MELOTECA SÍTIO DE MÚSICAS E ARTES
Desde 2003
> EDUCAÇÃO E MÚSICA, EDUCAÇÃO PELA MÚSICA
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Flauta de bisel
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Xilofone
Prato
 
MÚSICA E AMBIENTE
LIXO DA PRAIA TRANSFORMA-SE EM INSTRUMENTOS
Trompa, de John Bertles, Irlanda
No mês de Junho de 2006 a Ericsson levou a cabo uma iniciativa ambiental que consistiu na limpeza da Praia de Algés, Oeiras. Participaram nesta acção cerca de 30 colaboradores da empresa, tendo recolhido cerca de 500 kg de lixo. Parte dos resíduos serviu para a construção de instrumentos musicais feitos em oficinas montadas de propósito para o efeito.

A Ericsson realizou esta acção com o apoio dos Jovens em Movimento da Câmara Municipal de Oeiras.

Meloteca, 12 Janeiro 2007


RECICLO DOS RITMOS
Joana Marques, ReCiclo dos Ritmos

Paulinho Kaimã criou no Brasil o projecto "Sons e Sucatas", construção de instrumentos musicais a partir de desperdícios. Fez trabalhos artísticos com crianças de favela de São Paulo, Brasil, um Curso de Percussão/Teatro/Artesanato, Oficina de construção de instrumentos percussivos a partir de sucata, Curso de Percussão Afro-Samba-Reggae, Curso Investigação dos Ritmos para Teatro, Construção de instrumentos em PVC e madeira, Oficina sobre Música Popular Brasileira.

Em 1998, Kaimã participou na Expo'98 em Lisboa, tendo ficado desde então em Portugal a desenvolver, entre outros os seguintes trabalhos musicais:

Oficinas de percussão: Braga (1998); Silvares (Fundão, 2000); Workshop com Rui Junior (Toca Rufar); Workshop na FNAC (2001);

Trabalho de percussão no Balleteatro e no Centro de Dança do Porto (2002);

Director musical da Escola de Samba de Lordelo (Paredes, desde 1998)

Acção de Formação em Percussão na Fundação para o Desenvolvimento Social do Porto (desde 2004);

Acção de Formação do projecto "Sons e Sucatas" para o Dia da Percussão em Viana do Castelo (2005);

Coordenador e Director musical do projecto Roda dos Ritmos (Porto);

Curso de Percussão e Formação de Grupo de Percussão na Casa das Glicínias (Porto);

Projectos de construcção de instrumentos através de materiais recicláveis (Porto);

Criador do projecto Re-Ciclo dos Ritmos.

Joana Marques, criadora do ReCiclo dos Ritmos juntamente com Paulinho Kaymã, é formada em Sociologia pela Universidade do Porto (2004) e com um ano de investigação na Universidade de Bergen (Noruega). Fez um trabalho de investigação sobre crianças de rua (2000/2001), um trabalho de investigação sobre o sociólogo enquanto agente de desenvolvimento (2002/2003), e tese de licenciatura sobre políticas de cooperação para o desenvolvimento (2003/2004). Integra desde Outubro de 2004 o projecto Roda dos Ritmos, iniciativa da Fundação para o Desenvolvimeno Social do Porto, onde desenvolve actividades com crianças, idosos, portadores de deficiências. Frequenta desde 2004 o curso de formação em percussão Kaiymã Drums. Orienta oficinas na área de construção de instrumentos musicais através de reciclagem. É formadora da Acção de Formação "Sons e Sucatas" para o Dia da Percussão em Viana do Castelo. Integra um grupo de percussão feminino, com várias apresentações na FNAC.

Fonte: reciclodosritmos

Meloteca, 13 Janeiro 2007


MÚSICA E RECICLAGEM NO OESTE DO RIO, BRASIL
Reciclo-calimba, Brasil
No projecto "Reciclagem, Misancene e Música", em Realengo (Oeste do Rio, Brasil), reutiliza-se o que muitos deitam fora, fazendo-se instrumentos com tampas de refrigerante, tubos de PVC, troncos e campainhas de telefone. Os instrumentos originais inspiram e geram novos músicos que se aventuram por ritmos como maracatu, samba, funk e MPB. O padrinho é Hermeto Paschoal. "Quando cheguei não sabia tocar nenhum instrumento, mas tinha vontade de aprender. Hoje sei tocar um pouco de tudo", diz Marlon Maike, 11 anos, um dos 22 elementos das oficinas, que acontecem na sede da Associação de Moradores da Carumbé (AMOCAR), parceira do projecto.
Das aulas, que acontecem duas vezes por semana, com oficinas de prática de conjunto e de construção de instrumentos, participam adultos, jovens e crianças da comunidade.
Reciclo-sopro, Brasil
MOLA DE FOGÃO TORNA-SE RECO-RECO
A organização do projecto está nas mãos de quatro amigos. Eles resolveram que era preciso fazer alguma coisa pelo cenário sócio-cultural e pelo meio ambiente em Mangueiral. À frente da coordenação está o músico Marcelo Gularte, que retornou à comunidade após a perda de um irmão, vítima da violência.

