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AÇORES

Açores, montanha do Pico

Montanha do Pico

A HISTÓRIA QUE EU VOU CONTAR

Naufrágio

[ instrumental ]

A história que eu vou contar
Ouvi-a na minha aldeia,
Onde à noite a voz do mar
Murmura canções na areia.

História de pescadores
Do Cais Negro à Pontinha,
Onde há grandes senhores
Que bocejam à noitinha.

Foi o barco do Zé Tordo:
Partiu à noite p'ró mar
E na madrugada ao porto
O seu barco sem chegar.

Encheu-se a praia de gritos
Da gente da minha aldeia
Ao ver o corpo do Zé
Trazido na maré-cheia.

Ouvem-se vozes: «Coitado!
Cinco filhos e mulher
Sem uma côdea de pão,
Sem um abrigo sequer!»

E no enterro, à viúva,
Levando ao Zé muitas flores,
Prometem-lhe a sua ajuda
O povo e os grandes senhores.

[ instrumental ]

Mas dois anos já são passados,
Na praia da minha aldeia
Vêem-se cinco crianças
Brincando nuas na areia.

E da moral desta história
Tirem vossas conclusões:
Uma família não vive
Só de boas intenções.

E da moral desta história
Tirem vossas conclusões:
Uma família não vive
Só de boas intenções.

Letra: Cristóvão de Aguiar
Música: Tradicional (Charamba) (Ilha Terceira, Açores)
Intérprete: Afonso Dias* com Teresa Silva (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Primeira versão de Afonso Dias, com Teresa Silva (in CD "Andanças & Cantorias", Bons Ofícios - Associação Cultural, 2016)
Versão original: Duarte & Ciríaco (in EP "Nós: Canções Populares", Sonoplay, 1969)

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AI QUEM ME DERA PARTIR

Tema para Margarida

[instrumental]

Ai quem me dera partir
Na canoa da esperança
E ir ancorar noutras praias
Noutros varadouros
Ai quem me dera voltar
A gozar dos tesouros
Da felicidade que eu tinha
Quando era criança

Ai quem me dera ser garça
E voar no Canal
Só entre o Pico e o Faial
Me quedar dividida
Ai quem me dera mão firme
No leme da vida
Ai este amor que me mirra
Me mata e faz mal

Ai quem me dera de novo
As certezas e os medos
Ai quem me dera ter credos
E não ser indiferente
Ai o amor passa ao largo
Da vida da gente...
Ai já o tempo se escoa
Como areia entre os dedos...

[instrumental]

Ai quem me dera ser garça
E voar no Canal
Só entre o Pico e o Faial
Me quedar dividida
Ai quem me dera mão firme
No leme da vida
Ai este amor que me mirra
Me mata e faz mal

[instrumental]

Ai quem me dera partir
Na canoa da esperança
E ir ancorar noutras praias
Noutros varadouros
Ai quem me dera voltar
A gozar dos tesouros
Da felicidade que eu tinha
Quando era criança

Ai quem me dera ser garça
E voar no Canal
Só entre o Pico e o Faial
Me quedar dividida
Ai quem me dera mão firme
No leme da vida
Ai este amor que me mirra
Me mata e faz mal

[instrumental]

Letra e música: Aníbal Raposo (para a série ficcional "Mau Tempo no Canal", RTP-Açores, 1992)
Intérprete: Vânia Dilac* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Versão original: Piedade Rego Costa (in CD "7 Anos de Música", 2.ª edição, DisRego, 1992)
Outras versões: Aníbal Raposo (in CD "A Palavra e o Canto", Açor/Emiliano Toste, 2005)

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ESTA É A VEZ PRIMEIRA

Charamba

[ instrumental ]

É esta a vez primeira,
A vez primeira
Que neste auditório canto;
Em nome de Deus começo,
De Deus começo,
Padre, Filho, Esp'rito Santo.

A ausência tem uma filha,
Ai tem uma filha
Que se chama saudade;
Eu sustento mãe e filha,
Ai mãe e filha
Bem contra a minha vontade.

