental ]

Campaniça do despique,
Na venda e bailes de roda:
Dedilhando o improviso
Ou trauteando uma moda.

Na rua do velho monte,
Com as moças a bailar
Os passos simples duma dança
E a viola a dedilhar.

Nas feiras e romarias,
Na serra e no alambique,
Na venda e bailes de roda:
Campaniça do despique. 

[ instrumental ]

O tocador da viola
É feio mas toca bem;
Se não casar por a prenda,
Formosura não a tem!

Campaniça do despique,
Na venda e bailes de roda:
Dedilhando o improviso, 
Ou trauteando uma moda. 

Na rua do velho monte,
Com as moças a bailar
Os passos simples duma dança
E a viola a dedilhar. 

Nas feiras e romarias,
Na serra e no alambique,
Na venda e bailes de roda:
Campaniça do despique.  

Letra e música: Pedro Mestre
Intérprete: Pedro Mestre (in CD "Campaniça do Despique", Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015)
Outra versão de Pedro Mestre (in DVD "No CCB: Pedro Mestre & Convidados", Pedro Mestre, 2017)

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CANTA, ALENTEJANO, CANTA

Canta alentejano, canta,
o teu canto é oração,
tens a alma na garganta
solidão, ai não, ai não!

Solidão, ai não, ai não!
Quem canta, seu mal espanta.
O teu canto é oração:
canta, alentejano, canta!

Eu gosto muito de ouvir
cantar a quem aprendeu.
Houvera quem me ensinara,
quem aprendia era eu!

Popular alentejano

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CANTAM AS FILHAS DA ROSA

Filhas da Rosa

[ instrumental ]

Cantam as filhas da Rosa,
Respondem lá do jardim:
Olaré, quem canta, canta assim!

A minha fala não é
A mesma que era algum dia:
Quem ouvia a minha fala
E o meu nome conhecia.

Cantam as filhas da Rosa,
Respondem lá do jardim:
Olaré, quem canta, canta assim!

E o cantar parece bem,
E é uma prenda bonita:
Não empobrece ninguém
Assim como não enrica.

Cantam as filhas da Rosa,
Respondem lá do jardim:
Olaré, quem canta, canta assim!

Se eu soubesse cantar bem
Nunca estaria calado;
Mesmo assim cantando mal
Não vivo desmarginado.

Cantam as filhas da Rosa,
Respondem lá do jardim:
Olaré, quem canta, canta assim!

[ instrumental ]

Não julgues por eu cantar
Que a vida alegre me corre;
Eu sou como o passarinho:
Tanto canta até que morre.

Cantam as filhas da Rosa,
Respondem lá do jardim:
Olaré, quem canta, canta assim!

Letra e música: Tradicional (Baixo Alentejo)
Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha com grupo Alma Alentejana (in CD "Proibido Adivinhar", Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2015)

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CHAMAVA-SE CATARINA

Em Memória de uma Camponesa Assassinada
– Cantar Alentejano

( Instrumental / vocalizos )

Chamava-se Catarina,
O Alentejo a viu nascer;
Serranas viram-na em vida,
Baleizão a viu morrer.

Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr;
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou.

Acalma o furor, campina,
Que o teu pranto não findou!
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou.

Aquela pomba tão branca
Todos a querem p'ra si;
Ó Alentejo queimado,
Ninguém se lembra de ti!

Aquela andorinha negra
Bate as asas p'ra voar;
Ó Alentejo esquecido,
Inda um dia hás-de cantar!

Letra: António Vicente Campinas
Música: Carlos Paredes ("Em Memória de uma Camponesa Assassinada") e José Afonso ("Cantar Alentejano")
Intérprete: Mariana Abrunheiro* com o Grupo Coral "Estrelas do Sul" de Portel (in Livro/CD "Cantar Paredes", Mariana Abrunheiro/BOCA - Palavras Que Alimentam, 2015)
Versão original ("Em Memória de uma Camponesa Assassinada"): Carlos Paredes (1973) (in CD "Na Corrente", EMI-VC, 1996, Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007; Livro/4CD "O Mundo Segundo Carlos Paredes: Integral 1958-1993": CD3 – "Danças", EMI-VC, 2003)
Versão original ("Cantar Alentejano"): José Afonso (in LP "Cantigas do Maio", Orfeu, 1971, 1982, reed. Movieplay, 1987, 1996, Art'Orfeu Media, 2012)

* Mariana Abrunheiro – voz
Ruben Alves – piano
Ana Isabel Dias – harpa
Grupo Coral "Estrelas do Sul" de Portel (António Silva, Bernardo Charrua, Henrique Valadas, José Almança, José Campaniço, Joaquim Rendeiro, Luís Madeira e Paulo Coelho) – vozes
Direcção musical – Mariana Abrunheiro e Ruben Alves, com a preciosa maestria, criatividade, talento e sensibilidade dos músicos convidados
Produção musical – Mariana Abrunheiro
Produção executiva – Mariana Abrunheiro
Gravado nos estúdios Biscoito Fino (Rio de Janeiro), Conservatório de Música de Coimbra, Could Noise (Barreiro), A.P.S. (Oeiras), Orquestra de Câmara Portuguesa (Algés), de 8 de Março a 19 de Maio de 2015
Captação – António Pinheiro da Silva, Gonçalo Rui Santos, João Thiré, Paulo Cavaco e Pedro Carneiro
Mistura e masterização – António Pinheiro da Silva

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DE DIA SONHO CONTIGO

Vira do Dia

De dia sonho contigo,
À noite aqui te quero;
Esquecer-te não consigo,
De não te ter desespero.

Oh meu amor, quem te vira
Trinta dias cada mês,
Sete dias da semana,
Cada instante uma vez!

Nasce o dia, vem a noite,
Põe-se o Sol, torna-se a pôr;
Vejo-te, torno-te a ver
Cada vez com mais amor.

Nasce o dia, vem a noite,
Põe-se o Sol, torna-se a pôr;
Vejo-te, torno-te a ver
Cada vez com mais amor.

Acordo, sonho contigo,
Fecho os olhos, só te vejo;
Firme como o firmamento
Só o bem que nos desejo.

É num sonho que começa
O amor na vida inteira;
Quem me dera viver sempre
A sonhar desta maneira.

Nasce o dia, vem a noite,
Põe-se o Sol, torna-se a pôr;
Vejo-te, torno-te a ver
Cada vez com mais amor.

Nasce o dia, vem a noite,
Põe-se o Sol, torna-se a pôr;
Vejo-te, torno-te a ver
Cada vez com mais amor.

(Instrumental)

É num sonho que começa
O amor na vida inteira;
Quem me dera viver sempre
A sonhar desta maneira.

Nasce o dia, vem a noite,
Põe-se o Sol, torna-se a pôr;
Vejo-te, torno-te a ver
Cada vez com mais amor.

Nasce o dia, vem a noite,
Põe-se o Sol, torna-se a pôr;
Vejo-te, torno-te a ver
Cada vez com mais amor.

Letra: Tradicional do Alentejo, Macadame e Catarina Gouveia
Música: Macadame
Intérprete: Macadame
Versão original: Macadame (in Livro/CD "Firmamento", Macadame, 2016)

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DEBAIXO DO LENÇO AZUL

Maria Campaniça

Debaixo do lenço azul com sua barra amarela
os lindos olhos que tem!
Mas o rosto macerado
de andar na ceifa e na monda
desde manhã ao sol-posto,
mas o jeito
de mãos torcendo o xaile nos dedos
é de mágoa e abandono...
Ai Maria Campaniça,
levanta os olhos do chão
que eu quero ver nascer o sol!

Poema: Manuel da Fonseca (in "Rosa-dos-Ventos", Lisboa: Imprensa Baroeth, 1940; "Poemas Completos", Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1958; "Poemas Completos", pref. Mário Dionísio, 3.ª edição, Lisboa: Portugália Editora, 1969 – p. 38; "Poemas Completos", pref. Mário Dionísio, 5.ª edição, Lisboa: Forja, 1975 – p. 60)
Música: Paulo Ribeiro
Arranjo: Jorge Moniz
Intérprete: Paulo Ribeiro
Versão original: Paulo Ribeiro (in CD "O Céu Como Tecto e o Vento Como Lençóis", Açor/Emiliano Toste, 2017)

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DEIXEI DE OLHAR P'RA QUEM FUI

Cantiga do Tempo Novo

(Instrumental)

Deixei de olhar p'ra quem fui,
Do passado estou ausente;
Às vezes mais vale a pena
Rir de tudo o que faz pena
Da alma triste da gente.

Vou lançar mãos à aventura,
Correr noutra direcção;
Quanto mais nos lamentamos
Ainda mais presos ficamos
E nos dói o coração.

Quando me ponho a pensar
Em alguém que tanto quis,
Já não me sento a chorar
E até me dá p'ra cantar
Modas que um dia lhe fiz.

Agora sinto-me livre,
Sem nada p'ra me prender:
E vou pela estrada fora
Rumo ao sul, vou sem demora,
Basta o sol p'ra me aquecer.

(Instrumental)

A nossa vida é um mar
Com muitas marés e vagas:
Não temos nada a perder,
O melhor mesmo é viver
Combatendo as nossas mágoas.

Tenho o mundo à minha espera,
Há ilhas por descobrir:
E há uma vontade nova,
Um tempo que se renova,
Novo amor que vai surgir.

Letra e música: Paulo Ribeiro
Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra
Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra
Primeira versão do grupo Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD "Cantares do Sul e da Utopia", Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016)
Versão original: Paulo Ribeiro com o Grupo Coral e Etnográfico "Os Camponeses de Pias" (in CD "Aqui Tão Perto do Sol", EMI-VC, 2002)
Outra versão de Paulo Ribeiro (in CD "Canções 1998-2002", Paulo Ribeiro, 2014)

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DESTE-ME UMA PÊRA VERDE

Calimero e a Pêra Verde (hanter-dro)

[ instrumental ]

Deste-me uma pêra verde,
Estava a meio de amadurar;
Pêra verde, minha verde pêra,
Não me venhas enganar!

Não me venhas enganar!
A mim não me enganas, não!
Pêra verde, minha verde pêra,
Amor do meu coração.

[instrumental]

O amor quando se perde
É como a nódoa da amora:
Só com outra amora verde
A nódoa se vai embora.

Deste-me uma pêra verde,
Estava a meio de amadurar;
Pêra verde, minha verde pêra,
Não me venhas enganar!

Não me venhas enganar!
A mim não me enganas, não!
Pêra verde, minha verde pêra,  | bis
Amor do meu coração.

[instrumental]

Pediste-me uma laranja,
Meu pai não tem laranjal;
Se queres um limão doce 
Vai à porta do meu quintal!

Deste-me uma pêra verde,
Estava a meio de amadurar;
Pêra verde, minha verde pêra,
Não me venhas enganar!

Não me venhas enganar!
A mim não me enganas, não!
Pêra verde, minha verde pêra,
Amor do meu coração.

[instrumental]

Deste-me uma pêra verde,
Estava a meio de amadurar;
Pêra verde, minha verde pêra,
Não me venhas enganar!

Não me venhas enganar!
A mim não me enganas, não!
Pêra verde, minha verde pêra,
Amor do meu coração. 