"Fui criado no Mangueiral, depois morei na Zona Sul e, há cerca de dois anos, voltei pra cá, onde meu irmão viveu. Percebi que tinha que fazer alguma coisa para dar perspectiva aos jovens", conta.
Entre os instrumentos que os alunos aprendem a confeccionar estão chocalhos feitos de coco, reco-reco de bambu, pau de chuva de cano de PVC, além de outros instrumentos de percussão. Entre eles, uma velha campainha de telefone e baquetas fabricadas a partir de galho de árvore e pedaço de borracha.

Nada é desperdiçado. Com a tampa do filtro de ar de um carro e uma mola de porta de fogão, por exemplo, foi feito um reco-reco baptizado de trovão. "A sonoridade é estridente, parece uma guitarra distorcida", observa o professor de construção de instrumentos Carlos Henrique Gomes da Silva.

A matéria-prima é retirada do lixo. "A ideia é incentivar a colecta selectiva. Nós costumamos reunir um grupo, colectamos e trazemos os reciclados para a sede do projecto. Os participantes ajudam-nos a escolher o que será utilizado", diz o coordenador e músico Marcelo Gularte. Durante as aulas, os participantes adquirem conhecimentos sobre cultura, história e educação ambiental.
Xilofone, Brasil
RECICLAR PESSOAS
As oficinas também dão espaço para a criatividade e a experimentação. "Nós, que trabalhamos com instrumentos artesanais, somos parecidos com os cientistas - estamos sempre a pesquisar novas fórmulas", diz Fábio Santos, de 29 anos, mostrando uma harpa africana que costumava ser tocada quando o chefe de uma tribo morria. "Mas ela era feita com outros materiais", observa.

No Rio, o marfim foi substituído por braços de árvore de goiabeira e os pinos de afinação de madeira foram trocados por pinos de mesa de 'snooker'. "Enfim, tudo foi adaptado para as nossas possibilidades", diz Fábio, um dos colaboradores do projecto.

O presidente da Associação de Moradores, Cláudio Peixe, 35 anos, conta que recentemente os moradores de Mangueiral passaram a guardar material reciclável para doar às oficinas. "Tem menos lixo a ser lançado aos rios da comunidade", diz.

"As crianças ficam abismadas quando descobrem que é possível tirar som de um coco ou de um cano. O projeto fortalece a vontade de aprender", afirma. Cláudio sorri ao falar sobre os organizadores do projecto. "O mais engraçado é que somos amigos de infância. Éramos todos umas pestes, a gente brincava com tudo o que encontrava pela frente. Hoje eu sou presidente da associação, eles coordenam o projecto e tudo é feito na maior seriedade", afirma Cláudio.

Segundo o coordenador do "Reciclagem, Misancene e Música", Marcelo Gularte, projecto surgiu diante da falta de recursos para a compra de instrumentos musicais aliada à preocupação com a preservação ambiental.

"Era preciso promover uma mudança produtiva no cenário cultural de Zona Oeste, que estava estagnado. Os jovens queriam tocar, queriam participar, mas não tinham espaço nem dinheiro. Ao mesmo tempo, eu via um monte de lixo sendo depositado no rio, nas ruas, e isso incomodava-me", diz.

Marcelo usa o conceito ambiental de forma bem ampla: "Quando falamos em reciclagem não estamos a falar apenas do lixo, mas também de reciclar as pessoas, que se encontram sem auto-estima, sem perspectiva de vida, na posição de objectos. Temos o objectivo de mudar essa situação social através da música", assinala. Para colocar o projecto em prática, foi fundamental o compromisso de Cacá, morador de Mangueiral.

"Por falta de recursos, sempre fui um músico auto-didacta. Queria aprender a tocar instrumentos, mas não tinha dinheiro para comprá-los. Então comecei a pesquisar outros timbres, a procurar maneiras de fazer eu mesmo os instrumentos, com peças que ia encontrando por aqui", diz o músico.