[ instrumental ]

Letra e música: Tradicional (Ilha Terceira, Açores)
Intérprete: Afonso Dias* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Primeira versão: Adriano Correia de Oliveira (in EP "Lira", Orfeu, 1968)
Outra versão de Adriano Correia de Oliveira (in LP "Cantigas Portuguesas", Orfeu, 1980; "Obra Completa": CD "Cantigas Portuguesas", Movieplay, 1994, 2007)

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ESTA NOITE NINGUÉM DANÇA

Manda Voltar (Chamarrita)

[ Instrumental ]

Esta noite ninguém dança,
Cantador não quer cantar;
Esta noite ninguém dança,
Pôs-se o homem a cismar:

«Já não cabe tanta ausência
Nesta terra frente ao mar;
Já não cabe tanta ausência,
Dura a vida, manda voltar!»

A filha do cantador
Foi p'ra longe trabalhar;
Não sei que vida deixou,
Que vida há-de ganhar.

«Deu-me um beijo, foi-se embora,
Era hora de ficar...
Deu-me um beijo, foi-se embora,
(Era hora) manda voltar!»

Foram novos, foram tantos,
Que viola há-de tocar?
Esta noite ninguém dança,
A Rita não quer chamar.

Vai-te embora, mandador!
Chama Rita ao seu lugar!
Água fora, vai-te embora!
Chama, chama, manda voltar!

[ Instrumental ]

P'ra que serve um mandador
Que não tem em quem mandar?
Esta noite ninguém dança, 
Cantador não quer cantar.

Vai-te embora, ó mandador!
Muda a sorte, manda virar! 
Água fora, vai-te embora!
Vira a vida, manda voltar!

Água fora, vai-te embora!
Chama, chama, manda voltar!
Água fora, pede, chora! 
Puxa, implora, manda voltar! 

[ Instrumental ]

Letra: Catarina Gouveia
Música: Tradicional (Açores)
Recolha: Artur Santos
Intérprete: Macadame* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Versão original: Macadame (in Livro/CD "Firmamento", Macadame, 2016)

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EU JÁ MORRI UMA VEZ

Chamarrita (Moda de baile)

[instrumental]

Eu já morri uma vez, [3x]
Ai o morrer achei tão doce:
Inda tornava a morrer [3x]
Ai se por tua causa fosse.

Vira e volta a Chamarrita [3x]
Ai p'ra o lado deste meu peito;
Se vens buscar saudades [3x]
Mete a mão, tira-as com jeito!

[instrumental]

Saudades me tem posto [3x]
Da grossura duma linha:
Já vejo que não arribo [3x]
Nem a caldos de galinha.

Vira e volta a Chamarrita [3x]
Ai p'ra o lado deste meu peito;
Se vens buscar saudades [3x]
Mete a mão, tira-as com jeito!

[instrumental]

Letra e música: Popular (Ilha de Santa Maria, Açores)
Informantes: Maria Adelaide de Sousa Cabral, Manuel Coelho de Menezes (vozes), José Paim Cabral e José de Andrade Chaves (violas de arame)
Recolha: Artur Santos (campanha de 1958) (in 12EP "O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora – Ilha de Santa Maria", Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1963; 2CD "O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora – Ilha de Santa Maria": CD 1, faixa 13, Açor/Emiliano Toste, 2002)
Arranjo, orquestração e harmonização do coro: Pedro Fragoso
Intérpretes: Ronda dos Quatro Caminhos* com a Orquestra Regional Lira Açoriana** & o Coro da Matriz de Santa Cruz da Graciosa*** (in CD "Sopas do Espírito Santo", Ocarina, 2017)

*** Coro da Matriz de Santa Cruz da Graciosa

Maestro – Ricardo Oliveira

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EU SOU MARINHEIRO

Irró (Erró)

[instrumental]

Eu sou marinheiro, eu sou
Contramestre de um vapor:
Embarquei numa galera
P'rás terras do meu amor.

[bis]  

Bate, padeirinha!
Bate, padeirão!
Quem quiser peixinho
Vai ao barracão,
Peixinho comprado
Numa banda só,
Folhinha rosada
Num dia de irró! 

Eu sou marinheiro, eu sou
Contramestre de um vapor:
Embarquei numa galera
P'rás terras do meu amor.

[bis]

S. Pedro e S. Paulo
Sejais minha guia,
Na terra, no mar
Minha companhia!
S. Pedro amado,
Livrai-me, sou réu,
Bolinete doirado
Caído do céu! 

Eu sou marinheiro, eu sou
Contramestre de um vapor:
Embarquei numa galera
P'rás terras do meu amor.