Letra: Tradicional do Baixo Alentejo (aprendida com Pedro Mestre e o grupo coral feminino "As Papoilas do Corvo")
Música: Pascale Rubens (para o duo Naragonia) + Tradicional do Baixo Alentejo (aprendida com Pedro Mestre e o grupo coral feminino "As Papoilas do Corvo")
Intérprete: Celina da Piedade
Versões originais: Celina da Piedade (in 2CD "Em Casa": CD 1, Celina da Piedade/Melopeia, 2012)
Celina da Piedade com Naragonia (in 2CD "Em Casa": CD2, Celina da Piedade/Melopeia, 2012)

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DIZ A LARANJA AO LIMÃO

[instrumental]

Diz a laranja ao limão:
"Qual de nós será mais doce?"
Sou fiel ao meu amor,
Assim ele p'ra mim fosse.

Assim ele p'ra mim fosse,
Fiel ao meu coração;
"Qual de nós será mais doce?",
Diz a laranja ao limão.

[instrumental]

Diz a laranja ao limão:
"Qual de nós será mais doce?"
Sou fiel ao meu amor,
Assim ele p'ra mim fosse.

Assim ele p'ra mim fosse,
Fiel ao meu coração;
"Qual de nós será mais doce?",
Diz a laranja ao limão.

[instrumental]

Letra e música: Popular (Alentejo)
Arranjo: Monda e Ruben Alves
Intérprete: Monda (in CD "Monda", Monda/Tánaforja, 2016)
Primeira versão: Vitorino (in LP "Não Há Terra Que Resista: Contraponto", Orfeu, 1979, reed. Movieplay, 1991)

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DORME, MEU MENINO D'OIRO

Aurora Tem um Menino

[instrumental]

Dorme, meu menino d'oiro!
Oh meu lindo amor!
Não chores a tua sorte,
Oh meu lindo amor!
Oh meu lindo bem!

Que eu de ti nunca me perco,
Oh meu lindo amor!
Minha estrela do norte,
Oh meu lindo amor!
Oh meu lindo bem!

Aurora tem um menino
Mas tão pequenino;
O pai quem será?
É o Zé da Aroeira
Que vai p'rá Figueira,
Mais tarde virá.

No adro de São Vicente,
Onde há tanta gente,
Aurora não está;
Cala-te, Aurora, não chores,
Que o pai da criança
Mais tarde virá!

Cala-te, Aurora, não chores,
Que o pai da criança
Mais tarde virá!
[bis]

Letra: Tradicional do Alentejo, e Celina da Piedade e Alex Gaspar (duas estrofes iniciais)
Música: Tradicional do Alentejo
Intérprete: Celina da Piedade
Primeira versão de Celina da Piedade (in CD "Sol", Sons Vadios, 2016)

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É ALEGRE E SONHADORA

Andei a guardar o gado

É alegre e sonhadora
A canção alentejana:
Cantada ao romper de aurora
Nas margens do Guadiana.

Andei a guardar o gado
Em tempos que já lá vão:
Deixei a vida do campo,
Trabalho na construção.

Trabalho na construção,
Já não me encosto ao cajado;
Em tempos que já lá vão
Andei a guardar o gado.

O Alentejo é que é
O celeiro da nação;
Nós somos alentejanos,
Somos da terra do pão.

Andei a guardar o gado
Em tempos que já lá vão:
Deixei a vida do campo,
Trabalho na construção.

Trabalho na construção,
Já não me encosto ao cajado;
Em tempos que já lá vão
Andei a guardar o gado.

Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"* (in Livro/2CD "Terra: Antologia 1972-2006": CD2, Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões", 2006)

* Ponto – João Ribeiros
Alto – Francisco Damas
Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"

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ENTRAI, PASTORES, ENTRAI

Entrai, pastores, entrai
Por este portal sagrado!
Vinde ver o Deus-Menino
Entre palhinhas deitado!

Li, ai li, ai li, ai lé!
Jesus, Maria, José. 

(Instrumental)

Entre os portais de Belém
Está uma árvore de Jassé,
Com três letrinhas que dizem:
Jesus, Maria, José.

Li, ai li, ai li, ai lé!
O Menino nascido é.

Letra e música: Tradicional (Peroguarda, Ferreira do Alentejo, Baixo Alentejo)
Recolha: Michel Giacometti ("Entrai, pastores, entrai", in LP "Alentejo", série "Antologia da Música Regional Portuguesa", Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1965; 5CD "Portuguese Folk Music": CD 4 – Alentejo, Strauss, 1998; 6CD "Música Regional Portuguesa": CD 5 – Alentejo, col. Portugal Som, Numérica, 2008)
Intérprete: Cardo-Roxo* (in CD "Alvorada", Cardo-Roxo, 2015) [ao vivo em Viseu, Ago. 2013 / Musiquim ] [ao vivo com Rui Silva, na igreja de S. José das Taipas, Porto, 9 Jun. 2014 ]

* Antony Fernandes – voz (barítono) e flauta de harmónicos
Carmina Repas Gonçalves – voz (soprano) e viola da gamba

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ESTANDO EU NA MINHA LOJA

João Brandão

(Instrumental)

Estando eu na minha loja,
Encostado ao meu balcão,
Mais brando...
Encostado ao meu balcão,

Ouvi uma voz dizer:
«Vais preso, João Brandão!»
Mais brando...
«Vais preso, João Brandão!»

(Instrumental)

Passarinho prisioneiro,
Pela tua liberdade;
Mais brando...
Pela tua liberdade.

Eu cantando peço a Deus:
Não haja aqui falsidade!
Mais brando...
Não haja aqui falsidade!

Estando eu na minha loja,
Encostado ao meu balcão,
Mais brando...
Encostado ao meu balcão,

Ouvi uma voz dizer:
«Vais preso, João Brandão!»
Mais brando...
«Vais preso, João Brandão!»
Mais brando...
«Vais preso, vais p'rá prisão!»

Letra e música: Tradicional (Alentejo)
Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra
Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra
Primeira versão do grupo Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD "Cantares do Sul e da Utopia", Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016)

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EU IA NÃO SEI P'RA ONDE

Que Bonito Que Seria

Eu ia não sei p'ra onde,
Encontrei não sei quem era:
Encontrei o mês de Abril
Procurando a Primavera.

Que bonito que seria
Se houvesse compreensão:
Os Homens não se matavam
E davam-se como irmãos.

É tão linda a liberdade
Até que chegou o dia;
Se houvesse compreensão
Então, que bonito que seria!

Letra e música: Tradicional (Alentejo)
Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra
Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra
Primeira versão do grupo Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD "Cantares do Sul e da Utopia", Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016)

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EU SÓ QUERO QUE ME FALES

Afã

[instrumental]

Eu só quero que me fales
De cantigas e de vinho;
Deixa lá e não te rales,
Deus perdoa o descaminho!

(Instrumental)

Eu só quero que me fales
De cantigas e de vinho;
Deixa lá e não te rales,
Deus perdoa o descaminho!

Deixa essa gente vã
Com conversas e intrigas.
Elas não interessam nada
Pois o meu maior afã
É beber minha golada
De vinho na tarde vã,
Ao som de belas cantigas.

(Instrumental)

Poema: Al-Mu'tamid (1040-1095); trad. Adalberto Alves (in "O Meu Coração É Árabe: A Poesia Luso-Árabe", Lisboa: Assírio & Alvim, 1987, 2.ª edição, 1991 – p. 151)
Música: Paulo Ribeiro e Pedro Frazão
Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra
Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Primeira versão do grupo Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD "Cantares do Sul e da Utopia", Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016) [gravado na sala A Bruxa Teatro, Évora, Fev. 2017 ]
Versão original: Anonimato (in CD "Anonimato", Heaven Sound, 1993)
Outras versões: Paulo Ribeiro (in CD "Aqui Tão Perto do Sol", EMI-VC, 2002); Paulo Ribeiro (in CD "Canções 1998-2002", Paulo Ribeiro, 2014)

* Há Lobos Sem Ser na Serra:
António Bexiga – viola campaniça, guitarras, piano, melódica, percussão, coros
Buba Espinho – voz, percussão
David Pereira – voz, viola campaniça
Cristina Viana – desenho digital (ao vivo)

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EU SUBI ÀQUELE MONTE

Altinho

Eu subi àquele monte
para ver se te esquecia;
Quanto mais alta estava
mais o meu amor crescia.

Quero ir para o altinho
que eu daqui não vejo bem;
Quero ir ver o meu amor
se ele adora mais alguém.

Se ele adora mais alguém,
se ele me ama a mim sozinha,
que eu daqui não vejo bem,
quero ir para o altinho.

[ instrumental ]

que eu daqui não vejo bem,
quero ir para o altinho.

Letra: Tradicional do Alentejo, e Celina da Piedade e Alex Gaspar (quadra "Eu subi àquele monte")
Música: Tradicional do Alentejo, e Toon Van Mierlo e Pascale Rubens
Intérprete: Celina da Piedade* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Primeira versão de Celina da Piedade (in CD "Sol", Sons Vadios, 2016)

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ÉVORA DOCE

Évora doce
Negro vestido
Por capelinhas
Cercada d'ouro
Trigo em tesouro
Mulher rainha

Guardas histórias
Guerras e amores
Por ti vividas
E tens no quarto
Cercando a praça
Mil avenidas

São tuas mágoas
Que são escutadas
Quando da Sé
Por entre as horas
Amargurada
Bates o pé

E os teus cabelos
Ficam mais belos
Quando tu vês
Capas traçadas
Numa guitarra
Cantando o que és

(Instrumental)

Évora doce
Negro vestido
Por capelinhas
Cercada d'ouro
Trigo em tesouro
Mulher rainha

Envergonhada
Se o Alentejo
Lhe pede um beijo
E às escondidas
P'ra ninguém ver
Mata o desejo

Letra e música: Duarte
Intérprete: Duarte* (in CD "Aquelas coisas da Gente", JBJ & Viceversa, 2009)
Primeira versão: Duarte (in CD "Fados Meus", Ovação, 2004)

* José Manuel Neto e Bernardo Couto – guitarras portuguesas
Carlos Manuel Proença – viola
Daniel Pinto – baixo acústico
Quim Correia – baixo eléctrico e percussões
Luís Clode – violoncelo
Luís Cunha – violino
Produção musical e arranjos – Carlos Manuel Proença
Produção – Carlos Manuel Proença e Fernando Antunes
Produção executiva – Lunion
Gravado, misturado e masterizado nos Estúdios Pé-de-Vento, Salvaterra de Magos

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FOI CONDE DA VIDIGUEIRA

Conde da Vidigueira

Foi Conde da Vidigueira
Um herói alentejano
Com seus barcos de madeira
Não temeu o oceano

Esse herói de grande fama
Na Índia içou bandeira
O grande Vasco da Gama
Foi Conde da Vidigueira

(Popular – Vidigueira, Baixo Alentejo)

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FOLHEIA-SE O CADERNO E EIS O SUL

Alentejo

Folheia-se o caderno e eis o sul
E o sul é a palavra. E a palavra
Desdobra-se
No espaço com suas letras de
Solstício e de solfejo
Além de ti
Além do Tejo

Verás o rio e talvez o azul
Não o de Mallarmé: soma de branco e de vazio
Mas aquela grande linha onde o abstracto
Começa lentamente a ser o
Sul

Outro é o tempo
Outra a medida

Tão grande a página
Tão curta a escrita

Entre o achigã e a perdiz
Entre chaparro e choupo

Tanto país
E tão pouco

Solidão é companheira
E de senhor são seus modos
Rei do céu de todos
E de chão nenhum

À sombra de uma azinheira
Há sempre sombra para mais um

Na brancura da cal o traço azul
Alentejo é a última utopia

Todas as aves partem para o sul
Todas as aves: como a poesia

Manuel Alegre (Alentejo e ninguém)

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GOSTO MUITO DOS TEUS OLHOS

O Mocho

[instrumental]

Gosto muito dos teus olhos, ó Maria,
Muito mais gosto dos meus;
Se não fossem os meus olhos, ó Maria,
Não podia amar os teus.