Cacá já andava a pesquisar ritmos brasileiros quando mergulhou de cabeça na ideia de reunir músicos da comunidade que, como ele, fossem auto-didactas. O embrião do "Reciclagem Misancene e Música" foi o "Código de Barra", projecto que promovia apresentações ao ar livre com alguns instrumentos de material reciclado. "O nome era uma referência aos músicos que eram barrados nos grandes eventos porque não tinham dinheiro, daí a palavra barra", explica.

O grupo - que reunia cerca de dez pessoas - pesquisava novas sonoridades e trabalhava em apresentações que misturavam artes cênicas e música. Os espectáculos aconteciam em espaços alternativos, como do lado de fora das lonas culturais. As pessoas que passavam podiam olhar a apresentação e tocar os instrumentos.

Reciclo-tuba, Espanha
FORÇA DE HERMETO
A partir do "Código de Barra", a pesquisa de novos ritmos enriqueceu-se até se tornar o projecto atual. "A ideia foi ganhando corpo, as crianças e os adolescentes foram-se interessando", lembra o coordenador Marcelo. Ele conta que o pontapé inicial foi o primeiro lugar no concurso "Acção Durban", voltado para o estímulo a práticas sócio-culturais. O empurrão final foi dado com uma carta de referência dada por Hermeto Pascoal. "Ele fazia ensaios abertos em casa e já conhecia o nosso trabalho de pesquisa musical.

Ao dar essa ajuda, Hermeto Pascoal acabou tornando-se uma espécie de padrinho do projecto", lembra o coordenador Marcelo.

Com o primeiro lugar no concurso, o "Reciclagem Misancene e Música" teve financiamento durante cinco meses. "Agora estamos em busca de novos patrocínios", diz. Apesar de reconhecer que é dura a estrada para os músicos, o grupo conta com orgulho que a fabricação de instrumentos musicais só tem ganhado força nos últimos anos.

Prova disso é o trabalho realizado pelo artesão e contrabaixista Alexandre Braga, 30 anos. Nas mãos do músico, os instrumentos ganham sofisticação. Um cano de PVC acopla-se ao miolo de uma velha flauta doce e a uma cabaça para dar origem ao 'clarinete-cano'. Existe, ainda, uma variação desta fórmula, feita com um joelho do cano de PVC - o 'sax-cano'.

"A sonoridade é única", diz o contrabaixista, que dá aulas particulares de fabricação e prática de instrumentos em Realengo e São Gonçalo (região metropolitana do Rio). Alexandre sonha colocar em prática seu próprio projecto em uma comunidade de Realengo, bairro da Zona Oeste, onde mora: "Acho importante que esse tipo de oficina atinja outras comunidades". Alguém duvida?

Júlia Duque Estrada

Fonte: www.gabeira.com.br

Meloteca, 12 Janeiro 2007


TAMBORES DO BAMZO: PERCUSSÃO E ECOLOGIA
Tambores do Bamzo, Brasil

A banda "Tambores do Bamzo" foi fundada em 2002 por jovens alunos da Escola Mardônio Coelho a partir de uma oficina de percussão com o professor Clécio. O projecto foi idealizado pelo professor e artista plástico Zildo Marques com o objetivo de transmitir os conhecimentos acerca do que seria tocar percussão com materiais recicláveis.

Promovendo o som da comunidade através de ritmos como coco, ciranda, maracatu e samba com influências de rock e hip-hop e do próprio mangue beat, a Banda tem como principal apoio à comunidade escolar incluindo sua direcção, a qual cede o espaço escolar para os ensaios do grupo.

Apesar das inúmeras dificuldades estruturais e de manutenção, os músicos prosseguem com seu ideal em confeccionar seus próprios instrumentos tendo como matéria-prima materiais recicláveis, a exemplo de baldes, garrafas plásticas e garfos de bicicletas, conseguindo actualmente contar com a participação de um contrabaixo e de uma guitarra que veio adicionar criatividade musical e contribuir para a constante inovação do grupo.

As vésperas da estreia do seu primeiro CD, a ser lançado no dia 04/07/2006, por meio do programa "Incubadoras Culturais", sob o título "Itinerário" e constando de quatro faixas, a "Tambores do Bamzo" demonstra o seu amadurecimento musical retratado inclusive na música "olha só quem chegou", a qual menciona a realidade que a Banda atravessa ao decidir transformar baldes e latas em instrumentos musicais.

