barítono José de Freitas

JOSÉ DE FREITAS

José de Freitas, de nome completo José Cirilo de Freitas Silva, nasceu na Madeira e foi padre da Congregação da Missão (Padres Vicentinos). Já depois de padre, estudou nos conservatórios do Porto e de Lisboa, onde concluiu o Curso Superior de Canto com excelente classificação. Em 1978 tornou-se artista residente do Teatro Nacional de São Carlos onde se estreou com Schaunard em La Bohème. Foi intérprete de importantes papéis de barítono e de baixo-barítono em Portugal e no estrangeiro. Foi também regente de coros e compositor de cânticos litúrgicos.

ENTREVISTA

Qual foi o primeiro momento em que se lembra de ter tido consciência de que a música era importante para si?

O primeiro momento?! Preferiria falar de uma pequena série de momentos… Concretizando: No meu 5º ano do seminário (hoje 9º ano), cerca dos 16 anos, quando a chamada “mudança de voz” era já algo acentuada, o meu ilustre professor de música, Padre António Ferreira Telles, poucos dias após ter-me convidado para tocar harmónio em algumas cerimónias litúrgicas (ele era o harmonista oficial, obviamente) e pedir-me para, alternadamente com outro colega, iniciar os cânticos na liturgia (o equivalente a solista), veio falar comigo na véspera da festa do Padroeiro do seminário (S. José), e disse-me: “Confio muito em ti para “segurares” a 4ª voz na missa solene de amanhã.” Ora aí tem um “puzzle” com bastante significado na minha “consciência musical” de jovem seminarista…

Quais os professores que mais o influenciaram no tempo de seminário?

Vou referir-me apenas a professores de música, obviamente. Desde os primeiros anos, tive uma veneração especial por um ilustre mestre, muito “sui generis”, mas muito competente e sabedor: o Padre António Ferreira Telles, a que atrás aludi. Era excelente harmonista, compositor, ótimo harmonizador. O Pe. Fernando da Cunha Carvalho, felizmente ainda entre nós, também teve influência na minha orientação musical, e não só. Mas vou salientar, sem querer ser injusto para os atrás citados e porventura outros, o Pe. João Dias de Azevedo, que muito me ajudou sobretudo no harmónio e no órgão, no Seminário de Mafra, onde fiz o meu noviciado (1954-1956). Nesse período, cheguei a tocar órgão em algumas celebrações dominicais e festas na Basílica de Mafra… E, para completar os anos do seminário, não poderei omitir o Pe. Fernando Pinto dos Reis (1929-2010).

Depois de ir para o seminário e de ser padre, quando é que se apercebeu de que cantar era o mais importante na sua vida profissional?

Como disse, cedo me iniciei e fui crescendo na função de solista. Continuei-a ao longo de todo o curso, alternando-a com o múnus de harmonista. Terminado o curso, fui incumbido da disciplina de Música (além de outras), no seminário menor. O concílio do Vaticano II acabava de privilegiar o vernáculo na liturgia. Iniciei a renovação de todo o repertório vigente. Eu próprio dei largas a uma velha paixão e iniciei a composição de cânticos em português, incluindo o “ordinário” e o “próprio” da missa para determinadas solenidades, além de outros cânticos circunstanciais. Aconselhado por não poucos, matriculei-me no Conservatório do Porto. Canto? Composição? Duas paixões. Muito incitado e encorajado pela professora D. Isabel Mallaguerra, decidi-me mais seriamente pelo canto, sem descurar a composição musical.

Após o curso geral de canto no Conservatório do Porto, vim a concluir o Curso Superior no Conservatório Nacional com a professora D. Helena Pina Manique. Com o programa do exame do curso superior concluído com alta classificação, fui convidado para vários recitais em Lisboa e não só. Iniciei logo de seguida o curso de ópera com o professor Álvaro Benamor e D. Helena Pina Manique. Fui admitido no Coro Gulbenkian, onde estive durante alguns meses até seguir para Paris com uma bolsa de estudos.

O diretor do Teatro Nacional de São Carlos, Eng. João Paes, que já me ouvira no Conservatório, convidou-me para, temporariamente, interromper o estágio em Paris e vir a Lisboa preparar o desempenho de um importante papel numa ópera portuguesa. Bem sucedido, pediu-me para, após o estágio parisiense, seguir para Florença, afim de preparar, com o famoso Gino Bechi, o importantíssimo papel de primeiro barítono (Lord Enrico d’Ashthon) da ópera Lucia di Lamermoor, de Donizetti. Cantei esse papel em novembro de 1977, no Teatro Rivoli (Porto)…

Toda esta “bola de neve” a partir da conclusão do curso superior de canto em 1974, todo o incrível desencadear de situações até finais de 1977, todo o ano de 1977 sobretudo, tudo isso responde à sua pergunta… Parafraseando, em contraste, um fadista, diria: “Ser cantor não foi meu sonho, mas cantar foi o meu fado…”

Dos anos em que estudou Música e Canto, que professores tiveram uma influência mais decisiva?

Nos conservatórios do Porto e de Lisboa, tive a felicidade de ser orientado respetivamente pelas professoras D. Isabel Mallaguerra e D. Helena Pina Manique, e ainda, por algum tempo, pela D. Arminda Correia, sem esquecer o Prof. Álvaro Benamor (cena).