O triste do mocho piava,
Ó lari, lariava,
Em cima da melancia, ó Maria;
Maria, Maria, Maria Capitôa
Dos montes, tiroli, ó terrim, tim, tim;
As mulheres são a alegria de mim.

[instrumental]

Eu não quero mais amar, ó Maria,
Que eu do amar tenho medo;
Eu não quero arriscar, ó Maria,
A pagar o que eu não devo.

O triste do mocho piava,
Ó lari, lariava,
Em cima da melancia, ó Maria;
Maria, Maria, Maria Capitôa
Dos montes, tiroli, ó terrim, tim, tim;
As mulheres são a alegria de mim.

[instrumental]

Letra e música: Popular (Alentejo)
Arranjo: Monda
Intérprete: Monda* (in CD "Monda", Monda/Tánaforja, 2016)

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GRÂNDOLA, VILA MORENA

Grândola, vila morena,
terra da fraternidade,
o povo é quem mais ordena
dentro de ti, ó cidade.

Dentro de ti, ó cidade,
o povo é quem mais ordena,
terra da fraternidade,
Grândola, vila morena.

Em cada esquina um amigo,
em cada rosto igualdade,
Grândola, vila morena,
t erra da fraternidade.

Terra da fraternidade,
Grândola, vila morena,
em cada rosto igualdade,
o povo é quem mais ordena.

À sombra duma azinheira
que já não sabia a idade,
jurei ter por companheira,
Grândola, a tua vontade.

Grândola, a tua vontade
jurei ter por companheira,
à sombra duma azinheira
que já não sabia a idade.

Nota: «Pequena homenagem à "Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense", onde actuei juntamente com Carlos Paredes». (José Afonso).

Letra e música: José Afonso
Intérprete: José Afonso
(in "Cantigas do Maio", Orfeu, 1971; reed. Movieplay, 1987)

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HÁ ONDAS, MEU BEM

Sou das Ondas

[instrumental]

Há ondas, meu bem, há ondas,
Há ondas sem ser no mar:
Há ondas no teu cabelo,
Há ondas no teu olhar.

[instrumental]

Sou das ondas, sou das ondas,
Sou das ondas, sou do mar;
Meu amor já me deixou,
Meu amor vai-me deixar.

Nas ondas do mar, lá fora,
Aprendi eu a cantar
Numa barquinha doirada,
Ó meu bem, a navegar.

[instrumental]

Há ondas, meu bem, há ondas,
Há ondas sem ser no mar:
Há ondas no teu cabelo,
Há ondas no teu olhar.

Sou das ondas, sou das ondas,
Sou das ondas, sou do mar;
Meu amor já me deixou, 
Meu amor vai-me deixar.

Letra e música: Tradicional (Alentejo)
Intérprete: Paulo Ribeiro

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HÁ UM SOBREIRO VELHINHO

Sobreiro Velhinho

[ instrumental ]

Há um sobreiro velhinho
Que nasceu à meia-encosta:
É a casa dos pardais,
Malhada dos animais,
Faz sombra que o pastor gosta.

Faz sombra que o pastor gosta
Nos dias quentes de Verão;
Põe o seu gado ao acarro,
Da cortiça faz um tarro,
Corta a lenha, faz carvão.

Corta a lenha, faz carvão
E nasce um novo raminho
Da Primavera ao Inverno;
Deus queira que seja eterno,
Há um sobreiro velhinho.

[ instrumental ]

O sobreiro é obrigado
A sustentar a cortiça;
Quem não ama de vontade,
Seja qual for a idade,
Não se obriga por justiça.

Há um sobreiro velhinho
Que nasceu à meia-encosta:
É a casa dos pardais,
Malhada dos animais,
Faz sombra que o pastor gosta.

Faz sombra que o pastor gosta
Nos dias quentes de Verão;
Põe o seu gado ao acarro,
Da cortiça faz um tarro,
Corta a lenha, faz carvão.

Corta a lenha, faz carvão
E nasce um novo raminho
Da Primavera ao Inverno;
Deus queira que seja eterno,
Há um sobreiro velhinho.

Letra e música: Martinho Marques
Arranjo: José Manuel David
Intérprete: Pedro Mestre* com Pedro Calado & Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento (in CD "Campaniça do Despique", Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015)
Outra versão de Pedro Mestre com Pedro Calado & Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento (in DVD "No CCB: Pedro Mestre & Convidados", Pedro Mestre, 2017)

* Pedro Mestre – viola campaniça e voz
José Manuel David – piano, teclados, viola acústica, guitarra eléctrica, flauta transversal indiana, órgão de tubos, acordeão, trompa, bateria digital, saxhorn altos
Tânia Lopes – percussão
Vasco Sousa – baixo 'fretless'
Participação especial de:
Janita Salomé – voz (em "Brota a Água")
António Zambujo – voz (em "Jardim dos Sentidos")
Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento – vozes (em "Sobreiro Velhinho")
Pedro Calado – voz (em "Sobreiro Velhinho")
Produção, direcção musical e arranjos – Pedro Mestre e José Manuel David
Produção executiva – Pedro Mestre / Viola Campaniça Produções Culturais
Gravação, misturas e masterização – João Magalhães, no Centro Musibéria (Serpa), no Estúdio de Vale de Lobos (Almargem do Bispo - Sintra), na Igreja de S. Tomás de Aquino (Lisboa) e na Casa 7 Tons
Técnicos assistentes – Hugo Bentes (Centro Musibéria) e João Szas (Estúdio de Vale de Lobos)

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JÁ LÁ VEM O SOL NASCENDO

Sarapateado

(Instrumental)

Já lá vem o Sol nascendo
Por entre as nuvens sombrias;
Como pode o Sol ser velho
Se nasce todos os dias?

Se eu for presa por cantar
Não calarei a garganta!
Eu sou como o passarinho
Que até na gaiola canta.

Ai sim, meu bem, sarapatear!
Quem quiser bailar traga bom calça...,
Traga bom calça..., traga bom calçado!
Ai sim, meu bem, sarapateado.

(Instrumental)

Meu coração é um quarto
Que tudo lhe cabe dentro:
Vai ouvindo, arrecadando...
Falará quando for tempo.  

Ai sim, meu bem, sarapatear!
Quem quiser bailar traga bom calça...,
Traga bom calça..., traga bom calçado!
Ai sim, meu bem, sarapateado.

(Instrumental)

Semeei no meu jardim...
Só cravos são mais de mil;
Os cravos que lá nasceram
São cravos do mês de Abril.

Ai sim, meu bem, sarapatear!
Quem quiser bailar traga bom calça...,
Traga bom calça..., traga bom calçado!
Ai sim, meu bem, sarapateado.

Ai sim, meu bem, sarapatear!
Quem quiser bailar traga bom calça...,
Traga bom calça..., traga bom calçado!
Ai sim, meu bem, sarapateado.

(Instrumental)

Letra e música: Tradicional (Baixo Alentejo)
Recolhas: José Alberto Sardinha (1984, "Portugal - Raízes Musicais": CD5 – Estremadura, Ribatejo e Alentejo, BMG/JN, 1997) e José Leite de Vasconcelos (quadras "Já lá vem o Sol nascendo", "Meu coração é um quarto" e "Semeei no meu jardim", in "Cancioneiro Popular Português", 3 vols., Coimbra: Universidade de Coimbra, 1975-1984)
Intérprete: Macadame (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Primeira versão de Macadame (in Livro/CD "Firmamento", Macadame, 2016)

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JÁ SÃO HORAS DA MERENDA

(Instrumental)

Já são horas da merenda;
Ai, vamo-nos a merendar
Gaspachinho com vinagre,
Ai, para o peito refrescar!

Já se vai o Sol a pôr
Ai, para trás do cabecinho;
Bem quisera o nosso amo
Ai, prendê-lo c'um baracinho.

(Instrumental)

Já são horas da merenda;
Ai, vamo-nos a merendar
Gaspachinho com vinagre,
Ai, para o peito refrescar!

Já se vai o Sol a pôr
Ai, para trás do cabecinho;
Bem quisera o nosso amo
Ai, prendê-lo c'um baracinho.

(Instrumental)

Letra e música: Tradicional
Recolha: Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça
Intérprete: Macadame
Primeira versão de Macadame (in Livro/CD "Firmamento", Macadame, 2016)

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LÁ VAI SERPA

Se Fores ao Alentejo

(Instrumental)

Lá vai Serpa, lá vai Moura
E as Pias ficam no meio;
Em chegando à minha terra
Não há que haver arreceio.

Não há que haver arreceio,
Lá vai Serpa, lá vai Moura,
Lá vai Serpa, lá vai Moura
E as Pias ficam no meio.

Se fores ao Alentejo,
Não leves vinho nem pão!
Leva o coração aberto
E o teu filho pela mão!

(Instrumental)

Se fores ao Alentejo,
Não leves vinho nem pão!
Leva a rosa da justiça
E o teu filho pela mão!

Lá vai Serpa, lá vai Moura
E as Pias ficam no meio;
Em chegando à minha terra
Não há que haver arreceio.

Não há que haver arreceio,
Lá vai Serpa, lá vai Moura,
Lá vai Serpa, lá vai Moura
E as Pias ficam no meio.

(Instrumental)

Letra: Popular (Baixo Alentejo) e Eduardo Olímpio
Música: Edmundo Silva
Intérprete: Francisco Naia (in CD "Francisco Naia e a Ronda Campaniça", Francisco Naia/Ovação, 2012)

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LÁ VAI UMA EMBARCAÇÃO

Lá vai uma embarcação
Por esses mares fora;
Por aqueles que lá vão
Há muita gente que chora.

Há muita gente que chora
Com mágoas no coração;
Por esses mares fora
Lá vai uma embarcação.

Ó mar alto, ó mar alto,
Ó mar alto sem ter fundo!
Mais vale andar no mar alto
Que nem nas bocas do mundo.

Lá vai uma embarcação
Por esses mares fora;
Por aqueles que lá vão
Há muita gente que chora.

Há muita gente que chora
Com mágoas no coração;
Por esses mares fora
Lá vai uma embarcação.

Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"* (in CD "O Círculo Que Leva a Lua", Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões", 2003; Livro/2CD "Terra: Antologia 1972-2006": CD2, Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões", 2006)
Outra versão: Rão Kyao & Os Ganhões de Castro Verde (in CD "Rão Kyao & Riccardo Tesi: Live in Sete Sóis", Associação Sete Sóis Sete Luas, 2005)

* Ponto – José da Conceição
Alto – Manuel Pontes
Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"

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LEMBRA-ME O TEMPO PASSADO

O Almocreve

Lembra-me o tempo passado,
Tudo se vai acabando:
O boi puxando o arado,
O almocreve cantando...

