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AÇORES

Açores, montanha do Pico

Montanha do Pico

A HISTÓRIA QUE EU VOU CONTAR

[ Naufrágio ]

[ instrumental ]

A história que eu vou contar
Ouvi-a na minha aldeia,
Onde à noite a voz do mar
Murmura canções na areia.

História de pescadores
Do Cais Negro à Pontinha,
Onde há grandes senhores
Que bocejam à noitinha.

Foi o barco do Zé Tordo:
Partiu à noite p'ró mar
E na madrugada ao porto
O seu barco sem chegar.

Encheu-se a praia de gritos
Da gente da minha aldeia
Ao ver o corpo do Zé
Trazido na maré-cheia.

Ouvem-se vozes: «Coitado!
Cinco filhos e mulher
Sem uma côdea de pão,
Sem um abrigo sequer!»

E no enterro, à viúva,
Levando ao Zé muitas flores,
Prometem-lhe a sua ajuda
O povo e os grandes senhores.

[ instrumental ]

Mas dois anos já são passados,
Na praia da minha aldeia
Vêem-se cinco crianças
Brincando nuas na areia.

E da moral desta história
Tirem vossas conclusões:
Uma família não vive
Só de boas intenções.

E da moral desta história
Tirem vossas conclusões:
Uma família não vive
Só de boas intenções.

Letra: Cristóvão de Aguiar
Música: Tradicional (Charamba) (Ilha Terceira, Açores)
Intérprete: Afonso Dias* com Teresa Silva (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Primeira versão de Afonso Dias, com Teresa Silva (in CD "Andanças & Cantorias", Bons Ofícios - Associação Cultural, 2016)
Versão original: Duarte & Ciríaco (in EP "Nós: Canções Populares", Sonoplay, 1969)

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ESTA É A VEZ PRIMEIRA

[ Charamba ]

[ instrumental ]

É esta a vez primeira,
A vez primeira
Que neste auditório canto;
Em nome de Deus começo,
De Deus começo,
Padre, Filho, Esp'rito Santo.

A ausência tem uma filha,
Ai tem uma filha
Que se chama saudade;
Eu sustento mãe e filha,
Ai mãe e filha
Bem contra a minha vontade.

[ instrumental ]

Letra e música: Tradicional (Ilha Terceira, Açores)
Intérprete: Afonso Dias* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Primeira versão: Adriano Correia de Oliveira (in EP "Lira", Orfeu, 1968)
Outra versão de Adriano Correia de Oliveira (in LP "Cantigas Portuguesas", Orfeu, 1980; "Obra Completa": CD "Cantigas Portuguesas", Movieplay, 1994, 2007)

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ESTA NOITE NINGUÉM DANÇA

[ Manda Voltar (Chamarrita) ]

[ Instrumental ]

Esta noite ninguém dança,
Cantador não quer cantar;
Esta noite ninguém dança,
Pôs-se o homem a cismar:

«Já não cabe tanta ausência
Nesta terra frente ao mar;
Já não cabe tanta ausência,
Dura a vida, manda voltar!»

A filha do cantador
Foi p'ra longe trabalhar;
Não sei que vida deixou,
Que vida há-de ganhar.

«Deu-me um beijo, foi-se embora,
Era hora de ficar...
Deu-me um beijo, foi-se embora,
(Era hora) manda voltar!»

Foram novos, foram tantos,
Que viola há-de tocar?
Esta noite ninguém dança,
A Rita não quer chamar.

Vai-te embora, mandador!
Chama Rita ao seu lugar!
Água fora, vai-te embora!
Chama, chama, manda voltar!

[ Instrumental ]

P'ra que serve um mandador
Que não tem em quem mandar?
Esta noite ninguém dança, 
Cantador não quer cantar.

Vai-te embora, ó mandador!
Muda a sorte, manda virar! 
Água fora, vai-te embora!
Vira a vida, manda voltar!