Em Paris, como olvidar o trabalho com a famoso baixo Huc-Santana e o não menos célebre barítono Gabriel Bacquier? Em Itália, e aqui em Portugal, Gino Bechi foi simplesmente precioso no trabalho vocal e cénico. Este famoso barítono, que também me honrava com a sua amizade, cantou nos anos 40, em todos os grandes palcos do mundo. A sua famosa “entrega” aos espetáculos e nos espetáculos, quer cenicamente mas sobretudo vocalmente, levou-o a tal desgaste que teve de terminar a sua carreira por volta dos 40 anos, precisamente com a idade com que eu comecei…

Foi difícil deixar de ser padre e optar pela carreira musical?

Quando, em finais dos anos 60, me matriculei no Conservatório do Porto, confesso que o meu sonho era dar uma componente artística à minha missão de padre.

Começaram a surgir, porém, situações que não deixaram de me ir perturbando. Alguma confusão começou a instalar-se nos meus horizontes… Estávamos em pleno pós-74… Sobretudo a partir de 1977, comecei a sentir-me ultrapassado pelos acontecimentos. Tinham de ser tomadas decisões… Não podia viver na ambiguidade!… Houve muitas dúvidas, muitas incertezas… O meu Padre Provincial de então propôs-me fazer as duas coisas: padre e cantor… Tudo se desenrolava vertiginosamente… Eram convites para concertos, para óperas, etc.
Cheguei mesmo a atuar durante não pouco tempo, estando ainda no exercício do ministério… Fui chegando à conclusão de que as duas funções não faziam grande sentido… Em finais de 1978, acabei por tomar a decisão: pedi para Roma a dispensa do exercício das ordens. Não tive resposta fácil. Demorou mais de dois anos. Pelo meio, um apelo a que repensasse…

Qual foi o papel da Igreja na sua vida musical?

Primeiramente, como é obvio, penso em todo o curso do seminário. Para além de todos os aspetos da formação, a música da Igreja, o canto gregoriano, ocupou uma grande parte desse período, quer na teoria, quer na prática. O nosso Cantuale, um livro específico da Congregação da Missão com os mais belos cânticos gregorianos e muitos outros, a uma ou mais vozes, dominou grande parte desses anos, as nossas vozes e as nossas almas.

No seminário Maior, durante o curso de filosofia e teologia, para além das mais belas obras de polifonia sacra, cantávamos, todos os domingos e festas, o “comum” e o “próprio” em gregoriano, de acordo com o emblemático Liber Usualis, a mais completa obra do canto da Igreja. Tudo isto, naturalmente acompanhada da parte teórica, marca indelevelmente a minha personalidade e a minha formação musical. E não esqueço que quase sempre, alternadamente, fui organista e solista…

Após a ordenação, seguiram-se anos dominados pelo Concílio do Vaticano II, com uma série extraordinária de documentos sobre a música e a liturgia em vernáculo,com o aparecimento de excelentes compositores. E foram sempre surgindo, com os diversos papas, importantes documentos sobre a música litúrgica. Não posso esquecer os “famosos” cursos gregorianos de Fátima que frequentei.

Durante os anos 1977-1995, em que a vida artística teve o seu lado prioritário, nunca deixei de estar atento aos documentos da Igreja sobre música sacra e à obra de excelentes compositores que temos.

A partir de 1997, já no pós – S. Carlos, a pedido do meu grande amigo Conégo José Serrasina que acabava de ficar à frente da Paróquia dos Anjos, em Lisboa– a minha paróquia -, comecei a orientar o coro paroquial, tomando a peito a renovação dos cânticos e a dinamização litúrgica. Baseava-me sempre nos textos de cada celebração. Após 5 anos de intenso e profícuo trabalho, abracei outro projeto – na Capela do Palácio da Bemposta (Academia Militar), onde colaborei durante 13 anos (2003 – 2016). Durante este período, compus dezenas de cânticos que vieram a ser publicados pela Academia Militar, em 2012, num volume com o título Deus é Amor. Porque o “contexto” de então era “específico”, o referido volume irá “sofrer” brevemente substancial alteração.

Qual foi a maior deceção na sua vida?

Se me permite, não apresentaria uma mas duas deceções, e ambas no âmbito do mundo lírico. A primeira, logo de início. Tinha feito 40 anos. Eram diferentes, agora, o sonho e o ideal. Imaginava que perante mim, ia surgir um meio pleno de elevação, um ambiente superior, de arte, de cultura, etc. Cedo, porém, fui verificando e concluindo que as cores que sonhara belas, não, não o eram assim tanto… A realidade era bastante mais prosaica… Bem!… Respirei fundo, bem fundo, passe a expressão… E, vamos a isso!… Mas vamos mesmo! O desafio que ora iniciava era para ganhar, era mesmo para vencer!… E foi! Não tive o caminho atapetado de rosas, longe disso, muito longe! Foram necessárias uma fibra excecionalmente forte como considero ter, uma fé inabalável em Deus como efetivamente tenho, e também, obviamente, uma grande confiança nos talentos que Deus me deu, aliados à formação que tive (não poderei esquecê-lo!) E…aí vou eu!… E nem tudo foram espinhos, digamos em abono da verdade. Tive um público que me admirava e apoiava bastante, excelentes e excecionais críticas, outras nem tanto… E, entre um pessoal que rodava as três centenas (coro, orquestra, cantores, técnicos, etc), tive não poucos amigos e admiradores! Não esqueço que, logo no começo, nos primeiros ensaios, vi lágrimas nos olhos de algum do pessoal, ao verem a minha entrada enérgica, decidida, confiante, e pensando no “mundo” donde acabava de chegar… aos 40 anos!…