O almocreve cantando
Semeando o verde prado.
Quando vejo alguém lavrando
Lembra-me o tempo passado.

A vida do almocreve
É uma vida arriscada:
Ao descer uma ladeira,
Ao cerrar duma carrada.

Lembra-me o tempo passado,
Tudo se vai acabando:
O boi puxando o arado,
O almocreve cantando...

O almocreve cantando
Semeando o verde prado.
Quando vejo alguém lavrando
Lembra-me o tempo passado.

Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"* (in CD "Modas", Robi Droli, 1994; Livro/2CD "Terra: Antologia 1972-2006": CD1, Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões", 2006)

* Ponto – José Rosa
Alto – Francisco Gonçalves
Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"
Produção – Beppe Greppi e Maurizio Martinotti
Gravado no Teatro de Castro Verde, em 28 e 30 de Maio de 1993
Técnicos de gravação – Beppe Greppi e Maurizio Martinotti

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LINDA CARA QUE TU TENS

Fadinho Alentejano

Linda cara que tu tens, já sei,
Quando chegas noite fora.
À espera à porta de casa, [bis]
Está o teu pai que te adora.

Lindos olhos tem o mocho, piu,
Quando a noite vem chegando.
P’ra deixar passar a noite, [bis]
Uma moda eu vou cantando.

Muda a água às azeitonas,
Rega bem os teus tomates,
Tem lá cuidado com a horta!
O cravo já está no vaso,
Sim, senhora, por acaso.

[bis]

[instrumental]

Abalaste para Lisboa, pois,
Deixaste-me ao pé da porta.
Tu seguiste o teu caminho, [bis]
A minha alma ficou torta.

Quando cheguei ao Barreiro, já fui,
Lisboa estava fechada.
Voltei p’ra casa a cantar, [bis]
Uma vida abençoada.

Muda a água às azeitonas,
Rega bem os teus tomates,
Tem lá cuidado com a horta!
O cravo já está no vaso,
Sim, senhora, por acaso.

[4x]

Letra e música: Paulo de Carvalho
Intérprete: Ricardo Ribeiro
Versão original: Ricardo Ribeiro com o Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde" (in CD "Hoje É Assim, Amanhã Não Sei", Ricardo Ribeiro/Parlophone/Warner Music, 2016)

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MALDITA SOCIEDADE

Camponês Alentejano

Maldita sociedade,
Estás tão mal organizada:
Quem não trabalha tem tudo,
Quem trabalha não tem nada!

Camponês alentejano,
Camponês agricultor:
Tu trabalhas todo o ano,
Dás produto ao lavrador.

Dás produto ao lavrador,
Tua vida é um engano:
É tão triste o teu valor,
Camponês alentejano!

Todo o homem que trabalha
Não deve nada a ninguém:
Aquele que nada faz
Deve tudo quanto tem.

Camponês alentejano,
Camponês agricultor:
Tu trabalhas todo o ano,
Dás produto ao lavrador.

Dás produto ao lavrador,
Tua vida é um engano:
É tão triste o teu valor,
Camponês alentejano!

Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"* (in CD "É Tão Grande o Alentejo", Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões", 1997; Livro/2CD "Terra: Antologia 1972-2006": CD2, Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões", 2006)

* Ponto – José Rosa
Alto – Francisco Pancadas Gonçalves
Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"
Director artístico – Francisco Caipirra
Produtor executivo – José Luís Jones
Facilidades técnicas – Estúdios Cantinho da Música, Lisboa

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MARIANA CANTA AO DESPIQUE

Ti Mariana

[ instrumental ]

Mariana canta ao despique:
Fez do cante a sua lida,
Ali p'rós lados de Ourique,
Nessa planície perdida.

Nessa planície perdida,
Nesse Alentejo adorado,
Ti Mariana achou a vida
E fez do cante o seu fado.

E fez do cante o seu fado,
Cantando com o coração;
As modas vão dando brado
Ao velho estilo baldão.

[ instrumental ]

Quem canta seu mal espanta,
É o ditado que o diz;
Cantar afina a garganta,
Povo que canta é feliz.

Mariana canta ao despique:
Fez do cante a sua lida,
Ali p'rós lados de Ourique,
Nessa planície perdida.

Nessa planície perdida,
Nesse Alentejo adorado,
Ti Mariana achou a vida
E fez do cante o seu fado.

E fez do cante o seu fado,
Cantando com o coração;
As modas vão dando brado
Ao velho estilo baldão.

[ instrumental ]

A viola campaniça,
Em meus dedos dedilhando,
Acompanha sem preguiça [bis]
Qualquer Mariana cantando.

Mariana canta ao despique:
Fez do cante a sua lida,
Ali p'rós lados de Ourique,
Nessa planície perdida.

Nessa planície perdida,
Nesse Alentejo adorado,
Ti Mariana achou a vida
E fez do cante o seu fado.

E fez do cante o seu fado,
Cantando com o coração;
As modas vão dando brado
Ao velho estilo baldão.

Letra: Rosa Guerreiro Dias
Música: José Manuel David
Intérprete: Pedro Mestre (in CD "Campaniça do Despique", Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015)

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MÉRTOLA DORMIA FRENTE AO GUADIANA

Em Mértola

Mértola dormia frente ao Guadiana
branca, branca, branca
torre de menagem, torre de vigia
de quem mais se ama
iam nas pedrinhas, pequeninos rios
do suor da terra alentejana
para lá dos montes, pertinho da raia
onde a terra passa a ser estranha

Com um sol a pique frente a uma mesquita
branca, branca, branca
subindo ao castelo, subindo à vigia
vendo o panorama
pr'além das muralhas, para aquém dos montes
prendiam-se os olhos à bonita
ficavam nos verdes, ficavam nos brancos
ficavam nos tempos da Moirama

Suando pestanas, frente a uma cegonha
branca, branca, branca
Mértola corria frente ao Guadiana
por quem se derrama
o sol que há nos olhos, o mel que há no peito
a dor que há no corpo de quem sonha
com o sabor das ervas, no cheiro das águas
no voltar a ver a quem mais se ama

Ia viajante frente à moradia
branca, branca, branca
ia sendo moira, noiva tão serena
e alma cigana
o lenço voando, batia no rosto
no silêncio olhava o que não via
para lá da terra, para lá dos montes
nunca mais veria a tarde calma

Mértola dormia frente ao Guadiana
branca, branca, branca
torre de vigia, torre de menagem
a quem mais se ama
iam nas pedrinhas, pequeninos rios
do amor à terra alentejana
para lá dos montes, pertinho da raia
onde a terra passa a ser Espanha

 Poema e música: Teresa Muge
Intérprete: Amélia Muge* (in CD "Múgica", UPAV, 1992)

* Flauta – Paulo Curado
Contrabaixo – Carlos Bica
Sintetizadores – António José Martins
Produção, arranjos e direcção musical – António José Martins
Gravado e misturado nos Estúdios Angel 1 e 2, Lisboa, em Outubro de 1991
Gravação – Fernando Rascão e Jorge Barata
Mistura – Jorge Barata e António José Martins

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MINHA MÃE, ESTOU DE ABALADA

Minha Mãe, Sou um Mainante

Minha mãe, estou de abalada:
Parto já, neste instante;
Adeus, minha mãe amada,
Vou p'rá vida de mainante.

De manta ao ombro e bordão,
Trilho caminhos de amargura:
Tenho fome, não tenho pão,
Durmo assim na noite escura.

Rompe o sol de manhãzinha
E o povoado é distante:
Cantando p'ra ti, mãezinha,
Esta vida de mainante.

[instrumental]

As lágrimas não me apagam
As queixas e os martírios:
Só as estrelas acalmam,
À noite, os meus delírios.

De manta ao ombro e bordão,
Trilho caminhos de amargura:
Tenho fome, não tenho pão,
Durmo assim na noite escura.

Rompe o sol de manhãzinha
E o povoado é distante:
Cantando p'ra ti, mãezinha,
Esta vida de mainante.

[instrumental]

O meu chão é chão barrento
Pisado com ternura,
De quem dorme ao relento
E faz dele a sepultura.

Letra: Romão Janeiro
Música: Paulo Ribeiro
Intérprete: Paulo Ribeiro
Versão original: Grupo Coral "Os Mainantes" de Pias (in CD "Entre Mestres e Aprendizes", de Grupo Coral e Etnográfico "Os Camponeses de Pias" & "Os Mainantes", Açor/Emiliano Toste, 2016)

TOPO

 

MORENINHA ALENTEJANA

- Moreninha alentejana,
quem te fez, morena, assim?
- Foi o sol da Primavera
que caía sobre mim.

Que caía sobre mim,
que andava a ceifar o trigo.
- Moreninha alentejana,
por que não casas comigo?

Por que não casas comigo?
Por que não casas com ela?
- Quem te fez, morena, assim?
- Foi o sol da Primavera.

TOPO

 

NA SOCIOLOGIA DO VINHO

Na sociologia do vinho
é que se brinda!
É de azeite a gordura
que agradece
a quentura da lã
ventre de linho
e o gosto da azeitona
verde, verde.

No suor do cajado
lã de ovelha
firma-se o peito, esteva
velha.

Nas patas do rafeiro é
que se alonga
a geometria do sul
desfeita em cal
e a rijeza dos nervos já
perdida.

A cegonha já acena um
bater de asas.
Sangrado o campo, mirradas
são as casas.
Não são homens; são sombra
toda sal,
Só vultos de lentidão
ferida.

É no traço do sul que mais
se acolhe
o ermo das lonjuras
desenhadas:
A sombra, o silêncio
e a tristeza
de tristezas mal
balbuciadas.

Geométrico sul, cal
e planura
Loiro de água verde
adormecida.
Quem te dará um alento
uma saída
de alma clara em
escancarada alvura?

Só no cantar do sul
o tempo dura...

Letra: Afonso Dias
Intérprete: Afonso Dias
(in CD "Geometria do Sul", Edere, 2002)

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NAMOREI SEMPRE À TARDINHA

A Moda do Chegadinho

(Instrumental)

Namorei sempre à tardinha
Certas moças da minha aldeia:
Fosse magra, fosse gordinha,
Bonita ou menos feia.

Chegadinha, chegadinha a mim,
Chegadinho, chegadinho a ela;
Chegadinho, chegadinha, chegadinhos
Ao postigo e à janela. 
[bis]

(Instrumental)

Brinquei com uma, brinquei com duas,
Duas, três, quatro ou cinco;
Brinquei contigo, brinquei com ela,
Já sou casado e agora já não brinco.

Chegadinha, chegadinha a mim,
Chegadinho, chegadinho a ela;
Chegadinho, chegadinha, chegadinhos
Ao postigo e à janela. 
[bis]

(Instrumental)

Sou casado e com juízo,
Mas não deixo de pensar
Quando vejo moças catitas
À janela a namorar.

Chegadinha, chegadinha a mim,
Chegadinho, chegadinho a ela;
Chegadinho, chegadinha, chegadinhos
Ao postigo e à janela. 
[4x]

Letra e música: Francisco Naia
Intérprete: Francisco Naia (in CD "Francisco Naia e a Ronda Campaniça", Francisco Naia/Ovação, 2012)

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NASCE O SOL NO ALENTEJO

[ Instrumental ]

Nasce o Sol no Alentejo,
Nasce água clara na fonte;
Nasce em mim a saudade
Da lareira do teu monte.

