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| CANÇÕES SOBRE O ALENTEJO |
ALENTEJO |
Folheia-se o caderno e eis o sul
E o sul é a palavra. E a palavra
Desdobra-se
No espaço com suas letras de
Solstício e de solfejo
Além de ti
Além do Tejo
Verás o rio e talvez o azul
Não o de Mallarmé: soma de branco e de vazio
Mas aquela grande linha onde o abstracto
Começa lentamente a ser o
Sul
Outro é o tempo
Outra a medida
Tão grande a página
Tão curta a escrita
Entre o achigã e a perdiz
Entre chaparro e choupo
Tanto país
E tão pouco
Solidão é companheira
E de senhor são seus modos
Rei do céu de todos
E de chão nenhum
À sombra de uma azinheira
Há sempre sombra para mais um
Na brancura da cal o traço azul
Alentejo é a última utopia
Todas as aves partem para o sul
Todas as aves: como a poesia
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Manuel Alegre (Alentejo e ninguém) |
CANTA, ALENTEJANO, CANTA |
Canta alentejano, canta,
o
teu canto é oração,
tens a alma na garganta
solidão, ai não, ai não!
Solidão, ai não, ai não!
Quem canta, seu mal espanta.
O teu canto é oração:
canta, alentejano, canta!
Eu gosto muito de ouvir
cantar a quem aprendeu.
Houvera quem me ensinara,
quem aprendia era eu!
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Popular alentejano |
É TÃO GRANDE ALENTEJO |
No Alentejo eu trabalho
cultivando a dura terra.
Vou fumando o meu cigarro,
vou cumprindo o meu horário
lá na encosta da serra.
É tão grande o Alentejo,
tanta terra abandonada!
A terra é que dá o pão
para bem desta nação -
devia ser cultivada.
Tem sido sempre esquecido
à margem ao sul do Tejo.
Há gente desempregada,
tanta terra abandonada,
é tão grande o Alentejo.
Trabalha, homem, trabalha,
se queres ter o teu valor.
Os calos são os anéis,
os calos são os anéis
do homem trabalhador.
É tão grande o Alentejo,
tanta terra abandonada.
A terra é que dá o pão
para bem desta nação -
devia ser cultivada.
Tem sido sempre esquecido
à margem ao sul do Tejo.
Há gente desempregada,
tanta terra abandonada,
é tão grande o Alentejo.
Sítio oficial: www.ganhoescastroverde.com
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Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Ganhões de Castro Verde
(in CD "É Tão Grande o Alentejo", 1997)
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GEOMETRIA DO SUL |
Na sociologia do vinho
é que se brinda!
É de azeite a gordura
que agradece
a quentura da lã
ventre de linho
e o gosto da azeitona
verde, verde.
No suor do cajado
lã de ovelha
firma-se o peito, esteva
velha.
Nas patas do rafeiro é
que se alonga
a geometria do sul
desfeita em cal
e a rijeza dos nervos já
perdida.
A cegonha já acena um
bater de asas.
Sangrado o campo, mirradas
são as casas.
Não são homens; são sombra
toda sal,
Só vultos de lentidão
ferida.
É no traço do sul que mais
se acolhe
o ermo das lonjuras
desenhadas:
A sombra, o silêncio
e a tristeza
de tristezas mal
balbuciadas.
Geométrico sul, cal
e planura
Loiro de água verde
adormecida.
Quem te dará um alento
uma saída
de alma clara em
escancarada alvura?
Só no cantar do sul
o tempo dura...
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Letra: Afonso Dias
Intérprete: Afonso Dias
(in CD "Geometria do Sul", Edere, 2002)
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GRÂNDOLA, VILA MORENA |
Grândola, vila morena,
terra da fraternidade,
o povo é quem mais ordena
dentro de ti, ó cidade.
Dentro de ti, ó cidade,
o povo é quem mais ordena,
terra da fraternidade,
Grândola, vila morena.
Em cada esquina um amigo,
em cada rosto igualdade,
Grândola, vila morena,
t
erra da fraternidade.
Terra da fraternidade,
Grândola, vila morena,
em cada rosto igualdade,
o povo é quem mais ordena.
À sombra duma azinheira
que já não sabia a idade,
jurei ter por companheira,
Grândola, a tua vontade.
Grândola, a tua vontade
jurei ter por companheira,
à sombra duma azinheira
que já não sabia a idade.
Nota: «Pequena homenagem à "Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense", onde actuei juntamente com Carlos Paredes». (José Afonso).
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Letra e música: José Afonso
Intérprete: José Afonso
(in "Cantigas do Maio", Orfeu, 1971; reed. Movieplay, 1987) |
MARGEM SUL (CANÇÃO PATULEIA) |
Ó Alentejo dos pobres,
reino da desolação,
não sirvas quem te despreza,
é tua a tua nação.
Não vás a terras alheias
lançar sementes de morte.
É na terra do teu pão
que se joga a tua sorte.
Terra sangrenta de Serpa,
terra morena de Moura,
vilas de angústia em botão,
doce raiva em Baleizão.
Ó margem esquerda do Verão
mais quente de Portugal,
margem esquerda deste amor
feito de fome e de sal.
A foice dos teus ceifeiros
trago no peito gravada,
ó minha terra morena
como bandeira sonhada.
Terra sangrenta de Serpa,
terra morena de Moura,
vilas de angústia em botão,
doce raiva em Baleizão.