A segunda deceção foi no fim. Em finais de 92, a SEC, tendo à frente o Dr. Pedro Santana Lopes, achou por bem dissolver a Companhia Portuguesa de Ópera (cantores, orquestra, etc). Éramos 14 os cantores principais. Mesmo tendo em conta que eu continuava a cantar no país e não só, esta foi sem dúvida uma grande deceção. Aos 55 anos, encontrava-me no ponto mais alto da carreira, a nível vocal e cénico, na minha opinião e na de quantos me conheciam e ouviam! Esperava estar “em grande” mais uma boa dezena de anos… Lembrei-me então das palavras de Gino Bechi, quando, certo dia, nos anos 80, após fazer as célebres e espetaculares demonstrações, vocais e cénicas, durante um ensaio, e quando já contava perto dos 80 anos, teve este desabafo: “Agora é que eu sei cantar!”

Pois é!… Parafraseando o meu mestre, diria: “Agora… é que eu sabia cantar!…”

Qual foi o momento mais alto da carreira como cantor lírico?

Desempenhei os mais diversos papéis de 1º barítono, de baixo-barítono, papéis característicos, enfim, foram cerca de 50… Nunca tive um fracasso nos meus desempenhos. Pelo contrário! Escolher o momento mais alto?!… É difícil!… Estou a lembrar-me de não poucos… Do “Le Grand-Prêtre de Dagom” da ópera Samson et Dalila, de Saint-Saëns, em 1983. Quis preparar o papel em Lyon com o meu ex-professor de Paris, o grande barítono Gabriel Bacquier. Estou a recordar-me do “Dulcamara” da ópera L’Elisir d’Amore, de Donizetti, em 1984 e 1985… Do “Rocco”, da ópera Fidelio de Beethoven… Enfim, não vou alongar-me na citação de outras boas e belas hipóteses…

Mas vou escolher como momento mais alto uma ópera fora do estilo clássico: a ópera Kiú, do compositor espanhol Luís de Pablo, levada à cena em 1987 no Teatro Nacional de São Carlos. O meu papel de Babinshy, o pivô da ópera, na sua grande espetacularidade e dificuldade vocal e cénica, foi na verdade um momento muito alto na minha carreira! Não foi por acaso que o próprio compositor Luís de Pablo e o maestro Jesús Ramón Encimar me convidaram, 5 anos depois (dezembro de 1992 – janeiro de 1993), para interpretar em Madrid o mesmo papel!…

Quais foram os cantores líricos mundiais que mais o inspiraram?

Estavam na moda, nos anos 60, cantores líricos que deveras nos entusiasmavam. Lembro-me, por exemplo, de Mário Lanza, de Luís Mariano, de Alfredo Krauss que vim a conhecer em São Carlos, e com o qual contracenei, inicialmente, num ou noutro pequeno papel. E vários outros, quase todos tenores. O meu tipo de voz é de barítono ou de baixo-barítono. Mas foi sobretudo a partir do Curso Superior de Canto que comecei a interessar-me por vozes líricas, o que é absolutamente natural. Dado o meu tipo de voz, cerca de cinco ou seis cantores internacionais dominavam particularmente os meus gostos. Comecemos pelos alemães Dietrich Fischer-Dieskau e Hermann Prey, barítonos. O primeiro, absolutamente excecional em lied, tendo cantado praticamente tudo o que havia nesse domínio. Muitos o consideraram o maior músico do século XX. Foi inclusivamente maestro de música sacra. Ouvi-o ao vivo em Paris. Hermann Prey era superior como ator. As suas interpretações em óperas de Mozart, Rossini, Donizetti ficaram memoráveis. Outros dois barítonos ou baixo-barítonos, Fernando Corena e Rolando Panerai, eram também grandes cantores e atores, mais característicos que os anteriores. Outro barítono que, vocalmente (não cenicamente) me enchia as medidas, era Piero Cappuccilli. Era um barítono a que eu chamaria heróico-dramático, com uma incrível potência de voz. Jamais esquecerei o seu desempenho em Simon Boccanegra de Verdi, no São Carlos…

Poderia obviamente alongar-me, no que às vozes masculinas diz respeito. Mas também não posso deixar de me referir a vozes femininas que, além de nós deixarem siderados, tanto nos ensinaram! Antes de mais, Maria Callas!… Depois, uma Victoria de los Angeles que cheguei a ouvir na Gulbenkian. Fiorenza Cossotto, Mirella Freni, Christa LudwigMonserrat Caballé que ouvi em Paris dirigida por Leonard Bernstein… Uma Joan Sutherland, La Stupenda, a tal que cantou a Traviata no Coliseu na famosa noite de 24 para 25 de abril de 1974, com o já citado Alfredo Kraus… E eu estava lá!…

Quais os músicos portugueses mais influentes na sua carreira?