A "Tambores do Bamzo" também tem como objectivo social promover a cultura e a cidadania entre os jovens da comunidade e moradores de rua, afastando-os da marginalidade e trazendo-os para o ambiente escolar, oferecendo aos sábados e domingos oficinas de percussão para crianças e adolescentes. Nas oficinas os alunos são estimulados a desenvolver os aspectos emocionais, sociais e educacionais a exemplo do respeito e do trabalho colectivo, usando os ritmos regionais como base para a estruturação da identidade social.

Fonte: www.reciferock.com.br

Meloteca, 12 Janeiro 2007


ORQUESTRA DE PLÁSTICO E SINFONIA DO LIXO
Tambores, Ciclo Natural

As pessoas foram convidadas a participar numa experiência inusitada, levar o seu próprio instrumento, desde que fosse um objecto condenado ao lixo: latas, garrafas, canos de ferro, tubos de plástico, garrafões de água.

Pepê convidou as pessoas a compor a "Sinfonia do Lixo" na avenida Sumaré, São Paulo, fechada ao trânsito aos domingos. Ali descobriram, em conjunto, os sons que podem ser extraídos de objectos aparentemente inúteis. "É uma viagem ver os olhos das pessoas quando percebem nascer um som inesperado."

Até chegar ao som do lixo, Pepê, hoje com 33 anos de idade, teve de reciclar um ressentimento contra a música. Nasceu numa família de muitos músicos: a sua bisavó já era professora de piano; o seu irmão mais velho, Paulo, exibia talento para flauta e, nas festas, costumava ser o centro das atenções. "Confesso que me sentia um marginal."

Os dois irmãos dormiam no mesmo quarto. Paulo não se separava da flauta e, desde adolescente, passava horas e mais horas no quarto estudando Bach e Vivaldi. Sem habilidade para tocar instrumentos, Pepê até tentou cantar, mas foi apelidado de "voz de trombone".

Pepê achava estranha a atracção que exerciam sobre ele, na adolescência, alguns sons estranhos: o ranger da porta da garagem, por exemplo. "Na música, sentia-me tão à margem como aqueles ruídos."

Foi viver nos Estados Unidos, onde cursou o ensino médio e acabou sendo seduzido pela música. Por diversão, tocava violão na rua. Veio morar em São Paulo, levou o estudo de música a sério e acabou envolvendo-se com o Teatro Oficina, dirigido por Zé Celso. Foi-se rendendo ao gosto pela experimentação na descoberta de sons extraídos de diferentes materiais e acabou envolvido num projeto de reciclagem de lixo, a Oficina Boracea.

Surgiria, assim, a Orquestra de Plástico (projeto de criação de instrumentos musicais com materiais reciclados), que comanda a "Sinfonia do Lixo". É uma combinação harmónica: por afastar o estresse dos motores, a avenida passou a emitir, pelos menos aos domingos, diferentes sons: os das bicicletas, skates, caminhadas, carrinhos de bebés ou bola batendo no chão. É assim que os peões, como Pepê, deixam de ser marginais.

Fonte: Folha Online, Brasil

Meloteca, 12 Janeiro 2007


MÚSICA E CONSCIÊNCIA AMBIENTAL
Percussão

Transformar tubos de PVC, pedaços de vidro, cabos de vassoura, madeira e latas em melodia e harmonia. Esta é a proposta da banda "Ciclo Natural", que se apresentou no Fiocruz Pra Você a convite da Comissão Interna de Gestão Ambiental do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Recorrendo exclusivamente a instrumentos musicais alternativos, confeccionados com materiais que normalmente seriam descartados, o grupo convidou os espectadores a reflectir, embalados pela música experimental, sobre a sua responsabilidade sobre o meio ambiente.

O Ciclo Natural foi formado em 2001, após anos de estudo e experimentação na construção de instrumentos musicais alternativos. O espectáculo, realizado no Anfiteatro do Centro de Recepção, foi uma demonstração do sucesso neste desafio. Para atingir o público de forma mais intensa, os músicos convidaram algumas jovens da audiência para um improviso. Mesmo frente a instrumentos inusitados, eles não decepcionaram.

O som metálico de molhos de chave, o estalido de madeira e o impacto seco da mão sobre a lata são alguns exemplos dos recursos sonoros gerados pelos instrumentos pouco convencionais - todos produzidos pelos próprios músicos. Se a principal motivação dos músicos é "plantar a semente do reaproveitamento da sucata e da conscientização ecológica", certamente este Fiocruz Pra Você fará surgir alguns brotos.