Quem me dera ser o trigo
Que ciranda na peneira,
E poder andar contigo
Cirandando a vida inteira.

(Instrumental)

Não há cravo como o branco
Que até no cheirar é doce,
Nem amor como o primeiro
Se ele fingido não fosse.

Pelas estrelas da noite
Regulam-se os marinheiros,
E eu pelos teus lindos olhos
Que são astros mais certeiros.

(Instrumental)

Às ceifeiras nunca digas
Madrigais no teu cantar,
Pois se vão em tais cantigas
Fica o trigo por ceifar.

Eu não sei por que motivo
Tu me recusas um beijo!...
Ao menos sei porque vivo
Tão preso ao teu Alentejo.

(Instrumental / vocalizos )

Letra e música: Popular (Alentejo)
Recolha: José Alberto Sardinha
Arranjo: António Prata, com Carlos Barata e Pedro Fragoso
Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos* (in 2CD "Alçude": CD1, Ovação, 2001)
Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in CD "Outras Terras", Ronda dos Quatro Caminhos, 1999)

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NO ALENTEJO EU TRABALHO

É tão grande o Alentejo

[ Assobios ]

No Alentejo eu trabalho
Cultivando a dura terra;
Vou fumando o meu cigarro,
Vou cumprindo o meu horário
Lá na encosta da serra.

É tão grande o Alentejo,
Tanta terra abandonada!
A terra é que dá o pão:
Para bem desta nação
Devia ser cultivada.

Tem sido sempre esquecido
À margem ao sul do Tejo:
Há gente desempregada,
Tanta terra abandonada!
É tão grande o Alentejo!

Trabalha, homem, trabalha
Se queres ter o teu valor!
Os calos são os anéis,
Os calos são os anéis
Do homem trabalhador.

É tão grande o Alentejo,
Tanta terra abandonada!
A terra é que dá o pão:
Para bem desta nação
Devia ser cultivada.

Tem sido sempre esquecido
À margem ao sul do Tejo:
Há gente desempregada,
Tanta terra abandonada!
É tão grande o Alentejo!

Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"* (in CD "É Tão Grande o Alentejo", Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões", 1997; Livro/2CD "Terra: Antologia 1972-2006": CD2, Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões", 2006)
Outra versão: Dulce Pontes & Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde" (in CD "O Primeiro Canto", de Dulce Pontes, Polydor B.V. the Netherlands/Universal, 1999; CD "O Círculo Que Leva a Lua", do Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde", Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões", 2003)

* Ponto – José da Conceição
Alto – Manuel Pontes
Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"
Director artístico – Francisco Caipirra
Produtor executivo – José Luís Jones
Facilidades técnicas – Estúdios Cantinho da Música, Lisboa

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NO NOSSO ALENTEJO

Trigueira de raça

No nosso Alentejo
é tão lindo ouvir
cantar as ceifeiras,
ver as mondadeiras
no campo a sorrir.

Trigueira de raça,
quem te fez assim
ceifando os trigais,
ouvindo os teus ais
com pena de mim?

Eu por ti chorando
alegre e cantando
sinto o teu desejo,
linda trigueirinha,
linda alentejana,
dá-me cá um beijo.

À sombra da silva
é que eu adormeço
sonhando contigo.
Linda alentejana,
eu não te mereço.

Popular Alentejano

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NO TEMPO DA PRIMAVERA

No tempo da Primavera,
há lindas flores no prado.
Canta, ó lindo passarinho,
ao nascer do sol doirado.

Ao nascer do sol doirado,
ó meu amor, quem me dera
pisando os mimosos prados
no tempo da Primavera.

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Ó ALENTEJO DOS POBRES

Margem Sul (Canção Patuleira)

Ó Alentejo dos pobres,
reino da desolação,
não sirvas quem te despreza,
é tua a tua nação.

Não vás a terras alheias
lançar sementes de morte.
É na terra do teu pão
que se joga a tua sorte.

Terra sangrenta de Serpa,
terra morena de Moura,
vilas de angústia em botão,
doce raiva em Baleizão.

Ó margem esquerda do Verão
mais quente de Portugal,
margem esquerda deste amor
feito de fome e de sal.

A foice dos teus ceifeiros
trago no peito gravada,
ó minha terra morena
como bandeira sonhada.

Terra sangrenta de Serpa,
terra morena de Moura,
vilas de angústia em botão,
doce raiva em Baleizão.

Poema: Urbano Tavares Rodrigues
Música: Adriano Correia de Oliveira
Intérprete: Adriano Correia de Oliveira
(in "Margem Sul", Orfeu, 1967; "Obra Completa", Movieplay, 1994)

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Ó ÁGUIA QUE VOAS TÃO ALTA

Ó águia que vais tão alta,
voando de pólo em pólo,
leva-me ao céu onde eu tenho
a mãe que me trouxe ao colo.

A mãe que me trouxe ao colo
ficou-me fazendo falta,
voando de pólo em pólo,
ó águia que vais tão alta.

Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Afonso Dias
(in CD "Geometria do Sul", Edere, 2002)

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O ALENTEJO É QUE É

Cidades, Vilas e Montes

O Alentejo é que é
O celeiro da nação;
Nós somos alentejanos,
Nós somos alentejanos,
Somos da terra do pão.

É linda a Reforma Agrária
Nos campos do Alentejo:
Aumentou a produção,
Deu para todos mais pão,
É isso que eu mais invejo.

Cidades, vilas e montes,
Unidade a trabalhar:
Só assim a reacção,
Gente má sem coração,
Nunca mais pode passar.

Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"* (in LP "Os Ganhões de Castro Verde", Metro-Som, 1980, reed. Metro-Som, ?; Livro/2CD "Terra: Antologia 1972-2006": CD1, Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões", 2006)

* Ponto – Manuel Pancadas
Alto – Francisco Gonçalves
Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"

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O ALENTEJO NÃO TEM SOMBRAS

As Flores da Nossa Terra

O Alentejo não tem sombras
Se não as que vêm do céu;
E o camponês tem abrigo,
E o camponês tem abrigo
Às abas do seu chapéu.

Flores da nossa terra
Que abandonaram as mães
Numa linda romaria
Feita com muita alegria:
Foram dar a Guimarães.

Foram dar a Guimarães,
Recordação que se encerra;
Abandonaram as mães
E foram a Guimarães
Flores da nossa terra.

Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"* (in LP "Os Ganhões de Castro Verde", Metro-Som, 1980, reed. Metro-Som, ?; Livro/2CD "Terra: Antologia 1972-2006": CD1, Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões", 2006)

* Ponto – João Constantino
Alto – António Revez
Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"

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Ó ESTAÇÃO DE OURIQUE

(Instrumental)

Ó Estação de Ourique
Onde eu tive amores!
Onde há pirolitos
E também há flores.

Tem um largo ao meio
Mesmo na estação,
Param os comboios
Que vão p'ra Garvão.

Salta a malta nova
Vinda no furgão;
Grita o maquinista
E o chefe da estação.

E os moços pequenos
Sempre a saltitar;
Ficam para o balho,
Querem é dançar!

(Instrumental)

Vêm do Carregueiro
Casével e Aivados;
Da vila de Ourique
Chegam convidados.

Muito bem trajados
De Castro chegando,
Vêm cantadores
Modas entoando.

Cantam aos amores
Que estão espreitando;
E a tasca do Mendes
Já está esperando.

Ali num cantinho
Vão servindo copos:
Há sempre bom vinho
Chouriço e tremoços.

(Instrumental)

O chefe da estação
Junta a filharada
Com banjos, violão
E voz afinada.

Começam as danças
No Salão dos Nobres:
Velhos e crianças
E ricos e pobres.

Ai a balhação!
Aì a brincadeira!
Já está na estação
O comboio p'rá Funcheira.

Seguem seus destinos,
Uns ficam deitados:
Parecem meninos
Muito embriagados.

(Instrumental)

Ó Estação de Ourique
Onde eu tive amores!
Onde há pirolitos
E também há flores.

Tem um largo ao meio
Mesmo na estação,
Param os comboios
Que vão p'ra Garvão.

Salta a malta nova
Vinda no furgão;
Grita o maquinista
E o chefe da estação.

E os moços pequenos
Sempre a saltitar;
Ficam para o balho,
Querem é dançar!

[ Instrumental ]

Letra e música: Francisco Naia
Intérprete: Francisco Naia (in CD "Francisco Naia e a Ronda Campaniça", Francisco Naia/Ovação, 2012)

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O MAR DEIXOU O ALENTEJO

Se fores ao Alentejo

O mar deixou o Alentejo
onde trouxe canções de oiro
mas volta a matar saudades
mas ondas do trigo loiro.

Se fores ao Alentejo,
vai vai vai vai vai.
Não te esqueças, dá-lhe um beijo,
ai ai ai ai.

Nas capelas e nos montes
há sorrisos de brancura
onde fala a voz de Deus
na voz da cal e da alvura.

Sobe o sol e abrasa a terra
a fecundar as espigas
à sombra das azinheiras
na dolência das cantigas.

Por lonjuras e planuras,
oh solidão, solidão,
eu quero paz no trabalho
p'ra poder ganhar o pão.

Popular do Alentejo

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Ó MEU SÃO JÃO BAPTISTA

São João de Alpalhão

Ó meu São João Baptista!
Ó meu Baptista João!
Vamos ir à água nova
Na noite de São João!

São João baptiza Cristo,
Cristo baptiza João:
Ambos foram baptizados
Lá no rio do Jordão.

São João p'ra ver as moças
Fez uma fonte de prata;
As moças não vão a ela,
São João todo se mata.

Meu divino São João
Que na mão tem a bandeira!
Vamos ir ao rosmaninho
P'ra fazermos uma fogueira!

Letra e música: Tradicional (Alpalhão, Nisa, Alto Alentejo)
Intérprete: Segue-me à Capela
Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD "San'Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher", Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

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Ó MOÇAS, FAÇAM ARQUINHOS

Arquinhos (II)

Ó moças façam arquinhos!
Ó moças façam arcadas!
P'ra passar o meu benzinho,
P'ra passar a minha amada.

P'ra passar a minha amada,
P'ra passar o meu benzinho,
Ó moças façam arquinhos!
Ó moças façam arcadas!

(Instrumental)

Ó moças façam arquinhos!
Ó moças façam arcadas!
P'ra passar o meu benzinho,
P'ra passar a minha amada.

P'ra passar a minha amada,
P'ra passar o meu benzinho,
Ó moças façam arquinhos!
Ó moças façam arcadas!

[ Instrumental ]

Ó moças façam arquinhos!
Ó moças façam arcadas!
P'ra passar o meu benzinho,
P'ra passar a minha amada.

P'ra passar a minha amada,
P'ra passar o meu benzinho,
Ó moças façam arquinhos!
Ó moças façam arcadas!

Letra e música: Tradicional (Alentejo)
Intérprete: Aqui Há Baile (in CD "Caderno de Danças do Alentejo - adaptações", Associação Pédexumbo/Caracol Secreto, 2013)

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Ó TERRA MORENA, DEITADA AO SOL

Fado do Alentejo

Ó terra morena deitada ao sol,
Quero ser a alma do ganhão,
Cheia de horizonte, cântico de fonte,
Catedral do trigo, azeite e pão!