Água fora, vai-te embora!
Chama, chama, manda voltar!
Água fora, pede, chora! 
Puxa, implora, manda voltar! 

[ Instrumental ]

Letra: Catarina Gouveia
Música: Tradicional (Açores)
Recolha: Artur Santos
Intérprete: Macadame* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Versão original: Macadame (in Livro/CD "Firmamento", Macadame, 2016)

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MINHA AVÓ QUANDO NASCEU

[ Balho da Povoação ]

[ instrumental ]

Minha avó quando nasceu
Eu já tinha três semanas;
Já vinha da Povoação
C'um saquinho de castanhas.

Ontem à noite eu fui ao balho
Mai-la minha rapariga;
Eu dei-lhe um beijo na testa
E um beliscão na barriga.

[ instrumental ]

Minha mãe quando nasceu
Eu já estava em São Vicente;
Minha mãe está teimosa,
Que nasceu à minha frente.

Oh, que linda rosa é esta
Tenho eu ao pé de mim!
P'lo cheirinho que ela deita
Parece que veio do jardim.

[ instrumental ]

Nesta terra não é uso
Ir pedir a filha ao pai:
Vai-se p'la escada acima,
«Senhor sogro, já cá vai!»

O balho da Povoação
Quem havia de inventar?
Foi a filha da padeira
Toda a noite a peneirar.

[ instrumental ]

Letra e música: Popular (ilha de São Miguel, Açores)
Arranjo: António Prata
Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in LP "Fados Velhos", Contradança, 1986, reed. Movieplay, 1998)
Segunda versão da Ronda dos Quatro Caminhos – "Fado da Povoação" (in 2CD "Alçude": CD 2, Ovação, 2001)

* Ronda dos Quatro Caminhos:
António Prata – bandolim, guitarra e 2.ª voz
Carlos Barata – acordeão, bandolim e 2.ª voz (voz solo em "Balho da Povoação")
João Oliveira – voz solo e guitarra
Pedro Fragoso – piano
Mário Peniche – baixo
Pedro Marques – baixo
Pedro Pitta Groz – bateria
Músicos convidados:
Beatrix Schmidt – harpa
Quarteto Opus 4:
Paula Pestana – 1.º violino
Rita Franco – 2.º violino
Pedro Teixeira – viola de arco
Luís Estêvão da Silva – violoncel

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Ó ÁGUA DO MAR, SALGADA

[ Mar Salgado ]

[ Instrumental ]

Oh água do mar, salgada,
Porque não adocicais?
Correm fontes e ribeiras...
Salgada cada vez mais.

Não há vida mais tirana
Do que a do homem do mar:
Nas ondas a morte à vista,
Em casa a fome a matar.

O mar tem ondas medonhas
Que levantam o furacão;
Eu tenho medo sem fim 
Do mar do meu coração.

[ Instrumental ]

Oh água do mar, salgada,
Porque não adocicais?
Correm fontes e ribeiras...
Salgada cada vez mais. 

Não há vida mais tirana
Do que a do homem do mar:
Nas ondas a morte à vista, 
Em casa a fome a matar. 

O mar tem ondas medonhas
Que levantam o furacão;
Eu tenho medo sem fim
Do mar do meu coração. 

[ Instrumental ]

Letra: Tradicional (Açores)
Música: Macadame
Intérprete: Macadame* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Versão original: Macadame (in Livro/CD "Firmamento", Macadame, 2016)

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QUERO-TE BEM

[ Instrumental ]

Quero-te bem, quero-te bem porque quero,
Quero-te bem porque és o meu amor;
Quero-te bem, quero-te bem porque quero,
Queira ou não queira a razão.

Quero-te bem sobre o bem
Com todo o meu bem-querer;
Quero-te bem dentro da alma
Sem te dar a entender.

Quero-te bem, quero-te bem sobre o bem,
Sobre o bem, sobre o bem a bem-querer;
Quero-te bem, quero-te bem, já te disse,
Hei-de amar-te até morrer!