Gustavo Barreto

Fonte: www.ioc.fiocruz.br

(IOC - Ciência para a Saúde da População Brasileira)

Meloteca, 12 Janeiro 2007


A MELODIA DO LIXO: BANDA CICLO NATURAL
Reciclo-instrumentos

Nas suas oficinas, o grupo "Ciclo Natural" (Brasil) mostra que há música em metais, plásticos e até materiais orgânicos.

É a partir de materiais descartados pela sociedade que o "Ciclo Natural" inventou uma maneira bem criativa de levar a discussão da ecologia para palcos e escolas do Rio de Janeiro. Reaproveitar o lixo do dia-a-dia na construção de instrumentos musicais é a tónica do grupo nos seus espectáculos e oficinas - momento em que a criação dos instrumentos também se torna um método de aprendizagem para crianças.

Apoiado no tripé "educação - arte - ecologia", o grupo de músicos-educadores viu na confecção de instrumentos uma rica vivência artesanal. Nela, tanto o manuseio de materiais como a interação musical entre as crianças, tornam-se ferramentas pedagógicas:

Pelos conteúdos não específicos da música, a criança aprende uma socialização e desenvolve a coordenação motora. Ela vai compreender que o outro existe, o seu lugar no mundo, a hora de falar mais alto ou mais baixo. "Quando estás a tocar, tens que escutar o outro - diz Ciro Kastrup, elemento do grupo.

O "Ciclo Natural" surgiu em 2001, a partir de um convite para tocar num evento sobre reciclagem, no Recreio Shopping. Como já pesquisavam instrumentos alternativos, o grupo despertou muita curiosidade e novos convites surgiram; desta vez para um trabalho junto às escolas.

A gente viu que esse campo de escolas era uma coisa que ninguém fazia. Existiam muitos trabalhos com crianças, mas não a construção de instrumentos - conta o músico Marco Arruda.

São vários os materiais utilizados. Desde metais e plásticos até orgânicos, como cabaças ou cascas de nozes. De cascas secas de maracujá, por exemplo, faz-se um curioso chocalho cujo som mais parece o de aplausos. Para instrumentos de pele, aproveita-se o plástico de luvas de limpeza ou de bolas de aniversário. Uma lata de panetone torna-se um banjo adaptado, ou melhor, um "lato-banjo".

Dá para ser, a princípio, com qualquer material. Mas cada um presta-se a um fim. Não se não vai querer fazer um som de agudo com materiais porosos. É questão de física. A nota aguda requer um material mais rígido, para vibrar mais rapidamente - explica Kastrup.

O repertório do Ciclo abraça os géneros da música brasileira sem perder o clima "orgânico" ou "natural" que o caracteriza. Baptizadas por trocadilhos, como "Maracatubos", ou temas ecológicos, como "Samba Reciclado" e "Presente à Terra", as músicas foram gravadas em CD distribuído aos participantes das oficinas.

A professora Maria Vitória Ciciletti chamou-os, no começo do ano, para uma oficina às educadoras da creche da Universidade Federal Fluminense. Ela conta que, além da criação dos instrumentos, as professoras também estão a descobrir como aproveitar o CD:

Na última reunião a gente estava a falar de como programar a hora do descanso das crianças. E uma delas disse que gosta de usar o CD deles, por causa daqueles sons de natureza. Tem funcionado para acalmar as crianças.

O professor de biologia do colégio Marista São José, Hélio de Albuquerque, também conta com o grupo como complemento na educação. O professor associa o conteúdo de suas aulas com a objetividade das oficinas:

Pode-se aprender as matérias do dia-a-dia de uma forma agradável. Trabalham-se noções de física, de matemática e, logicamente, de biologia e educação ambiental.

Outro aspecto ressaltado por Hélio é a oportunidade de levar a arte até as comunidades desfavorecidas, impedidas de comprar os instrumentos das lojas. Ele acredita ser saudável discutir a desigualdade social do Brasil, e defende que não pode haver um local ecologicamente equilibrado enquanto a sociedade mantiver as diferenças sociais, gente sem escola e sem emprego.

Didgeridoo, Brasil
ANTÓNIO ESPÍRITO SANTO

À frente do curso Musik Fabrik desde 1995, Antônio Espírito Santo foi talvez a maior figura na formação dos músicos do "Ciclo Natural".