Por músicos, entendo compositores, professores, pianistas, ensaiadores, “pontos”, cantores, e, porque não, críticos… Antes de mais, as minhas duas professoras nos conservatórios do Porto e de Lisboa, respetivamente: Isabel Malaguerra e Helena Pina Manique. A professora D. Arminda Correia fez de forma extraordinária a breve transição entre uma e outra. Álvaro Benamor, na classe de ópera. A pianista Maria Helena Matos que me acompanhou com enorme competência desde o Conservatório Nacional, incluindo o exame final, e praticamente em todos os recitais que fui dando ao longo da carreira. O maestro Armando Vidal, músico de gema, com o qual preparei, como a generalidade dos artistas, quase todos os papéis que tinha a desempenhar nas dezenas de óperas em que fui interveniente. Entre os maestros – “pontos” – , não esquecerei o maestro Pasquali que tão competentemente orientou, durante os primeiros tempos, as nossas intervenções em palco, e o maestro Ascenso de Siqueira, grande e bom amigo e incrível ser humano… Tive a felicidade de trabalhar com encenadores como António Manuel Couto Viana, que me honrava com a sua amizade, Carlos Avillez (em várias óperas), Luís Miguel Cintra, João Lourenço

Cantores? Álvaro Malta, Hugo Casaes, Elizette Bayan, Armando Guerreiro, e outros… Lembro-me ainda de preciosas “dicas” que me deu Álvaro Malta

Compositores? Antes de mais, o Prof. Cândido Lima. Conheci-o em Paris. Conversávamos muito. Não esqueço o dia em que ele me apresentou ao seu amigo Iannis Xenakis… Fomos juntos a vários concertos. Preparei, com ele ao piano, algumas obras suas para canto. Foi meu pianista num concurso de canto em que fui premiado… Tudo isto em Paris, em 1977.

Com o grande compositor Fernando Lopes-Graça, tive a honra de preparar um importante papel de solista na sua obra As Sete Predicações d’Os Lusíadas, em vista à estreia mundial da mesma no VI Festival da Costa do Estoril (1980).
Joly Braga Santos honrava-me com a sua amizade e admiração. Com ele ensaiei o papel de solista na sua Cantata Das Sombras, sobre texto de Teixeira de Pascoaes, para primeira audição mundial no Teatro de S. Luís, a 27 de julho de 1985, com o Coro Gulbenkian, e enquadrada no XI Festival de Música da Costa do Estoril. De Joly Braga Santos nunca poderei esquecer as suas palavras, em pleno palco, no fim da última récita da sua Trilogia das Barcas, em maio de 1988: “Estou a compor uma ópera, para a Expo de Sevilha (daí a 4 anos), baseada numa obra de Frederico Garcia Llorca, Bodas de Sangue e tenho um muito bom papel para si”. Entretanto, o maestro falecia 2 meses depois, a 18 de julho de 1988, o que constituíu uma grande perda para o País, para a cultura portuguesa.

Quanto a críticos, devo dizer que, entre outros, Francine Benoit, João de Freitas Branco, José Blanc de Portugal muito me encorajaram e elogiaram!

E hoje, o que acha da evolução da ópera em Portugal?

Francamente, tenho dificuldade em responder. Há cerca de vinte e cinco anos, após a extinção da Companhia Portuguesa de Ópera e de ter dado como terminada a minha carreira lírica, abracei outro projeto e alheei-me bastante desse tema. Sei que, sobretudo por razões orçamentais, a programação se ressente, e muito. Tudo parece ser diferente. Repito: não tenho dados que me permitam fazer qualquer juízo de valor…

O que pensa do papel da música na Igreja?

Desde o Seminário Maior, fui lendo atentamente, e mais que uma vez, os documentos papais que surgiram desde o princípio do século XX:
o Motu próprio de São Pio X (1903) sobre a Restauração da Música Sacra;
a Constituição Apostólica Divini Cultus (1928) no pontificado de Pio XI, sobre a liturgia e a música sacra; a Encíclica Musicae Sacrae Disciplina (1953), do Papa Pio XII, sobre a Música Sacra, vocal e instrumental.

Logo após o Concílio do Vaticano II, surge a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium (1963), a realçar que “a acção litúrgica reveste maior nobreza quando é celebrada com canto, com a presença dos ministros sagrados e a participação ativa do povo”. E quando fala de canto, obviamente que se refere ao canto sagrado intimamente unido com o texto. E se o canto gregoriano ocupa sempre um lugar privilegiado em igualdade de circunstâncias, não são excluídos os outros géneros de música sacra mormente a Polifonia, desde que em harmonia com o espírito da ação litúrgica, e de acordo com os diversos tempos litúrgicos, com as diversas celebrações e os vários momentos da celebração. Compositores, organistas, mestres de coro, cantores, músicos (instrumentistas) devem formar um todo para o esplendor do canto.

Alguns anos após o Concílio, a famosa Instrução Musicam Sacram (1967), da Sagrada Congregação dos Ritos, é a síntese, diria perfeita, do que à Música Sacra diz respeito, desde o canto na celebração da missa, passando pela preparação de melodias para os textos em vernáculo, depois a música para instrumental, o Canto no Ofício, etc etc.

O assunto levar-nos-ia ainda a três ou quatro intervenções de São João Paulo II, a uma célebre conferência do Cardeal Ratzinger (mais tarde Papa Bento XVI) em 1985, a uma Nota Pastoral dos nossos bispos por ocasião do Ano Europeu da Música (em novembro de 1985).