[bis]

Mastrinho sem vela
Mas com bujarrona,
Chapluca com Deus
Cheira a manjerona;
Em noite de calma
Brilha a lua cheia,
Canta sobre as águas
A linda sereia!

Eu sou marinheiro, eu sou
Contramestre de um vapor:
Embarquei numa galera
P'rás terras do meu amor.

[bis]

[instrumental]

Letra e música: Popular (Ilha de S. Miguel, Açores)
Arranjo e orquestração: Pedro Fragoso
Intérpretes: Ronda dos Quatro Caminhos* com a Orquestra Regional Lira Açoriana** & "Coro da Ressaca do Maia Folk"*** (in CD "Sopas do Espírito Santo", Ocarina, 2017)

*** "Coro da Ressaca do Maia Folk" – Ilha de Santa Maria

Direcção do coro para a gravação – António Prata

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MINHA AVÓ QUANDO NASCEU

Balho da Povoação

[ instrumental ]

Minha avó quando nasceu
Eu já tinha três semanas;
Já vinha da Povoação
C'um saquinho de castanhas.

Ontem à noite eu fui ao balho
Mai-la minha rapariga;
Eu dei-lhe um beijo na testa
E um beliscão na barriga.

[ instrumental ]

Minha mãe quando nasceu
Eu já estava em São Vicente;
Minha mãe está teimosa,
Que nasceu à minha frente.

Oh, que linda rosa é esta
Tenho eu ao pé de mim!
P'lo cheirinho que ela deita
Parece que veio do jardim.

[ instrumental ]

Nesta terra não é uso
Ir pedir a filha ao pai:
Vai-se p'la escada acima,
«Senhor sogro, já cá vai!»

O balho da Povoação
Quem havia de inventar?
Foi a filha da padeira
Toda a noite a peneirar.

[ instrumental ]

Letra e música: Popular (ilha de São Miguel, Açores)
Arranjo: António Prata
Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in LP "Fados Velhos", Contradança, 1986, reed. Movieplay, 1998)
Segunda versão da Ronda dos Quatro Caminhos – "Fado da Povoação" (in 2CD "Alçude": CD 2, Ovação, 2001)

* Ronda dos Quatro Caminhos:
António Prata – bandolim, guitarra e 2.ª voz
Carlos Barata – acordeão, bandolim e 2.ª voz (voz solo em "Balho da Povoação")
João Oliveira – voz solo e guitarra
Pedro Fragoso – piano
Mário Peniche – baixo
Pedro Marques – baixo
Pedro Pitta Groz – bateria
Músicos convidados:
Beatrix Schmidt – harpa
Quarteto Opus 4:
Paula Pestana – 1.º violino
Rita Franco – 2.º violino
Pedro Teixeira – viola de arco
Luís Estêvão da Silva – violoncel

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Ó ÁGUA DO MAR, SALGADA

Mar Salgado

[ Instrumental ]

Oh água do mar, salgada,
Porque não adocicais?
Correm fontes e ribeiras...
Salgada cada vez mais.

Não há vida mais tirana
Do que a do homem do mar:
Nas ondas a morte à vista,
Em casa a fome a matar.

O mar tem ondas medonhas
Que levantam o furacão;
Eu tenho medo sem fim 
Do mar do meu coração.

[ Instrumental ]

Oh água do mar, salgada,
Porque não adocicais?
Correm fontes e ribeiras...
Salgada cada vez mais. 

Não há vida mais tirana
Do que a do homem do mar:
Nas ondas a morte à vista, 
Em casa a fome a matar. 

O mar tem ondas medonhas
Que levantam o furacão;
Eu tenho medo sem fim
Do mar do meu coração. 

[ Instrumental ]

Letra: Tradicional (Açores)
Música: Macadame
Intérprete: Macadame* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Versão original: Macadame (in Livro/CD "Firmamento", Macadame, 2016)

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Ó MÃE, ACENDE UMA CANDEIA

Balada da Candeia  

Ó mãe, acende uma candeia
Que tenho medo desta noite tão escura
Ó mãe, acende uma candeia
Que tenho medo do assombro da lonjura
Nuvem negra na manhã
Se chover, há-de escampar
Traz um búzio, minha irmã
Quero ouvir a voz do mar
Faça chuva, faça sol
Nesta longa travessia
Hás-de ser o meu farol
Hás-de ser a minha guia