O músico iniciou a sua pesquisa de instrumentos no final da década de 70, por conta de um projecto de música africana, o Vissungo, quando se viu obrigado a recriar os instrumentos originais da cultura negra.

Para Espírito Santo, é natural que o artesanato faça uso do material que houver disponível no meio ambiente, não importando qual seja:

Se no centro urbano o material disponível é o lixo industrial, utiliza-se esse. Na África fazem-se instrumentos de corda de cabaça, porque a cabaça é o material disponível na floresta.

O Musik Fabrik é um curso de extensão oferecido pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, aos interessados na fabricação de instrumentos musicais e outros "estranhos produtos de som".

Fonte: www.ciclonatural.com.br

Meloteca, 12 Janeiro 2007


FERNANDO SARDO: INSTRUMENTOS RECICLADOS
Fernando Sardo
Fernando Sardo pesquisa e constrói instrumentos musicais de corda, sopro e percussão de diversas culturas e épocas há 15 anos. No seu trabalho criativo, integra música e artes plásticas resultando na criação de instrumentos musicais e de esculturas sonoras construídos com matérias primas nativas como cabaça e bambu, madeira, pedra, e outros materiais alternativos como metal, vidro, papel e plástico.

Fernando Sardo utiliza os seus instrumentos e esculturas sonoras nas suas composições e trabalhos musicais no seu trabalho a solo "Bambuzais", tendo-se já apresentado no Brasil e Estados Unidos. Como artista educador, ministra oficinas de música e construção experimental de instrumentos expandindo este conceito relacionando cultura e meio ambiente.

Fonte: www.fernandosardo.mus.br

Meloteca, 15 Janeiro 2007


EXPOSIÇÃO DE INSTRUMENTOS EM NITERÓI, BRASIL
Ciclo Natural, instrumentos reciclados
No Teatro Municipal de Niterói, esteve patente em 2005 a exposição "A Percussão Através do Tempo". A mostra organizada por Carlos Poubel, Paulo Márcio Vaz, Marcelo Salazar e Tamir de Souza reuniu instrumentos de percussão de várias categorias, diferentes culturas e países seguindo quatro classificações: industrializados, artesanais, reciclados e eletrónicos.

Carlos Poubel é músico percussionista e produtor cultural. Nascido em Niterói, já tem completos 30 anos de carreira nos quais teve o prazer de tocar com diversos artistas da mpb. Integra a banda de Marcos Valle tocando pelo Brasil e pelo exterior, com a mala repleta de instrumentos variados, ora comprados em lugares distantes, ora sob encomenda a artesãos especializados. O fascínio e a curiosidade que estes instrumentos despertaram no público nos lugares por onde se apresentou, fez com que ele tivesse a ideia de criar uma exposição onde este universo particular da música estivesse mais ao alcance das pessoas.

Para ajudá-lo a formatar e conceber este projecto convidou os percussionistas Marcelo Salazar, conhecido por utilizar instrumentos bastante exóticos com sonoridades muito próprias, Paulo Márcio Vaz que diversifica suas actividades entre a música pop e as obras sinfónicas, Tamir de Souza, baterista e artesão e Paulão Menezes um dos percussionistas mais requisitados da cidade.

Quinteto formado, a primeira providência foi dar uma cara ao projecto que começou por dividir os instrumentos em quatro categorias possibilitando assim, uma melhor compreensão do público sobre o assunto.

Instrumentos industrializados: construídos em grandes fábricas em todo mundo, encontram-se facilmente nas lojas do ramo. São exemplos os tamborins, cuícas, bongós.

Instrumentos artesanais: pesquisados, concebidos e construídos por artesãos especializados e encontrados em lojas especiais ou por encomenda. São exemplos a cabaça d`água, caxixi, berimbau, cascata de sementes, xequerê e outros.  

Instrumentos reciclados: também construídos por artesãos que reutilizam materiais agressores do meio ambiente, como latas usadas, garrafas, para os transformar em instrumentos de percussão.

Instrumentos eletrónicos: têm como princípio a gravação de sons naturais e a sua transformação em sons analógicos, para reprodução através de baterias eletrónicas, pads, samplers.

Concluída a lista de instrumentos, veio então a necessidade de criar uma pequena demonstração para explicar de maneira simples a origem e a técnica de execução de cada um destes instrumentos fazendo com que as pessoas possam ouvir um pouco destes sons raros e mágicos. Assim foram agendadas duas apresentações com participação interactiva do público.