E o nosso Papa Francisco, por mais de uma vez, tem insistido que a Música Sacra e Canto Litúrgico devem estar plenamente inculturados nas linguagens artísticas atuais.

Quais os compositores que mais ouve e, desses, que obras prefere?

J.S. Bach é incontornável. Oiço com frequência, por exemplo, a Cantata do Café, cuja ária Hat man nicht mit seinen kindern fez parte do programa do meu exame do Curso Superior de Canto de Concerto, e foi uma das provas de acesso ao Coro Gulbenkian, em novembro de 1974; a Missa em Si m, cujas árias de baixo cantei; e a Paixão Segundo S. João, em que interpretei o papel de Jesus, no Porto, em abril de 1977, quando ainda estagiava em Paris…
Haëndel (O Messias, e Música Aquática); Beethoven (Sinfonias 3, 6 e 9) e a ópera Fidelio, cujo papel de Rocco desempenhei em junho de 1986; Mozart (o Requiem que, enquanto membro do Coro Gulbenkian, cantei no Coliseu em 1975, com gravação para a Erato; a Sinfonia nº 40, etc etc); Haydn (A criação, a Missa de Santa Cecília e a Sinfonia Concertante); Bizet (Carmen); Bramhs (Um Requiem Alemão);Rossini (Stabat Mater); Tchaickowsky (Romeu e Julieta e Francesa da Rimini; Dvorak (Sinfonia nº 9, O Novo mundo); Ravel (Bolero); Rodrigo (Concerto de Aranjuez); Strauss (valsas); Elgar (Concerto para violoncelo).

E muito, muito mais, obviamente.

O que o levou a colecionar livros e discos?

Certamente, e de uma forma geral, o meu gosto pela música, a ligação à Igreja, o meu profissionalismo, a cultura. É claro que tudo se desenrola de acordo com as diversas etapas da vida:

a minha função de professor de Música (além de outras disciplinas) no seminário menor, após a minha formação, e o começo dos meus estudos no Conservatório;

a minha transição para a vida pastoral, durante 3 anos;

a minha ida para Lisboa para concluir o curso Superior, do Conservatório, e a minha curta passagem pela Fundação Gulbenkian;

o meu estágio de dois anos em Paris, concluído com 2 meses em Itália;

o começo e a continuação da minha carreira lírica no Teatro Nacional de São Carlos;

os 3 anos pós-São Carlos em que continuei a minha carreira;

o abraçar de novo projeto: “trabalhar” um coro inserido numa missão pastoral na Paróquia dos Anjos (Lisboa), a minha Paróquia, a partir de 1997 e, posteriormente, de 2003 a 2016, na capela do Palácio da Bemposta (Academia Militar);

e porque não dizê-lo, as minhas viagens de automóvel, algumas longas, nos anos 70 e daí para cá, para já não falar da minha própria casa…

Como vê, são muitas as etapas e as circunstâncias em que procurei estar sempre em dia e dentro das exigências das mesmas. Livros, discos, cassetes, CDs, DVDs eram verdadeiros instrumentos de trabalho, de cultura, de ocupação, de prazer…

Julgo ter sintetizado as razões da minha importante biblioteca e discoteca, das quais progressivamente e criteriosamente, me vou voluntariamente desfazendo.

Antes da sua formação académica no conservatório, que lugar tinha a música erudita no seu papel de formador no seminário?

Além de renovar completamente o repertório de cânticos religiosos que vinha de há longos anos (o que supunha rodear-me de bom material), comecei a interessar-me por vozes maravilhosas que os discos faziam chegar até nós (Mario Lanza, Luis Mariano, Alfredo Krauss etc, e por orquestras excecionais que nos traziam as mais belas melodias clássicas, canções famosas, música de filmes históricos…

Tive sempre a preocupação de partilhar com os meus jovens alunos algum desse maravilhoso mundo musical… Era importante para a educação da sua sensibilidade, dos seus gostos, da sua cultura.

Lembro-me, e muitos ex-alunos (quer do seminário, quer do ensino público) se recordarão de ter dado a ouvir, entre outras obras, uma pequena peça do compositor russo Alexander Borodine. Tratava-se de Nas estepes da Ásia Central. Era a caravana que surgia ao longe, a marcha dos camelos, a intensidade instrumental que “subia” a anunciar a chegada da caravana, a permanência no terreno, o retomar da marcha, os sons que se iam extinguido… até a caravana se perder de vista!… Era tudo tão belo, tão claro! Apaixonante!… O interesse era enorme. Os alunos começavam a compreender que a música tem um sentido, um conteúdo, uma intenção, uma finalidade, uma expressão!
O mesmo sucedeu com outras obras, como o Hino da Alegria, da IX Sinfonia de Beethoven! Etc etc.

Mas adverti-os sempre para que nada disto desviasse a atenção do essencial da sua formação!…

Em três palavras como se caracteriza a si mesmo?

Persistente! Perfecionista! Brioso!