Ó mãe, acende uma candeia
Que tenho medo desta noite tão escura
Ó mãe, acende uma candeia
Que tenho medo do assombro da lonjura
Triste sorte a do soldado
Lutas, guerras, perdições
Triste sonho amputado
Onde morrem as canções
Rio de tantos venenos
De zagaias e punhais
Selva de tantos enganos
Aziagos, tão fatais

Ó mãe, acende uma candeia
Que tenho medo desta noite tão escura
Ó mãe, acende uma candeia
Que tenho medo do assombro da lonjura

[bis]

Letra e música: José Medeiros (Ao João Lóio, à Regina Castro e ao Fernando Rangel)
Arranjo: José Medeiros, com a colaboração de todos os músicos
Intérprete: José Medeiros* (in Livro/2CD "Fados, Fantasmas e Folias": CD 2, Algarpalcos, 2010)

* Paulo Bettencourt – viola acústica
Térinho – piano
Paulo Borges – acordeão
Maninho (Williams Florêncio do Nascimento) – baixo eléctrico
Paulo Andrade – percussão
Helena Oliveira, Paula Santos, Gianna de Toni, Marta Rocha Pereira, Pilar Silvestre, Pedro Silva e José Medeiros – vozes
Produção – Eduardo Manuel, João Domingos (Algarpalcos) e José Medeiros
Gravado por Raul Resendes, na "Catedral"/Cine-Solmar (Ponta Delgada, Ilha de São Miguel)
Misturas – Raul Resendes
Masterização – António Pinheiro da Silva

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O MEU NOME É ISMAEL

Moby Dick (A Canção de Ismael)

O meu nome é Ismael
Já me vou fazer ao mar
Vou às sete partidas do mundo
Tempo de zarpar
Nesta barca baleeira
Levo a lança e o arpão
Das Américas aos mares do sul
Minha assombração
Das canções de marinhagem

Sei de lendas e rumores,
Quem será o trancador de Moby Dick?
As canções de marinhagem
Rasgando o mar dos Açores,
Quem será o matador de Moby Dick?
Já se avista um cachalote
Rema, rema, remador
Meu desencontrado coração
Parece um tambor
Na esteira, no meu bote
Meu alento, meu afã
Rema, rema, vamos arpoar
O Leviatã

Ó serpente fugidia
Dos abismos do mar,
Já escuto este clamor:
É Moby Dick!
Assombrada profecia
Vens do fundo do mar
Reconheço com temor que é Moby Dick!
Ó Ahab, ó velho lobo
Comandante desta nau
Coração de ferro, olhar de fogo
E perna de pau
Já conheço a tua lei
Ó sombrio caçador
Só a morte da baleia branca
Mata a tua dor
Ó sombrio capitão
Teu intento é fatal
Hás-de ser o trancador de Moby Dick
Ó sombrio capitão
Teu sangrento ritual
Vais morrer no teu rancor por Moby Dick

[instrumental]

 Letra e música: José Medeiros
Arranjo: Paulo Borges
Intérprete: José Medeiros* (in Livro/2CD "Fados, Fantasmas e Folias": CD 1, Algarpalcos, 2010)

* Paulo Borges – harmónio, piano, viola acústica, low-whistle e acordeão
Massimo Cavalli – contrabaixo
Gil Alves – flauta
Ruben Santos – trombone
Quiné (Joaquim Manuel Teles) – bateria
José Medeiros – voz
Produção – Eduardo Manuel, João Domingos (Algarpalcos) e José Medeiros
Gravado por Rui Guerreiro, no Estúdio de Vale de Lobos (Almargem do Bispo, Sintra)
Misturas – Rui Guerreiro
Masterização – António Pinheiro da Silva

TOPO

 

Ó SAPATEIA, TEIA

Canção Açoriana (Sapateia, Teia, Teia)

Ó sapateia, teia, teia que me prende
Neste novelo de tantas inquietações
Amarga e doce minha lira que se acende
Nesta viola que há-de ter dois corações

Pedras tão negras tatuadas pelo vento
Pedras queimadas pelo rocio do mar
São sentinelas da saudade, do lamento
De estar tão longe, meu amor, do teu olhar

Vai, minha galera
Navegar o mar imenso
Nas marés que o tempo amanheceu
Nesta longa espera
Sei que ainda te pertenço
Pois sei que a nossa lira não morreu

[instrumental]

Ó sapateia, teia, teia que me prende
Neste novelo de tantas inquietações
Amarga e doce minha lira que se acende
Nesta viola que há-de ter dois corações