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Poema: Urbano Tavares Rodrigues
Música: Adriano Correia de Oliveira
Intérprete: Adriano Correia de Oliveira
(in "Margem Sul", Orfeu, 1967; "Obra Completa", Movieplay, 1994)
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MORENINHA ALENTEJANA |
- Moreninha alentejana,
quem te fez, morena, assim?
- Foi o sol da Primavera
que caía sobre mim.
Que caía sobre mim,
que andava a ceifar o trigo.
- Moreninha alentejana,
por que não casas comigo?
Por que não casas comigo?
Por que não casas com ela?
- Quem te fez, morena, assim?
- Foi o sol da Primavera.
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No tempo da Primavera,
há lindas flores no prado.
Canta, ó lindo passarinho,
ao nascer do sol doirado.
Ao nascer do sol doirado,
ó meu amor, quem me dera
pisando os mimosos prados
no tempo da Primavera.
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Letra e música: Popular (Baixo Alentejo)
Intérprete: Grupo Coral "Os Ceifeiros de Cuba"
(in CD "Musical Traditions of Portugal", Ed. Smithsonian Folkways, 1994)
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Ó ÁGUIA QUE VAIS TÃO ALTA
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Ó águia que vais tão alta,
voando de pólo em pólo,
leva-me ao céu onde eu tenho
a mãe que me trouxe ao colo.
A mãe que me trouxe ao colo
ficou-me fazendo falta,
voando de pólo em pólo,
ó águia que vais tão alta.
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Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Afonso Dias
(in CD "Geometria do Sul", Edere, 2002)
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Aqui onde canto e ardo
entre papoulas e cardo.
Sete palmos de charneca
são o tamanho de um home
medido em anos de fome,
pesado em anos de seca,
esquecido que teve nome
e
que, sendo a morte certa,
vida desta não é d'home,
vida desta não é d'home,
passarinho da charneca.
Passarinho da charneca
entrou na gaiola aberta.
Já tem os olhos cegados
para que cante melhor
que o dono não é cantor.
Traz os colmilhos cerrados
vontades de mandador
e porque é dos mal mandados
julga assim mandar melhor
nos que lhe estão sujeitados,
passarinho da charneca.
Criei o corpo comendo
desta terra da charneca
ao entrar na cova aberta.
Só estou pagando o que devo,
eu sou devedor à terra.
A terra me está devendo,
a terra me está devendo.
A terra paga-me em vida,
Eu pago à terra em morrendo,
eu pago à terra em morrendo,
passarinho da charneca.
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Letra: Tradicional - Alentejo / João Pedro Grabato Dias
Música: Amélia Muge
Intérprete: Amélia Muge
(in CD "Todos os Dias", Columbia/Sony, 1994)
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Rompe a aurora, nasce o dia
iluminando o montado.
Como um hino à alegria
ouve-se balir o gado.
Roxo, verde e amarelo,
olho à volta é o que vejo.
Não há nada assim tão belo,
ó meu querido Alentejo.
Refrão:
Lindos campos verdejantes
matizados de papoilas,
já não são como eram antes
mondados pelas moçoilas.
Perfumados de poejo
os campos de solidão,
é assim o Alentejo
que trago no coração.
O melro canta no silvado,
o grilo no buraquinho,
e eu por ti apaixonado,
Alentejo, meu cantinho.
Refrão
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Poema: Hermínia Gaidão Costa (em memória de Margarida Gaidão)
Música: Hermínia Costa / Rodapé
Intérprete: Roda Pé
(in CD "Escarpados Caminhos", 2004) |
ROUXINOL REPENICA O CANTE
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Rouxinol repenica o cante
ao passar da passadeira.
Nunca mais tornas a Beja, oh ai,
sem passares à Vidigueira,
sem passares à Vidigueira,
sem ires beber ao falcante
e ao passar da passadeira, oh ai,
rouxinol repenica o cante.
Eu gosto muito de ouvir
cantar a quem aprendeu.
Se houvera quem me ensinara, oh ai,
quem aprendia era eu.
Rouxinol repenica o cante
ao passar da passadeira.
Nunca mais tornas a Beja, oh ai,
sem passares à Vidigueira.
Sem passares à Vidigueira,
sem ires beber ao falcante
e ao passar da passadeira, oh ai,
rouxinol repenica o cante.
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Letra e música: Popular; adaptação: Vitorino
Intérprete: Vitorino
(in "Os Malteses", Orfeu, 1977; "Negro Fado", EMI-VC, 1988)
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O mar deixou o Alentejo
onde trouxe canções de oiro
mas volta a matar saudades
mas ondas do trigo loiro.
Se fores ao Alentejo,
vai vai vai vai vai.
Não te esqueças, dá-lhe um beijo,
ai ai ai ai.
Nas capelas e nos montes
há sorrisos de brancura
onde fala a voz de Deus
na voz da cal e da alvura.
Sobe o sol e abrasa a terra
a fecundar as espigas
à sombra das azinheiras
na dolência das cantigas.
Por lonjuras e planuras,
oh solidão, solidão,
eu quero paz no trabalho
p'ra poder ganhar o pão.
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Popular do Alentejo |
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No nosso Alentejo
é tão lindo ouvir
cantar as ceifeiras,
ver as mondadeiras
no campo a sorrir.
Trigueira de raça,
quem te fez assim
ceifando os trigais,
ouvindo os teus ais
com pena de mim?
Eu por ti chorando
alegre e cantando
sinto o teu desejo,
linda trigueirinha,
linda alentejana,
dá-me cá um beijo.
À sombra da silva
é que eu adormeço
sonhando contigo.
Linda alentejana,
eu não te mereço.
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Popular Alentejano |
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