Lisboa, 19 de março de 2018

Coros no Vaticano

III ENCONTRO INTERNACIONAL DE COROS NO VATICANO

Os coros encontram o Papa Francisco por ocasião da Festa de Santa Cecília
23-25 de Novembro de 2018

Após o Congresso de 2014 e o Jubileu dos Coros de 2016, eventos que contaram com a participação de mais de 8.000 pessoas, os coros diocesanos e paroquiais, músicos, organistas, maestros e diretores de coros e de comissões litúrgicas do mundo inteiro irão encontrar-se novamente de 23 a 25 de novembro para o III Encontro Internacional de Coros na ocasião da Festa de Santa Cecília, Padroeira da Música e dos Músicos.

O evento, organizado pela associação Nova Opera Onlus em colaboração com o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, acontecerá inteiramente no Vaticano: na sexta-feira, dia 23, e no sábado, dia 24, na Sala Paulo VI; e no domingo, dia 25, na Basílica de São Pedro.

O Encontro Internacional começará na sexta-feira, dia 23 de novembro, e contará com a presença de grandes especialistas em música sacra e litúrgica provenientes de todo o mundo. Palestras e testemunhos vindos de vários contextos, bem como ensaios e atividades práticas que envolverão ativamente todos os participantes estão na programação.

Mons. Marco Frisina, maestro do Coro da Diocese de Roma, será o moderador do congresso e das mesas-redondas que discutirão o tema: Música na liturgia e na catequese para a Nova Evangelização.

FIPE

I FESTIVAL INTERNACIONAL DE PERCUSSÃO DE ÉVORA

A Associação e o Conservatório Regional de Évora “Eborae Mvsica” promove nos dias 7, 8 e 9 de dezembro de 2018 o I Festival Internacional de Percussão de Évora sob a orientação de Vasco Ramalho, Sérgio Almeida, Rui Sul Gomes e Igor Lesnik, no Convento dos Remédios, e no Teatro Garcia de Resende.

Haverá os seguintes concertos:

07 de dezembro, 21h30, com Simantra GP, no Teatro Garcia de Resende

08 de dezembro, 21h30, por Guirimbadu (Guitarra e Marimba), no Convento dos Remédios

09 de dezembro, 19h30, o Concerto de Encerramento, com todos os participantes e tendo como solistas Rui Quintas e Vasco Ramalho, no Teatro Garcia de Resende.

As classes de aperfeiçoamento e Workshops têm como objetivos contribuir para o desenvolvimento técnico e artístico dos formandos; partilhar experiências individuais e coletivas; promover e valorizar o trabalho desenvolvido pelos formandos; motivar o progresso na aprendizagem, contactar e trabalhar com grandes nomes do panorama musical nacional e internacional.

Vasco Ramalho estudou na Escola Profissional de Musica de Évora, e na Universidade de Évora onde se licenciou em percussão na classe de Eduardo Lopes no ano 2005. Entre 2006 e 2008 frequentou uma Pós-Graduação em marimba solista no Royal Conservatory Antwerp – Bélgica com Ludwig Albert.

Participou em vários cursos e festivais internacionais dos quais se destaca: Zeltsman Marimba Festival 2003 que decorreu em Aplleton – WI – USA; Ludwig Albert Academy 2006 – Belgica; Keiko Abe Academy 2007 – Belgica onde trabalhou com Keiko Abe; IPEW 2008 – Croácia. Festival de musica da UÉ 2013, Tomarimbando 2014/2017, Percussion Friends 2017 no Conservatório de Amsterdão, entre outros.

Em Julho de 2017 lançou o seu primeiro CD, Vasco Ramalho – Essências de Marimba, Fados & Choros tendo feito mais de meia centena de atuações por todo o país. É membro do Duo Gurimbadu com o guitarrista Eudoro Grade, projeto que se tem apresentado em vários países.

Rui Sul Gomes, timbales, estudou no Conservatório Nacional de Lisboa, com Girão Ferreira, e na Academia Nacional Superior de Orquestra. Paralelamente, frequentou os cursos de aperfeiçoamento de Benoit Cambrelaing, Nicolas Martynciow, Juanjo Guillem, Miquel Bernat, Steven Schik, John Bergamo, Ema-nuel Sejourné e Robert Van Sice, entre outros e estudou, a nível particular, com Nick Woud, Solista da Orquestra do Real Concertgebouw de Amesterdão. Apresentou-se com diversas formações nos princi-pais festivais em Portugal, no Coliseu do Porto e na Fundação Calouste Gulbenkian. Como solista, atuou com a Orquestra Académica Metropolitana, a Filarmonia das Beiras e a Orquestra Clássica de Espinho, com a qual tocou, em primeira audição em Portugal, o Concerto Fantasia para dois Timpaneiros e Orquestra de Philip Glass, com o percussionista Miguel Bernat. Apresentou-se em vários países da Europa, nos Estados Unidos da América, na Tailândia e em Macau. Tem sido convidado para orientar cursos de percussão e leciona atualmente na Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo do Porto e na Academia Nacional Superior de Orquestra.

Igor Lesnik é um dos principais percussionistas europeus. A suas composições fazem parte de programas de concertos de solistas de renome e grupos de percussão bem como competições de percussão. Das suas colaborações com vários colegas surgiu uma grande coleção de gravações e concertos internacionais o que levou a música de percussão croata a ser conhecida em todo o mundo Desde 1984 lidera a secção de percussão da orquestra sinfónica da rádio croata e, desde 1990 organiza eventos internacionais de percussão. Igor Lesnik e o organista Mario Penzar apresentaram-se em duo pela primeira vez na Bienal da Música Zagreb em 1999 estreando várias peças para órgão e percussão de compositores croatas. Desde então, fizeram uma tourné mundial em igrejas e salas de concerto.