Pedras tão negras tatuadas pelo vento
Pedras queimadas pelo rocio do mar
São sentinelas da saudade, do lamento
De estar tão longe, meu amor, do teu olhar

Vai, minha galera
Navegar o mar imenso
Nas marés que o tempo amanheceu
Nesta longa espera
Sei que ainda te pertenço
Pois sei que a nossa lira não morreu [bis]

 Letra e música: José Medeiros (Ao Hermenegildo Galante)
Arranjo: Paulo Borges e José Medeiros
Intérprete: José Medeiros* (in Livro/2CD "Fados, Fantasmas e Folias": CD 1, Algarpalcos, 2010)

* Paulo Borges – piano
Eduardo Botelho – viola de dois corações
Minela Medeiros, Marta Rocha Pereira, Pilar Silvestre, Helena Oliveira, José Palmeiro e José Medeiros – vozes
Produção – Eduardo Manuel, João Domingos (Algarpalcos) e José Medeiros
Gravado por Rui Guerreiro, no Estúdio de Vale de Lobos (Almargem do Bispo, Sintra), e por Eduardo Botelho e Raul Resendes, na "Catedral"/Cine-Solmar (Ponta Delgada, Ilha de São Miguel)
Misturas – Rui Guerreiro
Masterização – António Pinheiro da Silva

TOPO

 

QUANDO O MENINO NASCEU

Canto de peditório

[instrumental]

Quando o Menino nasceu [bis]
(Ai) P'ra salvar a toda a gente, [bis]
Uma estrela apareceu [bis]
(Ai) Aos três Reis do Oriente. [bis]

Quando a estrela avistaram, [bis]
(Ai) Compreenderam-na bem: [bis]
Sem demora caminharam [bis]
(Ai) Atrás dela p'ra Belém. [bis]

[instrumental]

Quando o Menino nasceu [3x]
P'ra salvar a toda a gente...

O Menino foi dormir; [bis]
(Ai) Ninguém o vem acordar [bis]
Pois só os anjos do Céu [bis]
(Ai) O podem vir visitar. [bis]

Sete estrelas nos guiam [bis]
(Ai) Todas a par com a Lua: [bis]
Nossa Senhora no meio, [bis]
(Ai) Mais formosa que nenhũa. [bis]
Quando o Menino nasceu... [bis]

Letra e música: Popular (Lomba do Pomar - Povoação, Ilha de S. Miguel, Açores)
Informante: Manuel Duarte Teixeira (primeira voz), Arsénio Machado da Silva, Cristiano Cardoso, Tobias Furtado Bravo (duas violas de arame, ferrinhos e segundas vozes)
Recolha: Artur Santos (campanha de 1960) ("Os Reis", in 7LP "O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora – Ilha de S. Miguel", Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1965; 4CD "O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora – Ilha de S. Miguel": CD 2, faixa 7, Açor/Emiliano Toste, 2001)
Arranjo, orquestração e harmonização do coro: Pedro Fragoso
Intérpretes: Ronda dos Quatro Caminhos* com a Orquestra Regional Lira Açoriana** & o Coro Pactis*** (in CD "Sopas do Espírito Santo", Ocarina, 2017)
Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in LP "Ronda dos Quatro Caminhos", Rádio Triunfo, 1984, reed. Movieplay, 1997)

*** Coro Pactis – Ilha Terceira

TOPO

 

QUERO-TE BEM

[ Instrumental ]

Quero-te bem, quero-te bem porque quero,
Quero-te bem porque és o meu amor;
Quero-te bem, quero-te bem porque quero,
Queira ou não queira a razão.

Quero-te bem sobre o bem
Com todo o meu bem-querer;
Quero-te bem dentro da alma
Sem te dar a entender.

Quero-te bem, quero-te bem sobre o bem,
Sobre o bem, sobre o bem a bem-querer;
Quero-te bem, quero-te bem, já te disse,
Hei-de amar-te até morrer!

Quero-te bem sobre o bem
Com todo o meu bem-querer;
Quero-te bem dentro da alma
Sem te dar a entender.

Quero-te bem sobre o bem
Com todo o meu bem-querer;
Quero-te bem dentro da alma
Sem te dar a entender.

[ Instrumental ]

Quero-te bem, quero-te bem porque quero,
Quero-te bem porque és o meu amor;
Quero-te bem, quero-te bem porque quero,
Queira ou não queira a razão.