Ó terra morena deitada ao sol,
Quero ser a alma da cegonha
Que sobe no vento e ouve o lamento
Do homem que, ao sul, trabalha e sonha!

Alentejo das casas de cal,
Alentejo do sobro e do sal;
Alentejo poejo, alecrim,
Alentejo das terras sem fim.

Ó terra morena deitada ao sol,
Quero ser a alma do sobreiro:
Estática, selvagem, dona da paisagem
Afrontando o tempo a corpo inteiro!

[instrumental]

Alentejo das casas de cal,
Alentejo do sobro e do sal;
Alentejo poejo, alecrim,
Alentejo das terras sem fim.

Ó terra morena deitada ao sol,
Quero ser a alma do ganhão,
Cheia de horizonte, cântico de fonte,
Catedral do trigo, azeite e pão!

Letra: Rosa Lobato de Faria
Música: Rão Kyao
Arranjo: Rabih Abou-Khalil
Intérprete: Ricardo Ribeiro* (in CD "Largo da Memória", Ricardo Ribeiro/Parlophone/Warner Music, 2013)
Primeira versão de Ricardo Ribeiro: Rão Kyao & Ricardo Ribeiro (in 2CD "Em'Cantado": CD 1, Universal, 2009)
Versão original: Manuel de Almeida – "Alma do Ganhão" (in CD "Fado", Movieplay, 1996)

* Ricardo Ribeiro – voz
Rabih Abou-Khalil – alaúde árabe
Otto Pereira e Pedro Pacheco – violinos
Joana Cipriano – viola d'arco
Nuno Abreu – violoncelo

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OLHOS MAROTOS

Vai Colher a Silva

Olhos marotos
Que já foram meus
Agora são doutro
Paciência adeus

Vai colher a silva
Vai lindo amor vai
Se ela te picar
Não digas ai ai

Não digas ai ai
Não digas ai ui
Vai colher a silva
Vai que eu também já fui

Ó coração praia
Das embarcações
Onde desembarcam
As minhas paixões

Vai colher a silva
Vai lindo amor vai
Se ela te picar
Não digas ai ai

Não digas ai ai
Não digas ai ui
Vai colher a silva
Vai que eu também já fui

Letra e música: Popular (Baixo Alentejo)
Arranjo: Pedro Fragoso
Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos / Grupo Coral Guadiana de Mértola (in CD "Sulitânia", Ocarina, 2007)

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OLIVEIRA E PARREIRINHA

A Tasca do Encalha

(Instrumental)

Oliveira e Parreirinha
Encontram o Tó Careca:
Com a dor que se avizinha
Vão beber uma caneca.

Dão a mão ao Zé Padeiro,
E o braço ao Quim Margarida;
Chamam o Chico Pedreiro,
Vão afogar-se em bebida.

Abraçam-se p'lo caminho,
Até à Tasca do Encalha:
Lá o tintol é fresquinho
E à volta ninguém se espalha.
(bis)

Tintol, caracol,
Tintão, carrascão,
Com rodelas de limão;
Verdinho, verducho,
Verdete, verdacho,
Mas que graça que eu te acho!
(bis)

Venha lá outra rodada
Com tapinhas e tremoços!
O tintol é tão maduro
Que até arreganha os ossos.

Vira lá mais um copinho!
Tira outro do briol!
Traz alcagoita torrada
E um pires de caracol!

Diz o Quim para o Oliveira,
Pondo um ar grave no rosto:
«Que uma boa bebedeira
Mata-nos qualquer desgosto!»
(bis)

Tintol, caracol,
Tintão, carrascão,
Com rodelas de limão;
Verdinho, verducho,
Verdete, verdacho,
Mas que graça que eu te acho!
[4x]

(Instrumental)

Mas que graça que eu te acho!...

Letra e música: Francisco Naia
Intérprete: Francisco Naia com Vitorino (in CD "Francisco Naia e a Ronda Campaniça", Francisco Naia/Ovação, 2012)

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ORA PONHA AQUI

Pezinho dos Caçadores

Ora ponha aqui,
Ora ponha aqui o seu pezinho!
Ora ponha aqui,
Ora ponha aqui ao pé do meu!
(bis)

Ai ao tirar,
Ai ao tirar o seu pezinho,
Ai um abraço,
E um abraço lhe dou eu!
(bis)

Ai dizem mal,
Ai dizem mal dos caçadores,
Ai por matarem,
Por matarem os pardais...
(bis)

Ai os teus olhos,
Os teus olhos, meu amor,
Ainda matam,
Ainda matam muito mais!
(bis)

Ora ponha aqui,
Ponha aqui o seu pezinho!
Ora ponha aqui,
Ponha aqui ao pé do meu!
(bis)

Ai ai ao tirar,
Ao tirar o seu pezinho,
Um abraço lhe dou eu!
(bis)

Ai dizem mal,
Dizem mal dos caçadores,
Por matarem os pardais...
(bis)

Os teus olhos, meu amor,
Ainda matam,
Ainda matam muito mais!
(bis)

[ Instrumental ]

Ora ponha aqui o seu pezinho!
Ora ponha aqui ao pé do meu!
(bis)

Ao tirar o seu pezinho,
Ai um abraço lhe dou eu!
(bis)

Ai dizem mal dos caçadores,
Por matarem os pardais...
(bis)

Os teus olhos, meu amor,
Ainda matam muito mais!
(bis)

Letra e música: Tradicional (Alentejo)
Intérprete: Aqui Há Baile (in CD "Caderno de Danças do Alentejo - adaptações", Associação Pédexumbo/Caracol Secreto, 2013)

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PAPOILAS VERMELHAS

Querido Alentejo

Papoilas vermelhas
Criadas ao vento
São cravos de Abril:
Deixai-os florir
No meu pensamento.

Querido Alentejo,
Minha terra amada:
Eu nunca me esqueço
De seres Alentejo,
És sempre lembrada.

Teus cravos vermelhos
Já não murcharão;
Tens o privilégio
De seres Alentejo,
Celeiro da nação.

Vem o mês de Abril,
Cresce a saudade;
Vem o nosso povo
E a cantar de novo:
«Viva a liberdade!»

Querido Alentejo,
Minha terra amada:
Eu nunca me esqueço
De seres Alentejo,
És sempre lembrada.

Teus cravos vermelhos
Já não murcharão;
Tens o privilégio
De seres Alentejo,
Celeiro da nação.

(Instrumental)

Letra e música: Tradicional (Alentejo)
Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra
Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Primeira versão do grupo Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD "Cantares do Sul e da Utopia", Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016)

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PENTEEI O MEU CABELO

[Moda:]

Penteei o meu cabelo,
Penteei-o para trás,
Com uma travessa nova
Que me deu o meu rapaz.

Que me deu o meu rapaz
Toda cheia de pedrinhas;
Penteei o meu cabelo,
Ficou-me todo às ondinhas.

Ficou-me todo às ondinhas,
Ficou-me todo ondulado;
Penteei o meu cabelo
Para trás e para o lado.

[ Cantiga: ]

Há ondas, meu bem, há ondas,
Há ondas sem ser no mar:
Há ondas no teu cabelo,
Há ondas no teu olhar.

Penteei o meu cabelo,
Penteei-o para trás,
Com uma travessa nova
Que me deu o meu rapaz.

Que me deu o meu rapaz
Toda cheia de pedrinhas;
Penteei o meu cabelo,
Ficou-me todo às ondinhas.

Ficou-me todo às ondinhas,
Ficou-me todo ondulado;
Penteei o meu cabelo
Para trás e para o lado.

[ Cantiga: ]

Há ondas, meu bem, há ondas,
Há ondas sem ser no mar:
Há ondas no teu cabelo, 
Há ondas no teu olhar.

Letra e música: Tradicional (Alentejo)
Intérprete: Aqui Há Baile* (in CD "Caderno de Danças do Alentejo - adaptações", Associação Pédexumbo/Caracol Secreto, 2013) [Gravado no Festival Andanças, Castelo de Vide, 21 Ago. 2013
Introdução: Grupo Coral Feminino "As Papoilas do Corvo", ensaiado por Pedro Mestre

* Aqui Há Baile:
Mara – voz
Samuel Santos – violoncelo
Zeps – bandolim, cavaquinho, ukelele
Sérgio Cobos – acordeão
Ana Silvestre – mandadora
Direcção musical – Sérgio Cobos
Produção – Aqui Há Baile
Co-produção – Associação Pédexumbo e Caracol Secreto Associação
Produção executiva – Luís Pucarinho
Captação, mistura e masterização – Luís Pucarinho

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POR EU SER ALENTEJANO

Há Lobos Sem Ser na Serra

Por eu ser alentejano,
Alguém me chamou ladrão:
Foi o que eu nunca chamei
A quem me roubava o pão.

Há lobos sem ser na serra,
Eu ainda não sabia...
Debaixo do arvoredo
Trabalham com valentia.

Trabalham com valentia
Cada um na sua arte;
Eu ainda não sabia:
Há lobos em toda parte.

Maldita sociedade,
Estás tão mal organizada:
Quem não trabalha tem tudo,
Quem trabalha não tem nada!

Há lobos sem ser na serra,
Eu ainda não sabia...
Debaixo do arvoredo
Trabalham com valentia.

Trabalham com valentia
Cada um na sua arte;
Eu ainda não sabia:
Há lobos em toda parte.

Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"* (in CD "O Círculo Que Leva a Lua", Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões", 2003; Livro/2CD "Terra: Antologia 1972-2006": CD2, Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões", 2006)

* Ponto – Manuel Pancadas
Alto – Manuel Pontes
Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"

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QUANDO O MELRO ASSOBIA

Castro Verde É Nossa Terra

Quando o melro assobia,
Escondido nos silvados:
Quer de noite, quer de dia,
São lindos os seus trinados.

Castro Verde é nossa terra!
Ai quem nos dera lá estarmos agora
P'rá mocidade, com saudade,
Ouvir cantar como ouvi outrora.

Terra bela
Tão desejada!
Casa singela
De branco caiada!

Eu nunca esqueço
Que foste meu berço,
Lindo cantinho
Desta pátria amada!

Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"* (in LP "Castro Verde É Nossa Terra", Valentim de Carvalho, 1975; Livro/2CD "Terra: Antologia 1972-2006": CD1, Associação de Cante Alentejano "Os Ganhões", 2006)

* Ponto – José Ferraz
Alto – Sílvio Afilhado
Grupo Coral "Os Ganhões de Castro Verde"

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QUEM TRABALHA E MATA A FOME

Bem Podia a Andorinha

[ instrumental ]

Quem trabalha e mata a fome
Não come o pão de ninguém;
Mas quem não trabalha e come,
Come sempre o pão de alguém.

Bem podia a andorinha
Fazer paragem no chão;
Bem podia o meu amor
Ser firme ao meu coração.

Ser firme ao meu coração,
Ser firme e não me enganar;
Bem podia a andorinha
Fazer paragem no ar.

Bem podia quem tem muito
Repartir por quem não tem:
O rico ficava rico
E o pobre ficava bem.

Bem podia a andorinha
Fazer paragem no chão;
Bem podia o meu amor
Ser firme ao meu coração.