Em um país em cuja cultura musical a percussão é intensamente utilizada, esta exposição vem para divulgar e valorizar um pouco mais este segmento da música.  

Fonte: www.revistamuseu.com.br

Meloteca, 15 Janeiro 2007


RECICLAR E PERCUTIR
Paulinho Kaimã, Reciclo dos Ritmos

No Grêmio Recreativo Unidos da Lata de Lixo, a palavra-chave é reciclagem.

Ali, descobriu-se a sonoridade dos garrafões de plástico, a batida dos palitos de churrasco nas latinhas de refrigerante, o reco-reco das molas adaptadas em latas de óleo. Tudo é reaproveitado. A cada fim de semana, o bloco concentra quase 200 pessoas no bairro de Colégio, Rio de Janeiro, Brasil.

Garrafões de água, latas de 20 litros e baldes de plástico formam o naipe de surdos e repiques. Latas de cerveja vazias transformam-se em tamborins ou, cheias de pedrinhas, viram uma espécie de ganzá. "O nosso desfile tem tampas de panela, baldes, frigideiras. Quem tem algum instrumento em casa também traz e entra na folia", conta Jacira Lourenço, presidente do bloco.

A única pretensão do "Lata de Lixo" é espalhar a brincadeira e a ideia da reciclagem pelas vizinhanças.

A notícia de que o Lata de Lixo é o bloco da reciclagem tem atraído garis e catadores de papelão e garrafas da região. Quando o Ginho viu que o preço dos 3kg de chapinhas de cerveja e refrigerante que tinha juntado para vender não compensava o trabalho, resolveu doar tudo ao bloco. Tornaram-se enfeites de fantasias e chocalhos.

Flocos de isopor, que vêm em embalagens de aparelhos eletrónicos, costumam ter o mesmo destino. Além de servir para a decoração da Adega da Kátia, quartel-general do bloco plantado à rua Ibiracoá, onde tudo começou.

Outro que cata latinhas entre um biscate e outro como pintor, bombeiro hidráulico e pedreiro, é Osni, um dos mais activos na produção dos instrumentos.

"Vivo de reciclagem há três anos. Nas horas vagas, fabrico pandeiros de lata de marmelada, reco-reco de lata de óleo, chocalho de chapinhas de refrigerante batidas e furadas ao meio. Tudo para reforçar a bateria do nosso bloco", explica. Em parceria com o amigo Gemora, Osni é também um dos três concorrentes ao samba-enredo de 2005. O tema são as quatro estações do ano.

COM 300 FOLIÕES NA RUA

Até as argolas das latinhas são aproveitadas. Servem para confeccionar e enfeitar fantasias. Para isso, o bloco tratou de arranjar um esquema. Toda a gente, principalmente as crianças, se encarrega de procurar latas vazias pelas vizinhanças e armazenar as argolas num balde à entrada da Adega da Kátia. Não que fantasia seja um quesito forte no Lata de Lixo. Elas estão mais presentes no abre-alas, formado pela criançada da rua. Para o resto do pessoal - com excepção da bateria que tem camiseta do bloco - vale a regra do "sai como pode". O que, na prática, significa vestir uma camisa e sair por aí, junto com os outros cerca de 300 foliões que o bloco arrastou pelas ruas do bairro no desfile de estreia, no Carnaval.

Todos ajudam. Este ano, a cinco meses do Carnaval, a comunidade inteira movimentou-se para preparar um desfile. Trabalhando com reforma de bancos de autocarro, Bernadino tem destino certo para suas sobras de napa. Elas têm servido para dar um toque diferente em fantasias e alegorias.

O próprio Bill fala do seu entusiasmo com o bloco: "Acho o Lata de Lixo de uma simplicidade e qualidade incomparáveis. Além disso, é muito interessante esta preocupação com a cultura e com o lixo", fala. Sempre que pode, ele ainda colabora com algum dinheiro. "Às vezes R$ 20, mas ele já chegou até a dar R$ 40. E está sempre connosco", fala Dona Jacira.

REFORÇO NA BATERIA

Com tamanha adesão pela vizinhança, o Lata de Lixo tem sido mantido à custa de vaquinha, livro de ouro e contribuições de R$ 5 mensais. Dinheiro usado para comprar as camisetas da bateria e couro para consertar os pandeiros e surdos cedidos por outro bloco local, o Embalos do Colégio.