Quero-te bem sobre o bem
Com todo o meu bem-querer;
Quero-te bem dentro da alma
Sem te dar a entender.

Quero-te tanto, quero-te tanto, meu bem!
Dizer-te o quanto, dizer-te o quanto eu não sei;
Quero-te ter, quero-te ter sobre o peito
Onde bate o coração!

Quero-te bem sobre o bem,
Sobre bem a bem-querer;
Quero-te bem, já te disse,
Hei-de amar-te até morrer!

Quero-te bem sobre o bem,
Sobre bem a bem-querer;
Quero-te bem, já te disse,
Hei-de amar-te até morrer! 

[ Instrumental ]

Letra: Tradicional (Açores)
Música: Macadame
Intérprete: Macadame* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Versão original: Macadame (in Livro/CD "Firmamento", Macadame, 2016)

* Macadame:
Vânia Couto – voz
Alexandre Barros – viola braguesa
Paulo Yoshida – baixo
Rui Macedo – guitarra eléctrica
João Fong – programação e teclados

TOPO

 

RODA, RODA, ROTATIVA

[som de uma rotativa]

Roda, roda, rotativa
Roda, roda, rotativa
Teu cantar é um lamento
Meu coração à deriva
Meu coração à deriva
Como um peixe catavento
Roda, roda, rotativa
Roda, roda, rotativa
Teu cantar é sempre igual
Repetida narrativa
Repetida narrativa
Rotineiro ritual
Vai, António Malaquias
Vai, António Malaquias
Já é tempo de zarpar
De rasgar as levadias
De rasgar as levadias
E os segredos que há no mar

Vai, António Malaquias
Vai, António Malaquias
Já é tempo de zarpar
De rasgar as levadias
De rasgar as levadias
E os segredos que há no mar

A rotativa do tempo
A imprimir sonhos e quimeras
Neste tão cinzento quotidiano
Enquanto as luzes da cidade
Vão coreografando a sua dança de sombras
Dança de sombras, rasgos de luz...
Vai, António Malaquias!
Recusa a tua solidão
Que há um batel à tua espera!
Olha! Olha o sorriso da lua nas criptomérias
Enfeitando a noite de miragens e de segredos!
Vai, António Malaquias! Vai!

Letra e música: José Medeiros
Arranjo: José Medeiros, com a colaboração de todos os músicos
Intérprete: José Medeiros* (in Livro/2CD "Fados, Fantasmas e Folias": CD 2, Algarpalcos, 2010)

TOPO

 

SÃO GONÇALO DOS MILAGRES

S. Gonçalo Viageiro

[instrumental]

S. Gonçalo dos milagres
Que mal te fizemos nós,
Que ainda estamos solteiros 
Podendo já ser avós?!

Prometi a S. Gonçalo
Que lhe dava uma tijela...
Mas não tenho senão uma, 
Se lha dou fico sem ela.

[instrumental]

S. Gonçalo me chamou
Pela porta da cozinha
Para ir jantar com ele
Uma perna de galinha.

Já está velho S. Gonçalo,
De velho caiu-lhe os dentes;
Deus dê saúde às moças
Que lhe deram papas quentes! 

[instrumental]

Letra e música: Popular (Açores)
Arranjo: António Prata e Carlos Barata
Orquestração: Vasco Pearce de Azevedo
Intérpretes: Ronda dos Quatro Caminhos* com a Orquestra Regional Lira Açoriana** & o Grupo Coral da Horta*** (in CD "Sopas do Espírito Santo", Ocarina, 2017)
Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in CD "Recantos", Polygram, 1996; CD "A Arte e a Música", Universal. 2004)

*** Grupo Coral da Horta – Ilha do Faial
Maestro – José Maria Silva

* Ronda dos Quatro Caminhos:
António Prata – guitarra, bandolim
Carlos Barata – acordeão, bandolim
João Oliveira – voz solo, guitarra acústica
Mário Peniche – baixo
Pedro Fragoso – piano, guitarra
Pedro Pitta Groz – bateria
Convidados especiais e membros eméritos da Ronda:
Maestro Vasco Pearce de Azevedo – guitarra
Jaume Pradas – congas

** Orquestra Regional Lira Açoriana:
As gravações com a Orquestra Regional Lira Açoriana foram realizadas no Teatro Miramar, Rabo de Peixe, em Outubro de 2015.
Gravação e masterização – Miguel Salema
Misturas – Miguel Salema, com António Prata, Carlos Barata, Pedro Fragoso, Vasco Azevedo, e ainda com a colaboração de todos os músicos da Ronda

TOPO

 

TUQUE, BATUQUE

Batuque (Moda de baile)

[instrumental]

Tuque, batuque,
Batuque, meu bem!
Quem me dera ter
O que o batuque tem...