Ser firme ao meu coração,
Ser firme e não me enganar;
Bem podia a andorinha
Fazer paragem...

Letra: António Aleixo (1.ª quadra) e tradicional do Baixo Alentejo
Música: Tradicional (Baixo Alentejo)
Intérprete: Afonso Dias
Primeira versão de Afonso Dias, com Teresa Silva (in CD "Andanças & Cantorias", Bons Ofícios - Associação Cultural, 2016)

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QUERO IR PARA O ALTINHO

[ Moda: ]

Quero ir para o altinho
Que eu daqui não vejo bem;
Quero ir ver do meu amor
Se ele adora mais alguém.

Se ele adora mais alguém
Ou se ele ama a mim sozinho;
Que eu daqui não vejo bem,
Quero ir para o altinho.

(Instrumental)

[ Cantiga: ]

A alegria de uma vida
É amar só o nosso bem;
Nasce a dor e fica a vida
Sem sentido e sem ninguém.

Fica a vida sem sentido
E só a morte é companheira;
Ai de mim, o que farei
Agora com a vida inteira?!

(Instrumental)

Letra e música: Tradicional (Baixo Alentejo)
Arranjo: António Prata
Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos (in 2CD "Alçude": CD 1, Ovação, 2001)
Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in LP "Amores de Maio", Contradança, 1986, reed. Ovação, 1992, 1997)

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RIBEIRA VAI CHEIA

Ribeira vai cheia
e o barco não anda.
Tenho o meu amor
lá daquela banda.

Lá daquela banda
e eu cá deste lado;
ribeira vai cheia
e o barco parado.

(Popular – Alentejo)

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ROENDO UMA LARANJA NA FALÉSIA

Porto Covo

Roendo uma laranja na falésia
Olhando o mundo azul à minha frente,
Ouvindo um rouxinol nas redondezas,
No calmo improviso do poente

Em baixo fogos trémulos nas tendas
Ao largo as águas brilham como prata
E a brisa vai contando velhas lendas
De portos e baías de piratas

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Covo

A lua já desceu sobre esta paz
E reina sobre todo este luzeiro
À volta toda a vida se compraz
Enquanto um sargo assa no brazeiro

Ao longe a cidadela de um navio
Acende-se no mar como um desejo
Por trás de mim o bafo do destino
Devolve-me à lembrança do Alentejo

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Covo

Roendo uma laranja na falésia
Olhando à minha frente o azul escuro
Podia ser um peixe na maré
Nadando sem passado nem futuro

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Covo

Letra: Carlos Tê
Música: Rui Veloso
Intérprete: Rui Veloso* (in "Rui Veloso", EMI-VC, 1986; "Ao Vivo", EMI-VC, 1988; "O Concerto Acústico", EMI, 2003)

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ROMPE A AURORA

Primavera alentejana

Rompe a aurora, nasce o dia
iluminando o montado.
Como um hino à alegria
ouve-se balir o gado.

Roxo, verde e amarelo,
olho à volta é o que vejo.
Não há nada assim tão belo,
ó meu querido Alentejo.

Refrão:
Lindos campos verdejantes
matizados de papoilas,
já não são como eram antes
mondados pelas moçoilas.

Perfumados de poejo
os campos de solidão,
é assim o Alentejo
que trago no coração.

O melro canta no silvado,
o grilo no buraquinho,
e eu por ti apaixonado,
Alentejo, meu cantinho.

Refrão

Poema: Hermínia Gaidão Costa (em memória de Margarida Gaidão)
Música: Hermínia Costa / Rodapé
Intérprete: Roda Pé
(in CD "Escarpados Caminhos", 2004)

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ROUXINOL REPENICA O CANTE

Rouxinol repenica o cante
ao passar da passadeira.
Nunca mais tornas a Beja, oh ai,
sem passares à Vidigueira,

sem passares à Vidigueira,
sem ires beber ao falcante
e ao passar da passadeira, oh ai,
rouxinol repenica o cante.

Eu gosto muito de ouvir
cantar a quem aprendeu.
Se houvera quem me ensinara, oh ai,
quem aprendia era eu.

Rouxinol repenica o cante
ao passar da passadeira.
Nunca mais tornas a Beja, oh ai,
sem passares à Vidigueira.

Sem passares à Vidigueira,
sem ires beber ao falcante
e ao passar da passadeira, oh ai,
rouxinol repenica o cante.

Letra e música: Popular; adaptação: Vitorino
Intérprete: Vitorino
(in "Os Malteses", Orfeu, 1977; "Negro Fado", EMI-VC, 1988)

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SANTA CRUZ É A NOSSA TERRA

Santa Cruz é a nossa terra
Beja é o nosso distrito,
O concelho é Almodôvar
Não há nada mais bonito.

Santa Cruz é a nossa terra
Rodeada de olivais,
Com suas casas branquinhas
E os seus antigos beirais.

E os seus antigos beirais
É a nossa tradição,
Santa Cruz é a nossa terra
Terra da nossa paixão.

Aldeia de Santa Cruz
É terra que eu mais invejo,
Ficas à beira da serra
Mesmo ao sul do Alentejo.

Santa Cruz é a nossa terra
Rodeada de olivais,
Com suas casas branquinhas
E os seus antigos beirais.

E os seus antigos beirais
É a nossa tradição,
Santa Cruz é a nossa terra
Terra da nossa paixão.

(Popular – Santa Cruz, Baixo Alentejo)

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SANTA VITÓRIA, ERVIDEL

O Homem da Campaniça (Ao Ricardo Fonseca)

(Instrumental)

Santa Vitória, Ervidel:
Minha cantiga é castiça,
Minha voz doce de mel,
Meus dedos na campaniça.

Rosa, Mariana, Maria:
Todas me ouviram cantar,
Fosse de noite ou de dia
Ou com um sol de abrasar.

(Instrumental)

Rasguei modas e cantares,
Dízimas disse, que eu fiz;
Andei por muitos lugares
Ora alegre ora infeliz.

Andei com moças brejeiras,
Mulheres feitas, ricas donas;
Dormi com elas nas eiras
E na apanha de azeitonas.

(Instrumental)

Inda hoje eu sou falado
Da serra à charneca inteira,
Pelo homem da campaniça
Tocando à sua maneira.

Com a minha campaniça
Nas tabernas, no baldão,
Toda a gente me conhece
De Beja a Corte Malhão...

(Instrumental)

Letra e música: Francisco Naia
Intérprete: Francisco Naia (in CD "Francisco Naia e a Ronda Campaniça", Francisco Naia/Ovação, 2012)

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SÃO CHEGADOS OS TRÊS REIS

Reis

São chegados os Três Reis
à porta do lavrador
Se tem a mulher bonita
a filha é uma flor

Que cavalos são aqueles
que fazem sombra no Mar
São os três do Oriente
que a Jesus vão adorar

O menino chora, chora
porque anda descalcinho
Haja quem lhe dê as meias
que eu lhe dou os sapatinhos

Nossa Senhora lavava
e São José estendia
E o menino chorava
com o frio que fazia

Calai-vos meu menino
calai-vos meu amor
Isto são navalhinhas
que cortam sem dor

Saíram as três Marias
de noite pelo luar
Em busca do Deus menino
sem No poderem achar

Foram-No achar em Roma
vestidinho no altar
Com cálix d'oiro na mão
missa nova quer cantar

E dai-la esmola e... e dai-la esmola bem dada
Para quem, para quem vier pedir
que ela lhe, que ele lhe sirva de escada
Para quando, para quando ao céu subir

Letra e música: Popular (Redondo – Alentejo)
Intérprete: Janita Salomé / Cantadores de Redondo* (in CD "Vozes do Sul: uma celebração do cante alentejano", Capella, 2000) 
* Arranjo – Janita Salomé
Voz solo e alto, e percussões – Janita Salomé
Coro feminino – Marta Salomé, Catarina Salomé, Patrícia Salomé e Bárbara Lagido
Coro – Cantadores de Redondo
Clarinetes – Daniel Salomé
Produção – Janita Salomé
Gravado nos Estúdios Tcha Tcha Tcha, Lisboa, em Abril de 1998
Técnicos de som – Carlos Jorge Vales e Rui Dias
Misturas, edição e masterização – Paulo Jorge Ferreira

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SÃO JOÃO SE ADORMICEU

(Instrumental)

São João se adormiceu
No colo da sua tia;
Ricorda, João, ricorda,
Que amanhã é o teu dia!

No altar di São João
Há um copi de água benta; 
São João subiu ao Céu
A pidiri por toda a gente.

(Instrumental)

Letra e música: Tradicional (Reguengos de Monsaraz, Alto Alentejo)
Recolha: Michel Giacometti (in "Portuguese Folk Music": CD 4 – Alentejo, Strauss, 1998; "Música Regional Portuguesa": CD 5 – Alentejo, col. Portugal Som, Numérica, 2008)
Intérprete: O Baú (in CD "Achega-te", O Baú, 2012)

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SÃO SAIAS

Saias de Abril

(Instrumental)

São saias, senhor, são saias
Para varar ao sol-pôr;
Se não varas as searas
O balho será pior. 

(Instrumental)

As portas que Abril abriu
Ninguém as pode fechar;
Se não fosse a liberdade
Não podia aqui cantar.

São saias, senhor, são saias
Para varar ao sol-pôr;
Se não varas as searas
O balho será pior.

(Instrumental)

As portas que Abril abriu
Ninguém as pode fechar;
Se não fosse a liberdade
Não podia aqui pensar.

São saias, senhor, são saias
Para varar ao sol-pôr;
Se não varas as searas
O balho será pior.

(Instrumental)

São saias, senhor, são saias
Para varar ao sol-pôr;
Se não varas as searas
O balho será pior.

Letra: Tradicional do Alto Alentejo (refrão) e Há Lobos Sem Ser na Serra
Música: Tradicional (Alto Alentejo)
Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra
Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra
Primeira versão do grupo Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD "Cantares do Sul e da Utopia", Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016)
Primeira versão: Vitorino com Sheila Charlesworth – "São Saias, Senhor, São Saias" (in LP "Semear Salsa ao Reguinho", Orfeu, 1975, reed. Movieplay, 1999; CD "Vitorino", col. O Melhor dos Melhores, vol. 43, Movieplay, 1994)

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SE EU FOR PRESO POR CANTAR

Sarapateado

(Instrumental)

Se eu for preso por cantar
Não calarei a garganta;
Eu sou como o passarinho
Que até na gaiola canta.

Vai sim, meu bem, sarapatear!
Quem quiser bailar traga bom calça...,
Traga bom calça..., traga bom calçado!
Vai sim, meu bem, sarapateado. [bis]

À porta da minha sogra
Vem uma silva nascendo;
Todos passam, não se enleiam,
Só eu na silva me prendo.

Vai sim, meu bem, sarapatear!
Quem quiser bailar traga bom calça...,
Traga bom calça..., traga bom calçado!
Vai sim, meu bem, sarapateado. [bis]

(Instrumental)

Vai sim, meu bem, sarapatear!
Quem quiser bailar traga bom calça...,
Traga bom calça..., traga bom calçado!
Vai sim, meu bem, sarapateado. [4x]

Letra e música: Tradicional (Alentejo)
Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra
Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra
Primeira versão do grupo Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD "Cantares do Sul e da Utopia", Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016)

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SE FORES AO ALENTEJO

(Instrumental)

Se fores ao Alentejo
Não leves vinho nem pão:
Leva o coração aberto,
E ao lado do coração
Leva a rosa da justiça
E o teu filho pela mão.