Quero-te bem sobre o bem
Com todo o meu bem-querer;
Quero-te bem dentro da alma
Sem te dar a entender.

Quero-te bem sobre o bem
Com todo o meu bem-querer;
Quero-te bem dentro da alma
Sem te dar a entender.

[ Instrumental ]

Quero-te bem, quero-te bem porque quero,
Quero-te bem porque és o meu amor;
Quero-te bem, quero-te bem porque quero,
Queira ou não queira a razão.

Quero-te bem sobre o bem
Com todo o meu bem-querer;
Quero-te bem dentro da alma
Sem te dar a entender.

Quero-te tanto, quero-te tanto, meu bem!
Dizer-te o quanto, dizer-te o quanto eu não sei;
Quero-te ter, quero-te ter sobre o peito
Onde bate o coração!

Quero-te bem sobre o bem,
Sobre bem a bem-querer;
Quero-te bem, já te disse,
Hei-de amar-te até morrer!

Quero-te bem sobre o bem,
Sobre bem a bem-querer;
Quero-te bem, já te disse,
Hei-de amar-te até morrer! 

[ Instrumental ]

Letra: Tradicional (Açores)
Música: Macadame
Intérprete: Macadame* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Versão original: Macadame (in Livro/CD "Firmamento", Macadame, 2016)

* Macadame:
Vânia Couto – voz
Alexandre Barros – viola braguesa
Paulo Yoshida – baixo
Rui Macedo – guitarra eléctrica
João Fong – programação e teclados

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VAI DE RODA

[ Canção dançada ou 'moda' de baile ]

Vai de roda, vai de roda!
Vai de roda com primori!
Daqui desta região,
De quem há-de ser meu amori.

Hei-de cantar e bailar
Enquanto vida tiveri;
E depois, quando eu morrer,
Que cante e baile quem quiseri.

Os olhos do meu amor
São grãos de trigo na eira,
Semeados ao domingo
E nados à segunda-feira.

[ Instrumental ]

Vai de roda, vai de roda!
Vai de roda com primori!
Daqui desta região,
De quem há-de ser meu amori.

Hei-de cantar e bailar
Enquanto vida tiveri; 
E depois, quando eu morrer,
Que cante e baile quem quiseri.

Os olhos do meu amor
São grãos de trigo na eira,
Semeados ao domingo 
E nados à segunda-feira.

[ Instrumental ]

Letra e música: Tradicional (ilha de S. Miguel, Açores)
Recolha: Artur Santos (campanha de 1960) (in 4CD "O Folclore Musical nas ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de S. Miguel": CD 2, Açor/Emiliano Toste, 2001)
Intérprete: Macadame* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Primeira versão de Macadame (in Livro/CD "Firmamento", Macadame, 2016)

VIVA O VINHO RESCENDENTE

[ Ai Vinho do Pico ]

[ Instrumental ]

Viva o vinho rescendente     | bis
Que cresceu ao pé do mar   |
E se esvai tão de repente  | bis
Porque tem bom paladar!  |

[ Instrumental ]

Atlantis à flor da água      | bis
Tem Arinto lá no monte;   |
Vou beber a minha mágoa   | bis
No Czar da tua fonte.          |

[ Instrumental ]

O vinho acende o desejo,   | bis
Basalto, aquela emoção...   |
O Merlot sabe ao beijo     | bis
Deste amor, pura afeição. |

[ Instrumental ]

Dono da casa, amiguinho,   | bis
Tu não me dês uma nega:  |
Vamos lá provar o vinho      | bis
Que há na tua linda adega!  |

[ Instrumental ]

Letra: Victor Rui Dores
Música: Popular (Chamarrita do Pico, Açores)
Arranjo: Luís Bettencourt
Intérprete: Carlos Alberto Moniz* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Versão original: Carlos Alberto Moniz (in Livro/2CD "O Vinho dos Poetas": CD 2, Carlos Alberto Moniz/Ovação, 2014)

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