Tuque, batuque,
Torna a batucar!
Meninas bonitas
Vão p'ra o seu lugar.

Tuque, batuque, 
Por trás do frontal...
Perdi uma agulha,
Achei um dedal. 

Tuque, batuque, 
De noite ao serão...
Ouvem-se violas,
Que lindas que são!

[instrumental]

Tuque, batuque,
De noite ao serão...
Ouvem-se violas,
Que lindas que são!

Tuque, batuque,
Torna a batucar!
Meninas bonitas
Vão p'ra o seu lugar.

Letra e música: Popular (Ilha de Santa Maria, Açores)
Informantes: Angelina Cabral (voz), António da Luz e José de Andrade Chaves (violas de arame)
Recolha: Artur Santos (campanha de 1958) (in 12EP "O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora – Ilha de Santa Maria", Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1963; 2CD "O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de Santa Maria": CD 2, faixa 13, Açor/Emiliano Toste, 2002)
Arranjo, orquestração e harmonização do coro: Carlos Barata
Intérpretes: Ronda dos Quatro Caminhos* com a Orquestra Regional Lira Açoriana** & o Coro da Associação José Damião de Almeida*** (in CD "Sopas do Espírito Santo", Ocarina, 2017)
Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in LP "Cantigas do Sete-Estrelo", Rádio Triunfo, 1985, reed. Movieplay, 1997)
Outra versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in CD "Uma Noite de Música Tradicional", Polygram, 1993; CD "A Arte e a Música", Universal. 2004)

*** Coro da Associação José Damião de Almeida – Ilha de S. Jorge
Maestrina – Marla Monteiro

TOPO

 

VAI DE RODA

Canção dançada ou 'moda' de baile

Vai de roda, vai de roda!
Vai de roda com primori!
Daqui desta região,
De quem há-de ser meu amori.

Hei-de cantar e bailar
Enquanto vida tiveri;
E depois, quando eu morrer,
Que cante e baile quem quiseri.

Os olhos do meu amor
São grãos de trigo na eira,
Semeados ao domingo
E nados à segunda-feira.

[ Instrumental ]

Vai de roda, vai de roda!
Vai de roda com primori!
Daqui desta região,
De quem há-de ser meu amori.

Hei-de cantar e bailar
Enquanto vida tiveri; 
E depois, quando eu morrer,
Que cante e baile quem quiseri.

Os olhos do meu amor
São grãos de trigo na eira,
Semeados ao domingo 
E nados à segunda-feira.

[ Instrumental ]

Letra e música: Tradicional (ilha de S. Miguel, Açores)
Recolha: Artur Santos (campanha de 1960) (in 4CD "O Folclore Musical nas ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de S. Miguel": CD 2, Açor/Emiliano Toste, 2001)
Intérprete: Macadame* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Primeira versão de Macadame (in Livro/CD "Firmamento", Macadame, 2016)

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VIVA O VINHO RESCENDENTE

Ai Vinho do Pico

[ Instrumental ]

Viva o vinho rescendente
Que cresceu ao pé do mar 
E se esvai tão de repente
Porque tem bom paladar! 

[ Instrumental ]

Atlantis à flor da água
Tem Arinto lá no monte;
Vou beber a minha mágoa
No Czar da tua fonte. 

[ Instrumental ]

O vinho acende o desejo,
Basalto, aquela emoção... 
O Merlot sabe ao beijo
Deste amor, pura afeição.

[ Instrumental ]

Dono da casa, amiguinho, 
Tu não me dês uma nega:
Vamos lá provar o vinho
Que há na tua linda adega!

[ Instrumental ]

Letra: Victor Rui Dores
Música: Popular (Chamarrita do Pico, Açores)
Arranjo: Luís Bettencourt
Intérprete: Carlos Alberto Moniz* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Versão original: Carlos Alberto Moniz (in Livro/2CD "O Vinho dos Poetas": CD 2, Carlos Alberto Moniz/Ovação, 2014)

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