Sérgio Almeida começou a sua paixão pelo Djembe e a Tradição Mandingue em Portugal, primeiro entre amigos, integrando alguns grupos de percussão e depois pelo Mestre Gueladjo Sané que deu a conhecer a verdadeira riqueza da percussão africana e a sua polirritmia.

Viajou pela África, Senegal e Mali em 2002, esteve com Mestre de Kora Djibril Diabaté conhecendo a tradição de um ponto de vista mais melódico e aprofundando sua linguagem com os mestres da região.

Incorporou durante vários anos o grupo de percussão Belga Instinct Baroudeur em que viajou por vários países da Europa em concertos e em festivais. Desde 2006 estabeleceu-se por definitivo no sul de Portugal, fundou o grupo de Percussão Rhakatta, que conta com numerosas apresentações em festivais.

As inscrições serão aceites por ordem de chegada e até ao dia 23 de novembro de 2018.
Podem ser obtidas mais informações junto da associação/Conservatório, através do e-mail eboraemusica@mail.evora.net, ou www.eborae-musica.org ou telef: 266746750.

Lisbon Sintra Film Festival

Lisbon & Sintra Film Festival, de 16 a 25 de Novembro

A MÚSICA NO LEFFEST’18

LAURIE ANDERSON

apresenta NOVOS MATERIAIS SONOROS E VISUAIS e uma CONVERSA/ PERFORMANCE (Esgotado)

Sábado 17 de Novembro- 19h00
Espaço Nimas

Artista multimédia, realizadora e compositora, Laurie Anderson foi descoberta por um público mais alargado no inícios dos anos 80, quando o seu single O Superman atingiu inesperadamente o segundo lugar na tabela de vendas britânica.

Laurie Anderson já trabalhava antes em projectos multimédia ambiciosos que incluíam não só música mas também vídeo, projecções, dança e escrita. É também compositora e instrumentista responsável pela invenção de vários instrumentos que utiliza. Na sua relação com o cinema, há na carreira de Laurie Anderson um marco importante: Home of the Brave: A film by Laurie Anderson (1986), um filme concerto gravado durante a digressão do álbum “Mister Heartbreak”, em que a artista é ao mesmo tempo realizadora e participante.

Como compositora, contribuiu ainda para a banda sonora de filmes de realizadores como Wim Wenders e Jonathan Demme. Em 2015, foi convidada do LEFFEST, onde apresentou Heart of a Dog (2015), um filme realizado após a morte do seu companheiro Lou Reed.

JOHN ZORN II (2016-2018),

de MATHIEU AMALRIC

Sábado 17 de Novembro – 21h45
Cinema Monumental, Sala 1

Depois de ter apresentado Zorn (2010-2017) no LEFFEST’17, Mathieu Amalric traz agora um novo capítulo de um “work in progress”: JOHN ZORN II (2016 – 2018), apresentado em primeira mão no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian no programa dedicado a John Zorn.

O filme de Mathieu Amalric sobre John Zorn começou por ser uma encomenda de um canal televisivo europeu. No entanto, o cineasta colocou este primeiro projecto de lado para filmar um retrato muito mais íntimo do músico, um diálogo contínuo entre dois amigos, que não terá nunca um fim.

É por isso que, após um primeiro lançamento do filme em 2017, Mathieu Amalric mostra, em 2018, um novo capítulo deste documentário único. A sessão contará com a presença em sala do realizador. Em breve, mais novidades acerca dos filmes a exibir nesta sessão!

CHRYSTA BELL & DAVID LYNCH,

UMA LONGA HISTÓRIA DE COLABORAÇÃO CHRYSTA BELL apresenta os videoclipes das músicas que compôs com David Lynch

Domingo 18 de Novembro, 15h00
Centro Cultural Olga Cadaval

Sexta-feira 23 de Novembro, 19h00
Monumental, Sala 1

Chrysta Bell conheceu David Lynch em 1998, tendo colaborado com ele desde então. A música Polish Poem foi co-escrita com Lynch e incluída nos últimos minutos de Inland Empire (2006). Também o seu álbum This Train (2011) foi co-escrito com Lynch, assim como o EP Somewhere in the Nowhere (2016). Chrysta Bell interpreta Tammy Preston, uma agente do FBI na série Twin Peaks, The Return (2017).

O LEFFEST organiza uma sessão especial com a projecção de videoclips de canções de Chrysta Bell (que também integra o júri do festival), escolhidas por si, e uma conversa com a cantora e actriz sobre a sua colaboração com David Lynch.

Antestreia de AINDA TENHO UM SONHO OU DOIS – A HISTÓRIA DOS POP DELL’ARTE,

de Nuno Duarte e Nuno Galopim.

Exibição do filme seguida de uma conversa de Nuno Galopim com a banda icónica dos anos 80

Terça-feira 20 de Novembro, 21h00
Cinema Medeia Monumental, Sala 1

Com mais de 30 anos de existência, os Pop Dell’Arte pautam-se por uma forte componente eclética e subversiva. Incorporaram na sua música referências como o Cinema, a Performance, a Poesia e toda uma gama de temas que, até à sua criação, nunca tinham sido abordados na música portuguesa. Ainda tenho Um Sonho ou Dois resume o que foram as mais de três décadas de existência desta banda lisboeta, desde os seus primeiros passos no mítico Rock Rendez Vous, até à criação da editora independente Ama Romanta e aos dias de hoje.