Se fores ao Alentejo
Não leves vinho nem pão.
Se fores ao Alentejo
Não leves vinho nem pão.

(Instrumental)

Se fores ao Alentejo
Não leves vinho nem pão:
Leva o teu braço liberto
Para abraçar teu irmão;
Esse irmão que está tão perto
Do teu aperto de mão
E que tão longe amanhece
Nos campos da solidão.

Se fores ao Alentejo
Não leves vinho nem pão.

(Instrumental)

Se fores ao Alentejo
Não leves vinho nem pão:
Leva a alegria de seres
Irmão de quem vai parir
Uma seara de trigo,
Uma charneca a florir,
Um rebanho e um abrigo
E um amanhã que há-de vir
Como se fosse outro amigo
Dentro do sol, a sorrir.

Se fores ao Alentejo
Não leves vinho nem pão.

Se fores ao Alentejo
Não leves vinho nem pão:
Leva o coração aberto
E o teu filho pela mão.
Leva o coração aberto
E o teu filho pela mão.

(Instrumental)

Se fores ao Alentejo
Não leves vinho nem pão.
Se fores ao Alentejo
Não leves vinho nem pão.

Letra: Eduardo Olímpio
Música: Carlos Alberto Moniz
Intérprete: Carlos Alberto Moniz
Versão original: Carlos Alberto Moniz (in Livro/2CD "O Vinho dos Poetas": CD 2, Carlos Alberto Moniz/Ovação, 2014)

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SEMEEI SALSA AO REGUINHO

Semear Salsa ao Reguinho

Semeei salsa ao reguinho
Hortelã daquela banda
Para lograr os teus carinhos
Tive que andar em demanda

Tive que andar em demanda
Para lograr os teus carinhos
Hortelã daquela banda
Semeei salsa ao reguinho

Não julgues por eu cantar
Que a vida alegre me corre
Eu sou como um passarinho
Tanto canta até que morre

Letra e música: Popular (Alentejo)
Recolha e arranjo: Vitorino
Intérprete: Vitorino (in "Semear Salsa ao Reguinho", Orfeu, 1975; reed. Movieplay, 1999; CD "Ao Vivo A Preto e Branco", Magic Music/Som Livre, 2007)

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SOL BAIXINHO

Moda de baile

[ instrumental ]

Sol baixinho, sol baixinho,
Sol baixinho também queima;
Eu hei-de amar, sol baixinho,
Só p'ra seguir uma teima.

(Instrumental)

Cravo branco, não me prendas,
Que eu não tenho quem me solte!
Não sejas tu, cravo branco,
Causante da minha morte!

(Coro / instrumental )

O meu pai é tocador,
Minha mãe é cantadeira:
Eu sou filho deles ambos,
Canto da mesma maneira.

(Instrumental)

Eu gosto muito de estar
Onde estão as raparigas:
Uma canta, outra baila
E a outra ouve as cantigas.

(Coro / instrumental)

Letra e música: Popular (ilha de Santa Maria, Açores)
Recolha: Artur Santos (campanha de 1958) (in CD "O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de Santa Maria", Açor/Emiliano Toste, 2002) [canta Virgínia de Andrade Cabral, acompanhada por violas de arame tocadas por António Augusto Cabral e João Soares
Arranjo: António Prata
Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos (in 2CD "Alçude": CD 1, Ovação, 2001)
Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in CD "Recantos", Polygram, 1996)
Outra versão da Ronda dos Quatro Caminhos com Orquestra Sinfonietta de Lisboa (in DVD/CD "Ao Vivo no Centro Cultural de Belém", Ocarina, 2005) [ao vivo na TV Galicia com as Adufeiras de Monsanto, vozes do Alentejo e Orquestra Sinfonietta de Lisboa

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SOLIDÃO, AI DOM, AI DOM

Solidão, ai dão, ai dão,
Para mim quer sim, quer não;
Vem a morte e leva a gente,
Quem não há-de ter paixão?

Quem não há-de ter paixão?
Quem paixão não há-de ter?
Solidão, ai dão, ai dão,
Resistir até morrer.

 Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Bernardo Charrua "Calabaça" (in CD "Monda", de Monda*, Monda/Tánaforja, 2016)

* Monda:
Jorge Roque – voz e guitarras (Yamaha)
Pedro Zagalo – teclados (Yamaha Pianos, Fender Rhodes Mark II, Hammond B3, Nord Stage 2) Herlander Medinas – voz e contrabaixo (Paul Serdet, Luthier à Paris 1916)
Músicos convidados:
Ruben Alves – pianos e harmónio
João Tiago Oliveira – guitarra clássica
Mário Caeiro – acordeão
João Ferreira – percussões
Pedro Vidal – lap steel guitar, banjo
Participações especiais:
Cantadores de Portel (João Pedro Roque, Pedro Patinho, Jaime Salsa, Carlos Alberto, Jesuíno Moedas, Bernardo Charrua "Calabaça", José Cortes, Tiago Rico, João Dias, José Adivinha) – vozes (em "Mais Brando João Brandão")
Katia Guerreiro – voz (em "Adeus, Maria, Até Quando")
Bernardo Charrua "Calabaça" – voz (em "Solidão")
Pré-produção – Pedro Zagalo Estúdios
Produção musical – Ruben Alves
Co-produção musical – Monda
Direcção musical – Monda
Gravado e misturado no Estúdio de Vale de Lobos, Almargem do Bispo - Sintra
Misturas e masterização – Pedro Vidal

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UMA ESTRELA SE FOI PÔR

Canção ao Menino

Uma estrela se foi pôr
Em cima duma cabana
A cabana era pequena
Não cabiam todos três
Adoravam o menino
Cada um da sua vez

E abram-se lá essas portas
Ainda não estão bem abertas
Que nasceu o Deus menino
Vou-lhe dar as Boas Festas

Boas Festas meus senhores
Boas Festas lhes vou dar
Que nasceu o Deus menino
Alta noite de Natal

E alta Noite de Natal
Noite de santa alegria
Que nasceu o Deus menino
Filho da Virgem Maria

Senhora dona da casa
Deixe-se estar que está bem
Mande-nos dar a esmola
Por essa rosa que aí tem

Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos* (in CD "Terra de Abrigo", Ocarina, 2003) 
* Orquestração e arranjo – Carlos Barata
Orquestra Sinfónica de Córdoba (Andaluzia)
Cantares de Évora
Solo – Joaquim Soares e Manuel Caldeira
Alto – Pedro Calado

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'TÁ PRESO O JOÃO BARANDÃO

Mais Brando João Brandão

'Tá preso o João Brandão
Às grades do Limoeiro;
Mais brando...
Às grades do Limoeiro. 

Era rico, agora é pobre...
Olha o que faz o dinheiro!
Mais brando...
Olha o que faz o dinheiro!

Estando eu na minha loja,
Encostadinho ao balcão,
Mais brando...
Encostadinho ao balcão,

Ouvi uma voz dizer:
"Está preso o João Brandão."
Mais brando...
"Está preso o João Brandão."

[instrumental] 

Ouvi uma voz dizer:
"'Tá preso o João Brandão."
Mais brando...
Mais Brando João Brandão.

Letra: Popular (Alentejo)
Música: Monda
Intérprete: Monda com o Grupo de Cantadores de Portel (in CD "Monda", Monda/Tánaforja, 2016)

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VAI AO CENTRO

Vai ao centro, vai ao meio!
Agora vou andar
Com o meu amor em passeio;
Agora é que eu vou andar
Com meu amor em passeio.

Vá de roda, cantem todas
Cada qual sua cantiga!
Eu também cantarei,
Eu também cantarei uma
Que a mocidade me obriga.

Vá de roda, cantem todas
Cada qual sua cantiga!
Que eu também cantarei uma 
Que a mocidade me obriga. 

Vai ao centro...

[ Moda: ]

Vai de centro ao centro ao centro!
Vai de centro ao centro ao meio!
Agora é que eu vou andar
Com meu amor em passeio.

Com meu amor em passeio,
Com meu bem a passear,
Vai de centro ao centro ao meio!
Agora é que eu vou andar.

[ Cantiga: ]

Vá de roda, cantem todos
Cada qual sua cantiga!
Que eu também cantarei uma
Que a mocidade me obriga.

[ Moda: ]

Vai de centro ao centro ao centro!
Vai de centro ao centro ao meio!
Agora é que eu vou andar
Com meu amor em passeio.

Com meu amor em passeio,
Com meu bem a passear,
Vai de centro ao centro ao meio!
Agora é que eu vou andar.

(Instrumental)

[ Moda: ]

Vai de centro ao centro ao centro!
Vai de centro ao centro ao meio!
Agora é que eu vou andar
Com meu amor em passeio.

Com meu amor em passeio,
Com meu bem a passear,
Vai de centro ao centro ao meio!
Agora é que eu vou andar.

[ Cantiga: ]

Minha mãe, p'ra m'eu casar, 
Ofereceu-me uma panela; 
Depois de me ver casada, 
Partiu-me a cara com ela. 

[ Moda: ]

Vai de centro ao centro ao centro!
Vai de centro ao centro ao meio!
Agora é que eu vou andar
Com meu amor em passeio.

Com meu amor em passeio,
Com meu bem a passear,
Vai de centro ao centro ao meio!
Agora é que eu vou andar.

Letra e música: Tradicional (Alentejo)
Intérprete: Aqui Há Baile (in CD "Caderno de Danças do Alentejo - adaptações", Associação Pédexumbo/Caracol Secreto, 2013)

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VIM DO CAMPO, JÁ CEEI

Tira o Capotinho

(Instrumental)

Vim do campo, já ceei;
Hoje vou dar uma voltinha:
Vou à venda, bebo um copo,
Regresso de manhãzinha.

Esta noite, nem me eu deito
Sem primeiro ouvir cantar;
Gosto de ouvi-lo bem feito
E em certo particular.

Tira o capotinho, sim, sim!
Esta noite havemos ver;
Tira o capotinho, sim, sim,
Esta noite ao amanhecer!
[bis]

(Instrumental)

Esta noite soprou vento
Com pontinhas de suão:
Abriram-se as rosas todas
Dentro do teu coração.

Para ver a minha amada,
Espreitei à sua janela;
Ela já estava deitada,
Fui-me embora a pensar nela.

Tira o capotinho, sim, sim!
Esta noite havemos ver;
Tira o capotinho, sim, sim,
Esta noite ao amanhecer!
[bis]

(Instrumental)

O cantar de madrugada
É uma coisa excelente:
Acorda quem está dormindo,
Alegra quem está doente.

Toda a noite eu andei
Por estradas tão medonhas,
Sempre sonhando contigo;
Só comigo tu não sonhas...

Tira o capotinho, sim, sim!
Esta noite havemos ver;
Tira o capotinho, sim, sim,
Esta noite ao amanhecer!
[bis]

(Instrumental)

Letra: Popular (Baixo Alentejo) e Francisco Naia
Música: Popular (Baixo Alentejo)
Intérprete: Francisco Naia* (in CD "Francisco Naia e a Ronda Campaniça", Francisco Naia/Ovação, 2012)

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