LATAS DE REFRIGERANTE TORNAM-SE PODEROSOS CHOCALHOS

Este tem sido, aliás, um grande reforço. "Como o Lata de Lixo só tocava instrumentos feitos por eles mesmos, a Dona Jacira, que já conhecia nosso trabalho, convidou-nos a dar um apoio nos ensaios. Comprou peles para algumas peças e agora juntamos forças", explica o ritmista Clair, um dos fundadores do Embalo, que existe desde 1997.

Com isso, a bateria passou a contar com 15 ritmistas. Uma metade, toca instrumentos tradicionais, e a outra, os reciclados. Acompanhando o equipamento de som - quando há dinheiro para alugar um - vai um cavaquinho.

"Muitas vezes, o pessoal leva o samba só na empolgação e na bateria. E essa mistura de instrumentos dá um som muito interessante. Quem nunca ouviu estranha um pouco no início, mas depois habitua-se", fala o Bambam. Aos 40 anos, ele é intérprete do samba e o responsável pelos ritmistas.

Membro da directoria, Damiana tem sido testemunha do crescimento do Lata. "Todos aqui são parentes e vizinhos. Tudo começou com uma simples brincadeira, batendo e cantando em um latão de lixo, mas está a crescer. Na semana anterior ao Carnaval, então, todo a gente aparece à última hora querendo sair no bloco. O que mais gostei foi essa união da comunidade", fala.

BAIRROS VIZINHOS SÃO BEM-VINDOS

Damiana era uma das freqUentadoras da Adega da Kátia, quando o Lata nasceu, em novembro passado. Não se sabe bem de quem foi a ideia de formar um bloco na rua, mas o nome, Lata de Lixo, foi sugestão de Nádia, filha da presidente Jacira, diante da inventividade do grupo que batucava nas mesas e em tudo o que encontrava pela frente.

Nádia mora na França há três anos e quando sente saudades da folia, liga no fim de semana para o orelhão do bar só para ouvir o som do ensaio na rua. No Carnaval, não há quem a segure no inverno europeu. Nádia desembarca no Rio, pronta para os festejos de Momo e o desfile no Lata de Lixo.

Folião de carteirinha, com passagem por várias escolas e blocos - Beija-Flor, Mocidade Independente de Padre Miguel, Imperatriz Leopoldinense e Cacique de Ramos -, o vice-presidente e tesoureiro Marco Antônio, hoje só quer dedicar-se ao Lata de Lixo.

"Estamos tentando registrar o bloco na Liga Independente dos Blocos de Embalo do Rio e também pedir à prefeitura o fechamento da rua Ibiracoá nos finais de semana como área de lazer", explica.É ele quem deixa no ar o convite ao pessoal de bairros vizinhos, como Rocha Miranda e Irajá: "Se houver quem conheça mais de reciclagem e possa doar-nos ou ensinar a melhorar os instrumentos e mesmo a criar outros, pode se chegar que será bem-vindo. A nossa filosofia não é aparecer, e sim brincar e consciencializar a comunidade sobre o lixo." (Begha Lindemberg e Vilma Homero)

29 Outubro 2004

Fonte: www.gabeira.com.br/cidadesustentavel/atitudes

Meloteca, 15 Janeiro 2007

Reciclo-pau-de-chuva
SÍTIOS
CICLO NATURAL

www.ciclonatural.com.br

Ciclo Natural. Educação, Artes e Ecologia. Após anos de estudos e experimentação na construção de instrumentos musicais alternativos e motivados a plantar a semente do reaproveitamento de sucata e da conscientização ecológica, em 2001, Ciro Kastrup e Marco Arruda formaram o Ciclo Natural. (...)

BASH THE TRASH

jbertles

Bash the trash - Musical Instruments built from recycled materials. All about building musical instruments from recycled materials. Online step-by-step instructions on how to build your own cool and weird homemade musical instruments. Information on Performances, Residencies, Staff Development and more.

FERNANDO SARDO

www.fernandosardo.mus.br

Fernando Sardo. Construção de instrumentos alternativos.

PAULINHO KAYMÃ

www.kaiyma.com

Paulinho Kaymã. (...) Criei o Projecto "Sons e Sucatas" no qual faziamos nossos próprios instrumentos. Com este projecto trabalhei em várias Casas de Cultura em São Paulo. Trabalhei com vários cantores e fiquei conhecido no meio como um percussionista que trabalhava bem com instrumentos exóticos e de efeitos.

RECICLO DOS RITMOS

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Reciclo dos Ritmos. Paulinho Kaimã e Joana Marques.

 
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