CINE – CONCERTO DE RODRIGO AMADO MOTION TRIO

que interpretará uma banda sonora inédita para o filme “FRAGMENT OF AN EMPIRE”(1929), de Fridrikh Ermler
Quarta-feira 21 de Novembro, 21h30
Espaço Nimas

Filimonov, o protagonista do filme, é um jovem que perdeu a memória durante a Primeira Guerra Mundial. Recuperando-a anos mais tarde, olha para o mundo de 1928 e para a nova sociedade soviética através dos olhos da era czarista de 1915. Nada corresponde à sua memória, incluindo o facto de São Petersburgo se chamar agora Leninegrado e se ter tornado uma cidade modernizada. Lembra-se também que tinha esposa e decide procurá-la. O filme é uma mistura vencedora de parábola política, sátira social e complexa psicologia, além de revelar uma exímia fotografia de exteriores. Será exibida uma versão extensa e restaurada.

O restauro em causa é disponibilizado pelo San Francisco Silent Film Festival e pelo EYE Filmmuseum em parceria com a Gosfilmofond (Rússia).

A sessão será acompanhada por música ao vivo, a cargo de Rodrigo Amado Motion Trio.
O saxofonista e fotógrafo Rodrigo Amado tem contado ao longo dos anos com a participação de algumas das mais importantes figuras do jazz como o trompetista Peter Evans e outras das figuras do jazz livre actual como Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano nos seus discos, tendo o seu sexto albúm, do seu celebrado Motion Trio “Desire & Freedom, sido considerado disco do ano, por publicações como o El País e a revista The Wire.

Antestreia de PIAZZOLLA, LOS AÑOS DEL TIBURÓN (2018),

de Daniel Rosenfeld

Sexta-feira 23 de Novembro, 18h30
Centro Cultural Olga Cadaval apresentado pelo realizador

Domingo 25 de Novembro, 21h30
Espaço Nimas | Conversa com o realizador

Pela primeira vez, o filho do músico Astor Piazzolla divulga imagens de arquivo do pai, que estiveram na base do retrato cinematográfico de um compositor lendário que mudou para sempre a história do tango. Composto pela justaposição de imagens das esferas pública e privada, este retrato permite ao espectador conhecer a intimidade deste génio.

MARTHA ARGERICH E STEPHEN KOVACEVICH:

PEÇA PARA DOIS PIANOS. E UMA CONVERSA….

Sexta-feira 23 de Novembro, 21h00
Teatro D. Maria II

Duas figuras maiores da música, os pianistas Martha Argerich e Stephen Kovacevich regressam ao festival, agora, na qualidade de membros do júri da secção Em Competição. Na cerimónia da entrega de prémios no TNDMII, vamos poder ouvi-los: PEÇA PARA DOIS PIANOS. E UMA CONVERSA….

Martha Argerich participou na edição de 2016 com um recital de piano e uma conversa que se seguiu à projecção do filme Bloody Daughter, documentário realizado pela sua filha Stéphanie Argerich, com o pianista e maestro Stephen Kovacevich. Também Stephen Kovacevich regressa ao festival, tendo na edição passada participado com um recital de piano e uma conversa.

Brilhante pianista argentina, dotada de grande mestria técnica e de uma personalidade interpretativa carismática, é unanimemente considerada pelos músicos da sua geração como a melhor pianista do mundo. Nascida em Buenos Aires (1941), ganha notoriedade aos 16 anos ao vencer os dois mais importantes concursos de piano europeus (o de Genebra e o de Bolzano), o que a lança num intenso programa de concertos, culminando com a gravação, em 1960, do primeiro disco (para a Deutsche Grammophon). A vitória, aos 24 anos, no Concurso Chopin de Varsóvia é o passo decisivo para a sua carreira e reconhecimento internacionais. Famosa pelas interpretações do grande repertório pianístico (Bach, Beethoven, Chopin, Schumann, Liszt, Debussy, Ravel, Bartók, Prokofiev), tendo trabalhado como solista com os mais famosos maestros e orquestras.

Stephen Kovacevich é um dos mais reputados pianistas e maestros mundiais. Nascido em Los Angeles, estreia-se em São Francisco aos 11 anos e aos 18 muda-se para Inglaterra para estudar com Myra Hess. Após uma sensacional estreia europeia em Londres, inicia uma longa e distinta carreira internacional como solista, tocando com as mais prestigiadas orquestras e maestros e sendo particularmente reconhecido pelas interpretações das obras de Beethoven, Brahms, Mozart e Schubert. Como músico de câmara, colabora com artistas como Jacqueline du Pré e Martha Argerich. Intérprete destemido, ousa assumir riscos, técnicos e musicais, para atingir o máximo de impacto expressivo.

Exibição de CARMINHO NO LUX (2012), de João Botelho

Sábado 24 de Novembro, 21h00
Teatro D. Maria II

João Botelho realizou um filme do concerto de Carminho, ao vivo, no Lux, em 2011.
A sua exibição será seguida de uma conversa com CARMINHO E JOÃO BOTELHO e alguns fados, por Carminho.